30 de out de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 9

TESTEMUNHA FIEL

“5E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É A FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5

Fiel significa exato, verídico, verdadeiro, aquele que age com observância rigorosa da verdade, cumpre ao que se obriga, leal, honrado, íntegro, digno de fé, probo.

Jesus Cristo veio com uma vivenciação acima de todas as nossas condições operacionais. Como educador se posicionava qual espelho, e testemunhava de Deus em nosso terreno, expressão precedida do fiel. Ninguém no mundo foi mais fiel cultor do respeito e da ordem. Em todas as circunstâncias o vemos interessado acima de tudo na lealdade a Deus e no serviço aos homens. Ele ensinava, e vivendo confirmava, pois confirmar é atestar pela conduta. E palavra alguma poderá superar a sua exemplificação, que o discípulo deve tomar como roteiro.

E quanto a nós?

Nós também estamos sendo convocados. Mediante um estudo como este que estamos levando juntos a efeito, pela clareza da orientação, e respeitadas as distâncias entre nós e seus apóstolos, como Simão Pedro, por exemplo, para muito além da fisionomia religiosa, vamos notar que se os seus seguidores mais próximos mudaram nós também temos condições de fazê-lo. E observamos algo: toda a autoridade dos discípulos estava posicionada na capacidade deles em testemunhar o que recolheram de Jesus, o que aprenderam com Ele.

Testemunha fiel. A orientação dimana dos planos superiores em Deus e a fidelidade representa a capacidade nossa de operar segundo a estrutura íntima e clara que a nossa vida mental propõe. Porque somente o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar. Nós assimilamos no plano mental do superconsciente e operamos na linha prática da vida, e, assim, nos tornamos testemunhas fiéis, a indicar coerência entre o que se faz e o que se sabe intelectivamente.

Cada qual somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor com as qualidades de elevação já conquistadas na vida. Por isso, o filho do homem (objeto de capítulo próximo) é o que dá testemunho para o homem, ele é sempre a representação daquele que já vive, e que já deu testemunho do que aprendeu com Jesus.

Não tem outra. Toda a criatura tem o testemunho individual no caminho da vida. E normalmente essa testemunha apresenta um espírito de sacrifício. Jesus mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. Acontece que muitas vezes o progresso aparente (não efetivo) dos ímpios desencoraja o fervor das almas tíbias. Mas não se inquiete, a vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos, é o lado oculto. Porém, essa glória é tão grande que o mundo não a proporciona, nem pode subtraí-la. Ela representa o testemunho da consciência própria, transformada em tabernáculo do Cristo vivo. Lembre-se: as preocupações superficiais do mundo chegam, educam e passam, mas a experiência religiosa permanece.

Amigo, ou amiga, se o Senhor te chamou não te esqueças de que já te considera digno de testemunhar. E uma das maiores virtudes do discípulo do evangelho é de estar sempre pronto ao chamado da providência divina, não importa onde e como seja o testemunho de nossa fé. O essencial é revelarmos a nossa união com Deus em todas as circunstâncias. Por isso, precisamos fazer calar a nossa voz de pouca confiança na sabedoria que nos rege os destinos. E é indispensável não esquecermos a nossa condição de servos de Deus para bem lhe atendermos ao chamado, seja nas horas de tranquilidade ou de sofrimento.

Agora, guarde isso com muita atenção: Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Nos dias de calma é fácil provar-se a fidelidade e confiança, mas não a dedicação verdadeira, senão nas horas em que tudo parece contrariar e perecer (vamos trabalhar isso com clareza e profundidade em um capítulo futuro que se chamará O Sofrimento).

O testemunho apresenta uma capacidade aferidora, e nós (como já falamos antes) estamos trabalhando na aferição da conquista, não no despertar do conhecimento. Não com Jesus revelador do ensinamento, mas com Jesus aferidor da conquista.

Logo, testemunhar o Cristo define a coragem nossa de vivermos dentro de um processo realizador consoante aquilo que a intuição e o conhecimento teórico propõe. Estamos aprendendo algo aqui neste estudo continuado do evangelho? Estamos. Mas temos que fixar os ensinamentos através da vivência diária a todo instante, principalmente quando chamados a agir em situações adversas, onde nos é exigido uma grandeza moral diante de vícios e imperfeições daqueles que nos são caros. Esse testemunho é algo em cima dos próprios movimentos da consciência do ser. Às vezes, ele é feito isoladamente, na intimidade da alma. Pense nisso,...

28 de out de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 8

O TESTEMUNHO


“15QUANDO, POIS, VIRDES QUE A ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO, DE QUE FALOU O PROFETA DANIEL, ESTÁ NO LUGAR SANTO; QUEM LÊ, ATENDA;” MATEUS 24:15

Se estamos falando em testemunho, nada como começar entendendo o que ele seja. Bem, testemunha é aquela criatura que é chamada a dar prova, a atestar a verdade de um fato que viu ou ouviu (e ver e ouvir, tão importante, será objeto de capítulo próprio).

Ela é convocada a testemunhar alguma coisa que, em tese, viu, representa confirmar, comprovar, demonstrar. E esse testemunho significa aquela posição nossa que não apresenta um sentido oral apenas, mas sim um sentido de vida.

É no sentido de afirmar, de declarar, de certificar, dentro de um contingente de informações e de segurança, o esclarecimento, o conhecimento efetivo que essa criatura possui. Por isso, cada vez que as circunstâncias nos induzem a ouvir as verdades do evangelho, não admitamos que o acaso esteja presidindo a semelhantes eventos, forças ocultas estarão acionando a oportunidade, a fim de que nos informemos quanto ao nosso próprio caminho. Por esse motivo,  não nos façamos desatentos, a breve espaço de tempo seremos naturalmente chamados pela vida para testemunhar, e esse testemunho tem que ser dado sob uma postura exclusivamente pessoal.

O resultado é que não temos como nos projetar conscientemente para as conquistas maiores do crescimento espiritual sem esse testemunho. Afinal de contas, todos os valores recebidos por nós sob o ângulo da informação, e posicionados no plano superior da vida, apenas se incorporam a nós, à nossa estrutura intrínseca, em um plano de sedimentação, mediante o grau de testemunho, através da linha dinâmica e operacional da aplicabilidade diária. Sem vivência não se tem conhecimento, tem-se apenas pseudo-conhecimento. E o que projeta o ser (já falamos isso) não é a informação, mas a formação dos caracteres novos.

Toda mudança de vida exige certo percentual de testemunho. É fácil observar que aquilo que nós estamos vendo e não praticando é o que o outro faz e nós não fazemos ainda, ficamos exclusivamente no plano teórico. Eu posso, por exemplo, deixar a leitura deste blog motivado a perdoar alguém e simplesmente não perdoar ninguém. E todo aquele que não se empenha de alguma forma a benefício dos companheiros apenas conhece as lições do alto nos círculos da palavra.

Se abrirmos o dicionário observaremos que testamento é ato personalíssimo, unilateral e gratuito, pelo qual alguém dispõe de seu patrimônio e apresenta disposições de última vontade. Quando o apóstolo Paulo define a expressão “ministros de um novo testamento” ele define que a pregação se deve fazer pelo exemplo, a legítima interpretação do evangelho se faz mediante a dinâmica prática. Claro, pela informação nós visualizamos (a porta) e pela vivência nós damos o nosso testemunho (transpomos). E à medida que o espírito avulta em conhecimento, mais compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida maior lhe proporciona.

Para fechar o capítulo teremos mais dois tópicos: A testemunha fiel e O sentido Vertical do testemunho.

19 de out de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 7

LÊ E OUVEM


“3BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PROXIMO”. APOCALIPSE 1:3

“15QUANDO, POIS, VIRDES QUE A ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO, DE QUE FALOU O PROFETA DANIEL, ESTÁ NO LUGAR SANTO; QUEM LÊ, ATENDA;” MATEUS 24:15

Inicialmente, no início deste tópico, gostaríamos de pedir desculpas pela ausência nas duas últimas semanas. Problemas na parte de conexão com a internet nos impossibilitaram o acesso ao blog e consequentes atualizações. Mas agora que o problema foi saneado, e de forma definitiva, vamos lá, correr atrás do tempo perdido.

O capítulo que estamos trabalhando trata do Conhecimento e do Testemunho. Já falamos da primeira parte e iniciamos agora a segunda. Observe o versículo colocado como referência: “Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas, porque o tempo está próximo” (Apocalipse 1:3). Temos a presença de dois sentidos que, por sinal, serão trabalhados de forma mais profunda em um capítulo próprio (O Ver e o Ouvir).

E vamos notar uma coisa. O ouvir significa aquele valor capaz de nos sensibilizar a nível auditivo, e apresenta dois aspectos importantíssimos que merecem ser observados. Primeiro, o verbo está no plural (aquele que lê e os que OUVEM). O verbo ouvir no plural porque indica generalidade, ou seja, ouvir todos ouvem, a audição, espiritualmente falando, alcança a todos. E também pressupõe inatividade, porque enquanto ouvimos situamo-nos em um estado de passividade, enquanto se ouve não é necessário fazer nada, os que ouvem apenas ouvem. Guardou bem? O verbo ouvir sugere generalidade e passividade.

Quanto ao verbo ler, o temos no singular (aquele que LÊ e os que ouvem). No singular porque denota decisão, iniciativa pessoal, isto é, para nos interessarmos em ler primeiro a gente tem que ter ouvido falar. Mas ele apresenta, acima de tudo, um caráter de aplicabilidade, o ver nos possibilita um direcionamento dos valores recebidos, muitas vezes pela audição. Então, o ver sugere um direcionamento de atitude, pressupõe aplicabilidade, e quem vê age, faz, como diz o evangelho “quem lê atenda”.

Por isso nosso objetivo é apropriar cada componente e procurar dar o melhor, conhecimento nobre exige uma atividade nobre. E ao transmitir a voz, por meio de vários instrumentos, nós estamos trabalhando com diversas criaturas no sentido de poderem enxergar e verem, criando um processo de sedimentação entre aquilo que ouviu e aquilo que, no campo íntimo, ela está vendo, está percebendo com clareza.

E o texto em questão nos diz, ainda, que é preciso guardar. Mas não é um guardar unicamente no sentido de se arquivar na memória, mnemonicamente, mas um guardar no sentido operacional de aplicabilidade, porque o que não operacionalizamos não guardarmos, esquecemos. Afinal, somente depois que a gente ouve e vê é que vamos encontrar segurança através do testemunho. E a postura de cada qual é que vai determinar uma maior ou menor proximidade do tempo.

5 de out de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 6

CONFIRMAR

“32MAS EU ROGUEI POR TI, PARA QUE A TUA FÉ NÃO DESFALEÇA; E TU, QUANDO TE CONVERTERES, CONFIRMA TEUS IRMÃOS”. LUCAS 22:32

A conversão se efetiva na capacidade nossa de confirmar.

Como mencinamos no tópico anterior, o verbo converter está associado ao verbo fazer. Então, veja bem, o plano filosófico garante uma eleição de vida, e confirmar significa afirmar de modo absoluto a exatidão de algo, é dar certeza, é demonstrar, atestar pela conduta. E isso é muito mais abrangente e profundo do que parece.

Na conversão, nós temos que mudar (ela propõe mudança de sentido, de rota, como já foi falado). Mas o que ocorre é que ainda brigamos com a vida o dia inteiro. Tem gente que demonstra imensa insatisfação e reclama de tudo. “Ai, que calor! Nossa, meu Deus, que calor.” O dia vai passando e a pessoa já falou mais de quarenta vezes “que calor”. Isso é só um minúsculo exemplo. Percebeu? A conversão propõe mudança, alteração, testemunho. E como é que a gente briga com a vida o dia inteiro, reclama uma grande parte do tempo e ainda quer dar o exemplo de renovação em determinadas faixas da aprendizagem e do progresso?

O que estamos fazendo, nessas linhas singelas e despretenciosas, é trabalhar o evangelho com profundidade e esclarecimento. E aproveitamos para pedir a você, que tem lido e estudado, tem aprendido algo junto com a gente, que, se de alguma forma está se beneficiando com esse estudo, ajude a indicar o blog para mais pessoas.

Mas vamos lá, vamos voltar ao assunto.

Jesus disse a Simão Pedro: “Simão, quando te converteres, confirma teus irmãos”. Meu amigo, minha amiga, isso é lindo demais. É profundo demais. Jesus definiu para Simão a necessidade da confirmação aos irmãos quando de sua conversão. Porque para crescer nós precisamos de obras, somente as ações positivas nos projetam. E essas ações precisam ser realizadas junto às criaturas. Não se pode crescer sozinho, isolado, não se evolui trancado num quarto.

Nós apenas nos elevamos, ascendemos, tendo como ponto de sustentação para nossa subida criaturas com as quais interagimos. Assim, os semelhantes, todos com os quais nos relacionamos, são componentes que vão nos oferecer o plano de ascensão.

Mas nós vivemos em um mundo que tem de tudo, que tem criaturas em seus graus evolucionais mais diversificados. E cada criatura está assentada, ajustada, em seu respectivo patamar, e não se dá nenhum passo ao nível da elevação pisando em quem quer que seja, sufocando quem quer que seja, magoando quem quer que seja. Em razão disso, essa interação com os outros, para que possa propiciar ganho para o espírito, tem que se efetivar não no sentido de massacrar, de ferir, de magoar, de contrapor, mas no sentido de expressivas manifestações de auxílio, de cooperação, de fraternidade, de ajuda.

Logo, como é que eu vou poder subir, efetivamente, se eu não confirmo, se eu não atesto pelas minhas ações o meu aprendizado, se eu não valorizo todos aqueles com os quais me relaciono, se não os aceito, se os repilo, se eu faço uso de um sistema discriminatório no trato com determinadas pessoas? Como conciliar o conhecimento de Deus que já tenho com menosprezo aos meus semelhantes?

Conclusão: Converter (“se não vos converterdes e não vos fizerdes”) é assumir diante de si mesmo quanto à vivência dos componentes que elegeu. E quando nos convertermos, que saibamos confirmar nossos irmãos, por meio de um testemunho digno e fiel a nossa mudança, o que verdadeiramente estamos nos tornando.

3 de out de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 5

CONVERSÃO


“3E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS”. MATEUS 18:3

Nos círculos tradicionais das religiões, é muito comum se usar a expressão conversão. Mas vamos analisar o assunto com a devida atenção que ele merece. Constantemente, em nossos trajetos diários, visualizamos placas de trânsito de conversão. Então, no trânsito, o sinal de conversão à frente determina uma alteração na direção, ela sempre propõe uma mudança de sentido, de posição, que não é aquela em que se está.

E essa conversão permanece até hoje para nós como um chamamento e uma proposta de mudança da postura interior nos terrenos mais profundos da alma. E temos “placas” indicativas nesse sentido. O sinal do espírito no evangelho é a direção do bem, o sentido do amor, o convite à reeducação, a reforma moral, representando componentes indicativos de nosso percurso para uma vida mais feliz. Podemos até dizer que o evangelho é o nosso GPS para uma vida mais harmônica. E no momento em que se entra no sentido que essas placas indicam já não se tem mais que fazer conversão, por já se estar seguindo a pista certa.

É fácil falar que se está convertido, muitos falam com a boca cheia, porém, a conversão do homem não é tão fácil quanto afirmam esses portadores de convicções apressadas. Não será por se maravilhar a alma tão somente, ante as revelações espirituais, que se estará convertido e transformado para Jesus. A conversão define uma elaboração íntima do ser, pressupõe uma alteração nas estruturas de redirecionamento de nosso espírito no contexto da própria caminhada rumo ao progresso. Em razão disso, vamos observar que muitos dizem “eu me converti”, poucos podem declarar “eu estou transformado de fato”.

E por uma razão muito simples, o problema não é de entusiasmo e sim de esforço persistente, e não podemos dispensar as soluções vagarosas. O converter é um processo de mudança, não é ainda uma capacidade operacional clara e legítima, converter é um processo ligado ao caminho, não à verdade. O que sugere que eu tenho que manter uma linha evolucional sempre trabalhando o campo positivo do amor. E sabe por quê? Porque se eu não tiver uma linha direcional para o bem eu poderei até dar e apresentar na vida coisas extraordinárias, lances valiosíssimos, mas eu fico sempre sujeito às quedas, trabalhando uma linha quebrada de eventualidades positivas e negativas a cada instante.

Se a aquisição de valores religiosos constitui a mais importante de todas, por constituir o movimento de iluminação definitiva da alma para Deus, raros amigos conseguem guardar uniformidade de emoção e idealismo nas edificações espirituais. Assim, ficamos, não raras vezes, nas oscilações, porque falta uma linha de conversão. Não percebemos isso continuamente? “Fulano, não fala com o chefe hoje não, porque hoje ele está uma fera, o homem está cuspindo fogo”. E no outro dia ele já chega sorrindo, contando piadinha. Resultado, a conversão passa a ser o ponto de referência, o sinal evolucional nosso.

Muitos já apresentam certa estrutura, já estão nas frentes de trabalho das religiões, nos atividades espirituais por mais tempo, estudam, no entanto, estão fazendo antes de se converterem. E ocorre que quando fazemos sem nos converter é possível que acabemos nos cansando, por excesso de trabalho ou porque não mantemos uma meta fixada. Por isso, querer entrar no reino dos céus sem observar, sem enxergar, sem ver o reino fica difícil. Em razão disso, Jesus definiu: “em verdade não pode ver o reino.”

E pelas experiências diversas das vidas (pluralidade de existências), nós vemos, todo mundo enxerga o reino, sem precisar de óculos, todo mundo já tem uma visão da entrada do reino. O que é preciso é fazer, somente a ação garante a entrada. Nós enxergamos com uma propriedade, porém, para entrar no reino tem que “nascer do espírito”. Então, é preciso que antes desse fazer se labore o plano da conversão. Afinal, o pensamento precede, efetivamente, a manifestação do verbo.

Note bem o versículo no evangelho de Mateus: “E disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3) Jesus utiliza o verbo converter (converter-se) associado ao fazer (fazer-se), o que define a conversão sob um plano bem mais aplicativo do que propriamente de predisposição mental.

Logo, converter-se, evangelicamente falando, para além da forma ideológica acerca de uma proposta filosófica e de natureza mental, é a criatura sair dos planos da eleição pessoal, da eleição mental, das predisposições, a fim de determinar, ante a si própria, quanto à vivência dos componentes que vem trabalhando, que elegeu para si. Por isso, a conversão, acompanhada do verbo “fizerdes”, é o caminho adequado, sustentado, clarificado e seguro pela capacidade operacional do ser para se efetivamente crescer.

1 de out de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 4

A PROVA


Vamos falar agora de uma das coisas mais importantes de todo o nosso estudo, algo para guardarmos sempre e imprescindível para todo e qualquer crescimento: a questão da prova.

E isso é tão fundamental que a lei das provas é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos. Ela vem aferir aqueles valores já conquistados (aferir é conferir com os respectivos padrões) e não existe efetiva conquista sem o processo da aferição (nunca).

A prova é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa, é a demonstração evidente, define aquele instrumento de aferição dos recursos que nós já arregimentamos, com o objetivo de sedimentar um piso seguro para um novo processo, para uma nova etapa. Somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução, ela é aquela instrumentalidade capaz de definir se estamos aptos a passar para uma fase seguinte, define o grau do nosso investimento.

O que isso quer dizer? Que nós sempre (não é de vez em quando, é sempre) somos acentuadamente desafiados depois que o conhecimento nos visita. Que criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente debaixo de um céu sem nuvens, que ninguém passará no mundo sem tempestades e nevoeiros, sem o fel de provas ásperas ou sem o assédio das tentações. Não falamos isso para desanimar, mas para reforçar que cada berço é o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência, que não tem como nós nos projetarmos para novos pisos, novas posições, se não passarmos pelo teste, pela prova.

O teste é alguma coisa que tem que ser vivenciado. E sua vivência é pessoal, intransferível. O professor ensina, mas não pode chamar a si os deveres do aluno, sob a pena de subtrair-lhe o mérito da lição, assim como o plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio e a direção de uma escola não pode decifrar os problemas relativos à evolução de seus discípulos.

Por isso, na sequência de todo e qualquer aprendizado, o tempo sempre aguarda a capacidade nossa de poder administrar, de maneira efetiva, o ensino. É sempre assim. O chefe de serviço ensinará os auxiliares novos com paciência, e depois exigirá, com justiça, expressões de trabalho próprio. E a prova, ou a crise, afere em cada espírito os valores dos quais acumulou em si próprio.

O aluno aprende a lição, mas para ascender na escala precisa passar pela prova. E se é prova, independente do nível da escola, tem dificuldade. O que nos mostra que normalmente somos testados em meio a determinados acontecimentos, que todo o nosso teste contém em si uma dificuldade. Agora, a criatura reclama da dificuldade, ela quer crescer sem dificuldade, quer evoluir sem dificuldade, conquistar sem dificuldade. E acabamos de dizer que a dificuldade é o elemento para o crescimento, as dificuldades vem aferir as nossas conquistas, a dificuldade nossa representa a capacidade, a chance de implementar o valor percebido na faixa operacional, a oportunidade do ajuste à evolução.

Lutas facilitam a aquisição dos valores reais, sem as quais não aprenderemos onde é o nosso verdadeiro lugar na obra de Deus. E o conflito é uma questão natural, a crise determina o futuro. Portanto, não procure fugir à luta que te afere o valor, precisamos do tumulto para crescer e temos que nos acalmar e passar bem no meio do tumulto. Nós falamos isso no tópico anterior, informar nos projeta e formar densifica a nossa responsabilidade. E o que é importante salientar: na hora da prova, ou do teste, é que vale o investimento nos valores recebidos, na hora da dificuldade é hora de aferir, não é hora de aprender.

Voce se lembra dos testes de simulação? Por exemplo, o treinamento para se evacuar um prédio em um possível incêndio. No treinamento, todo o mundo descendo as escadas tranquilamente, numa assimilação de aprendizado. Mas no caso de um incêndio real, na hora da prova real, é hora de aferir, não é hora de aprender (o momento do aprendizado foi antes). Em razão disso, temos que trabalhar na aferição da conquista obtida e não no despertar do conhecimento.

As lições preparam, os problemas propõem, as provas definem e as atitudes revelam. Nos momentos das provas, geralmente nós estamos aparentemente sozinhos (aparentemente). É claro, falamos agora a pouco que a prova é intransferível, se um pai fizesse mecanicamente o quadro de felicidades dos seus descendentes exterminaria em cada um as faculdades mais brilhantes, e observamos que quando conseguimos vencer uma etapa nós ficamos numa alegria imensa.

Sozinhos, sim. No momento das provas estamos aparentemente sozinhos. Porque o amparo da espiritualidade amiga, por mais extenso seja, não pode interferir no processo que nos cabe vivenciar, que representa a aferição indispensável na caminhada. E quando descobrimos que é aparentemente, que nunca estamos desamparados, aí tudo fica mais fácil. Mas geralmente nós sucumbimos na prova por não termos força de vontade para investir na aplicabilidade do conhecimento obtido, na luta entre o que exite e o que precisa ser mudado.

E vale ressaltar que não tem como nós crescermos distanciados dos padrões e do amparo espiritual. Aquele que não cogitou de sua iluminação com Jesus pode ser o que for, estar na posição transitória que estiver, mas estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência própria. E repetimos, na hora da prova não é hora de aprender, é hora de aferir, investir, com fé e determinação, sem deixar que a dúvida e o medo se interponham entre a nossa necessidade e o poder da misericórdia divina.
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