8 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 5

A CONVIVÊNCIA

Não adianta alguém querer armar ou organizar mecanismos de felicidade fora dos outros. 

Isso é uma tremenda ilusão. Não funciona. Não adianta querer se alienar e criar um reduto particular. A nossa felicidade está em linha direta de interação com o nosso círculo de relacionamento. Esse é o grande segredo da vida e que a gente, aliás, está custando a entender. Está custando a entrar na nossa cabeça.

O gostoso da vida é isso, o homem ser um elemento social. Vai ser muito difícil ser feliz sozinho. Nós podemos, sem exagero algum, até ser mais objetivo: Não há como ser feliz sozinho.

Agora, quando nós ficamos muito exigentes, achando que somos bons demais, e começamos a espinhar as pessoas, a espetar as pessoas mais próximas de nós, começamos a entrar em um ponto que chamamos isolamento. E esse isolamento não é porque estamos machucando as pessoas não, viramos delinquentes não. Entramos num isolamento em razão da nossa inabilidade em conviver com os outros. Deu uma ideia? E isso cria um desconforto para a nossa vida íntima.

Quer dizer, o grande problema do isolamento hoje surge em razão da nossa deficiência de conviver. Nós entramos no sistema de querer que todo mundo faça aquilo que os nossos conceitos revelam para nós. Com isso, nos tornamos pessoas chatas, intransigentes, difíceis e que as outras pessoas não querem ficar perto.

O evangelho nos propõe o quê? A caridade. E se ele propõe caridade, sai do plano da vivência para entrar no plano da convivência. Logo, precisamos saber conviver o melhor possível com todos, embora grande parte dos que compõe o nosso círculo de relacionamento sejam verdadeiras pedras no sapato. Você concorda? Infelizmente, tem pessoas que ninguém consegue conviver perto delas, porque o oxigênio que elas oferecem é intoxicado, é carbono no campo negativo.

Não tem gente assim? É uma dureza conviver. 

Outras são acentuadamente inconformadas, acham que vieram ao mundo para receber da gente. 

Mas vamos ser sinceros? Cada qual só visualiza o negativo fora dele. É muito fácil se manter nesse sistema: "Ah, o papai é assim, meu irmão é assim, minha irmã faz isso." Quer dizer, ele é o único que salva, o único santo lá na casa. No entanto, vamos cortar essa de achar que nós somos os bonzinhos. Vamos deixar de ser pretensiosos, nós temos feito muita coisa que nem sempre tem sido adequada e tem muita gente na vida que também custa a nos aguentar. Nós achamos que os outros é que são as peças complicadas, mas às vezes o mais complicado é a gente mesmo. Não pode acontecer? Nós temos sido pedra também nos sapatos de muitos que estão convivendo conosco. E não atinamos para isto.

No plano espiritual, a linha de aglutinação e de união dos seres se dá em termos de afinidade.

Isso mesmo, muito mais afinidade do que sintonia.

Agora, quando se trata da imersão na vida física a história muda. Quer dizer, passa a vigorar uma proposta de acentuada heterogeneidade. Em outras palavras, aqui embaixo, no plano físico, o campo de realização se dá em meio à chamada lei dos contrários. É a heterogeneidade que mantém o processo experimental. Ela é uma constante no universo e nós temos dificuldade nessa convivência.

Temos dificuldade em conviver com as diferenças. 

Então, repare bem, a consanguinidade define para nós uma linha de relação passada direta. Sabe aquelas situações em que se fosse uma pessoa estranha e, se pudesse, a gente não fazia, mandava às favas e coisa e tal? No entanto, como é nosso irmão, nosso filho, nossa mãe, nosso pai, a gente faz? Deu uma ideia? A família tem dessas coisas. Somos obrigados a administrar até mesmo por se tratar de uma realidade que nós não podemos refutar, que não podemos fugir.

E nós custamos a entender isso. Custamos a descobrir isso. Levamos muito tempo para descobrir isso.

Falta uma capacidade de auto-análise. Falta, inclusive, um pouco de humildade da nossa parte.

De maneira que nós temos que ter essa ótica com paciência. Da mesma forma que eu tenho lances negativos nas minhas atitudes e na minha personalidade, e que os outros me olham com generosidade e paciência porque sabem que eu vou demorar a mudar nesses aspectos, eu tenho que ter paciência com as outras pessoas também no que reporta às dificuldade delas. Isso não é um sistema barato de psicologia, é método científico de vida que o evangelho nos ensina a utilizar se quisermos ser feliz.

Por que estamos estudando o evangelho? Por que falamos em caridade, em amor, em reforma íntima? Por que falamos no bem? Por que falamos no entendimento, no perdão? Para modificar o nosso íntimo para melhor, para nos tornarmos pessoas melhores a cada dia. 

E se estamos buscando melhorar o nosso íntimo para a bondade, se estamos buscando essa melhoria é porque analisamos a nossa forma de agir e de reagir e identificamos que em nosso íntimo existem componentes e vários que no nosso campo aferidor atual sentimos que precisam ser alterados, modificados, porque não estão sendo bons para nós, não tem sido os melhores para a nossa vida. Percebeu? Isso tem que ser entendido porque estamos falando de coisa muito profunda.

E quando sentimos que eles não são os melhores para nós é porque não fizemos essa descoberta do nada, à toa. Quem nos fez descobrir isso? Geralmente são os outros. Está acompanhando? Fizemos essa identificação porque inúmeras outras pessoas observaram esses pontos negativos em nós. E descobrimos, muitas vezes, não porque elas nos falaram. Porque geralmente elas não falam. Sabe como descobrimos? Observamos as atitudes modificadas delas no trato com a nossa pessoa. Ficou claro?

Com humildade e conhecimento nos tornamos pessoas mais observadoras e selecionamos melhor.

O papel do seguidor do evangelho não é colocar a bíblia debaixo do braço e sair para pregar, mas sim o de viver situações de apaziguamento. Nós estamos estudando o evangelho com todo o carinho porque estamos nos candidatando a lidar com as pessoas, ou não é isso que estamos fazendo? Estamos engajados nesse processo, alguns no campo profissional, outros no âmbito familiar, outros no terreno social. Mas na essência nós estamos aprendendo a lidar.

Você pode viver só. É um direito que você tem. No entanto, se você cultivar a solidão, por um capricho, você está a caminho do desajuste. E tem muitas criaturas que vivem assim. Descobrem situações novas, perseguem padrões novos, todavia não sabem ainda manter um mecanismo de convivência. Elas querem se isolar.

E a verdade é que não é fácil, às vezes, operar em nome do amor. É fácil? Seja sincero. Não é.

Para crescermos de forma efetiva nós temos um campo imenso que se abre para podermos operar, fazer e auxiliar e compete a cada um de nós saber viver vencendo os desafios que nos chegam. Saber viver com sabedoria junto de todos, sejam de parentes difíceis, de chefes exigentes ou de quaisquer outros com quem nos defrontamos no cotidiano. No mundo heterogêneo em que vivemos temos que agir com prudência. Manter uma capacidade sabe de que natureza? Administrativa.

Temos que ter um discernimento: saber o que a gente deve valorizar e o que deve administrar.

Nós selecionamos as companhias. E está errado? Não. Não está. Mas um fator interessante e uma lição fundamental é aprendermos a administrar a deficiência dos nossos semelhantes. 

Entendeu essa parte? Aprender administrar, sem dar ênfase. Às vezes, sem comentar as dificuldades deles, até mesmo com as pessoas mais queridas à nossa volta. É comum comentários do tipo: "Você viu fulana? Nossa, como é presunçosa." Podemos dar uma dica? Corta isso. Corta esse tipo de coisa. Você pode ter sido feliz se descobriu a presunção naquela criatura e silenciou. Sua capacidade de identificar a presunção define instrumento de efetiva cooperação. E mais, também demonstra que a sua instrumentalidade observadora está ótima, está nos trinques.

Não estamos aqui para criar receitas de relacionamento, mas buscando apropriar componentes positivos de referência capazes de nos auxiliar nesse ponto. Vamos colocar tudo no seu devido dimensionamento, saber dimensionar cada coisa, pois se fosse fácil o mecanismo da vida e da convivência não estaríamos aqui.

Hoje nós somos continuamente desafiados pela convivência.

E dispomos de possibilidades amplas de nos sairmos bem. Já temos muitos padrões introjetados em nosso psiquismo, uma verdadeira cartilha viva de ensinamentos. Agora, é no plano de relação ou linha de interrelação que vamos conseguir fazer a luz brilhar. A convivência tem uma série de valores que emergem dela educando a nossa capacidade de equilíbrio, entrosamento e relação.

A alegria de sabermos entender os outros com as suas lutas, com as suas deficiências, com as suas fragilidades e, porque não, apropriando sempre os potenciais que cada um tem sabido trazer no momento adequado, é algo fundamental. Dentro do processo normal de relação na vida vai havendo os choques, as linhas de contato, no entanto vamos entender que é por aí, por essas relações que vamos sulcando a nossa alma e formando uma nova personalidade.

É comum a gente querer resolver o caso do outro sabe de que forma? Tocando o nosso dedo na ferida dela. Não é assim? E sem anestesia. E o que acontece? Ela foge da gente que nem o diabo foge da cruz. E dessa forma nós vamos criando um encastelamento junto das pessoas com quem vivemos. E recebemos o quê? Recebemos vibrações não muito boas dessa pessoa, vibrações de entidades ligadas a essa pessoa, que vem em cima da gente e nós não aguentamos.

É preciso usarmos o discernimento e a inteligência. 

Se não tivermos uma abertura nesse particular nós vamos ficar sempre debaixo do jugo da aflição, debaixo do jugo da contrariedade, do juto da inconformação e das dificuldades. 

Somente vivendo certas experiências com mais aprofundamento é que passamos a nos entender melhor. 

Passe a agir de forma diferente, experimente nova postura e ficará surpreso com os resultados. Antes evidenciar a presunção do semelhante, experimente fazer um diagnóstico profundo e descobrir os focos de luz presentes nessa individualidade. Pontos positivos nela.

É muito bom sentir que quando acaba aquela reunião espiritual de estudo do evangelho da qual a gente participou, ou quando nós encerramos um capítulo de um livro que a gente está lendo e gostando nós concluímos que aprendemos alguma coisa. Não é bom? Dá uma sensação gostosa. É algo realmente fantástico e motivador. Nós sentimos uma coisa boa, certo preenchimento íntimo.

No entanto, não adianta nada eu estudar, aprender, ficar bem informado, querer ter uma vida excelente se eu não estiver preparado e educado para um processo mais agradável de convivência. Percebeu? Nós estamos investindo no evangelho, entre outras coisas, para poder melhorar o nosso campo de relação.

Sabe aquelas pessoas que tem muitos amigos? Muitos amigos verdadeiros? O Chico Xavier é um exemplo e referência bonita nesse aspecto. Sabe por que ele teve muitos amigos? Porque ele sempre soube evidenciar os corações junto dele.

Evidenciava que ângulo? O ângulo positivo que ele via nas pessoas. Os olhos dele enxergavam o lado positivo das pessoas. Ele via o positivo. E venhamos e convenhamos, a melhor coisa que tem para nós é quando alguém vê o nosso positivo e fala assim: Você tem potencial, tem condições, investe no que você quer que vai dar certo! Concorda? Não há quem não se sensibilize com isto. A gente sente confiança, investe e com o decorrer do tempo conquista aquelas posições.

Resumindo: vamos vez por outra nos colocar no lugar dos outros. 

Se gostamos de ser valorizados as outras pessoas também gostam. Cada pessoa gosta e precisa disso. Vamos ter mais atenção no trato com os nossos semelhantes, vamos tirar de cada indivíduo o componente positivo que ele pode nos oferecer.

Todas as criaturas tem elementos de alta expressão que podem estar irradiando coisas boas e nós, de algum modo, estamos nos relacionando com elas. Ninguém vive o evangelho desfazendo de quem quer que seja. Ninguém. Muito pelo contrário. Vamos pensar nisso. Vamos pensar, mas não de uma forma superficial, apressada, aleatória, indiferente. Vamos pensar com carinho. Afinal de contas, o pensamento é o primeiro passo para a realização de uma ação em novo ângulo.

1 de dez de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 4

INTERDEPENDÊNCIA E HETEROGENEIDADE

A heterogeneidade é um componente que não pode estar ausente no processo evolutivo. É nela que vigoram os patamares em que cada qual pode e deve atuar no campo do seu crescimento.

Repare bem, tem pessoas que se isolam. Podem até ficar cercadas de muita gente, mas não cultivam amigos. Não entendem que a heterogeneidade é que garante o terreno operacional para todos indistintamente nas mais variadas expressões.

Então, o escalonamento no campo heterogêneo do mundo é necessário ainda. Imaginemos se todo o universo fosse perfeito. Imaginou? O que aconteceria? Simplesmente haveria uma coagulação no universo. O universo pararia, não evoluiria, ele seria estático.

Outro ponto interessante é que cada individualidade possui sua carga de conceitos, de concepções, de experiências, de entendimento e de ótica de vida. Vamos notar uma coisa para ser ponderada e refletida. Na hora em que se penetra com mais aprofundamento em certas questões no âmbito das relações, aparecem o quê? Aparecem diferenças da maior expressão. Não acontece?

Os lares, o ambiente social, o campo em que nós estamos operando, tudo isto não representa uma espécie de campo minado? Ou isso não tem acontecido? Os planos de interdependência propiciam essas coisas. É campo de choque em que nós vamos recebendo um sorriso agradável daqui e uma cara feia de lá. Concorda? Alguém apresenta uma ótica em determinado terreno totalmente diversa da ótica de um outro indivíduo, e daí por diante. Uma ótica que nunca passou pela cabeça daquele outro, porque ele tinha um outro ângulo de percepção.

Em suma, a interdependência define o ponto ativador dos padrões que não se expressaram ainda. Ela faz emergir muitas coisas das relações que ela propicia.

E uma coisa é fato, sem heterogeneidade não existe progresso espiritual. É no plano de contato que nós vamos criando o piso para a concretização.

Imagine se nós encarnássemos em uma espécie de fortaleza, em um ambiente totalmente livres das influências. Dá para imaginar? Se nós vivêssemos em ambientes totalmente livres das influências não teríamos condição de progresso.

Se houvesse uma unicidade vigorante em nosso plano de ação nós não teríamos como avançar, porque o avanço de cada um de nós no contexto da vida é decorrente desse plano diversificado. É na diversidade que se encontra a unidade. É na combinação de sons divergentes que resultam as melodias sublimes. A diversificação nos planos evolucionais é que define a razão do laboratório fantástico chamado família. Observe que se em nossa casa todos os integrantes pensassem de maneira igual a relação seria uma perda de tempo. Para não dizer que poderia ocorrer a desagregação. E a gente custa a entender isso.

Os pais são um bom exemplo disso. Vez por outra ficam apavorados porque seus filhos não pensam exatamente como eles gostariam que pensassem. E nas várias atividades que todos nós elegemos e participamos a questão não é diferente. Nelas comumente aparecem vários fatores discordantes, todavia o interessante é que nas coletividades vigoram caracteres fortes, vigorosos, que mantém a unidade do grupo. Predominam fatores conjugados que constituem a razão da vinculação dos indivíduos a esses núcleos. Por exemplo, em um grupo de estudo vigora o quê? O desejo de crescer, a vontade de aprender, entre outros. E nos grupos sociais as diferenças vão sendo apuradas na medida em que vai ocorrendo a aproximação dos elementos no campo da análise e do aprofundamento.

Tem muita gente nas mais diversas áreas da vida tomando decisões pessoais e doa a quem doer. Ou seja, o indivíduo faz o que quer, faz só o que acha que deve fazer. Só vê o seu benefício, e ponto final. Toma atitudes que podem, a princípio, dentro de uma visão imediatista, resolver o problema dele, mas não avalia outros ângulos e a consequência. Toma atitudes que podem, no futuro, até resultar sabe em quê? Em resultados menos felizes. Para depois, lá na frente, ele ter que voltar àquele ponto e atender alguma outra área. Porque, às vezes, ele nem agiu com falta de caridade, mas deixou de dar o atendimento naquilo que era competência dele realizar com uma outra pessoa, por exemplo. Percebeu? Então, nós não podemos esquecer a nossa responsabilidade em relação aos outros.

Na medida em que os corações se aproximam uns dos outros naquele relacionamento com respeito, naquela permuta positiva ao nível de afeto, passamos a observar que começa a se expressar em nosso campo de ação novas vibrações e novos momentos. Nós saímos do casulo do amor egoístico e começamos a entrar na gama mais ampliada do amor a nível universal. Todos nós, espíritos encarnados ou desencarnados, estamos conjugados a centenas de outros elementos em um fluxo normal. Daí, precisamos entender que em toda cooperação verdadeira o personalismo não pode existir.

Constantemente, temos essa linha de relação e somatória para ampliar o processo e quem coopera cede sempre algo de si, dando o testemunho de sua abnegação.

Sem isso, a fraternidade não se manifestaria no mundo em que vivemos de forma alguma. Quem conhece a história do apóstolo Paulo, por exemplo, sabe que ele foi componente fundamental na irradiação dos padrões do evangelho, todavia, o trabalho não foi elaborado unicamente por ele. Se ele não tivesse tido o auxílio de companheiros abnegados como o do casal Áquila e Prisca, com quem ele conviveu no deserto, como seria? E se não tivesse tido o amparo de Ananias? Não é isso? E se não fosse a amizade e a lutas vividas com Barnabé? E se não tivesse o Gamaliel? Se não houvesse Abgail, se não tivesse o Estevão? Está percebendo? Sabe por que estamos dizendo isto? Porque tantas vezes, na elaboração de algum projeto ou tarefa, alguém acha que pode fazer sozinho. Que nada. Não dá.

Para alcançarmos a vida abundante que objetivamos, e que o evangelho nos ensina a conquistar, vai depender não apenas da nossa capacidade de saber viver, mas, sobretudo, de conviver. E para nos sairmos bem nessa linha de relação com os outros, de maneira positiva e sem complicação, só tem uma forma: temos que ser humildes.

Para início de conversa, nós temos que aprender a conviver com as criaturas e com as suas dificuldades. Repare que cada individualidade que esteve de alguma forma com Jesus tinha um ponto fraco. O Zaqueu tinha a sua dificuldade, havia a dureza do coração de Levi, Simão Pedro aprontou, Tomé era difícil, e daí por diante. No entanto, o que o Cristo fez? Amparou a todos. Percebeu? Porque se for eliminar cada um por causa da sua dificuldade, cadê o povo? Some. E as nossas dificuldades? Nós também temos. E muitas. Então, temos que saber valorizar cada um. É muito bom saber valorizar as pessoas, sejam elas quais forem. Podemos ter em um grupo alguém que conhece profundamente de história, por exemplo. Outro não conhece história, mas conhece algum ponto de geografia. Notou? Um está precisando caminhar por uma área, ao passo que outro em outra área. Isso é heterogeneidade. Ela auxilia o grupo.

Eu não posso evoluir achando que sou o maior! Não tem como. Eu posso ser o mais bem informado em um terreno, mas em outro não. A interdependência e a cooperação funcionam na extensão de todo universo. Não tem como alguém evoluir esquecido dos outros.

Qualquer pessoa que aprende alguma coisa se vale de outros que já passaram antes dela. Guarde isso. E mais, ela não consegue seguir além se não houver o interesse de outras, ainda que mínimo.

As pessoas que nos cercam podem se dividir didaticamente na faixa que estamos tentando trabalhar em dois aspectos: elas podem ser as criaturas que nos tocam, que nos atingem no plano aferidor da conquista delas, ou podem ser aquelas que se abrem oferecendo campo à nossa capacidade de cooperação legítima. Deu para acompanhar? De um lado, estão as que estão acima canalizando valores para nós e de outro as que estão abaixo esperando a nossa cooperação.

De algumas criaturas nós podemos obter valiosos apontamentos e com outras nós podemos ser até pontos de auxílio e segurança para elas. Precisamos entender isso.

E mais que entender, sentir essa verdade no coração. À medida em que se abrem as nossas linhas perceptivas, também precisamos aprender a buscar componentes que facilitem a decodificação dos nossos valores conquistados no intuito de que o nosso pensamento possa abranger camadas outras que não estão no mesmo nível de realização que nós. Ficou claro essa parte? Que podem estar no mesmo nível de interesses, mas não no nível de realização que já estamos.

E nós temos que confiar nas pessoas para evoluir.

Confiar em todas, porque senão não conseguimos progredir. Porém, confiar em todas sabendo identificar o limite da confiança, óbvio. Sabendo das confusões e dos problemas que uma criatura pode criar se dermos muito campo a ela, por exemplo, nós temos que saber dosar essa confiança. Em outras palavras, nós temos que confiar em todo mundo desconfiando de todo mundo. Confiar não numa desconfiança contrária ao evangelho, mas num plano de atenção, de cautela evolucional.

Perfeito? Necessitamos saber os limites da confiança que devemos dispensar a cada criatura. E um fator fundamental para isso é a experiência. A experiência adquirida nos ensina a avaliar o grau de confiança que nós devemos conceder.

21 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 3

A RECONCILIAÇÃO

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; 36E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.” MATEUS 10:34-36

Uma coisa é fato, mais cedo ou mais tarde toda criatura reconhece que para seguir adiante na jornada evolutiva precisa reconciliar-se com a própria consciência. E para isso, tantas vezes precisa buscar os adversários de outro tempo a fim de resgatar as suas faltas.

O que isso nos ensina? Que frequentemente, pela imposição da consanguinidade, grandes inimigos são obrigados ao abraço diário debaixo do mesmo teto, durante certo tempo. Com vistas a quê? Ao aperfeiçoamento de cada um.

Quando o evangelho fala em amar o inimigo ele está tratando, entre outras coisas, da família. À primeira vista, parece estranho, mas vamos clarear. Pense comigo, o que o estudo do evangelho tem ensinado? Que não existe inimigo gratuito. Não existe inimizade surgida de graça. Embora não se perceba, o inimigo de hoje é aquele que foi um amigo profundo nosso ontem. E que nós o decepcionamos ou ele nos decepcionou dentro de um plano de inabilidade para a convivência, seja da nossa parte ou da parte dele.

Vamos entender que o inimigo não é aquele declarado que falou que se encontrar com a gente vai nos pegar. Não! Sabe quem é o verdadeiro inimigo? O inimigo é esse que nos abraça de manhã, que nos beija, que nos envolve de carinho, que joga bola, passeia no parque e toma açaí conosco no final de semana. Esse é que é o inimigo.

Por isso, atrás daqueles indivíduos que se repelem, atrás daqueles que vivenciam um plano de antipatia e resistência recíproca, costuma haver almas que viveram amplamente o amor lá atrás. Será que deu uma ideia? É por essa razão que o amor ao inimigo representa uma vitória grande sobre nós mesmos.

O grande segredo nas relações é saber aproveitar as oportunidades.

Tem muita coisa nesse aspecto que nós não estamos sabendo lidar e ficamos deixando, até de forma inconsciente, para as reencarnações futuras. Não acontece isso? "Ah! Não tem reencarnação? Na próxima eu resolvo!" E só Deus sabe quando vai ser a próxima. Que, aliás, pode nem ser tão próxima assim. Porque o futuro, segundo o que estamos aprendendo, pertence a Deus, não pertence a gente, e não sabemos se vamos encontrar com essas criaturas no futuro próximo.

O evangelho nos sugere aproveitar as oportunidades da convivência. Nós podemos até laborar no plano das propostas e das causas. Sabemos que efeitos virão. Agora, entrar nos detalhes dessas expressões, desses momentos em que o futuro irá trazer os frutos, isso não tem como nós sabermos com tranquilidade.

Quando a gente começa uma tarefa em que tentamos fazer algo no campo do auxílio, como uma atividade realizada em um hospital ou em qualquer outra área da comunidade atendendo aos necessitados, embora não pareça, em muitos casos em meio a dez, vinte ou trinta necessitados é interessante entender que um ou dois desses necessitados são indivíduos que estão ligados a nós desde o passado e  com os quais nós temos compromissos relevantes com eles. Ou você acha que nós podemos fazer o bem amplamente aos desconhecidos?

Está dando para perceber? O assunto é muito profundo. É assim que a misericórdia faz, em meio a uma tarefa sistematizada coloca um, dois ou três que estão diretamente ligados a nós.

Em uma escola, por exemplo, a professora pode ter trinta crianças na sala dela. Mas no meio daquele grupo de trinta tem duas ou três que estão ligadas diretamente a ela. Está acompanhado? Ela, às vezes, quer ficar livres dessas duas ou três porque são alunos bagunceiros, que lhe criam problemas ou coisa e tal, no entanto eles são a razão básica da presença dela naquela turma. Está dando para acompanhar? Daí, sabe o que acontece? Em nossa jornada, vigora um processo constante e inconsciente de busca daquelas conexões necessárias. Existe, no âmbito das circunstâncias, uma semeadura abrangente mediante um processo de pesca, de avocação daqueles elementos que estão ligados ao nosso passado.

E o interessante na questão da reconciliação é que é inútil a fuga dos credores que respiram debaixo do mesmo teto. Pois o tempo invariavelmente aguardará cada qual, implacável, constrangendo-o à liquidação de todos os seus compromissos.

Para se ter ideia de que não há como fugir, diariamente inúmeros indivíduos envolvidos nas mais diversas dificuldades familiares, saem de casa e vão para as igrejas e para os núcleos espirituais mais diversificados para aprenderem, entre outras coisas, sabe o quê? Que o lugar deles é dentro de casa.

E nós não precisamos nem ir longe para elucidar. Basta nos lembrarmos do que Jesus disse aos discípulos por ocasião da multiplicação dos pães: "Se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe." Ficou claro? Dentro das nossas necessidades imediatas, cada criatura vai a Jesus para se abastecer. E depois de se abastecer, depois de aprender, eles tem que voltar sabe para onde? Para as suas casas. 

É nas dificuldades provadas em comum, nas dores e experiências recebidas na mesma estrada de evolução redentora, que se esquecem as amarguras do passado longínquo transformando-se todos os sentimentos inferiores em expressões regeneradas e santificantes.

Na hora em que eu desativo um problema sério do passado com alguém que veio como meu filho, meu irmão, meu vizinho, meu colega ou meu chefe, eu estou desconectando e saneando um ponto da retaguarda que, até então, está pesando acentuadamente no denominador comum do meu dia a dia. Ficou claro? É por este motivo que os pais humanos recebem muitas vezes, por filhos e filhas no instituto doméstico, os mesmos laços do passado com quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos, partilhando compromissos e aprimorando relações afetivas, de alma para alma.

15 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 2

A FAMÍLIA

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; 36E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.”  MATEUS 10:34-36

Guarde uma coisa no início deste capítulo: o confronto é lei no plano corpóreo. Ok? É fator indutor e fundamental do progresso.

Temos uma família terrena, carnal, que, por sua vez, nem sempre se liga pela afinidade. Para ser sincero, é difícil encontrarmos num lar indivíduos que se ligam em mesma pauta vibratória. Basta reparar que em uma família muitos estão ligados no plano físico, estão fisicamente próximos, mas dissociados no plano espiritual.

Exemplo disso é que é comum durante o desprendimento temporário do espírito, por ocasião do sono físico, cada qual ir para um lugar diferente. O que define que as ligações consanguíneas ficam na maioria das vezes restritas à sua verdadeira função que é a união temporária de espíritos geralmente devedores. Na maioria dos casos a ligação é circunstancial. No plano material que nos encontramos a equipe doméstica atende à consanguinidade e, geralmente, essas ligações terrenas são de vínculo obrigatório, são de natureza transitória.

É certo que preponderam no instituto divino da família os elos de amor, fundidos nas experiências de outras épocas, todavia aí ocorrem igualmente os ódios, os conflitos e as perseguições do pretérito obscuro, a fim de se transfundirem em solidariedade fraternal com vistas ao futuro. Antes de qualquer coisa, a linha de consanguinidade deixa a entender uma linha de relação passada direta.

Quer dizer, embora não pareça princípios sutis da lei se expressam embutidos nessas ligações.

A família consanguínea entre os homens, essa que nós chegamos nela, que nascemos nela, pode e deve ser considerada como o centro essencial de nossos reflexos. Nem sempre os laços de sangue reúnem almas essencialmente afins. Como disse Jesus: "Os inimigos do homem serão os seus familiares." (Mateus 10:36)

O pai, por exemplo, pode ser aquele que representa o carinho que nós almejamos. Afinal de contas, de uma forma ou de outra ele não se encontra presente dentro da nossa relação? Ele pode representar a expressão que merecemos em razão das nossas confusões criadas lá atrás, com a rispidez dele, com toda a brutalidade que ele traz. Não pode? Como também pode representar uma indiferença para nós. Gerando o quê? Carências. Está percebendo?

De forma alguma devemos esquecer que o planeta Terra é ainda uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias. O casamento é um exemplo claro disto. Aqui vigoram casamentos de amor, de fraternidade, de provação e de dever. Já pensou nisso? O ser humano pode consorciar-se várias vezes sem que a união matrimonial se efetue com uma alma ligada à sua. Embora todas essas ligações sejam sagradas, o matrimônio espiritual liga alma com alma. As demais definem simples conciliações indispensáveis à solução de necessidades ou processos retificadores.

Ou seja, onde não prevalecem as afinidades do sentimento o casamento terrestre é serviço meramente redentor, nada mais. Quantos casos desses a gente presencia a todo tempo?

A família consanguínea é o centro essencial dos nossos reflexos. Todos os lares, com raras exceções, estão visitados por múltiplos desafios e cada membro familiar é um espírito com as suas dificuldades.

O mundo é um campo de perfeito equilíbrio onde as pessoas que se desentenderam em reencarnações passadas hoje se congregam dentro da mesma família, buscando resgate e harmonização diante das leis sábias do criador. Se forjamos problemas e inquietações nos outros, nada mais justo do que solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados do destino, entre as paredes domésticas, todos aqueles que constituímos credores de nosso amor e de nossa renúncia, atravessando para isso, muitas vezes, padecimentos extremos para poder assegurar-lhes o refazimento preciso. 

Por misericórdia, dificilmente se recordam dos acontecimentos desagradáveis do passado em função do véu do esquecimento, embora vigore nessas relações a manifestação de antipatias, desconfianças, ódios e ciúmes, a ponto de ocorrerem durante o período de convivência várias separações, perseguições e até mortes.

Você já notou isso? Que existem laços fortes de simpatias dentro da grande massa de pessoas? "Nossa, conheci fulano semana passada, mas não sei porque, parece que o conheço a tanto tempo. Não sei explicar, mas naquele grupo todo eu me identifiquei demais com ele. Gosto demais dele." Um pai diz: "Eu tenho um menino lá em casa que você tem que ver. Quando ele abre a boca a gente tem que ouvir." Quer dizer, o filho é superior ao pai. Superior em moralidade, em conhecimentos, mais evoluído que o pai. Veio, com toda a certeza, para ajudar o pai.

É preciso entender que em se tratando de lar o parâmetro é mais ampliado. Quer dizer, estende-se a amigos, companheiros de atividades, chefes de serviço e pessoas com as quais somos obrigados, pelas circunstâncias que se apresentam, a interagir.

Ficou claro? Então, de uma vez por todas, quando usamos a expressão "dentro de casa" nós não nos referimos unicamente aos indivíduos circunscritos às paredes do lar. Esta é uma referência que engloba aquelas pessoas e aqueles grupos que estão mais próximos de nós durante a nossa vida inteira. O ambiente em que nós nos ajustamos constitui o reflexo das nossas necessidades íntimas.

Porquê? Porque tudo o que nos ocorre se dá em conformidade com as nossas carências pessoais. O grupo mais próximo de nossa relação é sempre a representação direta das nossas necessidades essenciais e dos nossos potenciais também.

É por isso que quando eu vivo em um ambiente familiar e reclamo da família eu estou dando um atestado nítido, ao reclamar, da minha incompetência informativa.

Porque a família, voltamos a repetir, de algum modo é um ambiente, é um meio, que expressa a nossa necessidade, seja direta ou indireta. No mecanismo dinâmico da aprendizagem, os fatos, as pessoas e as circunstâncias menos felizes que chegam e nos alcançam negativamente não constituem o problema. Isso precisa ser entendido, e bem entendido. A sujidade e deficiência é íntima nossa. Eles são os instrumentos que levantam a poeira. Porque o problema é íntimo. Nós vamos trabalhar esse assunto com profundidade mais à frente, em outra oportunidade.

9 de nov de 2016

Cap 59 - Ame a Sua Família - Parte 1

O MAGNETISMO

O magnetismo vai ser no futuro, no futuro não muito distante por sinal, um elemento imprescindível de força.

Você já deve ter notado isso de alguma maneira. Já deve ter reparado que nossas palavras alcançam uma importância grande na medida em que nós crescemos e evoluímos. Concorda? Em muitas ocasiões, elas passam a ser dotadas de uma carga de magnetismo que define uma modulação diferenciada chamada autoridade. E a gente é ouvido. Já observou isto? Daí, sabe o que acontece? Começamos a exercer um certo domínio sobre ou ter autoridade sobre.

E um problema se instaura quando nós usamos inadequadamente essas forças de cunho magnético.

Pense para você ver, existem basicamente dois componentes na estrutura das relações pessoais que constituem verdadeiros desafios e que tem causado sofrimento cármico a muitas individualidades. Quando nós jogamos, por exemplo, ideias pré elaboradas na cabeça de alguém visando apenas aspectos caprichosos da nossa personalidade, nós podemos inclusive nos tornar copartícipes ou corresponsáveis pelas linhas traçadas. Você já parou para pensar nisso?

O mundo está cheio de casos assim. Quantos à nossa volta não se armam com as mais diversas formas para envolver os outros em sua órbita de ação de modo negativo, de maneira infeliz? Não é comum conhecermos casos dessa natureza?

O primeiro aspecto é aquela postura indevida de chantagear corações, iludindo corações na esfera do sentimento e entregando-os ao léu, como se diz na linguagem popular. Quer dizer, a criatura chega de mansinho, vem como quem não quer nada. Trabalha o coração de alguém no plano do sentimento e depois larga pra lá. Alcança com isso algum benefício e depois deixa pra lá. Sai como se nada tivesse acontecido. Sorrateiramente, da mesma forma como entrou. E a outra pessoa? Ah, na ótica dela que a outra pessoa se vire, o problema é dela.

O segundo ponto faz referência à utilização de estratégias amplas no campo magnético. O elemento utiliza a força magnética na área do comando, da persuasão e influenciação no sentido meramente pessoal. O indivíduo utiliza o magnetismo e brinca com essa força, usando-a no interesse apenas pessoal. Trabalha o nível do egocentrismo, trabalha os padrões da revelação visando apenas o seu reconforto.

E precisamos analisar essa questão com certa atenção. Sabe por quê? Porque todas as vezes que nós começamos a brincar com esses elementos mencionados nós costumamos encontrar uma série de sofrimentos, dificuldades e desajustes muito ressonantes depois, com quadros complicados que, às vezes, demoram muito tempo para o saneamento. 

A verdade é que muitos companheiros estão vivendo hoje as ressonâncias dessas dificuldades porque usaram esses padrões visando exclusivamente o interesse próprio. Tanto que tem muita gente falando hoje que é endividada do passado, que em termos de relacionamentos tem mais dívidas do que mérito de crescimento e amor.

Tem muitas pessoas que nós influenciamos no passado, mais próximo ou mais distante, que foram por nós influenciadas e instigadas a fazerem certas coisas ou viverem determinadas situações que, na época, constituíam parte de nossa vida, que adorávamos e talvez hoje não nos interessem mais. E o que aconteceu? Nós conseguimos nos safar e nos livrar daquele faixa de influência que alimentávamos e elas não tiveram tanto êxito nessa desvinculação. Ou seja, elas permanecem na experiência menos feliz que lhes despertamos o interesse.

Percebeu? Nós conseguimos sair mas elas permaneceram. Possivelmente, porque foram levadas por uma curiosidade inicial, por um impacto ou por uma linha de indução e estão ainda percorrendo o terreno da indução de acordo com o grau de interesse que aplicamos a elas lá atrás. Deu uma ideia da responsabilidade e do compromisso que nós arregimentamos para nós mesmos com essa atitude?

Nós conseguimos nos livrar, nos desvinculamos daquelas faixas que adorávamos naquela época, largamos aquilo que éramos apaixonados e que hoje nos soa como algo negativo, maléfico à nossa harmonia e que já está superado. E elas, não. Elas continuam atreladas àquelas posições, imantadas àquelas situações negativas.

Como resultado, adivinha quem é que vai ter que resgatar essas pessoas? Quem é que vai ter que buscar essas pessoas e tirá-las dessas situações menos felizes em que se encontram?

Quem vai ter que buscar é o Cristo, mas nós é que somos os instrumentos dessa busca. Afinal de contas, não foram nós que ajudamos a despertar nelas o interesse, com nossas ideias e nosso entusiasmo? Somos os copartícipes da queda delas. Lá atrás fomos nós que levamos, agora somos nós que temos que ir buscar.

E qual a conclusão a gente tira disso tudo?

Que a cada dia que passa nós mexemos mais com os outros. E quanto mais nós mexemos com os outros mais sensível fica o nosso grau de responsabilidade.

Vamos pensar nisso. Compete a cada um de nós um cuidado na avaliação. Examinar a cada instante qual a legítima intenção que vigora em nosso coração, qual o nosso objetivo em determinadas ações, o que de fato nós estamos pretendendo. 

Isso não quer dizer que devamos ficar preocupados ou intranquilos com cada pensamento que nos surja, em função do descobrimento dessas forças potenciais e latentes que dirigem a nossa vida. Também não é por aí. Mas que devemos ficar atentos, devemos.

Lembrando que a nossa autoridade sobre o campo ambiente, as pessoas, as coisas, as situações e os fatos só pode nos propiciar um benefício quando ela é exercida e aplicada em cima dos pilares seguros da caridade, do amor e do respeito.

4 de nov de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 12 (Final)

A LETRA E O ESPÍRITO

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

Para entender o evangelho, que constitui o alimento das almas, vamos pegar o exemplo da natureza.

Repare para você ver, as frutas quase sempre são envolvidas por uma camada protetora que é a casca. Certo? E essa casca, que é o envoltório externo, serve para quê? Para conservar a essência do que ela envolve, ou seja, para conservar doce e saborosa a polpa dos frutos, preservando-a das contingências exteriores a que se acha exposta.

O que a gente percebe disso? Que se a natureza não tivesse protegido dessa forma os frutos desde o princípio o homem jamais chegaria a utilizar-se deles. Deu uma ideia? Daí, é possível termos uma vaga ideia do trabalho desenvolvido pela espiritualidade ao longo dos séculos para preservar a mensagem espiritual.

E nos dias de hoje, ante uma infinidade de acontecimentos que nos chegam, nós ainda costumamos receber muitas coisas em bloco, de uma forma compactada, sintetizada. E com a nossa inaptidão e insensatez é muito comum a gente não ter a paciência necessária para poder descompactar e metabolizar todo esse conteúdo que nos chega. Está percebendo? Assim, tem muitas pessoas que desprezam o espírito que vivifica e ficam restritos apenas à letra que mata.

Em outras palavras, comem qualquer fruta com a casca. E o que é pior, ainda procuram convencer os outros, e muitas vezes conseguem, de que é assim que devem comê-la. Infelizmente, essa é a grande verdade. A grande massa de pessoas ingere o material didático como se fosse o conteúdo, a essência. Comem sem mastigar.

E por insistirem em comer qualquer fruta com a casca, não experimentam a legítima essência dos ensinamentos, tão cheios de vitalidade, sabedoria, encantamento e profundidade.

A letra, sem dúvida alguma, é instrumento que pode criar dificuldades aos nossos passos. Estreitas interpretações do plano divino obscurecem muitos horizontes mentais. Por esta razão, todas as vezes que levamos o assunto para o plano literal nós costumamos ter problemas. E equívocos na interpretação muitas vezes ocorrem por tomar-se ao pé da letra expressões que são figuradas.

O maior percentual de pessoas é cristã. Isso é ótimo. É uma maravilha, porém essa maioria não estuda o evangelho, estuda a letra do evangelho. E a bíblia simplesmente não pode ser trabalhada em cima da letra como muita gente propõe.

Na atualidade, vigora a necessidade de uma evangelização não mais sob a pregação sistemática milenar de um evangelho periférico trabalhado só na base da letra. 

Repare o que acontece em nosso mundo escolar hoje. Nos primeiros movimentos da educação infantil, como a coisa funciona? Os educadores precisam utilizar-se da colaboração de figuras e desenhos. Para que a criança inicie o despertar dos primeiros conhecimentos, o processo tem que ser assim. Então, figuras são usadas. E não são poucas figuras. São muitas. E dentro de um plano de analogia, vamos depreender que aquele que quiser estudar as escrituras em cima da periferia da letra vai trabalhar contra a própria natureza. Porque a gente sabe bem: a didática é uma coisa e o conteúdo é outra.

A letra é material didático, não é a essência do conhecimento. Repetindo: a letra bíblica é material didático sem o qual não há aprendizado, mas ela não é a essência do conhecimento.

É preciso entender que toda a transcrição, tanto do velho como do novo testamento, é instrumento didático. A letra é um recurso didático por meio do qual a sabedoria de Jesus nos ensina a aprofundar no conteúdo. Porque simplesmente não há como transmitir grandes verdades fora dos elementos de natureza metafórica ou simbólica. Está acompanhando? Com os ensinamentos do evangelho, que contém verdades essenciais, o processo é o mesmo dos frutos, isto é, tem que sair do periférico e buscar a essência. E se a sabedoria do maior instrutor e guia da humanidade não tivesse envolvido seus sublimes ensinamentos no manto dos símbolos e parábolas, com certeza não teriam chegado até nós.

Em muitas ocasiões, Jesus fechava os seus discursos com a frase "quem tem ouvidos de ouvir, ouça".

Não era assim? Com isso, ele sugeria que quem fosse capaz de penetrar que buscasse o sentido essencial de suas palavras, porque o seu ensinamento não se encontra na letra que mata, e sim no espírito que vivifica. O resultado é um só: que em todas as traduções dos ensinamentos divinos a gente se lembre sempre de separar a letra do espírito, buscando a essência para além da letra que a transporta.

Tem muita gente que alega que o uso de simbologia e de parábolas gera confusão e dificulta a aprendizagem da verdade.

Fazer o quê? É assim e sempre foi assim. O que é que nós podemos dizer? O que nos vem à mente é uma coisa muito simples: praticamente não existe fruto sem casca. Concorda? E você vê alguém reclamar de ter que descascar a fruta para poder se alimentar? Não. Ninguém reclama. Afinal de contas, o trabalho de descascar é bastante recompensado pelo proveito que se obtém com o alimento, portador de nutrientes essenciais à vida do corpo. Todo mundo concorda com a necessidade de um pequeno esforço para isso. E se para saborearmos os frutos temos que nos despojar dos seus envoltórios, para acessarmos as verdades maiores nada mais justo do que despojarmos da letra que as envolvem.

Preste atenção em uma coisa interessante. Tem gente que vai fazer uma palestra ou uma pregação sobre o evangelho e utiliza recursos. Não que isso seja um problema, de forma alguma. O que estou me referindo é uma outra coisa. 

Ela faz um poema para começar, utiliza desenhos, leva gravuras belíssimas. A cada período de tempo uma música bonita envolve as pessoas. É uma beleza. Se o assunto é a pesca maravilhosa, por exemplo, ela começa falando da paisagem. Fala dos peixes, descreve os barcos, se emociona ao falar de Simão Pedro. Fica tudo muito bonito. No final, muita gente emocionada até bate palma: "Nossa, mas que lindo. Como fala bem!" Tudo muito bonito. Com um único detalhe, ficou apenas na periferia do assunto. Entendeu? Foi muito bonito, falou bonito, só que de conteúdo e aprendizado que é bom, nada. Não teve nenhum. Isso, sem contar que se questionar o orador, se alguém da platéia apertar um pouquinho, e nem precisa ser muito, não sai nada.

Jesus não transmitiu nenhuma lição ao acaso. No evangelho tudo tem uma razão de ser. Todas as expressões contidas nele apresentam uma história viva entre nós. Todo ato do divino mestre e todo símbolo tem significação. Nada é superficial.

O mestre serviu-se da forma empregando-a para designar pensamentos transcendentes, dos quais a forma, em si mesma, não pode dar uma ideia precisa e clara. Isso é para ficar bem guardado. O que estamos falando aqui é muito mais importante do que parece. Nós temos que procurar dentro do material didático a mensagem que ele trouxe, porque atrás de cada simbologia que o texto apresenta sempre encontramos as mensagens de que precisamos. Outro detalhe: não sabemos o que podemos tirar ou colocar no evangelho, o que importa é que se está contido nele nós temos que encontrar alguma coisa positiva.

O que estamos falando é muito bonito. Quem tem estudado tem notado que dentro da letra está embutida a essencialidade. O evangelho é uma mensagem direcionada ao espírito, certo? Todo ele. A linguagem de Jesus é toda espiritual. É roteiro das almas, e por ser roteiro das almas é com a visão espiritual que deve ser lido.

Isso é critério básico de estudo e interpretação do evangelho de Nosso Senhor Jesus.

Daí, o grande lance é a gente saber analisar as partes básicas que o evangelho abre para nós. Está entendendo? Pense para você ver, evangelho está repleto de símbolos e temos que compreender o símbolo e dele tirar a ressonância para a nossa caminhada de vida. Saber tirar o espírito da letra e situar-se na mensagem, no tempo e no espaço. Não tem outra, nós temos que ir além da forma. Saber utilizar a letra, que é a vestimenta da linguagem, e buscar o espírito.

Toda a parte de fora do evangelho é a letra e o que estamos fazendo é ver o que tem dentro da letra. 

O estudo visa retirar a essência das reentrâncias da letra, pois somente a essência, o valor espiritual intrínseco, é capaz de nos fazer penetrar a mente e o coração de Jesus. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem lá dentro. Continuamente temos que nos lembrar de buscar o conteúdo espiritual, porque é este que dá vida, universalidade e eternidade. Então, a dica é esta: quem quiser entender o evangelho de Jesus deve buscar sempre o sentido dos ensinamentos sob o prisma puramente espiritual.

Se a gente analisar bem, o evangelho é simples na sua essência. E para compreendermos a essência lá no fundo da letra, vai depender inicialmente da nossa simplicidade e do nosso carinho. É preciso buscar na intimidade da letra o que Jesus quis apresentar, o que ele quis de fato nos ensinar. E vale mais um lembrete interessante: não vamos deixar que o conhecimento novo que nós temos alcançado, e que ás vezes falta aí fora para a grande maioria das pessoas, em tempo algum venha criar em nós algum tipo de presunção. De forma alguma.

Sejamos sempre simples, solícitos, fraternos, integrativos, humildes e alegres. A vida, entre outras coisas, gosta de gente humilde e bem humorada. Agindo assim ela com certeza continuará nos abençoando com novos e maiores entendimentos.

30 de out de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 11

COMEÇANDO A INTERPRETAR II

Na medida em que o estudo se aprofunda, que ele se encaminha para ângulos mais subjetivos, passamos a observar que os aspectos de fundamentação metafórica, de modo alegórico, compõem uma linguagem figurada que aborda na sua intimidade assuntos da maior transcendência e da maior importância. 

Na medida em que vamos avançando no estudo, nós vamos observando alguns ângulos que vão definindo para nós uma análise mais substanciosa, mais essencial.

É como se vigorasse um processo em que vamos partindo inicialmente de pontos mais sintéticos e depois vai surgindo um sistema de abertura e aprofundamento.

Então, é preciso nos atermos ao fato de que entre o componente revelado, direcionado de cima para baixo, e a identidade nossa com as bases da revelação, vigora um terreno enorme a palmilhar, um caminho longo a trilhar.

E para começar, vamos entender o seguinte: todo o conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer. Ok? Vamos até repetir porque isso é muito importante: todo o conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer inalterado.

Ele não tem que ser renovado ou mesmo alterado de maneira objetiva como muitas pessoas gostariam. De forma alguma os textos precisam ser alterados. O que pesa muito na parte interpretativa não é a questão do fato analisado parecer estranho ou difícil, mas a nossa capacidade maior ou menor de compreender. Ficou claro? Assim, o componente chamado figura, ou melhor, letra, vai permanecer de forma natural, exigindo de nós uma melhor reflexão. Em outras palavras, se não entendemos algo o erro não está no texto, ele é puramente nosso de interpretação. Nós é que temos que nos renovar e passar a penetrar e percebê-lo de forma mais aprofundada.

Quando passamos a penetrar de modo mais intensivo e profundo na intimidade da letra do evangelho, é comum sentirmos que por mais aprofundada que seja essa linha de busca, nós nunca conseguimos alcançar a luz no seu fulcro irradiante. 

Deu para compreender? Nós sempre vamos pegar a luz refletida segundo o piso em que estamos ajustados, segundo o grau de conhecimento que possuímos, o grau de sensibilidade que conquistamos ao longo dos séculos. O evangelho é eterno, e se ele é eterno é infinito. Concorda? O evangelho é uma mensagem que se estende ao infinito. Não é preciso ser estudioso para perceber que ele é uma fonte de recursos que não se esgotam.

A coisa não funciona de forma final, assim: vamos caminhando, caminhando, entendemos, fechou, chegamos ao céu que procurávamos. Não! Não tem nada disso. Não fecha. Aliás, é mais profundo, não fecha nunca. O conhecimento não finda. O entendimento vai sempre abrindo novos parâmetros. Cada vez mais. Nós assimilamos, investimos e o entendimento vai precipitando novas indagações. A coisa funciona mais ou menos como as nossas metas e os nossos objetivos. Chegamos lá e o que acontece? Abrem-se outros. Nós chegamos ao monte que queríamos. O que tem depois? Outros montes, com certeza. É desse jeito.

A linguagem, tanto do velho como do novo testamento, trabalha de maneira extensiva.

Quer dizer, no campo de registro vai se adequando ao desenvolvimento da própria humanidade. Basta pensar, a humanidade não segue se desenvolvendo em todas as áreas? Nas áreas tecnológica, filosófica, científica, religiosa, médica, espiritual, em todo o tipo, enfim, a evolução e o progresso não é uma constante? Logo, em cada momento que vamos percorrendo o conteúdo, que ele apresenta para nós uma amplitude de metáforas e de figuras, é como se o ensinamento transcrito a nível figurado reservasse uma soma grande de elementos que vão sendo abertos, que vão sendo decodificados na proporção em que cada um de nós, segundo o patamar evolutivo, vai conseguindo penetrar e perceber.

Está dando para acompanhar? Nós vamos estudando e cada vez mais o saber se expressa e se verticaliza. Na medida em que evoluímos e que o conhecimento nos atinge, o texto passa a  abrir novas nuances para nós, até mesmo dentro de uma mesma terminologia. Pecado, por exemplo, se a gente pensar bem, se a gente entrar a fundo na questão, é um conceito novo para nós. Resultado: vamos ascendendo e ampliando nossos conhecimentos e vão surgindo conceitos novos.

O estudo tem aberto para nós continuamente uma série de reflexões. E a evolução é assim mesmo. O registro figurado insere uma soma grande de informações que nós vamos conseguindo abranger conforme o nosso próprio crescimento.

Os ensinamentos são dinâmicos e crescem em sabedoria à medida que cresce a capacidade da inteligência para melhor penetrá-los. Você já deve ter notado, hoje aprendemos o que ontem não entendíamos e amanhã entenderemos o que agora se nos mostra incompreensível. É que para uma infinidade de valores ainda nos faltam "ouvidos de ouvir e olhos de ver". Existem coisas que nós estamos aos poucos começando a entender. 

Para se ter ideia, às vezes temos que ficar anos arquivando uma informação, uma proposta, brigando dentro da gente com ela. Quer um exemplo? Uma vez, e isso já faz alguns anos, eu ouvi em uma reunião de estudo que participei uma frase bonita, sintética, profunda. Achei a frase interessante e a arquivei em meu computador. Vou confessar, levei aproximadamente quatro anos para entendê-la. E apenas a título de curiosidade, quer saber qual era a frase? "O filho do homem é a instauração do Cristo na sua segunda vinda". Profunda, sintética, objetiva.

O conhecimento não cessa, não finda!

Porque a evolução não para. Nunca. O processo funciona como se fosse uma espécie de espiral. Isto é, vamos até um ponto e retornamos e daí vão se abrindo novos lances que voltam a nos projetar para faixas mais à frente. Percebeu? A gente avança e retorna trazendo o que captou. E vai mais à frente depois. Constantemente vamos passando por um processo de reciclagem. Nós vamos reciclando elementos e caminhando para processos mais ampliados, mais definidos, mais detalhados, mais sutilizados à medida que prosseguimos. Vivemos muitos momentos no estudo que são reciclagens e aprofundamento de lances anteriores, ao mesmo tempo em que vão se abrindo novas frentes, expressões mais analíticas, mais específicas. E se voltarmos lá na frente a um assunto estudado hoje, e isso é muito comum, notamos que existem alguns ângulos que não foram devidamente compreendidos em nossa primeira abordagem.

As profecias e as mensagens das escrituras, todas elas, mantém certa linha de correlação.

Todos os documentos religiosos da bíblia se identificam entre si, razão pela qual precisam ser trabalhados dentro de um contexto. Vamos clarear esta questão? Repare que a simbologia vai se estendendo à medida em que vamos evoluindo. Certo? Isto já ficou claro para nós lá atrás. O sentido do símbolo vai se estendendo para além da sua faixa literal e a essência vai continuando. E normalmente, dentro da simbologia, as mensagens obedecem uma certa coerência, guardam proximidade interessante quanto ao plano essencial da mensagem.

Vai havendo certa coerência atrás dos textos em que as mensagens aparecem. O que eu quero dizer é que analisando uma parte do evangelho, e encontrando a linha de coerência, fica fácil perceber que ela se interliga com todas as outras partes do evangelho bem como dos outros livros do velho testamento. O texto começa a se expressar dentro de uma linha natural de suavidade e de alta expressão em termos de esperança, consolação e segurança na medida em que vamos encontrando essas linhas de relação entre elas. E nós ganhamos muito quando, no trabalho interpretativo, vamos sabendo relacionar e reciclar os fatos, os acontecimentos, os feitos. Está dando uma ideia? Nós vamos tendo condições de abrir e aprofundar sempre e cada vez mais. Como o evangelho apresenta linhas nítidas de coerência, ele tem que ser trabalhado sempre numa área coerente.

Se você pegar um versículo específico do evangelho, de forma isolada, você pode simplesmente não achar o que procura. Deu uma ideia? Analisando um versículo só, por exemplo, você é capaz de provar que existe reencarnação e em outro você pode concluir que não tem. Ficou claro agora? Na linha interpretativa, entre outras coisas, é fundamental saber trabalhar dentro do contexto.

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