26/05/2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 5


O DESENCANTO

“E OS QUE USAM DESTE MUNDO, COMO SE DELE NÃO ABUSASSEM, PORQUE A APARÊNCIA DESTE MUNDO PASSA”. CORÍNTIOS I 7:31

“20MAS DEUS LHE DISSE: LOUCO! ESTA NOITE TE PEDIRÃO A TUA ALMA; E O QUE TENS PREPARADO, PARA QUEM SERÁ? 21ASSIM É AQUELE QUE PARA SI AJUNDA TESOUROS, E NÃO É RICO PARA COM DEUS.” LUCAS 12:20-21

“POIS QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO, SE PERDER A SUA ALMA? OU QUE DARÁ O HOMEM EM RECOMPENSA DA SUA ALMA?” MATEUS 16:26

A gente se defronta na caminhada terrena com um grupo grande de pessoas que se julga forte. Um deposita sua fortaleza nos recursos financeiros vultosos, esquecido de que estes surgem e depois vão. Ou na propriedade de terras, que amanhã ou mais tarde transferir-se-ão para as mãos de novos donos. Aquela se considera poderosa e melhor do que os outros pelo fato de possuir percentual elevadíssimo de beleza física, desatenta de que esta beleza, como a flor, floresce, brilha e passa. E aquele se julga acima de muitos em razão dos amigos e parentes que tem e que se encontram em posição de prestígio e destaque nos círculos sociais. Por fim, diversos exemplos poderiam ser enumerados.

O que não podemos esquecer em momento algum é que a experiência terrena, confrontada com a eternidade, não passa de um simples sonho ou pesadelo de alguns minutos.

E que, independente de onde estivermos e como estivermos, tudo na vida é por um pouco de tempo. Nada mais que isso. Que tudo favorece ou aflige a criatura terrestre simplesmente por um pouco de tempo. Que o destino é um campo restituindo invariavelmente o que recebe, e que pela demonstração do pouco é que caminhamos para o muito de felicidade ou de sofrimento, e que muita gente, valendo-se da mínima fração do que tem complica-se por longo período.

O apóstolo Paulo nos diz com extrema sabedoria: “E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.”

De fato o mundo fica, permanece, a aparência é que passa. E nem sempre, segundo a nossa visual deficitária e incorreta, os que aparentam ser vitoriosos o são realmente. Por esta razão, ante o caminho eterno, não podemos nos embrenhar na selva humana despreocupado de nossa habilitação à luz espiritual.

Temos que aprender a enxergar melhor a essência, despir da nossa mente a roupagem dos enganos materiais, caminhar sem trocar a realidade pelas aparências.

Não são poucos os que buscam a paz nas conquistas dos bens materiais, que por sinal são necessárias e fundamentais e carecemos delas. O problema é quando a busca limita-se unicamente a essa forma de êxito, o que não raras vezes ocasiona a frustração e o desencanto. Exemplo disto é o número de pessoas que vivem cercadas pelos recursos amoedados e ainda alimentam no coração aquele vazio de alma. Tem tudo o que precisam, e bem mais do que precisam, todavia não são felizes. Desconhecem a felicidade na sua acepção legítima. 

E o pior é que grande percentual dessas pessoas sente que o fato de não terem alcançado uma satisfação íntima duradoura, embora as inúmeras realizações no campo material, significa que o preenchimento do vazio se fará automaticamente mediante o alcance de realizações materiais ainda mais vultosas. Não é fácil. A conta bancária cheia de moedas, quando o titular tem a alma vazia de educação, significa roteiro seguro para a morte dos valores espirituais. 

Acabamos de dizer agora que tudo é por pouco tempo. Aliás, o tempo passa célere e diariamente retiram-se da Terra criaturas cujo passo se imobiliza nos angustiosos tormentos da frustração. Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e o interroga: “O que trouxeste?”

O materialista pensa, reflete, analisa e responderá que reuniu inúmeras vantagens materiais. Não só isso, óbvio. Que trabalhou muito, também, para dar boa condição aos seus. Que se esforçou sem medidas para assegurar uma posição tranquila a si mesmo e aos dependentes. Que tudo fez em prol daqueles que ama. Entretanto, analisada a bagagem do que levou consigo quase sempre notará que suas vitórias foram derrotas fragorosas. Não constituíram valores da alma e tampouco trouxeram o selo dos bens eternos. Ele estende os braços para o ouro que amontoou, contudo esse ouro apenas lhe assegura o mausoléu em que se lhes guardam as cinzas. Alonga a lembrança ao nome em que se ilustrou nos eventos humanos, porém quase sempre a fulguração pessoal de que se viu objeto apenas lhe recorda o coração para a dor do arrependimento tardio. Contempla o campo de luta em que desenvolveu transitório domínio, mas não enxerga senão a poeira da desilusão que lhe soterra os sonhos mortos.

É triste, mas é a verdade. Situações assim não ocorrem com pouca frequência como podemos imaginar, pelo contrário. Os anos passam e o evangelho continua a questionar as almas humanas nos momentos de culminância: “E o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20) Nem todos sabem responder com exatidão. Muitos, infelizes, percebem que o grande percentual dos seus lucros não passou de perdas desastrosas. Circularam no mundo em carros de triunfo na política, na fortuna, nas artes, na ciência, na religião e no poder, entretanto, incapazes do verdadeiro serviço aos semelhantes enganaram a si próprios no culto ao egoísmo e ao orgulho, à intemperança e vaidade que lhes devastaram a vida. E despertam, além da morte, sem recolher a luz.

Há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã. Quer ganhar a vida, e acaba perdendo-a no seu sentido intrínseco de bem estar e harmonia pessoal. Poderá guardar inúmeros títulos de posse sobre as utilidades terrestres, mas se não for senhor de tua própria alma todo o seu patrimônio não passará de simples introdução à loucura. Empilhará moedas de ouro e prata, à sombra das quais falará com autoridade e influência aos ouvidos do próximo, todavia, se os teus haveres não se dilatarem, em forma de socorro e trabalho, estímulo e educação, em favor dos seus semelhantes, será apenas um viajante descuidado, no rumo de pavorosas desilusões. “Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus” (Lucas 12:21). E “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Mateus 1:26).

É preciso analisar com cuidado. O mestre divino não recomendou que o homem deva movimentar-se despido de objetivos e aspirações de ganho. Não tem nada disso. Isso não existe no evangelho. Ele salientou apenas a necessidade de se conhecer o que procura, avaliar que espécie de lucros almejamos, a que finalidade nos propomos em nossas atividades e trajetórias terrestres.

É importante abrirmos os tesouros da alma para que não nos iludamos com as fantasias da inteligência quando procuramos agir sem Deus. Os títulos e valores materiais constituem-se em prova ímpar, capaz de aferir as verdadeiras disposições de desprendimento do ser em sua atividade espiritualizante.

Os interesses imediatistas do planeta clamam o tempo todo que tempo é dinheiro, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações. O munda grita o tempo todo, e pelos perigos que corremos o criador nos adverte da nossa fraqueza e fragilidade de nossa existência. Mostra-nos que entre suas mãos está a nossa vida e que ela se acha presa por um fio que pode se romper no momento em que menos esperamos.

Jesus define “eu venci o mundo”, pois precisamos viver com o mundo, estar integrados no mundo, mas o mundo não pode ser o gerenciador das nossas decisões.

Pare e pense. Se teus desejos repousam nas aquisições factícias, relativamente a situações passageiras ou a patrimônios fadados ao apodrecimento, renova, enquanto é tempo, a visão espiritual, porque de nada vale ganhar o mundo que não te pertence e perderes a ti mesmo, indefinidamente, para a vida imortal. Recorda os que padecem na derrota de si mesmos, depois de se acreditarem vencedores, dos que choram as horas perdidas, e procura, enquanto é hoje, enriquecer o próprio espírito para o amanhã que te aguarda. Afinal, conforme o ensino de Jesus, nada vale reter por fora o esplendor de todos os impérios do mundo, conservando a treva no coração.

23/05/2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 4


AI DE VÓS, RICOS

“24MAS AI DE VÓS, RICOS! PORQUE JÁ TENDES A VOSSA CONSOLAÇÃO. 25AI DE VÓS, OS QUE ESTAIS FARTOS, PORQUE TEREIS FOME. AI DE VÓS, OS QUE AGORA RIDES, PORQUE VÓS LAMENTAREIS E CHORAREIS”. LUCAS 6:24-26

“Ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação”. Muita gente tem carreado sofrimento para si porque confunde o que é posse com propriedade (abordaremos este assunto mais a frente). 

A advertência de Jesus é endereçada aos ricos materialistas, que fazem dos bens de que são mordomos e administradores temporários a razão plena de suas vidas e alegrias e esquecem o cultivo dos valores de natureza espiritual. A riqueza não é algo ruim, a questão é quanto ao uso que se fizer dela. Interessante é fugir da consequência da sentença, elevando o ideal para acima das coisas deste mundo.

Não podemos nos contentar com a posse da fortuna, porque do contrário já teremos recebido a consolação. Isso mesmo. O rico materialista já tem a consolação, não precisa de outra. Consolação esta que se encontra no fato de poder tirar o máximo da vida terrena. Entretanto, é “ai de vós” porque temos aprendido que o reconforto interior não é resultante do que se recebe, mas do que podemos oferecer.

Vamos estudando e aprendendo que a eternidade confere reduzida importância aos bens exteriores. E aqueles que exclusivamente acumulam vantagens transitórias, mantendo-se esquecidos da esfera interior, são realmente dignos de piedade. Quem age deste jeito, colocando tudo na dimensão de uma única vida física, tão passageira por sinal, é de fato um necessitado digno de compaixão. Não são poucos os que se tornam inimigos da educação e acreditam apenas no poder do cofre recheado para solucionar as dificuldades da vida.

É importante possuir aquela riqueza que o ladrão não rouba, a traça não rói e a morte não arrebata, aproveitarmos os meios de que dispomos para exercer a beneficência.

Também não adianta reclamar do mundo. Cada qual vive hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio do que lançou para si. Providência útil é realizamos constantemente um exame de consciência, analisar como temos vivido, avaliar a rota.

Se necessário, alterarmos o rumo dos encaminhamentos, de modo a não termos do que nos lamentar amanhã, porque as leis da vida não privilegiam ninguém, cada qual se encontra sujeito aos mesmos imperativos. Quando não sabemos, ou não queremos, vencer os perigos fascinantes das vantagens terrestres, as facilidades materiais costumam estagnar a nossa mente. Pense nisso.

Os títulos que o mundo outorga em muitas ocasiões são possibilidades de acesso aos abusos. E não é difícil perceber a falta de visão dos que agem exclusivamente em função dos interesses imediatistas. Basta só um pouco de atenção. A sapiência do Cristo alerta: se ainda não sofrem hoje, na ilusão em que vivem, virão a sofrer mais tarde, quando visitados pela dor, ou pela percepção de que se aproxima o momento de se desprenderem das posições que ostentam, identificando-se na contingência de tudo abandonar, uma vez que nada podem levar consigo de material extrínseco. Muitos desequilíbrios podem se manifestar nesta vida, e mesmo acompanhar o indivíduo para além do plano físico, pela avaliação de que poderia ter sido útil ao próximo e a si mesmo.

“Ai de vós os que agora rides, porque vós lamentareis e chorareis.” A vida é para rir. Portanto, rir não é o problema. Apenas precisamos saber quando, como e o motivo do riso. Porque se rimos por sarcasmo em face dos acontecimentos menos felizes, ou extasiados pelas facilidades de uma existência temporal, amanhã com certeza seremos convocados à realidade. Você já percebeu isso em sua caminhada. Quantas vezes criticamos o outro e nos deparamos à frente com os mesmos problemas dele. Mais cedo ou mais tarde a vida nos responde segundo a natureza da nossa semeadura, quando, então, lamentaremos ou nos regozijaremos, de acordo com o nosso procedimento. Se temos o livre-arbítrio, é natural que a lei de causa e efeito atue sobre nós. Lamentar e chorar tem sentidos distintos. Na lamentação existe uma espécie de autopunição, ao passo que o choro já sugere o desejo de melhoria, de nova experiência, de uma nova oportunidade, com o propósito de acertar.

É um fato triste, mas verdadeiro, quem tudo tem agora, e não lhe dá valor, geralmente precisa perder para valorizar. Em um mundo de provas e expiações só apreciamos muitas coisas depois que as perdemos. Muitos somente dão valor à saúde do corpo físico quando enfermos, ao emprego quando desempregados, e assim por diante. E o problema não é do mundo, é nosso mesmo, consequência das imperfeições. E “ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome.” Espiritualmente falando, será sempre lamentável alguém admitir-se farto, repleto, pleno, amplamente abastecido, sem necessidade de crescimento. Porque perceberá, mais cedo ou mais tarde, que por julgar possuir e não precisar deixou de conquistar padrões importantes de sustentação para o seu espírito.

Em devido momento constatará, desapontado, que tudo o que amealhou para si pouco ou nada significa diante dos reservatórios inesgotáveis do plano maior.

Nós não podemos nutrir desmedido apego ao que possuímos. Se ficarmos hipnotizados ou magnetizados com aquilo que temos, acabamos por fechar as comportas para novas aquisições e até mesmo para o próprio crescimento. Com decorrer do tempo aquilo se perde, desaparece, extingue e tudo se complica.

20/05/2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 3


MATERIALIDADE

É muito importante a gente entender neste nosso estudo que existem dois fatores que nos mantém presos ao pretérito. São sinais característicos dos interesses puramente humanos que nos ligam às retaguardas da evolução e simbolizam a imperfeição e inferioridade dos seres humanos: o interesse pessoal, ou seja, o egoísmo; e o apego às coisas materiais, às questões meramente  terrenas.

Quando um homem se devota de maneira absoluta aos seus cofres perecíveis, essa energia no coração dele se denomina avareza. Quanto mais se apegar aos bens deste mundo, tanto menos ele compreende o seu destino, ao passo que sabendo equacionar o seu interesse e tudo colocar na devida dimensão demonstra saber encarar a um ponto mais adiante o futuro e a realidade da própria vida.

E quando se atormenta de modo exclusivo pela defesa do que possui, julgando-se o centro da vida no lugar em que se encontra, a força converte-se nele em egoísmo. O interesse pessoal, definindo um personalismo complicado, é o segundo e mais difícil componente a ser desonerado. Sem exagero algum, podemos afirmar que ele é uma das coisas mais tristes que podemos presenciar em alguém. O egoísmo é o amor excessivo ao bem próprio sem consideração aos interesses alheios. É uma espécie de caridade invertida, exclusivismo que faz o indivíduo referir tudo a si próprio e o detém tão somente no círculo estreito de suas necessidades, sem qualquer expressão de respeito para com as necessidades alheias. Atalho complicado na jornada, o personalismo é instrumento que acaba por bloquear todo o mecanismo da evolução.

O assunto não é tão simples, nem tão restrito. A intolerância é a sombra do egoísmo, criando resistência. Mesmo em assuntos de virtude a nossa percentagem de capricho individual é invariavelmente enorme. Se nos achamos em posição superior doamos com alegria uma quantia elevada ao irmão necessitado que segue conosco em condição de subalternidade, a fim de contemplarmos as nossas qualidades nobres. E assim fazemos com naturalidade.

Nos seres mais queridos habitualmente amamos a nós mesmos, porque se demonstram pontos de vista diferentes dos nossos, ainda que superiores aos princípios que esposamos, instintivamente enfraquecemos a afeição que lhes consagrávamos.

Não é novidade nenhuma que o orgulho e a ambição sempre serão uma barreira erguida entre o homem e Deus. Transitamos em um mundo em transição que tem de tudo, criaturas nos mais diferentes níveis de evolução. Você já parou para pensar na quantidade de mendigos que ainda arrastam no planeta a esburacada vestimenta do prestígio e do poder que envergaram no passado?! Que não apenas os indivíduos recheados de posses são presunçosos, e que nos deparamos com muitos desprovidos de valores materiais que também se mantém presos a caracteres de grande egoísmo, muitas vezes de quem foi muito importante em encarnações passadas e não é mais hoje?!

Em todos os agrupamentos humanos e em todos os ambientes palpita a preocupação de ganhar. O espírito de lucro a tudo alcança, até os setores mais singelos.

Até os meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. Não nos educamos para viver, nos educamos para ser criaturas cada vez mais possessivas. A maioria das pessoas não procura saber se possui o menos para a vida eterna, porque está sempre ansiosa pelo mais nas possibilidades transitórias. Está sempre decidida a conquistar o mundo, mas nunca disposta a conquistar-se para a esfera mais elevada.

Esquecido de seu valor intrínseco, cujo preço é inestimável, consome-se e esgota-se na conquista do que é perecível, daquilo cujo valor é muito discutível, visto como só vale mediante certa convenção estabelecida pelos caprichos e veleidades do próprio homem. A concorrência intensificou a procura de títulos honoríficos transitórios, onde cada vencedor se julga, no mundo, com maior soma de direitos e de importância. Por isso, se nos demoramos colados à ilusão do destaque, se somos aqueles trabalhadores exclusivamente interessados em nosso engrandecimento temporário na esfera carnal, com esquecimento das necessidades alheias, há sempre muita gente que nos considera privilegiados e vitoriosos. A maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante, permanece geralmente absorvida pelos interesses perecíveis, insaciada, inquieta, sob o tormento angustioso da ambição sem medidas.

A insatisfação diante da vida, o anseio de destaque social, econômico e de poder nos coloca à mercê de emoções muito fortes, e a maioria dos homens permanece no vaivém dos caminhos, entre a procura desorientada e o achado falso, entra e encarnação perdida e a desencarnação em desespero. Não estamos aqui para dar lição de moral. Longe disso. Mas é importante nos atentarmos para o fato de que não convém concentrar nas organizações mutáveis e nos valores transitórios do plano carnal todas as nossas esperanças e aspirações.

Muitos, em um falso conceito, subvertem a ordem nas oportunidades de cada dia. Na corrida louca para o imediatismo esquecem a oportunidade que lhes pertencem, abandonam o material que lhes foi concedido para a evolução própria e atiram-se a aventuras de consequências imprevisíveis, em face do futuro.

Efêmera será sempre a galeria de evidência carnal. Não podemos ignorar que a permanência no planeta decorre da necessidade de trabalho proveitoso e não do uso de vantagens transitórias que, em muitos casos, anulam a capacidade de servir.

Se observarmos homens e mulheres despojados de qualquer escrúpulo moral detendo valores transitórios do mundo, tenhamos pena deles. E aproveitemos as bênçãos do conhecimento para renovar conceitos. No planeta, as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos passageiros da experiência física e é ilógico disputar a estima de um mundo que, mais tarde, será compelido a regenerar-se para obter a redenção. O deslumbrante progresso material que o século atual ostenta com tanto vigor é uma edificação sobre a areia. Tudo passa na vida, e as moedas não resolvem todos os problemas. Beleza física, poder temporal, propriedade passageira e fortuna amoedada podem ser simples atributo da máscara humana que o tempo transforma, infatigável.

16/05/2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 2


A COMPRA

“17COMO DIZES: RICO SOU, E ESTOU ENRIQUECIDO, E DE NADA TENHO FALTA; E NÃO SABES QUE ÉS UM DESGRAÇADO, E MISERÁVEL, E POBRE, E CEGO, E NU; 18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS, PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:17-18

O versículo referenciado traz questões da maior importância. Note que quando alguém entende ou acha que de nada precisa, que não precisa estudar o evangelho, que não precisa fazer caridade, que não precisa buscar conhecimento espiritual, ou algo assim, ele está dando um atestado de que em determinado aspecto, em certa área da vida, ele está suprido, ele enriqueceu (“como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”). Porém, se de um lado ele está dizendo que é rico, o mensageiro divino por outro afirma que não. O Cristo lhe diz: você não é rico como está achando que é, isso é ilusão.

A sagrada escritura lhe diz “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Isto é muito bonito. Enquanto o indivíduo acha que sabe ou tem alguma coisa o apocalipse lhe apresenta o quanto não tem. É muito ponto negativo quando a gente acha que sabe alguma coisa. Agora, também não quer dizer que a gente tenha que abaixar a cabeça e desconsiderar a nossa caminhada. Não quer dizer que a gente tenha que trabalhar, e trabalhar, e trabalhar sem contentamento e satisfação com a conquista obtida. Também não é por aí, não é nada disso. Mas vamos observar que o texto sai de um plano de concepção de vida para entrar em uma linha de aconselhamento: “aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo.” 

É como se apresentasse para ele uma nova sistemática, oferecesse um painel de opções.

Enquanto a gente não entender que é pobre a gente não enriquece. Os acontecimentos da vida tem ensinado isso a todo o momento. Quando a gente acha que sabe alguma coisa, que não precisa de algo: “Ah, eu já estou sabendo, ou não preciso...”, cuidado. Que está a um passo de cair numa desilusão. Por quê? Porque nós não temos uma ideia plena do que seja infinito e eternidade. O infinito é alguma coisa que nós estamos ainda muito longe de depreender.

Notamos que o texto, ao contrário de nos pedir uma apreciação quanto ao ângulo de nossa pequenez e insignificância, para abaixarmos a cabeça e nos curvarmos aos acontecimentos, ele nos convida ao trabalho, ao suprimento daquilo que nós precisamos. É para indicar, e tem que ficar bem claro, que nós somos efetivamente ricos quando detectamos que somos pobres. Só depois que a gente compra o ouro que é provado no fogo é que a gente nota que o plano de elaboração dessa compra enriqueceu o nosso espírito. Realmente. E com essa expressão compra a gente percebe que a vida representa um negócio.

Sem dúvida alguma. A vida é mesmo um jogo, é um negócio. É uma questão de opção, de seleção, de estratégia, de investimento, de prioridade. Ou eu estou errado e não é assim? O próprio Jesus falou à sua mãe, quando inquirido, se ela não sabia que a ele cabia cuidar dos “negócios do meu Pai”. Agora, existem bons e maus negócios. E quase sempre, por atrás dos bons e maus negócios, vige uma grande dose de interesse egoístico. Quantos milhões de pessoas, pelas suas escolhas menos felizes, e que apresentam aparente crescimento temporal, não estão gerando dor e sofrimento para tantos corações?!

Mas voltando ao ponto que nos interessa, vamos observar que no momento em que nos enriquecemos de fato notamos que esse enriquecimento representa apenas uma parcela mínima para que a gente tenha outros direitos na vida.

E nesse painel de opções diz: “que de mim compres ouro provado no fogo para que te enriqueças”. Não está falando do enriquecimento periférico, exterior, material, está falando do enriquecimento da alma, obviamente. E esse enriquecimento da alma, por ele nos fazer enxergar melhor, nós passamos a ter uma abrangência mais evidente da própria extensão da bondade de Deus e dos valores que mantém o equilíbrio do universo. Isso é que é importante para nós.

E como é que se prova no fogo? O que o ouro significa? O ouro é um metal nobre, refere-se aquilo que tem muito valor, define uma preciosidade, é aquilo que existe de mais valioso, representa a concepção daquilo que eu tenho de melhor.

Em termos espirituais, o ouro é aquele componente que vai nos proporcionar segurança. Afinal, não é essa a ideia que as pessoas têm em relação a sua aquisição? O ouro simboliza a conquista de recursos que tem capacidade de garantir segurança. Você pode pensar: “tudo bem, entendi, mas com que recurso ele compraria esse ouro, se ele é miserável e pobre? Como é que se compra?”

Se mencionamos que a aquisição do ouro é para dar segurança, a gente sabe que a nossa segurança deve estruturar-se realmente na ação. Logo, o ouro é a concepção do que nós temos de melhor e mais valioso em nossa faixa de doação. E a moeda mais preciosa do universo, e que todo mundo a possui e só necessita manipulá-la é o amor. Amor baseado em que plano operacional? No trabalho. Tanto que existe uma luta sociológica vigente no mundo globalizado de hoje que é capital x trabalho. Mas em tese é o trabalho que é o geratriz do capital.

“Ouro provado no fogo”, e a prova no fogo é que define o grau de investimento no plano do componente que estamos angariando. Ouro provado no fogo é que sustenta.

Ver o painel de opções, observar o ambiente, analisar todo o catálogo do que é bom fazer, tudo isso é importante. É a partir daí que vamos partir para a compra. Porém, é interessante analisar a distinção entre comprar o produto e simplesmente ver a propaganda. Comprar ouro provado no fogo não é ler uma obra, estudar no blog, assistir a uma reunião espiritual e falar: “E aí, João, gostou da reunião, aprovou o estudo?” “Nossa, e como gostei. É isso aí. Achei lindo, é por aí que eu vou”. Espero que você esteja entendendo de forma clara o que eu estou dizendo, mas comprar não é tão fácil e automático assim. Isto não é comprar, isto é ver a propaganda, o lançamento na televisão, ou ver o outdoor anunciando o produto. Isto ainda é apenas tomar conhecimento do produto.

A gente tem dificuldade em comprar. A gente lê, estuda e aprende que tem que compreender, que tem que perdoar, ter paciência e equilíbrio, mas nós ainda reagimos diante das dificuldades como se estivéssemos vivendo no século X ou XII, com a mesma ferocidade e a mesma resistência. De fato, quando nós começamos a investir é que entramos em um processo de acentuada reação, a começar pela nossa própria intimidade que não está acostumada com aquele tipo de coisa. E fica definido que essa compra exige sacrifício.

Comprar é diferente e está para além de apenas assistir o comercial. A compra exige paciência e sacrifício e o ouro tem que ser provado no fogo, a indicar o trabalho na aplicação dos valores, o que vai exigir sacrifício.  De repente você pode até dizer: “Não, eu não faço esforço nenhum, eu compro é pelo telefone ou pela internet.” Ora, deixando a brincadeira de lado, você entendeu o que eu quis dizer.

A compra exige naturalmente paciência, que representa o acúmulo numa poupança que possa nos assegurar condições de pagamento do produto que temos adquirido. A compra pressupõe o desprendimento de valores para a aquisição do componente que vai se incorporar de forma definitiva ao nosso patrimônio. É por isso que é comprar ouro provado, porque somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução. A prova é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa, é a demonstração evidente, é conferir com os respectivos padrões. Ouro provado no fogo denota o substrato de aplicabilidade concreta, mede o grau do investimento. A prova é a aferição, consiste em saber se eu estou apto a passar para a frase seguinte. Logo, primeiro vem a hora do conhecimento para depois vir a necessidade de se gastar esse investimento. E resta saber de quem compramos, pois tem muita gente comprando apenas ouro do mundo. Compra, compra e permanece sem enriquecer.

12/05/2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 1


O RICO

“17COMO DIZES: RICO SOU, E ESTOU ENRIQUECIDO, E DE NADA TENHO FALTA; E NÃO SABES QUE ÉS UM DESGRAÇADO, E MISERÁVEL, E POBRE, E CEGO, E NU; 18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS, PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:17-18   

É muito importante para nós, neste novo estudo que se inicia, entendermos que nem sempre as aparências exteriores constituem aqueles componentes que mais determinam ou indicam o que nós efetivamente somos.

E porque estamos começando assim? Porque o termo rico, na acepção espiritual, do evangelho, a princípio não tem nada a ver com a riqueza material, nada a ver com os valores amoedados, não faz a mínima referência ao montante de dinheiro de alguém. Ou seja, eu não posso diagnosticar criatura alguma exteriormente: “esse é rico, ou esse é pobre”. Não tem nada a ver.

Rico é aquele que se encontra provido abundantemente, cheio, farto, pleno. Logo, todo aquele que acha que não precisa enriqueceu. A riqueza significa aquela posição em que a criatura, independente de ser pobre ou rica materialmente, alimenta a ideia de já estar plenamente abastecida dos recursos educativos, e que em razão dessa ilusão dispensa toda e qualquer iniciativa que vise a continuidade do seu crescimento. Percebeu? Por se achar rica acha que não precisa.

O que observamos nesse versículo é interessante. Veja só: “Como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. Se “dizer” é manifestação, ao manifestarmos que somos ricos, ou que estamos enriquecidos, ou que de nada temos falta, nós estamos declarando a nossa total ignorância em todas as frentes em que falam os padrões do crescimento consciente, na direção dos próprios sistemas que vigem os caminhos da eternidade na busca do infinito.

Sem dúvida alguma, o elemento que exterioriza tal afirmação, e não são poucos os que fazem, mesmo que de forma velada, ele tem que trabalhar realmente um plano de recomposição conceitual, tem que redirecionar a sua concepção. Se você diz isso, “rico sou e estou enriquecido e de nada tenho falta”, você está se definindo autossuficiente e a autossuficiência para nós é um verdadeiro desastre. É óbvio que precisamos ter certa parcela de autossuficiência na vida, sem a qual não levamos nada a efeito, todavia, isso é diferente de declararmos a nossa riqueza, o que nos coloca em posição de isolamento e representa um desastre, pois nos posiciona em um sentido de acomodação. E nos desgasta. Agora, infelizmente muitos ainda não entendem isso.

A criatura declara a sua riqueza, ou melhor, pretensa riqueza. E quando o mensageiro divino diz: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”, vem a expressão afirmativa do que está comunicando, que no caso é a personificação do próprio Cristo. O bonito é que o evangelho, neste caso referenciado no apocalipse, nos mostra um ponto de referência para um crescimento claro, está mostrando a viva voz o que realmente acontece.

Sem contar que essa expressão “miserável, desgraçado, pobre, cego e nu” tem um sentido absolutamente diferente do pobre que iremos comentar à frente. Esse rico é desgraçado porque ao fechar circuito em si mesmo ele fica fora dos limites da graça. Entendeu? Se ele declara que está enriquecido e que de nada tem falta ele se coloca acima de qualquer coisa. E a graça não o alcança. Ele não se identifica necessitado, fecha circuito em si mesmo, e a misericórdia, extensão do amor nos planos do universo, não pode ultrapassar os limites da predisposição íntima em querer receber. Não existe violência de qualquer parte no império do amor, e para receber a graça divina tem que haver uma adesão íntima.

Miserável é aquele que está na miséria, que, aliás, está situado em um estado bem abaixo da pobreza. Não adianta, estamos muito longe de depreender o que seja infinito e todo aquele que procede colocando tudo na dimensão de uma única vida física, tão passageira por sinal, é de fato um necessitado digno de compaixão.

Espiritualmente falando, é triste e lamentável alguém admitir-se farto, pleno, sem falta de nada, com a sua dispensa abarrotada, com seu celeiro repleto, porque acaba por perceber, no devido tempo, que por achar que tinha tudo e que de nada tinha falta, deixou de amealhar padrões de sustentação do seu espírito.

E mais, constatará, de forma infeliz, que tudo o que arregimentou pouco ou nada significa. Temos que redimensionar nossas conceituações. Não podemos nos apegar àquilo que possuímos porque se ficamos hipnotizados ou magnetizados por aquilo que detemos nós fechamos as comportas da própria elevação e com o decorrer do tempo aquilo se perde, se estiola, desaparece e tudo se complica de novo. Jesus nos adverte sobre a necessidade de abrirmos os tesouros da alma para que não nos iludamos com as fantasias da inteligência, quando procuramos agir dissociados do amparo e da misericórdia em Deus.

O cego faz uma referência à visão, fala da incapacidade de percepção e alcance do próprio sentido da vida. E o nu fala do tato, da desproteção. Porque nu é o que se encontra privado de vestuário, sem cobertura, exposto, sem nada, vazio, destituído. Como já mencionamos no capítulo Os Vestidos e os Panos é aquele que não conseguiu tecer pelas suas próprias conquistas pessoais a tessitura vibracional da alma, pois a vestimenta da alma se manifesta de dentro para fora, não é um envolvimento de fora para dentro. E diante da falta de vestimenta o evangelho nos sugere comprar roupa, porque no âmbito espiritual não tem como alguém ganhar roupa, nosso próprio assunto.

07/05/2012

Cap 23 - A Fé - Parte 8 (Final)


A NOVA JERUSALÉM

“A QUEM VENCER, EU O FAREI COLUNA NO TEMPLO DO MEU DEUS, E DELE NUNCA SAIRÁ; E ESCREVEREI SOBRE ELE O NOME DO MEU DEUS, E O NOME DA CIDADE DO MEU DEUS, A NOVA JERUSALÉM, QUE DESCE DO CÉU, DO MEU DEUS, E TAMBÉM O MEU NOVO NOME.” APOCALIPSE 3:12

“14MEUS IRMÃOS, QUE APROVEITA SE ALGUÉM DISSER QUE TEM FÉ, E NÃO TIVER AS OBRAS? PORVENTURA A FÉ PODE SALVÁ-LO? 17ASSIM TAMBÉM A FÉ, SE NÃO TIVER AS OBRAS, É MORTA EM SI MESMA.” THIAGO 2:14 e 17 

A antiga capital do reino de Judá era também a capital da província da Judeia. Centro político e cultural do judaísmo, situava-se no extremo de planalto no monte Sião, a 760 metros acima do nível do mar. Consistia-se na capital religiosa do povo hebreu e abrigava o templo de Salomão, onde se davam os mais importantes movimentos de cunho religioso, e que era o único local oficial para se oferecer sacrifícios a Deus. Defronte a esta cidade chamada santa ficava o monte das Oliveiras, a quase 900 metros acima do nível do mar. Jesus lamentou Jerusalém por não saber acolher os profetas enviados, como a ele próprio, e profetizou tristes consequências para ela, como a destruição do templo.

Outras cidades lamentadas foram Corazim, Betsaida e Cafarnaum. No ano de 70 DC a cidade foi invadida pelas tropas do general Tito, houve incêndio e o templo destruído. O importante para nós é que a Jerusalém política, geograficamente assentada no Oriente Médio, miscigenada de tradições religiosas dogmáticas e que valorizam os cultos externos não tem significância nenhuma.

Ela não tem a menor importância para quem deseja progredir espiritualmente. Jerusalém é símbolo do evangelho e o seu sentido espiritual é que realmente nos importa. Sugiro a releitura do capítulo O Cego de Jericó, na parte daquela cidade.

“E escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”. (Apocalipse) Na cidade de Jerusalém havia o templo e nesse templo era onde os sacrifícios a Deus eram operacionalizados. Nós falamos agora da Jerusalém espiritual, da “nova Jerusalém”, a que efetivamente nos interessa e projeta para o criador.

Esse entendimento só pode ser alcançado e se faz presente quando nós substituímos todo um sistema religioso, filosófico e espiritual por um “novo nome” que vai implementar o nosso processo de crescimento e ascensão. Esse “novo nome” a que se refere é a verdade que nos chega e é oriunda do plano superior.

Não há dúvida, esse “novo nome” é a verdade, que por sua vez é sempre gradativa, sempre chega em frações e é constantemente redimensionada. A “nova Jerusalém”, a Jerusalém espiritual que vamos identificar nos planos mais elevados da nossa personalidade, é uma nova concepção, representa um novo estado de espírito. Novas propostas, novos ideais, novo entendimento, nova forma de viver. Temos dado com a cabeça na parede nas buscas de crescimento por nos mantermos muito presos aos aspectos da relatividade humana, e porque não dizer aos graus muito escravizantes do tempo e do espaço.

Assim, vamos avaliar. Quantos de nós não continuam vivendo na cidade de Jericó (272 metros abaixo do nível do mar, aspectos voltados aos planos inferiores da vida mental, apego ao terreno materialista), ao invés de se lançarem e crescerem realizando no terreno onde amor opera (Jerusalém, 760 metros acima)?!

Há coisas implícitas da maior importância: “E escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e também o meu novo nome”. Quem escreve é aquele que vai se constituir coluna, a indicar que ele, em tese, está se identificado com os elementos do plano superior irradiadores da segurança no universo. É uma referência da relação dele com o próprio criador. É mais ou menos como Jesus disse: “eu e o Pai somos um”. “Escreverei o nome do meu Deus”, ou seja, o nome de Deus antes de qualquer coisa, acima de tudo, definindo que Deus irradia e ele opera. “Escreverei o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”.

Não sei se está dando para entender, mas ele opera sob a tutela direta das emanações do próprio criador. Com esses nomes passamos a trabalhar muito mais com os padrões oriundos das realidades superiores da nossa vida do que conosco mesmo, sem perder a individualidade, claro. No decorrer do tempo vamos conseguindo neutralizar os nossos padrões negativos e passamos a dar um valor maior aos positivos, e mediante o exercício da nossa vontade, que é componente básico da vida mental, conseguimos trabalhar com êxito o plano da elevação.

“Jerusalém que desce do céu do meu Deus”. A gente precisa entender muito bem o que o texto está indicando. Ele não faz referência à Jerusalém física, lá de trás.

Não é Jerusalém geográfica, que está aqui embaixo, no plano terreno. Essa Jerusalém vem do céu, vem através de um processo elaborado pelo nosso campo interior.

O texto oferece muito conteúdo para a reflexão, e a gente tem lembrado sempre da necessidade de saber interpretar o símbolo. Nós estamos buscando a Jerusalém libertada, mas a Jerusalém libertada “desce do céu”. Ela é concessão divina. Muito antes de se pretender construir uma Jerusalém a nosso jeito ela já é construída para nos abrigar nos planos superiores da vida. Quando nós entramos em um processo de apropriação da verdade, o “novo nome”, entramos em uma ótica além da nossa individualidade, entramos nesse terreno que o texto faz alusão. Ou seja, é o templo que vem. Vem e está chegando cada vez mais perto de nós, à medida que abrimos a perspectiva de luminosidade interior. Vai se abrindo novos lances. É o insondável por enquanto, e já sondável em alguns ângulos, impenetrável em determinados ângulos e penetrável em outros. Está dando para perceber? Quem vai escrever o nome é o próprio cristo íntimo nosso mediante ações embasadas no campo do amor.

“Escreverei sobre ele o nome do meu Deus”. Por quê? Por que por enquanto nós realizamos as nossas edificações de baixo para cima no campo restrito da expressão pessoal. Mantemos uma linha egocêntrica. No entanto, entrando em ressonância com o “novo nome”, isto é, com o conhecimento espiritual da verdade, passamos a construir sob as emanações superiores, sob uma ótica elevada e ampliada.

À medida que começamos a trabalhar com os planos mais avançados passamos a estar mais vinculados às regiões espirituais superiores. Vamos entrosando em um plano mais equilibrado e feliz e nos reunindo a mentes que vibram e operam na mesma linha e mesma faixa de onda. E aí encontramos segurança.

Ligados lá nós estamos muito mais seguros. À medida que avançamos com conhecimento de causa, tranquilidade e segurança vamos nos integrando com as hostes cada vez mais avançadas e passamos a nos situar não mais naquele templo íntimo, mas num plano associativo. Jesus construiu nosso orbe como engenheiro sideral, mas ele integrava, como integra, uma plêiade de entidades.

Assim é que funciona, e a nossa ação, por mais individualista que seja, sempre está associada a uma linha de ressonância. Escrever o nome da cidade define que nós passamos com o decorrer do tempo a trabalhar não mais no espírito acanhado, restrito e individualista da salvação, e sim sob a tutela de uma coletividade.

O próprio Paulo define que caminhamos sob “uma nuvem de testemunhas”. Assim, nunca estamos isolados, sempre somos reflexos de alguma coisa, de algum grupo, como também outros refletem o nosso pensamento, positiva ou negativamente. Mais do que o autor de um pensamento e de uma atividade somos sempre os executores de um processo ou de uma proposta que dimana de um grupo, e que por linhas de relação gradativa chega até a gente. Mas não quer dizer que dessa forma ficamos cerceados em nosso direito de liberdade e ação. Não significa que estamos perdendo a individualidade para a coletividade. A coletividade é uma realidade, sim, sem que percamos a individualidade.

A conclusão é simples e interessante: Jerusalém fica a 760 metros acima do nível do mar. E para chegar lá nós temos que subir. Note que nos interessa a cidade no âmbito espiritual. A linha do subir define a necessidade de identificar padrões novos que dimanam de cima, porque a Jerusalém íntima “desce do céu”.

E dentro da cidade representa o campo de realização, o campo dinâmico nosso, onde vamos operar com aqueles que se aproximam. A gente tem batido muito nessa tecla, a preocupação de quem abraça o evangelho não deve ser a de fazer prosélito, e sim trabalhar com aqueles que a vida traz à órbita de ação.

Jerusalém é a cidade do Cristo, representa o campo operacional dele. Você está percebendo? Nós somos criaturas que operamos na fundamentação de Jerusalém, no seu sentido intrínseco, de profundidade, não no seu sentido geográfico.

O amor pressupõe a capacidade de doação, de oferta, e é no âmbito de Jerusalém que damos os testemunhos maiores. Ela assume o sentido de referência espiritual. Nela encontramos o templo, que é onde se oferece o sacrifício.

Jerusalém representa o marco das aquisições espirituais, é conquista obtida ao longo da jornada evolutiva. Podemos entendê-la hoje como sendo nossas conquistas no campo do espírito, é mente voltada aos padrões superiores da vida.

Jerusalém, como cidade santa, é o ambiente vibracional que define a legitimidade do nosso coração. Ela desce do céu, isto é, passamos a doar em função do alto, não mais em função do nosso interesse personalístico apenas. Jerusalém é o caminho de todos nós ao encontro do mestre Jesus, e é Jesus que vem de cima, que define essa estrutura. O templo, como expressão crística, o compreendemos como sendo o amor, não em sua linha irradiadora teórica em Deus, mas em sua dinâmica plena, aplicativa, em uma linha recolhida do criador e expressa de acordo com a capacidade decodificadora dela.

Então, isso é o templo de Jerusalém, o local do sacrifício, e não existe amor sem sacrifício. É a fonte onde o amor trabalha. Vamos pensar. O Senhor e os seus discípulos não viveram apenas na contemplação. Fé raciocinada é aquela que aplicamos na capacidade de mudança, não na capacidade de adorar a Deus mais do que adorávamos antes. A fé tem que ser operacionalizada. É colocação pessoal e intransferível, e estamos tentando embasar a obra na fé. Como não podemos estender a tristeza nas tarefas do bem, o contentamento de ajudar é um sinal da nossa fé, que por sinal é projetada em cima do que fazemos.

02/05/2012

Cap 23 - A Fé - Parte 7


COLUNA

“A QUEM VENCER, EU O FAREI COLUNA NO TEMPLO DO MEU DEUS, E DELE NUNCA SAIRÁ; E ESCREVEREI SOBRE ELE O NOME DO MEU DEUS, E O NOME DA CIDADE DO MEU DEUS, A NOVA JERUSALÉM, QUE DESCE DO CÉU, DO MEU DEUS, E TAMBÉM O MEU NOVO NOME.” APOCALIPSE 3:12

Se mencionamos o que era a coroa, vamos trabalhar agora no que reporta à coluna.

E ao falarmos em coluna já estamos definindo um processo de erguimento, de construção. Coluna já indica construção, solidificação, não tem mais o sentido puramente de informação. Se vimos anteriormente que a coroa tinha aquele aspecto de potencialidade, como se ergue uma coluna? Ela não utiliza materiais etéreos, e, sim, concretos, tangíveis, sólidos. Ela é estruturada na base do concreto, do tijolo, dos materiais de fixação nos campos da segurança.

A coluna tem esse sentido de sustentação, de segurança, de firmeza, de solidez, de sustentabilidade. Ser coluna equivale a dizer que, apesar de toda a tribulação, de todas as dificuldades naturalmente possíveis de acontecer na vida de qualquer um, os elementos permanecem de pé, firmes, diante das adversidades.

A coluna não é algo feito sem objetivo. É um erguimento que tem a finalidade de dar sustentação. Ela tem que propiciar segurança. E a segurança é pelas obras, pelo testemunho. Então, a coroa pode dar o poder, pode oferecer toda instrumentalidade, pode ser o recebimento do valor informativo, do componente que nos é outorgado, mas a coluna é o soerguimento do templo, o que dá sustentação.

Está ficando claro? “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus” (Apocalipse). É o templo de Deus e uma menção feita pelo próprio Jesus. Define linha de ressonância: “Eu e o Pai somos um”. Lembra? É uma unidade perfeita.

A mostrar que temos uma unidade dinâmica no universo. E da mesma forma nós também temos uma unidade com o Cristo. Teoricamente, nós podemos ter o criador como sendo o ponto de referência de nossa caminhada, que disponibiliza valores, e nós os componentes que trabalhamos e realizamos as obras.

A coluna é soerguimento e sustentação, pois o mundo vai convocando cada um de nós, sem exceção, a um processo de cooperação e de trabalho. Trabalho que, aliás, já deixa de ter aquele aspecto exclusivo que vise tão somente a nossa afirmação, embora todo ele necessite ser encaminhado para garantir a nossa estabilidade. A coluna se expressa quando nós estudamos e aprendemos o que temos batido sempre aqui: que “fora da caridade não há salvação”.

É interessante essa questão. Podemos dizer que a coroa reside na informação, caracteriza-se pelo valor informativo que chega e pela disposição de servir, ao passo que a coluna decorre da aplicabilidade. É preciso ficar claro, a coluna se edifica na formação. Não tem como haver coluna sem aplicação, sem solidificação.

Coluna é componente de sustentação e estabilidade, e essa estabilidade não se estrutura unicamente em cima do que somos informados, e sim da nossa manifestação concreta no campo da aplicação. Detalhe da maior importância é que se falamos em coluna alguém pode erguer o maior edifício do mundo, no entanto, se ele for revestido de uma proteção que trabalhe e assegure a proposta meramente egocêntrica ou egoísta ele vai derruir em curto prazo de tempo.

Não tem como a gente evoluir mais alienado do contexto e do plano em que estamos inseridos. Não tem. Isso já não dá mais. É necessário abrir os alicerces no terreno da sensibilização para com aqueles que estão à nossa volta, no campo da ajuda e do auxílio. Por mais elevada a proposta ela tem que ter uma linha abrangente, universalista, que atenda também outros corações.

Não dá mais para evoluir isolado do contexto ampliado. Afinal, a construção é nossa, mas o templo é de Deus.

“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;” (Gálatas 2:9) Coluna é uma expressão presente na extensão do próprrio evangelho.

E quem são as colunas no templo de Deus, senão as criaturas que já estão identificadas com o objetivo da obra e com a segurança da obra? Nós podemos ser uma coluna bem pequena, só para segurar alguma coisa, como existem outros espíritos que são verdadeiros pilares. Independente do padrão quantitativo, o interessante para cada um de nós é que na medida em que vamos sendo felizes no discernimento, que vamos sabendo selecionar melhor os valores ao nosso dispor, e sabendo abrir mão dos interesses passageiros em função de uma luta íntima de profundidade, podemos ir edificando e sendo instrumentos seguros a refletir o pensamento divino. Bem como trabalhando no soerguimento dos componentes da luz ao nível de uma caminhada segura e feliz.

29/04/2012

Cap 23 - A Fé - Parte 6

COROA DA VIDA

“BEM-AVENTURADO O HOMEM QUE SUPORTA A TENTAÇÃO; PORQUE, QUANDO FOR PROVADO, RECEBERÁ A COROA DA VIDA, A QUAL O SENHOR TEM PROMETIDO AOS QUE O AMAM.” TIAGO 1:12

“10COMO GUARDASTE A PALAVRA DA MINHA PACIÊNCIA, TAMBÉM EU TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO QUE HÁ DE VIR SOBRE TODO O MUNDO, PARA TENTAR OS QUE HABITAM NA TERRA. 11EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:10-11

O homem recebe a coroa da vida após ser provado. Não tem outro jeito. Ela não é concedida de forma gratuita e aleatória. (“Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.” Tiago) O ensinamento é claro e imperioso.

Cada um de nós nutre na intimidade o desejo mais profundo e sincero de crescer e evoluir. E como tudo tem preço, para sairmos do sufoco decorrente do ontem menos feliz, temos que receber a coroa hoje. Podemos até tentar, todavia não é possível respaldar o destino sem recebê-la. Quem não recebe a coroa não se adianta, caminha em círculos, não avança, porque a coroa é aquele componente que vai garantir a nossa sustentação no ritmo da própria vida.

Por outro lado, aquele que a recebe, e se reveste em função disso em uma linha de ação segura, consegue dar passos maravilhosos na sua caminhada. Ele não apenas saneia o próprio destino em função do erro perpetrado lá atrás, melhorando as suas condições atuais, como também avança em um processo que vai lhe propiciar muito reconforto, muita tranquilidade, maior equilíbrio e paz.

A gente pensa em coroa e logo nos vem à mente aquela ideia de poder, de autoridade.

Não estamos errados. Ela funciona mais ou menos como um título conquistado, é a representação de outorga do poder conquistado. A coroa nós podemos compreendê-la como sendo a outorga de poder. Afinal, não é isto que caracteriza uma coroa? Ela não implica em poder e autoridade? Se analisarmos com carinho vamos observar que, no mínimo, apresenta um sentido prático e objetivo na vida, ou no campo social, de mando, de governança, de direcionamento. O importante é compreender o que venha a ser a coroa.

Em todos os sentidos, o coroamento é aquele momento em que um candidato é dotado de autoridade para um plano de ação. Para fins de assimilação didática, é como o recebimento de um título de faculdade, por exemplo. Deu para entender? A coroa é uma concessão que está em disponibilidade para todos nós, e estou falando na coroa como um resultado positivo, a coroação de uma conquista. No fundo ela é sempre compatível ao grau de merecimento da criatura. É a informação, é a outorga das informações, a transferência dela. Agora, estamos falando da coroa da vida, e em razão disso é preciso muito cuidado para não colocar por vontade própria a coroa na cabeça, porque essa coroa a qual nos referimos não é colocada por alguém, na essência ela é outorgada.

Então, quando nós recebemos em uma reencarnação uma faculdade mediúnica ou determinado dom, por exemplo, nós reencarnamos coroados. Foi-nos dada uma oportunidade, uma potencialidade. Só que tem um detalhe importante, o legítimo plano que constitui o avanço e o crescimento não está representado na concessão do título ou na outorga de poder, e sim no exercício e manifestação desse poder. Não vamos usufruir do padrão quanto à faculdade recebida, mas quanto ao uso que fizermos dela. Não seremos aferidos pelo percentual de valores a nós transferidos, mas pela aplicação que fizermos deles.

Isso dá uma ideia e é sinal que em determinado momento, quando a coroa é concedida a alguém, fica como que decretado, didaticamente, que essa concessão passa a implicar em responsabilidade por parte desse alguém perante inúmeras pessoas. Independente do número de pessoas. Pode ser responsabilidade perante um grupo maior ou menor. Responsabilidade perante uma nação, um grupo familiar, uma empresa, com dois ou doze funcionários, ou milhares. Como essa responsabilidade pode alcançar, também, apenas o âmbito individual, ou seja, apenas do indivíduo consigo próprio no campo das lutas reeducacionais. Por sinal, aspecto interessante é esse, pois essa coroa representa para nós que já estamos nos candidatando a uma capacidade de governo, de gerenciamento, e a coroa, em seu sentido reeducacional, define a  principal característica, a capacidade de alguém em gerenciar e administrar a sua própria estrutura pessoal na vida, as suas próprias ações, os seus ideais, o seu corpo.

25/04/2012

Cap 23 - A Fé - Parte 5


A FÉ RACIOCINADA

Os líderes das igrejas exclusivistas, sem dúvida alguma, consideram bons crentes e bons discípulos aqueles que lhes apoiam tudo sem reserva alguma, com entusiasmo, ardor e fanatismo.

A fé cega geralmente é imposta, exigindo a abdicação das prerrogativas do raciocínio e do livre-arbítrio. 

Ela tem imperado amplamente no campo das religiões e nem parece que estamos no século em que estamos. O mundo atual já não comporta mais uma fé desvinculada da razão. Temos que vencer com naturalidade as insinuações do erro no campo das opções, e não podemos viver sem o porquê em todas as nossas fundamentações de mudança. Chega! Não dá mais para avançar sem saber o porquê das coisas. O evangelho surge trazendo ensinamentos novos para melhor bem viver e temos que questionar o porquê de amar os nossos inimigos, se nós temos tantos amigos para amar. Porque perdoar? O que o perdão nos propicia de bom? Porque temos que fazer caridade?

A religião, em sua conotação de expressão da verdade, deve apresentar sua metodologia em cima da indução e da dedução. Exatamente isto, indução e dedução.

Os padrões informativos superiores nos são oferecidos sob a tutela da verdade, que nos induz, e essa verdade analisada dentro de um plano de abertura interior de raciocínio e clareza, que vai abrir-se ao nível da dedução, vai nos propiciar uma resposta clara. Assim fazemos. E é normal, no plano da individualidade humana, fazermos um processo de equacionamento dentro da verdade relativa que nos é pertinente. Quando se abre um elenco enorme de informações que nos chegam, provenientes das doutrinas religiosas, passamos a receber uma soma de caracteres que facilitam o levantamento dos nossos porquês. Nós estamos aqui nos esforçando para aprender juntos valores substanciosos do evangelho, e a nossa fé no princípio da imortalidade, por exemplo, apresenta uma série de fatores que a justificam: o conhecimento da reencarnação, o conhecimento da vida espiritual, o processo da evolução, entre inúmeros outros elementos que formam o campo em que a nossa fé se movimenta. Como disse antes, não dá para se esquivar dos porquês.

O mestre Jesus não se preocupava em fazer prosélitos a qualquer preço. O número, a quantidade, não lhe importava. Seu desejo era que vissem e sentissem a verdade tal como ele a via e sentia. Por isso, falava à razão, apresentando o testemunho eloquente dos fatos em abono de suas asserções, falava ao coração exemplificando a palavra em atos de renúncia e da mais pura caridade.

Nossa evolução até os dias de hoje tem sido estruturada em cima da obra. Sem dúvida alguma. Toda ela. Nós temos realmente evoluído pelas obras. Agora, as obras são realizadas muitas vezes em cima da emoção. Surge aquele lampejo, e a criatura diz: “Quer saber, chega, vou fazer, vou largar, seja o que Deus quiser”, e por aí afora. E nesse ímpeto acontece até dela colocar os pés pelas mãos. Depois dá um peso na consciência e até instaura-se um problema cármico.

Isso não acontece? A seguir ela vai ter que reestruturar tudo de novo. E quando a criatura reconstrói ela passa a ficar vacinada. A vida é assim, alguém inventou o guarda chuva depois de receber muita chuva na cabeça. Onde estamos querendo chegar? Que a evolução de fato tem sido pela obra, e em seu sentido impensado, com base nas emoções, ela pode gerar alegria se houver equilíbrio e felicidade em sua manifestação. Porém, como a obra é quase sempre feita em cima dos desejos, das somas do nosso subconsciente, ela pode, também, ter uma linha de dor. E a criatura nesse caso vai aprender pela dor, pelo próprio reflexo da sua queda. Porque a obra foi na base da emoção.

A sistemática agora é outra. É a necessidade de implantarmos a fé raciocinada. A ascensão continua consubstanciada na obra, porém, essa fé, de natureza racional, consciente, é que vai ser capaz de classificar adequadamente a obra. Porque essa fé por si só não projeta. O que ela faz é abrir perspectiva, é abrir uma ótica.

É como se você ficasse sentado em cima de um monte olhando um caminho embaixo e alguém lhe grita que você pode ir para frente, que você tem que andar, que tem que por o pé na estrada, que tem que fazer, que tem que realizar.

Vamos tentar clarear. O por o pé na estrada é a aplicação da obra. Ou seja, a obra é o componente que projeta efetivamente. E a fé é o componente de visualização, que devidamente alimentado pela obra nos propicia mudarmos o coração para outros patamares, outros ambientes. O apóstolo Tiago diz que “a fé sem obras é morta em si”. Então, nós temos que ficar atentos, não podemos descuidar.

Antes a obra gerava a fé, antecedia a fé. E o objetivo agora é a fé anteceder, é a fé fazer uma seleção adequada das obras. Ficou claro? Porque isso é importante. A fé raciocinada como componente instaurador das obras. Os padrões da criatividade emergem e nos levam a determinadas posições, cujas conquistas clareiam a própria intimidade na linha de renovação pessoal. Passamos a sublimar a fé e abrir perspectiva pela obra, e a obra fala da nossa fé.

A fé faz o papel de iluminar o que está sendo feito, ela vai corrigindo rumo. É pela fé, devidamente clareada por uma soma substancial de informações, que você será capaz de se projetar. Como diz Paulo na carta aos Hebreus: “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”.

O que temos feito, o que temos recebido como resposta da nossa ação vai nos dar um piso e nós vamos chamar de fé, relativamente ao progresso para que a gente evolua com o pé no chão, de forma equilibrada. Pela fé raciocinada nós trabalhamos com equilíbrio e ela nos abre terreno. Não tem outra. Fé raciocinada, ou fé racional, ou fé que encara a razão face a face. Ela tem que ser elaborada em cima de uma soma de padrões que por sua vez não estão ligados à fé, mas às obras, ou, se preferirem, às nossas experiências. E obras são pontos que fundamentam a fé em uma linha de projeção para crescimento consciente.

A humanidade caminha para uma fé que deixa de ser sinônimo de crer para significar saber. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento.

O legítimo conhecimento de cada momento que adquirimos é emoldurado pela fé, que é a divina claridade da certeza. Para crer é preciso compreender. Quem não entende não crê, embora possa aceitar como verdade esse ou aquele princípio, essa ou aquela doutrina. Alguém crê porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque realmente compreendeu. A fé é filha da convicção e não existe convicção onde não há conhecimento de causa, onde não há valores comprovativos que possam satisfazer a razão.

A fé raciocinada seria inerte, seria inoperante se ficasse tão somente restrita ao campo racional. A fé consciente tem no seu ponto de partida a razão. À partir do momento em que você consegue trabalhar devidamente os seus componentes você começa a observar que ela passa a ser vivida, alimentada e realimentada pelo seu próprio eu interior que possui uma alta dose de revestimento na área do sentimento, mais do que propriamente a área racional. Isto é, a razão trabalha em perfeito sistema de conexão com o sentimento.

Projetamos a nossa fé em cima do concreto que o nosso plano de percepção ao nível da evolução já conquistou, e a cada degrau que pisamos nós entendemos que esse degrau vai abrindo uma perspectiva nova, e assim é que a fé se desenvolve.

O fato é que a princípio a gente costuma pensar que fé é uma coisa etérea, muito sutil. Mas conhecendo a gente passa a raciocinar de outra forma. A fé é uma elaboração, uma conquista. Ela não vai cair do céu em cima da sua cabeça.

Você conversa com alguém, e esse alguém diz: “Puxa, você tem tanta fé. Eu queria ser assim. Eu não tenho nenhuma”. Eu só posso dizer que essa pessoa está dando uma declaração de total ignorância. Porque a fé tem um regime de crescimento, é uma conquista. Ou será que estou errado? Fé não é como “grão de mostarda”? Pois, então, e o grão de mostarda não está sujeito a crescimento? Não está sujeito a ser plantado? Não tem que semear? Interessante é que não há como evoluir sem fé. Podemos dizer de forma bem tranquila que quem aprende com legitimidade investe através da fé. Fé representa visão. E visão fala de conhecimento e capacidade de auxiliar, que tem que passar, claro, pelo crivo da racionalidade. Fica lembrete: quando falta a capacidade assimilativa da fé consciente vai ter que acabar aprendendo pelo impacto.

22/04/2012

Cap 23 - A Fé - Parte 4

O CENTURIÃO DE CAFARNAUM

“5E, ENTRANDO JESUS EM CAFARNAUM, CHEGOU JUNTO DELE UM CENTURIÃO, ROGANDO-LHE, 6E DIZENDO: SENHOR, O MEU CRIADO JAZ EM CASA, PARALÍTICO, E VIOLENTAMENTE ATORMENTADO. 7E JESUS LHE DISSE: EU IREI, E LHE DAREI SAÚDE. 8E O CENTURIÃO, RESPONDENDO, DISSE: SENHOR, NÃO SOU DIGNO DE QUE ENTRES DEBAIXO DO MEU TELHADO, MAS DIZE SOMENTE UMA PALAVRA, E O MEU CRIADO HÁ DE SARAR. 9POIS TAMBÉM EU SOU HOMEM SOB AUTORIDADE, E TENHO SOLDADOS ÀS MINHAS ORDENS; E DIGO A ESTE: VAI, E ELE VAI; E A OUTRO: VEM, E ELE VEM; E AO MEU CRIADO: FAZE ISTO, E ELE O FAZ. 10E MARAVILHOU-SE JESUS, OUVINDO ISTO, E DISSE AOS QUE O SEGUIAM: EM VERDADE VOS DIGO QUE NEM MESMO EM ISRAEL ENCONTREI TANTA FÉ. 11MAS EU VOS DIGO QUE MUITOS VIRÃO DO ORIENTE E DO OCIDENTE, E ASSENTAR-SE-ÃO À MESA COM ABRAÃO E ISAQUE, E JACÓ, NO REINO DOS CÉUS; 12E OS FILHOS DO REINO SERÃO LANÇADOS NAS TREVAS EXTERIORES; ALI HAVERÁ PRANTO E RANGER DE DENTES. 13ENTÃO DISSE JESUS AO CENTURIÃO: VAI, E COMO CRESTE TE SEJA FEITO. E NAQUELA MESMA HORA O SEU CRIADO SAROU.” MATEUS 8:5-13

O texto nos diz que entrando Jesus em Cafarnaum um centurião chegou junto dele.

Centurião é o nome de uma patente do exército romano, cujo oficial comandava cem homens. Por ser Cafarnaum um importante entroncamento de estradas, e também uma cidade com movimentado centro comercial, era comum a presença de uma centúria para garantir a ordem política e vigiar a afluência das caravanas. O centurião chegou junto dele. Chegar junto significa aproximar-se, e a vida tem nos ensinado que sempre que nos aproximamos de algo nos distanciamos do que lhe é oposto, isto é, aproximando-nos da luz afastamo-nos da treva, ao chegarmos perto do bem afastamo-nos do mal, aproximando-nos da verdade distanciamo-nos da ignorância, e por aí afora. O oficial romano chegou perto de Jesus na busca de soluções, e nós temos nos aproximado dele?

Ele não só se aproximou, como o fez de forma humilde. Aliás, a humildade era uma característica sua. Isso é muito bonito de entender. Em primeiro lugar nós temos a presença de um centurião aproximando-se do Cristo. Isso mesmo, um oficial, e por isso não sintonizado com os conhecimentos e condições inerentes ao povo judeu. E que, ao invés de exigir atendimento, como poderia se esperar de autoridade romana, assim não o fez, até pelo contrário, roga-lhe com humildade: “Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado”.

Outro ponto interessante que expressa essa humildade, ele chegou perto de Jesus, falou acerca do seu criado e pediu por ele. Podia ter pedido por si mesmo, pela sua mãe, pelo seu pai, por seu filho, mas não, pediu pelo criado. Não pediu para um familiar ou amigo próximo, pediu a benefício de outrem, de seu criado, mostrando uma amplitude da mente e do coração dele. O centurião pede pelo servo, e Jesus fala assim: “Eu vou a tua casa e vou dar saúde para ele”.

E o que o centurião falou? “Não, de jeito nenhum, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado”. Puxa vida, debaixo do “meu telhado” quer dizer em minha casa, dentro de meu lar. O soldado romano reconheceu a sua pequenez diante de Jesus, abrindo assim os meios de comunicação. Soube reconhecer que o mestre era uma pessoa muitíssimo especial, e que para ele adentrar em sua morada era necessário observar certos preceitos que segundo ele não eram observados.

“O meu criado jaz em casa paralítico e violentamente atormentado”. Esse enfermo poderia estar deitado em uma cama, prostrado ou estendido no chão. A expressão “violentamente atormentado” indica que além do aspecto físico havia também o elemento psíquico da enfermidade, pois alguém pode sofrer algum mal sem, no entanto, ficar atormentado. Aliás, é até mesmo esperada  postura contrária ao seguidor do evangelho nos momentos mais contundentes e difíceis, uma atitude resoluta e não paralisada pelo qual esse evidencia a sua tranquilidade, serenidade e confiança nos desígnios superiores. Não é objetivo nosso agora detalhar aspectos desse acontecimento marcante da boa nova, apenas uma abordagem rápida com a finalidade de especificar a grandeza da fé do solicitante. O fato é que Jesus deparava-se, embora a distância, com um enfermo sob os ângulos físico e psíquico. E diz: “Eu irei e lhe darei saúde”. Parece que não fica dúvida que Jesus é o maior instrumento capaz de nos levar ao plano de saúde integral, efetivando a conexão nossa com o criador.

E agora vem a parte que efetivamente nos interessa: “E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entreis debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai: e a outro: vem, e ele vem; e ao meu criado: faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.”

De fato a palavra humana pode falhar e conter deficiências, mas a do Senhor é imperecível. E confiante nela o centurião dispensa a presença física do mestre. Sabia que apenas a essência contida em seu verbo era capaz de salvar o servo.

O bonito é que essa passagem é de uma profundidade fantástica. E disse ele mais: “Eu também sou homem sob autoridade”. Autoridade de quem? Do imperador romano, claro, estava ele debaixo da autoridade de César. “E dou ordem aos meus soldados, e eles cumprem. Falo ao meu servo e ele faz”. O que ele quis dizer com isto? Ele usou um raciocínio com base no concreto da sua personalidade para poder investir em um plano abstrato e abrangente. Foi mais ou menos assim: “Eu estou aqui. Recebo ordem de cima, de Roma, e outros abaixo de mim me obedecem. Ou seja, o que acontece comigo aqui deve acontecer com você também aí. Eu não preciso ir para resolver algo. Digo ao meu servo faz e ele faz, digo ao meu soldado faz isso, e ele obedece. Então, se para resolver eu não preciso ir, na minha área de atuação, na sua área você também não precisa, pela lei natural de correlação, de comparação e de unidade. Você não precisa ir lá também não. Você fala com algum aí que te obedece e ele vai e resolve”. E foi exatamente o que aconteceu. Deu para perceber a profundidade e o sentido? Isso é de impressionar, especialmente quando a gente analisa que esse pensamento foi manifestado há mais de dois mil anos atrás.

O que o centurião adotou? O princípio da fé raciocinada. E Jesus disse a ele: “Nunca vi tamanha fé, nem mesmo em Israel”. De modo concreto não há como a gente evoluir sem o exercício e aplicação da fé raciocinada, objeto do próximo tópico.

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