23 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 3

O MAR ALTO

“3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR." LUCAS 5:3-4

Quer se acredite, ou não, nós todos morremos e renascemos num processo intérmino. Como o estudante, que ao final do ano letivo descansa e se prepara para retomar o aprendizado no ano seguinte.

Sendo assim, com toda certeza muitos de nós já participamos de inúmeras atividades de estudos lá atrás em reencarnações passadas. Estudos em que os padrões da mensagem crística foram implementados em nossos corações. E é bem possível que o tenhamos aceito com todo o carinho no coração. Todavia, também é provável que tenhamos falhado na dinâmica aplicativa desses valores, deixando que lances da nossa imperfeição se expressassem diante dos acontecimentos.

Mas o bonito disto é que aqueles que não foram felizes no passado, até mesmo aqueles que perderam a chance de serem orientados de forma positiva e segura lá atrás, podem ser orientados novamente por outros personagens hoje. Isto é que é bonito e consolador.

E sabe por quê? Porque a multidão continua nos dias de hoje apertando Jesus para ouvir a palavra de Deus.

Ou você tem dúvida? Existe na atualidade uma necessidade grande, uma carência sem tamanho por parte da multidão quanto ao conhecimento de valores de natureza espiritual. E Jesus continua, na figura da essencialidade do evangelho, entrando nos barcos para ensinar a multidão. Para levar esclarecimento.

Então, ninguém na atualidade pode alegar falta de oportunidade para aprender e evoluir. 

Esse tipo de alegação é inaceitável. É conversa mole. É papo pra boi dormir que tem que ser desconsiderado. Muitos daqueles que não souberam aproveitar a chance ontem, quem sabe a estão aproveitando no dia de hoje. Muitos desses elementos estão arregimentando, estão se preparando, estão crescendo. Eles chegam para serem devidamente orientados por outros companheiros no contexto da oportunidade que se repete para cada um de nós.

E o divino educador assentou-se e ensinava do barco: "E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão." (Lucas 5:3) A bem da verdade, ele continua ensinando do barco, influindo e atuando na alma humana. É assim que funciona a sistemática educativa, é assim que tem que ser. Temos também que ensinar do barco.

Assentando encontramos firmeza. E ensinar do barco equivale ao trabalho realizado com entusiasmo. Porque ninguém consegue ensinar ou operar, o que quer que seja, sem a presença da euforia. Nós estamos empolgados. E a empolgação vem de dentro. Só sente quem vibra. Só sente quem se ilumina. Só sente quem ama. Sem entusiasmo não temos como obter resultados satisfatórios.

Sem euforia ficamos incapacitados de dar o nosso melhor. Por isso, o dia em que alguém começar a falar ou operar em nome do Cristo de qualquer jeito, sem nenhum envolvimento íntimo, sem a alegria nos olhos, sem o sorriso nos lábios, sem entusiasmo, sem qualquer júbilo pessoal, sem o direito de vibrar verdadeiramente com aquilo que está fazendo, sabe o que vai acontecer? Ele simplesmente vai ser uma pessoa neutra, fria, sem sal, destituída de autoridade.

A vida é como se nós estivéssemos num mar aberto. Cada um remando o seu barco, procurando a sua sobrevida. 

Mas precisamos ter em conta, e isso é muito valioso, que acreditemos ou não, existe um plano a nosso respeito no âmago da grandeza de Deus. Às vezes, nós nos lançamos no oceano da vida e achamos que ficamos ali no debatendo ao léu, como se estivéssemos perdidos, à espera de uma salvação. Mas não é por aí. Se nos lançamos de uma margem é óbvio que a outra margem está reservada para nós, para a atingirmos algum dia. Porque nós temos um destino, nos lançamos porque existe uma proposta nossa, delineada e amparada pela bondade do alto.

E depois que Jesus acaba de falar significa o quê? É o mesmo que depois que uma soma informativa visita o ser. 

Quando Jesus acaba de falar equivale ao término da linha teórica, o fim da linha informativa. Ficou claro? E, em seguida, Jesus diz a Simão, no singular: "faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes".

A gente sabe que quando o evangelho fala em mar ele faz referência à reencarnação, no entanto não quer dizer que tem que reencarnar não. Fazer-te ao mar alto é quando o espírito, no ambiente que lhe é peculiar, vai enfrentar as dificuldades na própria luta dele. 

E é assim que os fatos se desenvolvem. Antigamente, desejávamos que a nossa vida fosse calma, mas hoje notamos que a tendência evolucional de fora para dentro é agitar mar. E não tem como ser diferente, a evolução promove a agitação.

É imprescindível ir ao mar alto, porque se não instauramos um sistema de lançamento para pontos mais avançados nós simplesmente não evoluímos. Agora, isso também não significa que tenhamos que ficar lutando constantemente contra a maré. Se fizermos assim, nós nos esgotamos. As pessoas sábias se ajustam à maré da vida. Então, não vamos entrar nessa de desespero ou de inquietação por causa dessa oscilação, dessa dinâmica existente. De forma alguma. Porque a dinâmica e os desafios são o gostoso da vida.

O que acontece com aquele que realiza algo, concretiza e fica parado, coagulado? O que acontece? Ele perde o gostinho da vida. Pense nisso. Como é possível alguém ter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que parou? Não tem jeito. A conclusão é uma só: nós temos que lançar, às vezes, o nosso coração em um regime de sacrifício, em um regime de ousadia. Nós temos que visar o mar alto. O ponto mais de cima tem caracteres que nós não possuímos ainda.

O conteúdo que vai nos projetar para a libertação é um conteúdo que vem de onde? De cima.

É simples de entender. A evolução se desenvolve de modo incessante e sempre seremos desafiados a um passo além da órbita ou do limite dos nossos padrões já conquistados.

Por isso, os grandes cooperadores da humanidade continuamente trabalham para além daquelas faixas relativas de suas conquistas. Estamos estudando porque estamos querendo ir além do parâmetro que cerceia os nossos passos e o processo é abrirmos para além de onde estamos. Até onde exercemos o conhecimento concreto é nosso universo relativo e naquilo que apreendemos e deduzimos nós penetramos no infinito da grandeza de Deus. Está dando para acompanhar?

Mediante a capacidade dedutiva em cima do plano perceptivo nós avançamos e ultrapassamos limites.

Então, o componente daqui (a nossa rede) organiza a instrumentalidade, mas o conteúdo realmente capaz de nos projetar vem de cima (do mar alto). Razão pela qual nós sempre estaremos diante de um desafio. Porque a euforia de nossa vida se expressa em função da nossa capacidade de avançar e abranger sempre.

19 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 2

A REDE

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:1-5

“E ELE LHES DISSE: LANÇAI A REDE PARA O LADO DIREITO DO BARCO, E ACHAREIS. LANÇARAM-NA, POIS, E JÁ NÃO A PODIAM TIRAR, PELA MULTIDÃO DOS PEIXES.” JOÃO 21:6

“IGUALMENTE O REINO DOS CÉUS É SEMELHANTE A UMA REDE LANÇADA AO MAR, E QUE APANHA TODA A QUALIDADE DE PEIXES.” MATEUS 13:47

A entrada de Jesus em nosso barco não se dá de qualquer jeito, não se processa à nossa revelia. 

Isso não acontece. Tem que haver uma preparação e predisposição nossa para que ela ocorra. Sabe por quê? Porque Jesus não entra quando nós estamos ociosos ou desinteressados.

Você observou o texto com atenção? Se observou, o que os pescadores estavam fazendo? Eles estavam lavando as suas redes. Conseguiu acompanhar? E se estavam lavando as suas redes eles estavam em atividade, estavam se preparando, estavam operantes, vigilantes, interessados, portanto aptos a receber.

A rede é um entrelaçamento de fios com aberturas regulares e que forma uma espécie de tecido.

É elaborada para uma atividade específica. É a soma de um conjunto de elementos que, devidamente conjugados formam um instrumento capaz de captar, de arregimentar, de apanhar algo. Espiritualmente falando, a pesca representa os planos seletivos da criaturas que laboram na busca de uma proposta de crescimento. Logo, a rede deve apresentar boa condição de uso e estar sempre pronta para trabalho. Afinal, o espírito humano é um pescador de valores evolutivos nos amplos mares da vida.

E uma coisa é fato: daqui para frente, quem quiser recolher o melhor da vida não pode mais lançar a sua rede de qualquer jeito e em qualquer ambiente. Tem que lançá-la com técnica e sabedoria, o que pressupõe aperfeiçoamento constante, ação inteligente e direcionamento.

E é o que estamos buscando aprender agora. Nós estamos estudando o evangelho para isso. Estamos, com toda a tranquilidade, aprendendo a melhor forma de preparar a nossa rede para a grande viagem ao mar alto. O conhecimento espiritual objetiva promover em nós o aprimoramento, como elaborar essa rede e utilizá-la para recolhermos o melhor da existência. E trabalhar a rede é aprimorar também o nosso sentimento, quer dizer, é arregimentar conhecimento novo de um lado e, ao mesmo tempo, aprimorar o sentimento.

Outro ponto fundamental é que nós não podemos ficar indefinidamente nessa preparação.

Esclarecidos pelos ensinamentos imorredouros do evangelho, somos convidados intimamente a lançar as redes. E lançar a rede sugere uma posição prática dentro do contexto.

Pense comigo: sendo o mar o celeiro abundante de onde podem emergir elementos valiosos, temos que lançar a nossa rede de dentro do nosso barco. Não dá para adquirirmos a autenticidade e a harmonia que idealizamos se não nos lançarmos.

E lançar tem o sentido de ação, de movimento para além. Então, o desafio agora consiste na capacidade de operar com o valor que assimilamos. Porque não existe construção de vida consciente sem a aplicação das nossas possibilidades em busca da realização de alguma coisa útil.

Nessa passagem da pesca encontramos o verbo lançar em duas situações. No primeiro momento, Jesus usa a forma imperiosa: "Lançai as vossas redes." (Lucas 5:4 e João 21:6) O que isso significa em termo aplicativo? Que não há outra forma de evoluir. O conhecimento que chega nos desafia e nós somos convocados a ir além, a fazer, a partir para o processo de lançar. No exercício de sua autoridade moral, Jesus determina que utilizemos nossos valores para "pescar" benefícios espirituais. Determinação para que cada um de nós acione e viva os padrões arregimentados, na prática. É o chamado para que apliquemos o que aprendemos.

No segundo caso, Pedro emprega o verbo referindo-se ao futuro: "Sob tua palavra, lançarei a rede." (Lucas 5:5) Percebeu? Aí vira "lançarei". Pedro sugere a possibilidade de aplicar e investir no que o conhecimento orienta, que significa agir conforme a orientação superior. Diz respeito à vivência do testemunho, que é pessoal. Porque cada qual vai agir individualmente dentro daquilo que pretende. Ou seja, a orientação que chega nos auxilia de fora para dentro e cada ação positiva nossa corresponde a um passo certo dado no esforço ascensional, que tem que ser dado do próprio barco, isto é, de dentro para fora.

Cada criatura tem as suas preferências e escolhas e a cada dia nos levantamos com a nossa rede de interesses.

Cada indivíduo busca, à sua maneira, trabalhar o campo mental tentando direcionar sua rede para as fontes de luz, mas o que acontece? A treva, de algum modo, é algo que permanece embutido em nós pelas nossas experiências do passado. Está dando para acompanhar? E essa treva, por mais inconveniente que seja, acaba se tornando luz para nós em muitos pontos. É como se fosse aquela coisa do está ruim, mas está bom. Percebeu? Dentro dessa treva embutida passa a vigorar uma luminosidade que atende aos nossos caprichos pessoais.

Quer dizer, detectamos um componente negativo em nossa personalidade que precisa ser suplantado, que precisa ser superado, todavia, apesar da identificação ele permanece e continua sendo em muitos casos a nossa forma de agir. E a gente não abre mão dele.

Assim, costumamos gastar inúmeras encarnações mantendo a chama do conhecimento clareando, com a nossa mente determinando o caminho, todavia sentindo que na intimidade falta algo para o alcance da paz. O que eu estou querendo dizer é que perdemos muito tempo, às vezes, inúmeras vidas nas lutas reencarnatórias mantendo padrões antigos que não nos atendem mais. Que continuam em um tempo em que a razão clareada já nos determina a necessidade de superá-los.

Ficou claro agora? Estamos trabalhando o campo mental, estamos tentando direcionar a nossa rede para as fontes de luz, mas a treva continua ainda embutida em nós.

É por isso que precisamos lutar muito conosco mesmo. Porque mesmo vendo o novo não nos desapegamos sem luta dos padrões velhos. O automatismo fala muito alto dentro de nós. Isso acontece demais da conta. Nós viramos a nossa rede para cá e o condicionamento acaba por retorná-la para lá. Um indivíduo pode, por exemplo, pela utilização da rede, fixar um objetivo para cima, mas sem dúvida ele terá que lutar muito consigo mesmo, porque, sem exagero, a parte da sua instrumentalidade, automatizada, ainda está virada para lado oposto. De forma que ele puxa a rede para cá e o condicionamento volta ela para lá.

O que manda nesse processo, pelo que nós temos aprendido, é algo relacionado com o modo, com o sistema.

É a eleição nossa de vida.

Estamos vivendo um momento que é um momento peculiar na nossa faixa de crescimento. E o entendimento do evangelho imprime em nós um esforço de renovação com Jesus. Quanto a isso, ninguém tem dúvida. Estamos aqui tentando acolher valores que projetem nossa vida em novas bases de crescimento. Estamos arregimentando padrões que nos ofereçam melhores condições no plano operacional.

E repare que diante do insucesso aparente inicial na pesca, Jesus convoca amorosamente os seus discípulos a quê? A nada mais, nada menos, do que lançarem a rede para o outro lado, para o lado oposto. Deu para entender? Entendendo Jesus e nos sintonizando com Ele nós temos que passar a lançar a nossa rede no lado oposto ao que lançávamos antes de nos identificarmos com esses novos padrões. É preciso jogar a rede para o outro lado, para receber o que não recebíamos.

13 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 1

O BARCO

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE. 6E, FAZENDO ASSIM, COLHERAM UMA GRANDE QUANTIDADE DE PEIXES, E ROMPIA-SE-LHES A REDE.” LUCAS 5:1-6

O mar é componente dentro da própria terra física. Significa todo um sistema em que nós estamos embutidos nele. É o campo experimental físico, o plano experimental nosso, diz respeito ao processo periférico e instrumental de nossa vida.

Enquanto a terra é plano da nossa intimidade mental, da intimidade a nível psíquico, o mar representa o plano operacional dos acontecimentos. De forma que estamos todos imersos nesse oceano, especialmente na área de concretude dos nossos ideais. Ou seja, os nossos ideias se situam na terra e as nossas linhas operacionais no mar da vida. Nós somos moléculas dentro desse mar, gotas de água dentro dele, movendo em função desse todo sob a direção superior.

Nessa passagem do evangelho, o barco de Simão Pedro era o quê? O seu instrumento de trabalho. Certo? Porque a gente sabe que ele era pescador. Então, na acepção espiritual, que é a que realmente nos interessa, o que é barco? Barco é a representação da nossa estrutura íntima no infinito mar da vida. Define o que nós somos e o que trazemos de conquista ao longo das reencarnações.

É a soma dos padrões de que dispomos para nos lançar em busca de novas aquisições. E ele contém todos os valores reunidos que nos caracterizam a individualidade e que temos para utilizar em nossa viagem pelos mares da vida. Afinal de contas, cada um de nós é um espírito que enverga um corpo, viajando hoje nessa trajetória extraordinária que é a regeneração em busca de novos destinos e de novos portos de segurança. Cada individualidade é um espírito com os seus problemas a serem solucionados e os seus objetivos a serem realizados.

Os barcos não se encontram todos no mesmo lugar, o que é óbvio, e por isso também sugerem a ideia de posição.

Quer dizer, barco também significa a nossa posição perante a existência, pois cada um de nós se encontra em um patamar, posicionado num contexto que o torna um espírito único, com um corpo único e desafio único, diante da grandeza de Deus. Assim, cada qual, ajustado na escala do plano físico em que se situa, precisa saber identificar em si mesmo e à sua volta os recursos de ação disponíveis para poder atuar com aproveitamento no campo que lhe é próprio.

Porque a gente sabe, ninguém se lança ao mar com o seu barco sem a devida preparação.

E quem nos leva é o mar da vida. Concorda?

Mas isso não significa que temos que nos deixar levar pelo sabor das circunstâncias.

Nós precisamos saber conduzir o nosso barco, aprender a nos direcionar e nos posicionar. Aprender a nos ajustar para nos manter à tona dentro desse mar. Saber mudar a nossa posição diante do contexto com naturalidade, de maneira a permanecermos equilibrados e estabilizados. Esse é, sem dúvida, o grande segredo da evolução. Posicionados de tal forma a sermos dignos de receber Jesus na embarcação do coração, que nos chega na figura do conhecimento que nos visita.

Diante de um mundo agitado e atribulado como o nosso, constantemente envolvido por desafios de toda ordem, não podemos nos descuidar e deixar o nosso barco correr à deriva. Não tem jeito. Não dá para deixá-lo ficar sem uma proposta, sem um objetivo, sem rumo, sem disciplina, sem leme. A entrada de Jesus no barco significa sua entrada na nossa estrutura íntima, sua entrada em nosso campo mental. E ele continua entrando sempre que criarmos situações favoráveis a isto.

Analisando o assunto com a profundidade que ele exige, fica fácil concluir que para alcançarmos resultados felizes nós temos que ter a presença do Cristo em nós, precisamos da sua presença em nosso barco. 

E olha que não estamos falando aqui na entrada do Jesus homem. Não. Nós estamos fazendo referência à entrada do evangelho em nosso íntimo, a entrada do conhecimento espiritual. Porque sem isso não adianta. Nós não conseguimos nos lançar às conquistas maiores da imortalidade, não conseguimos nos lançar ao mar alto.

Outra coisa interessante é que assim que o mestre entrou no barco de Pedro os discípulos o seguiram. Percebeu? Jesus tem que entrar primeiro, depois os discípulos o seguem.

Não pode ser diferente. Com essa entrada nós passamos a abrir novas expressões de trabalho, ao mesmo tempo em que passamos a receber ajuda nas mais diversas frentes. Por mais que a gente tente, nós não somos capazes de imaginar a extensão do amparo maior na solução dos problemas que nos são próprios.

O bonito nessa passagem da pesca é que nós temos nela toda a sequência e a dinâmica do mecanismo da aprendizagem. Isso é interessantíssimo. Para se ter ideia do que estamos falando, qual foi a primeira providência de Jesus com relação a Simão Pedro quando entrou no barco dele? Vamos pensar juntos. Ao entrar no barco, o que Jesus pediu? Pediu a ele que afastasse o barco um pouco.

Percebeu? Pediu que ele afastasse o barco um pouco da terra. Procedimento da maior importância. Tão importante que o primeiro passo para quem quer atingir uma vida mais alta é afastar o barco um pouco. Este é primeiro lance que os aprendizes do evangelho recebem depois que são visitados por uma soma informativa de padrões, independente da escola religiosa a que se afeiçoam.

À partir do momento em que padrões informativos de natureza superior visitam o ser, à medida em que a individualidade se dedica à aquisição de valores espirituais, que é quando o Cristo começa a entrar em sua intimidade, mais se acentua a necessidade da criatura se colocar à disposição dele, do Cristo. E para isso cabe-lhe tão somente atender ao seu pedido.

E o Cristo não pede muito. Pede apenas que ela se afaste um pouco da terra. Que ela se afaste um pouco das cogitações materiais, dos valores transitórios, a fim de que as autênticas expressões de espiritualidade, que partem das esferas superiores, possam circular sobre ela, clareando os seus caminhos e favorecendo-lhe o entendimento da boa nova.

Está acompanhando? Esse é o primeiro lance que o estudioso recebe. Porque ele chega ao evangelho trazendo consigo toda uma soma de conceitos. Chega trazendo toda uma soma decorrente da convenção humana. E começando a estudar ele começa a ouvir falar de quê? De padrões novos de natureza moral, de mudança interior, de necessidade de estudo, de reforma íntima e de muitos outros aspectos. Aí ele faz o quê? Ele afasta um pouco. Sai um pouco da terra, deixa um pouco as questões de natureza material e entra um pouquinho no mar à dentro.

Agora, muita atenção para um detalhe importantíssimo que não pode ser esquecido em tempo algum: é afastar o barco um pouco. Não pode afastar muito.

Esse afastamento não pode ser demasiado para não se perder as possibilidades valiosas de trabalho e auxílio.

Porque toda faixa operacional tem que se estruturar dentro do plano de concretude. E o plano concreto é fundamental para o crescimento. Ficou claro? Nós não estamos ajustados à terra à toa. As coisas materiais são úteis à ação do espírito.

Uma coisa é eu viver exclusivamente em função das coisas da terra e outra coisa bem diferente é eu me afastar um pouco das coisas da terra. Eu não posso viver exclusivamente apegado às coisas materiais, mas também não posso desconsiderá-las por completo. Está dando para perceber? Então, é preciso achar um meio termo. Esse afastamento relativo sugere saber administrar os recursos disponíveis com tranquilidade, serenidade e aproveitamento.

E repare para você ver: todas as vezes que algumas pessoas se desprendem demais dessa atração que a terra exerce elas costumam entrar em um plano fanatizante ou místico.

Porque nós todos estamos ajustados à terra e não tem como ser diferente.

Se nós afastarmos muito a gente acaba por se fanatizar. Por isso, não dá para colocar uma bíblia debaixo do braço, abandonar o emprego e gritar para o mundo todo que a meta agora é outra, é viver apenas para as coisas espirituais. Se você se alienar totalmente dos padrões que compõem o seu laboratório pleno e essencial provavelmente você encontrará grandes decepções no futuro.

Se quiser abandonar tudo, se afastar por inteiro dos valores tangíveis e materiais à sua volta, para viver um patamar exclusivamente etéreo, você vai acabar por perder o piso da vida e sofrer. E mais, não vai sofrer sozinho. Vai fazer várias outras pessoas à sua volta, próximas e ligadas a você, sofrerem também.

6 de mar de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 18 (Final)

A OVELHA DESGARRADA V

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Temos que lembrar do evangelho, e na sua didática qual é o verdadeiro trabalho do educador? Estimular o indivíduo para que ele possa enveredar por um caminho melhor.

Precisamos de amor para criar algo positivo e no exercício do amor o roteiro é um só: em vez de você empurrar você aproxima.

Comecemos por nos situar na posição do outro, no campo dos problemas em que ele se encontra, e esperemos a chance de fazermos algo a ele. No pensamento, mantenhamos vibrações de entendimento e carinho, na palavra envolvamos-lo na bênção do verbo nobre e na atitude amparemo-lo quanto nos seja possível. Em todo processo de ação o nosso dever é fortalecê-lo para o bem.

Precisamos desenvolver esse tino, aquela autoridade capaz de despertar no ouvinte o interesse para que ele se desperte. 

No começo desse processo, muitas vezes nós temos que trabalhar com o interesse pessoal dele. Concorda? Vai ter casos em que vamos ter que lidar com base no interesse pessoal dele. Pode até parecer estranho, mas vai ter situações em que vamos ter que agir com a própria vaidade do indivíduo. Percebeu? Vamos ter que trabalhar com o princípio da vaidade que ele tem. Em suma, a nossa ação deve se dirigir no sentido de encontrarmos estratégias que possam propiciar sua sensibilização, atingir o seu coração em um grau de confiabilidade e segurança.

É impossível ajudar eficientemente se não houver uma moldura de afetividade e valorização.

Daí, é imprescindível sabermos vencer as resistências. Esse é o grande desafio.

A mudança é pela mente, óbvio, todavia devemos ganhar o coração da pessoa. Sabe por quê? Porque quem não ganha o coração não ganhará o cérebro. Muito simples.

Sabe aquele caso da mãe com o filho que mencionamos na parte anterior? Quem sabe se um dia essa mãe deixar de censurar e criticar e resolver assentar-se perto dele. Chega lá, senta por uns dois minutos na sala, pergunta sobre o filme ou tece um comentário positivo. Surge daí o primeiro sinal de simpatia. Quer dizer, são pontos de aproximação. Quem sabe abre um sinal de simpatia entre os dois.

Esse pode ser o passo inicial. Agora lembre-se: isso é um processo. É uma caminhada. Uma coisa é o primeiro passo, o primeiro lance, mas tem que haver sequência. Então, não basta apenas penetrar, entender, descobrir, diagnosticar. A questão não é ficar centrado somente no diagnóstico. Está entendendo? Porque se bobear ela vai passar todos os dias assistindo filme com ele e não vai sair disso.

Usando um sentido educacional ela pode passar a comentar o filme depois: "Nossa, que cena interessante foi aquela. Eu não pensei que aquele personagem fosse morrer". Daí a pouco ela vai adquirindo autoridade, até para propor: "Que tal a gente hoje, em vez de assistir um filme, fazer uma coisa diferente?"

Então, buscar uma ovelha desgarrada, que na maioria das vezes nós mesmos enxotamos ou descuidamos dela naquilo que era o mínimo que podíamos fazer, realmente é uma situação complexa. Pode ter sido por um descuido nosso, e tanto descuidamos que ela saiu, se desgarrou. Mas à partir do momento em que investimos na compreensão, na linha do discernimento e depositamos amor sem sentimentalismo, a espiritualidade vai nos concedendo os recursos e a instrumentalidade para conseguirmos a solução adequada. Outro desafio que surge é a terapia que queremos dar, a nossa medicação que nem sempre é compatível com a necessidade do outro, e que pode até gerar um efeito contrário.

Observe o seguinte, em  muitas situações é atrás de uma criatura endurecida e complicada que se encontra os legítimos expoentes da atividade doutrinária cristã.

Você já pensou nisso? Normalmente, os indivíduos endurecidos são os que apresentam grandes potenciais, de forma que os espíritos de luz, em todos os planos do orbe, trabalham com esses que tem recursos e que são os grandes incompreendidos da evolução. Porque quase sempre esses desgarrados obtiveram a emersão na intimidade deles, quando da mudança de postura, de ângulos que as noventa e nove não tiveram. Está percebendo? Enxergaram e aprenderam coisas que as outras ainda não alcançaram. Por exemplo, quem não se lembra da imensa alegria que o pai teve com o retorno do filho pródigo? Não é assim? Nós obtemos uma euforia pessoal grande diante das vitórias sobre nós próprios.

E esse prazer é aquela euforia que nos visita o entendimento e o coração e define a verdadeira vitória em que somos convocados ao exercício do sacrifício na recomposição do próprio destino. É muito gratificante. Essa alegria representa a resposta da vida à nossa capacidade de amar. Afinal, tem muitas individualidades que estão reencarnando na busca dessa ovelha, e quem sabe se nós não somos essa ovelha desgarrada que depois de tanta luta está sendo encontrada hoje?!

1 de mar de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 17

A OVELHA DESGARRADA IV

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Infelizmente, o que acontece muito na linha dos relacionamentos é que nós ficamos querendo criar interação sim, mas sabe como? Da maneira errada, da forma distorcida. Não na base da afinidade, que é o certo, mas na base da pancada.

Infelizmente! Nós já chegamos para a pessoa com as armas apontadas para ela.

E com isso nós perdemos inteiramente a autoridade para educar. Quer um exemplo? É comum em um relacionamento de conflito familiar a mãe passar dez vezes pela sala e o filho estar lá sentado assistindo filme, até tarde. E ela logo solta uma: "Você não faz mais nada nessa vida?! Só fica nessa porcaria de televisão o dia todo?!" Ou, então, ela apenas briga e cria caso por causa do programa que ele está assistindo: "Você não vai crescer não? Só assiste besteira?"

Está percebendo a questão? Esse tipo de procedimento não aproxima ninguém. Pelo contrário, é até capaz de criar uma distância ainda maior, porque onde já existe uma barreira instaura-se uma briga ostensiva e oculta no campo dos interesses.

Quer dizer, a criatura até quer chegar perto da outra que está distanciada, mas ela às vezes não tem a facilidade de se aproximar. Não sabe como. E isso ocorre demais da conta.

Para início de conversa, não há como ajudar alguém chegando até ele com uma metralhadora na mão.

Em muitas situações na vida nós somos chamados a buscar entes amados que vez por outra desertam da estrada justa, amigos queridos que abraçam experiências perigosas, afetos da nossa alma perdidos nos despenhadeiros da amargura.

E como ajudar a esses que nos parecem atados às ilusões ou mergulhados no erro?

Não é apontando falhas que nós vamos ajudar quem quer que seja, embora essa seja uma técnica comumente adotada na maioria dos ambientes domésticos. Criticar e censurar é criar mais distância entre eles, ao passo que desprezá-los é perdê-los. E ficar relacionando e evidenciando fatores negativos é algo totalmente fora da didática aplicativa que o evangelho de Jesus propõe. Sem contar que para criticar nós temos que ter um alto grau de interação com esse coração.

Guarde o seguinte: criticar com amor é ajudar, mas criticar sem amor sabe o que é? É Agredir. E toda agressão gera uma resposta negativa da outra parte, cria uma resistência.

A outra pessoa pode pensar consigo mesma ou chegar até ao ponto de dizer: "Espera aí, que conversa é essa? Você está querendo me dar lição de moral? Você não sabe nada da minha vida. Não sabe o que eu estou passando, não sabe o que está acontecendo comigo. Você está me vendo agir assim, mas por acaso você sabe porque eu estou agindo dessa maneira? Você tem ideia, por acaso?"

Notou? E com isso cria-se uma situação ainda mais embaraçosa entre ambos, uma distância maior, porque a própria estrutura íntima da pessoa a leva a reagir.

O que a gente tem aprendido é que todo aquele que tem por norma desautorizar, bombardear e maldizer não está apto a determinados lances educacionais, não está preparado para certos estágios ou ângulos do seu crescimento espiritual.

O primeiro passo para se iniciar esse lance de aproximação é entender o outro. Para alguém amar e conseguir exercer a caridade em sua expressão legítima, esse alguém precisa ter uma dose alta de compreensão do patamar em que o outro está vivendo.

Deu para entender? Se ele não tentar descobrir, diante de uma pessoa que está dando cabeçada, o que está movendo essa criatura a esse estado de vida, ele simplesmente não tem como ajudar, não tenho como atuar de forma efetiva.

O que ama normalmente não fica apontando erros. O que ele faz? Ele chega e argumenta, compreendendo. Porque se ele não compreender a treva, a sua luz nunca será luz. Ficou claro? A sua luz nunca será luz. Será apenas um foco intimidador.

Vamos nos ater ao fato de que a luz não briga com a treva, a luz desativa a treva.

Aproximar, transmitir, ensinar e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade. Saber o que se passa no coração das pessoas, saber entender a carência e a a necessidade delas, saber enxergar o semelhante no piso evolucional em que ele está.

Porque a questão é muito simples: nós não vamos lidar com pedras, nós vamos lidar com o sentimento e a sensibilidade de pessoas. E daí não tem outra, temos que ter paciência e tranquilidade nesse processo de pastoreio porque não temos um conhecimento claro do que motivou o afastamento dessa criatura. Ok? Cada qual tem uma faixa de sensibilidade diferente e se nós não tivermos um grau considerável de compreensão, sabendo entendê-las como elas são, nós ficamos desautorizados a cooperar.

Com mais um detalhe interessante: por mais que a gente progrida nessa área do diagnóstico, por mais que nós observemos e analisemos, a gente nunca vê tudo.

25 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 16

A OVELHA DESGARRADA III

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Existem muitas ovelhas desgarradas dentro das casas, onde corações vivem a vida inteira com elas e não conseguem pegá-las. Situação dessa natureza é mais frequente do que se pensa.

Às vezes, alguém está movido no inconsciente pela ovelha perdida, seja em relação a alguém ou até em face às realidades supremas da aprendizagem. E por que não? Afinal, quantas vezes não somos nós essa ovelha desgarrada, movida pela rebeldia aos desígnios superiores? Todas essas situações acontecem demais.

O interessante é que quando nós pensamos em ovelha desgarrada geralmente a gente imagina gente fugindo de gente. Só que tem um aspecto interessante, não é referência à distância no aspecto geográfico. Percebeu? Desgarrada sugere afastamento e não se trata de distância medida em quilômetros. É distância em outro parâmetro. Estamos nos referindo à pessoa distanciada no campo do afeto, uma representação na linha vibracional e cujo desafio passa a ser reaproximá-la dentro desse terreno.

Pense comigo, que vale para nós a paisagem celestial sem a libertação daqueles a quem amamos? Pode alguém curtir o maravilhoso espetáculo das esferas resplandecentes, ouvindo e sentindo a harmonia indefinível em situação de destaque, quando aqueles a quem ama desfalecem e gemem nas trevas? É comum um coração amoroso ou atormentado abdicar do ingresso em esfera superior para persistir ao lado de um coração que ama e se encontra detido nas lamas do destino. A gente sabe, existe mais grandeza no anjo que desce ao inferno para salvar os filhos de Deus, transviados e sofredores, do que no mensageiro espiritual que tem pressa em comparecer ao trono do eterno para louvá-lo.

E importante demais é saber como é que se dá essa busca, como é que ela ocorre.

Quanto a isso, o ensinamento é claro: "irá pelos montes". Percebeu? Não é pelos vales. Porque tem diferença. Aí já se define como se dá a busca dessa ovelha que se desgarrou.

A nossa linha aplicativa de ação tem que ser uma expressão genuína daquilo que vem de cima, nós temos que caminhar nas elevações que o evangelho propõe.

Os montes citados nas escrituras sagradas, aquelas elevações geográficas, há muito já transpuseram o tempo e chegaram até nós. Monte não é no sentido literal da mensagem didática, e sim no sentido intrínseco do conteúdo didático. Montes representam subida, indicam estados de elevação que nós elegemos em nosso espírito.

Porque dentro de nosso terreno íntimo tem de tudo. Dentro de nós existem vales, planícies, depressões e elevações. Então, a busca tem que ser pelo monte.

Para se alcançar o resultado positivo nessa busca é preciso usar os indicativos de cima. É em cima que está o amor. E amor é o que estamos aprendendo agora. Todo o trabalho de auxílio, para ser bem sucedido, deve ter como referência os padrões espirituais elevados. O seguidor do Cristo é aquele que mais nitidamente tem que estar em relação com as faixas superiores. Sem contar que se ele vai pelos montes em hipótese alguma ele abandona as noventa e nove.

De cima é possível ter uma visualização maior do terreno onde operar. De cima se obtém uma capacidade mais ampla e melhor de visualização. De cima a criatura tem a consciência de que está tentando dar o passo certo. É por isso que para descer com segurança é preciso ter subido antes. Ou seja, sobe para arregimentar, para adquirir recursos, sobe para aprender, e desce para fazer, para operar, fazendo na descida um ajuste nas suas emissões com os padrões visualizados antes.

Quanto mais nós entendemos essas nuances, mais notamos a complexidade do ser humano com as suas sutilezas.

Esse processo de busca é um processo em que o plano de simpatia tem que ser aplicado. 

Para isso é necessário adotar um circuito de valores de ordem afetiva, uma certa intimidade e quebra de resistência entre os seres. Está percebendo? É preciso ter a habilidade necessária para manusear fórmulas eficientes de modo a conseguir transformar o que é repulsão em atração, porque do contrário não funciona.

O pai ou a mãe por exemplo, diante de um filho difícil, vão precisar encontrar estratégias, vão precisar encontrar caminhos que possam favorecer a sensibilização. Para ser ter ideia, Jesus podia ter criado um sistema antipático com Saulo, não podia? No entanto, o que ele fez? Operou com amor. Viu pontos de empatia nas partes potenciais de Saulo e lançou o seu magnetismo. E como resultado deu-se não mais a intolerância de Saulo, mas o surgimento de uma nova faceta, como Paulo. No entanto, a individualidade era a mesma naquele processo que se abria.

Então, nada de inquietação. Vamos com inteligência e calma que a gente vence o desafio. Fazendo o que é certo, indo pelos montes, não vai ser complicado. Seguindo a orientação superior que aprendemos a gente obtém condições plenas de acertar.

A proposta de arregimentar essa ovelha não é na base da força, da intolerância ou das estratégias puramente sistematizadas. O texto faz a revelação: é pelos montes.

Porque não sendo pelos montes essa busca passa a ser a manifestação efetiva do amor, não o amor no sentido ampliado, mas no sentido ligado às relações humanas. 

Sem ser pelos montes nós corremos o risco de agir utilizando puramente os padrões de fisionomia de vida da nossa retaguarda, acabamos deixando escapar dificuldades incrustadas no nosso subconsciente. Se o indivíduo vai procurar a ovelha que se desgarrou pelos vales, pelas regiões baixas, ele vai movido pela paixão, pelo medo, pela preocupação. Ao contrário de usar a empatia com o semelhante, vai criando uma antipatia. Vai utilizando os padrões do seu personalismo e o personalismo é o ponto desagregador das melhores intenções. Enfim, ele vai pelas dificuldades de toda ordem em função das deficiências dele próprio. 

Isso sem contar que quando ele age dessa forma, quase sempre ele acaba por querer escravizar a pessoa, sem entender que amar não é exigir que o outro o ame. Essa é que é a realidade. Lembre-se: gravitar usando os valores de baixo é perder segurança.

18 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 15

A OVELHA DESGARRADA II

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

Em muitas ocasiões nós realmente temos que nos desvincular de muita coisa, deixando tudo mesmo, de modo a podermos entrar em um ângulo novo que, quem sabe, não entramos antes por descuido ou por negligência nossa.

Na questão dos relacionamentos humanos, é comum encontrarmos um coração sensibilizado que deixa tudo e vai atrás de outro que ama, individualmente falando. 

No ensinamento da ovelha desgarrada, no seu sentido essencial e intrínseco, tantas vezes o indivíduo é convocado pelas próprias circunstâncias da vida a deixar as noventa e nove porque ele não é dono delas, embora no campo prático ele tenha responsabilidade para com elas, da mesma forma que Levi tinha responsabilidade com a repartição na qual ele servia.

E tem gente que fecha a sua vida inteira (uma, duas ou três reencarnações) por causa de uma pessoa.

Em função de uma individualidade dentro de casa, como um filho por exemplo, e por tratar-se de ovelha desgarrada, abandona os outros três ou quatro componentes da casa.

Isso acontece muito com os pais. Tem pais e mães que vivem praticamente em função desses elementos complicados. Marcam uma criatura e se esquecem dos outros.

Então, temos que atentar para essa questão e realmente ponderar acerca das nossas atitudes. Porque quando fixamos a nossa mente em uma única pessoa, no sentido didático, pedagógico ou orientador, a gente costuma sofrer muito. Está dando para pegar a lógica da questão? Por isso, pelo  amor de Deus, busquemos essa ovelha desgarrada, trabalhemos com esse coração que merece um empenho maior e uma atenção redobrada, mas de forma alguma deixemos cair a estrutura de um lar ou de um ambiente em função de alguém que desgarrou, e que apesar de desgarrado pretende permanecer desgarrado. Ficou claro? Ajudemos sim, façamos o melhor ao nosso alcance, mas sem ficar preso ao lado dele.

Jesus, após a sua crucificação, foi atrás de Judas. Foi tentar levantar o ânimo dele. Foi atrás de Judas, no entanto, em momento algum ele desprezou os outros.

Está percebendo? De forma que precisamos ter esse cuidado de não privilegiar ninguém.

É fato que muitas vezes nós temos que ir atrás daquelas peças complicadas, mas sem perder a linha de relação com aqueles outros que também precisam do nosso estímulo, da nossa atenção e do nosso trabalho. Porque isso é muito importante.

Em hipótese alguma nós devemos deixar as noventa e nove desamparadas, à míngua, deixá-las à bancarrota ou desabrigadas para buscar uma que se perdeu.

Nós podemos, e em muitas vezes precisamos, largar as noventa e nove, mas jamais devemos nos dissociar delas. Em muitas ocasiões também acontece de esquecermos das outras para ficarmos em função de uma, até provavelmente porque aquele agrupamos que fica marginalizado nós não tenhamos tantos compromissos com ele, mas é preciso não perdermos a simpatia e a identidade com eles.

Outro aspecto interessante é que nós também temos ovelhas dentro da nossa intimidade. 

Claro, afinal de contas é no íntimo onde efetivamente funciona o evangelho. Concorda? São ângulos que nós já dominamos e que estão alicerçados sob o nosso campo operacional com segurança.

Só que a cada momento somos testados em nossas reservas interiores e vez por outra temos que ir atrás daquela que se desgarrou. Está acompanhando? O nosso acervo de padrões, ou nosso aprisco, tem que ser reciclado periodicamente. 

São caracteres da nossa personalidade que precisam se ajustar aos novos momentos e aos novos sentidos da vida. 

E nós temos que operar constantemente para que isso aconteça, porque essas noventa e nove, junto com aquela que retorna, formam os nossos caracteres íntimos que estão em processo contínuo de reciclagem e de crescimento.

O que temos aprendido é que podemos encaminhar a nossa luta em cima de um determinado padrão. Não podemos? É claro que podemos. Porque a nossa inteligência que se abre, em termos de razão, pode perfeitamente laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado ângulo, de um determinado tópico. Todavia, e isso é interessante, o êxito muitas vezes vai depender de uma reformulação abrangente. Nem sempre vai ser alcançado com a nossa maneira fechada de pensar. O evangelho tem nos ensinado isso. A todo momento somos convocados a redirecionar os padrões e reflexos que revestem a nossa caminhada. E, quanto mais estudamos, mais sentimos a necessidade de adotar uma linha de reciclagem antes de implementarmos um componente novo.

Por mais zelosos que sejamos, ou por mais duros que possamos ser no campo reeducacional, existem facetas da nossa personalidade que são imperfeitas e frágeis ainda dentro do patamar em que estamos e que são suscetíveis de mudança. E o caminho para crescer é por aí. Às vezes, a razão indica um caminho novo, nós concluímos que não é a nossa forma de agir, mas adotamos a nova postura e dá certo.

Nos dias atuais não tem como alguém encontrar a felicidade fechado em suas próprias convicções e em seus próprios conceitos. A cada momento somos conduzidos a posições em que os padrões, que até então eram suficientes, já não são mais suficientes. E eles passam a ser exigidos em alterações redimensionadas.

Logo, não tem jeito, nós precisamos nos integrar a um processo em que somos convocados a esse tipo de atividade, de redirecionar e reformular os padrões já sedimentados.

Não há condição de progredirmos, seja na horizontal ou na vertical, e de modo linear, sem que venhamos reciclar cada expressão e cada ângulo da nossa individualidade.

A nossa visão se altera a cada instante na vida e não dá mais para permanecermos enclausurados em conceitos ultrapassados. É imperioso permanecermos matriculados, tanto nas áreas da razão como do sentimento, em uma escola de renovação e de mudanças. E para se ter ideia, às vezes podemos possuir uma conceituação que vigora, e ela passa a ser redimensionada em determinado momento exatamente com essa fuga e esse retorno.

15 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 14

A OVELHA DESGARRADA I

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU? 13E, SE PORVENTURA ACHÁ-LA, EM VERDADE VOS DIGO QUE MAIOR PRAZER TEM POR AQUELA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE QUE SE NÃO DESGARRARAM. 14ASSIM, TAMBÉM, NÃO É VONTADE DE VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, QUE UM DESTES PEQUENINOS SE PERCA.” MATEUS 18:10-14  

“27E, DEPOIS DISTO, SAIU, E VIU UM PUBLICANO, CHAMADO LEVI, ASSENTADO NA RECEBEDORIA, E DISSE-LHE: SEGUE-ME. 28E ELE, DEIXANDO TUDO, LEVANTOU-SE E O SEGUIU.” LUCAS 5:27-28

A gente pensa em ovelha e logo nos vem à mente algumas de suas características.

A ovelha oferece a lã e a lã consiste naquele componente doado por alguém que acoberta, que envolve e agasalha, pois a lã oferecida por uma ovelha cumpre bem essa função, ela envolve e aquece.

Então, ovelha é aquele que doa, é aquele que se oferece à tosquia ou oferece valores aos próprios elementos que naturalmente cuidam dela. E para poder seguir e doar é preciso mansuetude, afinal não há como deixar-se guiar e não há como oferecer algo positivo nutrindo um sentimento de rebeldia e de prepotência.

O que temos que ter em conta é que a ovelha reporta aos ângulos do sentimento da individualidade.

Ovelha diz mais respeito ao sentimento. A começar pela sua própria expressão de feminilidade, uma vez que ela é a fêmea do carneiro. Está dando para acompanhar? Então, é por isso que era ovelha. É preciso que exista uma linha de relação, uma linha de interação ampla por parte do sentimento. Pense para você ver, todos nós sabemos que o componente que nos incita à doação não é a razão, e sim o sentimento.

Você já deve ter notado o seguinte: antigamente a gente sofria quase que unicamente em razão das besteiras que nós fazíamos, mas hoje não. Muitas dos nossos sofrimentos e das nossas provas na atualidade tem sido em função da nossa sensibilidade em face dos outros. Muitos dos problemas que temos vivido, às vezes com lágrimas, frustração e decepção, é com o irmão que está complicado, com o pai que está desse ou daquele jeito, com o filho que não quer acertar.

E tem muita gente reencarnando hoje para trabalhar sabe com quem? Com as ovelhas perdidas.

Em uma acepção mais abrangente, ovelhas desgarradas estão representadas naqueles indivíduos desafiadores, estejam eles dentro do lar, dentro de um ambiente de trabalho ou de um grupo qualquer, e que dificultam e complicam. São aquelas que estão perdidas. Já era para terem ido à frente e não foram. Ficaram na retaguarda. Estão perdidas no meio em que se encontram. Estão fracassadas.

E vamos dar uma ligeira pausa somente para falar um pouco na questão do deixar. 

Sabe aquela passagem do evangelho em que Jesus chamou o publicano Levi? O texto diz assim: "E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu". (Lucas 5:27-28)

Inicialmente, alguém pode perguntar entre outras coisas como é que Levi fez. Ou seja, se ele simplesmente levantou, deixou a coletoria aberta, entregue às traças e saiu, ou se antes ele fechou a porta, porque o texto não diz que ele fechou a porta.

Então, vamos lá. Para início de conversa, não é nosso objetivo ficar aqui analisando se Levi fechou a porta ou não fechou. Nosso interesse está muito além disso. O que nos interessa no estudo em questão é o sentido essencial do ensinamento. No entanto, pode ficar tranquilo que ele deve ter tomado a providência necessária ao sair, afinal como alguém que se predispõe a seguir Jesus pode apresentar um comportamento com tamanha expressão de irresponsabilidade? Será que tem jeito? De forma alguma. Claro que não tem cabimento.

E o que queremos dizer é que para crescer, evoluir, e muitas vezes buscar alguém de volta, é preciso deixar tudo.

No entanto, vamos com calma. O deixar tudo é no sentido íntimo. Ok? O deixar tudo que efetivamente nos interessa é no sentido intrínseco, no sentido essencial.

E por que tem que deixar tudo? Vamos analisar juntos? Quem senta, senta para quê? Para se acomodar. Logo, quem está sentado está acomodado. E aquele que está assentado na recebedoria está preocupado em quê? Você acha que ele está disposto a oferecer algo ou apenas interessado em receber? Observe que o próprio nome recebedoria já indica. Logo, o que você acha? Eu creio que não ficou dúvida, isto é, na acepção espiritual a recebedoria diz respeito à acomodação da criatura em pontos de elevado egoísmo contumaz, em que ela se utiliza de forma viciosa dos serviços dos outros para unicamente tirar vantagem para si, o que é totalmente o contrário de seguir Jesus. Percebeu o sentido agora?

E se a criatura não deixa tudo, o que acontece? Ela simplesmente fica como está e não se levanta. 

E se não levanta não segue Jesus. 

Daí, fica claro que o "deixando tudo" representa uma descarga psíquica, significa a desvinculação de estruturas mentais, de interesses e objetivos que alguém nutre e que não o deixa avançar. E é preciso deixar para que se chegue a novo estágio, uma vez que simplesmente não há como alguém vincular-se a nova posição sem, ao mesmo tempo, realizar concomitante desvinculação com os padrões antigos.

11 de fev de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 13

MENSAGEM AOS PAIS

Verdade seja dita: os pais geralmente apresentam muito de egoísmo.

Às vezes, ficam preocupados com os filhos. Ficam até apavorados. Mas não ficam apavorados com os erros ou os desregramentos dos filhos não, o que sentem é a estrutura pessoal deles, pais, colocadas em risco. Percebeu? Em muitos casos o que os pais querem é salvar a própria pele.

Outro ponto interessante é a questão do chamado monitoramento. Os pais realmente precisam monitorar seus filhos, porque isso funciona de forma eficiente como um instrumento de segurança. É preciso. Nós também temos os espíritos que em muitos aspectos nos monitoram para que a gente não cometa bobagens maiores, para que nós não venhamos criar maiores dificuldades aos nossos passos.

Então, o monitoramento é importante. Se o filho é uma criança complicada, por exemplo, aí nem se fala, o cuidado tem que ser redobrado. É preciso ficar de olho mesmo.

Todavia, o que não deve acontecer é esse mecanismo de monitoramento se transformar em uma postura sistematizada. O monitoramento precisa ser mantido nas linhas naturais e para isso um ponto interessante é a compreensão.

Quando alguém se encontra em um plano de autoridade em relação a outrem, seja esse outrem filho, parente ou funcionário em condição de subalternidade, esse alguém ganha autoridade no ato de colocar determinados limites quando ele compreende. Está entendendo? Porque enquanto ele não compreender o outro ele simplesmente vai ficar colocando limites para resguardar unicamente o seu interesse pessoal e não para auxiliar o semelhante que se encontra debaixo da sua tutela.

Percebeu? Então, para monitorar é preciso amar. Não havendo amor é melhor nem monitorar. Porque não tendo amor é simplesmente domínio, é escravização.

É difícil também não ter um pai ou uma mãe que viva ocasionalmente algumas tensões. Que passe por momentos de ansiedade e de aflição e o filho está rindo. Não tem disso? Aquelas situações em que os pais vivem um verdadeiro inferno interior por causa do filho e o filho está rindo. Os pais preocupados com o filho e o filho nem aí.

O momento de hoje é um momento muito importante e nele entram igualmente as responsabilidades que nós temos em relação aos outros que nos estão sendo confiados. 

Vivemos preocupações em relação a indivíduos que estão vinculados à nossa faixa de relacionamento. Os pais também não ficam muito felizes às vezes porque seus filhos não são exatamente como eles gostariam que fossem. Todavia, quem é capaz de garantir que a ótica deles seria a melhor para aqueles espíritos naquele momento? O importante antes de tudo é dar o melhor e lançar a semente.

E o que eu vou dizer agora não é crítica a ninguém, é apenas um fato. Preste atenção, é motivo de orgulho para os pais verem os seus filhos conquistando diplomas e títulos. Não é? É um desejo justo, natural, louvável. O problema é que muitos pais se preocupam somente com esse tipo de vitória, como se ela fosse o supremo propósito da vida. Quer dizer, eles se preocupam com o cérebro dos filhos muito mais do que preocupam com o coração. Querem ver os filhos envolvidos em aplausos e louvores e fazem de tudo para enriquecê-los da sabedoria dos livros, deixando-os muitas vezes pobres de sentimentos e de valores morais, transitando tantas vezes na órbita vazia de um intelectualismo estéril.

A conquista exterior dos filhos é o que lhes interessa e a vaidade deles fica lisonjeada quando esses alcançam patamares e conquistas materiais. Não importa se os filhos crescem insensíveis, orgulhosos, prepotentes ou mesmo se não amadurecem moralmente. Os pais se orgulham. Sentem aquela falsa impressão de que cumpriram perfeitamente o dever junto daqueles que a providência lhes confiou para que orientassem dignamente nas estradas da vida.

O que esses pais querem é ver os seus filhos vencendo no mundo. É o que importa. Jesus venceu "o mundo". Eles querem é ver os seus filhos vencendo no mundo.

No que reporta aos padrões de natureza moral, aliás os únicos capazes de auxiliá-los na consolidação do caráter e na elaboração de uma personalidade segura, eles se ocupam de forma muito superficial. Não se preocupam em fazê-los homens seguros, fortes interiormente, corretos, humildes, caridosos. Não. Os pais não se ocupam com esse aspecto com o mesmo interesse e a mesma dedicação com que se preocupam com o desenvolvimento do intelecto deles.

E é bom deixar claro que isso também não significa que os pais desconsideram essa parte da educação.

Quer dizer, eles não menosprezam conscientemente o aspecto fundamental da educação moral. De forma alguma. O que acontece é que em muitos casos eles consideram que isso é algo que não requer aprendizagem. Está entendendo? Imaginam que determinadas virtudes nos filhos, tais como a bondade, a sinceridade, a humildade, a simpatia, são características que surgirão naturalmente. Isto é, tornar-se bom, verdadeiro, sincero, gentil, simpático, não pressupõe aprendizagem. 

Acreditam que determinados valores íntimos vão surgir naturalmente e por isso não precisam ser ensinados. Acham que essa parte da educação, que constitui a mais importante, se dará por si mesma, de forma aleatória, sem qualquer iniciativa deles, os pais. Que determinados valores não precisam de ensinamento, não exigem cuidado, direcionamento, atenção.

O resultado que a gente tira é um só: Que do nada, nada se tira!

Concorda? Tudo o que cresce, cresce de alguma coisa. Tudo o que germina, tudo o que floresce, germina de uma semente. Tudo o que cresce surge de um ponto.

Não há como esperar que aflore na alma de alguém qualidades nobres e elevadas sem que, anteriormente, tenha sido feita ali uma sementeira. Não dá. 

Os pais terrenos não são criadores, mas zeladores das almas que Deus lhes confia no sagrado instituto da família. Para guiá-los no caminho acertado. Então, isso é um assunto para pensar, principalmente no mundo em que vivemos hoje, onde nos deparamos com tantas individualidades desprovidas de valores essenciais.

Todos os lugares estão repletos de pessoas vencendo no mundo, mas sendo derrotadas no mundo íntimo. Como diz Jesus, ganhando o mundo e perdendo a alma. 

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