10 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 9

SEM FANATISMO

Muitos companheiros tem pressa na mudança. Tanta pressa que comumente buscam impor a si mesmos.

Violentam-se mediante uma terapia de choque. Recebem algo de fora e não analisam. Pegam e pumba!

Não conhecemos gente assim? Usam uma espécie de terapia equivocada em que a individualidade não tem a paciência necessária de construir a si própria.

É como se dá com o fanático. Aliás, o fanatismo é um processo cristalizado, fechado, em que a criatura entra em um investimento de maneira definitiva e violenta. E o que é pior, inclusive sem medir as consequências. O fanático é aquele indivíduo que ingere conteúdo e nem mastiga. Não questiona, parte para a aplicabilidade sem discernimento, sem o equilíbrio e a segurança que se fazem precisos. Ele recebe algo no sermão da igreja e acha que aquilo tem que ser daquele jeito, e pronto. Não quer nem saber. Então, nós temos que pensar, porque se resolvermos atropelar a evolução está arriscado nós nos fanatizarmos.

E todo fanático é cego. Concorda? Nós estamos dizendo isso sem querer ofender ou menosprezar ninguém, mas é a pura verdade. É cego. Ele acha que o mundo está todo errado, ele é que está certo. Ele acha que é o tal, aquilo que ele acha vira lei. Às vezes, deixa a barba crescer, não toma banho, anda com sandália de dedo arrastando, de qualquer jeito, todo esfarrapado. Em suma, alienou-se.

De forma que temos que ter cautela, capacidade de avaliar. Quando chegar um companheiro em nossa órbita querendo implementar a mudança de forma intempestiva, cuidado. É preciso avaliar, pois não podemos entrar em um plano alienante.

E quer mesmo saber? O fanatismo surge quando a individualidade começa a contrariar as realidades operacionais, naturais e equilibradas. Deu para acompanhar? É um processo que impera de fora para dentro, em que a pessoa pode introjetar padrões e não aplicar esses padrões. Aí piora tudo. Porque ela vai ficar inabilitada, sem a experimentação devida na nova faixa. Deu para entender ou complicou? Repare que tem uma gama imensa de pessoas que buscam um tratamento de choque, imediato, para uma coisa que tem que ser respaldada de forma paulatina, de maneira gradativa, pela repetição e pela experiência.

Meu amigo e minha amiga, preste atenção: nós estamos fazendo um esforço danado para entender o evangelho com carinho e profundidade e não podemos ignorar que a luz direta e intempestiva direcionada aos olhos de alguém pode prejudicar a visão.

E essa é a questão. Somos todos chamados naturalmente a mudar e operar, é óbvio, mas com discernimento e espírito seletivo. E com tranquilidade, porque se nós ficarmos aflitos e apressados nessa busca podemos nos perder e fanatizar em decorrência de uma utilização inadequada dos padrões. Por isso, a gente deve cultivar o processo dentro de um linha de segurança, sem o cultivo de idolatria ou fanatismo. O equilíbrio é imprescindível para que a gente não entre na alienação.

Também não quer dizer que a cada reunião que a gente frequentar a gente tenha que sair fazendo. Aí seria talvez um processo equivocado. Temos que perseverar, claro, mas sem fanatismo. E alguém pode dizer que mudar é muito difícil e complexo, mas temos que entender que a nossa mente sempre precisa de explicação.

É óbvio que qualquer pessoa equilibrada não endossa de forma alguma qualquer tipo de fanatismo. Incluindo o fanatismo religioso, que é o ponto central do nosso interesse.

Todavia, eu não sei se você já pensou a respeito, que o fanático religioso pode agora estar, talvez, violentando a si próprio. Mas não poderia ser pior? Porque enquanto ele está voltado para a religião ele não está entrando em complicações, não está criando problemas de relação que é a grande dificuldade das pessoas.

7 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 8

O MECANISMO DA MUDANÇA II

Para mudar os rumos da nossa caminhada, o que a gente faz? Estuda, lê livros de auto-ajuda, livros de interpretação do evangelho, frequenta cursos, reuniões, idealiza.

Essa constitui a linha conceitual. Em um estudo sequenciado como este, por exemplo, nós estamos trabalhando as linhas estruturais do nosso campo mental, que é onde está toda a base da mudança, é onde está a origem, o alicerce, a gênese de toda a iniciativa de crescimento efetivo.

Mas guarde com você o seguinte: as soluções na nossa vida não virão através da linha conceitual, virão no plano operacional. E isso precisa ficar muito bem claro.

Vamos explicar? Nós podemos sair de uma reunião modificados no campo mental, não podemos? Claro que podemos. Aliás, a renovação mental pode se dar instantaneamente se assim quisermos. Quer dizer, eu posso entrar por uma porta com uma ideia e sair com outra. Entretanto, não vale apenas a conceituação teórica ou a implantação de valores bonitos e de esperança no coração. É preciso implantar a grande luta. 

Sem dúvida, nós temos que apropriar uma carga de conteúdo, mas lembrando sempre que a sedimentação desse conteúdo, a conquista efetiva dele, é com base na aplicação. Em outras palavras, podemos dizer que a manifestação da vida mental representa uma base ou forma que vai ter que ser preenchida pela linha básica operacional do dia a dia. 

A conquista efetiva não ocorre pela assimilação didática do conteúdo, e sim pela estrutura vivencial do conteúdo. É a vivência dos padrões na linha aplicativa de todos os momentos, e em todos os ambientes em que estivermos, que transforma o que era ideia, esboço e propósito em componentes sólidos de nossa personalidade, capazes de passarem a constituir emissão de rotina de nossa vida.

Então, assimilemos valores e, gradativamente, à medida em que as circunstâncias forem surgindo, esforcemo-nos para aplicá-los dentro dessa moldura nova. Porque assim fazendo nós passamos a encontrar sabe o quê? Maior estabilidade, maior felicidade, equilíbrio, paz de espírito e harmonia interior.

Está claro para nós que a mudança é operacional, não é conceitual, certo? E também sabemos que o plano mental define a linha informativa dos caracteres, estabelece o esboço dos caracteres. Esboço esse que vai ser fundamentado e sedimentado apenas de uma única maneira: pelo plano prático realizador diário. De maneira que nós sempre iremos trabalhar utilizando essas duas faixas: informação e formação, assimilação e aplicabilidade, aprender e fazer.

E apesar da mudança efetiva ser operacional, nem por isso o plano mental é menos importante no processo. Pelo contrário, ele é importantíssimo, pois afinal de contas a linha conceitual é a forma que vai modelar a mudança operacional e final.

E se eu não mantiver essa base conceitual firme, bem definida, e não nutri-la de valores claros e seguros, sabe o que acontece? Na primeira oportunidade, na primeira adversidade, eu desisto e volto para a antiga sistemática de ação. Percebeu? Porque a nossa linha de pensamento ainda é fugidia, ainda apresenta uma aura suscetível de diluir-se por falta de alimentação e determinação mental.

É por isso que nós lemos muito. Repare que na medida em que chegamos ao final de cada livro nós tivemos vários pontos que foram acionados, que nós introjetamos e eles precisam ser aplicados, vivenciados. Assim, ao estudarmos nós estamos buscando fortalecer todo o nosso plano mental, encontrar força para as mudanças, de modo a que os nossos propósitos não sejam apenas lances eventuais, mas componentes permanentes em nosso pensamento para a ação.

A grande verdade é que nós temos sido muito frágeis, temos demonstrado muita fraqueza na hora de implementar as medidas. 

No final de cada estudo ou de cada reunião que participamos, por exemplo, nós saímos felizes. Ficamos eufóricos e entusiasmados com tanta coisa interessante que aprendemos. Conhecemos algo novo que a nossa mente endossou, enaltecemos o aprendizado, fazemos discursos, exposições eloquentes, escrevemos poesias, discursamos de forma brilhante, no entanto persiste a luta vivencial na nossa própria intimidade. Aprendemos e não fazemos o que aprendemos.

Na hora de enfrentar os momentos da aferição a situação fica difícil, e usamos o jeito antigo.

Para se ter ideia, eu posso sair de uma reunião espiritual ou de um culto em uma igreja motivado e determinado a mudar. Não posso? Posso sair harmonizado, decidido a colocar em prática os ensinamentos aprendidos e simplesmente não fazer nada. Posso sair de um estudo com muitos esboços dentro de mim, esboços que definem uma mentalidade mais equilibrada e harmônica, e esse esboço ser desmanchado ali mesmo, logo na saída, no portão, brigando ou entrando em desajuste com alguém. Percebeu? Eu saio determinado a aplicar e na primeira esquina, ou ao entrar dentro de casa, eu quebro o pau, como se diz na gíria. Discuto com alguém, me desentendo com alguém.

Quer dizer, eu entendi e não fiz, aprovei consciencialmente o ensinamento e não o apliquei.

Aí não adiantou. E o que é que eu vou ter que fazer? Uma releitura. Vou ter que reciclar, reforçar o conhecimento, começar de novo. Lamentavelmente, isso acontece demais.

Para ser mais preciso, são raros os que mantém a resolução necessária para aplicar a luz que recebem. A maioria das pessoas, após momentos de sublimidade nos grupos a que se afeiçoam, esquece rapidinho os valores recebidos e volta-se novamente para as mesmas condições de horas antes da assimilação.

Ou seja, saem com a aura mudada, atravessam o portão de saída, pegam o ônibus ou entram no carro e o esboço positivo já se desfaz. Mal chegam em casa e já começa a manifestar o homem velho. E retornam na semana próxima com as mesmas aspirações da semana anterior.

2 de set de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 7

O MECANISMO DA MUDANÇA I

Tem pessoas que acham que podem evoluir apenas somando informações captadas, sejam essas informações provenientes de leituras, de reuniões, de cursos ou de coisa parecida. Elas ficam apenas em busca de informações: "eu faço curso disso, faço curso daquilo, participo de uma coisa aqui, participo de outra coisa ali". E assim vão seguindo, apenas introjetando padrões no campo mental.

Realmente tem pessoas que acham que podem sair de uma reunião e já mudar tudo. Mas o fato é que essas, de certa forma, ainda não adquiriram a capacidade de ajuste.

Porque vamos ser sinceros, não dá para sairmos de uma reunião ou de um culto religioso e achar que somos outra pessoa. Não dá para alguém sair, chegar no portão e simplesmente dizer: "eu agora sou outro homem" ou "mudei, sou uma nova mulher". Não dá para usar esse discurso do "mudei, sou outro". Quê isso? Vamos ser realistas, não é outro ou outra coisa nenhuma. Isso é conversa mole. É papo pra boi dormir. A pessoa pode ser outra com novas ideias e propósitos, mas o seu espírito ainda é o mesmo, cheio de marcas.

Analise junto comigo: não há como sair de uma área para outra área sem passar por aquilo que nós chamamos de transição, certo? Quando você saiu de onde estava, mas não chegou onde você queria, você está no trânsito. Ok até aí? Então, se está no trânsito está em transição. E a transição é transitória, é uma fase, é um período.

E no plano da transição, quando nós passamos de um ambiente ou de uma etapa para outro ambiente ou outra etapa, nós entramos no novo ambiente ou nova etapa levando conosco uma soma de reflexos que ainda são marcantes em nós. Percebeu? Nós levamos muitas marcas fortes e vigorosas da nossa personalidade.

Quando nós entramos numa vida nova nós trazemos ressonâncias da nossa forma de agir de vidas passadas. Então, não existe essa coisa de sai daqui, passa pra lá, é outro, tudo novo, começa do zero novamente. Não! Isso não existe.

E tem outra coisa: todos nós, sem exceção, nos situamos debaixo de uma soma imensa de caracteres milenares que trazemos do passado e que não podem ser mudados de forma instantânea, imediata, num abrir e fechar de olhos.

E esses caracteres embutidos na nossa personalidade são vigorosos, ou seja, exercem uma influência na nossa vida muito maior do que a gente possa imaginar. Não existe a menor possibilidade de desativarmos esses reflexos por sistemas mecânicos ou elaborações mentais de periferia. Está dando uma ideia? Essas cristalizações de longo período no inconsciente não podem ser arrancadas com algumas palavras e induções psicológicas de breve duração. Não são extirpadas através de simples atitudes milagreiras de momento. Então, vamos ter em conta que atitudes mentais enraizadas não se modificam facilmente. Para se ter ideia, o vício não cede o lugar sem luta. É preciso destronar um elemento que impera para que outro assuma a sua devida posição.

No campo da nossa evolução não existem milagres. O que existe é trabalho constante e consciente.

Não dá para aquele que está participando de uma reunião achar que no final vai sair batendo asa de anjo. Isso vai ser impossível. É preciso estruturar uma marcha gradativa, elaborar novas condições. Criar um sistema todo especial, mas que não vá colocar a criatura em uma linha sistemática em que ela perca a sua espontaneidade. A nossa presença em um estudo, por exemplo, é uma atividade que abre para nós um verdadeiro celeiro de informações, a fim de que as nossas mudanças não sejam feitas de maneira insensata e nem tão pouco abrupta, intempestiva. O trabalho tem que ser levado de maneira racional, segura e tranquila, com naturalidade, de tal modo que o ato de mudar seja algo positivo e não implique em um estado de alienação da vida.

A maioria das pessoas tem pressa em mudar. Pressa não no desejo da mudança, mas no alcance do resultado. Todavia, é preciso desmistificar a ilusão de que muitas coisas podem ser mudadas com passes de mágica. De fato, seria muito bom se em cada mudança de conceituação nossa no campo da vida a gente pegasse o ponto sombrio e desmanchasse. Pegasse uma borracha e apagasse. Isso é o que a gente queria. Concorda? Mas é assim que acontece? Não. Será que realmente achamos no fundo do coração que vamos sair de uma reunião e mudar? Como não existe milagre, não somos capazes de passar uma esponja em tudo o que fizemos e mudarmos de repente, de um instante para outro.

Não dá para ficarmos como os religiosos tradicionais: frequentei a reunião ou o culto lá, mudei, sou outro e tal. Não! Não tem jeito. Isso é relativo. A cada dia temos que operar, gradativamente, o terreno da mudança. Nós não podemos simplesmente pegar uma foice ou um trator e sair derrubando as árvores que plantamos.

A mudança efetiva não é um momento apenas, é um processo. Processo em que vamos criando novos conceitos. E a sedimentação de conceitos não se faz apenas em cima de uma linha que chegou e nós assimilamos de maneira intelectiva. É lentamente e com regularidade que se formam os conceitos, é lentamente que damos forma a eles. Conceitos são formados aos poucos, como ocorre com o uso de uma medicação contínua.

Então, não tem outra, temos que ter paciência na sedimentação dos conceitos. Sem contar que como a nossa mente é muito fértil muitas vezes nós não criamos só conceitos, ficamos nas linhas restritas e difíceis do preconceito, o que é duro.

Nós temos reflexos em nossa vida que podem ser mudados com muita rapidez, outros que exigem um bocadinho mais de tempo e outros que, às vezes, vão gastar muito mais. Quem sabe ainda duas ou três reencarnações. Pode parecer que estou exagerando, mas a questão é por aí. E se quisermos fazer uma mudança radical em nossa personalidade vamos notar que possivelmente entraremos em frustração.

É preciso que a incorporação dos novos padrões íntimos cumpram certos períodos, que podem ser medidos em dias, meses e anos. Eles necessitam cumprir esses períodos para que haja a sedimentação. Inicialmente, os padrões novos chegam pela linha assimilativa e na linha assimilativa entra o quê? Semente e germinação. Depois o crescimento, a floração e a frutificação. Resultado: eles vão ter que ser vivenciados, repetidos e fixados. E até serem devidamente fixados precisarão ser trabalhados naturalmente durante o período necessário.

30 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 6

ESCALAS GRADATIVAS

Se a gente pensar bem, muito da nossa perseverança se desmorona sabe por quê? Porque ao invés de traçarmos metas para a semana, nós queremos traçar metas para o ano inteiro.

A gente mal tem uma ideia e logo quer fazer coisas altamente sofisticadas, altamente complicadas.

Não é por aí? É comum a criatura nem ter dado o primeiro passo e ela já começa a cultivar o desejo de grandeza. E verdade seja dita: toda pessoa que quer fazer tudo de uma vez, sem gradatividade, estabelece projetos mirabolantes que não raras vezes costumam acabar em grandes decepções e frustrações.

Não se impressione, a questão não é de entusiasmo, a questão é de esforço persistente.

Guarde o seguinte: em plano algum a natureza age aos saltos. Tudo na natureza tem um processo lento e gradativo de afirmação. Concorda? E com o processo ascensional nosso não é diferente, ele tem que ser feito passo a passo.

Ninguém edifica de improviso, mas à custa de trabalho incessante. Nós não vamos dar saltos, a edificação propõe lances gradativos. Não vamos dar saltos. Não adianta projetarmos que um dia vamos ser anjos se não trabalharmos o passo a passo. Precisamos começar nossa edificação do princípio, dos pontos básicos. Começar de forma consciente e sólida pelas menores coisas que nós guardamos. Como no erguimento de edifício, levantando e solidificando ponto a ponto.

Imagine que a nossa intimidade seja uma caixa d'água com um determinado índice de sujeira, de poluição. A princípio, o que a gente precisa fazer para limpá-la? Preste atenção, estamos fazendo referência à nossa caixa d'água mental. Ok? Inicialmente, a ideia que nos vem à mente é que a gente tem que esvaziá-la, ou seja, fechar o registro, a torneira, esvaziar a caixa e enchê-la novamente.

Só que não dá para fazer isso, porque assim a evolução cessa. Não dá para esvaziar o conteúdo mental e começar do zero. Daí, o que é que nós temos que fazer? Em primeiro lugar, temos que avaliar o grau de poluição existente e avaliar o nosso conteúdo, identificar os nossos recursos positivos, os nossos valores.

Em seguida, ir colocando água limpa e, ao mesmo tempo em que a água limpa entrar, deixar que aquele cano que fica na extremidade superior da caixa, comumente chamado de ladrão, vá jogando água para fora. Deu para acompanhar? Com o decorrer do tempo vai acontecendo o quê? Vai havendo a clarificação gradativa dessa água. Logo, esse é o processo que estamos buscando fazer.

Isso sem contar que se a gente simplesmente colocar água pura essa água talvez não seja capaz de nos dessedentar, em razão da nossa estrutura de poluição íntima ser compatível com nosso grau de evolução vigente. Percebeu? Com isso nós estamos reafirmando que o processo de melhoria e crescimento é gradativo, é passo a passo.  

A vida é assim, melhoram-se as dificuldades, continuam as lutas.

A gente vence uma etapa, acha que acabou, que fechou e o que acontece? Surgem outras pela frente. Realizamos um objetivo e outro objetivo é elaborado adiante.

Isso não é para nos desanimar, é para nos mostrar a grandeza da vida, a beleza e o dinamismo da vida. 

A pessoa diz: Cheguei! E quer saber? Chegou nada. A chegada finalística não existe. Quando se chega no fim de uma etapa é hora de começar uma outra etapa.

26 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 5

REPETIÇÃO E CONTINUIDADE

“PORTANTO, MEUS AMADOS IRMÃOS, SEDE FIRMES E CONSTANTES, SEMPRE ABUNDANTES NA OBRA DO SENHOR, SABENDO QUE O VOSSO TRABALHO NÃO É VÃO NO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:58

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

Jesus perguntou a Pedro: "Amas-me"? Uma vez. "Amas-me"? Duas Vezes. "Amas-me"? Três vezes. É uma referência para nós de que o trabalho de aprendizagem se faz em cima de repetições. E não tem como ser diferente, o crescimento surge efetivamente em termos de constante repetição. Não há mistério, nós temos que aprender a repetir porque a metodologia da evolução implica em repetição.

A cada dia que passa nós nos mantemos debaixo da cobertura da misericórdia divina e do carinho dos amigos espirituais, e o auxílio que recebemos vem muito em decorrência sabe de quê? Dos componentes positivos que implementamos em nós mesmos chamados de continuidade, persistência, vontade, garra, abertura de coração, humildade, desejo de crescer conscientemente e luta reeducativa.

E quando a questão é estudo a metodologia não é diferente, é a mesma. Ou seja, a repetição é a base fundamental também da legítima assimilação de conhecimento.

É por isso que tantas vezes nós ficamos aqui repetindo coisas, batendo em vários ângulos já conhecidos nossos, insistindo nas mesmas teclas conhecidas. Elaboramos um capítulo, mais adiante o mesmo capítulo retorna, mais ampliado e sob o nome de 2ª edição, 3ª edição, e por aí vai. O fundamental é que sempre precisamos repetir.

E isso não funciona apenas para um ou para outro não, funciona pra todo mundo. 

A gente tem que repetir. O estudo, seja ele qual for, não tem como dar uma pincelada, acabou, estudei, já sei e pronto. É lenta e gradativamente que nós vamos abrindo o campo da verticalidade informativa. Vamos repetindo e trabalhando em cima do mesmo assunto, e cada vez que trabalhamos incorporamos algo novo.

Em cada reunião e cada estudo que participamos nós temos praticamente uma reciclagem. Você concorda? É assim que aprendemos. Aqui não é diferente. Quantas vezes nós repetimos aqui? O nosso mecanismo de sedimentação se faz com base no componente repetitivo, que é instrumento didático. Não se esqueça disso, é uma reciclagem num percentual enorme de padrões que nós já conhecemos. Às vezes, um toquezinho chega e a criatura pega. Ela ouviu lá, ouviu ali, aquilo lhe foi dito algumas vezes e chega um certo momento em que abre e ela compreende: "Engraçado. Já ouvi falar tantas vezes isso. Hoje é que eu entendi".

Guarde mais uma coisa da maior importância: o sistema de aprendizado, todo ele, é embasado no ângulo da experiência e da repetição. Não se sai de um ponto e vai para outro ponto pelo simples fato de nós termos lido ou aprendido algo em um estudo ou em uma reunião. Isso nós temos que ter em conta. Para que as experiências se façam acompanhar de resultados positivos e proveitosos na vida, faz-se indispensável que os dias de observação e esforço se sucedam uns aos outros.

Ficou claro? É pela repetição que nós chegamos lá. 

A conquista é por uma soma, e não por um ato isolado. Aliás, se a gente pensar bem um ato isolado em certas situações pode até ser aflitivo para nós. E a experiência única não tem condição sequer de sobrepor-se ao condicionamento da criatura.

Você está cansado da rotina? Parece que todo dia é a mesma coisa? Não se aflija. Está certo que temos que renovar, mas dentro do plano da perseverança a rotina ainda é uma necessidade para nós. Ela tem um sabor chato, monótono, cansativo, mas é importante. Em todo o universo a lei de repetição é fundamental.

É pela rotina que nós sulcamos e alteramos o psiquismo, é por que ela que fixamos os caracteres novos. Em suma, é a rotina que atesta a nossa legítima conquista. Agora, é óbvio que compete a cada um de nós utilizar certas providências que possam vez por outra quebrar a rotina, e mesmo dentro dela podemos elaborar linhas interessantes e inovadoras com uma vibração de diversificação.

Se você pensar bem, a nossa evolução não está centrada no estudo que participamos hoje, nem no que participaremos em qualquer outro dia, como também não está no livro que estamos lendo. Porque a formação de uma personalidade nova é inerente a um processo repetitivo que vai marcando a direção do curso da vida. A fixação é decorrente da repetição daquela forma delineada, daí tem que repetir, repetir, repetir. Não tem outra forma, o progresso é pela repetição.

Não dá para adquirir experiência, tranquilidade e segurança na base do corre aqui, mexe aqui, faz ali, igual um beija-flor. Não dá. O beija-flor pode pegar a essência que precisa no papel específico dele, mas o nosso trabalho é de continuidade, pois a sedimentação e fixação dos valores assimilados decorre da repetição.

É por isso que evangelho ensina que "aquele que perseverar será salvo" (Mateus 24:13).

É preciso a repetição continuada para que se dê a fixação. A resultante é de cada minuto que se vive, razão pela qual nós temos que bater muito nessa questão. E ao mesmo tempo saber viver ativamente e adequadamente cada minuto que passa, apropriando os valores e componentes que se irradiam no momento. Ok? Vamos pensar nessa questão com carinho para que possamos atingir os objetivos a que propomos.

A conclusão que tiramos com muita convicção é: persista! O fundamental é começar e continuar, sem ficar preocupado com o que poderá vir em termos de prêmio amanhã. Vamos dar o nosso recado e perseverar. Dar o nosso melhor, embora sabendo que o nosso melhor sempre pode ser melhorado. Façamos a nossa parte com entusiasmo, dedicação e alegria, pois o resto não é com a gente.

E por que eu estou falando muito nessa coisa de persistir? Por que eu estou insistindo muito nisso? Porque por enquanto muitos dos nossos objetivos são largados pelo caminho. Simplesmente não chegamos neles. Você já pensou nisso? Crescemos, mas continuamos igual criança, que está brincando com um brinquedo, aparece outro e ela larga o primeiro. Ou, então, o brinquedo quebra e ela pega outro.

Precisamos avaliar isso, porque em termos de fixação de objetivo e meta nos mantemos pouco felizes ainda. São muitos os motivos que geram isso, mas o fato é que vez por outra nos defrontamos com valores e circunstâncias que nos envolvem de várias formas e nós acabamos nos desviando da meta. E enquanto isso estiver acontecendo é um sinal claro de que não estamos tendo a autoridade suficiente para produzir com consciência e equilíbrio. Percebeu? Repare para você ver, a gente começa e para tanta coisa. Começa e não termina. Quantas coisas que consideramos importantes a gente começa e não continua?

Com isso eu não estou dizendo que toda a ideia que tivermos, que toda a meta que nós traçarmos, vamos ter que chegar até ao final dela. É claro que não. De forma alguma. 

Eu não estou falando isso. A estrutura vivencial pode produzir alterações. É normal. Você pode perfeitamente iniciar uma jornada e alterar o percurso, resolver mudar a rota, decidir caminhar para outro ângulo. Pode idealizar um objetivo e no encaminhamento do contexto resolver alterar e retificar o curso. Isso faz parte. Pode acontecer. Agora, cá pra nós, você retificar o rumo é uma coisa, se esquecer da meta que propôs ou desconsiderar a meta é outra coisa bem diferente. E é aí que está o problema. É isso que gera a dificuldade.

19 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 4

A PERSEVERANÇA

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

Uma coisa que nós temos aprendido ao longo do tempo, e que podemos afirmar com toda a certeza, é que o processo de evolução tem que ser fixado na perseverança.

Vamos ter em conta a capacidade de perseverar. Não há luta com êxito sem perseverança.

A sistemática de ação tem que ser fixada na perseverança. O crescimento é pela sua utilização e em qualquer pessoa não tem como ser diferente. Ninguém receberá as bênçãos de qualquer colheita sem o devido suor da sementeira.

E nós podemos até ir além, sem qualquer exagero: a perseverança é o instrumento fundamental da conquista. É a base da vitória, componente básico da realização. Constitui o caminho seguro para toda ocasião em que a individualidade se desperta e quer conquistar, principalmente quando ela quer acesso a algo novo que não conhece.

Sem ela não há caminho para a felicidade. Em suma, nós não temos como operar alterações seguras no roteiro e nem conquistar o que queremos sem perseverar.

Exemplos nos ajudam no esclarecimento, então, toda vez que você pensar em desistir lembre-se que a semente tem que vencer o obstáculo apertado da cova escura para poder germinar; que nenhuma semente acorda árvore de uma noite para o dia e que tão pouco é possível encontrar frutos na árvore nascente.

Não se prepara o solo para a plantação sem retificá-lo ou feri-lo, e somente a terra trabalhada é capaz de produzir, alimentando e atendendo a esperança do plantador.

Em suma, a realização de qualquer objetivo que propomos exige uma dinâmica continuada.

Você estabeleceu sua meta? Se sim, tente uma vez, tente duas, três vezes e, se possível tente a quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeira tentativas, porque a persistência é amiga da conquista. O processo da evolução tem que ser fixado na perseverança, e perseverança diz respeito à permanência. Significa conservar-se firme e constante no propósito. É persistir, continuar, manter a força ou ação. É ter firmeza, permanecer sem mudar ou variar de intento.

Ficou claro? Persistência representa a busca que a criatura elege. A maioria das pessoas quer fazer, quer realizar, mas a vontade é da boca para fora. Daí, se você quer chegar aonde a maioria não chega, precisa fazer o que a maioria não faz.

É comum a gente ser apanhado na nossa luta reeducacional dentro de um túnel. Já pensou nisso? 

E sabe por que túnel? Porque na maioria das vezes em que uma luz nos toca e nos sensibiliza nós reconhecemos que no momento do despertar estamos dentro de um túnel escuro. 

Vemo-nos circunstancialmente em um labirinto escuro, cerceados e limitados dento de um túnel sem luz. E mais, que toda a sombra em volta, toda a complicação dentro desse túnel, desse ambiente que nos envolve e limita, foi criada por nós mesmos lá atrás mediante escolhas menos felizes que efetivamos. 

Quer dizer, escolhemos indevidamente no dia de ontem e hoje a vida nos colocou nesse ponto difícil, até mesmo para refletirmos.

E aí o que fazer? A solução é buscar sair do túnel. E para isso é preciso usar de discernimento para nos desonerarmos desse sistema. O túnel é escuro e a gente tem que caminhar dentro dele até achar uma abertura com uma claridade na ponta. Concorda? Tem alguma outra saída? Não, não tem. Nós temos que percorrer atrás dessa abertura com paciência e determinação para poder sair.

A gente não pode simplesmente destruir o túnel, explodi-lo e pronto. Se fizermos assim, o que é que acontece? Fechamos a eventual saída e corremos o risco de ficar por mais algumas reencarnações envolvidos na confusão toda. Percebeu?

Isso é o que tem acontecido com muitos de nós. Diante da necessidade de sair da dificuldade que nos limita os passos, redimensionamos conceitos, passamos a pensar melhor, melhoramos posturas, no entanto ainda continuamos no trânsito complicado, escuro e difícil do túnel em que nos situamos. Estamos pensando na luz, estamos produzindo luz em nós, nossa semente está vibrando de uma forma diferente, mas ainda nos situamos em meio às trevas. Ainda vivemos dentro do túnel, sujeitos a todas às pressões e complicações que ele manifesta.

16 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 3

A ARBITRARIEDADE

Nós já estamos começando a entender que não se pode interferir negativamente no processo evolucional de ninguém. E isso é algo tão importante, tão essencial, que nós vamos até repetir: não se pode interferir negativamente na dinâmica evolucional de quem quer que seja. Afinal, a liberdade de alguém sempre termina onde começa outra.

Às vezes, nós queremos interferir de maneira radical na linha evolucional dos outros e é preciso não complicar o interesse do semelhante. Nós não podemos de forma alguma brincar com a vida dos outros, com o caminho que os outros estão seguindo.

Não podemos, em nome do nosso livre-arbítrio, querer impedir o determinismo superior quanto às outras individualidades com quem nós convivemos ao longo da vida.

Tem muita gente que confunde livre-arbítrio com arbitrariedade. Arbitrário é aquela decisão que independe de lei ou regra e resulta do arbítrio ou capricho pessoal. Aliás, o livre-arbítrio é livre até o momento em que ele passa para a arbitrariedade, porque aí já deixou de ter aquele sentido extraordinário de livre-arbítrio.

Todos nós sabemos que o livre-arbítrio às vezes é cerceado, especialmente quando ele tem uma conotação distorcida que pode gerar complicações para os nossos corações ou aquela tonalidade que tange para uma proposta fechada de arbitrariedade. 

O indivíduo vai usando e transformando o seu livre-arbítrio em arbitrariedade e ele acaba por entrar no campo de situações exteriores menos felizes que são providências que visam a conduzi-lo às mudanças necessárias pelo cerceamento de determinadas posturas. Deu uma ideia? De modo que os abusos da razão e da autoridade constituem faltas graves ante o eterno governo dos nossos destinos.

Em um planeta de provas e expiações, que é o que nós estamos vivendo, desmandos acontecem, não é? E quando a pessoa apronta, muitas vezes não se sabe se é livre-arbítrio ou se é arbitrariedade. Quer dizer, o elemento sai aprontando dentro do contexto social em que orbita, dentro do ambiente em que se situa.

Realiza desmandos com uma extrema indiferença e insensibilidade. Tem aqueles que saem aprontando de tudo quanto é jeito. Uns menosprezam aqui, outros agridem ali. Tem os que assaltam, ferem, outros matam um, matam dois, três. Todavia, cada individualidade responderá por si um dia, diante da verdade maior.

E vamos entender uma coisa para início de conversa: apesar das conturbações ambientes, dentro do universo existem leis sublimes que funcionam numa linha absolutamente inteligente e correta. Daí, sabe até onde a ação de cada criatura vai? Até onde não estiver complicando. É isso mesmo, nós vamos até onde não estivermos complicando.

Quando nossas atitudes se tornam inconsequentes, a grandeza de Deus com as suas leis não permitem.

O equilíbrio no contexto universal não pode ceder à arbitrariedade dos indivíduos.

Imagine o seguinte: o indivíduo chega em nosso ambiente e começa a aprontar. Isso não pode acontecer? Ele elege uma vida criminosa e sai aprontando. Daí, vamos analisar, quem está sendo vítima desse elemento? Os que tem débitos passados. Percebeu? Porque na hora em que esse agente começar a ameaçar inocentes, será que o criador vai concordar e aceitar seus desmandos? Impossível. 

Não se pode afligir quem não deve. Você se lembra de Saulo quando ele iniciou as primeiras perseguições aos cristãos? Pois então, ele afligiu alguns, mas quando foi atrás de Ananias a história mudou. Afinal, foi mexer com quem não devia.

Em nosso planeta, onde não existem vítimas, a arbitrariedade somente é aceita e tolerada enquanto os seres ultrajados estão sob o jugo da lei, enquanto estiverem recebendo as ações menos felizes aqueles que têm dívidas com o destino. 

Será que deu para entender? A criatura vai adotando atitudes desvirtuadas e nocivas até o momento em que a espiritualidade entende que aquilo está sendo de alguma forma útil para muitos. Inclusive para muitos que estão recebendo essas forças negativas tentarem retemperar o próprio mecanismo do destino. O indivíduo vai complicando o meio social em que ele vive enquanto as vítimas são devedoras.

De forma que muitas vezes o que está recebendo as ações está quitando a sua fatura, ao passo que outro está criando. Criando nova dívida para pagar no dia de amanhã.

O livre-arbítrio é respeitado, mas a arbitrariedade pode ser cerceada. Não é permitida a arbitrariedade dentro de uma área que não compete às vítimas ou pacientes receberem a arbitrariedade. Deu para entender? O indivíduo está aprontando, assaltando, maltratando, matando. Por enquanto, ele está tirando a vida de quem tem provas a cumprir. De quem tem débitos. Na hora que começar a ameaçar quem não tem nada a ver, daí a pouco, por exemplo, vem um tiro e pronto. Morreu fulano. Perfeito? Tirou do circuito. Ele é tirado fora do contexto.

Na hora que começar a complicar para além das fronteiras que interessam a nós e aos que nos circunvolvem, o barato dele é cortado. Na hora que o agente começa a entrar no terreno de quem não tem nada a ver, o plano superior tira ele de lá. 

Daí, nós não temos que ficar preocupados, porque na hora em que a espiritualidade notar que ele passou ou está passando da linha, corta a condição dele.

É da lei que cada individualidade responda pelos seus atos. E o detentor de certa autoridade que exige mais do que lhe compete, transforma-se em um déspota que o Senhor corrigirá através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento oportuno. Essa certeza deve ser o suficiente para funcionar como alento e fator de tranquilidade para que o seguidor do evangelho, em hipótese alguma, quebre o ritmo da harmonia, a fim de manter a sua consciência em paz.

12 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 2

CONCEITOS INICIAIS II

A gente caminha elaborando sonhos e fazendo projetos, no entanto, acreditemos ou não, aceitemos a verdade ou a recusemos, nós não vamos até onde definimos como projeto. Nossa tarefa chegará simplesmente até o ponto em que o Senhor permitir. E nenhum passo além disso.

E quando chega nesse ponto, aí não tem jeito. Não adianta chorar, esbravejar, gritar, revoltar. E não vale desistir.

Todas as individualidades do planeta, e em todos os tempos, conheceram e sempre conhecerão aquele momento em que a vida não deixa ir além. Como dizem as escrituras: "Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo" (Tiago 4:15), e "o coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Provérbios 16:9).

Então, se cada criatura humana dispõe do livre-arbítrio para criar o próprio destino, cada qual atua em uma faixa determinada de tempo. A vida é dinâmica e nada, absolutamente nada, é para sempre. Todos os espíritos, sem exceção alguma, sejam tiranos ou santos, malfeitores ou heróis, atingem sempre um limite da estrada em que o plano maior lhes impõe uma pausa para o exame necessário.

O livre-arbítrio é uma prerrogativa relativa porque acima dele vigora o determinismo divino. Existe uma determinação divina de que cada qual tem que progredir. E não tem como fugir da evolução. Não é uma questão de querer ou não querer.

A lei divina preceitua, sem exceção, que todos nós estamos determinados a evoluir.

A lei de Deus determina o progresso para todos e o determinismo opera independentemente das nossas decisões pessoais, das nossas propostas de decisão e de escolha. Então, o determinismo é uma lei maior a vigorar em todo o universo e ele se fundamenta totalmente no componente absoluto chamado amor.

Há quem acha que o livre-arbítrio é uma conversa por causa do determinismo divino. Todavia, vamos entender que o livre-arbítrio é a abertura que temos dentro da lei de determinismo. E a manifestação do determinismo também não é absoluta, também não é fechada. Sabe porquê? Porque pela utilização adequada dos recursos da nossa liberdade de escolha, que estão sempre alterando o destino e os rumos da vida, nós podemos facilitar muitas coisas para nós.

Deu uma ideia? O livre-arbítrio influencia no plano detalhado do determinismo de maneira positiva ou negativa. A retirada do determinismo está na linha direta do bom uso do livre-arbítrio. Nosso livre-arbítrio se amplia na medida em que entendemos o determinismo divino. Quanto mais enveredamos dentro do determinismo divino mais entramos no usufruto amplo do livre-arbítrio, quanto mais se expressa em nosso entendimento o determinismo mais se abre o nosso livre-arbítrio.

E queiramos ou não, com o livre-arbítrio está entregue em nossas mãos as rédeas do destino, e cada qual vai trabalhar em função do que fez com o seu uso, do que operou de positivo ou negativo. Precisamos de responsabilidade na base das escolhas para não perdermos essas rédeas, porque é um privilégio e uma felicidade estar com as rédeas do destino nas mãos. É bom a gente ter o direito de opinar, de escolher e decidir em cima das várias facetas da vida. E eu estou dizendo isso porque com o livre-arbítrio tanto colocamos barreiras como tiramos impedimentos do nosso destino. Seres livres com limitada liberdade que somos, nosso livre-arbítrio é elástico, ou seja, podemos estendê-lo ou bloqueá-lo.

Por ele nós criamos prisão e cerceamento aos nossos passos, como abertura e libertação.

Então, vamos ter em conta que a sua ampliação vai estar na faixa direta de nossa capacidade de compreender e discernir. Quase sempre, quando cedemos à vontade superior dentro do plano de nossa caminhada, o livre-arbítrio volta na frente muito mais ampliado para nós. Quanto mais harmonia e equilíbrio de nossa parte mais o seu parâmetro se abre, e nós podemos ter o livre-arbítrio ampliado até onde fala o pensamento harmônio superior. Será que deu uma ideia?

Quanto mais nós andarmos direitinho, na lei, mais o livre-arbítrio vai se abrindo para nós. Quanto mais as nossas atitudes se distendem em favor de um interesse globalizado e não egoístico, mais ele vai sendo aumentado, sendo ampliado.

Por outro lado, quanto mais nos fechamos sobre nós próprios dentro de um encasulamento pessoal, mais restrito ele vai ficando. O livre-arbítrio é cerceado com base na utilização menos adequada dele e nós começamos a ser cerceados.

Isso acontece demais da conta. Quanto maior for a nossa invigilância, quanto maior a irreverência nossa, mais esse parâmetro se fecha. Sempre um livre-arbítrio é reduzido em função de sua má utilização. Nunca há um processo de cerceamento do livre-arbítrio por capricho divino. Todas as vezes que ele é retirado não é por vontade caprichosa de Deus, mas por irreverência e invigilância nossa.

8 de ago de 2017

Cap 61 - Livre-Arbítrio (2ª edição) - Parte 1

CONCEITOS INICIAIS I

“TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÉM. TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS EU NÃO ME DEIXAREI DOMINAR POR NENHUMA.” I COR 6:12

“TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÊM; TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS EDIFICAM.” I COR 10:23

“EM LUGAR DO QUE DEVÍEIS DIZER: SE O SENHOR QUISER, E SE VIVERMOS, FAREMOS ISTO OU AQUILO.” TIAGO 4:15

“O CORAÇÃO DO HOMEM PLANEJA O SEU CAMINHO, MAS O SENHOR LHE DIRIGE OS PASSOS.” PROVÉRBIOS 16:9

A palavra arbítrio diz respeito àquela resolução que depende apenas da vontade.

Daí, nós vamos entender o livre-arbítrio como sendo a liberdade de manifestação das ações humanas. É o poder que cada individualidade tem de decidir e agir por si mesma, de ser independente. E trata-se de uma concessão ímpar, um mecanismo que funciona a nosso próprio benefício. Quer dizer, Deus confia à nossa consciência a escolha do caminho que queremos seguir, bem como a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós. Entendeu essa parte das influências contrárias? É que sem elas nós ficaríamos privados de nosso direito de escolha, e sem a liberdade de escolha seríamos autômatos do universo, sem a alegria sequer de vencer as lutas.

O livre-arbítrio representa a base do destino. Sobre ele se fundamenta a ação, e seu uso decorre das aspirações elevadas ou egoístas que norteiam a individualidade.

Representa o fator de escolha do caminho a seguir, em que cada espírito ilumina-se pelo discernimento para adquirir experiências que lhe cabe realizar de modo a erguer os seus próprios méritos. E não se trata apenas de escolha no campo das decisões puramente interesseiras do dia a dia, mas das opções amplas da vida.

Mediante esse direito de opção e escolha das realizações, cada individualidade investe no seu livre-arbítrio como quer, da maneira que deseja. Pode utilizar essa liberdade da melhor maneira que lhe aprouver. Pode escolher o caminho reto ou sinuoso, claro ou escuro em que mais se apraza seguir. Pode utilizar essa liberdade até mesmo para se comprometer.

O apóstolo Paulo é claro quando diz "todas as coisas me são lícitas" ( I Coríntios 6:12 e I Coríntios 10:23).

Então, fica alguma dúvida? Não! Tudo é lícito indica que tudo por ser feito, que não existe restrição no plano educacional do ser. E tanto pode tudo que nós temos no mundo criminosos e gente desregrada de tudo quanto é jeito. Logo, a regra é simples: tudo é lícito. Somos livres na escolha do caminho que queremos seguir.

A multidão esmagadora de seres humanos aprende que não há limite no uso do livre-arbítrio, que tudo pode, que tudo é permitido, e aí o que ela faz? Vai! No entanto, a verdade ensinada por Paulo não se limita ao tudo é lícito. Ela vai adiante: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém" (I Coríntios 6:12 e 10:23).

Percebeu a questão? Tudo é lícito, todavia a restrição aparece de forma velada na parte seguinte, no mas.

O problema não é a licitude, porque tudo pode; o problema não é o que podemos ou não podemos fazer, porque tudo nós podemos. O problema está na conveniência.

E por achar que o que é conveniente para nós tem que ser conveniente para os outros, tantas vezes nós entramos em dificuldades com as pessoas e vira uma bagunça danada.

Tentamos impor aos outros as nossas ideias e vontades e criamos briga com os familiares, com os vizinhos, com os colegas. O que preceitua que precisamos de critério na formação dos nossos planos de ação. Precisamos avaliar e saber decidir, afinal de contas muitas coisas que são convenientes para nós não são para os outros, e e muitas coisas que são convenientes para os outros não são para nós, e pronto.

Como não há violência no império do amor, cada individualidade tem o direito de utilizar o seu livre-arbítrio, a sua liberdade de escolha da forma que lhe convier, até mesmo para se comprometer. E é aí que está a chave da questão. O livre-arbítrio é uma faculdade que expressa o estado evolutivo do ser. Não pode ser exteriorizado sem responsabilidade por parte daquele que o utiliza, e é por isso que ele é uma das coisas mais extraordinárias que nós temos que trabalhar.

Aliás, temos aprendido que o seu uso adequado envolve uma capacidade de sensibilização no que diz respeito às faixas de sentimento, com uma claridade racional nítida de forma que a sua manifestação seja capaz de propiciar respostas favoráveis no contexto do nosso caminho. A qualidade do fruto começa na qualidade da semente.

Cada qual tem o seu livre-arbítrio e somos livres para decidir acerca de nossos atos, embora nos tornemos escravos de suas consequências. Logo, vamos saber escolher bem a nossa jornada, porque se não for com bom senso, simplicidade e calma, em uma construção positiva e segura, não adianta que vamos ter problemas na frente, vamos ter percalços na caminhada, vamos ter dificuldades, embora todo aquele que se compromete, pela escolhas menos felizes que faz, encontra o ensejo oportuno de reparar, recomeçar e libertar-se.

Ao analisar este assunto algumas pessoas costumam dizer que o livre-arbítrio não funciona tanto quanto parece, porque nem sempre vamos usufruir dessa faculdade de decidir como gostaríamos. E de fato nos situamos dentro de uma liberdade relativa.

É a pura verdade. Não podemos esquecer que ele é uma concessão divina, mas seu caráter não é absoluto. Quer dizer, ele não é amplo. Nosso livre-arbítrio é automaticamente limitado. É relativo. Tem situações que vamos querer e não vamos poder. Tem ocasiões em que somos torpedeados em nossos ideais, porque a espiritualidade entende que vamos nos complicar, que vamos criar desajuste em torno dos nossos pés. E o que ela faz? Nos cerca da mesma forma que um pai limita a ação de seus filhos, de modo a impedir que determinados fatos negativos venham a acontecer. Ficou claro? No entanto, a grandeza e a bondade de Deus estão empenhadas em abrir nosso livre-arbítrio o mais rápido possível.

2 de ago de 2017

Cap 60 - A Pesca Maravilhosa (2ª edição) - Parte 18 (Final)

O DESPERTAMENTO

O grande despertar dos corações depende de um processo de reflexo, de refletir a luz.

E nesse assunto nos vem à mente uma experiência em laboratório. Nessa experiência, o cientista, biólogo, químico ou experimentador coloca um ser unicelular numa lâmina de microscópio para examinar. Não é assim? E o que ele faz? Faz uma série de procedimentos para ver se aquele elemento reage. Atua de várias formas para tentar ver se surge um reflexo, para ver se aquele microorganismo reage.

Lança sobre ele um foco de luz e ele está quieto; coloca calor, água quente e ele está quieto; joga água gelada e ele não se mexe; coloca um produto químico e ele continua imóvel; põe ácido e ele permanece lá, estático. Percebeu? Ele joga uma cor, outra cor, joga isso, joga aquilo. Para quê? Para que aquela criatura reaja a algum produto que é colocado.

Então, vamos sair do elemento unicelular colocado na lâmina e falar sobre nós seres humanos. O orientador lança um foco de luz no educando para que ele reaja, o que indica que à nossa volta existe uma enormidade de corações que nos induzem.

O educador faz um papel semelhante a esse experimento. Ele adota estratégias e tenta arrumar instrumentos que possam fazer com que o educando se movimente. Ele tem que encontrar pontos na intimidade do educando que possam fazê-lo interessar-se pela sua comunicação, pela sua orientação, para que ele se mexa e saia do lugar.

Esse processo tem a finalidade de fazer com que o educando alcance outros pisos.

É isso o que a espiritualidade tem feito conosco ao longo dos milênios e que nós temos que aprender a fazer. A espiritualidade, entre outras coisas, está tentando incentivar em nós esse papel de educador. E o educador não faz esse papel? De tentar arrumar instrumentos que possam fazer com que se movimente a intimidade do educando? Então, o nosso objetivo como orientador, se é que nós podemos dizer assim, é o de despertar potenciais.

Pense comigo, o processo educacional visa o quê? Despertar os potenciais do indivíduo. Acompanhou? É despertar. Despertar o quê? Despertar alguma coisa que já existe.

Daí, o lance é trabalharmos de maneira tal junto às pessoas para que essas pessoas se descubram a si mesmas.

Vamos soltar o que há de melhor em nosso coração e tentar encontrar um coração que tenha uma série de componentes que possam refletir. Deu uma ideia? Agora, é evidente que nós não vamos ficar saindo por aí procurando A, B, C ou D e lhes chatear até que eles reflitam. Também não é por aí. Mas vamos pensar.

É por aí que parte o processo que altera a inércia em que a criatura estava, que altera a linha e o posicionamento em que ela repousava.

Na experiência de laboratório a criatura está lá parada, mumificada. Não se mexe. E o que o experimentador faz? Vai trabalhando com ela até ocorrer o reflexo. Perfeito? Em determinado momento ele utiliza um componente que age como indutor e faz o papel de que espécie? De força centrípeta. E consegue penetrar. E a célula se movimenta. Deu uma ideia? Foram sendo feito tentativas. Depois, por exemplo, colocou um determinado componente químico e houve uma mexida, uma alteração. O componente fez com que aquele elemento se movimentasse, quer dizer, ele reagiu em função daquele tipo. E essa reação significa que iniciou o seu mecanismo evolucional.

É o que acontece no plano moral conosco. É por aí que parte um processo que altera a inércia em que a criatura se situa, aquela linha em que ela estava repousada.

E no momento em que a criatura reage, nessa hora, implanta-se uma conexão vibracional. E ela reflete. Ela conseguiu captar aquele valor. O toque mexeu em algum lugar, alterou todo o processo assimilativo e indutivo. E ela mexeu. A partir daí é que começa outra fase.

Nós somente podemos evoluir quando se instaura em nós o mecanismo de reação interna.

É por esse motivo que o processo evolucional depende de uma reação nossa. Sempre há uma linha dualística: um componente que irradia e outro componente que recolhe. 

E dentro desse contexto, os caminhos, os percursos, a atividade, a inércia, o bom senso, o equilíbrio, a insensatez e todos os padrões que experimentamos a cada momento no dia a dia vão depender da postura de cada um de nós. A capacidade de assimilação e de reação ocorre em função de inúmeros componentes que o elemento possui e passa a irradiar gradativamente.

Nós podemos influenciar junto de um coração dando sugestões, aconselhamentos, dando ideias, mas é ele quem tem que dar os passos. É a didática de movimentação dos valores estáticos desse elemento que passa a entrar em ressonância. Quando consegue atingi-lo, ele se mexe. E se movimentou deixa por conta dele, porque ele vai. Se não for nessa fase, nessa etapa, vai na outra, mas vai.

Junto do instrutor o aprendiz quase sempre apenas observa e aprende. À distância, porém, experimenta e age, vivendo que aprendeu. Junto ele observa, assimila e aprende; longe ele aplica.

E tem que deixá-lo ir. A proteção excessiva e inconsciente elimina os germens do progresso e da elevação. Subtrai o protegido do clima de realização que lhe é próprio e do resgate individual. De forma que estabelecer dependência dessa ordem é criar o cativeiro do espírito, que anula a faculdade de improvisação e estimula os vícios do pensamento.

Outro ponto que não podemos esquecer em momento algum é que a sensibilização é nossa, a capacidade de sensibilizar, mas o despertamento é do outro.

Na justiça nós somos empurrados. Concorda? Se nós devemos, a vida de alguma forma vai cobrar e nós vamos pagar. Se devemos, de um jeito ou de outro a gente paga! Pode ser chorando, gritando, reclamando, mas paga! Isso é da lei. É da justiça.

No entanto, nós estamos falando em termos de amor, pois a realização de um objetivo pressupõe amor. O início da mudança pode até ser pela justiça, mas a chegada é pelo amor. E nesse aspecto, se não tiver despertamento íntimo, uma luzinha íntima que brilha, não adianta ficar ajuntando equações que não chega.

Às vezes, gastamos tempo e rendemos tempo ao tempo para que esse despertamento se dê, para que ele aconteça. Por exemplo, nós podemos ter ouvido alguma coisa há seis meses atrás, e pode acontecer disso que ouvimos lá atrás nos ser trazido hoje novamente por uma outra pessoa em circunstância diversa. Quer dizer, aquilo que ouvimos nos chegou novamente, trazido por outra pessoa em forma de ajuda, de orientação. Isso não acontece? E eu penso: "Puxa, ouvi isso de novo. Agora sim, eu entendi. Ficou claro. Abriu para mim. Realmente é isso mesmo". Deu uma ideia? A sensibilização é de quem direciona o padrão, de quem encaminha o valor, mas o despertamento é de quem recebe.

E para que o despertamento se dê o toque tem que alcançar lá dentro, tem que chegar lá no fundo. Ele tem que trabalhar o plano de sensibilização com profundidade.

Um indivíduo, por exemplo, em uma situação adversa pode chorar de raiva. Mas na hora que está com tanta raiva ele desabafa: "Eu não aguento mais isso!" E nesse momento em que ele disse "eu não aguento mais", quem sabe a vibração tinha 99% de raiva e 1% de "para onde eu vou, o que é que eu faço". Percebeu? Talvez a criatura não entenda com lucidez e claridade o toque recebido quando ele chegou, mas esse toque recebido pode ficar repousado na intimidade dela como um toque de bem estar. E depois, num período relativo de um, dois, três ou quatro dias, ou uma semana, duas, três semanas, aquilo pode começar a germinar dentro dela e vir à tona o despertamento e favorecer aquele coração. 

E tem outra coisa que acontece demais. O indivíduo passa por situações difíceis, mas não é tocado. Aquilo ainda não mexeu no fundo. As manifestações exteriorizadas por ele de tristeza, inconformação, ou sei lá, são só emoções relacionadas com a experiência difícil que ele está vivendo. Entendeu? Ele está na emoção periférica ainda.

E também pode acontecer dele se sensibilizar de fato, e nessa descida ao seu íntimo ele chegar lá no fundo, no extremo, todavia ele não se resolve. Ele não se dispõe a entrar em um sistema sincero de mudança.

É por isso que tem situações que só a dor resolve. O sofrimento e os impactos são componentes que vão abalando as estruturas de resistência do ser. Vão abalando a tal ponto que quando chega um momento de ser tocado o indivíduo já foi embatido muitas vezes. Os impactos do sofrimento, da dor, da frustração e da dificuldade fazem rachaduras imperceptíveis nessa crosta íntima, e é por essa rachadura que acaba chegando a luz.

Por isso, de quando em quando é necessário deixar o discípulo entregue a si mesmo. Ainda que o nosso carinho e a nossa linha emotiva sugiram o contrário. Porque não cabe na linha de orientação básica fundamental da alma a luta declarada entre a luz e a treva. Além do que, há pessoas em quem a vontade de instruir-se e crescer é apenas aparente, e com estas perde-se tempo. Insistir com elas equivale ao que Jesus disse sobre dar pérolas aos porcos.

Nós também temos aprendido ao longo do tempo que para chegarmos a um grau de compreensão e de  cooperação legítima a primeira coisa que temos que fazer é tirar da cabeça aquela proposta de querer que a pessoa mude a si mesma na nossa frente, bem no momento em que estamos diante dela. Porque na nossa ótica cultivamos isso, esse caráter curto de tempo. Nós achamos que todas as pessoas são capazes de reformular o sistema de vida em um ano, dois anos, quatro anos, cinco anos ou em uma encarnação, e não é por aí.

De nossa parte, precisamos trabalhar com as criaturas com naturalidade. Quantas vezes, em conversa com algumas pessoas, conseguimos observar que está relativamente fácil resolver o problema delas. Elas nos expõe suas lutas, suas dificuldades, e a gente conclui que não está difícil. Não está difícil na nossa ótica. Percebeu?

No lugar delas, nós, quem sabe, conseguiríamos solucionar em um prazo curto de tempo. Mas para elas a barra está pesadíssima. Para elas, puxa vida, ainda vai demorar muito tempo. Para elas, a solução que nós visualizamos ainda é desafio insuperável.

Essas criaturas estão ainda num grau muito grande de desinformação ou estão vinculadas a um sistema de vida muito diferente e que as situam a uma distância enorme da proposta de mudança e da solução. Mas a gente precisa ter calma neste aspecto. Muita calma. Afinal, quantas experiências frustradas e por tão longo tempo nós tivemos que passar para chegarmos até aqui?! E os espíritos amigos sempre se mantiveram ao nosso lado, acompanhando-nos sem agonia. Quantas vezes eles acharam que a nossa mudança seria em determinado tempo e não foi. Que seria no próximo, e não foi. E agora é que estamos mudando. Se é que nós estamos mudando de verdade. É algo para pensar.

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