20 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 12

A IMPLANTAÇÃO

Essa desativação que nós estamos estudando pode se processar de duas formas: por meio da justiça ou por meio da vivência do evangelho. Aliás, é bom lembrar que todas as vezes em que assimilamos a palavra nós passamos a operar com dois instrumentos fundamentais que são o instrumento da morte e o instrumento da vida.

Temos que buscar crescer na marcha gradativa utilizando essa espada de dois gumes. Quer dizer, aprendemos e evoluímos de forma simultânea pelo impositivo da justiça, de fora para dentro, como também em função da revelação do amor.

Essa espada de dois gumes é utilizada, em tese, por todos aqueles que começam a abrir o campo dos seus valores intelectivos na busca de realizações espirituais. Ela é trabalhada em várias partes do evangelho e em outros livros da bíblia vamos notar igualmente a sua presença.

É muito bonito e interessante esse sistema e nele vigora uma sincronia extraordinária. A evolução em favor da nossa felicidade caracteriza-se pela luta com essa espada.

E afinal de contas, se ela tem dois lados quais são eles?

A espada funciona com uma sistemática de ação em que vamos tentando, pelo conhecimento, realizar dois pontos fundamentais. Ou seja, entramos em um sistema de luta e de investimento para conseguir realizar duas coisas de forma simultânea. Primeiro, trabalhar cerceando as manifestações intempestivas e irreverentes dos reflexos que dominam de forma automática dentro da gente. Deu uma ideia?

Um lado da espada opera sob o aspecto negativo, do não fazer. Visa cercear as manifestações indesejáveis, desativar as nossas dificuldades, cortar um pouco da complicação a cada dia.

E o outro lado objetiva trabalhar o aspecto positivo, do fazer, operar com componentes novos sensibilizando a nossa intimidade para outros ângulos de ação.

Este segundo lado praticamente abre caminhos para novas propostas de realização. Implementa padrões novos pelo superconsciente. Paralelamente àquela linha inicial de refreamento, busca arregimentar novos caracteres na formação de uma nova personalidade.

Em suma, os dois lados definem que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar novos pensamentos, palavras e ações que nos garantem a vitória sobre nós mesmos. Acompanhou?

A espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna. Não tem outra, só ela é capaz de criar a paz verdadeira, a paz que traz saúde e alegria ao espírito.

Na medida em que adentramos em uma postura nova, nós a avocamos mediante uma eleição de mudança de dentro para fora e passamos a cuidar da solução dos nossos problemas sem os lances duros do sofrimento periférico de fora para dentro. Entendeu esta parte? É muito importante essa questão, porque essa espada só pode ser empunhada por nós mesmos, de forma consciente  e com iniciativa e espontaneidade. Ela só pode ser avocada de dentro para fora, pela adesão firme do sentimento e com o uso da nossa vontade.

A gente não precisa sofrer tanto. O evangelho aponta a melhor maneira de sanearmos as nossas dificuldades, sejam elas quais forem. A sua sistemática é infinitamente menos dolorida. É uma forma suave e vem sendo trabalhada de maneira tranquila. Com outro detalhe fundamental, o que ela conquista é duradouro.

No campo das concepções mentais, mais precisamente do pensamento, ela é suscetível de projetar uma vida mais segura e feliz, que é a vida que Jesus definiu como sendo abundante. De forma que quanto mais trabalharmos em uma nova postura vibracional, vai acontecendo que nós vamos conseguindo transformar a nossa configuração íntima em uma base mais firme e mais harmônica.

O segundo gume da espada se caracteriza pelo sentido operacional. Abre terreno para recebimento de novos padrões no intuito de alcançarmos o crescimento consciente. Consiste no chamamento para fazermos aquilo que já sabemos, mas não fazemos ainda. É só a gente pensar um pouco: a questão é apenas tamponar aspectos da nossa imperfeição ou fazer por onde abrir perspectivas novas de crescimento? Porque uma espada pode ter um papel acentuadamente intimidador, como pode também apresentar sugestão de ação e trabalho. E o pressuposto básico para quem quer evoluir de forma consciente é subir os degraus com segurança e tranquilidade em uma linha de dentro para fora.

A mudança que você deseja na sua vida, e que eu desejo na minha, essa alteração que desejamos para melhor com certeza não vai ocorrer pelo constrangimento, pelo cerceamento, pelo bloqueio, mas por uma capacidade assimilativa.

Quer dizer, para desativar um ponto, seja ele qual for, nós temos que ativar outro.

É assim que o mecanismo evolutivo se desenvolve. A proposta passa a ser a assimilação. É necessário que outro elemento, outro valor novo, seja capaz de apresentar um grau de interesse acima daquele ponto a ser superado. A desativação por meio do evangelho decorre da ativação de novos padrões, é a desativação decorrente da ativação de outros componentes, de novos caracteres.

Está acompanhando o raciocínio? Uma terapia eficiente não se dá só pelo cerceamento, e sim pela laboração simultânea de padrões positivos. Isto tem que ficar muito claro, não dá para a gente avançar no estudo sem o devido entendimento a este respeito. Ninguém vai erradicar um vício unicamente pelo refreamento da ação. Sabe porquê? Porque se ocorrer simplesmente um tamponamento no interesse é provável que aquilo que se quer superar volte novamente mais cedo ou mais tarde, e o que é pior, volte ainda de forma bem mais intensa. Então, vamos guardar: para que eu cerceie a manifestação de pontos negativos eu tenho que gradativamente incorporar outros de natureza positiva.

A cada momento nós estamos desativando alguma coisa. Já pensou nisso? A cada momento nós estamos desativando, mas só teremos êxito nessa desativação se, ao mesmo tempo, estivermos edificando caracteres novos. Porque não tem como retirar alguma coisa sem uma respectiva substituição.

A reestruturação ocorre pela mudança da postura mental e também pela sedimentação de novas posições por meio da prática de valores positivos. Essa é a maneira acertada. O que sedimenta a morte? O nascimento em um novo ângulo.

Você ativa outras frentes e acaba sendo feliz no que diz respeito à vitória sobre os chamamentos que eram comuns. Só é possível êxito na desativação se, ao mesmo tempo, houver a edificação de aspectos novos, se houver a abertura de potenciais capazes de reduzir a intensidade daqueles ângulos negativos suscetíveis de levar a criatura a sofrimentos e desequilíbrios. Logo, a sistemática é recolher a informação e operar a informação. Aprender e fazer o que aprendeu. Isso mata a antiga postura do indivíduo e o revivifica em outra posição.

Se objetivamos a redenção espiritual, somos todos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno. Tanto a regeneração quanto a evolução não se alcançam sem um preço e o mecanismo ascensional exige planejamento, estudo e elaboração. A morte que nós buscamos decorre da luta, ocorre pela aplicação dessa espada em uma postura pessoal de testemunho.

Então, de forma resoluta lutemos para fixar componentes novos no intuito de apaziguarmos nosso espírito, pois se soubermos suar no trabalho honesto não precisaremos chorar depois no resgate justo.

A questão básica é saber se vivemos no Cristo tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real em nossa consciência sem a sua presença. Mais cedo ou mais tarde, todos nós que transitamos nas estradas do mundo aprendemos uma coisa: crescimento sem a vivência do evangelho não é evolução, é ilusão!

14 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 11

O REFREAMENTO

No primeiro toque da revelação é possível notar que ela vai nos exigir certa postura de refreamento. Basta lembrar que ela sempre nos chega sob a forma de justiça.

O sistema de refreamento é um dos lados (ou gumes) da espada. Certo? Vamos entender de forma clara: um lado da espada trabalha o aspecto do não fazer.

Isto precisa ficar bem claro para nós. Vamos crescer usando a espada de dois gumes. E o primeiro lado desativa as influências mais intensivas dos reflexos inferiores que nós sentimos são possíveis de serem superados. 

Visa cercear a linha que emerge do nosso subconsciente e que pode nos levar a situações tristes e às quedas. Deu uma ideia? A espada é um instrumento de progresso que inicialmente corta as nossas más inclinações em uma postura de intensa batalha íntima pela continência de nossos impulsos menos felizes. 

O erguimento da espada reeducacional praticamente apara e corta os elementos de natureza inferior que nós ainda cultivamos. Aponta aquele ângulo em que cada dia vamos cortando uma parcela da complicação, vamos cortando as arestas representativas das nossas dificuldades, das nossas falhas, dos nossos vícios.

Não tem outra, para levarmos a efeito a edificação sublime precisamos começar pela disciplina de nós mesmos.

Acho que não há dúvida a este respeito. Estamos todos, cada qual a seu modo, tentando recompor e reestruturar nossas vidas, e se estamos trabalhando a questão da morte dos padrões menos felizes sabemos que essa morte se expressa pela desativação dos mesmos, como sabemos que não triunfaremos no mundo apenas em função daquilo que fizermos, mas igualmente pelo que deixarmos de fazer no âmbito de nossas falsas grandezas.  Isso, sem contar que em meio às nossas ações e reações do dia a dia nos é dado medir a paz que já alcançamos.

Vamos falar uma coisa, sem crítica: Qual é o ponto básico, fundamental, que vigora no meio das religiões tradicionais com o objetivo de se conseguir essa desativação? Você já reparou? Já pensou nisso? É um acerto na ótica dos seguidores. 

Eu não estou dizendo isso para criticar ninguém. De forma alguma, mas é o não posso beber, não posso falar palavrão, não posso vestir tal roupa, não posso passar em tal lugar, não posso me relacionar com tal pessoa, não posso fazer isso, não posso fazer aquilo, e haja não posso. Fica tudo debaixo de cordas, amarrado, cerceado, bloqueado. E muita gente tem vivido assim. 

Esse é um método que visa a desativação unicamente pelo mecanismo da justiça. Quer dizer, consiste apenas no bloqueio da manifestação indesejada e nada mais. 

Fica restrito à postura do refreamento, do não fazer. Ocorre pela pressão de fora para dentro no sentido de evitar a exteriorização do padrão que se quer desativar. Trabalha-se apenas cerceando ou evitando a manifestação dos reflexos inferiores, o que, aliás, é um método relativamente dolorido e que pode, inclusive, levar o indivíduo a um processo místico e fanatizante.

A gente fala em reeducação e a maioria das pessoas fica só no tamponamento dos erros, no cerceamento das condutas menos felizes. E não é por aí. Só bloquear as manifestações das faixas inferiores da personalidade ou só dando certos lances ocasionais de conduta feliz talvez não atenda à segurança e harmonia de alguém.

É só pensar. O pensamento represado é uma carga inestancável. Vira uma panela de pressão. E se a individualidade apenas bloqueia a sua manifestação ela pode como que ir se acumulando, e quando essa carga expande, o que acontece? Não é difícil imaginar. Sai de baixo, aquilo pode sair de uma forma sem controle.

A soma irreverente de nossos padrões, e que cada qual trás consigo do pretérito, ainda domina a gente. Então, nós temos que ficar atentos, temos mesmo que tamponar e colocar barreiras para que eles não se expressem de forma contundente. Em muitas ocasiões, precisamos mesmo colocar corda, amarrar.

Mas é preciso entender e analisar a questão de uma maneira mais profunda, de maneira mais abrangente. Em outras palavras, é preciso ir além dessas amarras.

Analise o seguinte: alguém vai viver amarrado, vai viver controlado a vida inteira? Está entendendo? Ninguém vai. Aliás, mais cedo ou mais tarde na trajetória da evolução sempre vai chegar um momento em que vai ter que soltar o indivíduo, que vai ter que desamarrar. Por isso, tem que ver como é que o processo vai evoluir a nível prático para que essas cordas possam ser desamarradas e afrouxadas gradativamente e a criatura possa entrar num padrão novo que vai ser capaz de sedimentar a desativação. Tem que pensar e trabalhar para que isso aconteça.

Logo, as ações tem que se conjugar adequadamente. É preciso trabalhar de fora para dentro no plano de contenção, no plano de bloqueio, de controle das manifestações difíceis, mas também vai ser preciso haver uma incorporação de dentro para fora no plano operacional de novas diretrizes, de novos ângulos. Ficou claro?

10 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 10

A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA II

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

A letra, ao encontrar nosso plano de percepção, cria quase que de forma instantânea um estado de luta dentro da gente. Cria o conflito decorrente da necessidade intrínseca de se conquistar a paz. Por isto, a lição de Jesus é conhecida como a espada renovadora, o instrumento de luta íntima e geratriz da paz com o qual deve o homem lutar consigo mesmo extirpando os velhos inimigos do seu coração.

A letra aponta uma mensagem e se ela nos atinge é porque estamos em um campo de reação.

Então, não se inquiete. Todo conhecimento gera conflito quando chega. E esse conflito instaurado, essa luta franca e aberta, representa sabe o quê? Um componente que integra o sistema educacional de forma natural. É normal, no mecanismo da evolução ele aparece como um dos elementos que marcam de forma decisiva a metodologia da aprendizagem. A instrução (informação) que chega gera a luta e a formação educacional (aplicação) produz a paz, porque a paz é decorrente da luta. 

Sem luta não há paz. 

A informação detona a luta e a aplicação dessa instrução no campo prático da vida, a nível de formação de novos padrões, garante a paz. E na proporção em que vamos operando com clareza em cima do novo valor recebido nós vamos assinando os tratados de paz na vida consciencial. Vamos aprendendo a nos administrar.

O objetivo dessa luta é matar a criatura antiga (homem velho) e, ao mesmo tempo, vivificar a nova expressão (filho do homem). É esse o objetivo, nem mais nem menos.

E dessa morte, ou melhor dizendo, dessa pseudo-morte, em tese eu ressuscito na nova vida que eu proponho.

Quer dizer, a letra faz o papel de eliminação, de desativação, e a essência faz o papel de reedificação. A letra mata uma expressão de vida para fazer surgir uma outra feição de vivência.

Está conseguindo acompanhar? A letra fala para o homem velho e a expressão vivificante fala para o homem novo que quer nascer (o filho do homem). No sentido literal a letra (ou espada) mata, tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novas colocações. Mata uma expressão de vida para fazer surgir outra feição de vivência.

A letra que chega de fora mata toda a configuração que selecionamos como suscetível de morrer, e por dentro tem o componente de vivificação que nós estamos tentando trabalhar com ele. A letra (espada) penetra e altera, de forma finalística, toda uma estrutura formada do ser. Em outras palavras, transforma. Funciona para matar a lei e fazer vivificar uma dimensão nova na moldura do amor.

Assim, na medida em que penetramos em espírito e verdade, na intimidade da letra, nós começamos a transformar o que era decretação de morte em uma eleição de vida em nova posição. Vivificamos na essência que a letra trouxe e mantemos uma vida tal que eliminamos a nossa maneira de viver de antes, mas sem perder o direito de existir em vida plena à partir daí.

Se você pensar bem, a cada momento nós estamos criando uma morte que atrás dela vibra uma vida abundante e melhor.

É uma morte que representa revivificação, morte que representa ressurreição.

O que é captado pela informação, como revelação, passa a ser componente de vida, de experiência, e essa experiência cria sabe o quê? Um sistema de morte para aquilo que era a nossa forma de viver. Quer dizer, a aplicação do valor novo vai matando uma soma de conceitos e de concepções e vai, ao mesmo tempo, abrindo um novo processo em termos de vivência. A gente vai vivendo o novo valor e isso vai reformulando os conceitos, vai mudando as concepções, vai alterando a nossa base. Valendo lembrar que nem sempre essa morte é imediata, nem sempre ela ocorre logo após a assimilação.

A letra mata. E a letra corresponde ao componente exterior. O próprio sofrimento que nos alcança representa a letra.

Todavia, como a proposta da lei não é apenas respaldar o destino e fazer com que paguemos a nossa dívida, ela busca acima de tudo nos direcionar para uma nova linha de crescimento. Quer dizer, a parte periférica da letra mata o conceito anterior, só que essa letra ou essa espada da lei não tem o objetivo de matar, ela visa a edificação do espírito atrás dessa morte aparente que avoca.

Porque o que tem dentro da letra ou da lei, que é a essência, não vem para matar, vem para fazer ressurgir uma nova personalidade. Ficou claro? A essencialidade contida na letra não vem para matar efetivamente, vem para dar vida a uma expressão nova.

A própria dor traz uma mensagem e uma essencialidade contida dentro dela, busca trazer vida em um parâmetro melhor. Daí, vamos entender de uma vez por todas que o sofrimento, como letra, não chega para acabar com a vida de ninguém. No campo profundo da alma a proposta das provações é matar, sim, mas matar para redirecionar o destino da pessoas a uma outra sistemática de vida.

O valor vem trabalhar a intimidade da individualidade de forma a projetar outra forma de viver.

É por isto que é preciso saber assimilar para implementar um sistema novo. É algo para a gente pensar com carinho. 

A letra mata, mas se nós não soubermos aprofundar além dessa letra, se nós não colocarmos um aprofundamento para que a vida surja dessa letra, para que redimensionemos os padrões mantenedores da nossa própria vida em novos parâmetros, em outros ângulos, não avançamos, desperdiçamos a oportunidade e simplesmente não damos o sentido dinâmico para o crescimento.

Sempre vamos lidar com esse mecanismo na jornada. Sempre. Razão pela qual, para que a evolução aconteça a paciência tem que ser acionada. Vamos guardar o seguinte: nada na vida é sem sentido. Pode até parecer não ter sentido às vezes, mas nada acontece sem finalidade. Atrás de toda a circunstância existe algo a ser transmitido.

O que precisamos é saber entender a mensagem dos acontecimentos. Como na passagem do cego de Jericó, o importante é a gente ter vista, a gente saber entender as coisas. 

E a conclusão disto é que tudo se torna bem enriquecedor quando conseguimos encontrar e entender a mensagem que vigora atrás dos acontecimentos que nos visitam. Lembrando que esse matar não é um matar para morrer, mas matar para reviver, porque no contexto da grandeza de Deus, da bondade Dele, não existe morte, existe propostas de vida.

31 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 9

A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA I

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

O texto fala em letra e espírito. E o que é a letra? A princípio, vamos notar que a letra do evangelho não é a essência do conhecimento. Ok? A letra não é a essência, o espírito é que é, todavia mesmo não sendo a essência ela faz um papel importantíssimo.

Basta analisar que não é possível direcionar uma essência, levar uma essência, seja ela de qual natureza for, sem um instrumento de natureza exterior que a encaminhe. Uma essência não pode ficar esparsa, solta, ao léu, ela precisa estar contida em algo, em um invólucro, envolvida em uma embalagem e esse algo é a letra.

Então, a letra é a embalagem, é o invólucro, o instrumento material que traz em seu íntimo todo o conteúdo. 

Ela é a forma, o componente exterior. É como se fosse uma caixa ou como se fosse a casca de uma fruta que envolve, protege e contém em seu íntimo o próprio fruto.

A letra é o veículo, a expressão periférica, o componente de natureza exterior. O elemento que traz as revelações, o canal, o instrumento comunicador responsável pela veiculação e encaminhamento de toda a essência que se encontra dentro de si mesma. A letra aponta e direciona uma mensagem que está contida em seu interior. Canaliza para uma essência contida em seu íntimo, afinal não há como direcionar qualquer essência sem uma letra que a transporte.

A letra é o dispositivo legal, instrumento revelador da verdade. Material didático que tem que ser trabalhado, decodificado. Repare que todo mecanismo de evolução visa direcionar uma essência. E como tudo na natureza se transforma, os valores estruturais são suscetíveis de alteração, de forma que a letra se forma e se decompõe.

Outro ponto é que letra não realiza o trabalho vivificante, isso é questão do espírito.

A letra é objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que nos chega.

Está dando para acompanhar? Ela é o casulo que mantém guardada a essência dos ensinamentos, faz o papel de síntese para abrir uma nova proposta de vida interior. O que ela faz é nos conduzir de maneira aprofundada para o componente espiritual. Ela nos encaminha, faz o trabalho como que de enxada abrindo o solo do coração para um tesouro que é de nossa própria iniciativa pessoal alcançar.

A parte de fora do evangelho é a letra. E o que estamos buscando num estudo como este? Tentar ver o que tem dentro da letra. Estamos querendo ir além da parte periférica e ter acesso ao conteúdo, à essência do conhecimento. É por isto que interpretar é pegar a letra e ver o que tem dentro dela, porque o espírito, sim, é a essência, é o conteúdo, o aprendizado efetivo, o fator vivificante.

Todas as lições presentes em todos os livros da bíblia tem tanto aspectos literais, que é a parte exterior, como tem também as partes de profundidade, de característica espiritual na intimidade delas. O que é necessário é realizar um trabalho de extrair o espírito de dentro da letra, porque se a letra representa a verbalização de lá para cá, o amor por sua vez é manifestação de cá para lá.

Vamos observar que inicialmente, por meio da nossa busca, resultante daquilo que o nosso íntimo grita e deseja, a palavra que chega passa ser assimilada por nosso grau de percepção. E nós passamos a apreender padrões novos, a ingerir valores informativos. 

Lembrando que cada individualidade vai decodificando o fator novo, assimilando e enxergando aquele ângulo quase sempre compatível com os seus próprios padrões e as suas necessidades. Entendeu essa parte? Cada qual interpreta o que chega com o que tem dentro de si. Dessa forma, a palavra recebida penetra o corpo. Não o corpo físico, material, óbvio, penetra o corpo de concepções, o corpo de ideias, de conceituações e valores íntimos.

E qual objetivo finalístico da letra? O texto é claro, a letra mata. Certo? Para ser mais completo, a letra mata e espírito vivifica. Logo, se a letra mata, o início é pela letra. 

E alguém pode perguntar como é que a letra mata, como ela consegue matar.

O que acontece é que a letra é a proposta de justiça que nós ingerimos. A primeira coisa no processo de evolução consciente é o conhecimento que nos visita, são as linhas delineadas de uma nova vida que chegam. Chega em forma de letra e ela começa a apontar situações que vivemos e que necessitam ser reexaminadas e recicladas. Por esta razão é que quando trabalhamos a letra nós estamos trabalhando os instrumentos da morte. A letra cria um estado de morte, isto é, ela nos coloca em uma ameaça de morte. Este é o papel, nas faixas mais exteriores do evangelho vigora a letra que faz um papel de morte, de entregar à morte.

O detalhe é que a letra só mata quando ela é percebida, quando não é ela não tem perigo nenhum de matar. Aliás, estamos cansados de ver coisas e de aprender coisas que não propiciam alteração nenhuma, que não mudam nada. Concorda?

É comum alguém dizer assim, após conversar com uma pessoa: "Pois é, eu falei algumas coisas para ele, pra ver se ele acorda. E se ele pensar no que falei, vai ter que refletir." Mas quer saber? Muita vezes não pensa. Às vezes, o que ouviu vai passar o resto da vida e vai desencarnar sem ter pensado naquilo. Porque aquilo não é algo interessante na ótica perceptiva dele. Ele não está nem aí. Ele está com a cabeça voltada para outras coisas, aquilo não lhe interessa.

Às vezes, também, acontece de um fio da espada tocar apenas o plano perceptivo de entendimento do indivíduo. Ou seja, ele entendeu o que chegou, mas o outro lado, que é o lado do seu sentimento, não foi tocado. Aprendeu, mas não acolheu. Ele entendeu racionalmente, achou lógico, achou válido, achou interessante, mas não passou disso. O toque não foi além, ele não se sensibilizou.

24 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 8

O PROCESSO

A vida é um processo de eleição pessoal, não é? Então, eu estou aqui, eu estou tranquilo, eu estou vivendo a minha vida. Tudo o que eu sei, tudo que eu faço, o que eu sinto, a somatória disso tudo constitui a minha vida e eu estou irradiante com a minha vida.

Só que aconteceu uma coisa: um componente novo chegou até mim de maneira informativa e revelou que o que eu estou vivendo é uma vida que está em perigo, que tem que ser eliminada. E eu acolhi essa informação como sendo importante e necessária para o meu crescimento. Quer dizer, eu reconheci que tem coisa que estou fazendo e que eu resolvi que não vou fazer mais.

Até agora ou até meia hora atrás aquilo era instrumento de vida para mim, no entanto agora passou a ser instrumento mórbido, passei a considerar aquilo como sendo uma questão perigosa para minha harmonia. Eu achava que estava certo ao fazer aquilo e descobri que já não tem mais nada a ver. Isso não acontece?

O conteúdo que nos visita, que chega de fora a nível informativo, é instrumento capaz de produzir a morte. Esse conteúdo é o que promove a morte, promove a desativação de um reflexo que era expressão viva dentro de nós para dar lugar a uma nova expressão que entra no plano de vivência. Em outras palavras, o fator visitado por uma luz mais radiante constitui o que está sendo entre à morte. Ficou claro? É ele que é entregue à morte. E o plano operacional é que vai matá-lo.

Logo, nessa morte são os próprios indivíduos que estão alterando a fundamentação de vida.

Um estudo como este, por exemplo, opera a morte, ou, se quisermos ser mais preciso, entrega à morte. 

Nós estamos estudando e gradativamente concebendo novos sistemas de vida. A gente aprende e sai, de alguma forma, com uma sentença de morte. Não sai? Saímos com ela decretada nas mãos.

E à medida em que aprendemos, o que temos que fazer? Colocar em prática. Implementar.

Porque o que vai operar a morte é a atividade de cada instante no contexto em que estamos engajados. Só podemos ressurgir em nova concepção de vida quando o reflexo anterior se encontra praticamente neutralizado, morto, pela vivência do novo. Resumindo: o nosso conceito, que até então era a nossa expressão de vida, é o que é entregue à morte. Certo? Que precisa ser desativado. E a nossa maneira de viver, nos moldes desse novo valor assimilado, é o que mata. À partir daí, sim, nós tomamos posse do novo componente.

Toda orientação que nos visita, e que é capaz de nos fazer evoluir, vem de patamar superior. Não vem de outro lugar. E uma guerra é quase que imediatamente travada, é instaurada à partir dessa busca de melhoria. Essa guerra surge para se poder conquistar o piso desse terreno original de emissão que almejamos.

Veja bem, nós ficamos aqui embaixo, todos nós, cada qual no seu piso habitual. E ficamos namorando e almejando o piso de cima. O piso de cima passa a ser o nosso objetivo. 

Só que uma coisa é ficarmos visualizando o piso que queremos e outra coisa é nos empenharmos na conquista desse terreno. Deu uma ideia? Quando visualizamos o terreno nós nos entregamos à morte e a aplicação desses valores é que vai criar o novo homem. Todavia, o novo homem não tem o nome de homem, porque homem é o ponto de baixo. O novo homem é chamado de filho do homem. 

E é exatamente na aplicação, na vivência do novo, quando os componentes antigos se sentem em perigo, que surge a guerra. É aí que se instaura a guerra. E essa guerra opera dois fatores: mata a antiga postura e vivifica a nova posição. Na hora que começamos a penetrar no terreno desejado nós passamos a matar as insinuações do homem velho, pois para se viver no piso de cima tem que desativar o de baixo.

Este assunto não é fácil, mas o processo se dá da seguinte forma: recolhemos a informação e operamos a informação. 

E se soubermos adotar o conteúdo proposto e seguir em frente, aí sim, é que entra a morte em vida. Matamos a nossa maneira de ser e ressurgimos numa nova maneira de ser. 

No momento em que começamos a investir na faixa interior de nossa personalidade, usando de forma adequada a força de vontade e o espírito de sacrifício pessoal, mudamos a configuração de nossa vida toda. Com o tempo, de forma gradativa, os padrões velhos vão perdendo força, passam a ficar em plano secundário e acabam sendo desativados.

Deu para entender isto? Aqueles que conseguem avocar os novos valores, com persistência e atentos ao campo da vigilância, sem cederem aos valores antigos que passam a pressionar a todo momento, vão conseguindo pela luta íntima atingir a meta.

O conhecimento entrega à morte e a vivência desse conhecimento gera a morte.

Mas tem um detalhe que não podemos nos esquecer: nem sempre essa morte acontece na hora. Muitas vezes ela demora para operar. A gente conhece isso bem. A vida vai dando as cutucadas, vai chamando a criatura para a mudança, vai chamando de diversas maneiras para ela mudar, até que ela um dia, mais cedo ou mais tarde, ela acaba tendo que ceder à necessidade de avançar. Acaba cedendo ao imperativo do progresso, porque temos que ir à frente.

16 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 7

A RESSURREIÇÃO

“35MAS ALGUÉM DIRÁ: COMO RESSUSCITARÃO OS MORTOS? E COM QUE CORPO VIRÃO? 36INSENSATO! O QUE TU SEMEIAS NÃO É VIVIFICADO, SE PRIMEIRO NÃO MORRER.” I CORÍNTIOS 15:35-36

“42ASSIM TAMBÉM A RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS. SEMEIA-SE O CORPO EM CORRUPÇÃO; RESSUSCITARÁ EM INCORRUPÇÃO. 43SEMEIA-SE EM IGNOMÍNIA, RESSUSCITARÁ EM GLÓRIA. SEMEIA-SE EM FRAQUEZA, RESSUSCITARÁ COM VIGOR.” I CORÍNTIOS 15:42-43

A morte é o instrumento da ressurreição, é onde está um dos aspectos da chamada ressurreição.

Se você pensar bem, todo o evangelho propõe a morte para a ressurreição de uma nova estrutura.

Sem morte não existe ressurreição, não se origina uma nova vida. Não existe mudança sem morte. Para se ter ideia, sem a morte não há como herdar, sem morte não existe herança. É preciso que morra o elemento para que a herança se faça presente.

O morrer implica em ressurreição em novas bases. É a morte que vai gerar a ressurreição de uma postura nova e melhor para o indivíduo. Não se dá a estruturação de uma nova vida sem a eliminação da vida anterior. Jesus, quando se entregou ao gólgota, sabia que o gólgota eliminaria o seu corpo físico, mas que garantiria a sua ressurreição em novos ângulos da vida. Deu para acompanhar?

A morte não é a eliminação definitiva, é desativação de caracteres por uma proposta nova de vida. É a morte de uma expressão vivencial fazendo emergir nova estrutura vivencial, em novas bases.

Esse processo de morrer, ser crucificado e renascer não é um problema que tem que ser levado à cruz. 

Para viver melhor tem que morrer e a morte não é eliminação do ser, é o respaldo intrínseco do ser. 

Não existe ressurgimento em novas bases se não houver uma morte de estrutura vivencial de nossa parte. Não existe ressurreição sem morte. E, sendo impossível a ressurreição sem morte, é preciso estiolar-se o corpo anterior, o corpo não material. Este é o lance, o que estamos trabalhando, porque toda a ressurreição em nova base representa a mortificação das condições anteriores. É o que nós estamos fazendo, elaborando. Temos operado com a finalidade de eliminar a vida anterior.

A vida nova mais harmônica, mais feliz e vibrante que nós buscamos apenas vai se expressar mediante a desativação de caracteres antigos que não atendem mais.

Sem sepultarmos as nossas convenções passadas e fazermos surgir uma nova dimensão de vida não há progresso. Se não matarmos a vida anterior não conseguimos eleger a vida em nova dimensão. Porque a morte pressupõe a vida em outra conotação, em outra expressão, em outro enfoque. Então, feliz é aquele que prevê a ressurreição e trabalha na desativação da estrutura antiga para edificar uma nova atitude.

E na medida em que a morte opera o aniquilamento da forma de ser e de viver a nova mensagem vivenciada promove a ressurreição em nova posição. Cada morte corresponde a uma ressurreição. 

E é o indivíduo que vai se levantar como filho em outra posição mental, a mostrar que a morte, no seu sentido moral, no seu sentido intrínseco, é a grande oportunidade de cada criatura para que ela reviva em uma posição diferente e melhor.

Vamos raciocinar juntos: O que vem após a morte? Não é a ressurreição? Não existe uma morte e uma ressurreição? Preste atenção, nós não estamos nos referindo àquela ressurreição tradicional, religiosa, dogmática, mística. Nada disso. Nós estamos falando da ressurreição como a recomposição do nosso destino.

A nova vida, com a plenitude e a beleza que o evangelho sugere, ela tem que ser implantada em função da ressurreição, pois não tem como a gente manter uma dualidade de vida. Concorda? A dualidade de vida é algo indigesto, entristecedor, cria dramas profundos para nós, embora não tenhamos às vezes como evitar certos momentos de transição pelo qual todos passamos ao longo da jornada. 

A morte, como a perda de componentes intrínsecos de vivência e segurança, implica na descoberta de nova vida. O componente novo passa a incorporar o nosso terreno, passa a ser o nosso valor, e os reflexos que dominavam o nosso território íntimo perdem autoridade, ficam enfraquecidos e desativados, embora não sejam extirpados.

Esse mecanismo é um mecanismo constante, é uma dinâmica que não cessa nunca. 

A todo momento, a toda hora, a todo dia, se não tiver morte não tem ressurreição, não tem nova vida. A cada morte surge uma ressurreição. Não existe ressurreição sem morte.

Agora, o problema maior, sabe qual é? O problema não é ressurgir o novo, o problema muitas vezes é que nós idealizamos o novo, nós queremos o novo, conhecemos o novo e nos encantamos com ele, todavia não queremos abdicar do velho.

10 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 6

A MORTE

“30PORQUE ESTAMOS NÓS TAMBÉM A TODA A HORA EM PERIGO? 31EU PROTESTO QUE CADA DIA MORRO, GLORIANDO-ME EM VÓS, IRMÃOS, POR CRISTO JESUS NOSSO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:30-31

“E O IRMÃO ENTREGARÁ À MORTE O IRMÃO, E O PAI O FILHO; E OS FILHOS SE LEVANTARÃO CONTRA OS PAIS, E OS MATARÃO.” MATEUS 10:21

A vida, em sua expressão essencial, espiritual, é o sistema de existência que cada individualidade elege. Cada criatura tem sua vida, que é a soma dos valores que ela cultiva e que cria a chama vivencial dela. Cada qual tem essa chama e vive hoje o contexto da vida que elegeu para si. Não é isso? Cada individualidade chega hoje trazendo consigo um contexto de vida. Esse contexto é como ela se veste, como ela se sente, como ela pensa, é como ela atua, como reage.

Agora, para se poder alcançar uma vida um pouco diferente, melhor, só mesmo a própria criatura se matando. Deu para pegar? Se ela não se matar ela não ressurge em outro patamar. Então, essa expressão de vida está sendo trabalhada para ser morta. Entendeu? Morta para quê? Para criar uma nova vida.

A finalidade dessa morte não é destruir o elemento, todavia vamos entender que sem morte não há ressurreição.

Essa morte é a desativação de componentes que vigoravam e que tinha expressão de vida, para dar lugar a novas expressões que irão entrar em um plano de vivência.

Quer dizer, a morte visa desativar o que tinha expressão viva dentro da gente e que já não nos atende mais, face ao imperativo do progresso. É preciso que haja uma proposta de morte dessa vida que não está nos atendendo, que deixou de ser conveniente e se tornou desconfortável. Ela morre ao mesmo tempo que ressuscita outra numa dimensão diferente. Pense para você ver, o conhecimento tem entregado tanta gente à morte, ou não tem? A gente lê uma página, ouve uma palestra, escuta uma orientação, e pensa: "Ai, meu Deus do céu, eu não posso mais continuar assim. Eu tenho que mudar isso, tenho que melhorar naquilo."

Resultado: a cada momento nós estamos trabalhando dentro de nós o sistema de morte e de vida.

Ao falar em matar, podemos usar a linguagem de Jesus no evangelho: "E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão" (Mateus 10:21). Parece uma linguagem relativamente dura, mas o que acontece é que quando se fala em morte no entendimento das lições divinas as pessoas geralmente conhecem apenas um gênero dela.

Porém, vamos notar de princípio que essa morte não é a desencarnação não. Ok? Não é a morte física.

Nós não estamos falando de morte no sentido físico, aliás, morte no evangelho não é para ser tratada de forma literal. A morte finalística nunca existe. Ficou claro isso? Não existe morte finalisticamente falando. Isto precisa ficar bem entendido. Quando falamos em morte nós podemos abordá-la sob vários aspectos, mas a morte nunca é finalística. Essa morte a qual nos referimos não visa matar e liquidar. Então, repetindo, estamos falando em morte e não é matar não.

A morte finalística não existe, e sabe por quê? Porque a morte não finda com a vida.

A vida está aqui no plano físico, como está lá no plano espiritual. E o que estamos tratando não é a morte fisicamente falando, não é a morte no sentido de cessação dos batimentos cardíacos, o coração parou e acabou a respiração. Não. Nada disso. Isso já era. Espiritualmente falando isso é uma questão que não atende mais.

É a morte de outra natureza. Estamos nos referindo à morte eleita por nós mesmos no plano reeducacional. Sabe qual morte? A morte das expressões que marcam a vida íntima da individualidade, a morte das concepções que o elemento trabalha com elas.

É a  morte em função da alteração e superação dos conceitos que a criatura nutre. 

Deu uma ideia? É um processo de luta reeducacional, de mudança de caracteres de vida no dia a dia. Morrer com a metodologia de vida que a gente tem levado. Afinal, o que nós estamos fazendo com o estudo é um processo de mortificação do homem velho pela ação das novas orientações que nos chegam.

Estamos elaborando uma morte que se dá pelo conteúdo que nos visita, e que promove a morte.

E uma coisa nós precisamos entender bem: essa morte a que estamos nos referindo não significa a eliminação. Não é uma morte definindo eliminação, não é morrer pelo fato de eliminar, acabar, extinguir. Não é morrer pela eliminação e pela violência. Não é por aí. Essa morte é no sentido de desativação.

Isso tem que ficar claro. O mecanismo é desativar, não é extinguir. Essa morte é a desvinculação daqueles padrões que vem nos prendendo à retaguarda. Se dá por um processo de desativação. É fazer com que os elementos que dominavam e comandavam a nossa vida não o façam mais. Nós estamos falando em uma morte no sentido de desativação dos reflexos que eram expressão de vida dentro de nós. Significa desativar os componentes que insistimos em manter e que dificultam a nossa capacidade de mudança que a realidade, por sua vez, sugere a cada dia. Eles deixam de assumir o posto de realização e de operação. Em suma, é a morte da nossa estrutura informativa e também formativa para ceder lugar a outra posição, outro ângulo da existência.

Essa desativação não quer dizer eliminação definitiva desses padrões. Essa morte não é extirpar. Isso não existe. A morte, voltamos a repetir, nunca é finalística.

A própria morte, na sua essência, não existe. Morte é uma terminologia usada, não existe propriamente morte. É morte no sentido de expressão de vida, no sentido de experiência vivencial, não de eliminação. Nessa morte esses reflexos se hibernam, se reduzem, encasulam em si próprios e são desativados.

No momento em que eu desativei determinado componente da minha estrutura psicológica, da minha condição mental, a minha irradiação de vida passa a não contar mais com aquele elemento. Porém, esses valores que estão na minha intimidade vão permanecer. Lá no fundinho do arquivo permanece a intimidade dos caracteres desativados, o potencial deles. É este o sentido da morte.

Os reflexos que trazemos podem ser desativados, desabilitados, jamais destruídos.

Então, nós temos certo caractere morto, quer dizer, desativado mediante uma transformação. Ele não está presente mais, a gente pôs uma pá de cal em cima, pôs numa sepultura e cimentou para ele não vigorar mais. Fizemos de tudo para ele não vir à tona, não se expressar, no entanto se bobear ele volta. Ficou claro? Nosso campo vivencial apresenta uma vibração diferente porque aquele elemento está morto, mas se der campo, se surgir uma brecha, este elemento ressurge nas mesmas condições de ontem e passa a reintegrar a nossa personalidade de novo. E com o mesmo vigor e a mesma capacidade de atuação.

A cada momento nós estamos trabalhando o sistema de morte e de vida. Este é o mecanismo do crescimento consciente. A cada momento nós estamos tirando um componente da nossa maneira natural de vida e colocando outro renovado no mesmo lugar.

Estamos desativando o valor que se expressava e que em razão do imperativo do progresso deixou de atender. A questão é desativar. Porque se você desativa você passa a dominar o fulcro gerador daqueles planos, daquelas áreas. Certo? Quem desativa, domina. De modo que temos que insistir continuamente para que os novos padrões ganhem corpo, assimilar para implementarmos um sistema novo de vida. Como? Recolhendo a informação e operacionalizando a informação. E isto mata a criatura antiga e vivifica a nova expressão. E dá-se o crescimento do componente novo e a diminuição do caractere antigo.

Nosso propósito maior é o nascimento de uma nova personalidade, o que vai gerar dentro de cada um de nós o filho do homem. Logo, é preciso que o filho nasça para que o pai, sintetizado nos padrões antigos, sucumba. O filho tem que nascer para que o pai morra de forma efetiva, que ele seja eliminado. E o primeiro passo é entregar à morte. E sabe o que é entregar à morte? É o plano de assimilação do componente informativo, é o processo de metabolizar o padrão novo recebido.

Na medida em que vamos sedimentando os novos caracteres, os novos padrões, os reflexos antigos que dominavam, que faziam e aconteciam dentro da nossa estrutura íntima, eles vão como que ficando desativados, vão perdendo a força de expressão.

Agora, enquanto a criatura se mantiver na área mental das suas determinações, da sua vontade, permanecer no âmbito da vontade, restrita ao campo mental de sua proposta, ela está apenas entregando à morte, programando a morte, planejando a morte desses valores antigos. Acompanhou? Ela está vivendo ainda com esses valores superados. Ela apenas assimilou outros valores informativos. E ela vai precisar matar esses padrões, e matar está para além de apenas ingerir.

Matar pressupõe a aplicação dos novos componentes no dia a dia de sua vida. 

De forma que só tem uma maneira dessa morte ser constatada para se dar o atestado de óbito, espiritualmente falando. E sabe como? Pela vivência do novo padrão. Quando a individualidade entrou em um novo sistema de vida.

3 de jul de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 5

O SUBCONSCIENTE E A RESISTÊNCIA  

Cada um de nós, quer se admita ou não, traz consigo o somatório amplo de reflexos que arregimenta e vem formando no psiquismo ao longo dos milênios.

O que isso quer dizer? Que a alma registra todas as suas experiências do aprendizado das lutas da vida no próprio patrimônio íntimo. E elas ficam armazenadas onde? No subconsciente. Então, nós temos nessa faixa psíquica toda a soma das nossas conquistas milenares.

Todas as características morais que arregimentamos em cada existência física ficam incrustadas no organismo perispiritual. Cada espírito é um registro vivo de si mesmo, trazendo nos caminhos da vida os arquivos de si próprio. Todas as trajetórias, desde as mais recuadas, nele se encontram gravadas. Existem muitos reflexos incrustados na nossa personalidade. E por reflexos nós entendemos o quê? Marcas.

Cada um de nós tem uma soma de valores incrustados no íntimo. E o passado milenar apresenta para nós um sistema em bloco. Isto é interessante de se ter em conta.

Quando nós retornamos ao plano físico, pela sistemática da reencarnação, uma infinidade de caracteres formam um bloco envolvendo toda a experiência de trás e que está embutida dentro de nosso campo íntimo. Está dando para acompanhar? A soma de nossas experiências passadas define o nosso eu, define onde assentamos as bases da nossa vida. Uma enormidade de caracteres, que estão embutidos em nossa intimidade psíquica, forma esse bloco envolvendo toda a experiência de trás. Eu não sei se ficou bem claro, mas existem parcelas em nossa intimidade que formam um bloco de condução de nossa vida, que tem uma ação preponderante. Nós temos aspectos em nossa vida que lideram as nossas atitudes e que a gente custa a dar conta disso, custa a entender o funcionamento desse mecanismo.

O nascimento é difícil, sabe por quê? Por causa da soma ampla desses caracteres que trazemos.

Todos esses registros embutidos nos acompanham e são fatores didáticos de aprendizagem que nos projetam para o crescimento. Quando um espírito reencarna no plano físico, pelas portas do nascimento, ele traz consigo esses miríades de caracteres que formam esse bloco envolvendo toda a sua experiência do passado e embutida dentro da sua individualidade. Quando ele reencarna ele carrega na estrada terrena esse bloco, como se fosse uma mochila da qual não tem como se desvencilhar.

Percebeu? Ele traz consigo e carrega esse bloco, essa mochila. 

E é simplesmente impossível deixar essa bagagem para trás. Não tem jeito. Você recebe um corpo novo, mas uma bagagem nova não. Pegar uma mala nova, com novos caracteres, zero quilômetro de tendências e de registros, não dá. É por isso que a maioria dos seres humanos em lutas expiatórias pode ser considerado como alguém lutando para desfazer-se do seu passado culposo, de modo a ascender gradativamente para uma vida melhor.

Cada um de nós hoje está dando seus passos para uma nova etapa, tentando acertar a caminhada e alcançar uma nova proposta, mas carregando a sua mochila, o seu recipiente íntimo com todos os padrões até então trabalhados ao longo do grande passado.

Isso são nuances que não podem passar desapercebidas ao entendimento. A gente não tem como simplesmente pegar uma borracha ou uma esponja com um líquido de limpeza e tirar todos os reflexos que trazemos do passado. Não é assim.

O processo exige elaboração.

O componente novo que chega, que aprendemos e nos interessamos por ele, nós o jogamos em cima do campo interior, da nossa casa mental, que todo ele está ocupado. Ficou claro? 

Podemos e devemos nutrir propostas lindas, que vamos buscar acioná-las no campo prático da vida, todavia temos ângulos negativos que nos mantém ainda suscetíveis e nos prendem a situações menos felizes. A soma de valores que trazemos na nossa estrutura íntima, e que praticamente representa a base da nossa personalidade, que são todos os reflexos incrustados em nosso subconsciente, isso é alguma coisa que domina o território íntimo.

O plano mental de cada um de nós não é recipiente de conteúdo imaginário, é repositório de forças vivas!

Existe uma soma de caracteres embutidos na faixa de nosso consciente, e isso é óbvio. Porém, o plano consciente se assenta nos fundamentos do subconsciente. E, pelo fato do subconsciente ser a base, toda alteração no campo do consciente recebe muita ressonância em termos de magnetismo dessas expressões vindas de baixo. Está dando para entender ou será que eu estou falando grego?

Nossa tendência, toda ela, é conservadorista. O que quer dizer? Que as dificuldades na elaboração de uma nova personalidade surgem quando nós acionamos os valores novos, apreendidos pela informação, e os colocamos em relação direta com os padrões que até então estamos vivenciando, e que de forma alguma querem abrir mão do espaço conquistado. Ok?

Isso cria naturalmente um conflito.

Sempre que nos lançamos no campo da mudança, da alteração dos nossos recursos, nós entramos em choques.

A rebelião interna se dá porque todo o nosso acervo passado rejeita a nova mentalidade.

Os novos conceitos se chocam com as concepções antigas ali existentes, resultantes de uma mentalidade que não produz paz e tampouco ameniza a nossa cota de desconforto. Os valores repetitivos e dominantes que somam o bloco de nossos reflexos milenares emergem da nossa individualidade numa luta com os caracteres que buscamos implementar e que também estão dentro de nós.

Não dá outra. Isso cria um conflito inevitável entre a nova norma que aprendemos e os padrões nos quais trabalhamos em cima deles ao nível de conhecimento e conquista. Dá-se um conflito entre aquilo que se tem e o que se quer ter, entre aquilo que se faz e o que se precisa fazer, para se conseguir o novo patamar visualizado.

Quando você recebe um conhecimento novo, instala-se dentro de você o quê? Entre o valor que a sua consciência passa a indicar, que você tem que adotar e fazer, e os caracteres estruturados no pretérito, e que você não quer abrir mão deles, surge o quê? Você entra em luta com os reflexos ajustados na sua intimidade.

Está acompanhando? É bonito demais entender o mecanismo da evolução. As dificuldades emergem quando nós colocamos os valores novos que aprendemos em relação, ou melhor, em choque com os padrões que até então estamos vivenciando. Esses padrões novos chegam para nos propor uma situação diferente de vida e quando buscamos aplicá-los é que se instaura o conflito interior.

Quando entramos no plano natural de realização reeducacional com a espada instaura-se a guerra de mudança dentro de nós. Entre a linha orientadora que chega, que corresponde à proposta reeducacional, valores novos que nos são sugeridos, e os padrões que nós alimentamos, aplicamos, vivenciamos, abre-se uma guerra íntima. Começa a luta.

E haja luta! E haja esforço e persistência para vencer a luta! 

Porque esses valores que dominam o território não querem abrir mão do espaço. Estruturados em cima daquilo que nós asseguramos como verdade, eles resistem. 

A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra: entre o componente novo que chega, oriundo da informação, e os caracteres formativos condicionados que possuímos no íntimo. É quando buscamos aplicar o valor novo assimilado, que objetiva criar nova claridade em nós, que entramos em guerra. Guerra entre este conceito que chegou, e que entendemos como sendo válido, e o conceito antigo que trazemos condicionado em nós pelos reflexos, e que não querem perder o domínio.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...