25 de set de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 3

COMPATIBILIDADE


Voce já notou que hoje não sofremos tanto mais por aquilo que fazemos de errado, e sim pela parcela de bem que deixamos de fazer?

Quanto mais conhecemos, intelectivamente, mais responsabilidades e conflitos interiores nós vivenciamos, se não fazemos o nosso conhecimento estar acompanhado de uma capacidade nossa de mudança.

Quanto mais conhecimento nós temos, e mais falhas cometemos, mais dor a gente sente.

E notamos, muitas vezes, que a assimilação de conhecimento proporciona certa depressão, certo desconforto. Porque o indivíduo assimila coisas que ele não vivencia. Logo, existe um conhecimento real, fundamentado de maneira efetiva no exemplo, e um pseudo-conhecimento embasado exclusivamente no plano de percepção informativa.

Em razão disso, precisamos, sim, ouvir os preceitos da espiritualidade, mas também agir segundo nos orientam, porque se sabemos e não fazemos o que o bem nos ensina melhor fora não sabermos, para não sermos tributados com taxas de maior sofrimento nas grades da culpa. E isso é o que com o estudo do evangelho nós estamos tentando fazer.

Veja bem, queremos felicidade e paz. No entanto, a nossa legítima harmonia e estabilidade não residem em muito conhecer, em saber muito, mas está na capacidade de se compatibilizar o que se conhece com aquilo que se faz. Podemos encaminhar a nossa vida em condições muito mais abertas, trilhar caminhos mais clareados, sem tantas nuvens, quando adquirimos a capacidade do exercício mais autêntico e aplicativo daquilo que se sabe. Porque o conhecimento só é capaz de gerar felicidade quando está em perfeita consonância com a aplicação que se faz dele.

Ou seja, quanto mais eu tenho uma capacidade aplicativa daquilo que eu sei, no plano prático, mais harmonia eu tenho, quanto mais a nossa vida reflete o que nós sabemos menos problemas vivenciamos, menos impactos sofremos, menos tristeza, menos agressões. Essa harmonia está na dependência direta de um vértice, cujo ângulo representa o conhecimento e a consequente operação na base do conhecimento que já se possui, e o que nos faz estar bem, efetivamente bem, é quando as nossas ações do dia a dia se encontram em concordância com o nosso grau de saber.

É o que algumas pessoas denominam de evolução “em linha reta”. Representa aquela condição de aprendizado em que a criatura aprende a lei e vive a lei. Aprende-se e, concomitantemente, coloca o aprendizado em prática, elege a verdade (no plano conceitual) e segue através dela, sem quedas (no plano aplicativo). Mas, por enquanto, a nossa sistemática tem sido outra. Queremos eleger o Cristo como pastor, porém, nos situamos como ovelhas rebeldes e contrariadas. Geralmente a gente faz assim, aprende a lei, mas vive o que a gente quer.

No plano da iluminação espiritual inexiste fonte alguma além do evangelho, roteiro para a ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado no orbe para os planos superiores do ilimitado, de cuja aplicação decorre a luz do espírito (mencionamos isso anteriormente). Só a evangelilzação do homem pode conduzir as criaturas a um plano superior de compreensão, e concedeu-nos o Cristo o evangelho para que a nossa análise não esteja fria e obscura. O conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa no caminho infinito.

Falamos isso para concluir que o estudo prepara, mas somente a aplicação dos ensinamentos do Cristo e o trabalho de auto-vangelização é firme e imperecível, apenas o esforço individual nele pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito.

A instrução informa, a aplicação forma e o evangelho transforma. Ele está nos projetando em cima de um processo novo dentro do aprende e faz. Se antes aprendíamos pelo impacto da justiça a boa nova nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. Por isso estamos aqui estudando e aprendendo evangelho, para melhorarmos a nossa caminhada, e vamos caminhando na linha vertical do amor Deus, e ao próximo na horizontal. Sem a vivenciação do evangelho poderemos nos expressar em muitos aspectos da vida, mas com certeza ao fim de uma breve jornada teremos concluído que andamos em círculo.

24 de set de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 2

A FORMAÇÃO


“31JESUS DIZIA, POIS, AOS JUDEUS QUE CRIAM NELE: SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA, VERDADEIRAMENTE SEREIS MEUS DISCÍPULOS; 32E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ.” JOÃO 8:31-32

Por um longo tempo, achávamos que podíamos nos redimir e alcançar a ascensão espriritual pela simples instrução.

Ainda hoje, buscamos a espiritualidade, porém, queremos manter a nossa vida dentro de um processo de acentuada passividade, buscamos eleger uma libertação em cima apenas de componentes teóricos. É imperioso compreender que dentro do mecanismo de evolução não basta apropriar conteúdo. Pelos valores informativos nós vemos a porta, aprendemos o caminho, falta a verdade e a vida (“eu sou o caminho, e a verdade e a vida”).

Mencionamos no tópico anterior que o plano informativo é decorrente do que se recebe, do que chega, do que vem de fora. Então, pelo receber nós nos informamos. Mas, se a recuperação do mundo e de nós mesmos estivesse circunscrita a lindas palavras o Cristo salvador não precisaria ter vindo ao encontro dos necessitados do planeta.

De modo que não podemos mais ficar no Jesus pregador, estamos hipertrofiados em conhecimento (a porta a gente já vê com a visão nítida, sem óculos) e acentuadamente atrasados na capacidade de operar. Vamos ingerindo valores para um sistema de vida mental adequada, de uma vida operacional segura, e os ângulos de ação vão se abrindo gradativamente às conquistas feitas nos terrenos da reeducação pessoal íntima.

Além do que, não basta saber, é imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento. A letra que chega somente valerá para nós se lhe dermos a aplicação necessária. Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

Descobrir o caminho é uma dádiva, entretanto, caminho é uma coisa, meta e destino é outra. Se o conhecimento nos coloca na ante-sala da libertação (um passo dela), somente a prática nos dá o acesso ao ambiente, ao plano que representa a nossa meta, o nosso objetivo. Por isso, para chegar, efetivar, alcançar o que queremos, temos que operar, fazer, a regeneração é com base em nossa capacidade operacional. O processo é: inicialmente investir, posteriormente, e no momento certo, gastar o investimento.

Todos ambicionamos a paz. A paz decorre da aplicabilidade do evangelho, de dentro para fora. Porque a compreensão do evangelho, a nível intelectivo, vai propor uma tarefa, uma atividade que respalda o coração em um plano afirmativo. O plano formativo (que dá forma, muda, altera, cria) decorre do que se faz. Pelo dar, pelo oferecer, pelo fazer, nós formamos caracteres. Não adianta querermos apropriar algo sem executar. Não se aprende o que é amor senão amando, não se é feliz sem vivenciar a felicidade. Por mais respeitável seja o teórico, os seus conceitos, se não experimentados na prática, tornam-se um adorno intelectual para a vaidade, e a vivência do conhecimento é imprescindível para a real aquisição dos valores iluminativos que enobrecem o espírito.

Porque os valores, inicialmente assimilados, permanecem teoricamente em nós, e pela faixa experimental se incrustam em nosso interior, em nosso psiquismo. E a prática desse conhecimento, no plano vivo da nossa vida no dia a dia, é que nos dá acesso a uma nova posição, ou seja, é pela linha realizadora que vamos formar. Isso equivale a dizer que obtemos legítima conquista quando os padrões informados se transferem em caracteres formados na intimidade, a definir que a aquisição real depende de uma operação.

As palavras dos ensinos somente são justas quando seladas com plena demonstração dos valores íntimos, a verdade por excelência se expressa ou dimana da capacidade de realização da criatura. E eu não posso operar a minha educação e subida espiritual com os valores dos outros, falamos isso, os valores que chegam, os fatores externos, servem como indução, ao passo que a aquisição é por esforço pessoal.

Conclusão: nós evoluímos dentro desss linhas de informação e formação, apropriando conteúdo e sedimentando-o. Logo, a proposta que nos abre hoje é sabermos apropriar conhecimento e elaborá-lo no campo aplicativo da vida, para que seja uma conquista confortadora e harmônica, pela capacidade nossa de realizar e fazer.

Todo o conhecimento efetivo é com base na ação, apenas a educação (o que exteriorizamos) forma, e sem a vivência do valor existe apenas um pseudo-conhecimento. Em razão disso, conhecer mesmo é tentar realizar parcelas do que se aprende no plano prático diário, transformando o plano revelador em componente de libertação. E quando entendemos isso o evangelho fica lindo. Inicialmente, nós captamos os padrões, e começamos lentamente a soltar os valores recebidos e passamos a ter conhecimento, pois a educação é de dentro para fora.

É preciso caminhar. Como disse Jesus ao cego, “vai”. Seguir aprendendo, captando informações didáticas de aplicabilidade diária, em um conhecimento voltado para a nossa reeducação. O processo daqui para frente é conhecer, procurar investir, sem querer fazer mais que as nossas possibilidades suportam. O processo é íntimo, captamos de um lado para operarmos com aquilo que a gente tem. Importante isso, com aquilo que a gente tem. Pois a luz capaz de gerar a paz que buscamos é a nossa própria. A nossa paz, alegria, fé e obras precisam se estruturar sob a nossa luz, ninguém pode ser feliz com a luz do outro. Eu não posso me fazer feliz com a luz de ninguém, a luz que vai sair é sempre a minha.

22 de set de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 1

A INFORMAÇÃO


“31JESUS DIZIA, POIS, AOS JUDEUS QUE CRIAM NELE: SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA, VERDADEIRAMENTE SEREIS MEUS DISCÍPULOS; 32E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ.” JOÃO 8:31-32

A grande massa humana tem a sua rotina de crescimento e a sua marcha evolutiva levados a efeito mediante o impacto dos acontecimentos menos felizes. Ela não elege um sistema para percorrer esse sistema, mas caminha ao sabor das circunstâncias, trabalha no despertar dos valores morais.

Por isso, é fácil notar que para muitas pessoas os padrões espirituais representam refúgio e abrigo para horas determinadas, situações específicas. A coisa aperta, a dificuldade surge, e aproximam; melhora, e depois somem, visitados pela dor, procuram de novo.

No entanto, precisamos aprender a mudar o foco e sentido de nossa evolução para além da dor. Porque a dor é mecanismo evolutivo inerente às faixas inferiores da evolução, já não precisamos tanto mais dela para evoluir. Não estamos muito acostumados a exercitar o processo reeducacional nosso, afinal de contas, nossa proposta de crescimento até agora tem sido muito à base dos fatores de fora para dentro, mas esse não é o caminho operante no mundo regenerado, porque lá (o planeta passa por um processo de elevação na escala hierárquica universal) a ascensão não vai ser assim, apenas na base do impacto.

Quando o apóstolo Paulo menciona a expressão “ministros de um novo testamento” ele vem nos mostrar que o crescimento agora é sob outro ângulo, outro patamar, sob outro aspecto. Não mais pelo mecanismo do sofrimento, pelo impacto dos acontecimentos menos felizes que o mundo transmite, não mais pelo instrumento da dor, mas pela adesão a uma proposta nova que dimana de cima. Precisamos aprender a marcha evolutiva daqui para a frente não mais pelo choque, mas pelo componente assimilativo na busca. Isso mesmo.

Antes quem nos ensinava era a vida. De tanto machucar o pé o homem descobriu que precisava contornar a pedra ao invés de chutá-la. A proposta agora é aprendermos um sistema novo de viver, apropriando conteúdo e experimentando, ingerindo conhecimento e implementando medidas, gravando a informação e praticando, avocando valores e fazendo, retendo a informação e vivenciando, arregimentando padrões novos e tentando operar na essencialidade do nosso ser.

Esse é o caminho educacional operante no mundo regenerado ao qual caminhamos a passos largos. Nossa evolução não mais pela erradicação do vício, mas mediante a incorporação de virtudes, um aprendizado sem sofrer, mediante um processo de eleição de educação.

Sabemos que a ausência de estudo, em qualquer setor de trabalho, seja de qual natureza for, significa estagnação. E quando nós estudamos e tentamos interpretar o evangelho, começamos a trabalhar um ponto inicial e básico da educação, que é o plano informativo, receptor do conteúdo, pois a verdade ocorre quando obtemos determinado conhecimento, inicialmente de maneira informativa. Então, o primeiro passo da verdade é o plano teórico, ou seja, na linha informativa nós já começamos a elaborar o homem novo que almejamos (o filho do homem).

E o que é a informação? É aquele componente que vem antes da formação, é o novo que chega, é aquilo que eu desconheço. Óbvio, do contrário não é informação. Informar a você que lê que este é um trabalho de estudo do evangelho não é informação. E se vem antes da formação ela não forma, não altera, não muda. Prepara.

A instrução informa, define o ângulo vertical do conhecimento, representa aquilo que recolhemos do alto, o que captamos de cima, ela opera sempre de fora para dentro e nos transforma quase em uma biblioteca. Por isso, vamos gravar: o que vem de fora é sempre instrumento indutor, elemento instaurador, componente de toque, de despertamento, de chamado.

E a oportunidade de aprender é sempre uma porta libertadora. Pela linha informativa nós ingerimos e captamos. A informação é o instrumento que vai nos possibilitar uma postura de aplicabilidade, o conhecimento intelectual nos coloca na ante-sala da libertação.

O valor informativo não garante a passagem, garante a visualização (o que garante a passagem é a ação do indivíduo), como uma ficha de entrada em um curso não soluciona o problema do aproveitamente. Por isso, se nós arregimentarmos todas as informações que o evangelho apresenta, estaremos potencializados a realizar. Porém, é imprescindível levantarmos uma estrutura científica dentro do plano da filosofia.

É por isso que Jesus disse “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Porque a verdade por si não liberta. A libertação está condicionada ao plano aplicativo dela, da mesma forma que ver a porta é uma coisa e entrar pela porta é outra. Jesus, que dispara o processo educacional, a cada instante nos chega informando à medida que passamos a compreender o evangelho. Mas é indispensável o golpe da ação própria no sentido de modelarmos o santuário interior na sagrada iluminação da vida.

21 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 8 (Final)

VAI


“52E JESUS LHE DISSE: VAI, A TUA FÉ TE SALVOU. E LOGO VIU, E SEGUIU A JESUS PELO CAMINHO.” MARCOS 10:52

E Jesus lhe disse: “vai”! É imperativo. Ir é prosseguir, continuar, prolongar-se, avançar, seguir, prosseguir, colocando em prática o que aprendeu. A sua cura representou o coroamento de um conjunto de fatores.

E, às vezes, temos à solução próxima de nós, mas desistimos. Muito de nossa perseverança se desmorona porque queremos traçar as metas para o ano inteiro no lugar de as traçarmos para a semana. O cego viu. Com Jesus passamos a ver, efetivamente, mas até vermos precisamos persistir.

Ficou definido que ele queria ver, que estava cansado de ficar à beira do caminho, apenas mendigando. Porque após curado ele poderia ter ido embora, para qualquer outro lugar, mas o evangelho define que seguiu a Jesus pelo caminho, não permaneceu à margem, não ficou sentado, apenas recebendo. Seguiu, modificado, integrado à dinâmica da evolução, preparado para vivenciar as lições do mestre onde estivesse e em qualquer circunstância (isso é seguir Jesus no caminho). Ele seguiu porque viu, passou a ver com propriedade, se identificou como cooperador na distribuição de recursos.

O que nos mostra que o primeiro fator que importa quando passamos a ver é a aplicabilidade, o que fazer como resultado da nova luz que nos alcança. Então, é vai. No momento que passamos a enxergar a vida sob a ótica da compreensão, o mecanismo evolucional da própria vida, até onde coseguimos ir?

18 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 7

TER VISTA


“51E JESUS, FALANDO, DISSE-LHE: QUE QUERES QUE EU TE FAÇA? E O CEGO LHE DISSE: MESTRE, QUE EU TENHA VISTA.” MARCOS 10:51

“38E JESUS, VOLTANDO-SE E VENDO QUE ELES O SEGUIAM, DISSE-LHES: QUE BUSCAIS?” JOÃO 1:38

“41DIZENDO: QUE QUERES QUE TE FAÇA? E ELE LHE DISSE: SENHOR, QUE EU VEJA.” LUCAS 18:41

“17PORQUE A NOSSA LEVE E MOMENTÂNEA TRIBULAÇÃO PRODUZ PARA NÓS UM PESO ETERNO DE GLÓRIA MUI EXCELENTE; 18NÃO ATENTANDO NÓS NAS COISAS QUE SE VÊEM, MAS NAS QUE NÃO VÊEM; PORQUE AS QUE SE VÊEM SÃO TEMPORAIS, E AS QUE SE NÃO VÊEM SÃO ETERNAS.” CORÍNTIOS II 4:17-18

Para sair da condição de cego ele levantou-se. Verbo na voz ativa reflexiva, ou seja, o sujeito pratica e recebe a ação simultaneamente. Isso nos mostra que o toque, o chamado, é vibracional, mas o processo de aproximação é nosso. Somos nós que temos que nos esforçar para levantar e ir. Levantar-se é erguer-se, dar-se mais altura, princípio de disposição íntima e confiabilidade, é atitude nascida dentro dele, sem a qual não se alcança objetivo algum de forma plena.

Observamos que ele tinha uma grande fé. Lançou a sua capa e apresentou-se na sua indigência, levantou e obedeceu às instruções de Jesus. Lançou a sua capa que o deixava enfermo, utilizou de forma sábia a sua capacidade de optar e escolher, levantou-se e foi estar com o mestre. Foi em busca daquele que é a expressão da verdade, e ao nos aproximarmos da verdade nos distanciamos dos erros.

Agora, temos a seguir uma expressão belíssima e extremamente rica do evangelho. Ao se aproximar, Jesus lhe pergunta “o que queres que eu te faça?” Jesus aguarda a manifestação da sua vontade, a sua decisão pessoal, um elevado respeito ao livre-arbítrio do necessitado. Claro, o cego clamava por auxílio. Jesus aguarda a sua manifestação. Afinal, o que ele poderia querer? Um pedaço de pão? Uma roupa? Uma moeda? (pois sabemos que ele era mendigo)

O que isso significa? Que quando clamamos por auxílio em nossas necessidades diversas, Jesus nos pergunta “o que queres que eu te faça?” É imperativo sabermos o que queremos de determinada situação ou circunstância.

O cego soube responder. Foi categórico: “que eu tenha vista!” Dá para perceber a profundidade do raciocínio? Solicitou visão. Jesus nos pergunta o que queremos que ele nos faça e muitas vezes exteriorizamos “que eu consiga isso, que eu resolva aquilo,...” Não raras vezes queremos respostas imediatas a problemas que estão em curso de saneamento, queremos a retirada da dificuldade que é o instrumento da nossa projeção. O cego pediu certo, um pedido com destinatário apropriado, pediu luz a Jesus, e por ser a “luz do mundo” luz é com ele.

Precisamos aprender com esse suplicante de Jericó. O seu propósito deveria ser o nosso em todas as circunstâncias da vida. Vamos continuar clamando pela misericórdia divina, e o Cristo dentro de nós vai nos perguntar “o que queres que eu te faça?”

No mundo material, ou fora dele, somos muitas vezes esse mendigo esmolando às margens da estrada comum. A vida nos chama, o trabalho nos convida, o conhecimento espiritual nos visita o entendimento e muitas vezes não deixamos a nossa posição de assentados e acomodados, permanecemos indecisos, alegamos dificuldades, suplicamos auxílio indefinidamente. Mantemos-nos sem coragem para marchar em favor da realização elevada que nos compete.

E quando surge a oportunidade de nosso encontro espiritual com o Cristo, além de sentirmos que o mundo se volta ou conspira contra nós, ficamos indiferentes ao seu chamado e raramente sabemos pedir sensatamente. Então, recordemos o companheiro de olhos inertes, não é preciso comparecer diante do Mestre com volumosa bagagem de rogativas, basta lhe pedir o dom de ver, com a exata compreensão, as particularidades do caminho evolutivo. Porque ver significa compreender, espiritualmente está para além do que o sentido físico apresenta. Que o Senhor nos faça enxergar todos os fenômenos e situações, as pessoas e coisas, e possuiremos o necessário para a nossa alegria imortal.

Ver é conhecer ou perceber pela visão, alcançar com a vista, enxergar, divisar, é distinguir, saber, identificar a luz. E todo aquele que apresenta bons olhos não vê o bom nem o ruim, apenas compreende, e a visão, sob o aspecto da compreensão, nos abre uma perspectiva nova objetivando um novo período, uma nova etapa.

A capacidade de ver representa não apenas detectar, afinal, quem sabe ver detecta e sabe por que e para que vê. Por isso, não basta ver, é preciso saber ver, e ver representa uma percepção e aprofundamento das causas. Com certeza nos sentimos mais felizes quando passamos a entrar no terreno das causas (e não existe efeito sem causa). De forma que vamos ter paciência com as dificuldades e com as provas pelas quais passamos, porque tudo que detectamos pela visão, conforme diz o apóstolo Paulo, é transitório. E como diz o ditado popular, “tudo na vida é passageiro”, menos motorista e trocador, claro. (rs)

Como mencionamos anteriormente, vamos trabalhar mais à frente, e de forma aprofundada, essa questão do ver e do ouvir (capítulo que se chamará O VER E O OUVIR).

16 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 6

LANÇAR A CAPA


“49E JESUS, PARANDO, DISSE QUE O CHAMASSEM; E CHAMARAM O CEGO, DIZENDO-LHE: TEM BOM ÂNIMO; LEVANTA-TE, QUE ELE TE CHAMA. “50E ELE, LANÇANDO DE SI A SUA CAPA, LEVANTOU-SE, E FOI TER COM JESUS.” MARCOS 10:49-40

E Jesus, parando, disse que o chamassem. Parando é gerúndio (terminação verbal pelo sufixo ndo), e gerúndio denota ação continuada do verbo. Parando, porque Jesus não para, não cessa. Parando é uma diminuição no ritmo, não ocorrida por acaso ou pela simples vontade da inércia, mas com certa finalidade. O Cristo continua parando na saída de Jericó para atender os nossos rogos.

Onde a luz entra leva esclarecimento e conforto à treva, desativando-a. É o que notamos em relação à multidão, porque se antes egoísta, sob a influência benfazeja do Mestre assume nova postura, a de chamar o cego. E nesse chamar um coração entra em relação vibracional com outro sem que exista a necessidade do contato físico, sem que seja preciso uma linha de ressonância física.


É o que ocorre em meio à nossa grande indiferença, muitas vezes conseguimos identificar emoções, fatos e circunstâncias que nos encaminham para o bem. Muitas pessoas que aparentemente surgem ao acaso em nossa vida fazem esse papel de nos impulsionar para a frente, chegando no momento propício para a nossa melhoria, nos chamando diante da passagem do Cristo.


Aquele que está perdido, seja em qual terreno for, sempre é achado pela misericórdia. A todo o tempo ele é achado, mas o difícil é nós nos acharmos. Cabe-nos ter ouvidos para ouvir, coração aberto para nos sensibilizarmos com a nova proposta, a fim de assimilarmos a sua mensagem num plano de adesão aplicativa.


O chamar é o que a caridade espera de nós (vamos abordar o assunto com tranquilidade no capítulo A CARIDADE). Deus não espera que resolvamos o problema de quem quer que seja, a nossa função na caridade é chamar o outro. Achamos muitas vezes que no terreno do amor operacionalizado fazemos muito, mas a nossa função é chamar, chamar o cego a multidão podia fazer. O Cristo é quem realiza, faz o que somente ele pode fazer, nos acode no atendimento às necessidades nossas. Vale lembrar que na ressurreição de Lázaro o processo foi quase análogo, ou seja, os circunstantes retiram a pedra que cerrava o sepulcro e lhe desatam, ao passo que o Cristo opera a ressurreição.


No acolhimento do chamado o cego lança de si a sua capa. Porque não tem como chegar a Jesus utilizando capa. Ela é aquilo que serve para cobrir, é proteção, aparência, exterioridade, peça de vestuário usada sobre a roupa para proteger quem a veste. Ela é a crosta que nos envolve, o envolvimento periférico resultante da marginalização e da acomodação a que ajustamos nos séculos. E não são poucas as capas que trazemos. Muitas são as mágoas, as vibrações do orgulho, a vaidade, a presunção, o egoísmo, os interesses ou os desejos que, formando uma pesada capa, nos impossibilita acesso à verdade, nos impossibilita ver Jesus e estar com ele. Não tem como chegar ao Cristo assim.


Lançar a capa é desenfaixar a alma, é desvincular-se dos envoltórios da ilusão, é despir-se dos valores que nos prendem ao passado. É a necessidade de nos desvestirmos, aliviando a carga para buscarmos e estarmos com o grande amigo da humanidade. O cego percebeu a necessidade de aliviar-se, para receber a bênção da divina aproximação lança fora de si a sua capa, correndo ao encontro do mestre e alcançando novamente a visão para os olhos apagados e tristes.


Criaturas humanas exibem diversas capas, alegam que a luta humana permanece repleta de requisições variadas, utilizam máscara da conveniência, dizem que é imprescindível atender à movimentação do século, porém, se alguém deseja sinceramente a aproximação de Jesus, para a recepção de benefícios duradouros, lance fora de si a capa do mundo transitório e apresente-se ao Senhor tal como é, sem a ruinosa preocupação de manter a pretensa intangibilidade dos títulos efêmeros, sejam os da fortuna material, ou os da exagerada noção de sofrimento.

A manutenção de falsas aparências, diante do Cristo ou de seus mensageiros, complica a situação de quem necessita. E nada peças ao Senhor com exigências ou alegações descabidas, apenas despe tua capa mundana e apresenta-te como é, sem mais nem menos.

12 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 5

CLAMAR E DIZER


“47E, OUVINDO QUE ERA JESUS DE NAZARÉ, COMEÇOU A CLAMAR, E A DIZER: JESUS, FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM. 48E MUITOS O REPREENDIAM, PARA QUE SE CALASSE; MAS ELE CLAMAVA CADA VEZ MAIS: FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM.” MARCOS 10:47-48

Ele começou a clamar!

E já mencionamos anteriormente (Cap 2, João Batista e o Deserto) que o começo é por aí. Afinal, o cego de Jericó indica um cidadão novo no campo do espírito, que como veremos no final do texto, passa a seguir Jesus.

E porque falar de Bartimeu hoje é falar de nós mesmos, estamos pisando em um território novo que se chama trilha da regeneração, da reeducação, da melhoria íntima. Mas essa trilha não é o caminho que Jesus trilhou, pois dessa estamos longe ainda. É a trilha da disposição de crescer, da disposição de vencer a nós mesmos.

E toda essa trilha que já começamos a perceber tem as suas margens todas ocupadas, na maioria das vezes, por criaturas que estão próximas a ela, mas que não tem coragem de fazer, não tem coragem de arriscar, de seguir, de sequenciar.

Por isso tem que clamar.

Clamar é mais que pedir, é proferir em voz alta, clamar é gritar. Sim, porque se não gritar não chega, se não gritar não é atendido, é preciso atestar que se quer. Todos os indivíduos que chegam precisam lutar na linha do atendimento senão ficam onde estão. Porque cada qual está inserido na vida que elegeu para si, que idealizou e formalizou por suas ações, a vida que evolutivamente é a sua.

Gritando ele utilizava a sua voz porque não enxergava, mas no fundo queria ver. Um grito íntimo. Esse grito do cego é inaudível, um grito da profundidade do ser revestido de sentimento, a manifestação exterior da nossa necessidade íntima, a exteriorização, embora muda, do que vai dentro de nós.

Voce pensa no emprego que queria e não conseguiu, no concurso que prestou e não foi aprovado, nos sonhos passados que idealizou, mas não se realizaram, nos problemas que estão insolúveis e o incomodam, nos novos planos futuros. Sente a chegada de um momento novo, uma esperança nova. Reacende em voce a vontade de fazer, de lutar, conseguir e voce diz para si: “Chega! Dessa vez vai. Agora é diferente, agora eu quero, mas quero mesmo”.

Para alguns o cego era insistente, chato, incomodava. Mas ele só queria alcançar, era persistente, e tanto era persistente que foi repreendido e continou. Poderia ter cessado sua ação na repreensão, mas não. Sabia que persistência é fator imprescindível para a colimação do objetivo. E por isso perseverava e tinha uma confiança crescente, coisas que precisamos apesar da repreensão da multidão e dos obstáculos que se interpõe sempre em nossos caminhos.

Repreender é censuar com palavras enérgicas. Ocorria por uma razão  simples, os que passavam não enxergavam a necessidade do cego. Cada qual quase sempre olhando para si, e muitos somos, também, essa multidão dificuldando melhores acessos e conquistas de outros. E aprendemos com a repreensão, ela é alerta a ativar nossa vigilância, pois sempre vamos encontrar obstáculos no caminho para uma vida redentora, não há luz que se acenda e não sofra a investida das trevas.

Então, vamos repetir. Igual escola, para frisar bem. (rs) O começo é pelo clamar. Dissemos o começo, da mesma forma que ao elaborarmos o capítulo anterior (João Batista e o Deserto) mencionamos que o princípio da conquista é pela inconformação (a inconformação é que dita a mudança, a inconformação é que nos faz clamar).

É imperioso clamar.

Mas, veja bem. Voce recebeu uma notícia, seu tio passa bem após a cirurgia que fez. Voce é um bom sobrinho, claro que vai ver o tio no hospital. Voce é um sobrinho melhor ainda, diz a ele que amanhã voltará. Então, no dia seguinte voce não irá ver o tio, voce irá rever o tio. O menino acabou de fazer o dever escolar de casa. O pai conferiu: “Meu filho, voce até que raciocionou bem, mas não é isso que a professora pediu, está errado.” Logo, o filho vai refazer o dever. Percebeu onde queremos chegar? O RE eu não sei bem o que é, se é prefixo, radical, sufixo, mas de uma coisa sabemos, ele significa a repetição da ação.

Por isso o cego não se limitou a clamar, ele foi além do clamar. Diz o evangelho que “ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a CLAMAR e a DIZER”. Por quê? Por uma razão simples. Se ele tornasse a clamar, ficasse apenas no clamar, já não seria mais clamar, passaria a ser RECLAMAR. A sucessão do clamar é reclamar, e reclamar é opor-se, é lamentar, manifestar descontentamento.

A vida é assim. Cheia de gente que quer evoluir, que quer melhorar, quer ser curada, quer crescer, mas não para de reclamar. “Trabalho muito, ganho pouco, preciso de aumento.” E lhe dão o aumento. “Mas estou cansado, preciso de férias, viajar, pelo menos dez dias na praia.” E foi para a praia. Espera aí, mas voce voltou no terceiro dia? Não ia ficar dez? “Não aguentei, calor demais. Precisa chover.” E chove. E ele reclama da chuva,... e haja reclamação. Agora, como vamos reclamar da vida e nos inconformar com a vida se a vida sempre nos retorna segundo o que lançamos?

Todos nós já ouvimos essa opinião geral, de que quanto mais reclamamos mais as coisas pioram. Por uma razão muito simples. Jesus disse que “não se lançam pérolas aos porcos, ou coisas santas aos cães.” É que se tivéssemos que dar uma definição de misericórdia poderíamos dizer, com muita clareza, que ela é um fio invisível a ligar os que tem condição de auxiliar com aqueles em predisposição de receber. Repare bem, predisposição. Coração aberto para receber. Agora, se o indivíduo apenas reclama ele não valoriza o que chega, assim, auxílio não chega, claro, porque se chegar vai ser rechaçado. Logo, a vida aguarda o momento do coração se abrir para reconhecer e receber. E nada como aguardar o momento das dores e dificuldades maiores para a criatura se abrir.

O texto em questão diz que o cego clamou por misericórdia. Inteligência, conhecimento, porque ao rogar por misericórdia ele demonstra compreender pelo que passava, sabendo haver motivo para tal situação não clamou por justiça. Justiça estava sendo feita (falamos, não existe efeito sem causa, ninguém sofre sem merecer, não se paga o que não deve, não se pode sofrer por erro de outrem).

Ele se reconhece um necessitado a suplicar auxílio, demostra humidade, e com humildade torna-se receptivo. Humildade nos coloca em condição de receber, pois para me fortalecer tenho que reconhecer que sou fraco, um doente apenas se coloca a caminho do restabelecimento quando admite a própria doença. Ele queria, bastou identificar a presença de Jesus para movimentar e operacionalizar a sua fé (e fé sem obras é morta, de nada vale).




10 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 4

OUVINDO


“E, OUVINDO QUE ERA JESUS DE NAZARÉ, COMEÇOU A CLAMAR, E A DIZER: JESUS, FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM.” MARCOS 10:47

Ao nível profundo de compreensão, que a boa nova sugere, a cegueira desse integrante  da cidade de Jericó era uma decorrência, consequência da sua cristalização (permanência por muito tempo) naquele ambiente, que oblitera a capacidade visual. Essa deficiência revela hoje as nossas dificuldades de visão no campo da alma (e iremos abordar com profundidade o assunto posteriormente, mediante um capítulo que se chamará O VER E O OUVIR).

Ele não podia enxergar, era cego. Mas podia ouvir. Portanto, não adianta querermos brigar com todos e com o mundo porque as coisas não são como gostaríamos. Embora nem sempre consideremos, a sabedoria da vida é muito maior que a nossa. Quando impossibilitados de aplicar e realizar determinados  valores e recursos a infinita bondade de Deus nos concede outros, uma porta pode se fechar, porém, uma nova sempre se abre a seguir. Primeiro nós ouvimos, depois procuramos ver, e o ver já sugere uma postura de aplicabilidade, de fazer, de ação, e tanto define aplicabilidade (“quem lê atenda”) que após ver ele não ficou assentado à beira, mas seguiu a Jesus pelo caminho.

O ouvir é referência a toda identificação no campo auditivo e envolve uma capacidade de sensibilização. Ele ouviu porque estava atento, a nos mostrar que em meio aos sons de um mundo inquieto precisamos detectar o chamamento aos terrenos vibratórios da nossa reeducação moral. Interagindo com as idéias expressas no texto, aprendamos a identificar as melhores possibilidades e movimentar nossa parcela mínima de boa vontade e decisão para colocá-las a serviço de nossa cura e da realização de nossos tão sonhados objetivos.

8 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 3

BARTIMEU


“DEPOIS, FORAM PARA JERICÓ. E, SAINDO ELE DE JERICÓ COM SEUS DISCÍPULOS E UMA GRANDE MULTIDÃO, BARTIMEU, O CEGO, FILHO DE TIMEU, ESTAVA ASSENTADO JUNTO DO CAMINHO, MENDIGANDO.” MARCOS 10:46

Vamos analisar como se apresentava o cego antes do contato com o Mestre. Narra-nos o evangelho que ele se encontrava assentado, junto do caminho, mendigando. Cabe-nos agora entender isso.

1- ASSENTADO – Ora, a gente senta para se acomodar, e quando a gente se acocomoda a gente se aquieta, a gente relaxa, descansa. Assim, assentado nos sugere uma atitude mental de inoperância, em que a criatura se encontra revestida de um sentido de acomodação face aos imperativos de trabalho pela edificação da vida imortal. Por isso, nitidamente vemos muitas pessoas, que embora trabalhem oito, ou mais horas por dia, joguem tênis, se locomovem para todos os ambientes em carros zero quilômetros, no íntimo estão acomodadas diante das verdades luminosas que nos são direcionadas do plano superior.

2 – JUNTO – Ele não estava no caminho, estava junto, e estar junto é estar próximo, mas não estar efetivamente no. Afinal, estava assentado à beira do caminho, e caminho propõe movimento, propõe caminhada, ritmo, sequência. E também porque o caminho é Jesus, a nos indicar que ele estava à margem da verdadeira estrada da edificação, de algum modo o cego estava fora do foco.

Mas por outro lado, à beira do caminho, embora assentado, significa próximo. Define uma postura pessoal de querer se desvincular do ambiente menos feliz, a representação do deslumbramento ou a percepção de uma nova claridade. O cego não estava enxergando, porém, sentia os primeiros raios do sol surgindo, ele estava se abrindo para uma vida mais abrangente, queria luz. E essas primeiras linhas perceptivas da personalidade dele foram o que lhe fez ir de encontro à Luz plena.

3 – MENDIGAR – O mendigar é pedir esmolas, e mendigo é aquele que não oferece nada à vida, é mero recebedor de recursos, aquele que se posiciona unicamente como simples pedinte. Nada oferece, só quer receber. Mas era uma situação que já não mais o agradava, e tanto não agradava que os valores recebidos do mundo não se sobrepuseram ao seu interesse pelo Cristo Jesus.

Portanto, de uma certa forma não é difícil perceber que o cego não é Bartimeu ontem, mas somos nós agora. Estamos estudando a nossa própria vida. Os recursos materiais e os valores amoedados que o mundo oferece, quando encontramo-nos dissociados do amor, são verdadeiras esmolas diante das benções incomensuráveis estendidas pela misericórdia na infinita dimensão do espírito.


4 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 2

DEPOIS


“DEPOIS, FORAM PARA JERICÓ. E, SAINDO ELE DE JERICÓ COM SEUS DISCÍPULOS E UMA GRANDE MULTIDÃO, BARTIMEU, O CEGO, FILHO DE TIMEU, ESTAVA ASSENTADO JUNTO DO CAMINHO, MENDIGANDO.” MARCOS 10:46

“DEPOIS foram para Jericó.”

O grande desafio desta passagem que estamos trabalhando (a cura do cego) é entender o significado de Jericó em nossas vidas. Parece que conseguimos esclarecer muita coisa no tópico anterior. Outros esclarecimentos virão com o tempo. Quem entende o primeiro versículo entende o texto todo. Quem entende o sentido de Jericó percebe claramente porque Jesus e os discípulos vão a Jericó depois, não antes.

Porque o advérbio de tempo apresenta uma relação com a natureza do ambiente. Ou seja, se vão a Jericó DEPOIS é porque vão a outros lugares antes. Nada no evangelho está fora do lugar, nada é mera narrativa, tudo está encadeado, tudo tem sentido, tudo é referência à nossa existência em todos os tempos.

Se Jericó é o ambiente e a estrutura onde ficamos unicamente apegados aos aspectos materiais da vida, geralmente quem aí alicerça suas bases não quer sair. Por isso o Cristo diz “vinde a mim todos vós, que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Ou seja, é como dizer “eu vou a vocês a todo o momento, vocês não se atentam para meu chamado. Quebrem a cabeça. Quando estiverem cansados e oprimidos (o apego às coisas do mundo não apenas cansa, mas oprime) venham a mim e eu aliviarei o problema (não resolvo).”

Logo, Jesus vai DEPOIS a Jericó, porque a misericórdia divina se direciona antes àqueles que estão levantando uma bandeira de reparação, àqueles que querem mudar. Afinal de contas, enquanto a vida de alguém for aquela que ela elegeu para si porque alterá-la? A salvação (objetivo é ir além dela) só é importante para os que querem salvar-se. Mas não nos preocupemos, cada qual tem o seu momento de sair de Jericó.

Deu para perceber como o texto é importante e atual? E profundo?

Olhe só, vamos repetir o versículo em questão: “DEPOIS, foram para Jericó. E, SAINDO ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. Marcos 10:46”

Quem está em Jericó, e ajustado na sua linha de vibração e interesses, não quer sair. E geralmente não sai espontaneamente (nem as muralhas que envolvem essa cidade permitem que novos chamamentos alcancem a criatura). Logo, é fácil notar, o cego foi atendido na SAÍDA de Jericó, não na entrada. Ele já queria sair, já não estava feliz naquele ambiente, e tanto não estava que ele se colocou à beira do caminho. E, mais ainda, após curado "seguiu a Jesus pelo caminho".

Mas não nos inquietemos, seja por nós ou por outrem. Cada qual tem o seu momento de despertar para ângulos superiores da vida. Sabemos que onde Jesus entra arregimenta corações. Conforme o versículo, entram em Jericó Jesus e seus discípulos, saem de Jericó Jesus, seus discípulos e uma grande multidão. Isso é muito bonito. E como cada qual elege o seu sistema de vida, e a vida respeita o livre-arbítrio de cada um, esse entrar não tem o objetivo de precipitar a evolução, de apressar o encaminhamento dos acontecimentos, mas acolher os que se encontram à beira do caminho, os que estavam com a luz e ela apagou, atender as criaturas já predispostas a receberem auxílio e entrarem em novas faixas de vibração. Por isso o cego foi curado à SAÍDA de Jericó.

A misericórdia é tão espetacular (muitas vezes não a valorizamos porque não a entendemos) que o verbo FORAM nos menciona o direcionamento do auxílio junto aos aflitos e necessitados, a indicar-nos que ela vai, não escolhe ambientes, não seleciona candidatos. Aguarda a nossa proposta de adesão. E o que nos capacita a estar com o grande amigo da humanidade inteira não é lugar onde, mas um estado de alma. A luz sempre angaria os que buscam ter visão.

3 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 1

JERICÓ


“46DEPOIS, FORAM PARA JERICÓ. E, SAINDO ELE DE JERICÓ COM SEUS DISCÍPULOS E UMA GRANDE MULTIDÃO, BARTIMEU, O CEGO, FILHO DE TIMEU, ESTAVA ASSENTADO JUNTO DO CAMINHO, MENDIGANDO. 47E, OUVINDO QUE ERA JESUS DE NAZARÉ, COMEÇOU A CLAMAR, E A DIZER: JESUS, FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM. 48E MUITOS O REPREENDIAM, PARA QUE SE CALASSE; MAS ELE CLAMAVA CADA VEZ MAIS: FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM. 49E JESUS, PARANDO, DISSE QUE O CHAMASSEM; E CHAMARAM O CEGO, DIZENDO-LHE: TEM BOM ÂNIMO; LEVANTA-TE, QUE ELE TE CHAMA. 50E ELE, LANÇANDO DE SI A SUA CAPA, LEVANTOU-SE, E FOI TER COM JESUS. 51E JESUS, FALANDO, DISSE-LHE: QUE QUERES QUE EU TE FAÇA? E O CEGO LHE DISSE: MESTRE, QUE EU TENHA VISTA. 52E JESUS LHE DISSE: VAI, A TUA FÉ TE SALVOU. E LOGO VIU, E SEGUIU A JESUS PELO CAMINHO.” MARCOS 10:46-52

“30E, RESPONDENDO JESUS, DISSE: DESCIA UM HOMEM DE JERUSALÉM PARA JERICÓ, E CAIU NAS MÃOS DOS SALTEADORES, OS QUAIS O DESPOJARAM, E ESPANCANDO-O, SE RETIRARAM, DEIXANDO-O MEIO MORTO.” LUCAS 10:30

“1E, TENDO JESUS ENTRADO EM JERICÓ, IA PASSANDO.” LUCAS 19:1

O que vamos dizer agora é muito importante e vai servir de base para todo o estudo daqui para frente. Mencionamos anteriormente (Cap. 2 João Batista) que o evangelho se estrutura e trabalha em cima do componente da semente. Então, se pelo livre-arbítrio cada qual tem as suas escolhas, não fica difícil concluir que a vida é um processo de eleição pessoal.

E se a vida é um processo de eleição pessoal, os valores e interesses que elegemos como prioridades nos situam em territórios diversificados que o evangelho apresenta para nós, toda a Palestina está dentro do nosso mundo íntimo. Jerusalém, por exemplo, por se encontrar a 760 metros acima do nível do mar, define as nossas conquistas do espírito, refere-se à mente voltada aos padrões superiores da vida, é terreno ou campo onde o amor se dinamiza no templo das almas.

Mas o nosso interesse no momento é Jericó. Então, vamos lá. Jericó era uma cidade antiga, ao lado oriental do Jordão, na província da Judéia, e próxima de Jerusalém, mais precisamente 23 quilômetros de Jerusalém, a 272 metros abaixo do nível do Mediterrâneo, e cercada por muralhas praticamente intransponíveis.

Ao tempo de Jesus, era a segunda cidade mais importante da Judéia, e dizem até que de toda a Palestina. Apresentava agricultura eficiente, produzia palmeiras, árvores balsâmicas e figueiras, e era conhecida, sobretudo, como célebre via de intensa movimentação comercial. Sendo assim, tinha economia muito próspera e era cidade preferida por comerciantes que objetivavam o ambicionado lucro material.

Apresentava, pois, comércio muito desenvolvido e a sua população habituada com circulação de dinheiro e processos mercantilistas múltiplos. Mas como a mensagem do evangelho é mensagem direcionada ao espírito na essência, falar da Jericó de ontem nada nos acrescenta, a Jericó que nos interessa não é a daquela época, mas a de hoje, muito para além do aspecto físico.

1- MATERIALIDADE – A cidade de Jericó, hoje, constitui-se na região mental, a província psíquica em que ficamos vinculados aos interesses materiais. É a região mental representada pelo apego aos valores de natureza imediatista, o cultivo nosso aos aspectos da vida efêmera, onde valores espirituais são preteridos em favor dos bens transitórios.

É o ambiente psíquico que nos prende à retaguarda, define a paixão nossa pelos componentes de natureza imediatista, ao qual identificamos pela eleição de vida nos parâmetros de natureza tangível, onde aprisionamos os melhores valores importantes ao progresso. Simboliza, no contexto espiritual, o campo dos interesses materiais e transitórios, retrata o plano de sensações imediatistas que devemos abandonar.

E muitas pessoas “estruturam” suas vidas hoje em Jericó. “Vivem” em Jericó, nela “fixam” suas residências mentais, por vibrarem exclusivamente com as faixas materialistas, de natureza efêmera, e não abrem mão. Até saem, às vezes, de Jericó, vão para a “praia”, viajam uma vez ou outra, mas só de vez em quando, porque não se mudam de lá, como brincou certa vez uma amiga, “não largam o osso”. E é claro, esse ambiente psíquico, por elegerem como prioritários os interesses de natureza material, proporciona-lhes a segurança e a razão de ser.

2 – PLANO INFERIOR – Veja bem. Se em Jericó eu fixo a minha atenção exclusivamente no aspecto material da vida, representa o ambiente onde eu mantenho meu pensamento vibrando nas faixas inferiores, na parte baixa da vida mental. E tanto é assim que Jericó se situa a 272 metros abaixo do nível do Mediterrâneo, a definir que nos aspectos da intimidade Jericó está mais para o subconsciente.

E voce se lembra da parábola do bom samaritano? (“E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.” Lucas 10:30). Observou? Descer para Jericó é descer das faixas superiores da vida mental, indica a queda no subconsciente, quando se cai na mão de salteadores. Revela o estado de queda moral do ser humano, que vive à busca de aventuras em planos vibratórios inferiores e acaba por se submeter aos ataques das trevas, por conta e risco próprios.

Vamos dizer uma coisa, apenas a título de breve esclarecimento. Jerusalém, por outro lado, nós mencionamos rapidamente que é uma referência às conquistas espirituais nossas. Claro. Jerusalém (será objeto de estudo mais à frente) fica a 760 metros acima do nível do mar. É menção aos valores de cima de nossa personalidade. Cidade rodeada de muitos montes, vários com altitudes acima de 1000 metros e entre os vários montes o mais conhecido, o monte das Oliveiras. Percebeu?

A oliveira produz um fruto, e o óleo desse fruto (oliva) era utilizado para manter a candeia acesa. Isto é, oliveira significando um componente geratriz da luz. No momento de culminância, para onde Jesus se dirigiu? Desceu para Jericó ou subiu ao monte para orar? Lembra do sermão profético? (capítulo 24 de Mateus). No momento em que vivemos as grandes dificuldades, o que o Cristo nos alerta? “Quem estiver no telhado, não desça”. Um cuidado para não deixarmos cair as nossas melhores vibrações, nem diante das grandes dores.

Vamos voltar a Jericó. Se na parábola do bom samaritano ele aponta a tristeza da queda, do envolvimento menos feliz, ele aponta também a presença constante da misericórdia divina, por intermédio do samaritano que foi capaz de socorrer.

3 – PASSANDO – Então, já podemos analisar mais. Voce se lembra daquela passagem linda do evangelho que narra o encontro de Jesus com Zaqueu? Sim, aquele cobrador de impostos que subiu em uma árvore (figueira brava). Pois é. Esse encontro memorável também se deu na cidade de Jericó. Analisemos o versículo inicial daquela passagem (“1E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia PASSANDO.” Lucas 19:1). Notou algo interessante nele? Claro que sim. Conforme o texto que narra o encontro de Jesus com o chefe dos publicanos, ele, o Cristo, não fica em Jericó, passa por Jericó. Aliás, nem é passa, é passando.

Passando é gerúndio (toda terminação verbal em NDO. Pensando, comendo, orando, etc.) e gerúndio nos dá sensação de continuidade. Por isso é gerúndio. Jesus vem passando pela Jericó de nossa intimidade por várias ocasições no intuito de atrair-nos a atenção para novas faixas de vibração. Ele objetiva chamar-nos a atenção para a necessidade de deixarmos esse ambiente menos feliz no qual insistimos em nos manter inseridos durante muito tempo. Afinal, felicidade efetiva não é com os valores de baixo, mas de cima, felicidade legítima não pode ser encontrada nesse ambiente, nos valores tangíveis que ele proporciona.

Mas não. Nem ligamos. Permanecemos distantes e desinteressados, insistimos na cristalização de longa data. E perdemos oportunidades valiosas. Mesmo assim ele contina passando. E tudo quanto possa movimentar o espelho de nossa mente na direção dos valores elevados da vida representa essa passagem, aguardando uma iniciativa nossa para se efetivar o contato como resposta.

E se por um lado somos convocados a deixar a Jericó de nossas almas (para a espiritualização do ser), o desejo de sair surge quando os valores que ela oferece passam a não atender nossos anseios íntimos, e buscamos identificar algo novo. Buscamos sair quando os benefícios que ela nos oferece deixam de atender nossos anseios. Aí, sim, como Zaqueu, procuramos ver Jesus. Em outras palavras, deixamos a Jericó de nossas vidas quando essa cidade, esse ambiente, é destruído, e, como mencionou capítulo anterior, nos identificamos no deserto.

4 – DESTRUIÇÃO DE JERICÓ – É isso mesmo, não se assuste, saímos quando ela é destruída. Afinal, no ano 66 DC os judeus se rebelaram contra o domínio romano. Os exércitos romanos foram mandados para sufocar a revolta e invadiram a Palestina, a cidade de Jericó foi destruída pelas forças do general Tito no ano 70 DC.

Conclusão: A cidade de Jericó é destruída, e também nossa permanência nela hoje é temporária. Porque os valores materiais em que muitos se apegam e fixam a segurança e confiança serão derrubados para propiciar uma edificação efetiva de natureza espiritual. Segurança é dentro, não fora, é pela capacidade de operar. Por isso Jesus continua passando para nos convidar a sair pela espontaneidade, e somos todos convocados a deixá-la.

Aí você pergunta: “E quem não quiser sair?” Lembra-se de um instrumento que foi usado em uníssono para derrubar as muralhas de Jericó? As trombetas. Porque o som das trombetas ninguém deixa de escutar, indicando aqueles acontecimentos mais imperiosos, contundentes e menos felizes que nos alcançam. Acho que não precisamos detalhar mais. Podemos apenas concluir que essas muralhas são aquelas barreiras, os valores que cerceiam e bloqueiam nossa afirmação no campo do bem.

1 de set de 2010

Cap 2 - João Batista e o Deserto - Parte 10 (Final)

O BATISMO


“E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.” MATEUS 3:6

“E EU, EM VERDADE, VOS BATIZO COM ÁGUA, PARA O ARREPENDIMENTO; MAS AQUELE QUE VEM APÓS MIM É MAIS PODEROSO DO QUE EU; CUJAS ALPARCAS NÃO SOU DIGNO DE LEVAR; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO, E COM FOGO.” MATEUS 3:11

A palavra batismo, do grego, quer dizer imersão, mergulho. Embora o costume de batizar não tenha sua origem no cristianismo, pois nos relatos de diferentes seitas da antiguidade existem referências a banhos purificadores, asperções e imersões, que preparavam os crentes para o culto às suas divindades, foi João Batista, primo de Jesus, quem deu início à prática do batismo entre os judeus de modo popular.

Sabemos que a água é o componente essencial gerador da vida no plano físico, concreto. Ela tem sentido germinativo, sem a qual não teríamos a manifestação biológica no planeta, representa o berço onde vai ser gestada toda a proposta nossa.

Agora, vamos analisar uma coisa. Como se inicia o processo reencarnatório dos espíritos no plano terrestre? A reencarnação sempre se principia com o espírito fazendo um mergulho no líquido intra-uterino (ou amniótico) da mãe, para sequenciar a sua linha evolutiva em um equipamento (corpo) que apresenta um percentual de mais de 60% a base de água. Ou seja, a reencarnação é a imersão do ser nas faixas físicas onde a água é sempre o elemento preponderante.

O batismo de água era uma prática simbólica, testemunho público de arrependimento e um propósito de corrigir-se, lavar-se dos pecados. Se a água lava o corpo, simbolicamente entendemos lavar também o espírito dos erros. Assim, o mergulho na água tem um sentido de limpeza. E não é este o propósito com o qual o espírito parte para a reencarnação? De purificação, de saneamento, de desoneração do pretérito? Pelo batismo, a imersão com água significa o renascer espiritual, a purificação e o saneamento de todas as culpas e pecados.

Batismo de água tinha como significado espiritual a necessidade de arrependimento e o desejo de renovação, e não adiantava o batismo em quem não estivesse realmente arrependido.

Logo, vamos repetir para ficar bem claro. O batismo de João era um símbolo. É como se ele fizesse uma assepsia no sentido de trabalhar o campo mental do indivíduo para se poder entrar em terreno novo, uma limpeza para promover a mudança, o tratamento.

O batismo realizado por João Batista àquela época constituía-se de um ato revestido de simbolismo. Simbolizava a reencarnação, ao passo que o batismo de Jesus representa a renovação. João expressava, com o batismo pela água, um papel renovador da reencarnação. Afinal, qual era a sua missão? Apontar Jesus. E se ele estava apontando Jesus (era o precursor) ele objetivava simplificar o mecanismo reencarnatório.

É como se ele quisesse dizer assim: “Porque voce, ao invés de esperar morrer, para depois, no plano espiritual, se arrepender das coisas que fez e voltar a mergulhar (pela reencarnação) no líquido amniótico (ou intra-uterino), na placenta, nascer de novo, na água, em um corpo que tem mais de 60% de água, para modificar-se, não arrepende aqui, mergulha nesta água agora e reinicia já um processo de mudança e crescimento em novos ângulos?”

É como se ele propusesse uma reencarnação dentro da própria encarnação (na mesma existência). Tinha sentido de alerta e convite. Ele também poderia ter falado à época algo assim: “Eu estou fazendo assim para vocês entenderem qual é a tarefa de Jesus que vem por aí. Por enquanto a evolução é pela água (nascimento material), mas em breve não vai ter essa água mais, a evolução vai deixar de ser pela reencarnação, no campo sistemático, para ser pela renovação (nascimento espiritual).

Não espere a morte para arrepender-se e retonar à reencarnar”. Com certeza uma mensagem semelhante à de Jesus que dizia “reconcilia-te com teu adversário enquanto caminhas com ele”. Um chamamento ao aproveitamento da oportunidade.

Então, não é difícil entender o chamamento de João para a transformação moral, estando a criatura em pleno desenvolvimento de sua vida no plano físico.

Mencionamos no início deste estudo (capítulo 1) que o evangelho todo está repleto de símbolos. Vamos observar uma coisa com atenção: Em algumas religiões existem o ritual do batismo, em outras não. Tem religião em que o batismo é realizado nos rescém nascidos, com utilização de pouca quantidade de água, em outras o batismo de pessoas já adultas, pela imersão completa delas na água.

Vamos pensar. O batismo na água simboliza a mudança de postura e a renovação espiritual. Logo, não é difícil concluir, pela utilização da lógica e razão, que esse renascimento não ocorrerá simplesmente pelo fato de se aplicar água em menor ou maior quantidade em uma idade física ou outra do indivíduo.

É compreensível a ocorrência de cerimônias e rituais desse tipo nas épocas recuadas em que foram empregadas, afinal, no curso primário, na instrução infantil, é necessária a colaboração de figuras para que a memória da criança alcance percentual de assimilação, mas esse procedimento de sabor religioso é totalmente dispensável nos dias de hoje. Porque podemos perfeitamente mudar sem ele. E o evangelho, com a claridade e conhecimento aprofundado, coloca claridade nessa questão.

E se o batismo de João Batista simbolizava a reencarnação, o anunciado por Jesus refere-se à reparação, mudanças pessoais, renovação, e se faz com espírito santo e fogo. Porque a reencarnação apenas não basta, não vale reencarnar sem mudar. Batismo no espírito santo é o conjunto de informações trazidas pelo plano espiritual a se estenderem como dispositivo ampliado da misericórdia divina. E o batismo pelo fogo define a luta para renovar-se, corrigir a conduta, reparar os males praticados, refere-se ao  testemunho de novos propósitos.

Porque o fogo é símbolo da renovação, ele tem o poder de mudar o estado das coisas, é componente forjador, ele sedimenta, tem a capacidade de solidificar por abrasamento de sacrifício e testemunhos amplos. São as provas e expiações a que estamos sujeitos dentro de um processo natural de evolução, e também tem um sentido de luz, um papel iluminativo, como fator gerador da claridade.
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