21 de abr de 2018

Cap 62 - A Caridade (3ª edição) - Parte 1

CONCEITOS INICIAIS

O que é o amor? Será que a gente consegue defini-lo? A bem da verdade, é muito difícil dar uma definição dentro da nossa ótica perceptiva acanhada. Mas de uma coisa sabemos: o amor é uma soma, é uma tônica no universo. É a energia, a vibração que tudo circunda e envolve. 

Constitui a lei máxima no campo abrangente universal. Amor é o sentimento por excelência, é o sustentáculo. Podemos dizer, sem medo de errar, que ele é a essencialidade que mantém e sustenta o equilíbrio do universo. Esse sentimento divino é a corrente invisível em que se equilibram os mundos e os seres e dele derivam todas as virtudes, que nada mais são do que as modalidades e aspectos da sua abrangência.

O universo inteiro é uma corrente de amor em movimento incessante. Que não cessa, não pára.

E o mais bonito disso: o criador não age represando o seu amor, Ele não age cerceando o amor. O criador não guarda o amor para si, não armazena o seu amor. O manto protetor do amor não é como a galinha, que mantém o seu envolvimento e agasalha apenas os pintinhos debaixo das suas asas. De forma que a primeira coisa a ser observada é que o amor não é estático, ele foi feito para ser dinamizado.

E quando nós falamos no plano operacional do amor nós falamos em quê? Em caridade.

Ou seja, caridade é a manifestação do amor, é a aplicação do amor. Representa a dinamização dessa energia sublime. Caridade é a expressão tangível do amor, é o amor aplicado. É o elemento operacional do amor, a aplicação do amor. É a materialização da teoria, consiste na expressão crística. É a dinâmica do amor. E tanto é a dinâmica do amor que é muito comum as pessoas misturarem os termos. Ou seja, em muitas situações uma fala caridade e outra fala amor, e ambas dizem a mesma coisa.

Aí, alguém pergunta: "Espera aí, Marco Antônio, você está dizendo que amor e caridade são a mesma coisa?" Bem, para ser preciso não. Existe uma distinção. Se nós fizermos uma comparação e colocarmos os dois numa espécie de microscópio, vamos observar que o amor é muito mais do que a caridade. Afinal de contas, acabamos de dizer que amor é a essencialidade que mantém o equilíbrio do universo. Certo? Logo, ele é muito maior. Além do que, frisamos: caridade não é o amor total.

E vamos explicar essa questão. De forma alguma a caridade é o amor como um todo. Fizemos questão de deixar isso bem enfatizado. Caridade não é o amor total. Caridade é uma faceta do amor. Qual faceta? É a parcela do amor aplicado.

É o amor em sua faixa de aplicação, o amor em sua linha dinâmica. É como se fosse o terreno ou o campo onde o amor está operando. Está dando para entender?

Como resultado, toda caridade legítima traz amor consigo (óbvio, pois a caridade é o plano aplicativo do amor), mas nem todo amor é caridade. Vamos dar um exemplo? Uma pessoa diz a outra em uma conversa: "Nossa, você não tem ideia de como eu amo o Gustavo. Você não imagina. Faz quarenta anos que eu o acompanho. Desde o seu nascimento." Tudo bem, ela pode realmente amar o Gustavo a quem se refere, mas a verdade é que o seu amor nunca se manifestou. Percebeu? Ela diz que o ama, mas nunca fez nada em favor dele. Deu uma ideia?

O amor é que mantém o equilíbrio no universo. E se estamos falando de amor e universo estamos falando de infinito. Então, isso não é com a gente. O amor na sua essência, na sua contingência total e abrangente universal não é com a gente, é com Deus, com o Pai. Isso é fato. Amor não é conosco, porque perfeição, bondade e misericórdia são inerentes a Deus. Misericórdia é algo de Deus.

E tanto é assim que Jesus, a expressão máxima que nós conhecemos, não aceitou o título de bom.

Mas nem por isso vamos ficar desanimados. Pelo contrário, porque o amor só é sublimado se for praticado. E o plano dinâmico do amor compete a nós, e não a Deus. Daí, sabe qual a nossa função nesse contexto? Nos ajustar ao terreno refletor do amor.

O universo inteiro é uma corrente de amor em movimento incessante e nós não podemos de forma alguma lhe interromper a fluência das vibrações. Em outras palavras, a Deus compete a área emissora, criadora, e a nós as áreas operacionais.

Se a dinâmica é uma lei que impera em tudo, não há como dinamizar o amor sem passarmos pelo exercício do amor. Se conosco não é amor, conosco é amar. 

Temos que ser misericordiosos para entendermos a misericórdia de Deus, porque só amando nós aprendemos o que é o amor. E amor nós somos em potencial. Logo, sabe qual o nosso desafio? Operar o amor, expandir o amor, transformar o amor em amar, pelo exercício incessante e sublime da bondade e da caridade.

15 de abr de 2018

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 17 (Final)

MELHORANDO A AÇÃO II

Quando agimos de forma premeditada podemos acertar, aparentando conhecimento, no entanto, quando reagimos, nem sempre dentro dos princípios adotados na ação, constatamos o espaço que vigora entre nossas conquistas efetivas e as aparentes, evidenciando que apenas parecemos ter determinados padrões, quando de fato não os possuímos.

Assim, quando o telefone toca, eu atendo, me desentendo com alguém do outro lado da linha e desligo aborrecido e chateado, é porque eu perdi no momento do teste. Não é isso? Falhei. Perdi o teste.

Em muitas situações do cotidiano, e por falta de equilíbrio e controle, nós precipitamos e costumamos dificultar todo um esquema.

É preciso reconhecer isso, afinal pela reação nós também podemos refletir e avaliar. E com um detalhe da maior importância: trabalhando unicamente o aspecto da reação vai ser muito difícil, mas muito difícil mesmo, a gente conquistar.

Naquele mesmo dia em que eu fui pouco feliz no telefone, que me desentendi com a outra pessoa, soltei até um palavrão e desliguei na cara dela, depois, mais calmo, eu analiso e penso: "Oh! Meu Deus, mas que coisa. Me faltou paciência!"

Esse tipo de análise é importante, porque no plano da reação nós aferimos a conquista e também podemos identificar e fazer um diagnóstico das nossas necessidades fundamentais. Está dando para acompanhar? E é por aí que vamos aprendendo e crescendo. Vamos adquirindo conhecimento, como é que se reage, como que se faz.

Aí, eu faço o quê? Pego um livro para ler. Leio uma página, duas páginas e jogo o livro longe. Não acontece? E noto que está me faltando o quê? Paciência. Percebeu? Falta paciência, falta persistência, falta disciplina, falta controle emocional.

Depois eu esqueço a questão e fico esperando outro telefonema para poder atestar a minha carência. Caio na real e penso comigo mesmo: "Quero ver se da próxima vez que essa pessoa me ligar eu não aja daquela forma que agi". E o que acontece? Uma semana depois o telefone toca e é a mesma pessoa de novo. E eu simplesmente volto a naufragar. Assim, de lance em lance eu vou criando um somatório de decepções que podem até mesmo me levar a uma certa patologia. 

E nesses lances eu descubro sabe o quê? Que a minha impaciência não é com aquela pessoa, não é apenas no telefone, a minha impaciência é uma falha da minha própria intimidade. Ficou claro? E a outra pessoa é um instrumento que está me testando.

Uma semana depois eu consegui ter calma. Na outra, como se diz na gíria, soltei os cachorros. Logo, onde é que não está funcionando? Nas reações. Percebeu? Por mais que eu tente melhorar, eu continuo reagindo mal. E a questão é que o estado de reação automática de minha individualidade está vinculado à vida que eu implementei, às vezes, durante muito tempo, seja nessa experiência reencarnatória ou na soma de inúmeras outras. E a qual conclusão eu chego? Que se o meu grau de paciência está fraco em uma determinada área eu tenho que trabalhar especificamente essa área. Não é isso?

Não é assim que tem que acontecer? Eu preciso me matricular em uma nova proposta, em um novo ambiente psíquico, onde a questão passa a ser não mais operar em cima das reações que aferem, e sim em cima das ações que determinam. De que maneira? Partindo para um sistema de implementação da ação.

Porque trabalhando a ação nós costumamos, de forma natural, arregimentar componentes de defesa e de administração da própria emoção ante determinados acontecimentos.

E para vencer a carência eu tenho que partir não para o plano de reação, mas para o campo da ação. Tenho que trabalhar com carinho cada movimento, cada ação.

Deu para entender ou será que eu andei falando grego por aqui? Porque é pela elaboração de novas faixas de ação que nós conseguiremos desativar a intensidade dos reflexos menos felizes que ainda insistimos em manter e repetir.

A preocupação íntima não deve ser com a reação, querer desmontar a reação, e sim com a ação, melhorar a ação no aspecto positivo. Afinal, crescemos pelas ações.

A aprendizagem nos leva a ação e a ação é o componente que nos possibilita a fixação.

O evangelho é claro: a cada um será dado segundo as obras. Então, é pelo fazer que desativamos com tranquilidade. 

Vamos fazendo, até o momento em que a gente possa ter uma soma suficiente de caracteres que representam um sinal de equilíbrio e de segurança nessas emersões. 

Deu uma ideia? A autenticação, a homologação dessa aferição positiva, vem de uma tranquilidade interior que conquistamos na ação. E se na nossa forma de reagir diante de um fato, de uma situação ou de uma pessoa nós colocamos caridade, podemos ter certeza que iremos sentir uma alegria muito grande. E mais, vamos constatar que fomos feliz na situação e que demos um passinho à frente.

Agora, para que essa mudança ocorra, para que haja melhoria, a gente tem que estar de algum modo paciente e equilibrado. Ok? Esse é um ponto importante e um drama que muita gente vive hoje em dia. O mecanismo é gradativo. É passo a passo.

É por ações instituídas e direcionadas que adquirimos o direito de mudar a nossa forma de sentir, de agir e de operar, mediante um sistema contínuo e repetitivo.

Com esse sistema notamos que passamos a reduzir nossas ações menos felizes. Que a cada dia, a cada semana, a cada mês nós vamos fazendo cada vezes menos aquilo que não queremos fazer.

E a conclusão a que chegamos é que para esperar melhores resultados nós temos que operar com discernimento e inteligência. Muitas vezes aprendendo na ação para podermos amenizar a reação. Investir muito no plano da ação para que possamos ganhar na hora da reação. Investir em linhas de atitude mais equilibrada para sermos felizes na reação. Ficou claro essa parte? Isso é fundamental, pois como já falamos a ação é imprescindível na conquista de novos valores.

É a ação direcionada que vai nos proporcionar condições de uma reação feliz nos momentos mais complexos e delicados. Logo, se quisermos melhorar nossas reações, pelo amor de Deus, nós temos que melhorar antes as nossas ações. Para obtermos padrões comportamentais mais seguros é imprescindível investirmos na ação, selecionar padrões melhores e superiores e partir para a ação.

Ah, mas tem um outro detalhe que não podemos esquecer de forma alguma: temos que melhorar as nossas ações no campo dos relacionamentos pessoais também. Melhorar o trato com as pessoas, a nossa forma de nos relacionar com elas.

Isso é óbvio, porém melhorar a nossa postura não só com aquele indivíduo que é chato, aborrecido, intolerante, desagradável, difícil de lidar. Melhorar não apenas com aquele que incomoda ou desagrada, mas com os outros também. Porque se isso não for importante, com toda a certeza eu não sei o que é!...

8 de abr de 2018

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 16

MELHORANDO A AÇÃO I

Sabe como é que se dá o crescimento em qualquer área da vida? Eu estou dizendo isso porque só tem uma forma dele ocorrer. E sabe qual? Pela aplicação da teoria. Ou seja, o aprendizado chega e nós temos que aplicá-lo de forma consciente. Concorda comigo, ou você acha que tem outro jeito? Porque não tem! É assim que funciona.

E para aplicar o conhecimento só tem uma forma: a ação. Logo, é pela ação que nós conquistamos. E isso precisa ficar bem claro. É a ação que nos projeta. Ela é o caminho para toda a conquista. A ação é o componente que possibilita a fixação dos valores novos. É por ela que conseguimos criar mecanismos para fixar os elementos aprendidos.

E um detalhe interessante é que a ação sempre pode ser pensada. Cada um de nós, situado nesse ou naquele estágio da evolução, sempre pode avaliar a sua ação. Aliás, a ação não só pode ser pensada como deve ser pensada e analisada.

É importante entender essa questão no plano prático da vida, até mesmo para termos a noção abrangente acerca da nossa responsabilidade diante das situações. Valendo a pena repetir que a ação é sempre consciente. Sempre.

E quando eu falei que a ação é o componente fixador é porque nós temos dois componentes: o componente fixador e o aferidor, que são distintos.

Agora, outro ponto fundamental é que grande parte das nossas atitudes não representam ação, mas reação. Já pensou nisso? E se a ação é o componente fixador, a reação constitui o componente aferidor. Percebeu? Pela ação nós fixamos e pela reação aferimos. E não tenha nenhuma dúvida a respeito disso: são nos acontecimentos rotineiros do dia a dia que nós somos aferidos. Como? Pelas nossas reações, pela nossa forma de reagir. Com um outro detalhe fundamental, a reação é automática. Deu para entender? Se de um lado nossas ações são pensadas, de outro lado as nossas reações são irrefletidas.

Por isso, vamos entender que uma coisa é o instrumento da aprendizagem, que é a ação, e outra coisa é o componente aferidor, a reação. Percebeu? E são duas coisas diferentes.

A ação estrutura, projeta, ao passo que a reação afere. Como o nome já diz, o primeiro, a ação consciente, fixa o aprendizado, e o segundo, a reação, que é automática, afere. Está dando para acompanhar? Em suma, a ação nos possibilita conquistar. Pela ação a gente projeta, realiza, opera. E pela reação nós aferimos, medimos.

A reação mede, avalia, faz o balanço. De forma que somos aferidos, medidos, pela forma como reagimos diante das variadas circunstâncias. A reação não é o componente fixador, ela não é o veículo de aprendizagem, a reação é o componente aferidor. A reação íntima é o veículo de aferição da nossa conquista. Ela afere e nós somos aferidos nos impactos da vida pelas nossas reações.

Resumindo, pelo livre-arbítrio nós elegemos os componentes fixadores. Aprendemos e, de certa forma, conquistamos. E os acontecimentos e as circunstâncias são aqueles componentes aferidores que visam testar o grau do nosso conhecimento. Eles chegam para nos aferir, para medir o nosso avanço.

E você quer saber uma área que tem aferido demais o estado das pessoas atualmente? O trânsito. Sim, isso mesmo, o trânsito de veículos. Quem entra em um automóvel conhece muito bem o que é reação. É difícil encontrar no trânsito um condutor a quem você sinaliza pedindo passagem e ele deixa você entrar numa boa. Quem dirige sabe bem o que eu estou dizendo. Até pelo contrário, você liga uma seta sinalizando que vai mudar de faixa e até parece que está ferindo a intimidade do outro motorista, que está brigando ou agredindo.

E vamos a um exemplo para clarear. Às vezes, em determinado momento, a criatura exterioriza uma atitude menos feliz e agressiva de improviso. Faz sem pensar. Ela não pensa "vou agir assim". Simplesmente faz. Como em uma situação de trânsito. Um motorista se irrita com o condutor à sua frente porque acha que ele está dirigindo devagar demais, embora este se encontre dentro da velocidade permitida da via. Na hora, o impaciente simplesmente solta aquele palavrão cabeludo. Aquele palavrão de todo tamanho "elogiando" o condutor e a mãe dele. Isso acontece. E nesse momento em que reage assim ele está demonstrando o quê? Que de fato possui esses padrões pulsantes na sua própria intimidade.

Deu uma ideia? Então, vamos nos atentar a essa questão. Tem muitos momentos na vida em que nós estamos sendo aferidos. E pelas nossas reações, pelo impacto e exteriorização das nossas emoções definimos o que efetivamente tem representado a soma dos caracteres que constituem o nosso bloco íntimo. Em outras palavras, o que soltamos em meio às nossas reações revela o que temos. O que exteriorizamos nessas situações constitui o reflexo natural da soma de caracteres vivenciados que temos dentro de nós.

Logo, concluímos que é preciso trabalhar com carinho no plano da aprendizagem. Vivemos todos um momento de transição e precisamos trabalhar esse momento da transição com tranquilidade, buscando acertar. Temos que trabalhar nosso íntimo educando a nossa forma de reagir. E ninguém vai duvidar disso. Temos que fazê-lo a fim de que as nossas reações sejam coerentes com os conceitos que adotamos e as orientações que nos visitam.

A primeira coisa que temos que fazer é controlar a nossa reação. 

Se eu sou impaciente, por exemplo, a primeira coisa que tenho que fazer é desativar a minha impaciência. Isso é fundamental para que eu possa de fato melhorar. Para se ter ideia, se nós não tivéssemos que administrar as reações para vencer a nossa faixa de sofrimento e de intranquilidade Jesus não teria que falar "vigiai" várias vezes. Ele não manda a gente vigiar a ação. Aliás, pode até ser que em certas ocasiões nós tenhamos que adotar uma ação vigiada, equilibrada e harmônica, mas ele fala para a reação: "vigiai"!

8 de dez de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 15

O PODER DA DECISÃO

Os valores informativos nos chegam ao plano perceptivo de fora para dentro por assimilação, e esse conhecimento se dá de várias formas. Para isso, existe uma enormidade de instrumentos e não há dúvida.

Agora, o que comumente acontece é que nós ficamos postergando decisões e atitudes, jogando para a frente padrões que necessitamos implementar. Todavia, cedo ou tarde chega o momento da decisão.

Vamos pensar no seguinte: Zaqueu decidiu ver Jesus e não hesitou. O que ele fez? Quis ver e foi ver. O jovem rico também teve contato com Jesus, não teve? E qual foi a decisão dele? Quando Jesus lhe disse que vendesse suas coisas ele não fez. Sua decisão foi permanecer como estava. Nós estamos dizendo isso apenas para entender que temos desses momentos na vida. Momentos de decisão.

E a decisão, sem dúvida, é algo decisivo.

É algo que em muitas situações pode mudar todo o contexto da caminhada. Aliás, até dizemos mais: tudo na vida depende da decisão. O êxito consiste na capacidade de se realizar o que está proposto e tudo depende de uma postura de decisão nossa. Todos nós, sem exceção, vivemos esses momentos importantes.

A decisão representa o coroamento daquilo que já temos condições de realizar. Essa palavra define o ápice daquilo que podemos realizar, sintetiza o ponto de ousadia. E resulta, indubitavelmente, da determinação e da fé.

Dizem os amigos espirituais que na hora que esses momentos surgem, sabe o que acontece? Os guias espirituais, os anjos da guarda, os santos, saem tudo de perto. Ninguém de fora atua no momento da decisão. Nós investimos e assimilamos, todavia, no momento da aplicação do padrão assimilado os espíritos começam a sair de perto e nós vamos ter uma decisão sem qualquer interferência exterior.

Eu não sei se você já reparou, mas tem momentos na vida em que nós estamos com determinada coisa para resolver. Abre um livro de auto-ajuda, lê e fecha, abre o evangelho, fecha. Fica no abre e fecha. Nas leituras tem um punhado de valores para nos ajudar a decidir, mas decisão mesmo não tem. Não acontece? Parece que até o amigo espiritual mais próximo desapareceu da gente.

E nessa hora a gente costuma pensar: o que é que eu faço? É a hora da nossa decisão.

Então, vamos ter em conta que nos momentos difíceis, diante das dificuldades mais expressivas da nossa vida, nós costumamos ter a sensação de estarmos sozinhos e não há como ser diferente. Acontece assim com todos. Isso não é um privilégio de poucos. Nos momentos de culminância nos achamos só. Não pode ter ninguém por perto. Nem o guia espiritual. Por isso, lembre-se: mesmo ante a porta estreita, buscando conquistas eternas, iremos também só. E com outro detalhe interessante: durante uma prova o professor está presente, mas está em silêncio.

Isso que eu estou dizendo não é para nos deixar inquietos, mas tem momentos na vida que vamos precisar decidir sem a proteção ostensiva. É dessa forma que a coisa funciona.

Por quê? Por uma razão simples: a decisão é um momento sagrado do espírito. Ninguém pode interferir.

No momento da manifestação pessoal não tem empurrão, não tem cordinha para ajudar, não tem amparo. No plano do nosso crescimento espiritual os espíritos não empurram um centímetro sequer. É problema de nossa opção, a individualidade tem que ir pelos seus próprios passos. E isso não sou eu que estou dizendo, são eles, os espíritos superiores, que dizem. Em suma, no plano decisório espírito nenhum pode interferir, porque tem que ser uma eleição pessoal e intransferível.

E por quê eles não podem interferir? Porque na área das propostas e das escolhas a espontaneidade é componente básico. E se é espontaneidade, tem que haver o quê? Uma decisão livre de dentro para fora. Por isso, a ajuda espiritual nunca vai ter um caráter constrangedor. Está percebendo? A misericórdia divina, para se ter ideia, em hipótese alguma projeta seres ao nível do empurrão. A vida pode empurrar algumas vezes, e empurra; o criador, jamais.

Na hora da decisão o que vigora é a decisão pessoal. Nessa hora a responsabilidade é pessoal. Na hora da aplicação do valor assimilado a decisão é puramente nossa.

Vai ser uma postura totalmente efetuada com base na espontaneidade do ser. Espírito nenhum vai assumir. Está claro? Aquele é um momento de decisão pessoal e na decisão cada qual tem que escolher por si mesmo, sem qualquer interferência.

Tem que vigorar o legítimo plano da espontaneidade. E se alguma entidade espiritual ou qualquer um de nós interferir nessa escolha, o indivíduo que está vivendo esse momento de decidir pode ir no embalo das forças e influências exteriores e não ter o mérito que cabe a ele. Sem contar também que a interferência dos espíritos pode em certas ocasiões cercear a oportunidade do passo à frente.

No instante do testemunho estaremos sempre sozinhos com as nossas aquisições íntimas.

Por isso, não fique triste nem tampouco desanimado, mas vai ter momentos em que nós vamos decidir sem arrimo, sem proteção ostensiva. No entanto, esses momentos de solidão, esses momentos em que nos achamos só, são experiências imprescindíveis nas provas de afirmação para capacitação mais nítida em relação ao trabalho que vamos aceitar e que vai vir por aí. Deu uma ideia?

É um pouco difícil, para não dizer muito difícil, mas é por aí que se opera a mudança definitiva de vida do indivíduo. É essa decisão que possibilita mudar a rota do próprio destino.

Porque sempre iremos evoluir em função da nossa determinação pessoal. Esse é o momento em que a gente realmente é emancipado, em que a gente passa a andar com as próprias pernas. Essa prova de nos sentirmos sozinhos e desamparados é a prova que costuma nos conceder o autocertificado. Daí, pode ter certeza, é exatamente essa sensação de estar só que nos projeta para um plano mais avançado no campo da segurança. Igual aquela criança aprendendo a andar de bicicleta, que em determinado momento o pai ou a mãe tira as rodinhas de apoio.

De forma que é preciso passar bem pelo teste. É preciso manter um certo grau de confiança, pois é por aí que aferimos a maior ou menor extensão de nossa fé.

E mais uma coisa importante. Quantas vezes nesses momentos de culminância nós vivemos sozinho o processo e em volta tem uma equipe de espíritos nos observando, orando e torcendo por nós?! Você já pensou nisso? De fato tem momentos em que a criatura vive a prova dela sozinha e os espíritos se mantém relativamente próximos olhando. Às vezes, pertinho. Observam e torcem. Só não podem interferir.

Porém, quando a criatura vence a etapa, quando ela se sai bem daquela experiência difícil, identifica de pronto o sorriso daqueles corações que estavam junto dela o tempo todo e ela achava que estava sozinha. Logo, vamos ficar tranquilos, manter a serenidade e a confiança, porque isso acontece demais da conta.

23 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 14

DUAS FORMAS DE CRESCIMENTO

O evangelho tem ensinado, e nós temos aprendido, que o que almejamos acabamos por conquistar ao longo do tempo, seja este menor ou maior, dependendo do grau de intensificação que investimos na proposta que queremos atingir.

Em outras palavras, quando nutrimos um ideal, seja ele qual for, dois fatores nós precisamos: tempo e determinação.

Quer dizer, existem duas formas para chegarmos aos nossos objetivos. A primeira é utilizando um tempo mais longo, mais extenso, por meio de um investimento menor efetivado mediante a repetição. E a segunda em um tempo menor, todavia adotando um investimento maior chamado de intensificação.

Deu para acompanhar ou ficou complicado? De qualquer forma, calma que nós vamos explicar. Mas uma coisa já ficou claro para nós: o processo exige paciência e a paciência pressupõe perseverança, porque é pela perseverança que nós conquistamos o componente que temos como meta. Daí, vamos ter que usar a continuidade e a intensificação que, por sua vez, definam as duas formas.

E se o progresso exige a presença da paciência, fica fácil concluir que todo ele opera em função de um componente chamado tempo. Ok? Eu acho que essa parte está clara e não há nenhuma dúvida. Os caracteres que eu assimilo precisam ser repetidos no tempo em uma extensão longa, o que indica que a assimilação e o progresso ocorrem na linha horizontal aplicativa do conhecimento.

O que assegura o aproveitamento positivo desses padrões é a continuidade aplicativa desses valores assimilados. Certo? Só que o crescimento não se faz de forma abrangente, na totalidade, mas em parcelas que vão se realizando pela linha de continuidade. A fixação desses valores que arregimentamos é o tempo que vai definir, e não tem outra. O tempo faz uma papel profundo de assimilação.

A formação de um reflexo condicionado em nossa personalidade é exemplo do que estamos tratando. Porque, afinal de contas, ela surge pela repetição durante longo tempo. Ou seja, esses reflexos conquistados por nós, e isso se aplica a todos, decorrem da repetição sistemática no tempo. De forma que a formação dos padrões que nós precisamos, ao nível de virtudes, ocorre pela extensão repetitiva.

Ficou claro? Essa é a primeira opção que temos e que nos propicia a conquista. Nós ganhamos pela linha contínua de ação, ganhamos na ação continuada, na horizontal aplicativa do tempo. Então, a repetição em um tempo mais extenso de fato cria marcas indeléveis em nosso íntimo, a definir que se deixarmos correr com naturalidade pode ser que nós levemos um tempo maior para a conquista.

Agora, tem um detalhe interessante: se até ontem o tempo vinha operando o encaminhamento dos nossos destinos no plano de cumprimento da lei de ação e reação, se o nosso crescimento se fazia na linha da repetição pela ação continuada e extensa, hoje nós temos a oportunidade de adotar um novo sistema de avanço no campo da evolução. Porque toda mudança de órbita, e a gente sabe, implica em um salto de qualidade. Em outras palavras, nós podemos ganhar valores extraordinários em um tempo mais curto, podemos conquistar em um período de tempo menor. Como? Por um processo de intensificação a curto prazo. Em função de um trabalho mais intenso ao nível da vontade.

Se eu utilizar a vontade eu posso, em um tempo menor, ganhar o mesmo percentual pela linha de intensificação. Isso mostra que os pontos implementados pela instrumentalidade psíquica decorrem de um tempo cuja extensão se reduzir na medida em que eu faço mais investimento. Está dando para acompanhar?

O que estou dizendo é que nós podemos, em um prazo relativamente curto, investir mais.

E o que significa investir? Investir é trabalhar no plano da prioridade em cima dos padrões.

Fazemos assim de modo a ganhar por um interesse mais aprofundado o que antes era ganho no tempo. Pela intensificação da ação, pelo aumento do nosso grau de entusiasmo, de determinação e investimento, podemos ganhar de modo mais rápido, conquistar o que queremos em um prazo bem mais curto. Os padrões passam a ser trabalhados em um tempo menor, mas de modo mais aprofundado.

Nós implementamos a vontade e, como uma consequência natural, ganhamos no tempo.

Assim, passamos a ganhar, pela intensidade e aproveitamento, o que levaríamos um tempo considerável para conquistar nos caminhos da extensão do tempo.

E cá para nós, quem não se alegraria com a ideia? Você não gostaria disso? De realizar mais, de conquistar mais em menos tempo? Este é o momento em que a gente vive.

É o mundo moderno. Hoje somos convocados a melhorar a qualidade de nossos pensamentos e de nossas ações. Somos convocados a realizar, por exemplo, em três anos, o que no campo natural do automatismo nós realizaríamos, quem sabe, em dez anos.

E esse dois processos ao qual nos referimos se assemelham de certa forma à promoção no serviço público.

No primeiro caso, em que nos referimos à linha extensiva do tempo, temos a chamada promoção do servidor público pelo critério de antiguidade. É aquele que se processa pela linha horizontal de continuidade, pela extensão do tempo, pela repetição.

No segundo, nós podemos simplesmente suplantar esse critério por uma dinâmica de intensificação. Neste, a conquista é na linha vertical ao nível das virtudes, e por esse novo método a promoção vem mais rápida. Ela se dá por merecimento. Ganhamos na verticalização do aproveitamento do tempo pela intensidade operada.

E o que a gente nota, sem nenhuma ideia fanatizante, óbvio, é que hoje estamos sendo convocados a trabalhar com o aproveitamento do tempo, com o aproveitamento dos minutos. Não quer dizer que temos que sair da paciência e entrar na linha da precipitação. Não. Nada disso. Mas o momento agora espera e exige investimento.

E para que isso ocorra é preciso que nós utilizemos de maneira ampla e determinada um componente fundamental chamado vontade. Porque a autenticidade da vontade é que é capaz de proporcionar a alteração fundamental em toda a proposta do nosso crescimento rumo a um futuro melhor. Vamos pensar nisso com carinho. Só a vontade passa a alimentar e impulsionar toda a nossa estrutura íntima. O sistema que estamos elegendo é um sistema em que a vontade tem que assumir o comando da nossa proposta de crescimento.

Aliás, a vontade e o entusiasmo nos dão condições de selecionarmos melhor os fatores e trabalharmos melhor, por meio do qual obtemos a realização de verdadeiros milagres na vida. De forma que vale a pena experimentar. E a conclusão é a seguinte: o aprendiz interessado e aplicado pode ganhar muito tempo e conquistar imensos valores se, de fato, procurar conhecer as lições e pô-las em prática.

15 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 13

A PACIÊNCIA III

Alguém que tem estudado este assunto conosco pode pensar que usar a paciência é esperar, e esperar. Só que a questão não é por aí. Porque se a pessoa ficar esperando e esperando, sabe onde ela vai parar? Ela não vai sair do lugar.

Então, para início de conversa vamos deixar uma coisa bem clara: paciência não é inércia! Ok?

Paciência é saber esperar. E saber esperar é a virtude da esperança. Até aí tudo bem. É entendimento lógico. Só que esperança não é inação. Está dando para acompanhar? Em termos práticos, significa que não vale a esperança com inércia. A pretexto de mantermos a serenidade não devemos nos demorar na inércia. 

Temos que ter paciência sim, só que paciência não é ficar parado e esperar sem fazer nada. A paciência que nos interessa não é aquela paciência acomodatícia, preguiçosa, inerte que nada favorece.

Quer alguns exemplos? A água fica parada? Não, não fica. Porque a água parada vira depósito de podridão. Esperando pelo rio ela se movimenta. E mais, sempre ajudando por onde passa. A árvore é outro exemplo de auxílio incessante. Esperando pela flor ela recebe a bênção dos frutos. E o que acontece com a enxada que espera imóvel? Nada recebe além da ferrugem que a desgasta.

Definitivamente, a paciência que projeta não tem caráter acomodatício e inerte, que apenas cansa, desgasta e nada produz. A paciência que projeta é a paciência que opera, que realiza, que faz. A paciência dinâmica, porque a dinâmica está em todos os lugares. É a paciência que trabalha ao lado da ousadia e da fé.

Paciência é ter calma, mas ao mesmo tempo investir no que se elege. É sinônimo de intensificação e continuidade. É ter calma e investir naquilo que se elege como prioridade. E perseverar nesse investimento. Daí, guarde o seguinte: não há como uma pessoa eleger uma padronização mental adequada e segura se não houver por parte dela a disposição clara e nítida de investir naquilo que busca.

Paciência consiste em fixar o objetivo. Definir, buscar e persistir. É ir firme, até o fim.

É preciso paciência para chegar porque a paciência representa a capacidade de persistir. Traduz a obstinação pacífica e silenciosa na obra que propomos realizar.

Vamos pensar juntos em uma coisa: ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é fundamental e não se discute. Certo? Mas, por outro lado, também é extremamente valioso para o nosso crescimento o exercício aplicativo da perseverança naquele componente inarredável que se chama paciência. Porque a paciência nada mais é do que a capacidade de persistir.

Então, é preciso atenção a dois pontos básicos: a paciência e a continuidade da perseverança.

Porque esperar é persistir sem cansaço e alcançar é triunfar de forma definitiva.

Ficou claro? Por isso, vai ser valioso para o nosso progresso quando conseguirmos perseverar nessa virtude, porque afinal de contas é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões.

Você já passou por aquela situação de ficar esperando durante alguns dias ou semanas por um evento importantíssimo programado para um final de semana? Um evento no qual você nutria grande interesse e grande expectativa? Tipo uma festa? E que você passou os dias anteriores com uma expectativa sem limites? Uma expectativa tão grande que você só ficava pensando nele? Parou de fazer muita coisa e ficava só esperando e imaginando, deixando as horas correrem de forma ociosa? Só esperando e desejando, sem interesse de fazer outra coisa a não ser esperar? Como se isso fosse fazer o acontecimento chegar mais rápido? Pois então, e o que aconteceu no final? Se você já passou por isso, e eu acho que a maioria das pessoas já passaram, deve saber muito bem o que eu estou falando. Em muitas situações desse tipo a gente acaba se sentindo um pouco decepcionado, não é verdade?

Eu dei um exemplo simples, mas a conclusão é uma só: a melhor maneira de esperar algo é fazendo algo.

É fazer enquanto espera. Porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona.

Você espera algo? Se sim, lembre-se: enquanto espera, opera! Enquanto esperamos, porque não operar? 

Sigamos por este caminho, porque dá certo. Sejam quais forem as minhas, as suas ou as nossas dificuldades, expectativas e objetivos, esperemos fazendo por nós mesmos e também pelos outros o melhor que pudermos. Isso mesmo, por nós e também pelos outros, porque nada na vida vale se fizermos apenas para nós mesmos, apenas visando o nosso bem estar. Esperar operando, porque aquele que opera acaba transformando o próprio mecanismo da espera. Ficou claro a lição?

A verdadeira paciência é a irradiação da alma que angariou muito amor em si mesma para dá-lo a outrem através de sua ação e de seu exemplo.

E para se ter ideia, se pararmos pra pensar na paciência perfeita nós vamos nos lembrar de quem? De Jesus, óbvio, a expressão máxima dessa virtude. Ou será que conhecemos algum exemplo maior? Em todos os aspectos da paciência é preciso lembrar Jesus. Ele mantém uma paciência sem limites para conosco. 

Repare que embora suportasse as manifestações do mal, ele jamais adotou uma posição passiva diante dele. Muito pelo contrário, sempre diligenciou meios com vistas a tudo renovar para o bem. Nunca obrigou, constrangeu ou perseguiu quem quer que fosse para que esse alguém assimilasse e incorporasse os padrões sublimes do seu evangelho de luz. E a sua paciência é tão extrema que não hesitou em regressar depois da morte ao convívio das criaturas humanas que o haviam abandonado.

Pense nisso. 

O Mestre continua a descer da espiritualidade solar e vir até nós para dissipar nossa sombra. E o que fazemos? Rebeldes e indiferentes como somos, negamos a ele a entrada em nosso coração. Sim, negamos, porque se não negássemos não seríamos tão indiferentes e insensíveis no trato com os nossos semelhantes. E mesmo assim ele não nos priva de sua presença. Continua sempre conosco.

Daí, meu amigo e minha amiga, vamos nos lembrar dessa paciência perfeita que nos beneficia a todo o tempo. E mais do que isso: vamos usá-la como roteiro para a nossa caminhada.

Vamos usar essa paciência no dia de hoje e nos esforçar para usá-la sem medida. 

E pelo amor de Deus, vamos cultivar a paciência e exteriorizá-la no trato com todos os nossos irmãos. Todos, sem exceção! Vamos aplicar isso. Mesmo que a gente resista, vamos persistir. Mesmo que a gente não entenda a razão para isso, vamos experimentar e fazer. Porque se hoje não entendemos, amanhã, com certeza, entenderemos.

12 de nov de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 12

A PACIÊNCIA II

A paciência é uma virtude complexa. E para ser mais preciso, dificílima de ser alcançada, todavia é por aí que vamos conseguir dar o recado. Assim, procurar caminhos novos e definir novas metas é fundamental e faz parte do contexto, mas uma coisa precisamos analisar: quem não adquiriu a paciência que trate de fazê-lo com urgência.

Eu não estou aqui para desanimar ninguém, mas quem não aprendeu a ter paciência vai fazer sabe o quê? Vai ficar procurando o caminho a vida inteira e não vai achar.

De forma que precisamos cultivar a paciência e aprender a exercitá-la nas mínimas situações. Aprender a perseverar em cada minuto com a paciência necessária, o que é conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. O segredo é a paciência, porque o tempo não pode ser desprezado na solução das questões essenciais. E se não adotarmos a paciência nas mínimas coisas não a teremos na conversa com o companheiro de serviço ou nas relações afetivas aos mais caros a nós.

Outro ponto que não podemos negligenciar: toda a formação (eu disse formação, não informação) de caracteres novos na intimidade, para que se solidifiquem e tornem-se condicionados e automáticos no dia a dia, exige tempo e elevada capacidade de perseverança nos respectivos ângulos. Por isso, vamos nos atentar para a importância da paciência e da persistência em toda conquista legítima.

O indivíduo para alcançar um título de doutorado tem que passar por uma série de fases antes, não tem? Tem que cumprir determinados requisitos, e com uma certa ordem. Não pode saltar uma etapa, a definir que não podemos precipitar acontecimentos. Saltar uma etapa essencial pode até nos colocar em situação de desajuste.

De forma que a paciência tem que ser acionada.

Basta reparar que o próprio livre-arbítrio começa a ser trabalhado dentro da gente de maneira sutil. Não é assim que funciona? Estamos dando exemplos comuns, mas suficientes para aprender que de algum modo nós precisamos de tranquilidade ao dar o passo.

Para se ter ideia, em todas as questões complexas em que se busca a solução nós não conhecemos o processo na sua abrangência, na sua totalidade. Pode inclusive acontecer de nutrirmos no coração uma proposta que não vai ser cumprida agora como nós gostaríamos, e sim cumprida mais à frente. Não pode acontecer? E nós entramos em pânico porque a solução não é imediata. Não raras vezes, é preciso esperar o encaminhamento natural das circunstâncias e dos fatos.

Por isso, paciência! E também não podemos ficar esperando resolver problemas de longo curso apenas com a nossa ida a uma dúzia de reuniões no núcleo espiritual em que afeiçoamos ou por meio de alguns meses de estudo do evangelho. Não é assim.

A inquietude em tempo algum resolveu problemas vultosos ou significativos. Você já pensou nisso? Busque na memória para você ver. Nossos maiores avanços e grandes conquistas não vieram em cima de estratégias de curto prazo. Não é verdade? Crescemos condicionados a querer resolver todos os nossos problemas ou conquistar todos os objetivos de forma imediata. Mas dessa forma tem jeito? Não tem. Será que temos que emagrecer tudo o que precisamos em um único mês? Ou ficar rico de um dia para o outro? Podemos fazer o que entendermos para acelerar o processo, adotar providências adequadas e eficazes, mas dentro de um limite, dentro de um nível razoável de lógica.

O ideal é mantermos o ritmo de crescimento na busca dos nossos ideais. Com determinação, sem desânimo, sem preguiça antes os acontecimentos. Está percebendo?

Vamos ser diligentes. Mas por que precipitar? Os nossos maiores avanços, e vale a pena repetir, não vem em cima de precipitações. Além do que, entre o auxílio e a solução existe sempre uma distância em qualquer dificuldade. Então, vamos manter a nossa mente voltada para o objetivo que propomos e saber ter a paciência necessária no encaminhamento dos fatos. Essa receita não sou eu quem estou dando. É a espiritualidade que nos tem feito entender assim.

A mudança é o tempo que vai operando. E isso a gente precisa ter em conta. E a paciência é o fator capaz de ir modificando o denominador de toda uma estrutura.

Está dando para acompanhar? Paciência não é, como muita gente pensa, a submissão incondicional aos reveses que possam nos atingir. Nada disso. É ela que nos conserva a calma no meio das atribulações e nos auxilia a neutralizar os contratempos que nos afligem. Ela é a ciência de se manter a paz, a energia moral que nos faz receber acontecimentos desfavoráveis com bom ânimo. Percebeu? Uma dose de paciência nos ajuda muito a não perdermos a tranquilidade, a mantermos a serenidade e um constante sorriso no rosto em qualquer situação.

E a paciência que nos interessa é aquela que permite que a nossa razão funcione regularmente e nos mostre como resolver os nossos problemas. Que nos traz a capacidade de refletir, projetar e traçar os melhores esquemas e estratégias de vida.

Acima de tudo, é a capacidade de verificarmos a dificuldade ou o desacerto nas engrenagens do caminho, buscando a solução do problema ou a transposição do obstáculo, sem toques de alarde e lances de irritação que nada mais causam que desgaste.

É a paciência que faz com que a gente não desanime ou perca o controle dos nossos atos.

Ela é o atestado nosso de valor e coragem nos dias de adversidade. Define se realmente estamos ganhando segurança, segurança que vai nos dando o que chamamos autoridade. Porque em muitas situações adversas e diante de circunstâncias decisivas nós costumamos desanimar. Não acontece? A gente fraqueja e se entrega.

Então, vamos aprender: a paciência define o nosso ponto de referência e capacidade operacional. Logo, é fundamental saber selecionar valores, pensamentos e atitudes e deixar que a serenidade gerencie as nossas ações. É importante uma marca de decisiva nas nossas realizações.

9 de out de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 11

A PACIÊNCIA I

O mundo está cheio de pessoas apressadas. Isso é fato. Pessoas que não sabem esperar, que não têm a paciência adequada de construírem a si próprias. Situam-se em um campo imediatista, querem o aperfeiçoamento definitivo e finalístico alcançado de um dia para outro.

Milhões delas pensam assim: "Eu vou na igreja tal ou vou no grupo tal uma vez por semana e resolvo o meu problema espiritual". E acham mesmo que dessa maneira, só com essa atitude, solucionam toda a questão intrínseca.

Mas eu posso ser sincero? A questão não é assim. Essa concepção define um erro muito triste. Aliás, posso até dizer mais, é duro escutar esse tipo de coisa. É uma falha lamentável esse tipo de pensamento. É uma frustração na base. O problema não é solucionado de forma tão periférica e simples assim. A questão é o nosso campo íntimo.

Para se ter ideia, cada reunião espiritual que a gente vai nos dá um peso a mais para conscientizar. À medida em que assimilamos padrões novos que nos são canalizados, passamos a observar que temos que aguardar a maturação deles em nosso íntimo.

Você já deve ter tido aquela sensação de que os dias e as semanas tem passado rápidos. E um dos problemas que tem feito a humanidade sofrer hoje em um mundo em convulsão é essa tentativa de querer erguer a felicidade da noite para o dia.

Pense nisso. Tem criaturas com mentalidade tão objetiva que não sabem esperar.

Sabe o que elas fazem? Saem desembestadas de qualquer jeito que nem um trator, derrubando tudo. É fato que a misericórdia divina nos deu a paciência, mas muitas criaturas humanas simplesmente não trabalham a paciência. Infelizmente, nós todos nos incluímos nisso. E grande percentual de pessoas, por negligenciarem essa questão tão importante, não trabalham a paciência. Transitam pelos caminhos da vida envolvidas em um sistema difícil e complicado chamado impaciência e irritação, para depois, cedo ou tarde, caírem frustradas e em desalento.

A perda energética que ocasionalmente sentimos não resulta tanto do acúmulo de problemas que carregamos. Deriva da ansiedade. A deficiência geralmente nasce da aflição com que aguardamos de forma ansiosa os resultados de nossas ações, desejosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra. Porque esperamos resposta do mundo aos nossos anseios e esquecemos que tanto no bem quanto no mal tudo tem o seu tempo: primeiro vem a semente, depois os frutos, e não pode ser diferente.

Então, de que adianta a gente se afligir? A aflição não apressa o resultado das coisas.

É por aí que muitas vezes complicamos nossa jornada, por impaciência ou falta de capacidade de persistir.

E quanto mais nós aprendemos e passamos a entender a dinâmica da própria vida, mais nós descobrimos a dimensão da nossa ignorância e da nossa fragilidade.

Assim, de cara precisamos desativar o fulcro irradiador negativo para que os valores positivos floresçam, porque por ser apressado e aflito nós perdemos momentos felizes, obcecados por uma estratégia que montamos com a nossa visão imediatista, quando na verdade a marcha evolutiva é uma marcha acanhada, gradativa.

Repare para você ver: você pode fazer um projeto e planejar uma casa de um dia para outro, não pode? Todavia, ela com certeza vai ter que ser erguida com determinado plano de bom senso. Quer dizer, você poderá até contar com técnicas capazes de acelerar o processo de construção, mas de qualquer maneira ela vai ter que começar de baixo para se erguer, tijolo a tijolo, bloco a bloco.

Eu não estou aqui para dar lição de moral. Longe disso. Mas muito dos nossos erros, fracassos e lástimas no campo da aprendizagem são decorrentes sabe de quê? Da nossa pressa. Já pensou nisso? Daí, não vamos ficar nessa de torpedear a marcha natural dos acontecimentos. O crescimento pressupõe uma metodologia de continuidade, razão pela qual na nossa estrutura educacional, psíquica e espiritual, é preciso desativar a pressa. Correria não dá, não adianta correr na evolução.

Temos que saber esperar e aproveitar cada momento, saber se manter tranquilo interiormente para aproveitar cada momento que a misericórdia nos concede. Ter a maleabilidade e o jogo de cintura para aproveitar cada instante. Sabe por quê? Porque as oportunidades voltam no tempo, mas o tempo não volta. Perdeu a oportunidade? Aquela não volta mais. Percebeu? Pode voltar uma semelhante, não aquela.

Vamos ser diligentes e determinados, óbvio, mas vamos também saber esperar.

A paciência, antes de qualquer coisa, é a ciência da paz. E a paz representa o quê? Um encaminhamento sem pressa, sem precipitação. E a ideia é essa mesma: ser paciente.

Pense para você ver, para que a espera represente uma conquista efetiva nós temos aprendido em várias lições a importância de saber esperar. Podemos citar alguns exemplos: O fruto que alimenta representa, às vezes, um ano inteiro de trabalho silencioso de uma árvore. E outro detalhe, interessados no fruto de uma árvore, não o colheremos antes do momento justo. Embora nos atormentemos com a escuridão da madrugada, não adianta que a alvorada não brilha antes da hora prevista. E todo o progresso humano surge da paciência divina.

Jesus tinha os olhos voltados para Saulo de Tarso, não tinha? E o que ele fez? Precipitou? Apressou as coisas? Não. Ele teve a paciência de esperar a hora certa de se aproximar, fazer o contato e aguardar a resposta de Saulo. Em suma, essa é a paciência que importa, sem a qual não conseguimos evoluir, não conseguimos crescer.

E outra coisa que nós temos aprendido e que é fundamental levar na caminhada é que nos lances de crescimento não se dá passos efetivos e finalísticos em um espaço curto de tempo. Isso é algo para se ter em conta. Para evoluir a paciência tem que ser chamada. Sem paciência nada importante vai para a frente, qualquer projeto resulta em frustração. De forma que ser quisermos crescer vamos precisar de uma medida de paciência. Não podemos dispensar as soluções vagarosas.

Aliás, a paciência é um componente fundamental para a libertação. Ela é a virtude que afere a legítima conquista. É um sistema vigorante que toda metodologia de elevação pressupõe, motivo pela qual não dá para menosprezá-la.

20 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 10

GUARDAR E RETER

“SE ME AMAIS, GUARDAI OS MEUS MANDAMENTOS.” JOÃO 14:15

“E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS.” MATEUS 19:17

“NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIABO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÉ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“25MAS O QUE TENDES, RETENDE-O ATE QUE EU VENHA. 26E AO QUE VENCER, E GUARDAR ATÉ AO FIM AS MINHAS OBRAS; EU LHE DAREI PODER SOBRE AS NAÇÕES.” APOCALIPSE 2:25-26

“LEMBRA-TE, POIS, DO QUE TENS RECEBIDO E OUVIDO, E GUARDA-O, E ARREPENDE-TE.” APOCALIPSE 3:3

“EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:11

As escrituras sagradas em várias passagens nos sugerem guardar o que temos.

E espiritualmente falando, importa saber que se nós quisermos crescer daqui para a frente, de maneira efetiva, se quisermos avançar, vamos ter que saber guardar.

Tudo bem, isso é ótimo, mas a gente tem que saber o que é guardar. Temos que saber afinal de contas o que significa isso, o que vem a ser guardar. Porque a gente sabe que precisa guardar, o ensinamento é bem claro nessa questão.

De princípio, guardar nos dá uma ideia de acondicionar. Mas vamos depreender que não se trata de por no guarda-roupa, inserir numa gaveta, colocar em uma dispensa, na geladeira ou tão somente arquivar na nossa memória. Nada disso.

Esse ato pressupõe antes de tudo certo cuidado, um critério de nossa parte, porque como alguém vai guardar alguma coisa se não tiver cuidado com essa coisa?

Em tese, o que guardamos são coisas de valor. Guardamos valores. E existem valores guardados que as pessoas nem usufruem. Concorda? Ficam guardados, mas pessoas não se valem deles, não usufruem. Como valores guardados em um cofre, por exemplo, ou em um banco. Ficam lá, às vezes, por longos anos. Daí, vamos entender que os valores servem para ser utilizados, para serem usufruídos.

Pois se vamos guardar é porque trata-se de uma coisa boa, de algo que possui algum valor, que é importante para nós. Uma criatura em perfeito juízo não vai guardar uma coisa só por guardar, não vai guardar o que não lhe interessa, que não seja importante, que não tenha utilidade. Então, espiritualmente falando a primeira coisa que nos importa saber é que é guardar no sentido utilitário. Ou seja, guardar é manter no íntimo valores que temos para poder realizar com eles.

Ficou claro essa questão? No que diz respeito aos valores do evangelho, não nos interessa decorar a mensagem, o essencial é guardá-los no sentido afetivo, no sentido essencial. Define com muita tranquilidade que nós temos que reter as informações assimiladas ao nível da persistência. Para quê? Para serem utilizadas de forma segura. E sabe quando? Diante das circunstâncias que nos chegam.

Guardar tem por objetivo manter os caracteres positivos acesos no sentido de aplicabilidade.

O guardar é no sentido operacional. Guardar os mandamentos significa operar com eles. Guardar os valores assimilados no campo perceptivo e intelectivo é realizar com eles.

Então, para nós realizarmos as conquistas que são importantes para nós é preciso reter e guardar ao nível da aplicação.

E algumas passagens vão além, definem que nós temos que ser fiel até o "fim" ou até a "morte", a definir que a fidelidade é fundamental. Agora, eu só espero que você não fique pensando que esse fim é até o fim da vida. Não! É ser fiel até o fim de uma etapa, fim de um período, que pode ser mais longo ou menos longo, até o fim de certos acontecimentos, até a meta final de cada lance, fiel até a realização de cada proposta que levamos a efeito. É permanecer sem esmorecer e mudar de intento.

E ser fiel até a morte!

Mas você sabe que morte? A morte dos caracteres que trazemos no íntimo. A desativação dos padrões que tinham conotação positiva, no entanto passamos a vibrar em novo patamar e eles alcançaram coloração negativa, mas ainda representam expressão viva dentro da gente. Morte dos conceitos que mantemos e que não atendem mais os nossos anseios de reconforto. Morte das concepções e ideias que nutrimos em uma época que não justifica mais eles estarem presentes.

E uma coisa é fato: é com o decorrer do tempo que nós fixamos os novos padrões.

E como a formação (a ação aplicativa) vem depois da informação, o que nós precisamos fazer? Precisamos reter o que possuímos. Então, se guardar significa manter, reter equivale a perseverar. Acompanhou? Pois se vamos reter é sinal que aquele valor já está guardado, ele já penetrou a nossa faixa íntima e foi acondicionado.

O componente novo que chegou foi incorporado ao meu terreno, e eu tenho que reter.

E como é que retém? Buscando trabalhar o valor no plano aplicativo, que é o plano de fixação.

É retendo os padrões recebidos no sentido de aplicação constante com eles que eu começo a gestar caracteres novos em mim. E eu começo a perceber que o que recebi informativamente consegue se formar. Quer dizer, o que era informação, o que era uma espécie de esboço, passa a adquirir forma, passa a constituir novos padrões consolidados. E por que isso acontece? Porque na minha faixa de ação eu fiz, na minha órbita eu apliquei, eu realizei. Ok? Isso é reter.

Logo, em qualquer área imaginável da vida não há como progredir sem reter e fixar.

É necessário insistir para que os novos padrões ganhem corpo. O que também nos auxilia nos momentos difíceis.

O grande desafio nosso, sem sombra de dúvida, é saber manter a perseverança na continuidade para a fixação dos padrões novos que estamos ingerindo. Investir e sustentar o investimento. Conseguir perseverar no serviço de forma firme.

Para crescer não tem outra, o trabalho da alma requer fixação, aproveitamento e continuidade. Porque é dentro de um processo de constância que nós vamos dando passos.

Por isso, pense bem: para obtermos a melhor parte da vida é preciso servir e marchar incessantemente para que não nos modifiquemos em sentido oposto à expectativa superior.

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