3 de set de 2010

Cap 3 - O Cego de Jericó - Parte 1

JERICÓ


“46DEPOIS, FORAM PARA JERICÓ. E, SAINDO ELE DE JERICÓ COM SEUS DISCÍPULOS E UMA GRANDE MULTIDÃO, BARTIMEU, O CEGO, FILHO DE TIMEU, ESTAVA ASSENTADO JUNTO DO CAMINHO, MENDIGANDO. 47E, OUVINDO QUE ERA JESUS DE NAZARÉ, COMEÇOU A CLAMAR, E A DIZER: JESUS, FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM. 48E MUITOS O REPREENDIAM, PARA QUE SE CALASSE; MAS ELE CLAMAVA CADA VEZ MAIS: FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM. 49E JESUS, PARANDO, DISSE QUE O CHAMASSEM; E CHAMARAM O CEGO, DIZENDO-LHE: TEM BOM ÂNIMO; LEVANTA-TE, QUE ELE TE CHAMA. 50E ELE, LANÇANDO DE SI A SUA CAPA, LEVANTOU-SE, E FOI TER COM JESUS. 51E JESUS, FALANDO, DISSE-LHE: QUE QUERES QUE EU TE FAÇA? E O CEGO LHE DISSE: MESTRE, QUE EU TENHA VISTA. 52E JESUS LHE DISSE: VAI, A TUA FÉ TE SALVOU. E LOGO VIU, E SEGUIU A JESUS PELO CAMINHO.” MARCOS 10:46-52

“30E, RESPONDENDO JESUS, DISSE: DESCIA UM HOMEM DE JERUSALÉM PARA JERICÓ, E CAIU NAS MÃOS DOS SALTEADORES, OS QUAIS O DESPOJARAM, E ESPANCANDO-O, SE RETIRARAM, DEIXANDO-O MEIO MORTO.” LUCAS 10:30

“1E, TENDO JESUS ENTRADO EM JERICÓ, IA PASSANDO.” LUCAS 19:1

O que vamos dizer agora é muito importante e vai servir de base para todo o estudo daqui para frente. Mencionamos anteriormente (Cap. 2 João Batista) que o evangelho se estrutura e trabalha em cima do componente da semente. Então, se pelo livre-arbítrio cada qual tem as suas escolhas, não fica difícil concluir que a vida é um processo de eleição pessoal.

E se a vida é um processo de eleição pessoal, os valores e interesses que elegemos como prioridades nos situam em territórios diversificados que o evangelho apresenta para nós, toda a Palestina está dentro do nosso mundo íntimo. Jerusalém, por exemplo, por se encontrar a 760 metros acima do nível do mar, define as nossas conquistas do espírito, refere-se à mente voltada aos padrões superiores da vida, é terreno ou campo onde o amor se dinamiza no templo das almas.

Mas o nosso interesse no momento é Jericó. Então, vamos lá. Jericó era uma cidade antiga, ao lado oriental do Jordão, na província da Judéia, e próxima de Jerusalém, mais precisamente 23 quilômetros de Jerusalém, a 272 metros abaixo do nível do Mediterrâneo, e cercada por muralhas praticamente intransponíveis.

Ao tempo de Jesus, era a segunda cidade mais importante da Judéia, e dizem até que de toda a Palestina. Apresentava agricultura eficiente, produzia palmeiras, árvores balsâmicas e figueiras, e era conhecida, sobretudo, como célebre via de intensa movimentação comercial. Sendo assim, tinha economia muito próspera e era cidade preferida por comerciantes que objetivavam o ambicionado lucro material.

Apresentava, pois, comércio muito desenvolvido e a sua população habituada com circulação de dinheiro e processos mercantilistas múltiplos. Mas como a mensagem do evangelho é mensagem direcionada ao espírito na essência, falar da Jericó de ontem nada nos acrescenta, a Jericó que nos interessa não é a daquela época, mas a de hoje, muito para além do aspecto físico.

1- MATERIALIDADE – A cidade de Jericó, hoje, constitui-se na região mental, a província psíquica em que ficamos vinculados aos interesses materiais. É a região mental representada pelo apego aos valores de natureza imediatista, o cultivo nosso aos aspectos da vida efêmera, onde valores espirituais são preteridos em favor dos bens transitórios.

É o ambiente psíquico que nos prende à retaguarda, define a paixão nossa pelos componentes de natureza imediatista, ao qual identificamos pela eleição de vida nos parâmetros de natureza tangível, onde aprisionamos os melhores valores importantes ao progresso. Simboliza, no contexto espiritual, o campo dos interesses materiais e transitórios, retrata o plano de sensações imediatistas que devemos abandonar.

E muitas pessoas “estruturam” suas vidas hoje em Jericó. “Vivem” em Jericó, nela “fixam” suas residências mentais, por vibrarem exclusivamente com as faixas materialistas, de natureza efêmera, e não abrem mão. Até saem, às vezes, de Jericó, vão para a “praia”, viajam uma vez ou outra, mas só de vez em quando, porque não se mudam de lá, como brincou certa vez uma amiga, “não largam o osso”. E é claro, esse ambiente psíquico, por elegerem como prioritários os interesses de natureza material, proporciona-lhes a segurança e a razão de ser.

2 – PLANO INFERIOR – Veja bem. Se em Jericó eu fixo a minha atenção exclusivamente no aspecto material da vida, representa o ambiente onde eu mantenho meu pensamento vibrando nas faixas inferiores, na parte baixa da vida mental. E tanto é assim que Jericó se situa a 272 metros abaixo do nível do Mediterrâneo, a definir que nos aspectos da intimidade Jericó está mais para o subconsciente.

E voce se lembra da parábola do bom samaritano? (“E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.” Lucas 10:30). Observou? Descer para Jericó é descer das faixas superiores da vida mental, indica a queda no subconsciente, quando se cai na mão de salteadores. Revela o estado de queda moral do ser humano, que vive à busca de aventuras em planos vibratórios inferiores e acaba por se submeter aos ataques das trevas, por conta e risco próprios.

Vamos dizer uma coisa, apenas a título de breve esclarecimento. Jerusalém, por outro lado, nós mencionamos rapidamente que é uma referência às conquistas espirituais nossas. Claro. Jerusalém (será objeto de estudo mais à frente) fica a 760 metros acima do nível do mar. É menção aos valores de cima de nossa personalidade. Cidade rodeada de muitos montes, vários com altitudes acima de 1000 metros e entre os vários montes o mais conhecido, o monte das Oliveiras. Percebeu?

A oliveira produz um fruto, e o óleo desse fruto (oliva) era utilizado para manter a candeia acesa. Isto é, oliveira significando um componente geratriz da luz. No momento de culminância, para onde Jesus se dirigiu? Desceu para Jericó ou subiu ao monte para orar? Lembra do sermão profético? (capítulo 24 de Mateus). No momento em que vivemos as grandes dificuldades, o que o Cristo nos alerta? “Quem estiver no telhado, não desça”. Um cuidado para não deixarmos cair as nossas melhores vibrações, nem diante das grandes dores.

Vamos voltar a Jericó. Se na parábola do bom samaritano ele aponta a tristeza da queda, do envolvimento menos feliz, ele aponta também a presença constante da misericórdia divina, por intermédio do samaritano que foi capaz de socorrer.

3 – PASSANDO – Então, já podemos analisar mais. Voce se lembra daquela passagem linda do evangelho que narra o encontro de Jesus com Zaqueu? Sim, aquele cobrador de impostos que subiu em uma árvore (figueira brava). Pois é. Esse encontro memorável também se deu na cidade de Jericó. Analisemos o versículo inicial daquela passagem (“1E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia PASSANDO.” Lucas 19:1). Notou algo interessante nele? Claro que sim. Conforme o texto que narra o encontro de Jesus com o chefe dos publicanos, ele, o Cristo, não fica em Jericó, passa por Jericó. Aliás, nem é passa, é passando.

Passando é gerúndio (toda terminação verbal em NDO. Pensando, comendo, orando, etc.) e gerúndio nos dá sensação de continuidade. Por isso é gerúndio. Jesus vem passando pela Jericó de nossa intimidade por várias ocasições no intuito de atrair-nos a atenção para novas faixas de vibração. Ele objetiva chamar-nos a atenção para a necessidade de deixarmos esse ambiente menos feliz no qual insistimos em nos manter inseridos durante muito tempo. Afinal, felicidade efetiva não é com os valores de baixo, mas de cima, felicidade legítima não pode ser encontrada nesse ambiente, nos valores tangíveis que ele proporciona.

Mas não. Nem ligamos. Permanecemos distantes e desinteressados, insistimos na cristalização de longa data. E perdemos oportunidades valiosas. Mesmo assim ele contina passando. E tudo quanto possa movimentar o espelho de nossa mente na direção dos valores elevados da vida representa essa passagem, aguardando uma iniciativa nossa para se efetivar o contato como resposta.

E se por um lado somos convocados a deixar a Jericó de nossas almas (para a espiritualização do ser), o desejo de sair surge quando os valores que ela oferece passam a não atender nossos anseios íntimos, e buscamos identificar algo novo. Buscamos sair quando os benefícios que ela nos oferece deixam de atender nossos anseios. Aí, sim, como Zaqueu, procuramos ver Jesus. Em outras palavras, deixamos a Jericó de nossas vidas quando essa cidade, esse ambiente, é destruído, e, como mencionou capítulo anterior, nos identificamos no deserto.

4 – DESTRUIÇÃO DE JERICÓ – É isso mesmo, não se assuste, saímos quando ela é destruída. Afinal, no ano 66 DC os judeus se rebelaram contra o domínio romano. Os exércitos romanos foram mandados para sufocar a revolta e invadiram a Palestina, a cidade de Jericó foi destruída pelas forças do general Tito no ano 70 DC.

Conclusão: A cidade de Jericó é destruída, e também nossa permanência nela hoje é temporária. Porque os valores materiais em que muitos se apegam e fixam a segurança e confiança serão derrubados para propiciar uma edificação efetiva de natureza espiritual. Segurança é dentro, não fora, é pela capacidade de operar. Por isso Jesus continua passando para nos convidar a sair pela espontaneidade, e somos todos convocados a deixá-la.

Aí você pergunta: “E quem não quiser sair?” Lembra-se de um instrumento que foi usado em uníssono para derrubar as muralhas de Jericó? As trombetas. Porque o som das trombetas ninguém deixa de escutar, indicando aqueles acontecimentos mais imperiosos, contundentes e menos felizes que nos alcançam. Acho que não precisamos detalhar mais. Podemos apenas concluir que essas muralhas são aquelas barreiras, os valores que cerceiam e bloqueiam nossa afirmação no campo do bem.

9 comentários:

  1. Marco, adorei ter mais essa possibilidade de ler algo para refletir. Parabéns, está lindo!
    Abraço,
    Sheila - Nova Luz

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  2. Achei o texto brilhante.
    Muito bom.

    Thiago Albino

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  3. maravilhoso ter lido esse texto.

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  4. parabens por este esclarecimeto sobre a cidade de jerico do passado, que retrata realmente a cidade que vivemos hoje, estamos rodeados de pessoas que tem a sua visao perfeita mas nao enxerga a palavra de Deus........

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  5. E isso k tava faltando exclarecimento em relacao a textos da biblia... parabens

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  6. Vdd muito bom soube de coisas que não sabia ....

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