14 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 10

O VERDADEIRO EDUCADOR

Uma pessoa para ensinar alguma coisa só precisa ter conhecimento intelectual da matéria, certo? Quer dizer, em muitas situações basta somente uma leitura, um pouco de conhecimento e pronto, está resolvido. Razão pela qual o professor muitas vezes não é senão o canal dos ensinamentos.

E o professor pode até ser ótimo, mas pode acontecer dele falar e ninguém entender absolutamente nada. Sem contar que se ele não souber envolver a matéria ele conta caso o tempo todo durante a aula, acha que ensinou e não ensinou nada. Ele chega em casa e diz: "minha aula hoje foi uma beleza." Ele acha que foi, mas não foi nada. Pelo contrário. Foi um saco, foi até difícil de aguentar.

Está percebendo? Então tem que haver uma linha de conexão. Tem muito educador que esclarece, no entanto rodeia e nem sempre mexe no cerne da questão. Ele faz apenas uma abordagem bem periférica. Não tem disso? E não tem tanta gente que manipula multidões e no fritar dos ovos não transmite nada?

Nós que vivemos envolvidos com os estudos temos que fazer nosso trabalho com humildade e tranquilidade, principalmente levando conteúdo, que é o que está sendo exigido nos dias de hoje. E para ensinar com êxito não basta apenas conhecer as matérias do aprendizado e ministrá-las. É preciso mais. Antes de tudo, é preciso senti-las e viver-lhes a substancialidade no coração. Porque ensinar é um ato de amor e não adianta operar em amor usando puramente a base racional.

Assim, pense para você ver: o evangelho trabalha o raciocínio, mas ele tem como sobreviver ou se expressar sem o sentimento? Não tem. Para se sensibilizar alguém é preciso mais do que mostrar conteúdo, é preciso trazer no íntimo a luz do amor. É preciso sentir, é preciso vibrar, é necessário ter a chama da alegria e o calor do entusiasmo. De onde a gente conclui que o educador, se ele não amar, ele pode ter toda a técnica, todo o conteúdo, mas não tem a autoridade.

Por outro lado, o professor sincero permanece sempre com bases seguras e tranquilas. Ele pode até ensinar com com uma certa firmeza pessoal, mas é acessível. Ele será sempre o reservatório seguro da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem sem privar-se da fortuna espiritual de si mesmo.

Nem sempre são as palavras que convencem, mas o sentimento irradiante com que elas são estruturadas. 

A conclusão é uma só: o educador quando ele está interessado em ajudar, e não estamos falando apenas em ajudar no plano meramente instrutivo, mas sim no plano educacional, se ele não amar ele não tem autoridade. Percebeu? Ele pode ter a técnica, pode estar perfeitamente dentro do figurino, mas ele não tem autoridade.

Daí a gente nota que o êxito de um professor em muitos casos está no carinho que ele usa para cuidar e direcionar seus alunos. Até hoje, o maior educador de todos os tempos que nós conhecemos é Jesus. E autoridade ele tem porque nos ama. Aliviava os sofrimentos e prendia as criaturas pelo coração. Fazia seguidores numerosos e sinceros com sua autoridade e seu magnetismo sem precedentes, muito mais do que se apenas os maravilhasse com espetáculos para os olhos.

Então, nós precisamos saber o que estamos fazendo e não podemos nos desvincular em hipótese alguma do plano operacional. É simplesmente impossível evangelizar sem testemunho. 

Um ótimo educador, por exemplo, pode ter muito material e potencial técnico, no entanto, a legitimidade do seu conhecimento é pelas experiências que adquiriu no manuseio na área durante anos. Nas linhas aplicativas do conhecimento, das estratégias de controle da turma e como é que ele atua com esse ou com aquele aluno. Perfeito? E essa autoridade só se alcança mesmo no campo da prática.

É por isso que evangelizar é mais do que educar, da mesma forma que educar é mais do que instruir.

Existem pessoas que instruem, pessoas que educam e pessoas que evangelizam. E o educador legítimo, o que ele faz? Vai até a intimidade do educando e o sensibiliza, para que o educando assuma a responsabilidade de sua transformação.

7 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 9

CAMINHO, VERDADE E VIDA

É muito comum da nossa parte em vários momentos usarmos a palavra buscando mostrar caminho para os outros. Não é? Todos nós ficamos uma vez ou outra, sem exceção, tentando mostrar o caminho adequado para as outras pessoas.

Mas uma grande verdade é que o homem para auxiliar no presente é obrigado a viver no futuro da raça. Espero que tenha dado para acompanhar o que eu falei agora. Nós vamos fazendo o caminho à medida em que vamos caminhando no campo do conhecimento, sem termos que ser sábios no conhecimento. Por enquanto, nós ainda precisamos falar para gravar o que é preciso fazer, nós temos que falar para termos forças para fazer o que falamos.

E ninguém pode ensinar caminhos que não tenha percorrido.

Sem essa característica o ensinamento é quase sempre nulo. O companheiro que ensina a virtude, vivendo-lhe as grandezas em si mesmo, tem o verbo carregado de magnetismo positivo, estabelecendo edificações nas almas que o ouvem. E esse contágio pelo exemplo não constitui apenas um fenômeno ideológico, está para além disso. Caracteriza um fato científico da mais alta significação nas manifestações magnéticas e mentais.

Repare que o evangelho tem ensinado que a questão não se resume ao caminho. Certo? É caminho, verdade e vida. A definir que o caminho tem que levar a algo. O caminho tem que ser direcionado para um objetivo. Tem que ser apontado para a verdade. E o que a gente conclui? Que para mostrar caminho para alguém, de forma efetiva, nós já temos que nos situar no patamar da verdade.

Ficou claro? Para poder apontar caminho nós temos que ter uma visualização ou uma identidade com a verdade. Porque caminho para caminho não dá, não chega a lugar nenhum. É um cego guiando outro cego. Está dando para entender? Para poder ensinar tem que ser um, em tese, que já enxerga. Afinal, nenhum de nós em sã consciência pode apontar a outro caminho que não vive ainda.

Em outras palavras, para poder cooperar é preciso ter autoridade. Aí nós entramos em um terreno complexo.

Autoridade é uma condição integrante do processo em que a razão homologa e o plano concreto e aplicativo aponta. Ela, sem dúvida alguma, faz parte do mecanismo educacional do ser humano, e tanto faz que quando nós investimos em um professor o fazemos porque vemos nele autoridade. Só que existem dois fatores que precisam ser analisados nessa questão: a autoridade decorrente da faixa informativa e a autoridade moral conquistada para se atuar em qualquer circunstância.

Vamos explicar? O campo informativo soma muito na autoridade de alguém e disso a gente sabe, não é verdade? Aliás, até dizemos mais, é muito bom poder conversar com quem conhece intelectivamente. Só que é preciso atenção, porque a autoridade não é apenas a autoridade do argumento, aquela que o campo racional simplesmente aceita, homologa e pronto. Ela não se encontra estruturada de forma absoluta no plano informativo do candidato que quer operar, porque o conhecimento nem sempre apresenta uma relação direta com a autoridade moral daquele que potencialmente conhece. Deu para acompanhar?

Isso é algo que tem que ficar claro para o nosso entendimento. Apenas é capaz de mostrar caminho quem já está palmilhando o caminho no plano formativo de caracteres novos. Percebeu? O plano formativo, não apenas o plano informativo.

Para que eu mostre o caminho para alguém eu tenho que ter pelo menos, em parte, uma compreensão da verdade. Não é caminho, verdade e vida? Porque se eu não tiver pelo menos a noção de crescimento que eu estou buscando, eu não sou capaz de dar o recado que é de se esperar. E a coisa segue. Para que eu possa auxiliar uma criatura na elaboração da verdade, eu preciso de quê? Preciso já ter conquistado a vida ou, no mínimo, já conseguir discernir o que seja a vida na sua essencialidade.

Então, nós podemos afirmar com toda a certeza que só tem autoridade real aquele indivíduo que trabalha procurando exercer o amor. Aquele que ama, ou que está tentando amar com segurança, que está apontando caminhos de enquadramento em postulados novos.

A nossa autoridade, e isso é importante de entender, por mais que venha a crescer ela sempre vai ser relativa. Ok? Nunca vai chegar ao percentual de cem por cento da autoridade divina do Cristo. Nunca. Então, ela vai ser sempre relativa.

E dentro dessa relatividade o nosso grau de autoridade é variável. O que eu quero dizer? Que na escala de vivência, ele tem um sentido direto e amplo em cima daquilo que a gente faz, tem um sentido menor com base naquilo que a gente não faz ainda mas está querendo fazer, e sentido nulo no que a gente fala, todavia não se esforça nem um pouco e não está nem aí pra fazer. Assim, em termos de autoridade, quando se fala algo que se faz a autoridade é 100%. Quando eu falo aquilo que eu vivo, quando eu falo daquilo que eu faço, a minha autoridade é 100% magneticamente daquilo que eu estou falando. Concorda?

E quando eu falo algo que não faço, mas que eu quero fazer, baixa um pouco o meu percentual.

Está entendendo? Eu posso falar muita coisa que é a minha aspiração de fazer, e nesse caso eu tenho uma semi autoridade. Então, se eu falo aquilo que eu não vivo, mas que estou lutando para viver, vamos supor que eu tenha 50% de autoridade.

Eu posso até estar exagerando, mas a minha palavra pode trazer um percentual de 20% de capacidade operacional no que eu falo, bem como em outros aspectos eu possa ter 80% naquilo que eu estou empenhado em operar.

Deu uma ideia? Então, o que acontece? Ao dialogar com alguém, tentando transmitir um componente novo informativo, eu posso levar sem medo um valor que eu não vivo ainda, mas que eu estou lutando amplamente para viver.

Afinal, tem momentos que a gente fala algo com autoridade, mas que nem sempre é uma autoridade total. Por quê? Porque nós não pisamos no degrau. Percebeu? Nós estamos laborando o degrau. Porém, tem outro aspecto muito importante: é apontando o caminho com autenticidade pessoal que nós conseguimos forças para superar a nossa falha pessoal. E o fato de estarmos laborando o degrau já nos confere uma autoridade capaz de mostrar e indicar a escada, mostrar o estágio ou o local em que ela está situada. Conseguiu acompanhar?

E, por outro lado, o percentual de autoridade é nulo quando eu falo de uma coisa que eu não estou nem aí para fazer. Quer dizer, naquelas coisas que eu fico falando, mas não quero nada com elas. Que não passa de conversa joga fora. Façam os outros, mas eu não quero fazer, não me interessa, eu não quero nem saber.

E à medida em que a nossa autoridade vai se fundamentando e se expressando pela capacidade operacional, o que acontece? A nossa presença passa a ter bem mais força, porque ela passa a embasar-se naquilo que fazemos e não apenas naquilo que nós pensamos e propomos. Ela passa a ser uma autoridade pelo que conquistamos de maneira efetiva, e não somente pelo que detemos de forma provisória.

E é óbvio que essa autoridade se amplia gradativamente na proporção em que a gente percorre o território da aprendizagem. Porém, uma coisa é interessante: nós não temos que ter uma conquista formativa antes para depois sair apontando. Deu para entender? O regime de apontamento define que eu tenho plenas condições de mostrar onde fica determinada cidade, por exemplo, embora eu não conheça todos os bairros dela. Percebeu? O fazemos porque temos um conhecimento relativo, temos uma visão. É assim que se dá a sistemática e o regime de crescimento. Por isso a gente não tem que se preocupar tanto.

Além do que, qualquer ciência, e nós sabemos disso, quando ela consegue provar um fenômeno qualquer, quando ela alcança certo patamar de esclarecimento, aquele conhecimento prova algo e, por um outro lado, abre uma série de incógnitas.

Por enquanto nós ficamos nessa posição. Falamos o que não é nosso e ficamos pensando em fazer o que estamos querendo aprender. Mas ao passo em que vamos falando o que não é nosso, vamos fixando os padrões na nossa intimidade.

E na proporção em que passamos a colocar em prática o que assimilamos, uma soma de caracteres vai se transformando, ou seja, o que é aprendizado intelectivo passa a ser conquista. De forma que o homem que prega o bem deve praticá-lo, se ele não quiser que as suas palavras sejam carregadas pelo vento como o eco produzido por um tambor vazio ao ser batido. E se eu não fizer aquilo que eu falo, não adianta que eu jamais vou conquistar aquele valor.

1 de mai de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 8

MESTRE E DISCÍPULO II

“24NÃO É O DISCÍPULO MAIS DO QUE O MESTRE, NEM O SERVO MAIS DO QUE O SEU SENHOR. 25BASTA AO DISCÍPULO SER COMO SEU MESTRE, E AO SERVO COMO SEU SENHOR.” MATEUS 10:24-25

Quando Jesus colocou que o discípulo não é mais do que o mestre e que o servo não é mais que o senhor, o que é que ele quis dizer por trás disso? Vamos pensar. O que é que está embutido nisso aí? Que nos situamos em uma chamada bipolaridade. Então, no campo da nossa evolução não tem como separar o mestre do aluno.

A princípio, somos todos educandos. Não ficou claro isso? Não tem como negar. Todavia, precisamos avocar também a posição de educadores. Se, de um lado, nós somos os aprendizes e alunos de uma classe, de outro também temos um papel de cooperação e ajuda efetiva. Além do que, somos discípulos, mas no fundo o que todo mundo está querendo é ser mestre. Certo? Ou nós não estamos entendendo isso? Na grande busca que elegemos, em que cada qual está buscando parâmetros mais ampliados de evolução, a gente não tem que ser só aluno.

Em muitos momentos nós somos o passivo. Porém, para sermos um passivo capaz de captar tudo que o ativo tem para transferir, nós precisamos ter um ideal profundo no coração. Uma vontade grande de ser útil ao semelhante que vai receber de nós parcelas do aprendizado recebido. Temos que sentir uma vontade de transferir aquilo depois a quem necessitar. Temos que ter dentro de nós aquela disposição de trabalhar os valores recebidos ao nível de aplicação desse ensinamento.

Daí, quando buscamos dentro de nós mesmos a vontade de aprender e assimilar, passamos a notar que o êxito efetivo na aprendizagem, como discípulos, encontra-se diretamente na linha direta de capacidade de dinamização.

Dentro de cada um de nós não existe apenas a capacidade de receber o valor de cima. 

O discípulo também tem uma capacidade de operar, embora ele não perca nunca essa condição de discípulo. De forma que o discípulo tem plena condição de operar e deve fazê-lo, embora sem nunca perder essa condição de ser discípulo.

Além do que, nós apenas seremos bons aprendizes se nos capacitarmos a oferecer a nossa cota operacional nessa dinâmica da aprendizagem. Ficou claro?

Ninguém educa a quem quer que seja sem entrar em relação com o ambiente, com as situações, com as coisas e com as paisagens. Para podermos mostrar a nossa posição de bom discípulo, de bom aprendiz, nós temos que saber ativar a parte já incorporada no campo do esclarecimento. Pois o aluno que não se predispõe a praticar jamais penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres.

O que recebemos só vai ser incrustado em nossa personalidade pelo ato de nós fazermos.

Então, tem momentos em que a grandiosidade do discípulo está exatamente naquele postura de mestre. Isso é bonito demais. Por mais que nós tentemos ser discípulos, não há como alcançarmos o estágio seguinte senão investindo nessa posição de mestre. Não tem discípulo eficientemente ajustado sem a devida incorporação da condição de mestre. O verdadeiro discípulo tem que mostrar a sua capacidade de ser bom discípulo utilizando a sua característica mínima de mestre.

E a conclusão é uma só: para ser bom discípulo tem que lutar para ser bom mestre. Para ser bom aprendiz nós temos que sentir uma vontade de fazer, orientando, ajudando e servindo aos outros na pauta que nos é própria realizar.

O processo de educação, toda a metodologia pedagógica que ele envolve, é algo muito bonito e cheio de nuances. Vai pegando cada individualidade no seu respectivo patamar, porque cada um se situa em uma faixa específica. Quando Jesus fala que “não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu Senhor” (Mateus 10:24) ele faz referência a dois componentes: discípulo e servo.

E ele quis definir, pelo que nós conseguimos depreender, que não tem como o discípulo ser mais do que o seu mestre. E isso é uma grande verdade, não é? Não tem como.

Para se ter ideia, por exemplo, um soldado não sabe o pensamento de um general. Sabe? Ele não tem o alcance administrativo e estratégico de um general. Aliás, o dia em que o soldado estiver abrangendo todas as estratégias e toda a base de fundamentação de seu superior é bem possível que debande tudo, que vá tudo por água abaixo. E indica para nós que existe um grau de revelação, quer dizer, que os nossos superiores, os que nos dirigem, conhecem com aprofundamento toda a marcha do progresso ao passo que nós nem sempre podemos conhecer. Serve para evitar a precipitação e a incoerência, atropelos diversos no percurso da jornada. É um ponto muito importante para nós. Tudo tem o seu tempo. Logo, tem pontos nessa marcha que nós temos que vivenciar.

E quando Jesus fala que não pode ser o discípulo mais do que o mestre, entre outras coisas, Ele está dizendo o quê para nós? Que Ele, Jesus, está ajustado na posição de mestre porque Ele é um bom discípulo perante Deus que está no céu.

Conseguiu perceber? Porque a maioria das pessoas não consegue penetrar na grandeza desse ensinamento. Ou melhor, não consegue ou não quer. Então, para ser um bom mestre tem que ser um excelente discípulo. Jamais será um mestre por excelência aquele que não for um excelente discípulo. Só pode ser uma criatura dotada de positividade segura e equilibrada aquela que é positiva na recepção.

Apenas seremos bons mestres se nós formos bons discípulos. Se não formos bons discípulos nunca seremos mestres adequados. Só podemos ser criaturas capazes de auxiliar efetivamente, como mestres, se formos bons alunos e bons servos.

Ficou claro? Porque existe uma linha de relação em que o equilíbrio se dá entre a condição de ser um mestre eficiente em decorrência de se ter uma postura de um bom discípulo. Só é capaz de ensinar aquele que sabe aprender. O dia em que desconectarmos a válvula de discípulo nós perdemos inteiramente o título de mestre. E para sermos bons discípulos, temos que ser o quê? Humildes.

Somente será bom mestre o que for um excelente discípulo. 

Nós temos que ser conscientes na posição de aluno para começarmos a dar uma de professor. O indivíduo, para alcançar altos objetivos na vida, deve reconhecer a sua condição de aprendiz extraindo proveito das experiências. E quanto mais o aprendiz alcança do mestre a esfera da influenciação, mais fica habilitado para constituir-se seu instrumento fiel. Não só como o aluno que ouve e entende, mas que procura agir conforme o que recebe. Porque as atividades vão sendo outorgadas ou conferidas de modo gradativo e continuado segundo o grau de capacidade de cooperar e servir. Eu apenas serei um excelente administrador no campo positivo da vida se for excelente receptor dos valores que vem de mais alto.

E tem também a questão da obediência, porque para podermos atuar de forma positiva em determinado campo ou terreno nós temos que ser criaturas submissas positivamente falando ao centro a que estamos posicionados. Ok? Daí, eu sairei um excelente discípulo se eu estiver sensível à orientação superior.

Tem muita gente, por exemplo, que fica ansiosa e eufórica com a ideia de ser chefe. Não tem? Mas é importante entender que quem não sabe obedecer nunca será um bom chefe. Nunca. Sem exagero, não tem jeito. Apenas será um excelente comandante aquele que for um subalterno confiável. Por outro lado, aquele que sabe obedecer pode ficar tranquilo, porque no dia em que tiver que exercer um comando, uma direção, vai ser feliz porque vai ser ouvido e obedecido.

20 de abr de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 7

MESTRE E DISCÍPULO I

“24NÃO É O DISCÍPULO MAIS DO QUE O MESTRE, NEM O SERVO MAIS DO QUE O SEU SENHOR. 25BASTA AO DISCÍPULO SER COMO SEU MESTRE, E AO SERVO COMO SEU SENHOR.” MATEUS 10:24-25

O mestre nós sempre vamos entendê-lo como sendo aquele que pode ensinar aos outros.

Porque ele reconhecidamente tem mais sabedoria ou capacidade de ação. Isso tem que ficar claro. Jesus, por exemplo, o mestre supremo, sabe, enquanto nós estamos aprendendo a conhecer.

Apóstolo significa enviado. Assim é chamado o que propaga uma ideia ou doutrina, razão pela qual um apóstolo é bem mais que um discípulo, óbvio. Ele é o que opera em nome do mestre, é o que representa o mestre, motivo pelo qual pode-se dizer que todo apóstolo é um educador por excelência. Pode-se dizer, com tranquilidade, que ele é um condutor do espírito. E discípulo, por sua vez, é aquele que aprende. É o que se acha em fase de aprendizagem, que está aprendendo, que está assimilando. E esse título de discípulo é conferido pelo divino mestre a todos os homens de boa vontade, sem distinção de situação e classe.

E preste atenção no seguinte porque é importantíssimo: diante da grandeza do universo todos nós somos sempre alunos. Disso nós não temos como nos esquivar.

De algum modo somos o discípulo ou o aprendiz e nunca poderemos abrir mão disso.

É algo muito claro. Por mais que possamos transferir padrões recebidos para o plano operacional de cooperação e ajuda, auxiliando a outros na linha de aprendizagem, nunca perderemos a nossa condição de alunos e aprendizes. O professor tem certos conhecimentos que o aluno ainda não tem, certo? Porque o que o aluno tem é proposta de aprendizado. Mas por maior que seja o investimento no mecanismo de educação de alguém, por mais ampla que venha a ser a sua transferência da informação para o plano prático, por mais extensa que seja a sua capacidade de fazer e operar conforme o aprendizado, ele nunca perderá a condição de discípulo.

É um fato. Então, não adianta achar que chegamos ao topo do conhecimento e ponto final. 

Por mais que saibamos nós sempre teremos coisas novas para aprender, porque o aprendizado não cessa jamais e nós sempre teremos nossos preceptores ou professores acima de nós. Sem contar que o título mais extraordinário de um mestre ou professor é o reconhecimento natural de ser discípulo ou aluno.

O ensinamento define de forma clara que todos nós temos duas posições que trabalham conjugadas. Ou seja, na aprendizagem somos todos discípulos e também mestres.

Neste mundo, todos os homens são, ao mesmo tempo, mestres e discípulos. Todos ensinam e aprendem. No fundo, todos nós, sem exceção, temos a capacidade ou condição de recolher como aprendiz e cada um de nós tem, ao mesmo tempo, facetas para cooperar, ajudando e auxiliando nos níveis mais diferenciados.

Ficou claro? Por um lado, mobilizamos a linha de passividade pela qual recebemos os direcionamentos ativos daqueles que podem nos ajudar, e por outro nós temos também a linha ativa que nos dá condições operacionais junto daqueles que passivamente entram em relação conosco. Então, temos sempre um papel de aprendiz conjugado a um papel de cooperação, de colaboração e de professor.

O professor trabalha com o aluno, certo? Todavia, aquele que ensina também aprende.

Se enganam aqueles que acham que por ele estar na frente ensinando ele não está aprendendo nada, que ele está apenas ensinando. O professor também aprende muito durante a aula. É claro que aprende. Afinal, o professor também está embasado na mesma proposta educativa. Para se ter ideia, é muito comum alguém situar-se como aluno de um terceiro e, ao mesmo tempo, professor de um outro. Normalmente, um professor é aquele que sabe estudar. Concorda? Ele está sempre em um processo de aprimoramento e de melhoria de recursos, tanto de recursos informativos como de recursos técnicos para desempenhar melhor o seu trabalho. Sem contar que o professor, muitas vezes, é um necessitado tão grande ou maior de aprendizado que os alunos de sua turma.

E o ensinamento vai além: "Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu Senhor." (Mateus 10:25)

Então, uma coisa é fato, nós nunca estamos na posição isolada de discípulos ou de mestres. Nunca. Se você acha que não é mestre, esquece isto. Você está enganado. Pois guardada a devida distância, claro, todo mundo no planeta tem um pouco de mestre.

Mas o discípulo não é aquele que sai fazendo as coisas em nome de Jesus naquele sentido de realizar conforme as suas instruções: "Eu estou aqui em nome de Jesus, sou o novo discípulo, e pronto". Não. Não vamos exagerar. Também não é por aí. Vamos entender: o discípulo é aquele que naturalmente está aprendendo.

Mas no fundo temos que levar em conta que o discípulo tem responsabilidade também, e ninguém vai evoluir de forma efetiva se não avocar o título de mestre. Ficou claro agora? Isso é algo bonito demais de entender. Mostra que o discípulo, no plano consciente, tem que envergar a condição de mestre. Um tem que ser igual ao outro. Isto é, pela capacidade de discípulo nós recebemos informações e pelas possibilidades de mestre nós fixamos o conceito e o adquirimos de modo definitivo. Por outro lado, todo aquele que se predispuser a ensinar sem se esforçar a aprender, jamais será um bom instrutor.

14 de abr de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 6

O NOME II

“O QUE VENCER SERÁ VESTIDO DE VESTES BRANCAS, E DE MANEIRA NENHUMA RISCAREI O SEU NOME DO LIVRO DA VIDA; E CONFESSAREI O SEU NOME DIANTE DE MEU PAI E DIANTE DOS SEUS ANJOS.” APOCALISPSE 3:5

Você sabe como era feito o registro de pessoas naquela época? Era feito mediante a inserção do nome em um livro. Quer dizer, o nome das pessoas era colocado em um livro, era listado. O nome era um processo de identificação pessoal. Está percebendo? Nascia, recebia um nome e alguém colocava esse nome na lista.

O fato do nome estar escrito no registro significava que a pessoa estava viva, que ela tinha determinados direitos. E quando a pessoa morria o nome era retirado. Se procurasse o nome e não o achasse, significava o quê? Que a pessoa morreu. Retirar o nome significava a morte ou a perda de todos os direitos do indivíduo. E, saindo dessa linha literal para o aspecto espiritual abrangente, retirar o nome do livro da vida equivale de alguma forma a perda de direitos.

Vamos tentar clarear o assunto um pouco mais. O apocalipse diz assim: "Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome." (Apocalipse 3:8) 

O nome, no sentido ampliado, essencial, que é o que nos interessa, nós vamos entendê-lo como sendo um conjunto de caracteres já existentes que se encontra presente na própria extensão universal e que a nossa acústica captou e a visão é capaz de perceber. Daí, somos agora convocados a investir nesse nome em cima da verdade. Somos convidados a investir com aproveitamento no sentido aplicativo desses caracteres assimilados.

E o texto diz mais: "O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos." (Apocalipse 3:5)

Nesse caso, vamos ter um nome que já é específico nosso. E não riscará o nome porque o "seu nome" passou a estar em perfeita correlação com o nome daquele que gerencia o amor em todo o universo. Percebeu? O nome se manifestou, passou a estar ligado à corrente natural do amor.

E mudar de nome refletia essa realidade nova, uma nova postura diante da vida. Repare que Saulo mudou de nome. Allan Kardec também precisou de um nome novo. Então, nós passamos a ter um nome específico, não fazemos mais em nome de.

A vida é assim, quando começamos a agir em nome próprio nós passamos a adotar uma decisão de foro amplamente pessoal. Em outras palavras, em nome de nós branqueamos o vestido e com o nosso nome, mas sob a tutela de, passamos a ter a posse efetiva do vestido branco.

O que estamos querendo dizer? Que inicialmente nós investimos em nome de, para depois passarmos a operar como possuidores daqueles caracteres. Por enquanto nós temos que fazer em nome de, até que venhamos a ter o nosso nome devidamente referenciado e aprovado pelas hostes que trabalham ao nível da própria consciência. Eu espero que esteja dando para você entender, porque assunto é complexo.

Tem muita coisa que você faz em seu nome. Não tem? Você atua em nome próprio nas coisas que você domina, que você faz, que você acredita. Assim, tudo aquilo que diz respeito à nossa operação em nome de é algo que nós realizamos fundamentados na fé dos outros, na orientação dos outros, debaixo das instruções ou do encaminhamento dos outros. Até o momento em que podemos dizer em nome do Cristo ou em nome de Deus. Aí sim, passa a ser nossa conquista.

O processo ocorre da seguinte forma: a princípio recebemos um contingente de informações que o nosso plano íntimo avalia ao nível de sentimento e razão. Ele avalia e a gente passa a operar em nome da fé. E operando em nome de uma fé clara e lúcida nós incorporamos o padrão que deixa de ser ao nível da fé, para ser ao nível da clareza, da consciência informativa e da experiência adquirida.

Está certo que ainda temos dificuldade para transformar o que é em nome de em ação realizadora pessoal, no entanto operamos e depois que conquistamos a tranquilidade operacional nós começamos a sentir que se trata de uma movimentação operacional de valores que já entendemos e depreendemos que seja importante. Quer dizer, aquilo surge como uma extensão natural.

Já ficou claro para nós que todo primeiro passo que damos é em nome de. Até aí eu acho que não há nenhuma dúvida. É algo que precisamos entender bem. E você lembra daquela colocação do apóstolo Paulo de que "em parte conhecemos, em parte profetizamos"? Ele sugere isso. Isto é, de certa forma nós operamos em nome de (que corresponde às profecias, aos valores que investimos) e também em nosso nome (que é a ação com base naquilo que conhecemos). 

Então, por enquanto nós temos que fazer em nome de até termos o nosso nome referenciado. Será que deu para entender? Nós temos a pseudo-vivência em nome de e temos a vivência plena, que já não é mais em nome de ninguém, mas dentro da nossa autenticidade pessoal.

Começamos a operar em nome de. Sempre é assim. Nós sempre operamos em nome de. 

Por enquanto a gente reza e opera em nome de Jesus, pois ele nos ensinou que pedindo assim e fazendo assim dá certo. E na hora em que operamos em nome de, e uma resposta nos chega homologando a proposta, aí deixa de ser em nome de. Quer dizer, com a experiência da prática a gente sai do nome de e passa a viver em função do nosso próprio nome. Adiante, após aprendermos a operar, tiramos o nome de fora e passamos a operar com o nosso próprio valor conquistado para lá na frente, almejando novas conquistas, voltarmos a operar em nome de novamente. Deu uma ideia? É o lance da ida e do retorno, do fluxo e do refluxo.

É assim que funciona.

Diante da linha de conhecimento que nos visita, o mecanismo da evolução é esse.

Agora, para sermos bem sucedidos no investimento temos que fazer sabe o quê? Não negar o nome. ("Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome". Apocalipse 3:8) E não negar o nome significa investir na fé.

No momento em que recebemos uma informação em nome de, e nos lançamos ao processo de vivência, que nos lançamos ao plano aplicativo dessa informação, passamos a ser componentes irradiadores desses valores. Percebeu a responsabilidade?

E quando o texto diz "guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome", sabe o que ele está querendo dizer? Que a mensagem não foi corrompida, não foi distorcida, ela não foi desvirtuada, não foi maculada. Que o valor superior que chegou (porque se trata de padrão superior), a sua consciência já admite como correto e você tem se esforçado a nível prático para conquistá-lo. Que o investimento tem sido feito por meio de uma ação coerente naquilo que você, às vezes, não faz, mas a sua clareza mental endossa.

Deu para entender? Em outras palavras, você não negou o nome. Isto é, não agiu de modo hipócrita, não agiu de modo distorcido, você não mentiu, não enganou e não feriu consciencialmente a sua intimidade. Muito pelo contrário, pela sua ação coerente você depositou um grau de confiabilidade no nome exercendo aquilo que, embora não seja a expressão concreta dos seus valores, é a soma de padrões que o seu campo mental examinou e homologou como sendo válido.

E o inverso dessa atitude positiva é negar o nome.

Porque esse ensinamento se refere ao sentido aplicativo, a como se vive a palavra assimilada.

"E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e está morto." (Apocalipse 3:1)

Repare a expressão "tens nome de que vives e está morto". Parece complicado, não parece? Mas vamos explicar. Ter o nome de que vive e estar morto quer dizer que a criatura conhece apenas o nome. Certo? Conhece o nome, mas somente na teoria. 

Ela pode ter o conhecimento de determinada filosofia com as suas regras e os seus direcionamentos, pode conhecer o evangelho e até entender as suas passagens, todavia ela vive, ainda, fora de uma realidade de vida que esse nome propõe. 

Ficou claro? Porque no que diz respeito ao plano de vivência, à faixa aplicativa, a vida dele pode ser uma vida boa para ele, mas para quem tem um aperfeiçoamento maior, para quem já tem uma visão mais abrangente, para quem observa de uma ótica mais elevada, ele está morto. Quer dizer, o que ele vive no fundo não é vida, é morte!

Ele acha que está vivendo, mas não está. Quantas pessoas nós observamos nessa situação. Falta aquela linha de coerência necessária entre o que sabe e o que faz. 

E esse lance de conhecer apenas na linha teórica não é conhecimento, é pseudo-conhecimento. O indivíduo conhece apenas o nome, não tem a vivência efetiva, e só a vivência efetiva é que solidifica. Então, no fundo ele não vive, ele está morto.

Jesus, o maior amigo da humanidade, conhecedor das nossas fraquezas e dos nossos ideais, nos ensina o modo de nos elevarmos. Pois à medida em que vamos usando de discernimento nós passamos a operar em um plano mais elástico, mais extenso, o que fala alto em nosso coração acerca da necessidade de operarmos com confiança em cima do conhecimento legítimo recebido.

Nessa passagem da pesca é fácil notar que após receber a linha teórica Simão Pedro titubeou. Não foi? Ele ficou receoso em lançar novos esforços após os primeiros insucessos.

Os discípulos achavam que estavam sozinhos, mas não estavam, porque o texto revela que sob a orientação decisiva do mestre eles "colheram uma grande quantidade de peixes". Deu para perceber o verbo? Colheram. No plural.

Logo, o que a gente conclui? Que seguindo os ensinamentos superiores com firmeza e dedicação a gente chega, a gente colhe, a gente conquista. Nós podemos até achar que em determinados momentos estamos sozinhos, mas não estamos. Esse é o grande detalhe: a gente acha que está sozinho, mas não está.

8 de abr de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 5

O NOME I

“E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:5

“E  SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

O que Simão Pedro fez? Titubeou! Não foi isso? Trabalhamos toda a noite e nada apanhamos (no plural), mas sob tua palavra lançarei a rede. Percebeu a questão? "Mas sob tua palavra lançarei a rede". No singular.

Então, essa busca no sentido positivo significa operar com confiança sob a instrumentalidade que é a palavra recolhida. Se somos continuamente desafiados para adotarmos uma postura de renovação interior, a mensagem do evangelho nos fala da necessidade de adesão clara e segura do trabalho a ser feito sob a tutela do Cristo. Nossa tarefa legítima e autêntica começa sob a base do Cristo. Para evoluir temos que olhar para a frente, não para trás. E para aprendermos sob o influxo do amor temos que trabalhar sob a base do Cristo, e não sob a base de Moisés.

Nosso processo de candidatura com vistas ao alcance de uma vida mais plena, no campo que diz respeito à superação de nós mesmos, sempre começa em nome de.

É algo que precisamos entender. Todo o processo que visa a superação de nós mesmos sempre será em nome de. Todo o mecanismo de evolução consciente se dá em nome de.

Qualquer eleição de uma maneira de viver com sintonia e naturalidade vai depender de um investimento que fizermos em nome de. Em todo início de tarefa nova, após o conhecimento adquirido pelo intelecto, nós investimos em nome de. De princípio, toda a nossa conquista é feita em nome de. É trabalhar em nome de, não em função nossa.

Por exemplo: em meus estudos eu tenho aprendido que perdoar é importante. O evangelho diz isso. Aí eu chego em casa e tenho um atrito com alguém. Tenho um desentendimento com um familiar ou uma discussão com algum parente. Isso me chateia, eu vou para o meu quarto aborrecido, mas penso comigo mesmo: "Em nome daquilo que tenho aprendido, eu vou esquecer." E esqueço, e aquilo vira coisa do passado. Quer dizer, eu perdôo em nome de. Ficou entendido? Nós perdoamos em nome de.

O aluno coloca em prática um determinado conceito que aprendeu com base no nome do professor. Não é assim que funciona? "Eu aprendi com o professor que a fórmula é essa. Como é mesmo que ele falou? Ah, me lembrei! Ele falou assim." E aplica a fórmula em nome da regrinha que ele aprendeu.

Quando um leitor coloca em prática algo que leu em um livro, as suas primeiras movimentações são no sentido de fazer em nome de. Não é? "O autor do livro sugere fazer dessa forma, e eu estou achando que isso funciona." E ele faz. Deu para ter uma ideia? Ele passa a agir conforme o que aprendeu.

gente tem por uma tendência natural imitar pessoa ou pessoas que temos como referência, que são referência para nós. Daí a gente nota que de certa forma vigora uma linha imitativa, que é muito normal em todos os sentidos. Quer dizer, a filha imita a mãe, o filho imita o pai, o aluno imita o seu professor, e daí por diante. Não é assim? Existe sempre uma linha de imitação e a imitação não quer dizer que é apenas um plágio. Ela não funciona apenas como uma cópia daquilo que o outro faz. Não. A verdade é que ela surge também como uma necessidade da criatura de se apoiar na área específica em que opera.

Agora, qual o parâmetro que nós temos que usar para avaliar e aferir se a palavra ou o valor recebido é confiável? Só tem um: é utilizar a fé consciente. Como? Mediante a união da razão e do sentimento. De início, nós temos que acionar a fé com base na nossa claridade racional, operar em nome daquilo que o nosso bom senso e razão homologam. Trabalhamos em nome de porque investimos naquilo que a razão indicou como sendo o correto e a fé homologou essa percepção racional. Deu para perceber? É por aí que nós passamos a entender.

Entender o quê? Que aquilo está coerente, que aquilo não está contrariando a lei universal, que não está atropelando o bom senso. Em outras palavras, investir em nome de significa investir naquilo que a razão indica como sendo o correto.

É por aí que nós pegamos uma obra, por exemplo, estudamos, elaboramos e fazemos todo um contexto informativo de segurança. Igual um empresário quando vai fazer um investimento. O empresário analisa uma variedade de fatores. Não analisa? Estuda as potencialidades da região e uma série de outros fatores para poder investir. Ele aplica o dinheiro e nós aplicamos a proposta íntima.

E o que concluímos disso? Que precisamos criar componentes de segurança que decorrem, muitas vezes, dos levantamentos que fazemos em cima do conhecimento e da autoridade de outros.

Inicialmente, vamos estudando a mensagem e incorporando gradativamente parcelas a serem adotadas. Parcelas estas que são capazes de nos propiciar firmeza na caminhada. Depois a gente analisa. Fazemos uma avaliação prática, quer dizer, decompomos a fórmula recebida e concluímos que ela é adequada, que é correta e que tem tudo para funcionar. E confiamos: "Ele fez isso, me orientou, me ensinou e tal. Fez todo um esquema para mim." A gente se dota de coragem e se lança. Porque vamos baseados em fulano ou cicrano. Fazemos em nome de. E isso é que é o gostoso da vida. Não é? Cada qual se lança, com o seu grau evolutivo e a sua capacidade de ação.

E todo processo nosso no plano educacional consciente é operado em nome de.

Não em nossa própria autoridade, porque não a possuímos. Mas temos que ir muito mais além. A sedimentação desses padrões novos só podemos tê-la na capacidade operacional em nome do Cristo. Está dando para acompanhar? Todo sistema de aprendizado e realização necessita ter uma parcela atribuída ao Cristo.

A nossa tarefa, por mais legítima ou autêntica que seja, começa sempre sobre a base do Cristo. Sempre. E tanto é assim que o próprio evangelho nos fala "fizer em meu nome", "tudo que pedis em meu nome", "e sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste" (Apocalipse 2:3). É tudo em nome de e o próprio evangelho diz que se pede em nome de.

Estamos enfatizando isso porque é algo que tem que ficar muito claro. Temos que trabalhar em nome dele, que está nos orientando e ensinando. Não em função nossa, porque em nosso nome guardamos muitas dúvidas ainda. Perfeito? Todo trabalho ao nível de uma fé consciente tem que ser elaborado em nome do Cristo. Se nós investimos na esperança, o nosso trabalho é em nome dele, porque em nosso nome nós ainda guardamos várias dúvidas. Ficamos, às vezes, com dúvidas se a gente vai ou não vai, se vai dar certo ou não vai.

E a gente tem que ir. Tem que se lançar com os próprios potenciais. Tem que lançar do próprio barco.

E com fé na palavra de Jesus nós sempre encontramos os elementos necessários para a nossa ascensão espiritual. Agora,  a iniciativa tem que ser toda nossa. Não podemos nos esquecer: é agora ou não é. E a gente lança sozinho.

26 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 4

SOB TUA PALAVRA

“E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:5

Os discípulos trabalharam toda a noite e nada apanharam. Quer dizer, eles lançaram as suas redes, mas em vão.

O trabalho a que se refere Simão Pedro foi um trabalho sem resultado, infrutífero, não ofereceu os frutos esperados.

Então, vamos analisar com carinho a questão. Para início de conversa, o trabalho foi realizado quando mesmo? À noite. Está dando para perceber? E noite lembra o quê? Escuridão.

Noite é quando se dá a desconexão da luz. Caracteriza-se pela ausência da luz. É o símbolo da escuridão que ainda prepondera em nosso espírito. É um indicativo dos diferentes tipos de imperfeições que mantemos presentes em nossa intimidade. Pode expressar-se pela manifestação da treva da ignorância, pela postura de acomodação e pela exteriorização dos padrões menos felizes que trazemos.

O trabalho realização à noite é o trabalho feito sob o nosso circuito, com a predominância exclusiva dos nossos valores desvinculados da luz, em meio às trevas da ignorância e da incompreensão, muitas delas vinculadas ao nosso espírito. Porque a escuridão é dos homens, resultado das suas vaidades e presunções.

Tantas vezes nos esquecemos disso e continuamos assim mesmo trabalhando no contexto da nossa pequenez de investimento. E quando insistimos em trabalhar e realizar qualquer coisa que seja dissociados do amparo superior, utilizando apenas os nossos padrões limitados, costumamos obter como resultado da vida grandes decepções. E ficamos frustrados. Em sentido profundo, o trabalho feito durante toda a noite é indicativo de que sem o entendimento e a aplicação do evangelho as nossas aquisições espirituais são infrutíferas. Sem contar que o trabalho realizado à noite não produz resultados duradouros.

Essa situação, no entanto, pode ser alterada.

Analisando o texto com atenção nos deparamos com umas das mais belas expressões de fé raciocinada presentes em todo o evangelho: "E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede." (João 21:6)

Deu uma ideia? O devotado servidor se propôs a lançar a rede numa demonstração de humildade e confiança no Senhor. Daí notamos que existem dois tipos de trabalho: o efetuado antes, com a utilização única dos padrões puramente pessoais, e o realizado após o conhecimento do evangelho. A ensinar que nossa transformação íntima por si só não basta para estarmos sintonizados com a luz.

Cabe-nos, também, reconhecer nossa pequenez e adotar atitudes novas e resolutas seguindo o exemplo de Pedro. Com humildade e sentimento renovado temos que agir sob o peso da palavra de Jesus, ou seja, lançar nossa rede sob a palavra dele.

23 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 3

O MAR ALTO

“3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR." LUCAS 5:3-4

Quer se acredite, ou não, nós todos morremos e renascemos num processo intérmino. Como o estudante, que ao final do ano letivo descansa e se prepara para retomar o aprendizado no ano seguinte.

Sendo assim, com toda certeza muitos de nós já participamos de inúmeras atividades de estudos lá atrás em reencarnações passadas. Estudos em que os padrões da mensagem crística foram implementados em nossos corações. E é bem possível que o tenhamos aceito com todo o carinho no coração. Todavia, também é provável que tenhamos falhado na dinâmica aplicativa desses valores, deixando que lances da nossa imperfeição se expressassem diante dos acontecimentos.

Mas o bonito disto é que aqueles que não foram felizes no passado, até mesmo aqueles que perderam a chance de serem orientados de forma positiva e segura lá atrás, podem ser orientados novamente por outros personagens hoje. Isto é que é bonito e consolador.

E sabe por quê? Porque a multidão continua nos dias de hoje apertando Jesus para ouvir a palavra de Deus.

Ou você tem dúvida? Existe na atualidade uma necessidade grande, uma carência sem tamanho por parte da multidão quanto ao conhecimento de valores de natureza espiritual. E Jesus continua, na figura da essencialidade do evangelho, entrando nos barcos para ensinar a multidão. Para levar esclarecimento.

Então, ninguém na atualidade pode alegar falta de oportunidade para aprender e evoluir. 

Esse tipo de alegação é inaceitável. É conversa mole. É papo pra boi dormir que tem que ser desconsiderado. Muitos daqueles que não souberam aproveitar a chance ontem, quem sabe a estão aproveitando no dia de hoje. Muitos desses elementos estão arregimentando, estão se preparando, estão crescendo. Eles chegam para serem devidamente orientados por outros companheiros no contexto da oportunidade que se repete para cada um de nós.

E o divino educador assentou-se e ensinava do barco: "E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão." (Lucas 5:3) A bem da verdade, ele continua ensinando do barco, influindo e atuando na alma humana. É assim que funciona a sistemática educativa, é assim que tem que ser. Temos também que ensinar do barco.

Assentando encontramos firmeza. E ensinar do barco equivale ao trabalho realizado com entusiasmo. Porque ninguém consegue ensinar ou operar, o que quer que seja, sem a presença da euforia. Nós estamos empolgados. E a empolgação vem de dentro. Só sente quem vibra. Só sente quem se ilumina. Só sente quem ama. Sem entusiasmo não temos como obter resultados satisfatórios.

Sem euforia ficamos incapacitados de dar o nosso melhor. Por isso, o dia em que alguém começar a falar ou operar em nome do Cristo de qualquer jeito, sem nenhum envolvimento íntimo, sem a alegria nos olhos, sem o sorriso nos lábios, sem entusiasmo, sem qualquer júbilo pessoal, sem o direito de vibrar verdadeiramente com aquilo que está fazendo, sabe o que vai acontecer? Ele simplesmente vai ser uma pessoa neutra, fria, sem sal, destituída de autoridade.

A vida é como se nós estivéssemos num mar aberto. Cada um remando o seu barco, procurando a sua sobrevida. 

Mas precisamos ter em conta, e isso é muito valioso, que acreditemos ou não, existe um plano a nosso respeito no âmago da grandeza de Deus. Às vezes, nós nos lançamos no oceano da vida e achamos que ficamos ali no debatendo ao léu, como se estivéssemos perdidos, à espera de uma salvação. Mas não é por aí. Se nos lançamos de uma margem é óbvio que a outra margem está reservada para nós, para a atingirmos algum dia. Porque nós temos um destino, nos lançamos porque existe uma proposta nossa, delineada e amparada pela bondade do alto.

E depois que Jesus acaba de falar significa o quê? É o mesmo que depois que uma soma informativa visita o ser. 

Quando Jesus acaba de falar equivale ao término da linha teórica, o fim da linha informativa. Ficou claro? E, em seguida, Jesus diz a Simão, no singular: "faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes".

A gente sabe que quando o evangelho fala em mar ele faz referência à reencarnação, no entanto não quer dizer que tem que reencarnar não. Fazer-te ao mar alto é quando o espírito, no ambiente que lhe é peculiar, vai enfrentar as dificuldades na própria luta dele. 

E é assim que os fatos se desenvolvem. Antigamente, desejávamos que a nossa vida fosse calma, mas hoje notamos que a tendência evolucional de fora para dentro é agitar mar. E não tem como ser diferente, a evolução promove a agitação.

É imprescindível ir ao mar alto, porque se não instauramos um sistema de lançamento para pontos mais avançados nós simplesmente não evoluímos. Agora, isso também não significa que tenhamos que ficar lutando constantemente contra a maré. Se fizermos assim, nós nos esgotamos. As pessoas sábias se ajustam à maré da vida. Então, não vamos entrar nessa de desespero ou de inquietação por causa dessa oscilação, dessa dinâmica existente. De forma alguma. Porque a dinâmica e os desafios são o gostoso da vida.

O que acontece com aquele que realiza algo, concretiza e fica parado, coagulado? O que acontece? Ele perde o gostinho da vida. Pense nisso. Como é possível alguém ter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que parou? Não tem jeito. A conclusão é uma só: nós temos que lançar, às vezes, o nosso coração em um regime de sacrifício, em um regime de ousadia. Nós temos que visar o mar alto. O ponto mais de cima tem caracteres que nós não possuímos ainda.

O conteúdo que vai nos projetar para a libertação é um conteúdo que vem de onde? De cima.

É simples de entender. A evolução se desenvolve de modo incessante e sempre seremos desafiados a um passo além da órbita ou do limite dos nossos padrões já conquistados.

Por isso, os grandes cooperadores da humanidade continuamente trabalham para além daquelas faixas relativas de suas conquistas. Estamos estudando porque estamos querendo ir além do parâmetro que cerceia os nossos passos e o processo é abrirmos para além de onde estamos. Até onde exercemos o conhecimento concreto é nosso universo relativo e naquilo que apreendemos e deduzimos nós penetramos no infinito da grandeza de Deus. Está dando para acompanhar?

Mediante a capacidade dedutiva em cima do plano perceptivo nós avançamos e ultrapassamos limites.

Então, o componente daqui (a nossa rede) organiza a instrumentalidade, mas o conteúdo realmente capaz de nos projetar vem de cima (do mar alto). Razão pela qual nós sempre estaremos diante de um desafio. Porque a euforia de nossa vida se expressa em função da nossa capacidade de avançar e abranger sempre.

19 de mar de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 2

A REDE

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:1-5

“E ELE LHES DISSE: LANÇAI A REDE PARA O LADO DIREITO DO BARCO, E ACHAREIS. LANÇARAM-NA, POIS, E JÁ NÃO A PODIAM TIRAR, PELA MULTIDÃO DOS PEIXES.” JOÃO 21:6

“IGUALMENTE O REINO DOS CÉUS É SEMELHANTE A UMA REDE LANÇADA AO MAR, E QUE APANHA TODA A QUALIDADE DE PEIXES.” MATEUS 13:47

A entrada de Jesus em nosso barco não se dá de qualquer jeito, não se processa à nossa revelia. 

Isso não acontece. Tem que haver uma preparação e predisposição nossa para que ela ocorra. Sabe por quê? Porque Jesus não entra quando nós estamos ociosos ou desinteressados.

Você observou o texto com atenção? Se observou, o que os pescadores estavam fazendo? Eles estavam lavando as suas redes. Conseguiu acompanhar? E se estavam lavando as suas redes eles estavam em atividade, estavam se preparando, estavam operantes, vigilantes, interessados, portanto aptos a receber.

A rede é um entrelaçamento de fios com aberturas regulares e que forma uma espécie de tecido.

É elaborada para uma atividade específica. É a soma de um conjunto de elementos que, devidamente conjugados formam um instrumento capaz de captar, de arregimentar, de apanhar algo. Espiritualmente falando, a pesca representa os planos seletivos da criaturas que laboram na busca de uma proposta de crescimento. Logo, a rede deve apresentar boa condição de uso e estar sempre pronta para trabalho. Afinal, o espírito humano é um pescador de valores evolutivos nos amplos mares da vida.

E uma coisa é fato: daqui para frente, quem quiser recolher o melhor da vida não pode mais lançar a sua rede de qualquer jeito e em qualquer ambiente. Tem que lançá-la com técnica e sabedoria, o que pressupõe aperfeiçoamento constante, ação inteligente e direcionamento.

E é o que estamos buscando aprender agora. Nós estamos estudando o evangelho para isso. Estamos, com toda a tranquilidade, aprendendo a melhor forma de preparar a nossa rede para a grande viagem ao mar alto. O conhecimento espiritual objetiva promover em nós o aprimoramento, como elaborar essa rede e utilizá-la para recolhermos o melhor da existência. E trabalhar a rede é aprimorar também o nosso sentimento, quer dizer, é arregimentar conhecimento novo de um lado e, ao mesmo tempo, aprimorar o sentimento.

Outro ponto fundamental é que nós não podemos ficar indefinidamente nessa preparação.

Esclarecidos pelos ensinamentos imorredouros do evangelho, somos convidados intimamente a lançar as redes. E lançar a rede sugere uma posição prática dentro do contexto.

Pense comigo: sendo o mar o celeiro abundante de onde podem emergir elementos valiosos, temos que lançar a nossa rede de dentro do nosso barco. Não dá para adquirirmos a autenticidade e a harmonia que idealizamos se não nos lançarmos.

E lançar tem o sentido de ação, de movimento para além. Então, o desafio agora consiste na capacidade de operar com o valor que assimilamos. Porque não existe construção de vida consciente sem a aplicação das nossas possibilidades em busca da realização de alguma coisa útil.

Nessa passagem da pesca encontramos o verbo lançar em duas situações. No primeiro momento, Jesus usa a forma imperiosa: "Lançai as vossas redes." (Lucas 5:4 e João 21:6) O que isso significa em termo aplicativo? Que não há outra forma de evoluir. O conhecimento que chega nos desafia e nós somos convocados a ir além, a fazer, a partir para o processo de lançar. No exercício de sua autoridade moral, Jesus determina que utilizemos nossos valores para "pescar" benefícios espirituais. Determinação para que cada um de nós acione e viva os padrões arregimentados, na prática. É o chamado para que apliquemos o que aprendemos.

No segundo caso, Pedro emprega o verbo referindo-se ao futuro: "Sob tua palavra, lançarei a rede." (Lucas 5:5) Percebeu? Aí vira "lançarei". Pedro sugere a possibilidade de aplicar e investir no que o conhecimento orienta, que significa agir conforme a orientação superior. Diz respeito à vivência do testemunho, que é pessoal. Porque cada qual vai agir individualmente dentro daquilo que pretende. Ou seja, a orientação que chega nos auxilia de fora para dentro e cada ação positiva nossa corresponde a um passo certo dado no esforço ascensional, que tem que ser dado do próprio barco, isto é, de dentro para fora.

Cada criatura tem as suas preferências e escolhas e a cada dia nos levantamos com a nossa rede de interesses.

Cada indivíduo busca, à sua maneira, trabalhar o campo mental tentando direcionar sua rede para as fontes de luz, mas o que acontece? A treva, de algum modo, é algo que permanece embutido em nós pelas nossas experiências do passado. Está dando para acompanhar? E essa treva, por mais inconveniente que seja, acaba se tornando luz para nós em muitos pontos. É como se fosse aquela coisa do está ruim, mas está bom. Percebeu? Dentro dessa treva embutida passa a vigorar uma luminosidade que atende aos nossos caprichos pessoais.

Quer dizer, detectamos um componente negativo em nossa personalidade que precisa ser suplantado, que precisa ser superado, todavia, apesar da identificação ele permanece e continua sendo em muitos casos a nossa forma de agir. E a gente não abre mão dele.

Assim, costumamos gastar inúmeras encarnações mantendo a chama do conhecimento clareando, com a nossa mente determinando o caminho, todavia sentindo que na intimidade falta algo para o alcance da paz. O que eu estou querendo dizer é que perdemos muito tempo, às vezes, inúmeras vidas nas lutas reencarnatórias mantendo padrões antigos que não nos atendem mais. Que continuam em um tempo em que a razão clareada já nos determina a necessidade de superá-los.

Ficou claro agora? Estamos trabalhando o campo mental, estamos tentando direcionar a nossa rede para as fontes de luz, mas a treva continua ainda embutida em nós.

É por isso que precisamos lutar muito conosco mesmo. Porque mesmo vendo o novo não nos desapegamos sem luta dos padrões velhos. O automatismo fala muito alto dentro de nós. Isso acontece demais da conta. Nós viramos a nossa rede para cá e o condicionamento acaba por retorná-la para lá. Um indivíduo pode, por exemplo, pela utilização da rede, fixar um objetivo para cima, mas sem dúvida ele terá que lutar muito consigo mesmo, porque, sem exagero, a parte da sua instrumentalidade, automatizada, ainda está virada para lado oposto. De forma que ele puxa a rede para cá e o condicionamento volta ela para lá.

O que manda nesse processo, pelo que nós temos aprendido, é algo relacionado com o modo, com o sistema.

É a eleição nossa de vida.

Estamos vivendo um momento que é um momento peculiar na nossa faixa de crescimento. E o entendimento do evangelho imprime em nós um esforço de renovação com Jesus. Quanto a isso, ninguém tem dúvida. Estamos aqui tentando acolher valores que projetem nossa vida em novas bases de crescimento. Estamos arregimentando padrões que nos ofereçam melhores condições no plano operacional.

E repare que diante do insucesso aparente inicial na pesca, Jesus convoca amorosamente os seus discípulos a quê? A nada mais, nada menos, do que lançarem a rede para o outro lado, para o lado oposto. Deu para entender? Entendendo Jesus e nos sintonizando com Ele nós temos que passar a lançar a nossa rede no lado oposto ao que lançávamos antes de nos identificarmos com esses novos padrões. É preciso jogar a rede para o outro lado, para receber o que não recebíamos.

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