24 de ago de 2010

Cap 2 - João Batista e o Deserto - Parte 6

O DESERTO


“E, NAQUELES DIAS, APARECEU JOÃO BATISTA PREGANDO NO DESERTO DA JUDÉIA.” MATEUS 3:1

João Batista aparece unicamente no deserto, e isso nós já dissemos. Ou melhor, mais do que dissemos, a revelação afirma. Então, está na hora de compreendermos o que vem a ser esse deserto. E vamos observar que ele representa o ambiente, a solidão, o recomeço, a transição e a chance.

1- AMBIENTE – O deserto, em seu sentido espiritual, representa aquela área desprovida de edificação, aquele terreno seco e com sentido de aridez que existe no interior de cada um de nós. Ele define aquele território que já não responde aos anseios mais íntimos que alguém cultivava. Ele surge (João Batista aparece) e a criatura nele se identifica quando descobre que aquilo (seja o que for) que pensava ser a sua segurança vai acabar ou está sendo acabado, pois ela olha o que tem feito e percebe que está sendo destruído, o objeto anterior da sua segurança já não tem mais substância mantenedora de vida.

O deserto é aquele território da vida que não atende mais aos anseios do ser. E não há como buscar frutos dentro do deserto, não se pode cultivar no deserto porque nele não há nada plantado. Logo, o compromisso passa a ser a entrada em uma proposta nova. Claro, afinal, já não há mais a resposta positiva de antes. E esse início das atividades no campo operacional, após a fertilização, deixa de ser pregação para ser testemunho, já não mais João Batista que prega, mas o Cristo que realiza, não mais a justiça chamando, mas o amor realizando.

2- SOLIDÃO – O deserto aparece no momento em que a consciência se desperta e a criatura enxerga que algo existe para além da lei em termos de amor. Ele é o campo que se abre ao ser para que ele edifique nova mentalidade de vida e busque operar em novos ângulos, novos patamares, sob nova ótica. Assim, o deserto é um lugar árido que pode ser trabalhado, que pode ser fertilizado, porém, mais ao nível da mente. E alguém se identifica no deserto quando descobre o caminho a palmilhar.

O deserto define o ponto e o momento de acentuado desconforto e solidão, mas é onde toda e qualquer estruturação nova tem que se fundamentar. E não tem como ser diferente. Além do que, o conflito integra o mecanismo da educação do ser, e é imprescindível saber estar só. Observe, em todos os momentos de culminância estamos aparentemente sozinhos. Sempre aparentemente sozinhos, porque os momentos de culminância definem o momento das nossas decisões, das nossas escolhas. Portanto, quem não passar pelo processo da solidão não progride. E no alcance a objetivos mais altos da evolução com Jesus é necessário o trânsito e a superação das intempéries desse ambiente árido e ensolarado do deserto.

3- RECOMEÇO – Fique atento para uma coisa. Aonde se situa a criatura esse é o terreno da sua segurança pessoal, esse ambiente define a sua construção, o seu habitat. E nele permanecemos muito a vontade, bem à vontade com o que aí acontece. Por exemplo, Jericó representa a permanência de todos aqueles que estão vibrando com o sistema materialista reinante (e definiremos isso muito bem quando trabalharmos o próximo capítuto: O CEGO DE JERICÓ).

Agora, quando eu invisto para além desse ambiente em que me situo eu constato que nada tenho, que nada possuo, que nada posso, porque o ambiente novo onde entro é deserto para mim. Para além é sempre deserto para quem estava do outro lado. Se invisto para além do meu patamar, do meu ambiente, sempre entro no deserto, e o deserto é um espaço que precisa ser construído, e o envangelho é edifício da redenção das almas, e edifício sugere construção. João Batista visualiza que tudo o que se aprende tem que ser operado.

Deserto é o ponto da transição (transição, que estudaremos a fundo no capítulo A TENTAÇÃO. Transição sugere trânsito, quem está no trânsito está em percurso. E quem está em percurso saiu de onde estava, mas ainda não chegou onde queria). Logo, todas as vezes que a gente entra em processo de transição, essa transição para quem quer mudar é deserto (claro que é deserto, a segurança estava no meu ambiente, ou vai se firmar na minha chegada ao objetivo).

Mas não é de se entristecer, o deserto é onde começa todo o mecanismo, ele define o outro ângulo, o outro lado. Ele é o ponto da transição e da tentação, e a transição é o momento de mudança de um estado para outro, é o que está jogado na confusão. Por isso é que há tanta dificuldade em mudar-se. Tem gente que quer mudar e quando olha do outro lado não tem nada, é tudo diferente, a nossa praia é do lado de cá. Entrar no deserto é entrar em um lugar em que não se tem experiência, por isso é difícil crescer, e na maioria das vezes a criatura fica presa onde está e não abre mão.

4- CHANCE – Nós vivemos em um mundo em transição (o planeta passa por um processo de ascensão na escala hierárquica universal). E mundo em transição é laboratório da maior valia para quem está em mecanismo de processo, de seleção. Precisamos do maior cuidado e equilíbrio a fim de valorizarmos as experiências (principalmente as menos felizes), com amor e paciência, por que é por aí que vamos dar os grandes passos no trabalho da nossa própria redenção.

Deu para entender que o deserto é ponto entre a partida (a desvinculação) e a chegada (a vinculação)? Que a vinculação efetiva pressupõe uma desvinculação concomitante? Então, notamos que quem está sabendo viver aqui dentro hoje, no deserto, está recebendo, sem nenhum exagero, coisas que nunca teve chance de receber lá atrás. E vigilância é fator imprescindível, para que as transições essenciais da existência na Terra não nos encontrem absolutamente distraídos das realidades eternas.

Conhece aquele ditado “quem não arrisca não petisca”? Pois é. Voce quer mudar sua vida? Alçar novos vôos? Obter novas conquistas? Maior patamar de harmonia e paz? Então, voce concluiu: para se entrar no deserto (se lançar em busca da conquista) ou sair do deserto (abandonar a dor e o desprazer) voce tem que ter pelo menos um grande senso de coragem.

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