18 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 15

A OVELHA DESGARRADA II

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Em muitas ocasiões nós realmente temos que nos desvincular de muita coisa, deixando tudo mesmo, de modo a podermos entrar em um ângulo novo que, quem sabe, não entramos antes por descuido ou por negligência nossa.

Na questão dos relacionamentos humanos, é comum encontrarmos um coração sensibilizado que deixa tudo e vai atrás de outro que ama, individualmente falando. 

No ensinamento da ovelha desgarrada, no seu sentido essencial e intrínseco, tantas vezes o indivíduo é convocado pelas próprias circunstâncias da vida a deixar as noventa e nove porque ele não é dono delas, embora no campo prático ele tenha responsabilidade para com elas, da mesma forma que Levi tinha responsabilidade com a repartição na qual ele servia.

E tem gente que fecha a sua vida inteira (uma, duas ou três reencarnações) por causa de uma pessoa.

Em função de uma individualidade dentro de casa, como um filho por exemplo, e por tratar-se de ovelha desgarrada, abandona os outros três ou quatro componentes da casa.

Isso acontece muito com os pais. Tem pais e mães que vivem praticamente em função desses elementos complicados. Marcam uma criatura e se esquecem dos outros.

Então, temos que atentar para essa questão e realmente ponderar acerca das nossas atitudes. Porque quando fixamos a nossa mente em uma única pessoa, no sentido didático, pedagógico ou orientador, a gente costuma sofrer muito. Está dando para pegar a lógica da questão? Por isso, pelo  amor de Deus, busquemos essa ovelha desgarrada, trabalhemos com esse coração que merece um empenho maior e uma atenção redobrada, mas de forma alguma deixemos cair a estrutura de um lar ou de um ambiente em função de alguém que desgarrou, e que apesar de desgarrado pretende permanecer desgarrado. Ficou claro? Ajudemos sim, façamos o melhor ao nosso alcance, mas sem ficar preso ao lado dele.

Jesus, após a sua crucificação, foi atrás de Judas. Foi tentar levantar o ânimo dele. Foi atrás de Judas, no entanto, em momento algum ele desprezou os outros.

Está percebendo? De forma que precisamos ter esse cuidado de não privilegiar ninguém.

É fato que muitas vezes nós temos que ir atrás daquelas peças complicadas, mas sem perder a linha de relação com aqueles outros que também precisam do nosso estímulo, da nossa atenção e do nosso trabalho. Porque isso é muito importante.

Em hipótese alguma nós devemos deixar as noventa e nove desamparadas, à míngua, deixá-las à bancarrota ou desabrigadas para buscar uma que se perdeu.

Nós podemos, e em muitas vezes precisamos, largar as noventa e nove, mas jamais devemos nos dissociar delas. Em muitas ocasiões também acontece de esquecermos das outras para ficarmos em função de uma, até provavelmente porque aquele agrupamos que fica marginalizado nós não tenhamos tantos compromissos com ele, mas é preciso não perdermos a simpatia e a identidade com eles.

Outro aspecto interessante é que nós também temos ovelhas dentro da nossa intimidade. 

Claro, afinal de contas é no íntimo onde efetivamente funciona o evangelho. Concorda? São ângulos que nós já dominamos e que estão alicerçados sob o nosso campo operacional com segurança.

Só que a cada momento somos testados em nossas reservas interiores e vez por outra temos que ir atrás daquela que se desgarrou. Está acompanhando? O nosso acervo de padrões, ou nosso aprisco, tem que ser reciclado periodicamente. 

São caracteres da nossa personalidade que precisam se ajustar aos novos momentos e aos novos sentidos da vida. 

E nós temos que operar constantemente para que isso aconteça, porque essas noventa e nove, junto com aquela que retorna, formam os nossos caracteres íntimos que estão em processo contínuo de reciclagem e de crescimento.

O que temos aprendido é que podemos encaminhar a nossa luta em cima de um determinado padrão. Não podemos? É claro que podemos. Porque a nossa inteligência que se abre, em termos de razão, pode perfeitamente laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado ângulo, de um determinado tópico. Todavia, e isso é interessante, o êxito muitas vezes vai depender de uma reformulação abrangente. Nem sempre vai ser alcançado com a nossa maneira fechada de pensar. O evangelho tem nos ensinado isso. A todo momento somos convocados a redirecionar os padrões e reflexos que revestem a nossa caminhada. E, quanto mais estudamos, mais sentimos a necessidade de adotar uma linha de reciclagem antes de implementarmos um componente novo.

Por mais zelosos que sejamos, ou por mais duros que possamos ser no campo reeducacional, existem facetas da nossa personalidade que são imperfeitas e frágeis ainda dentro do patamar em que estamos e que são suscetíveis de mudança. E o caminho para crescer é por aí. Às vezes, a razão indica um caminho novo, nós concluímos que não é a nossa forma de agir, mas adotamos a nova postura e dá certo.

Nos dias atuais não tem como alguém encontrar a felicidade fechado em suas próprias convicções e em seus próprios conceitos. A cada momento somos conduzidos a posições em que os padrões, que até então eram suficientes, já não são mais suficientes. E eles passam a ser exigidos em alterações redimensionadas.

Logo, não tem jeito, nós precisamos nos integrar a um processo em que somos convocados a esse tipo de atividade, de redirecionar e reformular os padrões já sedimentados.

Não há condição de progredirmos, seja na horizontal ou na vertical, e de modo linear, sem que venhamos reciclar cada expressão e cada ângulo da nossa individualidade.

A nossa visão se altera a cada instante na vida e não dá mais para permanecermos enclausurados em conceitos ultrapassados. É imperioso permanecermos matriculados, tanto nas áreas da razão como do sentimento, em uma escola de renovação e de mudanças. E para se ter ideia, às vezes podemos possuir uma conceituação que vigora, e ela passa a ser redimensionada em determinado momento exatamente com essa fuga e esse retorno.

15 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 14

A OVELHA DESGARRADA I

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU? 13E, SE PORVENTURA ACHÁ-LA, EM VERDADE VOS DIGO QUE MAIOR PRAZER TEM POR AQUELA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE QUE SE NÃO DESGARRARAM. 14ASSIM, TAMBÉM, NÃO É VONTADE DE VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, QUE UM DESTES PEQUENINOS SE PERCA.” MATEUS 18:10-14  

“27E, DEPOIS DISTO, SAIU, E VIU UM PUBLICANO, CHAMADO LEVI, ASSENTADO NA RECEBEDORIA, E DISSE-LHE: SEGUE-ME. 28E ELE, DEIXANDO TUDO, LEVANTOU-SE E O SEGUIU.” LUCAS 5:27-28

A gente pensa em ovelha e logo nos vem à mente algumas de suas características.

A ovelha oferece a lã e a lã consiste naquele componente doado por alguém que acoberta, que envolve e agasalha, pois a lã oferecida por uma ovelha cumpre bem essa função, ela envolve e aquece.

Então, ovelha é aquele que doa, é aquele que se oferece à tosquia ou oferece valores aos próprios elementos que naturalmente cuidam dela. E para poder seguir e doar é preciso mansuetude, afinal não há como deixar-se guiar e não há como oferecer algo positivo nutrindo um sentimento de rebeldia e de prepotência.

O que temos que ter em conta é que a ovelha reporta aos ângulos do sentimento da individualidade.

Ovelha diz mais respeito ao sentimento. A começar pela sua própria expressão de feminilidade, uma vez que ela é a fêmea do carneiro. Está dando para acompanhar? Então, é por isso que era ovelha. É preciso que exista uma linha de relação, uma linha de interação ampla por parte do sentimento. Pense para você ver, todos nós sabemos que o componente que nos incita à doação não é a razão, e sim o sentimento.

Você já deve ter notado o seguinte: antigamente a gente sofria quase que unicamente em razão das besteiras que nós fazíamos, mas hoje não. Muitas dos nossos sofrimentos e das nossas provas na atualidade tem sido em função da nossa sensibilidade em face dos outros. Muitos dos problemas que temos vivido, às vezes com lágrimas, frustração e decepção, é com o irmão que está complicado, com o pai que está desse ou daquele jeito, com o filho que não quer acertar.

E tem muita gente reencarnando hoje para trabalhar sabe com quem? Com as ovelhas perdidas.

Em uma acepção mais abrangente, ovelhas desgarradas estão representadas naqueles indivíduos desafiadores, estejam eles dentro do lar, dentro de um ambiente de trabalho ou de um grupo qualquer, e que dificultam e complicam. São aquelas que estão perdidas. Já era para terem ido à frente e não foram. Ficaram na retaguarda. Estão perdidas no meio em que se encontram. Estão fracassadas.

E vamos dar uma ligeira pausa somente para falar um pouco na questão do deixar. 

Sabe aquela passagem do evangelho em que Jesus chamou o publicano Levi? O texto diz assim: "E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu". (Lucas 5:27-28)

Inicialmente, alguém pode perguntar entre outras coisas como é que Levi fez. Ou seja, se ele simplesmente levantou, deixou a coletoria aberta, entregue às traças e saiu, ou se antes ele fechou a porta, porque o texto não diz que ele fechou a porta.

Então, vamos lá. Para início de conversa, não é nosso objetivo ficar aqui analisando se Levi fechou a porta ou não fechou. Nosso interesse está muito além disso. O que nos interessa no estudo em questão é o sentido essencial do ensinamento. No entanto, pode ficar tranquilo que ele deve ter tomado a providência necessária ao sair, afinal como alguém que se predispõe a seguir Jesus pode apresentar um comportamento com tamanha expressão de irresponsabilidade? Será que tem jeito? De forma alguma. Claro que não tem cabimento.

E o que queremos dizer é que para crescer, evoluir, e muitas vezes buscar alguém de volta, é preciso deixar tudo.

No entanto, vamos com calma. O deixar tudo é no sentido íntimo. Ok? O deixar tudo que efetivamente nos interessa é no sentido intrínseco, no sentido essencial.

E por que tem que deixar tudo? Vamos analisar juntos? Quem senta, senta para quê? Para se acomodar. Logo, quem está sentado está acomodado. E aquele que está assentado na recebedoria está preocupado em quê? Você acha que ele está disposto a oferecer algo ou apenas interessado em receber? Observe que o próprio nome recebedoria já indica. Logo, o que você acha? Eu creio que não ficou dúvida, isto é, na acepção espiritual a recebedoria diz respeito à acomodação da criatura em pontos de elevado egoísmo contumaz, em que ela se utiliza de forma viciosa dos serviços dos outros para unicamente tirar vantagem para si, o que é totalmente o contrário de seguir Jesus. Percebeu o sentido agora?

E se a criatura não deixa tudo, o que acontece? Ela simplesmente fica como está e não se levanta. 

E se não levanta não segue Jesus. 

Daí, fica claro que o "deixando tudo" representa uma descarga psíquica, significa a desvinculação de estruturas mentais, de interesses e objetivos que alguém nutre e que não o deixa avançar. E é preciso deixar para que se chegue a novo estágio, uma vez que simplesmente não há como alguém vincular-se a nova posição sem, ao mesmo tempo, realizar concomitante desvinculação com os padrões antigos.

11 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 13

MENSAGEM AOS PAIS

Verdade seja dita: os pais geralmente apresentam muito de egoísmo.

Às vezes, ficam preocupados com os filhos. Ficam até apavorados. Mas não ficam apavorados com os erros ou os desregramentos dos filhos não, o que sentem é a estrutura pessoal deles, pais, colocadas em risco. Percebeu? Em muitos casos o que os pais querem é salvar a própria pele.

Outro ponto interessante é a questão do chamado monitoramento. Os pais realmente precisam monitorar seus filhos, porque isso funciona de forma eficiente como um instrumento de segurança. É preciso. Nós também temos os espíritos que em muitos aspectos nos monitoram para que a gente não cometa bobagens maiores, para que nós não venhamos criar maiores dificuldades aos nossos passos.

Então, o monitoramento é importante. Se o filho é uma criança complicada, por exemplo, aí nem se fala, o cuidado tem que ser redobrado. É preciso ficar de olho mesmo.

Todavia, o que não deve acontecer é esse mecanismo de monitoramento se transformar em uma postura sistematizada. O monitoramento precisa ser mantido nas linhas naturais e para isso um ponto interessante é a compreensão.

Quando alguém se encontra em um plano de autoridade em relação a outrem, seja esse outrem filho, parente ou funcionário em condição de subalternidade, esse alguém ganha autoridade no ato de colocar determinados limites quando ele compreende. Está entendendo? Porque enquanto ele não compreender o outro ele simplesmente vai ficar colocando limites para resguardar unicamente o seu interesse pessoal e não para auxiliar o semelhante que se encontra debaixo da sua tutela.

Percebeu? Então, para monitorar é preciso amar. Não havendo amor é melhor nem monitorar. Porque não tendo amor é simplesmente domínio, é escravização.

É difícil também não ter um pai ou uma mãe que viva ocasionalmente algumas tensões. Que passe por momentos de ansiedade e de aflição e o filho está rindo. Não tem disso? Aquelas situações em que os pais vivem um verdadeiro inferno interior por causa do filho e o filho está rindo. Os pais preocupados com o filho e o filho nem aí.

O momento de hoje é um momento muito importante e nele entram igualmente as responsabilidades que nós temos em relação aos outros que nos estão sendo confiados. 

Vivemos preocupações em relação a indivíduos que estão vinculados à nossa faixa de relacionamento. Os pais também não ficam muito felizes às vezes porque seus filhos não são exatamente como eles gostariam que fossem. Todavia, quem é capaz de garantir que a ótica deles seria a melhor para aqueles espíritos naquele momento? O importante antes de tudo é dar o melhor e lançar a semente.

E o que eu vou dizer agora não é crítica a ninguém, é apenas um fato. Preste atenção, é motivo de orgulho para os pais verem os seus filhos conquistando diplomas e títulos. Não é? É um desejo justo, natural, louvável. O problema é que muitos pais se preocupam somente com esse tipo de vitória, como se ela fosse o supremo propósito da vida. Quer dizer, eles se preocupam com o cérebro dos filhos muito mais do que preocupam com o coração. Querem ver os filhos envolvidos em aplausos e louvores e fazem de tudo para enriquecê-los da sabedoria dos livros, deixando-os muitas vezes pobres de sentimentos e de valores morais, transitando tantas vezes na órbita vazia de um intelectualismo estéril.

A conquista exterior dos filhos é o que lhes interessa e a vaidade deles fica lisonjeada quando esses alcançam patamares e conquistas materiais. Não importa se os filhos crescem insensíveis, orgulhosos, prepotentes ou mesmo se não amadurecem moralmente. Os pais se orgulham. Sentem aquela falsa impressão de que cumpriram perfeitamente o dever junto daqueles que a providência lhes confiou para que orientassem dignamente nas estradas da vida.

O que esses pais querem é ver os seus filhos vencendo no mundo. É o que importa. Jesus venceu "o mundo". Eles querem é ver os seus filhos vencendo no mundo.

No que reporta aos padrões de natureza moral, aliás os únicos capazes de auxiliá-los na consolidação do caráter e na elaboração de uma personalidade segura, eles se ocupam de forma muito superficial. Não se preocupam em fazê-los homens seguros, fortes interiormente, corretos, humildes, caridosos. Não. Os pais não se ocupam com esse aspecto com o mesmo interesse e a mesma dedicação com que se preocupam com o desenvolvimento do intelecto deles.

E é bom deixar claro que isso também não significa que os pais desconsideram essa parte da educação.

Quer dizer, eles não menosprezam conscientemente o aspecto fundamental da educação moral. De forma alguma. O que acontece é que em muitos casos eles consideram que isso é algo que não requer aprendizagem. Está entendendo? Imaginam que determinadas virtudes nos filhos, tais como a bondade, a sinceridade, a humildade, a simpatia, são características que surgirão naturalmente. Isto é, tornar-se bom, verdadeiro, sincero, gentil, simpático, não pressupõe aprendizagem. 

Acreditam que determinados valores íntimos vão surgir naturalmente e por isso não precisam ser ensinados. Acham que essa parte da educação, que constitui a mais importante, se dará por si mesma, de forma aleatória, sem qualquer iniciativa deles, os pais. Que determinados valores não precisam de ensinamento, não exigem cuidado, direcionamento, atenção.

O resultado que a gente tira é um só: Que do nada, nada se tira!

Concorda? Tudo o que cresce, cresce de alguma coisa. Tudo o que germina, tudo o que floresce, germina de uma semente. Tudo o que cresce surge de um ponto.

Não há como esperar que aflore na alma de alguém qualidades nobres e elevadas sem que, anteriormente, tenha sido feita ali uma sementeira. Não dá. 

Os pais terrenos não são criadores, mas zeladores das almas que Deus lhes confia no sagrado instituto da família. Para guiá-los no caminho acertado. Então, isso é um assunto para pensar, principalmente no mundo em que vivemos hoje, onde nos deparamos com tantas individualidades desprovidas de valores essenciais.

Todos os lugares estão repletos de pessoas vencendo no mundo, mas sendo derrotadas no mundo íntimo. Como diz Jesus, ganhando o mundo e perdendo a alma. 

5 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 12

A SIMPATIA

Em se tratando de qualidade de vida eu não estou aqui para dar receita para ninguém porque também estou atrás dela, todavia o que temos aprendido é que só teremos melhoria das nossas condições pessoais quando extrapolarmos a linha da justiça.

Ou, como disse Jesus Cristo, quando a nossa justiça exceder a dos escribas e fariseus.

Para começar, no mínimo nós temos que fazer com que a nossa presença agrade aos outros.

Está percebendo? No mínimo nós temos que ser gentil e alegre com aqueles que nos cercam. Se desejamos recolher amor e paciência nas manifestações do próximo, temos que saber distribuí-los com todos aqueles que nos partilham a marcha. E para isso nós temos a amizade, que envolve o circuito de valores de ordem afetiva, propicia uma corrente de afetividade e quebra a resistência entre os seres.

Pense comigo, pelo carinho e pela empatia que exteriorizamos aos outros o que se sucede? Criamos uma série de conexões felizes. E simplesmente é impossível dar passos adiante com segurança e felicidade sem criarmos faixas vibracionais de simpatia.

Então, guarde isso e leve com você para onde for.

E mais, ninguém é simpático apenas com a utilização das palavras. A palavra é o primeiro passo, mas a simpatia pressupõe ação. Resultado: é indispensável cedermos de nós a fim de recebermos dos outros o auxílio de que necessitamos.

Todos nós, sem exceção, suspiramos cada vez mais por novas e verdadeiras amizades, não é? E o que devemos fazer para ter amigos? Se almejamos afetos marcados de altos valores é indispensável começarmos a ser para os outros o amigo ideal. 

Como? Tornando-nos interessados pelos semelhantes, sabendo entendê-los no patamar em que se encontram e aprendendo a amá-los. E aguardar a oportunidade de fazer algo por eles. Fazer o quê? Algo que estivermos certos de que eles gostariam que fosse feito.

Daí, a gente observa que o parente complicado dentro de casa, o chefe intransigente e difícil, o colega cheio de problemas, todos esses são elementos que nós precisamos efetivamente compactar no processo de abertura e de penetração mais tranquila no terreno da simpatia. Está dando para você entender?

Nós temos que aprender a sorrir para as pessoas, aprender a cultivar a simpatia.

No fundo, nós somos é muito bobos. Ficamos cultivando coisinhas bobas que no fritar dos ovos não nos levam a lugar nenhum. Nós precisamos transformar a nossa linha de relacionamento com a vida, com os seres, com as coisas, com os fatos, com as circunstâncias que chegam em uma linha em que estejamos bem dentro dela.

E sabe de uma coisa? Infeliz daquele que não sabe e não quer aprender a assimilar com carinho o sorriso e expressões de segurança que alguém pode lhe oferecer.

A cada momento nós estamos interagindo com as pessoas e é importante aprendermos algo novo. Porque estamos matriculados em uma escola em que visamos acertar.

Amar é o quê? É soltar algo para além de. Concorda? Amar é exteriorizar algo para além do que nos é exigido. E pressupõe, como sugere o evangelho, algo especial.

Não existe um modelo específico de conduta para agirmos. No entanto, diante daquelas pessoas que nos são muito simpáticas é conveniente nós reduzirmos a manifestação de afetividade mais intensa com elas quando em contato com outras que, por sua vez, não nos agradam tanto. Será que deu para acompanhar? É bom, para início de conversa, reduzirmos isso. Não significa que devemos reduzir a afetividade não, mas reduzir a manifestação. Porque nós temos uma tendência natural de nos apegarmos àqueles que sorriem do nosso lado.

Quanto àqueles que ficam de cara feia, o ideal é nós tentarmos enxertar alguma coisa de positivo neles.

E para isso o interessante é fazermos algo de especial. Quer um exemplo? No geral, eu passo por uma pessoa do meu cotidiano, falo bom dia rapidinho e saio de perto logo porque eu não gosto dela. Ok? Geralmente, nesses casos acontece assim. Todavia, eu posso experimentar algo novo. Ao invés de passar por ela, apenas falar bom dia de forma séria e sair fora eu aprendo que o melhor é dar um sorriso.

Está percebendo o sentido? Eu falo bom dia, mas com um sorriso. A pessoa não sorri, eu começo a sorrir. Eu encontro com ela e dou um sorriso. O sorriso é o especial. Ou seja, o bom dia é o comum, o natural, o que é esperado. O especial é o sorriso.

E quando eu começo a aplicar isso eu passo a notar que o meu sistema de vida começa a se ampliar.

E em muitos casos essa criatura até se aproxima. Porque eu eliminei resistências e abri o campo para novos padrões. Isso não pode acontecer? E eu acabo também me aproximando. Então, o que aconteceu? Houve um ajuste. Quebrou aquele clima ruim.

Quantos casos desse tipo, que culminam em boas relações, nós não presenciamos?

Em quase todos os lugares isso acontece. Às vezes, no princípio a criatura chega, olha assim meio estranho. E hoje, como está? Os dois se tornaram amigos. Já saem juntos, um dando carona para o outro. Não acontece? E seria muito bom se a nossa evolução fosse por aí, pela exteriorização da simpatia, mas o problema todo é que nós ficamos criando e mantendo sistemas duros de resistência.

Tem uma situação muito comum no campo dos relacionamentos que quem não está vivendo ainda vai viver, com certeza. Tem uma pessoa que você não tolera. Ela não te entusiasma, você não sente a menor simpatia e você logo começa a cultivar um pensamento separatista em relação a ela. Se você vai a uma festa em que ela também foi convidada você logo pensa: "Tomara que ela não venha, que ela não apareça." Se a coisa chegou a esse ponto e você não fica nem um pouco feliz se ela estiver próxima, a dica é: corta isso. Ok? Descaracteriza essa ideia.

Não segue por essa linha não. Você está estudando o evangelho e o evangelho não é somente para ser estudado. É para ser aplicado. Em todas as situações e com todas as pessoas.

Se tem alguém com quem você não sente simpatia comece por mudar o seu ponto de vista.

Comece por ver algum ponto positivo nele. Todo mundo tem. Procure alguma coisa nele que possa lhe gerar simpatia. Comece a procurar. De repente ele é uma pessoa muito correta, tem uma maneira interessante de falar ou algo assim. 

Comece a bater nesse ponto. Quando ele estiver em sua presença, quebre a resistência. Faça a simpatia partir de você. Não chegue perto dele com a cara fechada, o semblante pesado, amarrado. Lembre-se: quem tem a obrigação de viver o que o evangelho ensina é quem o estuda. Vá por esse caminho. Quem sabe se em pouco tempo a coisa não abre e você altera a sua ótica: "Puxa, eu estava vendo e analisando de uma forma distorcida. Não é que fulano é tão bacana!"

1 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 11

A FAMÍLIA UNIVERSAL

“46E, FALANDO ELE À MULTIDÃO, EIS QUE ESTAVAM FORA SUA MÃE E SEUS IRMÃOS, PRETENDENDO FALAR-LHE. 47E DISSE-LHE ALGUÉM: EIS QUE ESTÃO ALI FORA TUA MÃE E TEUS IRMÃOS, QUE QUEREM FALAR-TE. 48PORÉM ELE, RESPONDENDO, DISSE AO QUE LHE FALARA: QUEM É MINHA MÃE? E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS? 49E, ESTENDENDO A SUA MÃO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, DISSE: EIS AQUI MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS; PORQUE, QUALQUER QUE FIZER A VONTADE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS, ESTE É MEU IRMÃO, E IRMÃ E MÃE.” MATEUS 12:46-49

Sabe aquele passagem do evangelho em que alguém chamou Jesus porque sua família estava do lado de fora e queria falar-lhe? Você se lembra? E o que ele respondeu? "E, falando ele à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. E disse-lhe alguém: eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Porém ele, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe." Mateus 12:46-49

Para para quem prescinde de conhecimento espiritual Jesus estava se desfazendo da família, todavia para quem já possui certo conhecimento ele estava ampliando a família.

Nota-se o abandono de uma verdade menor para a aceitação de uma verdade maior.

Ao perguntar quem era sua mãe e seus irmãos, Jesus se referia à precariedade dos laços de sangue e estabelecia a fórmula do amor que não deve ficar circunscrita ao ambiente familiar, mas ligada ao plano universal, em cujas estradas devemos ajudar todos os necessitados, desde os aparentemente mais felizes aos mais desvalidos da sorte.

É felicidade ter uma família para zelar, mas também precisamos entender que é preciso abrir suas comportas.

Porque é lá fora, junto da grande humanidade sofrida, que nós temos conseguido nos melhorar e sensibilizar. Quem ama a sua família tem que tirar as paredes da casa e abri-la. Está entendendo? O lar continua sendo o núcleo fundamental, óbvio, só que ele vai ter as suas paredes derribadas para que se amplie.

Enquanto a família for um casulo vai ser muito difícil alguém se abrir. Em outras palavras, quem não for capaz de sair do seu lar, deixando que as paredes sejam derruídas para se interessar pela estabilidade do mundo, vai ter dificuldade em manter o próprio lar.

Na hora em que a gente alcança as realidades maiores da vida, a família começa a tomar um novo dimensionamento.

Nós nos envolvemos em um plano de sensibilização com aqueles que amamos para quê? Para podermos nos abrir a um processo mais universalista no campo do amor.

Note que o lar de Jesus não se circunscrevia a Nazaré. Ao dizer "qualquer que fizer a vontade de meu Pai" ele não fazia distinção alguma, colocava ao alcance de todos, não ao participante de um ou outro grupo religioso, de uma ou outra filosofia. Vamos manter o nosso agrupamento familiar como a sagrada construção, sim, mas sem esquecer que nossas famílias são seções da família universal.

Sabe quando demos aquele exemplo anteriormente de que podemos trabalhar com um grupo de trinta elementos e estarmos vinculados a três? Pois então, nossa faixa de investimento é com os três, só que a forma de ajudar os três é trabalhando com os trinta. Na hora em que trabalhamos com os trinta nós passamos a universalizar um caso que tínhamos como restrito. Deu para acompanhar?

Isso acontece demais. O caso na essência é particular, mas muitas vezes o plano terapêutico se dá de forma global. Assim, passamos a alcançar uma visão mais abrangente e ampliada desse sistema quando saímos do nosso eu, do nosso mundinho fechado, e abrimos o coração para a grande expressão em que se laboram os valores da grandeza de Deus em função de todas as pessoas e seres.

À medida em que nós vamos compreendendo o mecanismo da vida, que vamos entendendo a extensão do evangelho em nossa alma, a nossa mente vai saindo da órbita puramente pessoal do contexto familiar, do contexto social em que estamos ajustados, e vamos abrindo os parâmetros. É importante a gente falar nisso.

Não que nós estejamos propondo abandonar a órbita de nossos valores mais próximos. Nada disso. Apenas ressaltamos que todos temos uma família espiritual que existe e se multiplica, estejamos encarnados ou desencarnados. Essa família é universal, onde Deus é Pai e nós os irmãos uns dos outros, e que vai se firmando pela sintonia e pela afinidade que se estabelece entre os seus membros.

O que acontece é que nós ficamos muito presos ao plano individualista e não lançamos mão da faixa egocêntrica. Vamos ter em conta que na hora em que abrimos a nossa faixa de ação outros valores se integram e encontramos forças até mesmo para levarmos as nossas questões pessoais mais adiante e resolvê-las.

Quando começamos a trabalhar um campo novo na faixa positiva dos acontecimentos é como se passássemos a sintonizar com novas luzes. Agora, diante dessa nova postura é óbvio que vamos encontrar muitas resistências. 

No entanto, no momento em que abrimos e transferimos a nossa ação para uma família mais abrangente, de caráter universal, passamos a obter mais segurança até mesmo no trato com o nosso núcleo mais próximo. Sem contar que é no trabalho muitas vezes realizado lá fora que começamos a entender melhor os padrões muito fechados do nosso ambiente mais pessoal e particular.

15 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 10

A FRATERNIDADE

Vamos pensar uma coisa: o que a natureza nos ensina ao constranger todos nós, seres humanos, às mesmas necessidades? Ao manter em cada um a mesma cor de sangue, o mesmo número de ossos no corpo físico, os mesmos anseios íntimos de paz e felicidade, as mesmas necessidades físicas e o mesmo desafio das experiências de nascimento e de morte?

Embora muitos possam não admitir, ela define de forma imperiosa e inequívoca a igualdade humana. Que ninguém é melhor do que ninguém, e ponto final.

No entanto, apesar da clareza informativa muitos indivíduos tem uma dificuldade grande em tornar acessível, à mente e ao coração, a ideia da fraternidade.

Indiferença porque as criaturas, de algum modo, permanecem encarceradas nos instintos humanos, nas lutas por posições e aquisições, centralizadas num egoísmo sem limite como se guardassem ainda as heranças da vida animal. E acabam tendo que aprender da forma mais dura depois, pelas experiências mais difíceis.

Porque após a eclosão dos entusiasmos transitórios fica sempre aquele gostinho amargo de frustração e inutilidade nos espíritos desiludidos com a precária hegemonia do mundo, instante em que a alma dilata as suas tendências para o mais alto e passa a enxergar com mais clareza a própria realidade da vida.

A novidade do ensinamento de Jesus era o princípio de que todos os homens são filhos de Deus.

E se todos são filhos de Deus todos tem a mesma origem. Concorda? Deus está em nós.

À partir daí, fica fácil aceitar e compreender que assim como ele está em nós está também nos semelhantes.

Nós já crescemos trazendo dentro de nós a ascendência paterna, o sentimento instintivo de que somos frutos da realidade divina. Como consequência dessa paternidade divina nós temos a fraternidade humana, ou seja, a conclusão lógica de que todos os homens são irmãos. Da paternidade de Deus decorre a fraternidade e a igualdade dos homens. Todavia, vale ressaltar que no âmbito terrestre a fraternidade e a igualdade merecem uma distinção de conceito, porque a igualdade absoluta é impossível de ser mantida em razão da diversidade incontável de tendências, de sentimentos e de posições evolutivas dos seres.

Eu não sei se você já reparou, mas na oração do "pai nosso" Deus vem em primeiro lugar. Isso é óbvio. E depois de Deus a humanidade deve ser o tema básico de nossa vida.

Porque sem amar a Deus e a humanidade nós não daremos passos de edificação, tampouco estaremos seguros na oração.

Pense para você ver: Jesus, filho por excelência, não pedia somente para ele. Pedia? Não. E se ele veio e conviveu conosco ele tem uma fraternidade ampla conosco.

E o que precisamos é acionar a nossa proposta pessoal dentro de um plano universalizado.

A fraternidade, que define o amor sublime de irmão, é a lei de assistência mútua e de solidariedade comum, sem a qual todo o progresso no planeta seria impossível. E isso não é somente teoria. A fraternidade precede qualquer trabalho salvacionista, quer dizer, toda caridade para ser divina, seja ela em qual âmbito for, precisa apoiar-se na base da fraternidade, na cooperação sincera. 

O mundo está lotado de companheiros que despendem todos os seus esforços na busca de títulos transitórios. Gastam todos os seus esforços e acabam por se gastar.

A resposta, mais dia e menos dia, não é outra senão a desilusão, o desencanto e a frustração.

Um pouco de conhecimento e humildade é capaz de nos fazer entender que nos dias atuais o título de irmão deve ser o único do qual realmente devemos nos orgulhar.

Precisamos também nos diplomar na ciência do amor, aprendendo a nos amar reciprocamente, agindo em tudo com solidariedade. A isso chamamos fraternidade e ela chega para estabelecer uma nova expressão no íntimo da criatura.

Uma verdade vigora no universo: quem ama está pondo em execução o mandamento primordial corporificado no Cristo. 

A palavra irmão sintetiza a expressão daquele sentimento que caracteriza o verdadeiro amor. Pois onde não há amor não há irmão e ninguém pode ser irmão de alguém sem o amar. Daí, não vamos protelar mais. Não vale adiar mais. Comecemos a ser irmãos uns dos outros hoje, nutrindo no coração a sincera disposição de ajudar.

E a vida passará a nos responder com maiores e melhores frutos na intimidade do coração.

9 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 9

O COMEÇO É NA FAMÍLIA II

“MAS SE ALGUÉM NÃO TEM CUIDADO DOS SEUS E, PRINCIPALMENTE, DOS DA SUA FAMÍLIA, NEGOU A FÉ”. I TIMÓTEO 5:8

Tudo tem um porque.

Às vezes, uma pessoa estranha chegou e alguém o atendeu. Vai olhar, com atenção, que estranho é esse. Por que simpatizou com ele? O que ele chamou a atenção no que o atendeu na hora? Uma análise é necessária no sentido de entender o porque disto. Por que uma criatura se mantém do lado de outra com tanto carinho, lhe tratando com tanta boa vontade e amizade? Por que, ao contrário, determinada criatura complicada se mantém próxima de outra por tanto tempo?

É preciso notar que existe uma sustentação, uma irradiação eletromagnética de recursos e de forças que nos prendem uns aos outros e que funciona na pauta dos relacionamentos vibratórios entre as pessoas. Vigoram vibrações intrínsecas.

Às vezes, o elemento ficou amigo de outro com uma facilidade danada: "Nossa, desde que ele chegou aqui eu notei. Eu simpatizei muito." Ao que alguém retruca: "Que isso! mas logo com ele?" E o primeiro devolve: "Ah, você deve estar enganado. Ele é uma pessoa bacana demais. Ele é muito jóia!" E por aí vai. Está percebendo? No fundo, a gente acha que está trabalhando com estranhos, lidando com indivíduos anônimos. Mas que nada. Nós estamos trabalhando é com os nossos. Assim, também, é muito difícil nós termos ao nível da conexão espiritual amor à primeira vista. Isso não existe. Temos que pensar.

De uma coisa todo mundo sabe: sempre foi fácil causar boa impressão naqueles que não convivem conosco intimamente. Concorda? Basta um gesto ou uma frase feliz e arrancamos, de improviso, o aplauso ou a admiração de quantos nos encontram exclusivamente na paisagem dos atos sociais. E mais, diante dos companheiros que se despedem de nós, depois de uma solenidade ou de qualquer encontro formal, também é fácil cairmos na hipnose da lisonja, com a qual se pretende exagerar nossas virtudes de superfície. De forma que lidar com as pessoas fora da nossa órbita é muito mais fácil do que lidar com os nossos.

E quando o assunto é família, muitos chegam a dizer que é mais fácil conviver com estranhos do que com os parentes. Não é isso? Porque os outros podem ser complicados, viciados, difíceis, intransigentes, todavia abraçam, mostram agradabilidade em determinadas situações: "Nossa, mas como fulano é bacana. Que pessoa fabulosa que ele é." O grande lance é: cuidado! Vá devagar. Você não conhece.

Está percebendo? Você não conhece uma pessoa somente porque conversou com ela em uma festa ou em um evento social durante algumas horas. Ou porque encontra com ela em certos lugares ou ocasiões e ela lhe demonstra uma singular simpatia.

Em todos os ambientes do mundo existem multidões de indivíduos que ostentam falsas virtudes para as pessoas de fora e não as aplicam aos familiares.

Falam belas mensagens nos cultos religiosos que frequentam, chamando os participantes à vivência da compaixão e sensibilizando a muitos. Verbalizam citações e conceitos de elevado valor moral lembrando a importância da brandura e da humildade, porém, no instituto doméstico são verdadeiros carrascos de sorriso na boca, que não gravam a mínima gentileza nos corações que os cercam entre as paredes do lar. De fato, tem muita gente assim, e o que o evangelho ensina diante disto? Ele ensina que quem não é virtuoso dentro de casa não será fora de casa, embora possa até parecer. Que ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter essas ações em família, não é ser virtuoso, é ser hipócrita. E que a virtude não tem duas faces, uma dentro e outra fora. Isso não existe. A virtude é uma só e a mesma em toda parte.

E como podemos querer fazer um mundo novo se não sabemos resolver o problema dentro de nossa própria casa? Você concorda? Isso é coisa para pensar. Se eu não consigo estabelecer um processo salutar de convivência com quem eu convivo vinte e quatro horas por dia, como é que eu vou estabelecer uma associação vibratória com que eu não conheço? Sejamos sinceros. Tem jeito?

Nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia do Pai colocou mais próximos de nós, dentro de casa. 

É dentro do lar que temos a possibilidade de vivenciar os conhecimentos que aprendemos. É aí que temos que dar o atestado a cada momento da nossa capacidade de saber viver e conviver.

Resultado: precisamos examinar as nossas conquistas morais e demonstrá-las perante os que nos conhecem os pontos fracos. Façamos o bem a todos, sim, mas provemos a nós mesmos, se já somos bons, fazendo o bem diante daqueles que diariamente nos acompanham a vida, policiando o nosso comportamento e procurando dar o melhor.

Porque começamos a regeneração trabalhando com aquelas pessoas a quem nós estamos vinculadas, para depois trabalharmos com o desconhecido.

A sabedoria do criador é extraordinária e precisamos abrir o nosso círculo e aprender a lidar com a grande massa. Todavia, para alcançarmos essa ótica ampliada o que tem acontecido? Nós temos vivido em família. Está acompanhando a lógica da coisa? Vivemos impactos tristes, dissabores e muitas lutas em família, mas por que os familiares? Em primeiro lugar, porque o lar é o centro que vai nos requerer sacrifício. Isso já ficou claro. Começamos a trabalhar a regeneração com aqueles aos quais estamos vinculados.

E, por outro lado, vivendo e convivendo bem no grupo familiar, que é uma população menor, aprendemos aos poucos a operar de forma mais abrangente à partir do próprio habitat que elegemos. Está acompanhando? A família, também, é ambiente preparatório do espírito para que ele possa lidar com todos os espíritos. Ela é o ponto de onde vamos começar a partir para âmbitos maiores de relação. Funciona como uma escola de convivência positiva. É a experiência positiva dentro dela que nos dá condições de chegarmos a amar o desconhecido.

As dificuldades imensas que vivemos, às vezes, dentro das paredes do lar significa titulação nossa para o trabalho que nos aguarda. Ou seja, os problemas profundos dos lares representam o nosso título de habilitação para o serviço junto a uma coletividade maior.

Porque se eu não me educar com os familiares, que ocasionalmente eu xingo e brigo com eles na parte da manhã, de tarde eu estou com a minha consciência doendo. Não é verdade? Meu Deus, por que eu tratei assim o meu irmão? Respondi mal. Isso funciona como um aprendizado. Aprendendo a lidar com as situações mais próximas, amanhã, quando eu tiver que estender a minha ação junto do desconhecido, eu vou ter condição e força para isso. Amanhã, essa luz vai ser direcionada no campo do atendimento aos necessitados que eu nem conheço.

E diante disso que nós temos estudado, o que a gente conclui? Que sem a bênção do lar não existe felicidade verdadeira.

Aquele que consegue administrar com segurança o seu lar, geralmente administra a convivência com amigos e inimigos.

Anunciar os princípios superiores, através da aplicação com renovação e aperfeiçoamento diante dos que nos conhecem as deficiências e falhas, é a fórmula verdadeira de testar a nossa capacidade de veiculá-los com êxito junto aos planos maiores de relação. O carinho especial à nossa família faz parte da obrigação inarredável de assistência imediata que devemos àqueles que convivem conosco.

Entre outras coisas, a nossa vida em família é treinamento. 

É uma questão de lógica: se eu não me habituo a treinar no campo de ceder e oferecer o melhor da minha parte com aqueles que eu tenho uma relação mais próxima, como é que eu vou fazer isso com um desconhecido? Se eu não for útil e compreensivo, afável e devotado junto de alguns companheiros, como vou vivenciar as lições de Jesus diante da humanidade? Tem jeito?

Logo, se já nos aproximamos do Cristo assimilando suas mensagens de vida eterna, procuremos testemunhá-las, pelo exemplo, primeiramente aos nossos, aos que nos compartilham as maneiras e hábitos, dificuldades e alegrias. E aproveitados na escola doméstica, onde somos rigorosamente policiados quanto ao aproveitamento positivo dos ensinamentos, nos acharemos francamente habilitados para a convivência junto da humanidade, a nossa família maior.

3 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 8

O COMEÇO É NA FAMÍLIA I

“JESUS, PORÉM, NÃO LHO PERMITIU, MAS DISSE-LHE: VAI PARA TUA CASA, PARA OS TEUS, E ANUNCIA-LHES QUÃO GRANDES COISAS O SENHOR TE FEZ, E COMO TEVE MISERICÓRDIA DE TI”. MARCOS 5:19

“ENTÃO, ENQUANTO TEMOS TEMPO, FAÇAMOS BEM A TODOS, MAS PRINCIPALMENTE AOS DOMÉSTICOS DA FÉ.” GÁLATAS 6:10

A consanguinidade marca um grau de aproximação prioritária. Você concorda?

Onde é que estão os espinhos da nossa vida? Estão representados naqueles indivíduos que nós temos que conviver com eles. Aquelas peças que a gente não gostaria, mas que não dá para fugir. Não é isso? Elas precisam estar conosco porque nós daqui para a frente temos uma responsabilidade maior com o próprio destino.

Às vezes, queremos ficar livre de alguém, só que não podemos viver sem esse alguém. 

Talvez a gente não possa. Se fosse um desconhecido a gente não sabe o que faria, mas como é da família a gente mantém outra postura. A gente queria largar, deixar para lá, sair, mas a gente volta. Então, a família tem essa ligação fantástica. Define aqueles valores mais próximos, junto de nós, porque esses valores próximos é que realmente formam o painel onde estão presentes as nossas necessidades mais imediatas, mais emergentes.

Os familiares são aqueles com quem nós vivemos mais de perto. Podem ser aqueles que integram o nosso grupo de trabalho, como podem também ser os integrantes do nosso círculo pessoal mais próximo. O importante é que consiste em uma comunidade mais reduzida a definir o nosso âmbito de ação. Essa é a família.

E é daí que surge o problema instaurador, o lance dinamizador e aferidor da conquista.

Observe para você ver. O mestre, por ocasião da cura de um endemoninhado, ao invés de júbilos antecipados, o que ele fez? Recomendou ao companheiro o seu retorno ao ambiente caseiro: "Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti". (Marcos 5:19) Lição de profundidade pela qual o grande amigo da humanidade nos orienta a reconhecer que é no círculo mais íntimo, seja no lar ou no trabalho, que nos cabe patentear a solidez das virtudes adquiridas.

E preste bastante atenção no que eu vou dizer: é no próprio plano em que nós estamos situados, por mais triste e difícil que ele seja, por mais complexa que seja a nossa experiência nesse ambiente, que nós vamos encontrar o campo para melhorar. O campo para criar o piso de ascensão e realizar o nosso salto de qualidade.

Não tem outra, o lar vem para nós como oportunidade preciosa de redenção e progressão.

Sintetizando: o lar é o centro essencial dos nossos reflexos. Então, aqueles que nos unimos na faixa mais próxima de relacionamento, e com quem geralmente temos problemas, são instrumentalidades a nível didático para nos ajudar a coletar os valores de que precisamos para nos projetar.

E sabe por quê? Simples. Eu tenho certeza que todos nós aqui, indistintamente, já trabalhamos sensibilizados com as faixas do amor e da caridade. No entanto, pense comigo, você acha que estamos fazendo caridade para quem? Para o desconhecido? 

Não. Definitivamente não! Por enquanto estamos trabalhando é com a família. Não é para desanimar, mas nós não temos ainda uma capacidade de operar de modo abrangente com a grande sociedade. Nós ainda temos uma necessidade, embora inconsciente, de resolver os nossos problemas de vinculação muito pessoais ainda. Você já pensou nisso?

Se você quer sair de casa, tudo bem, mas se você quer sair de casa para ficar livre do grupo, você vai ter é problema, porque você vai ter que voltar amanhã, talvez em situação bem pior, pedindo abrigo a esse mesmo grupo que está abandonando. Então, se você vai sair, não tire-os da sua linha de interesse, de cogitação. Talvez é preciso sair para ajudar melhor, mas a responsabilidade maior está ali dentro.

E não vamos nos esquecer de outra coisa: grandes ensinamentos de Jesus foram ministrados no seio da família.

Quer exemplos? Sua primeira revelação foi num casamento em Caná, entre os júbilos sagrados da família. Certo? A primeira manifestação de Jesus diante do povo foi a multiplicação das alegrias familiares em uma festa de núpcias, em pleno aconchego doméstico. A primeira instituição visível do cristianismo, qual foi? A moradia simples de Simão Pedro na cidade de Cafarnaum. Muitas vezes, visitou Jesus as casas residenciais de pecadores confessos, acendendo novas luzes nos corações. E a última reunião com os discípulos verificou-se, também, no cenáculo doméstico.

O nosso processo de doação, especialmente agora que temos recebido uma faixa informativa mais ampla no campo do evangelho, deve ser feita junto dos corações que nós, direta ou indiretamente, nos relacionamos. Vale sempre a pena repetir: nós ainda, quem sabe, não estamos preparados para amar aqueles que estão distantes das nossas cogitações mais próximas no campo das expressões vibratórias.

Não estamos muito treinados, se é que eu posso usar essa expressão, a ter uma sensibilidade mais ampliada com os outros mais distantes de nós. Está entendendo? 

É lógico que é melhor fazer o bem aos que vivem longe do que não fazer bem algum. Devemos, sem dúvida alguma, ajudar os outros o quanto nos seja possível, no entanto temos a obrigação de ser igualmente bons para com aqueles que convivem mais tempo conosco. Devedores de muitos séculos que somos, temos em casa, no trabalho, no caminho, no ideal e nos parentes as nossas principais testemunhas de quitação. Normalmente, a nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia divina colocou mais próximos de nós, dentro do lar.

Por isso, não podemos nos descuidar das situações que existem no lar para irmos aquecer, de imediato, o próximo que se encontra um pouco além do nosso lar.

23 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 7

NÃO RESISTAIS II

O desafio está lançado. Para entrarmos em um estágio melhor de erguimento espiritual nós temos que criar condição de desarmar as nossas resistências e administrar com carinho cada momento da nossa vida. Temos que aprender a desarmar o coração, saber olhar todo o ambiente e entender o ambiente. Sem resistência.

A situação à nossa volta pode estar difícil, o ambiente difícil, as pessoas difíceis, mas nada ocorre por acaso. A situação tem a sua razão de ser. Tudo tem a sua razão de ser e uma finalidade, embora possamos não entender de princípio. Compete a nós saber aproveitar as circunstâncias que nos chegam com carinho.

Nós estamos tentando fazer luz, ou não é isso que estamos tentando fazer aqui?

Luz interior. Agora, a luz, qual é a finalidade dela? Dissipar as trevas. E o que a gente faz? A gente briga com a treva.

Então, veja bem, se diante de uma agressão recebida eu respondo com a minha reserva de intolerância, se eu solto os cachorros na outra pessoa, o que acontece? Eu estou dando um atestado: atesto para os devidos fins que, por enquanto, eu estou precisando melhorar esse ponto na minha intimidade. Percebeu? Eu estou precisando ter mais isso, mais aquilo ou mais aquilo outro. 

Se eu jogar de volta na cara da outra pessoa a ofensa recebida, aí eu mostrei que estou muito mais necessitado diante daquela situação do que ela própria que me deu a bofetada.

Está dando para entender? Pode ser aquele indivíduo intragável, aquele insuportável do outro lado do telefone, mas se ele me fizer soltar um palavrão do lado de cá do aparelho, ele, como um instrumento, conseguiu me mostrar que eu estou muito longe de ter a calma e a serenidade precisa. E nessa hora o que acontece? Reduz um bocado o meu alcance. Minha síntese e a oportunidade de viver de forma adequada o que eu aprendi foi por água abaixo. Porque eu estou aprendendo o valor novo, mais ainda agindo com o padrão velho, e vou ter que ficar mais um tempo na cultivação daquele valor. Então, vamos ter esse cuidado. Se resistimos acaba a nossa autoridade educativa.

A nossa autoridade de cooperação cai na hora em que nos emocionamos, porque entramos num plano de resistência.

E não resistir, muitas vezes, equivale a silenciar.

Até parece que fica difícil evoluir, mas é por aí que nós temos que seguir. Eu tenho aprendido isso comigo. Temos que buscar dentro do coração uma serenidade muito grande para engolir os fatos, metabolizar os fatos e manter, como dizem alguns, a elegância diante de certas agressões a que ficamos sujeitos vez por outra ao longo do cotidiano. Concorda? Tem pessoas que seguem criando dificuldades em tudo e nós voltamos a bater no ponto: temos que silenciar determinadas situações no plano de convivência.

Então, guarde isso: refreie a sua vontade de criticar ou de agredir, mesmo que se trate de uma agressão indireta. Muitas vezes, é bem mais importante uma lição silenciosa no tempo do que um verbalismo apressado na hora da ocorrência.

O que recebemos da outra pessoa é o que ela tem para oferecer. Você já pensou nisso? Ainda que seja uma colocação mal definida, uma palavra de agressão ou outra atitude menos feliz qualquer, o que ela emite representa o que ela tem a oferecer. 

E dentro dessa atitude, desse comportamento que define a emissão dela, abre-se uma válvula em seu psiquismo para que ela receba de retorno a expressão de auxílio que Jesus define no plano de interação: "Se alguém te agredir numa face, oferece-lhe a outra." Está dando para entender? Aproveite o momento em que ela te agrediu, porque nesse momento abriu a comporta dela para que seja lançado algo de natureza diferente. Quando uma onda longa de agressão sai de alguém a abertura nesse alguém se dá. A emissão se faz por essa abertura. Ela abre para emitir. E a luz de quem ama, que é uma onda sutil e curta, é capaz de chegar no compartimento íntimo desse agressor antes que ele feche a sua comporta. De modo a poder sensibilizá-lo.

Sabe de que maneira nós costumamos atingir os que estão próximos de nós? Resguardando o nosso interesse e jogando a confusão para fora. Fazemos isso com naturalidade. Agora, não adianta nós retermos conosco o manjar, a essência preciosa, e soltar confusão para os outros porque isso acaba deteriorando o que temos e criando situações ambientes que irão dificultar e embaraçar os nossos passos. Temos que usar a sabedoria combinada com o amor na atividade de cada dia.

Temos o dever de tratar os outros melhor do que os outros nos tratam. E sempre, não apenas de vez em quando!

Em algumas situações atravessamos períodos de dificuldades. Isso é normal e faz parte da vida, no entanto, mesmo nas circunstâncias difíceis urge endereçarmos aos outros à nossa volta o melhor ao nosso alcance. Temos que buscar dentro de nós, na intimidade da alma, o que temos de melhor e lançar. Afinal, o que sai da gente significa o quê? Semente. E semente tem que ser bem selecionada para que a gente possa colhê-la onde? Á frente. Ficou claro? Afinal, segundo as leis da vida vamos colher invariavelmente o que tivermos semeado.

E vamos entender uma coisa: temos que aplicar o que aprendemos no plano em que a gente vive, não no plano em que a gente idealiza viver. Entendeu isso ou precisa que repete?

Ficou claro? É dentro do contexto que estamos posicionados que podemos dar um colorido diferente às próprias cargas. E não basta apenas ficarmos posicionados na defesa como um time de futebol trancado no seu campo só preocupado em não tomar gol. Precisamos adotar uma atitude positiva. Para termos tranquilidade e segurança nós precisamos arregimentar valores informativos, saber dimensioná-los adequadamente e vivê-los no plano prático da vida.

Saber amortecer, temperar o que recebemos e devolver melhor do que veio. Devolver com sabedoria e amor. 

E fique tranquilo, no dia em que tivermos condições de recolher os impactos da vida, amortecendo-os e devolvendo o componente para a continuidade da vida em seu plano mais abrangente, poderemos ter a certeza de que estamos nos erguendo diante desses valores que marcam positivamente o nosso crescimento consciente.

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