15 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 10

A FRATERNIDADE

Vamos pensar uma coisa: o que a natureza nos ensina ao constranger todos nós, seres humanos, às mesmas necessidades? Ao manter em cada um a mesma cor de sangue, o mesmo número de ossos no corpo físico, os mesmos anseios íntimos de paz e felicidade, as mesmas necessidades físicas e o mesmo desafio das experiências de nascimento e de morte?

Embora muitos possam não admitir, ela define de forma imperiosa e inequívoca a igualdade humana. Que ninguém é melhor do que ninguém, e ponto final.

No entanto, apesar da clareza informativa muitos indivíduos tem uma dificuldade grande em tornar acessível, à mente e ao coração, a ideia da fraternidade.

Indiferença porque as criaturas, de algum modo, permanecem encarceradas nos instintos humanos, nas lutas por posições e aquisições, centralizadas num egoísmo sem limite como se guardassem ainda as heranças da vida animal. E acabam tendo que aprender da forma mais dura depois, pelas experiências mais difíceis.

Porque após a eclosão dos entusiasmos transitórios fica sempre aquele gostinho amargo de frustração e inutilidade nos espíritos desiludidos com a precária hegemonia do mundo, instante em que a alma dilata as suas tendências para o mais alto e passa a enxergar com mais clareza a própria realidade da vida.

A novidade do ensinamento de Jesus era o princípio de que todos os homens são filhos de Deus.

E se todos são filhos de Deus todos tem a mesma origem. Concorda? Deus está em nós.

À partir daí, fica fácil aceitar e compreender que assim como ele está em nós está também nos semelhantes.

Nós já crescemos trazendo dentro de nós a ascendência paterna, o sentimento instintivo de que somos frutos da realidade divina. Como consequência dessa paternidade divina nós temos a fraternidade humana, ou seja, a conclusão lógica de que todos os homens são irmãos. Da paternidade de Deus decorre a fraternidade e a igualdade dos homens. Todavia, vale ressaltar que no âmbito terrestre a fraternidade e a igualdade merecem uma distinção de conceito, porque a igualdade absoluta é impossível de ser mantida em razão da diversidade incontável de tendências, de sentimentos e de posições evolutivas dos seres.

Eu não sei se você já reparou, mas na oração do "pai nosso" Deus vem em primeiro lugar. Isso é óbvio. E depois de Deus a humanidade deve ser o tema básico de nossa vida.

Porque sem amar a Deus e a humanidade nós não daremos passos de edificação, tampouco estaremos seguros na oração.

Pense para você ver: Jesus, filho por excelência, não pedia somente para ele. Pedia? Não. E se ele veio e conviveu conosco ele tem uma fraternidade ampla conosco.

E o que precisamos é acionar a nossa proposta pessoal dentro de um plano universalizado.

A fraternidade, que define o amor sublime de irmão, é a lei de assistência mútua e de solidariedade comum, sem a qual todo o progresso no planeta seria impossível. E isso não é somente teoria. A fraternidade precede qualquer trabalho salvacionista, quer dizer, toda caridade para ser divina, seja ela em qual âmbito for, precisa apoiar-se na base da fraternidade, na cooperação sincera. 

O mundo está lotado de companheiros que despendem todos os seus esforços na busca de títulos transitórios. Gastam todos os seus esforços e acabam por se gastar.

A resposta, mais dia e menos dia, não é outra senão a desilusão, o desencanto e a frustração.

Um pouco de conhecimento e humildade é capaz de nos fazer entender que nos dias atuais o título de irmão deve ser o único do qual realmente devemos nos orgulhar.

Precisamos também nos diplomar na ciência do amor, aprendendo a nos amar reciprocamente, agindo em tudo com solidariedade. A isso chamamos fraternidade e ela chega para estabelecer uma nova expressão no íntimo da criatura.

Uma verdade vigora no universo: quem ama está pondo em execução o mandamento primordial corporificado no Cristo. 

A palavra irmão sintetiza a expressão daquele sentimento que caracteriza o verdadeiro amor. Pois onde não há amor não há irmão e ninguém pode ser irmão de alguém sem o amar. Daí, não vamos protelar mais. Não vale adiar mais. Comecemos a ser irmãos uns dos outros hoje, nutrindo no coração a sincera disposição de ajudar.

E a vida passará a nos responder com maiores e melhores frutos na intimidade do coração.

9 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 9

O COMEÇO É NA FAMÍLIA II

“MAS SE ALGUÉM NÃO TEM CUIDADO DOS SEUS E, PRINCIPALMENTE, DOS DA SUA FAMÍLIA, NEGOU A FÉ”. I TIMÓTEO 5:8

Tudo tem um porque.

Às vezes, uma pessoa estranha chegou e alguém o atendeu. Vai olhar, com atenção, que estranho é esse. Por que simpatizou com ele? O que ele chamou a atenção no que o atendeu na hora? Uma análise é necessária no sentido de entender o porque disto. Por que uma criatura se mantém do lado de outra com tanto carinho, lhe tratando com tanta boa vontade e amizade? Por que, ao contrário, determinada criatura complicada se mantém próxima de outra por tanto tempo?

É preciso notar que existe uma sustentação, uma irradiação eletromagnética de recursos e de forças que nos prendem uns aos outros e que funciona na pauta dos relacionamentos vibratórios entre as pessoas. Vigoram vibrações intrínsecas.

Às vezes, o elemento ficou amigo de outro com uma facilidade danada: "Nossa, desde que ele chegou aqui eu notei. Eu simpatizei muito." Ao que alguém retruca: "Que isso! mas logo com ele?" E o primeiro devolve: "Ah, você deve estar enganado. Ele é uma pessoa bacana demais. Ele é muito jóia!" E por aí vai. Está percebendo? No fundo, a gente acha que está trabalhando com estranhos, lidando com indivíduos anônimos. Mas que nada. Nós estamos trabalhando é com os nossos. Assim, também, é muito difícil nós termos ao nível da conexão espiritual amor à primeira vista. Isso não existe. Temos que pensar.

De uma coisa todo mundo sabe: sempre foi fácil causar boa impressão naqueles que não convivem conosco intimamente. Concorda? Basta um gesto ou uma frase feliz e arrancamos, de improviso, o aplauso ou a admiração de quantos nos encontram exclusivamente na paisagem dos atos sociais. E mais, diante dos companheiros que se despedem de nós, depois de uma solenidade ou de qualquer encontro formal, também é fácil cairmos na hipnose da lisonja, com a qual se pretende exagerar nossas virtudes de superfície. De forma que lidar com as pessoas fora da nossa órbita é muito mais fácil do que lidar com os nossos.

E quando o assunto é família, muitos chegam a dizer que é mais fácil conviver com estranhos do que com os parentes. Não é isso? Porque os outros podem ser complicados, viciados, difíceis, intransigentes, todavia abraçam, mostram agradabilidade em determinadas situações: "Nossa, mas como fulano é bacana. Que pessoa fabulosa que ele é." O grande lance é: cuidado! Vá devagar. Você não conhece.

Está percebendo? Você não conhece uma pessoa somente porque conversou com ela em uma festa ou em um evento social durante algumas horas. Ou porque encontra com ela em certos lugares ou ocasiões e ela lhe demonstra uma singular simpatia.

Em todos os ambientes do mundo existem multidões de indivíduos que ostentam falsas virtudes para as pessoas de fora e não as aplicam aos familiares.

Falam belas mensagens nos cultos religiosos que frequentam, chamando os participantes à vivência da compaixão e sensibilizando a muitos. Verbalizam citações e conceitos de elevado valor moral lembrando a importância da brandura e da humildade, porém, no instituto doméstico são verdadeiros carrascos de sorriso na boca, que não gravam a mínima gentileza nos corações que os cercam entre as paredes do lar. De fato, tem muita gente assim, e o que o evangelho ensina diante disto? Ele ensina que quem não é virtuoso dentro de casa não será fora de casa, embora possa até parecer. Que ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter essas ações em família, não é ser virtuoso, é ser hipócrita. E que a virtude não tem duas faces, uma dentro e outra fora. Isso não existe. A virtude é uma só e a mesma em toda parte.

E como podemos querer fazer um mundo novo se não sabemos resolver o problema dentro de nossa própria casa? Você concorda? Isso é coisa para pensar. Se eu não consigo estabelecer um processo salutar de convivência com quem eu convivo vinte e quatro horas por dia, como é que eu vou estabelecer uma associação vibratória com que eu não conheço? Sejamos sinceros. Tem jeito?

Nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia do Pai colocou mais próximos de nós, dentro de casa. 

É dentro do lar que temos a possibilidade de vivenciar os conhecimentos que aprendemos. É aí que temos que dar o atestado a cada momento da nossa capacidade de saber viver e conviver.

Resultado: precisamos examinar as nossas conquistas morais e demonstrá-las perante os que nos conhecem os pontos fracos. Façamos o bem a todos, sim, mas provemos a nós mesmos, se já somos bons, fazendo o bem diante daqueles que diariamente nos acompanham a vida, policiando o nosso comportamento e procurando dar o melhor.

Porque começamos a regeneração trabalhando com aquelas pessoas a quem nós estamos vinculadas, para depois trabalharmos com o desconhecido.

A sabedoria do criador é extraordinária e precisamos abrir o nosso círculo e aprender a lidar com a grande massa. Todavia, para alcançarmos essa ótica ampliada o que tem acontecido? Nós temos vivido em família. Está acompanhando a lógica da coisa? Vivemos impactos tristes, dissabores e muitas lutas em família, mas por que os familiares? Em primeiro lugar, porque o lar é o centro que vai nos requerer sacrifício. Isso já ficou claro. Começamos a trabalhar a regeneração com aqueles aos quais estamos vinculados.

E, por outro lado, vivendo e convivendo bem no grupo familiar, que é uma população menor, aprendemos aos poucos a operar de forma mais abrangente à partir do próprio habitat que elegemos. Está acompanhando? A família, também, é ambiente preparatório do espírito para que ele possa lidar com todos os espíritos. Ela é o ponto de onde vamos começar a partir para âmbitos maiores de relação. Funciona como uma escola de convivência positiva. É a experiência positiva dentro dela que nos dá condições de chegarmos a amar o desconhecido.

As dificuldades imensas que vivemos, às vezes, dentro das paredes do lar significa titulação nossa para o trabalho que nos aguarda. Ou seja, os problemas profundos dos lares representam o nosso título de habilitação para o serviço junto a uma coletividade maior.

Porque se eu não me educar com os familiares, que ocasionalmente eu xingo e brigo com eles na parte da manhã, de tarde eu estou com a minha consciência doendo. Não é verdade? Meu Deus, por que eu tratei assim o meu irmão? Respondi mal. Isso funciona como um aprendizado. Aprendendo a lidar com as situações mais próximas, amanhã, quando eu tiver que estender a minha ação junto do desconhecido, eu vou ter condição e força para isso. Amanhã, essa luz vai ser direcionada no campo do atendimento aos necessitados que eu nem conheço.

E diante disso que nós temos estudado, o que a gente conclui? Que sem a bênção do lar não existe felicidade verdadeira.

Aquele que consegue administrar com segurança o seu lar, geralmente administra a convivência com amigos e inimigos.

Anunciar os princípios superiores, através da aplicação com renovação e aperfeiçoamento diante dos que nos conhecem as deficiências e falhas, é a fórmula verdadeira de testar a nossa capacidade de veiculá-los com êxito junto aos planos maiores de relação. O carinho especial à nossa família faz parte da obrigação inarredável de assistência imediata que devemos àqueles que convivem conosco.

Entre outras coisas, a nossa vida em família é treinamento. 

É uma questão de lógica: se eu não me habituo a treinar no campo de ceder e oferecer o melhor da minha parte com aqueles que eu tenho uma relação mais próxima, como é que eu vou fazer isso com um desconhecido? Se eu não for útil e compreensivo, afável e devotado junto de alguns companheiros, como vou vivenciar as lições de Jesus diante da humanidade? Tem jeito?

Logo, se já nos aproximamos do Cristo assimilando suas mensagens de vida eterna, procuremos testemunhá-las, pelo exemplo, primeiramente aos nossos, aos que nos compartilham as maneiras e hábitos, dificuldades e alegrias. E aproveitados na escola doméstica, onde somos rigorosamente policiados quanto ao aproveitamento positivo dos ensinamentos, nos acharemos francamente habilitados para a convivência junto da humanidade, a nossa família maior.

3 de jan de 2017

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 8

O COMEÇO É NA FAMÍLIA I

“JESUS, PORÉM, NÃO LHO PERMITIU, MAS DISSE-LHE: VAI PARA TUA CASA, PARA OS TEUS, E ANUNCIA-LHES QUÃO GRANDES COISAS O SENHOR TE FEZ, E COMO TEVE MISERICÓRDIA DE TI”. MARCOS 5:19

“ENTÃO, ENQUANTO TEMOS TEMPO, FAÇAMOS BEM A TODOS, MAS PRINCIPALMENTE AOS DOMÉSTICOS DA FÉ.” GÁLATAS 6:10

A consanguinidade marca um grau de aproximação prioritária. Você concorda?

Onde é que estão os espinhos da nossa vida? Estão representados naqueles indivíduos que nós temos que conviver com eles. Aquelas peças que a gente não gostaria, mas que não dá para fugir. Não é isso? Elas precisam estar conosco porque nós daqui para a frente temos uma responsabilidade maior com o próprio destino.

Às vezes, queremos ficar livre de alguém, só que não podemos viver sem esse alguém. 

Talvez a gente não possa. Se fosse um desconhecido a gente não sabe o que faria, mas como é da família a gente mantém outra postura. A gente queria largar, deixar para lá, sair, mas a gente volta. Então, a família tem essa ligação fantástica. Define aqueles valores mais próximos, junto de nós, porque esses valores próximos é que realmente formam o painel onde estão presentes as nossas necessidades mais imediatas, mais emergentes.

Os familiares são aqueles com quem nós vivemos mais de perto. Podem ser aqueles que integram o nosso grupo de trabalho, como podem também ser os integrantes do nosso círculo pessoal mais próximo. O importante é que consiste em uma comunidade mais reduzida a definir o nosso âmbito de ação. Essa é a família.

E é daí que surge o problema instaurador, o lance dinamizador e aferidor da conquista.

Observe para você ver. O mestre, por ocasião da cura de um endemoninhado, ao invés de júbilos antecipados, o que ele fez? Recomendou ao companheiro o seu retorno ao ambiente caseiro: "Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti". (Marcos 5:19) Lição de profundidade pela qual o grande amigo da humanidade nos orienta a reconhecer que é no círculo mais íntimo, seja no lar ou no trabalho, que nos cabe patentear a solidez das virtudes adquiridas.

E preste bastante atenção no que eu vou dizer: é no próprio plano em que nós estamos situados, por mais triste e difícil que ele seja, por mais complexa que seja a nossa experiência nesse ambiente, que nós vamos encontrar o campo para melhorar. O campo para criar o piso de ascensão e realizar o nosso salto de qualidade.

Não tem outra, o lar vem para nós como oportunidade preciosa de redenção e progressão.

Sintetizando: o lar é o centro essencial dos nossos reflexos. Então, aqueles que nos unimos na faixa mais próxima de relacionamento, e com quem geralmente temos problemas, são instrumentalidades a nível didático para nos ajudar a coletar os valores de que precisamos para nos projetar.

E sabe por quê? Simples. Eu tenho certeza que todos nós aqui, indistintamente, já trabalhamos sensibilizados com as faixas do amor e da caridade. No entanto, pense comigo, você acha que estamos fazendo caridade para quem? Para o desconhecido? 

Não. Definitivamente não! Por enquanto estamos trabalhando é com a família. Não é para desanimar, mas nós não temos ainda uma capacidade de operar de modo abrangente com a grande sociedade. Nós ainda temos uma necessidade, embora inconsciente, de resolver os nossos problemas de vinculação muito pessoais ainda. Você já pensou nisso?

Se você quer sair de casa, tudo bem, mas se você quer sair de casa para ficar livre do grupo, você vai ter é problema, porque você vai ter que voltar amanhã, talvez em situação bem pior, pedindo abrigo a esse mesmo grupo que está abandonando. Então, se você vai sair, não tire-os da sua linha de interesse, de cogitação. Talvez é preciso sair para ajudar melhor, mas a responsabilidade maior está ali dentro.

E não vamos nos esquecer de outra coisa: grandes ensinamentos de Jesus foram ministrados no seio da família.

Quer exemplos? Sua primeira revelação foi num casamento em Caná, entre os júbilos sagrados da família. Certo? A primeira manifestação de Jesus diante do povo foi a multiplicação das alegrias familiares em uma festa de núpcias, em pleno aconchego doméstico. A primeira instituição visível do cristianismo, qual foi? A moradia simples de Simão Pedro na cidade de Cafarnaum. Muitas vezes, visitou Jesus as casas residenciais de pecadores confessos, acendendo novas luzes nos corações. E a última reunião com os discípulos verificou-se, também, no cenáculo doméstico.

O nosso processo de doação, especialmente agora que temos recebido uma faixa informativa mais ampla no campo do evangelho, deve ser feita junto dos corações que nós, direta ou indiretamente, nos relacionamos. Vale sempre a pena repetir: nós ainda, quem sabe, não estamos preparados para amar aqueles que estão distantes das nossas cogitações mais próximas no campo das expressões vibratórias.

Não estamos muito treinados, se é que eu posso usar essa expressão, a ter uma sensibilidade mais ampliada com os outros mais distantes de nós. Está entendendo? 

É lógico que é melhor fazer o bem aos que vivem longe do que não fazer bem algum. Devemos, sem dúvida alguma, ajudar os outros o quanto nos seja possível, no entanto temos a obrigação de ser igualmente bons para com aqueles que convivem mais tempo conosco. Devedores de muitos séculos que somos, temos em casa, no trabalho, no caminho, no ideal e nos parentes as nossas principais testemunhas de quitação. Normalmente, a nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia divina colocou mais próximos de nós, dentro do lar.

Por isso, não podemos nos descuidar das situações que existem no lar para irmos aquecer, de imediato, o próximo que se encontra um pouco além do nosso lar.

23 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 7

NÃO RESISTAIS II

O desafio está lançado. Para entrarmos em um estágio melhor de erguimento espiritual nós temos que criar condição de desarmar as nossas resistências e administrar com carinho cada momento da nossa vida. Temos que aprender a desarmar o coração, saber olhar todo o ambiente e entender o ambiente. Sem resistência.

A situação à nossa volta pode estar difícil, o ambiente difícil, as pessoas difíceis, mas nada ocorre por acaso. A situação tem a sua razão de ser. Tudo tem a sua razão de ser e uma finalidade, embora possamos não entender de princípio. Compete a nós saber aproveitar as circunstâncias que nos chegam com carinho.

Nós estamos tentando fazer luz, ou não é isso que estamos tentando fazer aqui?

Luz interior. Agora, a luz, qual é a finalidade dela? Dissipar as trevas. E o que a gente faz? A gente briga com a treva.

Então, veja bem, se diante de uma agressão recebida eu respondo com a minha reserva de intolerância, se eu solto os cachorros na outra pessoa, o que acontece? Eu estou dando um atestado: atesto para os devidos fins que, por enquanto, eu estou precisando melhorar esse ponto na minha intimidade. Percebeu? Eu estou precisando ter mais isso, mais aquilo ou mais aquilo outro. 

Se eu jogar de volta na cara da outra pessoa a ofensa recebida, aí eu mostrei que estou muito mais necessitado diante daquela situação do que ela própria que me deu a bofetada.

Está dando para entender? Pode ser aquele indivíduo intragável, aquele insuportável do outro lado do telefone, mas se ele me fizer soltar um palavrão do lado de cá do aparelho, ele, como um instrumento, conseguiu me mostrar que eu estou muito longe de ter a calma e a serenidade precisa. E nessa hora o que acontece? Reduz um bocado o meu alcance. Minha síntese e a oportunidade de viver de forma adequada o que eu aprendi foi por água abaixo. Porque eu estou aprendendo o valor novo, mais ainda agindo com o padrão velho, e vou ter que ficar mais um tempo na cultivação daquele valor. Então, vamos ter esse cuidado. Se resistimos acaba a nossa autoridade educativa.

A nossa autoridade de cooperação cai na hora em que nos emocionamos, porque entramos num plano de resistência.

E não resistir, muitas vezes, equivale a silenciar.

Até parece que fica difícil evoluir, mas é por aí que nós temos que seguir. Eu tenho aprendido isso comigo. Temos que buscar dentro do coração uma serenidade muito grande para engolir os fatos, metabolizar os fatos e manter, como dizem alguns, a elegância diante de certas agressões a que ficamos sujeitos vez por outra ao longo do cotidiano. Concorda? Tem pessoas que seguem criando dificuldades em tudo e nós voltamos a bater no ponto: temos que silenciar determinadas situações no plano de convivência.

Então, guarde isso: refreie a sua vontade de criticar ou de agredir, mesmo que se trate de uma agressão indireta. Muitas vezes, é bem mais importante uma lição silenciosa no tempo do que um verbalismo apressado na hora da ocorrência.

O que recebemos da outra pessoa é o que ela tem para oferecer. Você já pensou nisso? Ainda que seja uma colocação mal definida, uma palavra de agressão ou outra atitude menos feliz qualquer, o que ela emite representa o que ela tem a oferecer. 

E dentro dessa atitude, desse comportamento que define a emissão dela, abre-se uma válvula em seu psiquismo para que ela receba de retorno a expressão de auxílio que Jesus define no plano de interação: "Se alguém te agredir numa face, oferece-lhe a outra." Está dando para entender? Aproveite o momento em que ela te agrediu, porque nesse momento abriu a comporta dela para que seja lançado algo de natureza diferente. Quando uma onda longa de agressão sai de alguém a abertura nesse alguém se dá. A emissão se faz por essa abertura. Ela abre para emitir. E a luz de quem ama, que é uma onda sutil e curta, é capaz de chegar no compartimento íntimo desse agressor antes que ele feche a sua comporta. De modo a poder sensibilizá-lo.

Sabe de que maneira nós costumamos atingir os que estão próximos de nós? Resguardando o nosso interesse e jogando a confusão para fora. Fazemos isso com naturalidade. Agora, não adianta nós retermos conosco o manjar, a essência preciosa, e soltar confusão para os outros porque isso acaba deteriorando o que temos e criando situações ambientes que irão dificultar e embaraçar os nossos passos. Temos que usar a sabedoria combinada com o amor na atividade de cada dia.

Temos o dever de tratar os outros melhor do que os outros nos tratam. E sempre, não apenas de vez em quando!

Em algumas situações atravessamos períodos de dificuldades. Isso é normal e faz parte da vida, no entanto, mesmo nas circunstâncias difíceis urge endereçarmos aos outros à nossa volta o melhor ao nosso alcance. Temos que buscar dentro de nós, na intimidade da alma, o que temos de melhor e lançar. Afinal, o que sai da gente significa o quê? Semente. E semente tem que ser bem selecionada para que a gente possa colhê-la onde? Á frente. Ficou claro? Afinal, segundo as leis da vida vamos colher invariavelmente o que tivermos semeado.

E vamos entender uma coisa: temos que aplicar o que aprendemos no plano em que a gente vive, não no plano em que a gente idealiza viver. Entendeu isso ou precisa que repete?

Ficou claro? É dentro do contexto que estamos posicionados que podemos dar um colorido diferente às próprias cargas. E não basta apenas ficarmos posicionados na defesa como um time de futebol trancado no seu campo só preocupado em não tomar gol. Precisamos adotar uma atitude positiva. Para termos tranquilidade e segurança nós precisamos arregimentar valores informativos, saber dimensioná-los adequadamente e vivê-los no plano prático da vida.

Saber amortecer, temperar o que recebemos e devolver melhor do que veio. Devolver com sabedoria e amor. 

E fique tranquilo, no dia em que tivermos condições de recolher os impactos da vida, amortecendo-os e devolvendo o componente para a continuidade da vida em seu plano mais abrangente, poderemos ter a certeza de que estamos nos erguendo diante desses valores que marcam positivamente o nosso crescimento consciente.

15 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 6

NÃO RESISTAIS I

No âmbito familiar, nossos inimigos, nem sempre manifestos de forma direta e ostensiva, vez por outra agem e reagem de modo a impedir, ainda que inconscientemente, que vivamos compreendidos e amados como nós realmente gostaríamos.

Os conflitos são inevitáveis e vez por outra acontecem.

Podemos estar ligados em uma nova proposta de crescimento interior, podemos estar lutando para silenciar os nossos gritos interiores talvez pouco felizes, mas estamos, muitas vezes, lidando de fora com aqueles elementos que foram os nossos companheiros ou nossos comparsas do ontem e que não mudaram ainda. Percebeu? Nós podemos ter mudado, mas eles ainda não mudaram.

E todas as vezes que nos defrontamos com esses casos mais emergentes, mais diretos da nossa linha de relação, costumamos cultivar uma soma grande de resistências motivadas por processos da retaguarda. E o que fazemos? Resistimos! Resistimos demais.

Reagimos à pancada recebida porque sentimos que é melhor doer no outro do que em nós mesmos.

Ficamos com a nossa intimidade emotiva à flor da pele e andamos como se estivéssemos no velho oeste. Um duelo se instaura por qualquer coisa. Quem é que saca o revólver mais rápido!?

Isso sem contar que entramos numa de querer consertar as coisas do nosso modo. 

E intrometemos em tudo. E emitimos dardos na voz. E haja agressividade, direta ou velada. Porque quando a nossa agressão não é direta, o método que usamos é o tradicional sistema de tirar casquinha nos outros. E fazemos isso sem piedade alguma.

E até sem palavras a gente agride. Emitimos dardos até no silêncio que, por sinal, é um sistema de comunicação em que a voz fala de maneira estrondosa. Porque o silêncio às vezes dói tanto quanto uma agressão física. E às vezes dói até mais.

E não admitimos estar errados. De maneira alguma. O outro erra, o erro está no outro. Nós não erramos.

E mais, começamos a encontrar argumentos e ver falhas lamentáveis na pessoa com a qual nos desentendemos. Não faltam argumentos que justificam a nossa conduta indevida, a nossa postura menos feliz: "Ele só quer abusar de mim, é um preguiçoso e coisa e tal. Ele só faz isso porque sabe que eu detesto." Muitas vezes não estamos errados na análise não. Às vezes a criatura só quer mesmo aproveitar da gente, no entanto a questão é que nós pinçamos um pontinho negativo no outro. E o nosso sentimento vai fazendo esse pontinho aumentar. Daí a pouco, se bobear não vemos somente um pontinho falho, vemos um quadro inteiro, um painel completo. E essa conduta pode gerar um sentimento duro de antipatia.

E o que a gente conclui? Que uma análise abrangente precisa ser feita.

E você acha que essa análise mais ampla deve partir de quem? Como os dois não estão estudando o evangelho, não estão interessados no evangelho, o que conhece tem sempre que buscar agir de forma diferente. Aliás, se a gente pensar bem, o que conhece tem a obrigação de agir de maneira diferente do que aquele que não conhece. Ficou claro? Isso é raciocínio puramente natural e lógico.

Quer dizer, tem que agir com inteligência e carinho.

Nós temos que avaliar esses ângulos com atenção. A teoria nos direciona o conhecimento e a vida nos oferece a oportunidade da prática. Em situações de controvérsia, se nós soubermos administrar com humildade e paciência, com base no conhecimento que estamos adquirindo, a dificuldade passa a ser reduzida, quando não desativada.

Além do que, não temos que nos preocupar com a atitude do outro. Percebeu? Não importa a ingratidão que venhamos a receber. O reconhecimento que devemos buscar nas relações, antes de qualquer coisa, é o da nossa própria consciência.

E preste atenção em uma coisa: se você conspurca o ambiente em que respira, infelizmente você não está nem querendo fazer o bem, não está querendo auxiliar, e nem está querendo viver de forma harmônica, não está querendo sobreviver com harmonia.

Você não está querendo cooperar com o seu próximo e também não está querendo manter o equilíbrio no ambiente em que se situa. Quer dizer, está igual a um barco sem navegador, sendo levado pelo sabor das circunstâncias, sem nenhuma atitude positiva. Não está sabendo conduzir-se adequadamente no ambiente difícil. Não está sabendo abrir o coração e caminhar as duas milhas ou largar a capa na oportunidade.

E porque estamos dizendo assim? Porque isso acontece demais. Tem muitas pessoas que são religiosas, todavia, vivem uma vida complicada. Uma vida que puxa vida. Haja paciência!

Então, nós temos que ter muito cuidado com as nossas atitudes. Ainda hoje ficamos muito tristes quando nosso comportamento não condiz com o grau de conhecimento alcançado. A gente fica chateado. Discutimos com os outros por causa de bobagem, e quem fica aborrecido somos nós. Quem perde a paz somos nós. E quando isso acontece nós sentimos que determinadas conquistas estão muito distantes do nosso campo aplicativo. E nos resta a opção de repetir o estudo, aprimorar o estudo, aprofundar o estudo e aguardar o momento da próxima oportunidade.

8 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 5

A CONVIVÊNCIA

Não adianta alguém querer armar ou organizar mecanismos de felicidade fora dos outros. 

Isso é uma tremenda ilusão. Não funciona. Não adianta querer se alienar e criar um reduto particular. A nossa felicidade está em linha direta de interação com o nosso círculo de relacionamento. Esse é o grande segredo da vida e que a gente, aliás, está custando a entender. Está custando a entrar na nossa cabeça.

O gostoso da vida é isso, o homem ser um elemento social. Vai ser muito difícil ser feliz sozinho. Nós podemos, sem exagero algum, até ser mais objetivo: Não há como ser feliz sozinho.

Agora, quando nós ficamos muito exigentes, achando que somos bons demais, e começamos a espinhar as pessoas, a espetar as pessoas mais próximas de nós, começamos a entrar em um ponto que chamamos isolamento. E esse isolamento não é porque estamos machucando as pessoas não, viramos delinquentes não. Entramos num isolamento em razão da nossa inabilidade em conviver com os outros. Deu uma ideia? E isso cria um desconforto para a nossa vida íntima.

Quer dizer, o grande problema do isolamento hoje surge em razão da nossa deficiência de conviver. Nós entramos no sistema de querer que todo mundo faça aquilo que os nossos conceitos revelam para nós. Com isso, nos tornamos pessoas chatas, intransigentes, difíceis e que as outras pessoas não querem ficar perto.

O evangelho nos propõe o quê? A caridade. E se ele propõe caridade, sai do plano da vivência para entrar no plano da convivência. Logo, precisamos saber conviver o melhor possível com todos, embora grande parte dos que compõe o nosso círculo de relacionamento sejam verdadeiras pedras no sapato. Você concorda? Infelizmente, tem pessoas que ninguém consegue conviver perto delas, porque o oxigênio que elas oferecem é intoxicado, é carbono no campo negativo.

Não tem gente assim? É uma dureza conviver. 

Outras são acentuadamente inconformadas, acham que vieram ao mundo para receber da gente. 

Mas vamos ser sinceros? Cada qual só visualiza o negativo fora dele. É muito fácil se manter nesse sistema: "Ah, o papai é assim, meu irmão é assim, minha irmã faz isso." Quer dizer, ele é o único que salva, o único santo lá na casa. No entanto, vamos cortar essa de achar que nós somos os bonzinhos. Vamos deixar de ser pretensiosos, nós temos feito muita coisa que nem sempre tem sido adequada e tem muita gente na vida que também custa a nos aguentar. Nós achamos que os outros é que são as peças complicadas, mas às vezes o mais complicado é a gente mesmo. Não pode acontecer? Nós temos sido pedra também nos sapatos de muitos que estão convivendo conosco. E não atinamos para isto.

No plano espiritual, a linha de aglutinação e de união dos seres se dá em termos de afinidade.

Isso mesmo, muito mais afinidade do que sintonia.

Agora, quando se trata da imersão na vida física a história muda. Quer dizer, passa a vigorar uma proposta de acentuada heterogeneidade. Em outras palavras, aqui embaixo, no plano físico, o campo de realização se dá em meio à chamada lei dos contrários. É a heterogeneidade que mantém o processo experimental. Ela é uma constante no universo e nós temos dificuldade nessa convivência.

Temos dificuldade em conviver com as diferenças. 

Então, repare bem, a consanguinidade define para nós uma linha de relação passada direta. Sabe aquelas situações em que se fosse uma pessoa estranha e, se pudesse, a gente não fazia, mandava às favas e coisa e tal? No entanto, como é nosso irmão, nosso filho, nossa mãe, nosso pai, a gente faz? Deu uma ideia? A família tem dessas coisas. Somos obrigados a administrar até mesmo por se tratar de uma realidade que nós não podemos refutar, que não podemos fugir.

E nós custamos a entender isso. Custamos a descobrir isso. Levamos muito tempo para descobrir isso.

Falta uma capacidade de auto-análise. Falta, inclusive, um pouco de humildade da nossa parte.

De maneira que nós temos que ter essa ótica com paciência. Da mesma forma que eu tenho lances negativos nas minhas atitudes e na minha personalidade, e que os outros me olham com generosidade e paciência porque sabem que eu vou demorar a mudar nesses aspectos, eu tenho que ter paciência com as outras pessoas também no que reporta às dificuldade delas. Isso não é um sistema barato de psicologia, é método científico de vida que o evangelho nos ensina a utilizar se quisermos ser feliz.

Por que estamos estudando o evangelho? Por que falamos em caridade, em amor, em reforma íntima? Por que falamos no bem? Por que falamos no entendimento, no perdão? Para modificar o nosso íntimo para melhor, para nos tornarmos pessoas melhores a cada dia. 

E se estamos buscando melhorar o nosso íntimo para a bondade, se estamos buscando essa melhoria é porque analisamos a nossa forma de agir e de reagir e identificamos que em nosso íntimo existem componentes e vários que no nosso campo aferidor atual sentimos que precisam ser alterados, modificados, porque não estão sendo bons para nós, não tem sido os melhores para a nossa vida. Percebeu? Isso tem que ser entendido porque estamos falando de coisa muito profunda.

E quando sentimos que eles não são os melhores para nós é porque não fizemos essa descoberta do nada, à toa. Quem nos fez descobrir isso? Geralmente são os outros. Está acompanhando? Fizemos essa identificação porque inúmeras outras pessoas observaram esses pontos negativos em nós. E descobrimos, muitas vezes, não porque elas nos falaram. Porque geralmente elas não falam. Sabe como descobrimos? Observamos as atitudes modificadas delas no trato com a nossa pessoa. Ficou claro?

Com humildade e conhecimento nos tornamos pessoas mais observadoras e selecionamos melhor.

O papel do seguidor do evangelho não é colocar a bíblia debaixo do braço e sair para pregar, mas sim o de viver situações de apaziguamento. Nós estamos estudando o evangelho com todo o carinho porque estamos nos candidatando a lidar com as pessoas, ou não é isso que estamos fazendo? Estamos engajados nesse processo, alguns no campo profissional, outros no âmbito familiar, outros no terreno social. Mas na essência nós estamos aprendendo a lidar.

Você pode viver só. É um direito que você tem. No entanto, se você cultivar a solidão, por um capricho, você está a caminho do desajuste. E tem muitas criaturas que vivem assim. Descobrem situações novas, perseguem padrões novos, todavia não sabem ainda manter um mecanismo de convivência. Elas querem se isolar.

E a verdade é que não é fácil, às vezes, operar em nome do amor. É fácil? Seja sincero. Não é.

Para crescermos de forma efetiva nós temos um campo imenso que se abre para podermos operar, fazer e auxiliar e compete a cada um de nós saber viver vencendo os desafios que nos chegam. Saber viver com sabedoria junto de todos, sejam de parentes difíceis, de chefes exigentes ou de quaisquer outros com quem nos defrontamos no cotidiano. No mundo heterogêneo em que vivemos temos que agir com prudência. Manter uma capacidade sabe de que natureza? Administrativa.

Temos que ter um discernimento: saber o que a gente deve valorizar e o que deve administrar.

Nós selecionamos as companhias. E está errado? Não. Não está. Mas um fator interessante e uma lição fundamental é aprendermos a administrar a deficiência dos nossos semelhantes. 

Entendeu essa parte? Aprender administrar, sem dar ênfase. Às vezes, sem comentar as dificuldades deles, até mesmo com as pessoas mais queridas à nossa volta. É comum comentários do tipo: "Você viu fulana? Nossa, como é presunçosa." Podemos dar uma dica? Corta isso. Corta esse tipo de coisa. Você pode ter sido feliz se descobriu a presunção naquela criatura e silenciou. Sua capacidade de identificar a presunção define instrumento de efetiva cooperação. E mais, também demonstra que a sua instrumentalidade observadora está ótima, está nos trinques.

Não estamos aqui para criar receitas de relacionamento, mas buscando apropriar componentes positivos de referência capazes de nos auxiliar nesse ponto. Vamos colocar tudo no seu devido dimensionamento, saber dimensionar cada coisa, pois se fosse fácil o mecanismo da vida e da convivência não estaríamos aqui.

Hoje nós somos continuamente desafiados pela convivência.

E dispomos de possibilidades amplas de nos sairmos bem. Já temos muitos padrões introjetados em nosso psiquismo, uma verdadeira cartilha viva de ensinamentos. Agora, é no plano de relação ou linha de interrelação que vamos conseguir fazer a luz brilhar. A convivência tem uma série de valores que emergem dela educando a nossa capacidade de equilíbrio, entrosamento e relação.

A alegria de sabermos entender os outros com as suas lutas, com as suas deficiências, com as suas fragilidades e, porque não, apropriando sempre os potenciais que cada um tem sabido trazer no momento adequado, é algo fundamental. Dentro do processo normal de relação na vida vai havendo os choques, as linhas de contato, no entanto vamos entender que é por aí, por essas relações que vamos sulcando a nossa alma e formando uma nova personalidade.

É comum a gente querer resolver o caso do outro sabe de que forma? Tocando o nosso dedo na ferida dela. Não é assim? E sem anestesia. E o que acontece? Ela foge da gente que nem o diabo foge da cruz. E dessa forma nós vamos criando um encastelamento junto das pessoas com quem vivemos. E recebemos o quê? Recebemos vibrações não muito boas dessa pessoa, vibrações de entidades ligadas a essa pessoa, que vem em cima da gente e nós não aguentamos.

É preciso usarmos o discernimento e a inteligência. 

Se não tivermos uma abertura nesse particular nós vamos ficar sempre debaixo do jugo da aflição, debaixo do jugo da contrariedade, do juto da inconformação e das dificuldades. 

Somente vivendo certas experiências com mais aprofundamento é que passamos a nos entender melhor. 

Passe a agir de forma diferente, experimente nova postura e ficará surpreso com os resultados. Antes evidenciar a presunção do semelhante, experimente fazer um diagnóstico profundo e descobrir os focos de luz presentes nessa individualidade. Pontos positivos nela.

É muito bom sentir que quando acaba aquela reunião espiritual de estudo do evangelho da qual a gente participou, ou quando nós encerramos um capítulo de um livro que a gente está lendo e gostando nós concluímos que aprendemos alguma coisa. Não é bom? Dá uma sensação gostosa. É algo realmente fantástico e motivador. Nós sentimos uma coisa boa, certo preenchimento íntimo.

No entanto, não adianta nada eu estudar, aprender, ficar bem informado, querer ter uma vida excelente se eu não estiver preparado e educado para um processo mais agradável de convivência. Percebeu? Nós estamos investindo no evangelho, entre outras coisas, para poder melhorar o nosso campo de relação.

Sabe aquelas pessoas que tem muitos amigos? Muitos amigos verdadeiros? O Chico Xavier é um exemplo e referência bonita nesse aspecto. Sabe por que ele teve muitos amigos? Porque ele sempre soube evidenciar os corações junto dele.

Evidenciava que ângulo? O ângulo positivo que ele via nas pessoas. Os olhos dele enxergavam o lado positivo das pessoas. Ele via o positivo. E venhamos e convenhamos, a melhor coisa que tem para nós é quando alguém vê o nosso positivo e fala assim: Você tem potencial, tem condições, investe no que você quer que vai dar certo! Concorda? Não há quem não se sensibilize com isto. A gente sente confiança, investe e com o decorrer do tempo conquista aquelas posições.

Resumindo: vamos vez por outra nos colocar no lugar dos outros. 

Se gostamos de ser valorizados as outras pessoas também gostam. Cada pessoa gosta e precisa disso. Vamos ter mais atenção no trato com os nossos semelhantes, vamos tirar de cada indivíduo o componente positivo que ele pode nos oferecer.

Todas as criaturas tem elementos de alta expressão que podem estar irradiando coisas boas e nós, de algum modo, estamos nos relacionando com elas. Ninguém vive o evangelho desfazendo de quem quer que seja. Ninguém. Muito pelo contrário. Vamos pensar nisso. Vamos pensar, mas não de uma forma superficial, apressada, aleatória, indiferente. Vamos pensar com carinho. Afinal de contas, o pensamento é o primeiro passo para a realização de uma ação em novo ângulo.

1 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 4

INTERDEPENDÊNCIA E HETEROGENEIDADE

A heterogeneidade é um componente que não pode estar ausente no processo evolutivo. É nela que vigoram os patamares em que cada qual pode e deve atuar no campo do seu crescimento.

Repare bem, tem pessoas que se isolam. Podem até ficar cercadas de muita gente, mas não cultivam amigos. Não entendem que a heterogeneidade é que garante o terreno operacional para todos indistintamente nas mais variadas expressões.

Então, o escalonamento no campo heterogêneo do mundo é necessário ainda. Imaginemos se todo o universo fosse perfeito. Imaginou? O que aconteceria? Simplesmente haveria uma coagulação no universo. O universo pararia, não evoluiria, ele seria estático.

Outro ponto interessante é que cada individualidade possui sua carga de conceitos, de concepções, de experiências, de entendimento e de ótica de vida. Vamos notar uma coisa para ser ponderada e refletida. Na hora em que se penetra com mais aprofundamento em certas questões no âmbito das relações, aparecem o quê? Aparecem diferenças da maior expressão. Não acontece?

Os lares, o ambiente social, o campo em que nós estamos operando, tudo isto não representa uma espécie de campo minado? Ou isso não tem acontecido? Os planos de interdependência propiciam essas coisas. É campo de choque em que nós vamos recebendo um sorriso agradável daqui e uma cara feia de lá. Concorda? Alguém apresenta uma ótica em determinado terreno totalmente diversa da ótica de um outro indivíduo, e daí por diante. Uma ótica que nunca passou pela cabeça daquele outro, porque ele tinha um outro ângulo de percepção.

Em suma, a interdependência define o ponto ativador dos padrões que não se expressaram ainda. Ela faz emergir muitas coisas das relações que ela propicia.

E uma coisa é fato, sem heterogeneidade não existe progresso espiritual. É no plano de contato que nós vamos criando o piso para a concretização.

Imagine se nós encarnássemos em uma espécie de fortaleza, em um ambiente totalmente livres das influências. Dá para imaginar? Se nós vivêssemos em ambientes totalmente livres das influências não teríamos condição de progresso.

Se houvesse uma unicidade vigorante em nosso plano de ação nós não teríamos como avançar, porque o avanço de cada um de nós no contexto da vida é decorrente desse plano diversificado. É na diversidade que se encontra a unidade. É na combinação de sons divergentes que resultam as melodias sublimes. A diversificação nos planos evolucionais é que define a razão do laboratório fantástico chamado família. Observe que se em nossa casa todos os integrantes pensassem de maneira igual a relação seria uma perda de tempo. Para não dizer que poderia ocorrer a desagregação. E a gente custa a entender isso.

Os pais são um bom exemplo disso. Vez por outra ficam apavorados porque seus filhos não pensam exatamente como eles gostariam que pensassem. E nas várias atividades que todos nós elegemos e participamos a questão não é diferente. Nelas comumente aparecem vários fatores discordantes, todavia o interessante é que nas coletividades vigoram caracteres fortes, vigorosos, que mantém a unidade do grupo. Predominam fatores conjugados que constituem a razão da vinculação dos indivíduos a esses núcleos. Por exemplo, em um grupo de estudo vigora o quê? O desejo de crescer, a vontade de aprender, entre outros. E nos grupos sociais as diferenças vão sendo apuradas na medida em que vai ocorrendo a aproximação dos elementos no campo da análise e do aprofundamento.

Tem muita gente nas mais diversas áreas da vida tomando decisões pessoais e doa a quem doer. Ou seja, o indivíduo faz o que quer, faz só o que acha que deve fazer. Só vê o seu benefício, e ponto final. Toma atitudes que podem, a princípio, dentro de uma visão imediatista, resolver o problema dele, mas não avalia outros ângulos e a consequência. Toma atitudes que podem, no futuro, até resultar sabe em quê? Em resultados menos felizes. Para depois, lá na frente, ele ter que voltar àquele ponto e atender alguma outra área. Porque, às vezes, ele nem agiu com falta de caridade, mas deixou de dar o atendimento naquilo que era competência dele realizar com uma outra pessoa, por exemplo. Percebeu? Então, nós não podemos esquecer a nossa responsabilidade em relação aos outros.

Na medida em que os corações se aproximam uns dos outros naquele relacionamento com respeito, naquela permuta positiva ao nível de afeto, passamos a observar que começa a se expressar em nosso campo de ação novas vibrações e novos momentos. Nós saímos do casulo do amor egoístico e começamos a entrar na gama mais ampliada do amor a nível universal. Todos nós, espíritos encarnados ou desencarnados, estamos conjugados a centenas de outros elementos em um fluxo normal. Daí, precisamos entender que em toda cooperação verdadeira o personalismo não pode existir.

Constantemente, temos essa linha de relação e somatória para ampliar o processo e quem coopera cede sempre algo de si, dando o testemunho de sua abnegação.

Sem isso, a fraternidade não se manifestaria no mundo em que vivemos de forma alguma. Quem conhece a história do apóstolo Paulo, por exemplo, sabe que ele foi componente fundamental na irradiação dos padrões do evangelho, todavia, o trabalho não foi elaborado unicamente por ele. Se ele não tivesse tido o auxílio de companheiros abnegados como o do casal Áquila e Prisca, com quem ele conviveu no deserto, como seria? E se não tivesse tido o amparo de Ananias? Não é isso? E se não fosse a amizade e a lutas vividas com Barnabé? E se não tivesse o Gamaliel? Se não houvesse Abgail, se não tivesse o Estevão? Está percebendo? Sabe por que estamos dizendo isto? Porque tantas vezes, na elaboração de algum projeto ou tarefa, alguém acha que pode fazer sozinho. Que nada. Não dá.

Para alcançarmos a vida abundante que objetivamos, e que o evangelho nos ensina a conquistar, vai depender não apenas da nossa capacidade de saber viver, mas, sobretudo, de conviver. E para nos sairmos bem nessa linha de relação com os outros, de maneira positiva e sem complicação, só tem uma forma: temos que ser humildes.

Para início de conversa, nós temos que aprender a conviver com as criaturas e com as suas dificuldades. Repare que cada individualidade que esteve de alguma forma com Jesus tinha um ponto fraco. O Zaqueu tinha a sua dificuldade, havia a dureza do coração de Levi, Simão Pedro aprontou, Tomé era difícil, e daí por diante. No entanto, o que o Cristo fez? Amparou a todos. Percebeu? Porque se for eliminar cada um por causa da sua dificuldade, cadê o povo? Some. E as nossas dificuldades? Nós também temos. E muitas. Então, temos que saber valorizar cada um. É muito bom saber valorizar as pessoas, sejam elas quais forem. Podemos ter em um grupo alguém que conhece profundamente de história, por exemplo. Outro não conhece história, mas conhece algum ponto de geografia. Notou? Um está precisando caminhar por uma área, ao passo que outro em outra área. Isso é heterogeneidade. Ela auxilia o grupo.

Eu não posso evoluir achando que sou o maior! Não tem como. Eu posso ser o mais bem informado em um terreno, mas em outro não. A interdependência e a cooperação funcionam na extensão de todo universo. Não tem como alguém evoluir esquecido dos outros.

Qualquer pessoa que aprende alguma coisa se vale de outros que já passaram antes dela. Guarde isso. E mais, ela não consegue seguir além se não houver o interesse de outras, ainda que mínimo.

As pessoas que nos cercam podem se dividir didaticamente na faixa que estamos tentando trabalhar em dois aspectos: elas podem ser as criaturas que nos tocam, que nos atingem no plano aferidor da conquista delas, ou podem ser aquelas que se abrem oferecendo campo à nossa capacidade de cooperação legítima. Deu para acompanhar? De um lado, estão as que estão acima canalizando valores para nós e de outro as que estão abaixo esperando a nossa cooperação.

De algumas criaturas nós podemos obter valiosos apontamentos e com outras nós podemos ser até pontos de auxílio e segurança para elas. Precisamos entender isso.

E mais que entender, sentir essa verdade no coração. À medida em que se abrem as nossas linhas perceptivas, também precisamos aprender a buscar componentes que facilitem a decodificação dos nossos valores conquistados no intuito de que o nosso pensamento possa abranger camadas outras que não estão no mesmo nível de realização que nós. Ficou claro essa parte? Que podem estar no mesmo nível de interesses, mas não no nível de realização que já estamos.

E nós temos que confiar nas pessoas para evoluir.

Confiar em todas, porque senão não conseguimos progredir. Porém, confiar em todas sabendo identificar o limite da confiança, óbvio. Sabendo das confusões e dos problemas que uma criatura pode criar se dermos muito campo a ela, por exemplo, nós temos que saber dosar essa confiança. Em outras palavras, nós temos que confiar em todo mundo desconfiando de todo mundo. Confiar não numa desconfiança contrária ao evangelho, mas num plano de atenção, de cautela evolucional.

Perfeito? Necessitamos saber os limites da confiança que devemos dispensar a cada criatura. E um fator fundamental para isso é a experiência. A experiência adquirida nos ensina a avaliar o grau de confiança que nós devemos conceder.

21 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 3

A RECONCILIAÇÃO

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; 36E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.” MATEUS 10:34-36

Uma coisa é fato, mais cedo ou mais tarde toda criatura reconhece que para seguir adiante na jornada evolutiva precisa reconciliar-se com a própria consciência. E para isso, tantas vezes precisa buscar os adversários de outro tempo a fim de resgatar as suas faltas.

O que isso nos ensina? Que frequentemente, pela imposição da consanguinidade, grandes inimigos são obrigados ao abraço diário debaixo do mesmo teto, durante certo tempo. Com vistas a quê? Ao aperfeiçoamento de cada um.

Quando o evangelho fala em amar o inimigo ele está tratando, entre outras coisas, da família. À primeira vista, parece estranho, mas vamos clarear. Pense comigo, o que o estudo do evangelho tem ensinado? Que não existe inimigo gratuito. Não existe inimizade surgida de graça. Embora não se perceba, o inimigo de hoje é aquele que foi um amigo profundo nosso ontem. E que nós o decepcionamos ou ele nos decepcionou dentro de um plano de inabilidade para a convivência, seja da nossa parte ou da parte dele.

Vamos entender que o inimigo não é aquele declarado que falou que se encontrar com a gente vai nos pegar. Não! Sabe quem é o verdadeiro inimigo? O inimigo é esse que nos abraça de manhã, que nos beija, que nos envolve de carinho, que joga bola, passeia no parque e toma açaí conosco no final de semana. Esse é que é o inimigo.

Por isso, atrás daqueles indivíduos que se repelem, atrás daqueles que vivenciam um plano de antipatia e resistência recíproca, costuma haver almas que viveram amplamente o amor lá atrás. Será que deu uma ideia? É por essa razão que o amor ao inimigo representa uma vitória grande sobre nós mesmos.

O grande segredo nas relações é saber aproveitar as oportunidades.

Tem muita coisa nesse aspecto que nós não estamos sabendo lidar e ficamos deixando, até de forma inconsciente, para as reencarnações futuras. Não acontece isso? "Ah! Não tem reencarnação? Na próxima eu resolvo!" E só Deus sabe quando vai ser a próxima. Que, aliás, pode nem ser tão próxima assim. Porque o futuro, segundo o que estamos aprendendo, pertence a Deus, não pertence a gente, e não sabemos se vamos encontrar com essas criaturas no futuro próximo.

O evangelho nos sugere aproveitar as oportunidades da convivência. Nós podemos até laborar no plano das propostas e das causas. Sabemos que efeitos virão. Agora, entrar nos detalhes dessas expressões, desses momentos em que o futuro irá trazer os frutos, isso não tem como nós sabermos com tranquilidade.

Quando a gente começa uma tarefa em que tentamos fazer algo no campo do auxílio, como uma atividade realizada em um hospital ou em qualquer outra área da comunidade atendendo aos necessitados, embora não pareça, em muitos casos em meio a dez, vinte ou trinta necessitados é interessante entender que um ou dois desses necessitados são indivíduos que estão ligados a nós desde o passado e  com os quais nós temos compromissos relevantes com eles. Ou você acha que nós podemos fazer o bem amplamente aos desconhecidos?

Está dando para perceber? O assunto é muito profundo. É assim que a misericórdia faz, em meio a uma tarefa sistematizada coloca um, dois ou três que estão diretamente ligados a nós.

Em uma escola, por exemplo, a professora pode ter trinta crianças na sala dela. Mas no meio daquele grupo de trinta tem duas ou três que estão ligadas diretamente a ela. Está acompanhado? Ela, às vezes, quer ficar livres dessas duas ou três porque são alunos bagunceiros, que lhe criam problemas ou coisa e tal, no entanto eles são a razão básica da presença dela naquela turma. Está dando para acompanhar? Daí, sabe o que acontece? Em nossa jornada, vigora um processo constante e inconsciente de busca daquelas conexões necessárias. Existe, no âmbito das circunstâncias, uma semeadura abrangente mediante um processo de pesca, de avocação daqueles elementos que estão ligados ao nosso passado.

E o interessante na questão da reconciliação é que é inútil a fuga dos credores que respiram debaixo do mesmo teto. Pois o tempo invariavelmente aguardará cada qual, implacável, constrangendo-o à liquidação de todos os seus compromissos.

Para se ter ideia de que não há como fugir, diariamente inúmeros indivíduos envolvidos nas mais diversas dificuldades familiares, saem de casa e vão para as igrejas e para os núcleos espirituais mais diversificados para aprenderem, entre outras coisas, sabe o quê? Que o lugar deles é dentro de casa.

E nós não precisamos nem ir longe para elucidar. Basta nos lembrarmos do que Jesus disse aos discípulos por ocasião da multiplicação dos pães: "Se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe." Ficou claro? Dentro das nossas necessidades imediatas, cada criatura vai a Jesus para se abastecer. E depois de se abastecer, depois de aprender, eles tem que voltar sabe para onde? Para as suas casas. 

É nas dificuldades provadas em comum, nas dores e experiências recebidas na mesma estrada de evolução redentora, que se esquecem as amarguras do passado longínquo transformando-se todos os sentimentos inferiores em expressões regeneradas e santificantes.

Na hora em que eu desativo um problema sério do passado com alguém que veio como meu filho, meu irmão, meu vizinho, meu colega ou meu chefe, eu estou desconectando e saneando um ponto da retaguarda que, até então, está pesando acentuadamente no denominador comum do meu dia a dia. Ficou claro? É por este motivo que os pais humanos recebem muitas vezes, por filhos e filhas no instituto doméstico, os mesmos laços do passado com quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos, partilhando compromissos e aprimorando relações afetivas, de alma para alma.

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