13 de jun de 2018

Cap 62 - A Caridade (3ª edição) - Parte 4

A CADA QUAL A SUA COTA

Enquanto não levantarmos a bandeira da mudança e começarmos a fazer algo de concreto nós ficamos como mendigos da evolução.

Isso mesmo, como mendigos. Cheios de ideias, cheios de informação, cheios de conhecimento e reclamando de tudo. Reclamando disso, reclamando daquilo, que o mundo está errado, que isso está errado, que aquilo não presta, e daí por diante.

De onde observamos que a luta de redenção, que é de uma beleza extraordinária, exige cooperação, determinação e amor. Aliás, essa faixa operacional que se estende para além da justiça espera um pouco mais de cada um de nós.

E as pessoas à nossa volta representam o quê? São componentes que nós precisamos delas e elas de nós. Isso é fato. E tanto é que muitos já entendem o sentido científico da caridade em termos de bem viver. É o que a gente precisa saber: o porque temos que exercê-la, o que ela pode nos proporcionar de bom, o que nos propicia de positivo, qual o seu significado prático na nossa vida.

E para início de conversa, caridade é um exercício espiritual e quem a pratica movimenta forças da alma.

Outro ponto interessante é que o serviço de Jesus é infinito. O que significa isso? Que na sua órbita há lugar para todos. Sem exceção. Cada criatura recebe determinado talento da providência divina para servir no mundo. Velho ou moço, com saúde física ou sem ela, ninguém é tão pobre que nada possa dar de si mesmo.

Não existe aquele que não tenha alguma informação. Já observou? E por menor que seja essa informação, é uma informação que nos convida à serenidade, ao equilíbrio, à capacidade de operar no bem, ao chamado para respeitar o semelhante e ajudar naquilo que for possível, em maior ou menor escala. O necessário é movimentar o dom que recebemos do Supremo criador para avançarmos na direção da grande luz. Porque se a gente pensar bem, receber da vida nós sempre recebemos, e continuamos recebendo. O momento agora é  de doar.

Pensar em caridade pode parecer algo filosófico para muitas pessoas, mas no fundo representa reverter o mecanismo dos nossos desejos e interesses. Está dando para acompanhar? Quem está pensando em crescer, quem está querendo seguir adiante, mudar o rumo da caminhada e encontrar uma parcela maior de reconforto pessoal, isolado da caridade e do interesse de cooperação, vai ter uma grande frustração.

Vai se frustrar.

Todos nós vamos concluir, mais dia ou menos dia, que a prática do bem é apenas simples dever.

Esse é o conceito que temos aprendido e a opinião que temos recolhido dos espíritos elevados. Quando começarmos a sair dessa massa dos atritos e dos movimentos naturais de vinculação à retaguarda, e passarmos a entrar em uma proposta de melhoria pessoal, quando utilizarmos essa compreensão e melhorarmos a nossa linha de interação, começaremos a encontrar um estado de maior equilíbrio interior. É só experimentar para sentir. O amor é algo que flui ao nível da misericórdia. E nós não temos como adquirir a harmonia íntima se não buscarmos a paz exercendo, ao mesmo tempo, a misericórdia com os semelhantes.

A vida não exige o meu sacrifício integral em favor dos outros. De forma alguma. Mas eu também não posso esquecer do minuto de apreço aos outros. Quer dizer, eu não posso deixar a minha vida para buscar viver uma vida exclusiva em função do semelhante. Isso eu não devo fazer. Se assim fizer, eu posso me alienar. Por outro lado, eu tenho que pensar nas necessidades do outro. Ficou claro?

E isso também não significa que eu tenho que sair por aí procurando os outros para auxiliar. Não precisa. Porque os outros chegam à nossa porta a toda hora. Importante é fazer um levantamento das nossas possibilidades, pois no trabalho cristão cada seguidor contribui conforme a sua posição evolutiva. Cada qual deve estar situado na sua faixa de serviço, fazendo o melhor dentro do seu alcance.

Sem o lubrificante da cooperação a máquina da vida não funciona. É da lei! Cedamos algo de nós mesmos em favor dos outros em razão do muito que outros fazem por nós.

E mais, sem reclamar. Afinal, felizes são os que buscam na revelação nova o lugar de serviço que lhes compete na Terra. Um cristão sem atividade no bem é um doente de mau aspecto pesando na economia da vida social. Por isso, procuremos exercer a bondade e a misericórdia em patamares cada vem mais avançados.

7 de mai de 2018

Cap 62 - A Caridade (3ª edição) - Parte 3

SENSIBILIZAÇÃO

Em algum momento você parou para pensar que uma das funções mais sublimes da inteligência é a capacidade de se colocar no lugar do outro? Aliás, isso demonstra um grau de maturidade do ser humano.

E repare que muitos companheiros chegam aos núcleos religiosos quase que dentro de uma linha terapêutica. Isto é, chegam em alguma coletividade espiritual, seja ela de qual natureza for, para resolver os problemas do seu mundo interior. Concorda?

Esse chega para buscar conforto para si mesmo, aquele tenta encontrar a solução para um problema qualquer, outro busca socorro para o filho doente, e por aí adiante. E o começo não é assim? O que não deve ser novidade para ninguém, afinal de contas não é a dor e a dificuldade, em tese, que levam as criaturas humanas ao evangelho?

E depois dessa chegada, passada aquela fase inicial de descobrimento, em que a criatura começa a participar dos estudos e reuniões de forma sistemática, assídua, o que acontece em muitos casos? Ela começa a notar devagarzinho que o assunto é um pouco mais abrangente. E na medida em que vai definindo a sua nova posição pessoal, ela costuma até ser convocada a cooperar de alguma forma.

Não acontece? Porque o mundo vai convocando cada um de nós a um processo de cooperação.

É uma tecla que a gente tem que bater muito nela. Nós vamos estudando o evangelho e nos elegendo, gradativamente, companheiros interessados em cooperar.

Assim, muitas vezes é comum observar que a pessoa foi para buscar auxílio e, de repente, o que aconteceu? Ela se vê integrando alguma equipe daquele núcleo, dando passes em doentes, fazendo alguma atividade, visitando hospital. De forma que esse é um ponto que merece atenção. É importante aprendermos a sair de nós mesmos, auscultando a necessidade e dor daqueles que nos cercam.

Agora, um detalhe que a maioria das pessoas não atina. Estamos trabalhando, dando palestras, fazendo isso, fazendo aquilo, dando passes, distribuindo alimentos, visitando hospitais, entre outras atividades. E tudo isso para quê? Já pensou? 

No fundo, achamos que estamos exercendo o amor. E está correto. Não está errado não! Alguém pode achar que está fazendo uma atividade externa para resolver o problema dos necessitados, que está distribuindo alimentos para resolver o caso dos carentes do estômago, ou visitando hospital por causa dos doentes. Mas no fundo não é isso.

Será que está dando para acompanhar o raciocínio? Porque a questão é interessantíssima.

Um indivíduo que integra uma equipe de um grupo religioso acha que está fazendo um bem fora de série para os outros. Realmente pode estar, mas no fundo qual é o objetivo dele estar nessa equipe de visita a hospital, por exemplo? Qual é? A resposta imediata é levar conforto a alguns pacientes do hospital. Mas, no fundo mesmo a sua ida ao hospital não é para atender ou auxiliar o paciente não, embora isso possa ocorrer. Acima dessa meta, além desse objetivo, o propósito é a sua integração no campo da sensibilização e da cooperação.

Percebeu? É para mexer com a sua capacidade de determinação pessoal, trabalhar a sua linha educacional. A criatura vai lá porque ela está precisando aprender e treinar. Treinar o quê? Ser uma pessoa mais dócil, mais amável, uma pessoa solidária.

Muitas vezes também ela está trabalhando assim na arregimentação de recursos para enfrentar o seu grito íntimo. E com essas atividades ela começa a alterar a sua linha íntima. De forma que a caridade que se desenvolve em muitos grupos espirituais de forma sistematizada tem esse papel fundamental.

Por enquanto, apesar de querer ajudar, nós estamos lutando conosco no plano educacional.

E todo aquele que pretende crescer ele nutre uma sensibilização para com aqueles que estão à sua volta. Por outro lado, o dia em que todo mundo for espontâneo no discernimento daquilo que é bom para as outras pessoas e para si mesmo, com certeza não vai precisar mais dessas atividades sistematizadas.

A grande verdade é que nós não podemos alterar a nossa estrutura intrínseca ou resolver os nossos problemas interiores, sejam eles quais forem, apenas com a assimilação de conhecimento, apenas com a arregimentação de padrões de natureza informativa.

Isso é ilusão. Qualquer lance de natureza formativa ou aplicativa na mudança de estrutura pessoal vai implicar necessariamente em uma linha de inter-relação com as pessoas. Ficou claro? É preciso esse entendimento. Não tem como evoluir sem interagir.

Não tem como caminhar sozinho. Sozinho você até caminha, mas não vai longe.

Quanto mais nós vamos crescendo em termos de percepção, mais notamos que vamos ficando envolvidos pelas pessoas, situações e coisas. Logo, não vamos ter medo dos envolvimentos a que estamos sujeitos ao longo da jornada. No contexto da nossa oportunidade de trabalho nós vamos lidar com muitas pessoas.

29 de abr de 2018

Cap 62 - A Caridade (3ª edição) - Parte 2

INTERAÇÃO

A solidão efetiva e finalística não existe. Vamos entender isso de uma vez por todas. A vida do homem é uma vida solidária, uma vida de relação de indivíduo para indivíduo.

Esteja ele recluso na prisão, constrangido a viver em algum ambiente distante, navegando sobre as águas longínquas do mar ou encravado no seio da terra, o fato é que ele jamais se encontra só. O homem jamais deixa de viver na companhia de alguém. E por viver em bloco, em ligação, ele é por natureza um ser sociável.

E um recado importante para nós é de que não há como alguém evoluir de modo isolado. Não adianta querer se isolar, porque isso é da lei. Ninguém vive só.

Aliás, vamos corrigir: alguém até pode viver só, mas com certeza não vive bem!

É a mais pura verdade. Não estamos mais naquele processo de cada qual viver por si. 

A gente não cresce sozinho. Ninguém cresce sozinho. Isso tem que ser levado em conta. 

Deus nos espera nos outros e não podemos evoluir de modo personalístico. Aliás, o personalismo, se a gente pensar bem, tem sido um componente que trava o processo evolucional.

É nessa hora que eu observo que não posso me manter fechado, que eu não posso viver sozinho no meu mundo. Eu tenho que interagir. E mais, saber interagir com as pessoas e os valores à minha volta. A lei de interdependência ou cooperação funciona na extensão de todo o universo. É uma tônica, ponto de maior realce e importância. 

Os seres vivem em um contexto universalista e nós necessitamos uns dos outros. Então, não tem jeito, não há o que discutir: a vida é interação. Vivemos em função dos outros porque a interdependência mora na base de todos os fenômenos da vida.

O laboratório capaz de nos propiciar acesso efetivo a um estado melhor vai depender dessa nossa interação com os outros, com as coisas, fatos e situações. Com o mundo em si.

É por isso que a humanidade inteira cresce hoje na área da comunicação e a internet se expande cada vez mais para todos os cantos e todos os setores. Às vezes, por exemplo, em cinco minutos a pessoa atende a quatro telefonemas, responde a vários chamados virtuais e, se bobear, fazendo algo enquanto interage.

E longe de querer fazer uma dramatização, existe um mundo chorando à nossa volta.

Você acha que eu estou exagerando? Não é difícil observar que o mundo de hoje, do nosso campo mais próximo aos mais distantes, todo ele, passa por lutas e necessidades. E todas as áreas estão sendo visitadas por um chamamento. Um chamamento geral, que não se restringe a um grupo de indivíduos.

A cada momento nós somos solicitados a ajudar alguém de alguma maneira, a cada instante somos chamados a exercer o amor ao próximo. E nós simplesmente não podemos mais continuar como meros espectadores dos acontecimentos.

Somos convocados a auxiliar na faixa de ação em que estamos situados, porque por menores que sejam as nossas possibilidades encontramo-nos todos integrados em um território de cooperação. Basta a mínima sensibilização para nos certificarmos que se de um lado há os que nos canalizam recursos de cima, de outro estão aqueles indivíduos que se encontram abaixo esperando cooperação.

E nessa interação nós temos que fazer algo para os outros para que a vida faça algo por nós.

Porque todos nós, sem exceção, dependemos uns dos outros na desoneração dos compromissos que nos competem. Isso é fato. Queiramos acreditar ou não, achamo-nos magneticamente associados uns aos outros. E é um erro lamentável querer despender todas as nossas forças sem proveito para ninguém.

Não tem como evoluir alienado do contexto. Isso não dá mais! Nós estamos estudando o evangelho a conta gotas e o evangelho está sendo trabalhado para nos ensinar que acabou aquele período de cada qual viver para si. Definitivamente.

Não se trata apenas de uma teoria ou filosofia bonita. O mundo é assim: tem uns gemendo e outros tentando tirar o gemido e auxiliar, uns chorando de dor e outros tentando cuidar da ferida dentro das suas próprias dificuldades. E não adianta fugir, negar ou tentar se esquivar, mais cedo ou mais tarde nós temos que entrar na luta para cooperar.

O verbo interligar se associa ao verbo fazer. E não dá para evoluir daqui para frente só em campo teórico.

Não há como trabalhar no mundo de hoje sem uma ideia dentro de nós de cooperar com os outros. 

É imprescindível ultrapassarmos a posição sistemática e acomodada de eternos auxiliados para nos engajarmos em uma proposta nova de auxílio, num esforço de integração para além da consciência informativa, pela instauração de um sistema dinâmico de trabalho, realização e amor. Porque se não operamos sabe o que acontece? Tornamo-nos mendigos da evolução. E cá pra nós, mais vale auxiliar hoje do que ser o auxiliado de amanhã.

Na busca por nossas conquistas não podemos nutrir nenhum sentimento de isolamento, pois no insulamento ninguém recolherá a suprema alegria. Não há como encontrar a felicidade plena nas amarras do egocentrismo. Não há como evoluir esquecido dos outros.

É impossível edificar a felicidade sem uma sensibilização quanto aos semelhantes.

De alma cerrada ao interesse pela felicidade do próximo jamais encontraremos a própria felicidade.

Não dá mais para encontrar a felicidade encasulando-nos num processo egocêntrico, não tem como encontrar a sustentação de felicidade preso naquela regra egoísta. Em outras palavras, hoje ninguém mais é feliz por si próprio.

Logo, quem quiser ser feliz tem que se abrir. Quem quiser ser feliz daqui pra frente tem que fazer algo pelos outros, abrir-se no interesse dos outros. Quem quiser estar bem consigo próprio tem que fazer algo no campo universalista, colocar suas possibilidades, de alguma forma, ao dispor dos outros. Nós não podemos mais ignorar fazer alguma coisa na extensão da felicidade comum a nosso próprio benefício.

Daqui para a frente a nossa felicidade depende muito em fazer os outros felizes!

E a conclusão é simples: é necessário cooperar. Sozinho não se faz nada. Sem interação não existe progresso. Os que não cooperam não recebem cooperação.

Se eu dissociar o meu interesse das pessoas à minha volta sabe o que acontece? Eu fico trabalhando em um plano de egocentrismo. E o egocentrismo leva à perda da vida, naquele sentido essencial de reconforto íntimo.

Quer dizer, eu passo a não viver bem, porque a felicidade não consegue se multiplicar quando o amor não sabe dividir. 

O mundo dá muitas voltas e muitos indivíduos se esquecem hoje de que amanhã serão, talvez, os necessitados e os réus, carentes de perdão e de socorro. Por outro lado, quando começamos a cooperar com os outros iniciamos o cumprimento da parte que nos compete na grande luta. É um assunto para pensar... 

21 de abr de 2018

Cap 62 - A Caridade (3ª edição) - Parte 1

CONCEITOS INICIAIS

O que é o amor? Será que a gente consegue defini-lo? A bem da verdade, é muito difícil dar uma definição dentro da nossa ótica perceptiva acanhada. Mas de uma coisa sabemos: o amor é uma soma, é uma tônica no universo. É a energia, a vibração que tudo circunda e envolve. 

Constitui a lei máxima no campo abrangente universal. Amor é o sentimento por excelência, é o sustentáculo. Podemos dizer, sem medo de errar, que ele é a essencialidade que mantém e sustenta o equilíbrio do universo. Esse sentimento divino é a corrente invisível em que se equilibram os mundos e os seres e dele derivam todas as virtudes, que nada mais são do que as modalidades e aspectos da sua abrangência.

O universo inteiro é uma corrente de amor em movimento incessante. Que não cessa, não pára.

E o mais bonito disso: o criador não age represando o seu amor, Ele não age cerceando o amor. O criador não guarda o amor para si, não armazena o seu amor. O manto protetor do amor não é como a galinha, que mantém o seu envolvimento e agasalha apenas os pintinhos debaixo das suas asas. De forma que a primeira coisa a ser observada é que o amor não é estático, ele foi feito para ser dinamizado.

E quando nós falamos no plano operacional do amor nós falamos em quê? Em caridade.

Ou seja, caridade é a manifestação do amor, é a aplicação do amor. Representa a dinamização dessa energia sublime. Caridade é a expressão tangível do amor, é o amor aplicado. É o elemento operacional do amor, a aplicação do amor. É a materialização da teoria, consiste na expressão crística. É a dinâmica do amor. E tanto é a dinâmica do amor que é muito comum as pessoas misturarem os termos. Ou seja, em muitas situações uma fala caridade e outra fala amor, e ambas dizem a mesma coisa.

Aí, alguém pergunta: "Espera aí, Marco Antônio, você está dizendo que amor e caridade são a mesma coisa?" Bem, para ser preciso não. Existe uma distinção. Se nós fizermos uma comparação e colocarmos os dois numa espécie de microscópio, vamos observar que o amor é muito mais do que a caridade. Afinal de contas, acabamos de dizer que amor é a essencialidade que mantém o equilíbrio do universo. Certo? Logo, ele é muito maior. Além do que, frisamos: caridade não é o amor total.

E vamos explicar essa questão. De forma alguma a caridade é o amor como um todo. Fizemos questão de deixar isso bem enfatizado. Caridade não é o amor total. Caridade é uma faceta do amor. Qual faceta? É a parcela do amor aplicado.

É o amor em sua faixa de aplicação, o amor em sua linha dinâmica. É como se fosse o terreno ou o campo onde o amor está operando. Está dando para entender?

Como resultado, toda caridade legítima traz amor consigo (óbvio, pois a caridade é o plano aplicativo do amor), mas nem todo amor é caridade. Vamos dar um exemplo? Uma pessoa diz a outra em uma conversa: "Nossa, você não tem ideia de como eu amo o Gustavo. Você não imagina. Faz quarenta anos que eu o acompanho. Desde o seu nascimento." Tudo bem, ela pode realmente amar o Gustavo a quem se refere, mas a verdade é que o seu amor nunca se manifestou. Percebeu? Ela diz que o ama, mas nunca fez nada em favor dele. Deu uma ideia?

O amor é que mantém o equilíbrio no universo. E se estamos falando de amor e universo estamos falando de infinito. Então, isso não é com a gente. O amor na sua essência, na sua contingência total e abrangente universal não é com a gente, é com Deus, com o Pai. Isso é fato. Amor não é conosco, porque perfeição, bondade e misericórdia são inerentes a Deus. Misericórdia é algo de Deus.

E tanto é assim que Jesus, a expressão máxima que nós conhecemos, não aceitou o título de bom.

Mas nem por isso vamos ficar desanimados. Pelo contrário, porque o amor só é sublimado se for praticado. E o plano dinâmico do amor compete a nós, e não a Deus. Daí, sabe qual a nossa função nesse contexto? Nos ajustar ao terreno refletor do amor.

O universo inteiro é uma corrente de amor em movimento incessante e nós não podemos de forma alguma lhe interromper a fluência das vibrações. Em outras palavras, a Deus compete a área emissora, criadora, e a nós as áreas operacionais.

Se a dinâmica é uma lei que impera em tudo, não há como dinamizar o amor sem passarmos pelo exercício do amor. Se conosco não é amor, conosco é amar. 

Temos que ser misericordiosos para entendermos a misericórdia de Deus, porque só amando nós aprendemos o que é o amor. E amor nós somos em potencial. Logo, sabe qual o nosso desafio? Operar o amor, expandir o amor, transformar o amor em amar, pelo exercício incessante e sublime da bondade e da caridade.

15 de abr de 2018

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 17 (Final)

MELHORANDO A AÇÃO II

Quando agimos de forma premeditada podemos acertar, aparentando conhecimento, no entanto, quando reagimos, nem sempre dentro dos princípios adotados na ação, constatamos o espaço que vigora entre nossas conquistas efetivas e as aparentes, evidenciando que apenas parecemos ter determinados padrões, quando de fato não os possuímos.

Assim, quando o telefone toca, eu atendo, me desentendo com alguém do outro lado da linha e desligo aborrecido e chateado, é porque eu perdi no momento do teste. Não é isso? Falhei. Perdi o teste.

Em muitas situações do cotidiano, e por falta de equilíbrio e controle, nós precipitamos e costumamos dificultar todo um esquema.

É preciso reconhecer isso, afinal pela reação nós também podemos refletir e avaliar. E com um detalhe da maior importância: trabalhando unicamente o aspecto da reação vai ser muito difícil, mas muito difícil mesmo, a gente conquistar.

Naquele mesmo dia em que eu fui pouco feliz no telefone, que me desentendi com a outra pessoa, soltei até um palavrão e desliguei na cara dela, depois, mais calmo, eu analiso e penso: "Oh! Meu Deus, mas que coisa. Me faltou paciência!"

Esse tipo de análise é importante, porque no plano da reação nós aferimos a conquista e também podemos identificar e fazer um diagnóstico das nossas necessidades fundamentais. Está dando para acompanhar? E é por aí que vamos aprendendo e crescendo. Vamos adquirindo conhecimento, como é que se reage, como que se faz.

Aí, eu faço o quê? Pego um livro para ler. Leio uma página, duas páginas e jogo o livro longe. Não acontece? E noto que está me faltando o quê? Paciência. Percebeu? Falta paciência, falta persistência, falta disciplina, falta controle emocional.

Depois eu esqueço a questão e fico esperando outro telefonema para poder atestar a minha carência. Caio na real e penso comigo mesmo: "Quero ver se da próxima vez que essa pessoa me ligar eu não aja daquela forma que agi". E o que acontece? Uma semana depois o telefone toca e é a mesma pessoa de novo. E eu simplesmente volto a naufragar. Assim, de lance em lance eu vou criando um somatório de decepções que podem até mesmo me levar a uma certa patologia. 

E nesses lances eu descubro sabe o quê? Que a minha impaciência não é com aquela pessoa, não é apenas no telefone, a minha impaciência é uma falha da minha própria intimidade. Ficou claro? E a outra pessoa é um instrumento que está me testando.

Uma semana depois eu consegui ter calma. Na outra, como se diz na gíria, soltei os cachorros. Logo, onde é que não está funcionando? Nas reações. Percebeu? Por mais que eu tente melhorar, eu continuo reagindo mal. E a questão é que o estado de reação automática de minha individualidade está vinculado à vida que eu implementei, às vezes, durante muito tempo, seja nessa experiência reencarnatória ou na soma de inúmeras outras. E a qual conclusão eu chego? Que se o meu grau de paciência está fraco em uma determinada área eu tenho que trabalhar especificamente essa área. Não é isso?

Não é assim que tem que acontecer? Eu preciso me matricular em uma nova proposta, em um novo ambiente psíquico, onde a questão passa a ser não mais operar em cima das reações que aferem, e sim em cima das ações que determinam. De que maneira? Partindo para um sistema de implementação da ação.

Porque trabalhando a ação nós costumamos, de forma natural, arregimentar componentes de defesa e de administração da própria emoção ante determinados acontecimentos.

E para vencer a carência eu tenho que partir não para o plano de reação, mas para o campo da ação. Tenho que trabalhar com carinho cada movimento, cada ação.

Deu para entender ou será que eu andei falando grego por aqui? Porque é pela elaboração de novas faixas de ação que nós conseguiremos desativar a intensidade dos reflexos menos felizes que ainda insistimos em manter e repetir.

A preocupação íntima não deve ser com a reação, querer desmontar a reação, e sim com a ação, melhorar a ação no aspecto positivo. Afinal, crescemos pelas ações.

A aprendizagem nos leva a ação e a ação é o componente que nos possibilita a fixação.

O evangelho é claro: a cada um será dado segundo as obras. Então, é pelo fazer que desativamos com tranquilidade. 

Vamos fazendo, até o momento em que a gente possa ter uma soma suficiente de caracteres que representam um sinal de equilíbrio e de segurança nessas emersões. 

Deu uma ideia? A autenticação, a homologação dessa aferição positiva, vem de uma tranquilidade interior que conquistamos na ação. E se na nossa forma de reagir diante de um fato, de uma situação ou de uma pessoa nós colocamos caridade, podemos ter certeza que iremos sentir uma alegria muito grande. E mais, vamos constatar que fomos feliz na situação e que demos um passinho à frente.

Agora, para que essa mudança ocorra, para que haja melhoria, a gente tem que estar de algum modo paciente e equilibrado. Ok? Esse é um ponto importante e um drama que muita gente vive hoje em dia. O mecanismo é gradativo. É passo a passo.

É por ações instituídas e direcionadas que adquirimos o direito de mudar a nossa forma de sentir, de agir e de operar, mediante um sistema contínuo e repetitivo.

Com esse sistema notamos que passamos a reduzir nossas ações menos felizes. Que a cada dia, a cada semana, a cada mês nós vamos fazendo cada vezes menos aquilo que não queremos fazer.

E a conclusão a que chegamos é que para esperar melhores resultados nós temos que operar com discernimento e inteligência. Muitas vezes aprendendo na ação para podermos amenizar a reação. Investir muito no plano da ação para que possamos ganhar na hora da reação. Investir em linhas de atitude mais equilibrada para sermos felizes na reação. Ficou claro essa parte? Isso é fundamental, pois como já falamos a ação é imprescindível na conquista de novos valores.

É a ação direcionada que vai nos proporcionar condições de uma reação feliz nos momentos mais complexos e delicados. Logo, se quisermos melhorar nossas reações, pelo amor de Deus, nós temos que melhorar antes as nossas ações. Para obtermos padrões comportamentais mais seguros é imprescindível investirmos na ação, selecionar padrões melhores e superiores e partir para a ação.

Ah, mas tem um outro detalhe que não podemos esquecer de forma alguma: temos que melhorar as nossas ações no campo dos relacionamentos pessoais também. Melhorar o trato com as pessoas, a nossa forma de nos relacionar com elas.

Isso é óbvio, porém melhorar a nossa postura não só com aquele indivíduo que é chato, aborrecido, intolerante, desagradável, difícil de lidar. Melhorar não apenas com aquele que incomoda ou desagrada, mas com os outros também. Porque se isso não for importante, com toda a certeza eu não sei o que é!...

8 de abr de 2018

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 16

MELHORANDO A AÇÃO I

Sabe como é que se dá o crescimento em qualquer área da vida? Eu estou dizendo isso porque só tem uma forma dele ocorrer. E sabe qual? Pela aplicação da teoria. Ou seja, o aprendizado chega e nós temos que aplicá-lo de forma consciente. Concorda comigo, ou você acha que tem outro jeito? Porque não tem! É assim que funciona.

E para aplicar o conhecimento só tem uma forma: a ação. Logo, é pela ação que nós conquistamos. E isso precisa ficar bem claro. É a ação que nos projeta. Ela é o caminho para toda a conquista. A ação é o componente que possibilita a fixação dos valores novos. É por ela que conseguimos criar mecanismos para fixar os elementos aprendidos.

E um detalhe interessante é que a ação sempre pode ser pensada. Cada um de nós, situado nesse ou naquele estágio da evolução, sempre pode avaliar a sua ação. Aliás, a ação não só pode ser pensada como deve ser pensada e analisada.

É importante entender essa questão no plano prático da vida, até mesmo para termos a noção abrangente acerca da nossa responsabilidade diante das situações. Valendo a pena repetir que a ação é sempre consciente. Sempre.

E quando eu falei que a ação é o componente fixador é porque nós temos dois componentes: o componente fixador e o aferidor, que são distintos.

Agora, outro ponto fundamental é que grande parte das nossas atitudes não representam ação, mas reação. Já pensou nisso? E se a ação é o componente fixador, a reação constitui o componente aferidor. Percebeu? Pela ação nós fixamos e pela reação aferimos. E não tenha nenhuma dúvida a respeito disso: são nos acontecimentos rotineiros do dia a dia que nós somos aferidos. Como? Pelas nossas reações, pela nossa forma de reagir. Com um outro detalhe fundamental, a reação é automática. Deu para entender? Se de um lado nossas ações são pensadas, de outro lado as nossas reações são irrefletidas.

Por isso, vamos entender que uma coisa é o instrumento da aprendizagem, que é a ação, e outra coisa é o componente aferidor, a reação. Percebeu? E são duas coisas diferentes.

A ação estrutura, projeta, ao passo que a reação afere. Como o nome já diz, o primeiro, a ação consciente, fixa o aprendizado, e o segundo, a reação, que é automática, afere. Está dando para acompanhar? Em suma, a ação nos possibilita conquistar. Pela ação a gente projeta, realiza, opera. E pela reação nós aferimos, medimos.

A reação mede, avalia, faz o balanço. De forma que somos aferidos, medidos, pela forma como reagimos diante das variadas circunstâncias. A reação não é o componente fixador, ela não é o veículo de aprendizagem, a reação é o componente aferidor. A reação íntima é o veículo de aferição da nossa conquista. Ela afere e nós somos aferidos nos impactos da vida pelas nossas reações.

Resumindo, pelo livre-arbítrio nós elegemos os componentes fixadores. Aprendemos e, de certa forma, conquistamos. E os acontecimentos e as circunstâncias são aqueles componentes aferidores que visam testar o grau do nosso conhecimento. Eles chegam para nos aferir, para medir o nosso avanço.

E você quer saber uma área que tem aferido demais o estado das pessoas atualmente? O trânsito. Sim, isso mesmo, o trânsito de veículos. Quem entra em um automóvel conhece muito bem o que é reação. É difícil encontrar no trânsito um condutor a quem você sinaliza pedindo passagem e ele deixa você entrar numa boa. Quem dirige sabe bem o que eu estou dizendo. Até pelo contrário, você liga uma seta sinalizando que vai mudar de faixa e até parece que está ferindo a intimidade do outro motorista, que está brigando ou agredindo.

E vamos a um exemplo para clarear. Às vezes, em determinado momento, a criatura exterioriza uma atitude menos feliz e agressiva de improviso. Faz sem pensar. Ela não pensa "vou agir assim". Simplesmente faz. Como em uma situação de trânsito. Um motorista se irrita com o condutor à sua frente porque acha que ele está dirigindo devagar demais, embora este se encontre dentro da velocidade permitida da via. Na hora, o impaciente simplesmente solta aquele palavrão cabeludo. Aquele palavrão de todo tamanho "elogiando" o condutor e a mãe dele. Isso acontece. E nesse momento em que reage assim ele está demonstrando o quê? Que de fato possui esses padrões pulsantes na sua própria intimidade.

Deu uma ideia? Então, vamos nos atentar a essa questão. Tem muitos momentos na vida em que nós estamos sendo aferidos. E pelas nossas reações, pelo impacto e exteriorização das nossas emoções definimos o que efetivamente tem representado a soma dos caracteres que constituem o nosso bloco íntimo. Em outras palavras, o que soltamos em meio às nossas reações revela o que temos. O que exteriorizamos nessas situações constitui o reflexo natural da soma de caracteres vivenciados que temos dentro de nós.

Logo, concluímos que é preciso trabalhar com carinho no plano da aprendizagem. Vivemos todos um momento de transição e precisamos trabalhar esse momento da transição com tranquilidade, buscando acertar. Temos que trabalhar nosso íntimo educando a nossa forma de reagir. E ninguém vai duvidar disso. Temos que fazê-lo a fim de que as nossas reações sejam coerentes com os conceitos que adotamos e as orientações que nos visitam.

A primeira coisa que temos que fazer é controlar a nossa reação. 

Se eu sou impaciente, por exemplo, a primeira coisa que tenho que fazer é desativar a minha impaciência. Isso é fundamental para que eu possa de fato melhorar. Para se ter ideia, se nós não tivéssemos que administrar as reações para vencer a nossa faixa de sofrimento e de intranquilidade Jesus não teria que falar "vigiai" várias vezes. Ele não manda a gente vigiar a ação. Aliás, pode até ser que em certas ocasiões nós tenhamos que adotar uma ação vigiada, equilibrada e harmônica, mas ele fala para a reação: "vigiai"!

8 de dez de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 15

O PODER DA DECISÃO

Os valores informativos nos chegam ao plano perceptivo de fora para dentro por assimilação, e esse conhecimento se dá de várias formas. Para isso, existe uma enormidade de instrumentos e não há dúvida.

Agora, o que comumente acontece é que nós ficamos postergando decisões e atitudes, jogando para a frente padrões que necessitamos implementar. Todavia, cedo ou tarde chega o momento da decisão.

Vamos pensar no seguinte: Zaqueu decidiu ver Jesus e não hesitou. O que ele fez? Quis ver e foi ver. O jovem rico também teve contato com Jesus, não teve? E qual foi a decisão dele? Quando Jesus lhe disse que vendesse suas coisas ele não fez. Sua decisão foi permanecer como estava. Nós estamos dizendo isso apenas para entender que temos desses momentos na vida. Momentos de decisão.

E a decisão, sem dúvida, é algo decisivo.

É algo que em muitas situações pode mudar todo o contexto da caminhada. Aliás, até dizemos mais: tudo na vida depende da decisão. O êxito consiste na capacidade de se realizar o que está proposto e tudo depende de uma postura de decisão nossa. Todos nós, sem exceção, vivemos esses momentos importantes.

A decisão representa o coroamento daquilo que já temos condições de realizar. Essa palavra define o ápice daquilo que podemos realizar, sintetiza o ponto de ousadia. E resulta, indubitavelmente, da determinação e da fé.

Dizem os amigos espirituais que na hora que esses momentos surgem, sabe o que acontece? Os guias espirituais, os anjos da guarda, os santos, saem tudo de perto. Ninguém de fora atua no momento da decisão. Nós investimos e assimilamos, todavia, no momento da aplicação do padrão assimilado os espíritos começam a sair de perto e nós vamos ter uma decisão sem qualquer interferência exterior.

Eu não sei se você já reparou, mas tem momentos na vida em que nós estamos com determinada coisa para resolver. Abre um livro de auto-ajuda, lê e fecha, abre o evangelho, fecha. Fica no abre e fecha. Nas leituras tem um punhado de valores para nos ajudar a decidir, mas decisão mesmo não tem. Não acontece? Parece que até o amigo espiritual mais próximo desapareceu da gente.

E nessa hora a gente costuma pensar: o que é que eu faço? É a hora da nossa decisão.

Então, vamos ter em conta que nos momentos difíceis, diante das dificuldades mais expressivas da nossa vida, nós costumamos ter a sensação de estarmos sozinhos e não há como ser diferente. Acontece assim com todos. Isso não é um privilégio de poucos. Nos momentos de culminância nos achamos só. Não pode ter ninguém por perto. Nem o guia espiritual. Por isso, lembre-se: mesmo ante a porta estreita, buscando conquistas eternas, iremos também só. E com outro detalhe interessante: durante uma prova o professor está presente, mas está em silêncio.

Isso que eu estou dizendo não é para nos deixar inquietos, mas tem momentos na vida que vamos precisar decidir sem a proteção ostensiva. É dessa forma que a coisa funciona.

Por quê? Por uma razão simples: a decisão é um momento sagrado do espírito. Ninguém pode interferir.

No momento da manifestação pessoal não tem empurrão, não tem cordinha para ajudar, não tem amparo. No plano do nosso crescimento espiritual os espíritos não empurram um centímetro sequer. É problema de nossa opção, a individualidade tem que ir pelos seus próprios passos. E isso não sou eu que estou dizendo, são eles, os espíritos superiores, que dizem. Em suma, no plano decisório espírito nenhum pode interferir, porque tem que ser uma eleição pessoal e intransferível.

E por quê eles não podem interferir? Porque na área das propostas e das escolhas a espontaneidade é componente básico. E se é espontaneidade, tem que haver o quê? Uma decisão livre de dentro para fora. Por isso, a ajuda espiritual nunca vai ter um caráter constrangedor. Está percebendo? A misericórdia divina, para se ter ideia, em hipótese alguma projeta seres ao nível do empurrão. A vida pode empurrar algumas vezes, e empurra; o criador, jamais.

Na hora da decisão o que vigora é a decisão pessoal. Nessa hora a responsabilidade é pessoal. Na hora da aplicação do valor assimilado a decisão é puramente nossa.

Vai ser uma postura totalmente efetuada com base na espontaneidade do ser. Espírito nenhum vai assumir. Está claro? Aquele é um momento de decisão pessoal e na decisão cada qual tem que escolher por si mesmo, sem qualquer interferência.

Tem que vigorar o legítimo plano da espontaneidade. E se alguma entidade espiritual ou qualquer um de nós interferir nessa escolha, o indivíduo que está vivendo esse momento de decidir pode ir no embalo das forças e influências exteriores e não ter o mérito que cabe a ele. Sem contar também que a interferência dos espíritos pode em certas ocasiões cercear a oportunidade do passo à frente.

No instante do testemunho estaremos sempre sozinhos com as nossas aquisições íntimas.

Por isso, não fique triste nem tampouco desanimado, mas vai ter momentos em que nós vamos decidir sem arrimo, sem proteção ostensiva. No entanto, esses momentos de solidão, esses momentos em que nos achamos só, são experiências imprescindíveis nas provas de afirmação para capacitação mais nítida em relação ao trabalho que vamos aceitar e que vai vir por aí. Deu uma ideia?

É um pouco difícil, para não dizer muito difícil, mas é por aí que se opera a mudança definitiva de vida do indivíduo. É essa decisão que possibilita mudar a rota do próprio destino.

Porque sempre iremos evoluir em função da nossa determinação pessoal. Esse é o momento em que a gente realmente é emancipado, em que a gente passa a andar com as próprias pernas. Essa prova de nos sentirmos sozinhos e desamparados é a prova que costuma nos conceder o autocertificado. Daí, pode ter certeza, é exatamente essa sensação de estar só que nos projeta para um plano mais avançado no campo da segurança. Igual aquela criança aprendendo a andar de bicicleta, que em determinado momento o pai ou a mãe tira as rodinhas de apoio.

De forma que é preciso passar bem pelo teste. É preciso manter um certo grau de confiança, pois é por aí que aferimos a maior ou menor extensão de nossa fé.

E mais uma coisa importante. Quantas vezes nesses momentos de culminância nós vivemos sozinho o processo e em volta tem uma equipe de espíritos nos observando, orando e torcendo por nós?! Você já pensou nisso? De fato tem momentos em que a criatura vive a prova dela sozinha e os espíritos se mantém relativamente próximos olhando. Às vezes, pertinho. Observam e torcem. Só não podem interferir.

Porém, quando a criatura vence a etapa, quando ela se sai bem daquela experiência difícil, identifica de pronto o sorriso daqueles corações que estavam junto dela o tempo todo e ela achava que estava sozinha. Logo, vamos ficar tranquilos, manter a serenidade e a confiança, porque isso acontece demais da conta.

23 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 14

DUAS FORMAS DE CRESCIMENTO

O evangelho tem ensinado, e nós temos aprendido, que o que almejamos acabamos por conquistar ao longo do tempo, seja este menor ou maior, dependendo do grau de intensificação que investimos na proposta que queremos atingir.

Em outras palavras, quando nutrimos um ideal, seja ele qual for, dois fatores nós precisamos: tempo e determinação.

Quer dizer, existem duas formas para chegarmos aos nossos objetivos. A primeira é utilizando um tempo mais longo, mais extenso, por meio de um investimento menor efetivado mediante a repetição. E a segunda em um tempo menor, todavia adotando um investimento maior chamado de intensificação.

Deu para acompanhar ou ficou complicado? De qualquer forma, calma que nós vamos explicar. Mas uma coisa já ficou claro para nós: o processo exige paciência e a paciência pressupõe perseverança, porque é pela perseverança que nós conquistamos o componente que temos como meta. Daí, vamos ter que usar a continuidade e a intensificação que, por sua vez, definam as duas formas.

E se o progresso exige a presença da paciência, fica fácil concluir que todo ele opera em função de um componente chamado tempo. Ok? Eu acho que essa parte está clara e não há nenhuma dúvida. Os caracteres que eu assimilo precisam ser repetidos no tempo em uma extensão longa, o que indica que a assimilação e o progresso ocorrem na linha horizontal aplicativa do conhecimento.

O que assegura o aproveitamento positivo desses padrões é a continuidade aplicativa desses valores assimilados. Certo? Só que o crescimento não se faz de forma abrangente, na totalidade, mas em parcelas que vão se realizando pela linha de continuidade. A fixação desses valores que arregimentamos é o tempo que vai definir, e não tem outra. O tempo faz uma papel profundo de assimilação.

A formação de um reflexo condicionado em nossa personalidade é exemplo do que estamos tratando. Porque, afinal de contas, ela surge pela repetição durante longo tempo. Ou seja, esses reflexos conquistados por nós, e isso se aplica a todos, decorrem da repetição sistemática no tempo. De forma que a formação dos padrões que nós precisamos, ao nível de virtudes, ocorre pela extensão repetitiva.

Ficou claro? Essa é a primeira opção que temos e que nos propicia a conquista. Nós ganhamos pela linha contínua de ação, ganhamos na ação continuada, na horizontal aplicativa do tempo. Então, a repetição em um tempo mais extenso de fato cria marcas indeléveis em nosso íntimo, a definir que se deixarmos correr com naturalidade pode ser que nós levemos um tempo maior para a conquista.

Agora, tem um detalhe interessante: se até ontem o tempo vinha operando o encaminhamento dos nossos destinos no plano de cumprimento da lei de ação e reação, se o nosso crescimento se fazia na linha da repetição pela ação continuada e extensa, hoje nós temos a oportunidade de adotar um novo sistema de avanço no campo da evolução. Porque toda mudança de órbita, e a gente sabe, implica em um salto de qualidade. Em outras palavras, nós podemos ganhar valores extraordinários em um tempo mais curto, podemos conquistar em um período de tempo menor. Como? Por um processo de intensificação a curto prazo. Em função de um trabalho mais intenso ao nível da vontade.

Se eu utilizar a vontade eu posso, em um tempo menor, ganhar o mesmo percentual pela linha de intensificação. Isso mostra que os pontos implementados pela instrumentalidade psíquica decorrem de um tempo cuja extensão se reduzir na medida em que eu faço mais investimento. Está dando para acompanhar?

O que estou dizendo é que nós podemos, em um prazo relativamente curto, investir mais.

E o que significa investir? Investir é trabalhar no plano da prioridade em cima dos padrões.

Fazemos assim de modo a ganhar por um interesse mais aprofundado o que antes era ganho no tempo. Pela intensificação da ação, pelo aumento do nosso grau de entusiasmo, de determinação e investimento, podemos ganhar de modo mais rápido, conquistar o que queremos em um prazo bem mais curto. Os padrões passam a ser trabalhados em um tempo menor, mas de modo mais aprofundado.

Nós implementamos a vontade e, como uma consequência natural, ganhamos no tempo.

Assim, passamos a ganhar, pela intensidade e aproveitamento, o que levaríamos um tempo considerável para conquistar nos caminhos da extensão do tempo.

E cá para nós, quem não se alegraria com a ideia? Você não gostaria disso? De realizar mais, de conquistar mais em menos tempo? Este é o momento em que a gente vive.

É o mundo moderno. Hoje somos convocados a melhorar a qualidade de nossos pensamentos e de nossas ações. Somos convocados a realizar, por exemplo, em três anos, o que no campo natural do automatismo nós realizaríamos, quem sabe, em dez anos.

E esse dois processos ao qual nos referimos se assemelham de certa forma à promoção no serviço público.

No primeiro caso, em que nos referimos à linha extensiva do tempo, temos a chamada promoção do servidor público pelo critério de antiguidade. É aquele que se processa pela linha horizontal de continuidade, pela extensão do tempo, pela repetição.

No segundo, nós podemos simplesmente suplantar esse critério por uma dinâmica de intensificação. Neste, a conquista é na linha vertical ao nível das virtudes, e por esse novo método a promoção vem mais rápida. Ela se dá por merecimento. Ganhamos na verticalização do aproveitamento do tempo pela intensidade operada.

E o que a gente nota, sem nenhuma ideia fanatizante, óbvio, é que hoje estamos sendo convocados a trabalhar com o aproveitamento do tempo, com o aproveitamento dos minutos. Não quer dizer que temos que sair da paciência e entrar na linha da precipitação. Não. Nada disso. Mas o momento agora espera e exige investimento.

E para que isso ocorra é preciso que nós utilizemos de maneira ampla e determinada um componente fundamental chamado vontade. Porque a autenticidade da vontade é que é capaz de proporcionar a alteração fundamental em toda a proposta do nosso crescimento rumo a um futuro melhor. Vamos pensar nisso com carinho. Só a vontade passa a alimentar e impulsionar toda a nossa estrutura íntima. O sistema que estamos elegendo é um sistema em que a vontade tem que assumir o comando da nossa proposta de crescimento.

Aliás, a vontade e o entusiasmo nos dão condições de selecionarmos melhor os fatores e trabalharmos melhor, por meio do qual obtemos a realização de verdadeiros milagres na vida. De forma que vale a pena experimentar. E a conclusão é a seguinte: o aprendiz interessado e aplicado pode ganhar muito tempo e conquistar imensos valores se, de fato, procurar conhecer as lições e pô-las em prática.

15 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 13

A PACIÊNCIA III

Alguém que tem estudado este assunto conosco pode pensar que usar a paciência é esperar, e esperar. Só que a questão não é por aí. Porque se a pessoa ficar esperando e esperando, sabe onde ela vai parar? Ela não vai sair do lugar.

Então, para início de conversa vamos deixar uma coisa bem clara: paciência não é inércia! Ok?

Paciência é saber esperar. E saber esperar é a virtude da esperança. Até aí tudo bem. É entendimento lógico. Só que esperança não é inação. Está dando para acompanhar? Em termos práticos, significa que não vale a esperança com inércia. A pretexto de mantermos a serenidade não devemos nos demorar na inércia. 

Temos que ter paciência sim, só que paciência não é ficar parado e esperar sem fazer nada. A paciência que nos interessa não é aquela paciência acomodatícia, preguiçosa, inerte que nada favorece.

Quer alguns exemplos? A água fica parada? Não, não fica. Porque a água parada vira depósito de podridão. Esperando pelo rio ela se movimenta. E mais, sempre ajudando por onde passa. A árvore é outro exemplo de auxílio incessante. Esperando pela flor ela recebe a bênção dos frutos. E o que acontece com a enxada que espera imóvel? Nada recebe além da ferrugem que a desgasta.

Definitivamente, a paciência que projeta não tem caráter acomodatício e inerte, que apenas cansa, desgasta e nada produz. A paciência que projeta é a paciência que opera, que realiza, que faz. A paciência dinâmica, porque a dinâmica está em todos os lugares. É a paciência que trabalha ao lado da ousadia e da fé.

Paciência é ter calma, mas ao mesmo tempo investir no que se elege. É sinônimo de intensificação e continuidade. É ter calma e investir naquilo que se elege como prioridade. E perseverar nesse investimento. Daí, guarde o seguinte: não há como uma pessoa eleger uma padronização mental adequada e segura se não houver por parte dela a disposição clara e nítida de investir naquilo que busca.

Paciência consiste em fixar o objetivo. Definir, buscar e persistir. É ir firme, até o fim.

É preciso paciência para chegar porque a paciência representa a capacidade de persistir. Traduz a obstinação pacífica e silenciosa na obra que propomos realizar.

Vamos pensar juntos em uma coisa: ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é fundamental e não se discute. Certo? Mas, por outro lado, também é extremamente valioso para o nosso crescimento o exercício aplicativo da perseverança naquele componente inarredável que se chama paciência. Porque a paciência nada mais é do que a capacidade de persistir.

Então, é preciso atenção a dois pontos básicos: a paciência e a continuidade da perseverança.

Porque esperar é persistir sem cansaço e alcançar é triunfar de forma definitiva.

Ficou claro? Por isso, vai ser valioso para o nosso progresso quando conseguirmos perseverar nessa virtude, porque afinal de contas é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões.

Você já passou por aquela situação de ficar esperando durante alguns dias ou semanas por um evento importantíssimo programado para um final de semana? Um evento no qual você nutria grande interesse e grande expectativa? Tipo uma festa? E que você passou os dias anteriores com uma expectativa sem limites? Uma expectativa tão grande que você só ficava pensando nele? Parou de fazer muita coisa e ficava só esperando e imaginando, deixando as horas correrem de forma ociosa? Só esperando e desejando, sem interesse de fazer outra coisa a não ser esperar? Como se isso fosse fazer o acontecimento chegar mais rápido? Pois então, e o que aconteceu no final? Se você já passou por isso, e eu acho que a maioria das pessoas já passaram, deve saber muito bem o que eu estou falando. Em muitas situações desse tipo a gente acaba se sentindo um pouco decepcionado, não é verdade?

Eu dei um exemplo simples, mas a conclusão é uma só: a melhor maneira de esperar algo é fazendo algo.

É fazer enquanto espera. Porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona.

Você espera algo? Se sim, lembre-se: enquanto espera, opera! Enquanto esperamos, porque não operar? 

Sigamos por este caminho, porque dá certo. Sejam quais forem as minhas, as suas ou as nossas dificuldades, expectativas e objetivos, esperemos fazendo por nós mesmos e também pelos outros o melhor que pudermos. Isso mesmo, por nós e também pelos outros, porque nada na vida vale se fizermos apenas para nós mesmos, apenas visando o nosso bem estar. Esperar operando, porque aquele que opera acaba transformando o próprio mecanismo da espera. Ficou claro a lição?

A verdadeira paciência é a irradiação da alma que angariou muito amor em si mesma para dá-lo a outrem através de sua ação e de seu exemplo.

E para se ter ideia, se pararmos pra pensar na paciência perfeita nós vamos nos lembrar de quem? De Jesus, óbvio, a expressão máxima dessa virtude. Ou será que conhecemos algum exemplo maior? Em todos os aspectos da paciência é preciso lembrar Jesus. Ele mantém uma paciência sem limites para conosco. 

Repare que embora suportasse as manifestações do mal, ele jamais adotou uma posição passiva diante dele. Muito pelo contrário, sempre diligenciou meios com vistas a tudo renovar para o bem. Nunca obrigou, constrangeu ou perseguiu quem quer que fosse para que esse alguém assimilasse e incorporasse os padrões sublimes do seu evangelho de luz. E a sua paciência é tão extrema que não hesitou em regressar depois da morte ao convívio das criaturas humanas que o haviam abandonado.

Pense nisso. 

O Mestre continua a descer da espiritualidade solar e vir até nós para dissipar nossa sombra. E o que fazemos? Rebeldes e indiferentes como somos, negamos a ele a entrada em nosso coração. Sim, negamos, porque se não negássemos não seríamos tão indiferentes e insensíveis no trato com os nossos semelhantes. E mesmo assim ele não nos priva de sua presença. Continua sempre conosco.

Daí, meu amigo e minha amiga, vamos nos lembrar dessa paciência perfeita que nos beneficia a todo o tempo. E mais do que isso: vamos usá-la como roteiro para a nossa caminhada.

Vamos usar essa paciência no dia de hoje e nos esforçar para usá-la sem medida. 

E pelo amor de Deus, vamos cultivar a paciência e exteriorizá-la no trato com todos os nossos irmãos. Todos, sem exceção! Vamos aplicar isso. Mesmo que a gente resista, vamos persistir. Mesmo que a gente não entenda a razão para isso, vamos experimentar e fazer. Porque se hoje não entendemos, amanhã, com certeza, entenderemos.

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