21 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 6

INTIMIDADE

Você já pensou em uma coisa? Para quem já alcançou uma visão do que seja a vida no seu sentido amplo, para quem já tem certa percepção do mecanismo da evolução, o evangelho analisado sob a forma periférica não funciona mais. Vamos ter em conta isso. O evangelho, todo ele, é mensagem direcionada ao espírito na essencialidade. Ele opera mesmo é no plano transformador do ser, na intimidade.

A mensagem do evangelho tem sido levada a efeito na intimidade do ser, não mais nas pregações e sermões, embora isso ainda exista para uma multidão de pessoas.

O evangelho, todo ele, trabalha é dentro da gente. É na própria intimidade onde ele funciona realmente.

Basta a gente começar a ler e estudar, com maior aprofundamento da letra, para constatar que todo o território do evangelho está dentro da gente. O terreno do evangelho não é a Palestina. Didaticamente, foi lá; essencialmente, é aqui.

Deu uma ideia? O território da Judéia, da Galiléia, da Samaria, da Peréia, hoje, está tudo dentro da gente. Não está em outro lugar não, está tudo é dentro da gente.

A figura do personagem do evangelho que nós estamos estudando está representada hoje na nossa própria intimidade. O Jesus da Galiléia, da Samaria, da Judéia, da Peréia ficou lá para trás na história. Nós falamos agora é no Jesus íntimo. O que nos interessa é o Jesus dinâmico que se incorpora dentro da nossa intimidade, que está dentro da gente, que opera o plano da nossa transformação.

Enquanto eu não adentrar nas faixas mais profundas do evangelho, e não levar o seu conteúdo para as profundezas da minha personalidade, indo para a genuinidade da minha intimidade que é onde a simplicidade e a pureza permanecem, eu simplesmente não consigo fazer com que o plano que irradia de cima coincida com as necessidades que emanam de baixo. Deu uma ideia? E o bonito disso é entender que as suas mensagens são orientações faladas ao coração.

Quando eu penetro nas suas mensagens eu estou penetrando de alguma forma dentro do meu coração. Para descobrir porque é que eu tenho que fazer caridade, porque é que eu tenho que perdoar, o que é o perdão, o que ele me propicia, o que ocorre se eu não perdoar, em que a renovação íntima me favorece, e daí por diante.

Assim, fica fácil concluir que os ambientes dos textos, todos eles, sem exceção, encontram-se presentes na extensão territorial da nossa alma, praticamente definindo estados de espírito ou regiões psíquicas. 

Ficou claro? Então, onde é que está a Galiléia, a Peréia, a Samaria, Cafarnaum, Jerusalém, a cidade de Jericó? Onde está a recebedoria, o monte das Oliveiras, a manjedoura com toda a sua simplicidade? Onde? Está tudo dentro da gente, tudo em nosso mundo íntimo. Definem nossas moradas íntimas ou estados de espírito.

E com os personagens não é diferente. 

Certos personagens mencionados nos textos sagrados ainda se encontram dentro de nós. Percebeu o que eu estou dizendo? Muitos ainda representam insinuações dentro da gente. 

Em todos os textos eles chegam até nós dando-nos condições de identificá-los ou não em ângulos diversificados da nossa personalidade. Nos identificamos com vários quando os estudamos, como é o caso de Zaqueu ou do cego de Jericó. Mostrando uma diversidade de posições interiores e de posturas pessoais, o bonito é que nós podemos dar campo e inclusive fazer com que certos personagens possam ressurgir hoje para operarem novamente à partir de nós próprios.

18 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 5

ROTEIRO

“EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM.” JOÃO 14:6

Quando o assunto é iluminação espiritual, inexiste fonte alguma além do evangelho.

Ele é manancial inesgotável de recursos e ensinamentos. Vamos entender de uma vez por todas: para a elevação da alma só existe no mundo o evangelho sagrado de Jesus Cristo, que nenhum compêndio doutrinário poderá ultrapassar.

Todas as coisas humanas passam, todas as coisas humanas se modificam, o evangelho é a luz de todas as vidas terrestres, inacessível ao tempo e à destruição. Contínuo, ele não cessa, não acaba. Sua mensagem abundante de amor constituiu a eterna palavra da ressurreição, da fraternidade e da misericórdia.

O evangelho é um só!

E essa unicidade não é apenas na nossa esfera terrestre em que nos movimentamos, mas também em todas as esferas do plano invisível vinculados ao nosso orbe. O que significa isso? Que o assunto que nós estudamos aqui é também estudado nas hostes superiores, o mesmo versículo que estudamos aqui é estudado pela espiritualidade nos planos superiores.

A diferença é que lá ele é abordado com maior aprofundamento e sob ângulos ainda inimagináveis para nós. Ficou claro? O evangelho é o mesmo, porém lá se chega a interpretações bem mais ampliadas do que as nossas, é estudado num enfoque e condição bem acima das nossas possibilidades, analisado sob abrangência muito mais extensa.

"Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (João 14:6) Sabe o que isso quer dizer? Que Deus é a meta através de Jesus. Simples e objetivo. 

Pense para você ver. Pense, analise, reflita, depois volte a pensar. Não tem outra, o evangelho, como dádiva suprema do céu, com vistas à marcha intérmina para o amor e a sabedoria, constitui a palavra sublime que encerra a eterna verdade.

As pessoas podem bater a cabeça, procurar o que quiserem, escolher o que desejarem, todavia embora as incontáveis veredas que nós insistimos em entrar ao longo das existências, o caminho legítimo para a felicidade é um só: começa na simplicidade da manjedoura e termina no sacrifício do calvário. Em suma, é por meio daquele que veio nos trazer vida, e vida em abundância. Cada dia mais espíritos descobrem, muitas vezes debaixo de duras penas, que o resto é ilusão.

Os ensinamentos do Cristo se dirigem a todos os espíritos do planeta. Todos. Sem distinção alguma, sejam eles espíritos encarnados ou desencarnados, estejam nesse ou naquele campo da evolução. Suas lições objetivam a redenção.

Roteiro de ascensão para todos os espíritos em luta e aprendizado no planeta rumo aos planos superiores do ilimitado, é da sua aplicação que decorre a luz do espírito.

Muita gente não entende porque estudamos o evangelho. Chegam até a questionar porque o fazemos.

Talvez não saibam que o seu conteúdo não tem nada de religião, que o mestre não ensinou atitudes religiosas, mas o processo científico de libertação do ser e de evolução da alma.

O conhecimento com Jesus é a claridade capaz de transformar vida, conferindo a cada um o dom de entender a mensagem viva de cada ser e o significado de cada coisa. Nada que nos acontece é por acaso e somente o entendimento do evangelho pode conduzir as criaturas a um plano superior de compreensão da própria existência.

14 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 4

RENOVAÇÃO

“AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FAZ NOVO.” II CORÍNTIOS 5:17

“VÓS, PORÉM, NÃO ESTAIS NA CARNE, MAS NO ESPÍRITO, SE É QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS. MAS, SE ALGUÉM NÃO TEM O ESPÍRITO DE CRISTO, ESSE TAL NÃO É DELE.” ROMANOS 8:9

Tem muita gente no mundo que estuda o evangelho, mas estuda sabe como? Usando somente o intelecto. A pessoa quer estudar o evangelho, entender o evangelho e mudar o coração só com o uso da razão. Aí surge a pergunta: dessa forma tem jeito? Não tem. E daí o que acontece? Ela estuda, mas não vibra.

Estuda, mas não se encanta, não se entusiasma, não se envolve. Permanece na mesma. Parece que estuda, mas não aprende. Ou se aprende não assimila. E às vezes acaba desistindo, desinteressa do estudo pelo fato de não descobrir nada de atrativo.

Em muitas pessoas o ensinamento não passa da esfera do entendimento. Não passa da região puramente mental, não chega a atingir o sentimento. Não chega ao coração. 

Aí não tem jeito mesmo, porque é do coração que vem o bem e o mal, a virtude e o vício, a alegria e a tristeza. Muitos se mantém situados apenas na periferia do evangelho e somente com o intelecto não adianta, não se consegue chegar à sua essencialidade. O evangelho não é dirigido, bem como também não alcança, aqueles que permanecem restritos na clausura do "eu". E olha que nem estamos falando naqueles que buscam e pregam o evangelho apenas no sentido superficial. Quer dizer, falam sem sentir, ensinam sem vibrar.

Por outro lado, muitos se sentem motivados e encantados todas as vezes que tem a oportunidade de meditar acerca de suas belezas. Percorrem os seus versículos, adentram sua essência e modificam o jeito de pensar. Retificam conceitos, alteram comportamentos e se transformam em novas criaturas.

E por que isso acontece? Porque o conhecimento às vezes, por si só, não basta, o indivíduo precisa ser animado de uma força. O ensinamento de Jesus, como ele mesmo disse, é espírito e vida ("As palavras que eu vos disse são espírito e vida". João 6:63) e o homem material, conforme diz Paulo, não é capaz de compreender as coisas espirituais. Foi o próprio Paulo que disse: "Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito, se é que o espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o espírito de Cristo, esse tal não é dele." (Romanos 8:9)

Está entendendo? E tudo se faz novo quando alcançamos esse estágio ("Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se faz novo." II Coríntios 5:17) E vale a pena saber que em se tratando de discussões sobre a pretensa superioridade de uma religião sobre outras o que conta é uma coisa só: a capacidade maior ou menor de viver o amor que aprendeu.

Você já percebeu uma coisa? O evangelho de muita gente está apenas na mente.

Isso mesmo. Só na mente, não chega no coração. São cristãos teóricos, não são cristãos de verdade. Para se ter ideia do que estou falando, quantos pregam a verdade sem se aderirem plenamente a ela? Quantos repetem fórmulas de esperança e de paz ao mesmo tempo em que desesperam ou perseguem? Ou semeiam a fraternidade enquanto discriminam no coração? Assim, se você está estudando o evangelho porque você quer ser um estudioso e entender de tudo, cuidado, pode ser que você pare o estudo em breve. Por outro lado, se está querendo se fortificar, facilitando a emersão da luz a nível de sentimento, aí irá notar que terá muito mais facilidade para entender e compreender.

Isso porque o evangelho é uma doutrina que precisa ser aprendida e sentida. Percebeu? Tem que ser estudado mais com o coração do que com a inteligência. Aquele que não sente em si mesmo a sua influência moral desconhece o que ele é, embora possa ter perfeito conhecimento teórico de seus preceitos.

Entender não é tudo. Não basta saber.

O evangelho propõe mais do que isso, propõe a elasticidade do sentimento. É preciso sentir o que se aprende. Sentir a verdade. A inteligência desacompanhada do sentimento não consegue penetrar a essência do evangelho.

Sem adesão do sentimento no âmago da individualidade qualquer manifestação religiosa se reduz a mero culto externo, e nada mais. Razão e fé, intelecto e coração, devem marchar juntas na conquista da renovação. Para nos convencermos das verdades de Jesus não basta só utilizarmos a mente, é preciso que o coração tome parte desempenhando a função que lhe compete, pois as verdades do céu falam tanto ao cérebro quanto ao coração. É fundamental nós recebermos, de forma consciente e inteligente, o influxo do espírito para que nos inteiremos do caminho a seguir. É preciso receber certa luz do céu para que se descubra através da letra que mata o espírito que vivifica.

Sem o auxílio dessa luz todas as dádivas do ensinamento passam desapercebidas, até mesmo às inteligências mais cultas e mais desenvolvidas.

Nós estamos nos esforçando para entender de forma clara a mensagem de Jesus e chegarmos não àquele evangelho religioso, tido como código de conduta moral imposto de fora para dentro, mas aquele evangelho edificado de modo vivo e seguro no próprio coração. Não é justo adquirirmos com o seu conteúdo somente a informação do raciocínio. É preciso também a luz do amor, pois o evangelho é luz e renovação nos campos do espírito e somente quando o entusiasmo e a harmonia estão presentes nós alcançamos a sua essência.

Então, vamos caminhar e operar com simplicidade. Porque enquanto não houver de nossa parte aquela simplicidade que vigorava nos primeiros tempos do evangelho nós ficamos trabalhando meramente ao toque da linha racional e não o valorizamos.

E assim como se dá com qualquer ofício ou atividade que se aprende, a religião também tem um trabalho específico no mundo. O ensinamento religioso não pode fugir à regra natural que rege qualquer espécie de ensino ou aprendizagem. Está entendendo o que eu estou dizendo? Da mesma forma que a medicina torna um indivíduo médico e em razão disso habilitado para tratar enfermidades, que a engenharia o torna engenheiro, capaz de elaborar projetos e construir pontes ou edifícios, e daí por diante, a religião tem que torná-lo uma pessoa melhor, equilibrada e justa. A religião tem que apurar os sentimentos e melhorar o caráter do indivíduo.

Da mesma forma que a ginástica aprimora o físico e fortalece os músculos, tornando a pessoa resistente, mais saudável, capaz de desempenhar melhor as atividades que lhe compete, o aprendiz do evangelho é convocado a equilibrar o seu pensamento e agir de forma harmônica em qualquer ambiente ou situação que se encontre. Afinal, religião é uma força viva transformando continuamente o homem para melhor e a que não consegue isso no fundo não é religião.

O evangelho vem trazendo para nós componentes informativos para que possamos ativar o processo de visualizar uma nova vida. Seu terreno aplicativo hoje não é mais na igreja, no templo ou no grupo espírita. Nesses locais nós devemos manter a postura de respeito, todavia antes do respeito puramente social no plano em que estamos ajustados temos que estar em paz com a nossa consciência, que é o legítimo templo do espírito. Estamos tentando recolher informações que favoreçam a implantação do evangelho nos nossos corações.

Na medida em que desenvolvemos seus conteúdos a gente nota que ele não apresenta apenas uma beleza na redação, mas também uma profunda mensagem na sua intimidade convocando-nos à grande luta de redenção interior. 

O desafio não é adquirir conhecimento, e sim incentivar o coração a mudar. 

Jesus é a força viva que adentrando nosso íntimo determina a sua constante transformação. O evangelho, como suprema religião da verdade e do amor, convoca todos os corações à vida mais alta. Trazido há milênios atrás, ele nada exige. Isso mesmo. Já pensou nisso? O evangelho nada exige. A sua finalidade não é outra, senão a de sanear a dureza do nosso coração. Sua mensagem objetiva clarear o nosso entendimento como se todas as anteriores fizessem o papel de preparação do terreno.

E alcançar esse ponto de abrir o sentimento não é fácil. Para conseguir alcançar isso várias manifestações externas religiosas, todas as que lembram o nome de Jesus  e se reportam de algum modo às suas lições, são recursos preciosos. Constituem sugestões edificantes para o caminho e visam sabe o quê? Sensibilizar os corações. Ver se abre o coração da individualidade para a compaixão.

Sem querer diminuir as atividades religiosas de qualquer religião, pense para você ver. Quantas vezes a pessoa precisa acompanhar as procissões por ocasião das comemorações da semana santa, vestida de preto, por exemplo? Não tem isso? Aquelas imagens tristes, a coroa de espinhos, os panos roxos, Jesus na cruz? Não acontece isso ainda? As procissões e romarias na semana santa? Essas imagens que vigoram nessas procissões marcaram e ainda marcam muitos corações através dos séculos: "Coitado de Jesus!" Visam o quê? Sensibilizar o coração das pessoas com todo aquele ambiente e imagem de sofrimento.

O desafio hoje é fazer o que é proposta periférica de redenção se tornar proposta íntima de revelação.

O evangelho não deve mais ser procurado apenas para exposições teóricas, mas visando cada qual o aperfeiçoamento de si mesmo por meio de melhorias no terreno definitivo do espírito. Pense comigo, o evangelho não é o edifício de redenção das almas? E se é edifício tem que ser construído. Concorda? Edifício não surge pronto. Tem que ser edificado tijolo a tijolo, bloco a bloco, etapa a etapa.

6 de set de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 3

IGREJA

“TEMOS UM ALTAR, DE QUE NÃO TEM DIREITO DE COMER OS QUE SERVEM AO TABERNÁCULO.” HEBREUS 13:10

“O ESPÍRITO É QUE VIVIFICA, A CARNE PARA NADA APROVEITA; AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63

“E NOS FEZ REIS E SACERDOTES PARA DEUS E SEU PAI; A ELE GLÓRIA E PODER PARA TODO O SEMPRE. AMÉM.” APOCALIPSE 1:6

Os homens em todos os tempos edificaram igrejas. Edificaram e edificam. Até hoje constroem altares em toda parte, a fim de reverenciar o supremo Senhor do universo.

Mas nota-se, infelizmente, que muitas delas tomaram do cristianismo somente o título. E é fato.

Originadas da ambição e egoísmo humanos, que tudo procura moldar aos seus interesses levianos, nutrem uma contínua rivalidade, ignorância, orgulho e preconceito. Estou certo ou você acha que estou exagerando? Pense comigo, o cristianismo, que deveria ser a mais ampla e a mais simples das escolas da fé, há muito tempo que se endureceu no superficialismo e na frieza dos templos. Muitas dessas igrejas estão longe da religião do amor e enquanto continuarem se digladiando entre si só continuarão demonstrando o total despreparo e que não conseguiram atingir o ideal sublime proposto pelo filho de José e Maria.

E uma coisa não dá para negar: em todos os lugares as igrejas e os núcleos espirituais estão cheios de gente. Entra dia, sai dia as pessoas neles adentram em número incontável.

No entanto, grande percentual dessas pessoas frequentam, mas sem se aterem à necessidade de iluminação íntima. Quer dizer, frequentam, mas não querem se melhorar como pessoas, não querem evoluir como espíritos eternos da criação divina. Buscam a espiritualidade e o Cristo, mas sabe para quê? Para serem servidas. Isso mesmo, para serem exclusivamente atendidas em seus anseios.

Cultivam a oração tentando subornar a justiça divina, compartilham demonstrações de fé na busca final de vantagens pessoais no imediatismo das gratificações terrestres, intentam encontrar na providência divina uma força subornável cheia de privilégios e preferências.

E enquanto muitos tentam subornar o poder celeste pela grandeza material das suas oferendas, outros tantos se socorrem do plano espiritual com o propósito único de solucionar problemas mesquinhos. Aliás, venhamos e convenhamos, os templos de pedra, todos eles, estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos.

A gente pensa em igreja e por conjugação rápida de ideias pensa em templo também. Não pensa? Na acepção literal do termo igreja é assembléia de fieis, um conjunto de fieis ligados por uma mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais.

E na acepção profunda ela não exige necessariamente uma edificação física, não exige um templo físico.

Percebeu? Igreja representa o agrupamento de pessoas vinculadas a uma visão nova que o cristianismo sugere. Define aquelas criaturas que se unem em um grupo mais próximo de tendências, de conquistas e de padrões arregimentados. E, obviamente, a uma respectiva filosofia que cada membro passa a nutrir no coração. Ok? Deu uma ideia? Em suma, igreja sintetiza núcleo. É centro, uma unidade que aponta um agrupamento de corações que vai lidar de certa forma com apontamentos relacionados às responsabilidades assumidas.

E se estamos falando em igreja, podemos analisar como exemplo as sete igrejas do apocalipse, que definem a base onde se congregou todo o ideal cristão no passado. O que elas representam, o que ensinam? Elas representam os vários níveis em que os espíritos, tanto na vida física do planeta como no plano espiritual, podem ir se ajuntando, ajustando, afinando.

As mensagens contidas nessas sete cartas iniciais do apocalipse não são mensagens vagas, desconexas, sem sentido, que ficaram para trás e não atendem mais. Pelo contrário, elas são ainda hoje direcionadas à intimidade, cada uma direcionada à respectiva igreja visando atender a determinado agrupamento de espíritos.

Sem esquecer, e isso é importante, que à frente dessa igreja, à frente desse núcleo sempre vai haver alguém, sempre vai haver um responsável. Sempre. Cada uma dessas igrejas é administrada por um anjo, por uma entidade, por uma individualidade que, por sinal, nunca está só. Entendeu? Porque se estiver sozinho, se administrar sozinho, o trabalho se faz no relativo e passa a desejar muito.

Os templos físicos de fé religiosa, desde que consagrados à divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus onde Jesus ministra os seus bens aos corações da Terra, independente da escola de crença a que se filiam. Ficou claro? Qualquer que seja o templo em que se expresse, é santuário de educação da alma no seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade. Isso tem que ficar claro. As igrejas normalmente são o veículo decodificador do pensamento divino a nível informativo através das quais os valores chegam ao plano perceptivo das criaturas. Definem uma capacidade reveladora capaz de atingir a todos os elementos embutidos nesses departamentos de percepção dos valores superiores em Deus. São núcleos que irradiam a luz para a iluminação das trevas.

Todo o templo de pedra dignamente erguido funciona como farol no seio das sombras indicando os caminhos retos aos navegantes do mundo, todavia o espiritualismo, nos tempos modernos, não deve restringir Deus entre as suas paredes.

A finalidade dos templos de pedra é basicamente uma: despertar a nossa consciência.

Eles visam, acima de tudo, expressar a nossa proposta íntima. Mas o importante mesmo é a gente adorar a Deus em espírito e verdade. E para essa adoração nós não dependemos do majestoso edifício do templo e nem tampouco dos seus cerimoniais, dos seus rituais, das suas prescrições ou mesmo da autoridade dos seus sacerdotes. Aliás, o templo pode perfeitamente ser transferido da sua linha exterior para dentro de cada um de nós. E o que estamos dizendo não deveria ser novidade para ninguém porque a nossa missão sublime é converter todo o planeta no templo augusto de Deus. E para isso cada criatura tem um santuário no espírito onde a sabedoria e o amor do Pai se manifestam através da voz da consciência.

O que estamos trazendo é uma questão de raciocínio. Se todos os templos na Terra são de pedra, o que Jesus fez? Veio abrir o templo da fé viva no coração dos homens.

Veio abrir o templo dos corações sinceros para que todo culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador. Deus é espírito e só em espírito deve ser adorado. Logo, a igreja efetiva é dentro da gente. Fora da gente é um auxílio na caminhada.

Espiritualizar a vida não é dar-lhe novas feições exteriores e, sim, reformá-la para o bem no âmbito particular. Daí, nós temos que adorar a Deus na igreja que consolidamos interiormente, erguer a igreja que se levanta no nosso íntimo, que tem o altar no coração.

O evangelho já transpôs os muros de pedras das igrejas para atingir os terrenos amplos da intimidade do ser. Já saiu da sua expressão exterior em que foi trabalho para se ajustar à intimidade, que é onde realmente opera no plano transformador.

Componente de libertação, o evangelho tem que ser trabalhado no terreno íntimo.

Ele opera no anonimato, revolvendo o coração de cada um de forma nítida e substanciosa.

É na nossa intimidade onde ele efetivamente funciona e por isso nós temos que encontrar o Cristo em nosso santuário interior. E nossos rituais religiosos vão se transformando à medida em que evoluímos e passamos a precisar de manifestações cada vez menos ostensivas.

Os altares de pedra foram substituídos, faz muito tempo, pelos nossos corações.

O movimento vital das ideias e das realizações baseia-se hoje na igreja viva do espírito, no coração dos homens. Como conclusão, nós não precisamos mais nos submeter aos sacerdotes tradicionais, e sabe por quê? Muito simples. Porque somos todos sacerdotes. Isso mesmo, o cristão que já acordou para as suas necessidades e responsabilidades tem que caminhar sendo o sacerdote de si mesmo, tem que ter uma autoridade dentro das próprias revelações doutrinárias.

Logo, se já nos situamos para além daquela postura pessoal de querer ser agraciado pela dádiva divina podemos nos considerar chefes da igreja. E isso não sou eu que estou dizendo. É a sagrada escritura que nos diz: "E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém." (Apocalipse 1:6)

Repare que o texto sugere uma relação entre ambos, isto é, entre reis e sacerdotes. O sacerdócio a gente sabe, é uma linha de âmbito interior, é toda nossa experiência de cunho espiritual. Define o canal de valores redentores do ser ao nível pessoal reeducacional.

Quanto a expressão reis, ela se refere a quê? Ao poder temporal. Rei não sintetiza isso? Não define acima de tudo um aspecto de autoridade? Significa que no fundo nós temos que manter uma postura resoluta, admitir uma certa autosuficiência naquilo que propomos fazer. Temos que ter uma autoridade dentro do exercício do sacerdócio. E trabalhar com afinco para ganhar essa autoridade. Mas uma autoridade legítima, ou seja, uma autoridade estruturada com humildade, toda ela moldada na fundamentação sublime que o amor propõe.

31 de ago de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 2

RELIGIÃO II

Vamos pensar juntos: se o problema da iluminação exterior mereceu e continua merecendo tanto esforço da inteligência e raciocínio, não podemos também desconsiderar o problema da iluminação íntima, deixando-o à margem de nossas necessidades.

Nada é finalístico e tudo caminha para uma melhoria contínua. O homem lá atrás procurava a unidade básica da matéria, não procurava? Ele achou o átomo e ficou feliz de tê-lo achado, no entanto, não conhece de todo a energia que mantém a linha de relação dos elétrons com os núcleos, embora sabe que para além do elétron e do núcleo existem os nêutrons e os prótons e descobriu também os quarks.

E por que estamos dizendo isto? Porque todos os dias ruem princípios convencionais mantidos a título de invioláveis durante séculos, o que faz continuamente com que a mente humana, perplexa, seja compelida às transições.

O evangelho é um conjunto de verdades sublimes que se dirigem preferencialmente ao coração humano e é impossível penetrar-lhe a grandeza divina com a nossa imperfeita faculdade de observação ou recolher-lhe as águas puras com o vaso sujo dos nossos raciocínios viciados nos erros de muitos milênios.

E uma coisa é bem fundamental: nós temos que estar com as nossas mentes abertas para as mudanças. Temos que estar com nossas mentes abertas para rever os nossos conceitos. É imperioso descaracterizarmos essa ideia de tradição religiosa. Isso é coisa que já não deve mais se acomodar nos nossos cérebros.

O evangelho já deixou de ser assunto de religião, faz tempo, para se tornar um assunto de vida.

Em matéria de realidade espiritual nós estamos muito atrasados. Porque não reconhecer, sem exagero, que ainda estamos dando os primeiros passos? Nós estamos aqui estudando e tentando trabalhar a capacidade perceptiva do nosso entendimento para melhorar o contexto evolucional. O que estamos fazendo aqui, reunidos de uma certa forma, senão buscando conhecimentos para clarear o nosso campo mental, objetivando aprender orientações seguras para a nossa caminhada rumo a um futuro melhor? É óbvio que, em razão das nossas deficiências nós vamos continuar aprendendo pelos erros e acertos, todavia, em vez de aprender apenas pelo ensaio dos erros, aprender somente levando pancada da vida, estamos buscando arregimentar informações seguras dentro do plano que a lógica propõe.

A proposta não é ficarmos restritos a uma interpretação particular e exclusivista, mas abrir horizontes mais claros ao raciocínio refazendo o edifício da fé que as religiões tradicionais esqueceram.

Os homens esclarecidos, à medida que novos fatos e novas leis vão se revelando, vão sabendo separar o que é real do que é fantasia.

Em matéria religiosa, satisfazer-se alguém com o rótulo, sem qualquer esforço de melhoria interior, é tão perigoso para a alma quanto deter designação honrosa com menosprezo à responsabilidade que ela impõe. É tempo da gente sacudir as vestes esfarrapadas do passado e buscar conhecer de fato o que é verdadeiro.

Precisamos sair do misticismo insistente que vem nos batendo através dos séculos a fim de entrarmos em um plano natural de bom senso e de lógica, lembrando que se apenas mudar de crença religiosa pode ser modificação de caminho, em muitas ocasiões pode representar somente continuidade da perturbação.

O evangelho nos ensina que a religião pura diante de Deus é uma coisa bem diferente da que temos conhecido.

Estamos nos referindo à religião na sua acepção legítima, aquela que se desenvolve e nos projeta para o criador religando-nos a Ele no terreno interior da renovação. Como expressão da verdade, diz respeito à importância de se colocar a espiritualização, o crescimento e a redenção do ser na fisionomia da libertação, mediante um direito insubstituível que cada um de nós tem de ser feliz e de buscar essa felicidade. Deve ser compreendida como o sentimento divino que clarifica o caminho da alma e que cada espírito aprenderá individualmente na pauta do seu nível evolutivo.

E por traduzir o religamento com o criador, é fundamental voltarmos o nosso coração a Deus.

E não tem outra, religião legítima é aquela cujas exteriorizações são sempre de amor nas expressões mais sublimes. Repousa acima de tudo no caráter de melhoria íntima, na busca da santificação, no aprimoramento constante, na caridade incessante e na tranquilidade da consciência. Religião, na acepção profunda da palavra, representa o cotidiano, a forma como se vive, a prática da vida a todo momento, inclusive nas coisas mais simples. É a nossa existência, a circunstância de vida em todas as ocasiões, as nossas realizações a nos conduzir para Deus.

Logo, eu não quero desapontar você. De forma alguma. Mas olhando o assunto a fundo nós não precisamos tanto de religião, precisamos de mais, precisamos de religiosidade!

28 de ago de 2016

Cap 58 - Como Estudar o Evangelho (2ª edição) - Parte 1

RELIGIÃO I

Com o objetivo de preservar os seres humanos, seus filhos, dos perigos presentes ao longo da jornada evolutiva, Deus direcionou a luz do conhecimento superior de modo a acordar as almas para a glorificação imortal. 

Quer dizer, sua misericórdia suprema confiou à religião a tarefa de velar pelo desenvolvimento das almas, propiciando-lhes abençoadas luzes para a jornada de ascensão.

E na inquietação que lhe é característica, o que o homem fez? Dividiu-se em numerosas religiões.

E o que é religião? À primeira vista, é a crença em uma força considerada criadora do universo que deve ser adorada e obedecida e a manifestação dessa crença por meio de doutrina e ritual próprios, acompanhada, lógico, de preceitos éticos. Sintetiza a virtude do homem que presta a Deus o culto que lhe é devido. E embora o fato das religiões terem sido usadas em todos os tempos da humanidade como instrumento de dominação, todas elas, sem exceção, exigem pleno respeito às suas concepções.

O homem tem necessidade de ser religioso. A própria etimologia do vocábulo religião (religare) indica que o seu objetivo é ligar os homens entre si, ligando-os consequentemente a Deus.

O espírito humano, em razão da sua ignorância primária nos tempos remotos, foi se deixando levar desde a antiguidade por alegorias, se deixando absorver e fascinar por dogmas inaceitáveis, por teorias absurdas e ideias de toda sorte, muitas das quais não passam de fantasias extravagantes. Assim, em todos os cantos do mundo cada individualidade enquadra a sua vida mental a um determinado tipo de interpretação religiosa, no intuito de reverenciar o supremo criador por meio do modo que supõe ser o mais digno. O resultado é que nas subdivisões do eterno santuário comparecem os tutelados do Cristo em diferentes graus de compreensão e para cada faixa da evolução remanescem crenças e cultos próprios para as suas necessidades. Em suma, nós estamos estudando o evangelho, participando de cultos e reuniões, mas continuamos místicos.

E não tem outra, nós somos religiosos de tradição. Envergamos incontáveis paramentos ao longo da evolução, muitas e muitas indumentárias religiosas.

Já trocamos de religião, saímos de uma igreja para outra achando que ia resolver o problema, porque nutríamos a concepção de que Deus deve estar em um lugar privilegiado e nós temos que nos situar debaixo desse privilégio. E infelizmente muitas pessoas ainda acham que evangelho é religião. Pensam em evangelho e, automaticamente, o associam à ideia de igreja e religião, o que não é novidade para ninguém.

A verdade é que tem muita gente amarrada ao sentido religioso do evangelho. A pessoa vive tão amarrada a ponto de considerar que para a vida andar bem ela tem que participar de forma sistemática das reuniões. Amarrada ao ponto de considerar que a semana, para ser positiva para ela, está obrigatoriamente vinculada à sua participação semanal no culto religioso. Percebeu? E quando ela fala em reunião, em missa, em culto, chega até ao ponto de dizer: "Eu não estou bem essa semana porque não fui à reunião". Isso é uma verdadeira desinformação, mostra toda a dificuldade dela em assumir uma postura.

E aqui e ali, lá e acolá, existem seguidores nos ritos religiosos mais diversificados. E nós sabemos que no fundo certas manifestações religiosas não passam de vícios populares de natureza exterior. 

Ou seja, embora certas atitudes religiosas de superfície apresentem relativo valor para determinadas pessoas em certos estágios da evolução, uma enormidade dessas atitudes não representam nenhum atestado de religiosidade. Daí, é fácil concluir que muitas pessoas acreditam ser religiosas quando não são. Isso mesmo, não passam de simples ritualistas, e nem todo bom ritualista é uma boa pessoa. Concorda? Ser bom ritualista não é sinônimo de ser uma pessoa boa.

Tem pessoas, e não são poucas, que se mantém envolvidas nos planos da religião, frequentam as missas, as reuniões, os cultos, com criteriosa regularidade, no entanto permanecem dia após dia sem qualquer indicativo de alguma conquista iluminativa. 

Está acompanhando? Frequentam mas não se melhoram interiormente, não aplicam na vida prática as luzes que assimilam, ou talvez nem cheguem a assimilar. Isso sem contar naquelas que até consideram que os cultos nos templos de pedra apresentam um certo convencionalismo sem muito sentido, mas continuam. Por quê? Pelo convívio social. Percebeu? Os cultos são de muito agrado social para elas em razão dos encontros pessoais que possibilitam e das múltiplas conveniências que deles resultam. Isso é um assunto para a gente pensar com muito carinho.

O sol é o componente máximo de iluminação natural que vigora no planeta. Agora, e quanto à luz artificial? Você conhece o caminho trilhado pela luz artificial? A trajetória da luz criada pelo homem? Vamos, então, a um breve resumo? 

Inicialmente, em tempos longínquos, nós tivemos o candeeiro, em que a luz se originava da queima do óleo produzido pela oliveira. Era a luz artificial surgindo de uma forma abrangente em seus primeiros movimentos.

A seguir, surgiu o lampião com querosene. Trouxe uma melhoria considerável, no entanto a gente sabe bem, era uma luz relativamente difusa, que vinha acompanhada de odor e de fumaça.

Em seguida, surge o lampião à base de gás trazendo maior percentual de claridade e uma luz inodora. O gás imperou, então, como rei dos sistemas de iluminação, até ser destronado e relegado a planos inferiores com a chegada da eletricidade.

A eletricidade passou a ser o sol de nossas noites trazendo vantagens indiscutíveis. 

A primeira lâmpada elétrica desenvolvida com sucesso por Thomas Edison foi em 1879. Tratava-se da lâmpada incandescente, constituída de filamento dentro de um bulbo de vidro que se aquecia colocado no vácuo e em meio gasoso apropriado. Com o tempo, o filamento se desgastava e se rompia. Ela teve os seus melhoramentos até surgir, em seguida, as lâmpadas fluorescentes, aquelas com um invólucro translúcido de vidro transparente e eletrodos nas extremidades.

E não parou por aí.

Hoje contamos com tecnologia nova em plena expansão: as lâmpadas de LED, nome dado à sigla diodo emissor de luz. De tamanho reduzido, alto desenvolvimento tecnológico e consumo bem menor de energia, chegou para substituir as lâmpadas incandescentes e fluorescentes que se tornaram obsoletas. Trata-se de semicondutores que convertem corrente elétrica em luz.

Agora, vamos aprofundar um pouco mais no assunto e pensar no seguinte. Em se tratando de iluminação exterior, se já deixamos, faz tempo, o azeite pelo petróleo, o petróleo pelo gás e o gás pela eletricidade, porque não fazer o mesmo em temos de iluminação íntima com os velhos e ultrapassados dogmas que herdamos e cultivamos ao longo do tempo? E o que é pior, sem questionar. Se em matéria de luz artificial o progresso contínuo não para, com sistemas e métodos mais avançados surgindo de tempos em tempos, o mesmo não deve ocorrer quando o assunto é luz espiritual?

Se nos desapegamos dos candeeiros, sem sentirmos a mínima saudade deles, porque não nos desprendermos das superstições religiosas e dos credos falsos? É assunto para pensar.

25 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 13 (Final)

A ESPADA DA JUSTIÇA

A vida de uma certa forma, indiretamente, exige que a gente mude, que a gente melhore. Isto está implícito na lei divina, está preceituado na determinação divina. Tanto está que para além do nosso livre-arbítrio, que é relativo, vigora o determinismo divino a indicar que todos estamos determinados a evoluir.

Até aí eu acredito que não exista dúvida.

E a espada, como vimos, tem a finalidade de propiciar a morte, a desativação dos padrões intrínsecos vigorantes para o surgimento da vida em nova configuração. Agora, o fato é que podemos escolher a maneira dessa mudança ocorrer. Não podemos? É claro que podemos. E para isso nós temos o livre-arbítrio ao nosso dispor.

Como todo sistema de crescimento consciente inicia-se por uma possibilidade de escolha, podemos enfatizar essa mudança sob dois parâmetros, podemos evoluir escolhendo a espada que melhor nos agrada. Quer dizer, avançamos usando a espada de Jesus, avocando princípios do amor por uma linha de dentro para fora, ou somos empurrados pelos imperativos da justiça mediante os impactos menos felizes da vida de fora para dentro. Como se diz na linguagem popular, ou nós vamos pelo amor ou vamos pela dor. Mas que vamos, vamos!

Não podemos desconsiderar esse entendimento de forma alguma. A questão é saber qual aspecto vamos privilegiar.

A espada do cristo só pode ser avocada de dentro para fora. Ela chega ao nível da educação sob a tutela áurea do amor. Somente ela vem e nos orienta. Por ela aprendemos o caminho de forma suave, por uma capacidade de assimilar a nível informativo. Ela chega para nos fazer realizar um trabalho no campo psíquico. Mudamos por meio dela a nossa conduta de vida. Aprendemos e apropriamos o conteúdo pela prática do que ela ensina dentro do mecanismo de formação de caracteres.

É uma questão de lógica, pois aquele que muda de dentro para fora escolhe, seleciona os mecanismos de vida. E cá pra nós, é infinitamente melhor mudar anteriormente, de dentro para fora, do que sermos constrangidos a mudar de fora para dentro.

E quando não agimos no sentido de acionar a luta interior, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta íntima com essa espada seletiva, sabe o que acontece? Mecanismos externos passam a atuar sobre nós. Se ficamos indiferentes à busca consciente por melhoria a mudança passa a ser operada por uma fisionomia sofrida de fora para dentro. Está percebendo? Ou mudamos de dentro para fora ou somos mudados de fora para dentro pelas circunstâncias menos felizes. Em outras palavras, ou mudamos ou mudarão.

Mas o importante é que quando o tempo está determinado para o crescimento, se não for de dentro para fora, de maneira suave e espontânea, vai de fora para dentro pela imposição da mudança, sob a tutela da justiça. Aí avançamos pelo plano da justiça, aprendemos pelo impacto dos acontecimentos. Avançamos mediante os constrangimentos da dor, recebendo a espada da justiça de fora para dentro. Ficou claro? Muda-se a configuração, o indivíduo passa a mudar pelo constrangimento da dor.

A vida tem nos ensinado isso, continuadamente. Todas as vezes que a faixa interior não foi capaz de remodelar, reestruturar e reajustar, ficamos sujeitos à reforma oriunda do plano exterior. Quer dizer, ao invés de usarmos a espada do Cristo e desarmar o coração, a espada da lei, representada pelas circunstâncias que surgem, passa a agir de fora para dentro exercendo pressão na linha da individualidade.

A espada da lei chega sem avisar e passa a agir. Dá-se o sofrimento imposto de fora para dentro.

O interessante é que não precisamos ir muito longe para entender essa lição. Basta a gente olhar à nossa volta e vamos ver inúmeros exemplos e inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo esse chamamento. O indivíduo que está recebendo essas pressões de fora ele é obrigado a mudar, ele é constrangido a ajustar-se, a buscar melhoria, de uma forma ou de outra. Você não conhece aquele ditado que diz que a necessidade faz o sapo pular? Pois então, a questão é que quase sempre essa mudança vai ser debaixo de um sofrimento maior.

Os ângulos que propõe o crescimento passam a se manifestar não em função de uma eleição ou de uma conduta adequada, mas o ensinamento vem pelo constrangimento em cima da dor criada pela própria pessoa. O aprendizado chega sob as expressões menos felizes das lágrimas e, não raras vezes, essa luta de fora para dentro cria inconformação, revolta, desilusão, frustração, tristeza e sensação de perda.

A grande verdade é que em razão da nossa teimosia e fragilidade em aplicar a lei divina, se não nos ajustamos ao imperativo do progresso e buscamos crescer de dentro para fora, usando a espada do Cristo, a espada da justiça passa a agir e faz o papel cortante no âmbito da lei de causa e efeito. Ou seja, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta íntima a espada chega na sua feição literal e mata de fora para dentro tentando, pela retirada de um estado de conforto e segurança, nos chamar a uma nova postura. A dor chega vem avisar, chega sem anúncio prévio, o acontecimento exterior chega e corta o barato da criatura.

A realidade chega e esfacela a ilusão. 

O exército da realidade maior chega para intimar a individualidade ao justo redirecionamento, colocando os valores em ordem para a reparação, recomeço, submissão e aprendizagem. Esses elementos menos felizes de fora para dentro cortam a pseudo ou legítima posição do indivíduo no contexto.

Em suma, as circunstâncias externas visam agir sobre todo aquele que não edificou a si próprio.

O ensinamento é muito profundo: todo aquele que ainda não se despertou está caminhando para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã. E isto não sou eu que estou dizendo. É da lei! Nós precisamos entender isto com tranquilidade.

Tem muita gente mudando porque a espada cortou de fora para dentro. A vida está cheia de situações assim. Todos nós temos inúmeros exemplos perto da gente. A dor faz um papel extraordinário chamando as criaturas. Precisamos de muita calma nos momentos de dificuldades, sejam elas nossas ou de outrem, porque existem muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores que estão sob a tutela da lei. Está percebendo? Estão debaixo da necessidade de se despertarem para certos ângulos. Pense nisso. Muitos irmãos de humanidade precisam ser trabalhados ainda pelos processos tristes e violentos da educação do mundo.

Não são poucas as ocasiões em que surge uma proposta de fora para dentro a fim de que a pessoa possa ativar de dentro para fora uma nova postura diante da própria vida.

A espada da lei busca direcionar o ser para que ele empunhe a espada de Jesus.

Ela visa aparar a linha de ação para melhor. Então, não fique triste com o que eu estou dizendo. Faz parte da vida. A resposta da lei também tem o caráter de espada. Toda disciplina imposta externamente é caminho, até que a alma encontre a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora sob o parâmetro do amor.

E para concluir vamos pensar no seguinte: a espada não é a palavra? Nós já vimos que é. Logo, vamos avaliar no fundo do coração, para o nosso próprio bem, como temos utilizado a palavra no dia a dia, especialmente nas relações com os semelhantes.

Vamos analisar com atenção a natureza do que temos verbalizado e lançado no terreno do destino. Porque, às vezes, uma palavra nossa mal direcionada pode machucar alguém. Não pode? Machuca e nós nem notamos o peso dela. No momento em que a nossa fala sai de forma dura, coercitiva, ríspida para com o semelhante, nós estamos ferindo ou maltratando. Isso acontece. Em quantas ocasiões nós usamos indevidamente a palavra para ferir, magoar, menosprezar e entristecer o nosso semelhante? Falamos bobagem, acusamos, maltratamos e tiramos o bem estar dos outros pela nossa voz e dureza das palavras.

A gente costuma machucar os outros até em nome da verdade. Vamos pensar. Inúmeras expressões verbalizadas que soltamos também podem representar manifestações das nossas dificuldades, das nossas fraquezas e imperfeições. E tem só mais um ponto importantíssimo. Em qualquer tempo e em qualquer ambiente nós sempre vamos receber segundo o que exteriorizamos. Sempre. Assim, como instrumento que nós avocamos a espada é algo que pode nos machucar consideravelmente no campo cármico das responsabilidades. Afinal, a gente não conhece aquele ditado popular que diz que "a palavra é o chicote do corpo"? Pois então. Vamos levar conosco o ensinamento de Simão Pedro: "Quem quer amar a vida e ver os dias felizes, refreie a sua língua do mal." (I Pedro 3:10).

20 de ago de 2016

Cap 57 - A Espada de Jesus - Parte 12

A IMPLANTAÇÃO

Essa desativação que nós estamos estudando pode se processar de duas formas: por meio da justiça ou por meio da vivência do evangelho. Aliás, é bom lembrar que todas as vezes em que assimilamos a palavra nós passamos a operar com dois instrumentos fundamentais que são o instrumento da morte e o instrumento da vida.

Temos que buscar crescer na marcha gradativa utilizando essa espada de dois gumes. Quer dizer, aprendemos e evoluímos de forma simultânea pelo impositivo da justiça, de fora para dentro, como também em função da revelação do amor.

Essa espada de dois gumes é utilizada, em tese, por todos aqueles que começam a abrir o campo dos seus valores intelectivos na busca de realizações espirituais. Ela é trabalhada em várias partes do evangelho e em outros livros da bíblia vamos notar igualmente a sua presença.

É muito bonito e interessante esse sistema e nele vigora uma sincronia extraordinária. A evolução em favor da nossa felicidade caracteriza-se pela luta com essa espada.

E afinal de contas, se ela tem dois lados quais são eles?

A espada funciona com uma sistemática de ação em que vamos tentando, pelo conhecimento, realizar dois pontos fundamentais. Ou seja, entramos em um sistema de luta e de investimento para conseguir realizar duas coisas de forma simultânea. Primeiro, trabalhar cerceando as manifestações intempestivas e irreverentes dos reflexos que dominam de forma automática dentro da gente. Deu uma ideia?

Um lado da espada opera sob o aspecto negativo, do não fazer. Visa cercear as manifestações indesejáveis, desativar as nossas dificuldades, cortar um pouco da complicação a cada dia.

E o outro lado objetiva trabalhar o aspecto positivo, do fazer, operar com componentes novos sensibilizando a nossa intimidade para outros ângulos de ação.

Este segundo lado praticamente abre caminhos para novas propostas de realização. Implementa padrões novos pelo superconsciente. Paralelamente àquela linha inicial de refreamento, busca arregimentar novos caracteres na formação de uma nova personalidade.

Em suma, os dois lados definem que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar novos pensamentos, palavras e ações que nos garantem a vitória sobre nós mesmos. Acompanhou?

A espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna. Não tem outra, só ela é capaz de criar a paz verdadeira, a paz que traz saúde e alegria ao espírito.

Na medida em que adentramos em uma postura nova, nós a avocamos mediante uma eleição de mudança de dentro para fora e passamos a cuidar da solução dos nossos problemas sem os lances duros do sofrimento periférico de fora para dentro. Entendeu esta parte? É muito importante essa questão, porque essa espada só pode ser empunhada por nós mesmos, de forma consciente  e com iniciativa e espontaneidade. Ela só pode ser avocada de dentro para fora, pela adesão firme do sentimento e com o uso da nossa vontade.

A gente não precisa sofrer tanto. O evangelho aponta a melhor maneira de sanearmos as nossas dificuldades, sejam elas quais forem. A sua sistemática é infinitamente menos dolorida. É uma forma suave e vem sendo trabalhada de maneira tranquila. Com outro detalhe fundamental, o que ela conquista é duradouro.

No campo das concepções mentais, mais precisamente do pensamento, ela é suscetível de projetar uma vida mais segura e feliz, que é a vida que Jesus definiu como sendo abundante. De forma que quanto mais trabalharmos em uma nova postura vibracional, vai acontecendo que nós vamos conseguindo transformar a nossa configuração íntima em uma base mais firme e mais harmônica.

O segundo gume da espada se caracteriza pelo sentido operacional. Abre terreno para recebimento de novos padrões no intuito de alcançarmos o crescimento consciente. Consiste no chamamento para fazermos aquilo que já sabemos, mas não fazemos ainda. É só a gente pensar um pouco: a questão é apenas tamponar aspectos da nossa imperfeição ou fazer por onde abrir perspectivas novas de crescimento? Porque uma espada pode ter um papel acentuadamente intimidador, como pode também apresentar sugestão de ação e trabalho. E o pressuposto básico para quem quer evoluir de forma consciente é subir os degraus com segurança e tranquilidade em uma linha de dentro para fora.

A mudança que você deseja na sua vida, e que eu desejo na minha, essa alteração que desejamos para melhor com certeza não vai ocorrer pelo constrangimento, pelo cerceamento, pelo bloqueio, mas por uma capacidade assimilativa.

Quer dizer, para desativar um ponto, seja ele qual for, nós temos que ativar outro.

É assim que o mecanismo evolutivo se desenvolve. A proposta passa a ser a assimilação. É necessário que outro elemento, outro valor novo, seja capaz de apresentar um grau de interesse acima daquele ponto a ser superado. A desativação por meio do evangelho decorre da ativação de novos padrões, é a desativação decorrente da ativação de outros componentes, de novos caracteres.

Está acompanhando o raciocínio? Uma terapia eficiente não se dá só pelo cerceamento, e sim pela laboração simultânea de padrões positivos. Isto tem que ficar muito claro, não dá para a gente avançar no estudo sem o devido entendimento a este respeito. Ninguém vai erradicar um vício unicamente pelo refreamento da ação. Sabe porquê? Porque se ocorrer simplesmente um tamponamento no interesse é provável que aquilo que se quer superar volte novamente mais cedo ou mais tarde, e o que é pior, volte ainda de forma bem mais intensa. Então, vamos guardar: para que eu cerceie a manifestação de pontos negativos eu tenho que gradativamente incorporar outros de natureza positiva.

A cada momento nós estamos desativando alguma coisa. Já pensou nisso? A cada momento nós estamos desativando, mas só teremos êxito nessa desativação se, ao mesmo tempo, estivermos edificando caracteres novos. Porque não tem como retirar alguma coisa sem uma respectiva substituição.

A reestruturação ocorre pela mudança da postura mental e também pela sedimentação de novas posições por meio da prática de valores positivos. Essa é a maneira acertada. O que sedimenta a morte? O nascimento em um novo ângulo.

Você ativa outras frentes e acaba sendo feliz no que diz respeito à vitória sobre os chamamentos que eram comuns. Só é possível êxito na desativação se, ao mesmo tempo, houver a edificação de aspectos novos, se houver a abertura de potenciais capazes de reduzir a intensidade daqueles ângulos negativos suscetíveis de levar a criatura a sofrimentos e desequilíbrios. Logo, a sistemática é recolher a informação e operar a informação. Aprender e fazer o que aprendeu. Isso mata a antiga postura do indivíduo e o revivifica em outra posição.

Se objetivamos a redenção espiritual, somos todos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno. Tanto a regeneração quanto a evolução não se alcançam sem um preço e o mecanismo ascensional exige planejamento, estudo e elaboração. A morte que nós buscamos decorre da luta, ocorre pela aplicação dessa espada em uma postura pessoal de testemunho.

Então, de forma resoluta lutemos para fixar componentes novos no intuito de apaziguarmos nosso espírito, pois se soubermos suar no trabalho honesto não precisaremos chorar depois no resgate justo.

A questão básica é saber se vivemos no Cristo tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real em nossa consciência sem a sua presença. Mais cedo ou mais tarde, todos nós que transitamos nas estradas do mundo aprendemos uma coisa: crescimento sem a vivência do evangelho não é evolução, é ilusão!

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