28 de nov de 2010

Cap 6 - O Sal e a Luz - Parte 1

O SAL


“VÓS SOIS O SAL DA TERRA; E SE O SAL FOR INSÍPIDO, COM QUE SE HÁ DE SALGAR? PARA NADA MAIS PRESTA SENÃO PARA SE LANÇAR FORA, E SER PISADO PELOS HOMENS.” MATEUS 5:13

O sal é um mineral precioso, formado por minúsculos cristais, difusamente espalhado no globo. Basicamente existem dois tipos de sal e um deles é o sal marinho, que é extraído através da evaporação da água do mar. Há formidável quantidade que dele se encontra diluída na massa enorme de água que se compõem diversos lagos e todos os mares do planeta.

Também o vemos em abundância nas camadas secas cristalizadas em algumas regiões, que é o sal da rocha, conhecido por sal-gema, retirado de minas subterrâneas resultantes de mares e lagos antigos que secaram.

Em seu estado puro, e mais popularmente conhecido, consiste de cloreto de sódio e é vulgarmente chamado de sal comum ou sal de cozinha, de mesa ou refinado, por ser largamente utilizado na alimentação humana. Em alguns casos são adicionados a ele substâncias ou temperos para o seu uso culinário, e do total de sal extraído no mundo somente cerca de 5% (cinco) é destinado ao consumo humano. O valor do sal é tão concentrado que basta uma ingestão diária de uma colher de chá, ou seja, 2.4 gramas, e alguns estudos indicam uma quantidade ainda menor.

Poucos conhecem o real valor do sal, o que acaba por tirar a importância do ensino de Jesus quando ele o compara com o seguidor do evangelho. Porque quando o senhor lançou significativa comparação (“vós sois o sal da terra”) a importância desse produto, no contexto daquela época, extrapolava muitíssimo a idéia de valores que temos hoje do sal.

Ele era um produto muito mais imprescindível à sobrevivência humana que hoje, e essencial a todos os tipos de vida animal. Assim, “vós sois o sal da terra” é singular analogia, motivo pelo qual precisamos considerar certas qualidades ou propriedades características desse mineral. E mais, entender qual a relação entre ele e os discípulos de Jesus, o que o mestre pretendia realmente dizer com essas palavras.

Durante longo tempo o sal foi considerado muito precioso para a preservação dos alimentos, chegando a ser chamado de ouro branco. Era usado pelos gregos e romanos como moeda em suas relações de compra e venda, tanto que a palavra salário deriva-se de sal, pois parte dos vencimentos das legiões romanas era paga com sal, depois incorporada ao soldo. Ainda hoje, um dos principais acessos a Roma, então capital do Império, chama-se Via Salaria, por onde caravanas transportavam a riqueza para os romanos.

Foi também considerado artigo de luxo e só os mais ricos tinham acesso a ele. Na Idade Média era transportado por estradas construídas especialmente para esse fim, e na mesma época os europeus fizeram fortunas com o sal como tempero. Para se ter uma idéia, até o século XVIII a ordem de assento de nobres em mesa de banquete era indicada pela posição de saleiro de prata maciça colocado na mesa, e os menos ilustres ficavam abaixo do sal, mais distantes do anfitrião.

Mesmo no fim do século XIX e começo do século XX, além de usado como condimento e produto medicinal passou a ser matéria-prima essencial para a indústria química e têxtil. No âmbito das religiões se inclui também o sal para purificar coisas, no xintoísmo, enquanto budistas o usam para afastar o mal.

A influência que o sal exerce em nosso organismo, para lhe manter o equilíbrio fisiológico, é muito grande, dependendo de seu indispensável concurso a manutenção de nosso bem-estar físico. Afinal de contas, nosso mecanismo fisiológico se constitui de aproximadamente 60% (sessenta) de água salgada, cuja composição é quase idêntica à do mar, constante de sais de sódio, cálcio e potássio.

Encontra-se na esfera da atividade fisiológica do homem reencarnado o sabor do sal no sangue, no suor, nas lágrimas e nas excreções. Assim, enquanto nos movimentamos na esfera de carne somos como criaturas marinhas respirando em terra firme, e corpúsculos aclimatados dos mares mais quentes viveriam à vontade no líquido orgânico. No processo de alimentação não podemos prescindir do sal. Na área medicinal ele pode ser usado para amenizar dores, estimular a circulação, aumentar a pressão arterial, combater inflamações e inchaços.

O sal se dissolve com facilidade, é solúvel em água. E conduz eletricidade, pois se dissociam nos seus íons constituintes passando estes a funcionar como eletrólitos. O sódio e o cloro no sal são eletrólitos (minerais que conduzem eletricidade em nossos fluidos e tecidos) e outros eletrólitos principais são o potássio, o cálcio e o magnésio. O sal é responsável pela troca de água das células com o seu meio externo, ajudando-as a absorver nutrientes e eliminar resíduos, é responsável no processo de contração muscular e, ainda, o homem precisa de sal para o crescimento e equilíbrio dos eletrólitos.

Os nossos rins controlam a quantidade de eletrólitos e água, regulando os fluidos que ingerimos e expelimos de nosso corpo. Se essa quantidade estiver alterada, nossos músculos, nervos e órgãos não irão funcionar corretamente porque as células não conseguem gerar contrações musculares e impulsos nervosos.

A baixa quantidade de sal (hiponatremia) é um dos distúrbios de eletrólitos mais comuns e pode causar inchaço cerebral e morte. E com muita quantidade de sal no corpo (hipernatromia) os rins não conseguem eliminar e o volume de sangue pode aumentar, porque o sódio retém água, e por sua vez pode fazer o coração bater mais forte.

No próximo tópico abordaremos os aspectos e características do sal que efetivamente nos interessam no âmbito do evangelho e nas relações da nossa própria vida.

25 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 10 (Final)

DO CRISTO E DA LEI

A espada de Jesus é capaz de promover, pela luta, a paz interna. A paz que não é indolência do corpo, mas saúde e alegria do espírito, com o descendente contra o ascendente. E a morte decorre dessa luta, da aplicação da espada em uma postura pessoal de testemunho.

Se toda criatura a busca ao seu modo, é imperioso reconhecer, no entanto, que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos.

E o problema fundamental de nossa paz é justamente o de saber se vivemos nele tanto quanto ele vive em nós. Porque não existe tranquilidade real sem Cristo em nós. Não adianta, isso é fato, sem adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do mestre divino, ao invés de paz teremos sempre renovada guerra dentro do coração.

E sempre avocamos essa espada do amor de forma consciente, mediante um processo de dentro para fora. É processo educativo nosso, intransferível, pois quando o quarto permanece sombrio somos nós que desatamos o ferrolho à janela para que o sol nos visite. Assim, dediquemos algum esforço à graça da lição e a lição nos responderá com as suas graças.

Moral da história: vamos crescer sempre utilizando essa espada, de forma consciente, em uma ação de dentro para fora.

Agora, quando não agimos no sentido de usar a espada na luta interior, não aceitando vivificar o espírito pela luta interna com essa espada seletiva, mecanismos externos atuam sobre nós, a espada da lei age de fora para dentro. Entendeu? Ao invés de usarmos a espada e desarmarmos o coração, a espada da lei, aqui representada pelos acontecimentos menos felizes, pelas circunstâncias da dificuldade, passa a agir de fora para dentro exercendo uma pressão na linha da individualidade. É onde passa a agir a lei, ou seja, acontecimentos externos (sob a forma de dores) visam agir sobre aquele que não edificou a si próprio.

É o que presenciamos na vida de muitas criaturas que conhecemos. A realidade, muitas vezes, esfacela a ilusão e a dor chega sem anúncio prévio, o aspecto exterior chega e corta o barato da criatura, o exército da realidade maior nos convida ao redirecionamento, colocando os valores em ordem para a reparação, o recomeço, a submissão e a aprendizagem. Por isso, muitas vezes há uma proposta de fora para dentro (situações de dificuldades) a fim de que nós possamos ativar, de dentro para fora, uma nova posição diante da vida (muitas pessoas utilizam um ditado popular: se não vai pelo amor, vai pela dor.)

Basta observarmos à nossa volta, e percebemos que existem inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo um grande chamamento. Aquele que não se despertou ainda está caminhando para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã. Toda a disciplina imposta, de fora para dentro, é um caminho, até o momento em que a criatura encontra a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora sob o parâmetro do amor.

Então, a resposta da lei (da vida) tem o caráter da espada, e muitos irmãos precisam ser naturalmente trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. São mecanismos ou circunstâncias do mundo cerceando caracteres extrínsecos do ser, com um poder de penetração nos escaninhos da alma. Nesse sentido, a dor faz um papel extraordinário chamando a gente ao roteiro.

Por isso, precisamos ter calma nos momentos das dificuldades. Porque muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores encontram-se sob a tutela da lei, sob a necessidade de se despertarem para determinados ângulos (o capítulo Causa e Efeito abordará com abrangência). E a espada da lei busca direcionar o ser para a empunhadura e a utilização da espada de Jesus, de modo a crescer de forma consciente.

Porque a proposta da lei não objetiva apenas respaldar o destino, mas nos guindar ao amor, nos direcionar ao amor. E o que tem dentro da letra (essência) não é para matar, mas para fazer ressurgir uma nova personalidade. Logo, cada um está recebendo não com o fim de destruição, pois não existe uma proposta destruidora de lá para cá (dos planos superiores para o nosso) nos âmbitos da misericórdia. A parte periférica da letra mata o nosso conceito anterior, mas essa espada não é para matar, ela visa a edificação do espírito atrás dessa morte que avocamos. Razão pela qual tudo se torna enriquecedor quanto se consegue encontrar a mensagem por trás dos acontecimentos que nos visitam.

E para finalizarmos o tópico, e o capítulo, uma questão importante: A espada é a palavra, e a espada, como um componente que avocamos, é também um instrumento que nos machuca no campo cármico das responsabilidades evolutivas, se nós a utilizamos de modo constrangedor para com o semelhante.

23 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 9

DOIS FIOS


“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

Os dois fios da espada inicialmente dizem respeito às nossas vibrações, conforme a natureza íntima que aciona e movimenta essa espada, pois da boca saem palavras que podem bendizer ou maldizer.

Também sugerem o aspecto bipolar no contraste entre pólos de natureza contrária, como o positivo e o negativo, a luz e a treva, o amor e o ódio, assim por diante. Caracterizam também, esses dois fios, os padrões de razão e sentimento, e ainda definem planos de abrangências, de elasticidade, o território ampliado a envolver qualquer ponto entre dois extremos. E como todo o mecanismo de crescimento consciente do ser inicia-se por uma possibilidade de escolha, precisamos crescer em uma marcha gradativa mediante a utilização dessa espada de dois gumes.

É espada de dois gumes.

Para levarmos a efeito a edificação sublime necessitamos começar pela disciplina de nós mesmos. Porque todos os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão na Terra para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de modo a servirem ao mundo sempre mais e melhor.

É na Terra do coração que se trava a verdadeira guerra de melhoria de sentimentos, e em meio às ações e reações nossas no dia a dia nos é dado medir a paz já arregimentada, e não triunfaremos no mundo somente pelo que fizermos, mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito de nossas falsas grandezas. Logo, meus amigos, a espada é um instrumento de progresso que corta as nossas más inclinações em um processo de intensa batalha íntima pela continência dos nossos impulsos.

Então, um lado da espada define aquele ângulo em que a cada dia corta-se uma parcela da complicação, como que cortando aquelas arestas representativas das nossas dificuldades, dos nossos reflexos inferiores. O processo de refreamento é um dos gumes da espada, cerceando, bloqueando a linha que emerge do subconsciente, que objetiva nos levar a situações tristes, às quedas e até a segunda morte (falaremos da segunda morte quando trabalharmos o capítulo O Sofrimento).

Outro gume da espada é o sentido operacional, praticamente abrindo caminhos de uma nova proposta de realização, a cada dia se abre terreno para novos padrões visando nosso crescimento consciente. Esse mecanismo da evolução em favor da nossa felicidade, e que caracteriza a luta com essa espada, é um processo em que vamos tentando, pelo conhecimento, realizar dois grandes pontos, ela se faz sob dois aspectos: desativar as influências mais intensivas dos reflexos que já sentimos são suscetíveis de serem superados e, ao mesmo tempo, arregimentar novos componentes na formação de uma nova personalidade.

Porque sabemos que não existe a possibiliade de desativar esses reflexos por sistemas mecânicos ou simples elaborações mentais de periferia. Em razão disso, precisamos trabalhar no plano de abrir potenciais (orar) e reduzir a intensidade daqueles ângulos ou caracteres que podem nos levar a sofrimentos e desequilíbrios vários (vigiar). Logo, é essa espada de dois fios que elimina o que há de ruim nas nossas experiências e nos faz selecionar pensamentos, palavras e ações que garantam a vitória sobre nós mesmos na caminhada ascensional.

Resumindo: um lado da espada corta, ao nível do refreamento, do não fazer, determinados padrões negativos do meu comportamento que me desagradam e me infelicitam, e o outro lado implementa, pela assimilação do conhecimento e aspecto aplicativo, componentes positivos, salutares, pelo fazer.

21 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 8

A MORTE


Quando a orientação espiritual elevada penetra a intimidade do indivíduo instaura-se de imediato uma luta íntima. Os novos conceitos se chocam com as concepções caducas ali existentes, filhas de uma mentalidade que não produz paz e tampouco ameniza a cota de sofrimento da criatura.

Surge, então, o choque entre aquilo que se tem e o que se quer ter, aquilo que se faz e aquilo que se tem que fazer.

A informação detona a luta, instaura a luta, e a aplicabilidade dessa instrução, no campo prático da vida, ao nível de formação de caracteres novos, garante a paz. Em outras palavras, a instrução gera luta e a formação educacional produz a paz, porque a paz é decorrente da luta, sem luta não há paz. E isso vai matar a antiga criatura e vivificar a nova expressão. Por isso, é preciso assimilar para se implementar um sistema novo de vida.

Paulo nos diz que a paz é decorrente do “bom combate”. Sim, pois nas lides da evolução há combate e bom combate. No combate visamos aos inimigos externos, brandimos armas, inventamos ardis, usamos astúcias, criamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota de nossos adversários entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos. Enquanto o combate chumba-nos o coração à crosta da Terra em aflitivos processos de reajuste, na lei de causa e efeito, o bom combate nos liberta o espírito para a ascensão aos planos superiores.

A espada é arma comprida e pontiaguda. Por ser arma é utilizada em combate e pode, finalisticamente, produzir a morte. E essa morte (gera a elaboração do filho do homem) é o que objetivamos. Porque a morte é o instrumento da ressurreição.

A morte é onde reside um dos aspectos da chamada ressurreição. Sem morte não há ressurreição, não há uma nova vida. Não existe mudança sem morte. Paulo também nos diz que “o que tu semeias não é vivificado se primeiro não morrer.” Não há estruturação de nova vida sem a eliminação de uma vida anterior. Sem morte não há herança, é preciso que morra o elemento para que a herança se faça presente.

Logo, essa morte é que vai criar a ressurreição de uma postura nova e melhor para o indivíduo. É este que vai se levantar, como filho (filho do homem), em uma nova posição mental, e a cada morte corresponde uma ressurreição. Assim, a morte é a grande oportunidade de cada criatura para que ela reviva em uma dimensão diferente. Veja bem, a letra fala para o homem velho e a expressão vivificante fala para o homem que quer nascer. E a cada momento nós estamos gerando uma morte que, atrás dela, vibra uma vida abundante e melhor.

Calma, não se assuste. (rs) Não estamos falando de morte física não. Digo isso porque no concerto das lições divinas que recebe o cristão a rigor apenas conhece de fato um gênero de morte. Mas o que referimos não é morte fisicamente falando, mas pelo conteúdo que nos visita e promove a morte. Esse morrer não é no sentido de eliminar, é um matar não pela eliminação e violência, e sim por um processo de desativação.

É morte no sentido de desativação, não é morte no sentido de fazer o coração parar de bater, no sentido de desativar o direito de respirar, mas pela desativação de reflexo que era expressão viva dentro de nós. Essa morte é uma desativação para dar lugar a novas expressões que entram e nos situam em um plano de revivescência, ou de vida.

E como essa desativação pode se fazer fica a critério nosso, ela pode ser analisada sob dois parâmetros: pela justiça (doída) ou pela implementação do evangelho (suave). O cliente escolhe.

Dentro do plano de justiça ela é doída e pode levar a um processo místico e fanatizante. É tentar erradicar o negativo pelo simples bloqueamento, pelo refreamento, mero cerceamento, apenas pelo não fazer.

Pelo evangelho de Jesus essa desativação é decorrente da ativação de outros novos componentes (ao invés de arrancar o joio, se concentra na sementeira do trigo). Afinal de contas, o que sedimenta a morte é o nascimento em um novo ângulo. O processo é recolher a informação e operar a informação, que é o que mata a antiga postura da criatura e a revivifica em outra posição, fazendo a vida deixar de ter sentido de encarnação e desencarnação para ter um sentido de estado íntimo.

A espada, no seu sentido literal, mata, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novos caracteres. Ela mata, tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior. Mas importante compreender que nem sempre essa morte é imediata, na hora.

19 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 7

LETRA E ESPÍRITO


“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

A passagem de Paulo encerra uma beleza e profundidade impressionantes: “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (Coríntios II 3:6). “Novo testamento”, porque o crescimento nosso agora deve se fazer sob novo aspecto, não mais pelo mecanismo do sofrimento, pelo impacto dos acontecimentos externos que o mundo transmite, não mais pelo instrumento da dificuldade, pelo componente da dor, mas pela adesão íntima a uma proposta nova que dimana de cima, elaborada por dentro nos planos formativos do ser.

Então, vamos começar a entender.

LETRA – Todos nós sabemos que não se pode encaminhar uma essencialidade, seja ela qual for, sem um instrumento de natureza extrínseca, sem um invólucro. A letra é a expressão periférica, é a embalagem, o valor, o instrumento material, é o veículo, o componente exterior. A letra não é a essência.

Ela aponta a essência, tem um papel de direcionador da mensagem, ela canaliza e direciona uma essência contida em seu interior, porque não se pode obter a essência sem uma letra que a canaliza. Afinal, a essência não pode ficar esparsa, ela necessita de um componente que a transporta, que a direciona, e esse componente material é a letra. A letra, pois, é responsável pela canalização, veiculação, direcionamento da essência que se encontra embutida em seu interior, a letra é o instrumento comunicador, define o componente que nós temos que usar para decodificar a mensagem que nos chega.

ESPÍRITO – Este, sim, é a essência, é o componente vivificante, que dá vida. A letra não realiza o trabalho efetivo, ela nos conduz de forma aprofundada como a enxada que abre o solo a um tesouro que é de nossa iniciativa pessoal alcançar. A igreja, por exemplo, funciona como letra, os seus componentes materiais são a letra, ao passo que os valores nela veiculados representam a essência.

Em uma palestra o material veiculado é a letra, instrumento com o qual cada ouvinte vai tentar levar uma essência doutrinária daquele valor. Aquele que está preso ao plano religioso tradicional está debaixo da letra, do componente periférico, não conseguiu alcançar a essencialidade da mensagem.

A letra aponta uma mensagem e tem o poder de penetração. E se nos atinge, nos alcança, é porque estamos em um campo de reação. Assim, a palavra que é irradiada é assimilada pelo nosso grau de percepção e cada um vai assimilando e enxergando aquele ângulo que é compatível com as suas próprias necessidades e conquistas. Por isso, essa palavra penetra o corpo da criatura, não o corpo físico, mas o corpo de concepções, de idéias, o corpo de valores.

E ao encontrar um plano de percepção nossa, ou dentro da gente, de imediato essa letra cria um estado de luta íntima. Luta essa decorrente da necessidade intrínseca de se conquistar a paz, porque sabemos que não existe paz sem luta, atrás de toda a proposta de luta existe o anseio de se estabelecer a paz. Em razão disso, a lição de Jesus Cristo ainda, e sempre, é conhecida como a espada renovadora, o componente de luta íntima e geratriz da paz, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do coração.

E quando conseguimos nos ajustar, essa espada faz um papel cortante ao nível do sofrimento, do desajuste, do desconforto. Logo, essa espada penetra a individualidade, o campo íntimo da criatura, e altera, substancialmente, toda uma estrutura formada do ser.

Percebeu quando falamos que a letra é o componente exterior, que ela mata?  (essa morte será nosso próximo tópico) O sofrimento, por exemplo, é a letra. Qual a sua função? Iremos abordá-lo em capítulo futuro, mas o sofrimento vem e machuca, constrange, leva a individualidade às lágrimas, de certa forma vem e mata.

O sofrimento, muitas vezes, mata o conceito da criatura, os valores antigos da criatura. Mas em sua essencialidade ele não vem para matar, mas para dar vida nova, vida sob um novo parâmetro, nova ótica. Vem para colocá-la em um novo padrão. Temos que entender que essa espada penetra, sob a forma da letra, e altera toda a estrutura formada do ser, esse valor vem trabalhar a nossa intimidade projetanto uma nova forma de viver.

Alguma dificuldade o está afligindo? É preciso saber decodificar os acontecimentos, a vida nos ensina por códigos, por símbolos. E as situações menos felizes nos trazem uma essência dentro, no sentido de colocar a nossa vida futura em plano de maior revivescência. A letra (instumento extrínseco) vem para matar, e o espírito (a essência que ele transporta) vivifica, pois iremos ver em breve que não existe ressurreição, ressurgimento, sem uma morte.

16 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 6

CONCEITO DE ESPADA


“16E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

“17TOMAI TAMBÉM O CAPACETE DA SALVAÇÃO, E A ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE DEUS.” EFÉSIOS 6:17

“12PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA O SEU PAI, E A FILHA CONTRA A SUA MÃE, E A NORA CONTRA A SUA SOGRA;” MATEUS 10:34-35

A espada é uma arma branca (arma é instrumento ou engenho de ataque ou defesa) constituída de lâmina comprida e pontiaguda, contendo um ou dois gumes (gume é o lado afiado de instrumento cortante). Logo, sendo arma branca a espada é utilizada em combate de curta distância. Aprensentando lâmina comprida e pontiaguda ela apresenta uma capacidade de penetração, podendo, finalisticamente, produzir a morte. Então, guarde bem isto: espada é arma, por ser arma é para ser utilizada em combate. Tem capacidade de penetração e pode produzir a morte. O que nós acabamos de dar é o conceito literal.

No sentido espiritual a espada aludida pelo Cristo é simbolismo, e a gente tem que compreender o símbolo e dele tirar a ressonância para a nossa caminhada de vida. Voce leu com atenção os versículos referenciados no início deste tópico? Pois eles representam o ponto de partida para o nosso estudo. Nos primeiros movimentos do Apocalipse João descreve o mensageiro celestial que a ele se apresenta, e em determinado momento diz que “da sua boca saía uma aguda espada de dois fios.” (Apocalipse 1:16).

Note bem: o apocalipse menciona que da boca do representante divino saía uma aguda espada de dois fios. Espera aí, sai o que da boca? Espada?... Notou a representatividade simbólica? Da boca a gente sabe que não sai espada, nós sabemos que o que sai da boca é PALAVRA.

O apóstolo Paulo nos diz, na carta aos Efésios, que a espada do espírito é a palavra de Deus (“Tomai também o capacete da salvação, e a espada do espírito, que é a palavra de Deus.” Efésios 6:17). Então, se a espada do espírito, segundo Paulo, é a palavra de Deus, efetivamente espada é a PALAVRA.

Resultado: a espada que nós avocamos, de forma consciente, é a palavra divina que chega até nós, integrante da nossa caminhada, pois sem a palavra é quase impossível a distribuição do conhecimento. É símbolo do conhecimento interior pela revelação divina, para que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento em si mesmo. A espada de Jesus está consubstanciada no acervo de seus ensinos, é o conhecimento que nos visita, a capacidade seletiva, instrumento apto a promover, se bem dirigido, a fortaleza interior, é o componente para enfrentarmos os inimigos de nossa paz.

Isso mesmo. Não exageramos, é instrumento de enfrentamento. Porque a paz não é apanágio de coletividade, é conquista individual. Tem o preço coberto pela luta, pela reeducação. Em contraposição a falso princípio no mundo, Jesus não veio trazer paz, trouxe os meios para cada um obtê-la no íntimo, trouxe consigo a luta que regenera.

Jesus não veio trazer a tranquilidade imediata para nós. Pois ela é efeito. Não é outorgada de fora para dentro, mas representa uma conquista de cada um. Por isso, se objetivamos a redenção espiritual somos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno, por meio de uma conquista lenta e gradativa no tempo e no espaço. A paz não é conquista da inércia, mas fruto do equilíbrio entre a fé no poder divino e a confiança em nós mesmos. É serviço pela vitória do bem, com humildade, disciplina, trabalho e perseverança.

Jesus veio trazer o componente que deflagra a guerra. Afinal, não existe mudança sem luta, só existe paz em cima da guerra, que se principia em uma luta íntima. Ele veio instalar o combate da redenção sobre a terra em uma batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano, e ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. Portanto, o nosso desafio é a luta íntima, a harmonia não é realização que se improvise, não existe paz recebida de graça.


Lembremos sempre disso. E o evangelho vem e cria uma luta dentro da gente (entre o que sabemos e o que aprendemos, entre o que somos e o que desejamos nos tornar, entre o que fazemos e o que precisamos fazer), essa expressão “nação contra nação” é luta interior. Entre o sincero discípulo da boa nova e os erros milenários do mundo começa a se travar o combate sem sangue da redenção espiritual. E a paz vai surgir em decorrência dessa luta, da guerra que travamos, não das baionetas e dos canhões. Não esperemos receber a paz de graça, a paz é por nossa conta, e essa paz alcançada pela luta tem a expressão irradiadora do amor.

E vamos observar que as dissensões se dão pelo descendente contra o ascendente, ou seja, o homem contra o seu pai (no sentido espiritual), porque quem vai envergar essa espada é o filho (que nasce) contra o homem velho; a filha contra a sua mãe, nos terrenos do sentimento; e a nora contra a sua sogra, em uma descendência contra a ascendência no campo das relações. Ficaram dúvidas? Calma, as sanearemos nos próximos tópicos e nos capítulos futuros.

13 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 5

INDAGAÇÕES


“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA O SEU PAI, E A FILHA CONTRA A SUA MÃE, E A NORA CONTRA A SUA SOGRA;” MATEUS 10:34-35

É grande o número de seres humanos que meditam sobre onde encontrar os supremos interesses da vida. Questionam sobre o alcance da ambicionada paz espiritual que não conquistaram, às vezes, em décadas de experiência, e porque trazem nos corações os mesmos sonhos e necessidades de anos atrás. Muitos são criaturas de culminância nos círculos sociais, detentores de títulos de prestígio, todavia, permanecem como se desertos lhes povoassem as almas, sentem sede de fraternidade com os homens e uma fome intraduzível de Deus.

Mais ainda, chegam a se sentir dilacerados, cansados, oprimidos, exaustos. Esclarecem a muitos no que tange a normas elevadas de conduta pessoal, dão conselhos esclarecedores, sem saberem elucidar a si próprios. Após os primeiros sintomas da velhice do corpo reagem magoados contra a extinção das energias orgânicas. Dúvidas lhes vêem às mentes a respeito da morte, se se trata apenas de noite sem alvorada, e quais os seus mistérios, os seus enigmas.

Sabemos que habitamos terreno de conflitos.

E a nossa grande busca é a paz. De século a século a busca se intensifica. A esperança de atingir a paz divina com uma felicidade inalterável vibra nas pessoas, as aspirações da alma são sempre as mesmas em toda parte. Muitos acreditam que possa vir nas circunstâncias exteriores. Dessa forma, correm apresssadamente atrás das conquistas tangíveis. E muitas vezes essa paz não é encontrada em sua forma legítima.

E a pergunta contina a vibrar sobre onde buscar esse espírito de alma. Com mentalidade acomodatícia, o homem costuma sonhar com a felicidade conquistada sem esforço. Pessoas falam de uma paz que é ociosidade de espírito e de resignação que é vício do sentimento. Pensamos muito em nós mesmos e dificilmente abrimos mão de nossos pontos de vista. Ao longo dos dias vivemos continuadamente em busca do prazer e das satisfações mais generalizadas.

Poucos, nos momentos de dificuldades, pedem força para enfrentarem as provações. Muitos querem a cura sem a disposição para o amargor do remédio, se esquecem que na vida tudo tem um preço, que buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando à morte.

Incontáveis leitores do evangelho perturbam-se ante as afirmativas do mestre de que não veio trazer paz (“Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada,...”). À primeira vista, todos aguardavam a vinda de Jesus trazendo paz, pelo anseio desse sentimento íntimo no coração. O texto chama atenção pela aparente contradição. Sim. Não entendem como Jesus, o governador espiritual do orbe, príncipe da paz, pode oferecer uma proposta de paz fundamentada na violência (todos querem a paz, ele traz espada).

Isso, porque o conceito de paz entre os homens desde muitos séculos foi notadamente viciado. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados. Homens falam de uma paz que é ociosidade do espírito e Jesus não poderia endossar uma tranquilidade dessa natureza.

A sua paz o mundo não dá. Ele define que não veio trazer a paz da forma como imaginamos, não veio trazê-la ao mundo sob esse caráter, não veio trazer paz ao mundo exterior, não veio oferecer uma proposta de paz inerte, de ordem parasitária ou beatífica. É indispensável não confundirmos a paz do mundo com a do Cristo, pois a calma do plano inferior pode não passar de mero estacionamento (no próximo tópico entraremos a fundo na questão da espada).

11 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 4

APLICAÇÃO


“4DE SORTE QUE FOMOS SEPULTADOS COM ELE PELO BATISMO NA MORTE; PARA QUE, COMO CRISTO FOI RESSUSCITADO DENTRE OS MORTOS, PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM ANDEMOS NÓS TAMBÉM EM NOVIDADE DE VIDA.” ROMANOS 6:4

“11NÃO DIGO ISTO COMO POR NECESSIDADE, PORQUE JÁ APRENDI A CONTENTAR-ME COM O QUE TENHO. 12SEI ESTAR ABATIDO, E SEI TAMBÉM TER ABUNDÂNCIA; EM TODA A MANEIRA, E EM TODAS AS COISAS ESTOU INSTRUÍDO, TANTO A TER FARTURA, COMO A TER FOME; TANTO A TER ABUNDÂNCIA, COMO A PADECER NECESSIDADE.” FILIPENSES 4:11-12

“12PORQUE A NOSSA GLÓRIA É ESTA: O TESTEMUNHO DA NOSSA CONSCIÊNCIA, DE QUE COM SIMPLICIDADE E SINCERIDADE DE DEUS, NÃO COM SABEDORIA CARNAL, MAS NA GRAÇA DE DEUS, TEMOS VIVIDO NO MUNDO, E DE MODO PARTICULAR CONVOSCO.” II CORÍNTIOS 1:12

“12ALEGRAI-VOS NA ESPERANÇA, SEDE PACIENTES NA TRIBULAÇÃO, PERSEVERAI NA ORAÇÃO; 13COMUNICAI COM OS SANTOS NAS SUAS NECESSIDADES, SEGUI A HOSPITALIDADE; 14ABENÇOAI AOS QUE VOS PERSEGUEM, ABENÇOAI, E NÃO AMALDIÇOEIS. 15ALEGRAI-VOS COM OS QUE SE ALEGRAM; E CHORAI COM OS QUE CHORAM;” ROMANOS 12:12-15

Uma palavra de ordem para a felicidade é renovação. E renovação não é apenas alterar o caminho. Porque nos encontramos sob as consequências de ajustes e decisões abraçadas por nós mesmos, com vistas à melhoria espiritual. Bem mais do que isso, renovação é a transformação permanente por dentro, é a metamorfose que encerra consigo bastante poder para transfigurar a dificuldade em lição, a sombra em luz.

É aceitar as ocorrências diversas, os golpes da estrada, os desafios da prova e as crises da existência, quais as mudanças a que penúria, abandono, enfermidade ou desencarnação nos constranjam, procurando servir mais e melhor no plano de evolução e trabalho. Sem contar que renovar é também ampliar os nossos limites da gratidão.

Usamos a expressão certa, gratidão, aquele que aprende a contentar-se com o que tem (não quer dizer que ele não tenha o direito de possuir alguma coisa que não tem). Nessa busca de ter alguma coisa que não tem muitas criaturas conseguiram ter, e não se viram possuídas por esses bens. Por outro lado, muitos desencarnam infelizes por não terem conseguido aquilo que queriam ter, desencarnam apegados àquilo que não tinham, levando consigo marcas bastantes profundas ao nível da inconformação, do desespero, da revolta e da tristeza.

Singelamente, estamos falando de felicidade. A alegria, para muitos, significa o interesse imediatista satisfeito, e a paz a sensação de bem-estar do corpo, sem dor alguma. A paz do mundo quase sempre é assim, aquela que culmina com o descanso dos cadáveres, a se dissociarem na inércia. Mas transferindo-nos da inércia para o trabalho pela nossa redenção vemos como a vida é bem diferente.

Paz do Cristo é o serviço do bem eterno em permanente ascensão, a paz do espírito é o serviço renovador, é o proveito constante. A despeito de todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue para adiante, atendendo aos deveres que a vida te preceitua conforme o testemunho da consciência, na convicção de que felicidade verdadeira significa paz em nós.

Refugia-te na cidadela interior do dever retamente cumprido e entrega à sabedoria a ansiedade que te procura. E se alguma circunstância te contraria, asserena tua alma e espera que acontecimentos te favoreçam. Porque quando a gente faz as coisas com carinho, com dedicação, com amor, a vida não nos pesa.

Nós temos buscado continuadamente por um componente chamado felicidade, confiança, harmonia, equilíbrio e segurança. Se antes acreditávamos encontrá-los mediante a apropriação de componentes tangíveis, objetivos, lógicos, hoje sabemos que esse estado de paz e de harmonia reside principalmente na estabilidade interior do ser. Estabilidade essa não obtida simplesmente pelo conhecimento intelectivo, mas pela capacidade também de operar, de realizar, de fazer.

Então, vamos falar mais uma vez, não adianta reclamar do mundo.

O que é preciso é trabalhar nosso mundo íntimo. Vida, no plano do evangelho, é a ação nossa, é a atividade, o nosso dinamismo no dia a dia. E hoje não há como adquirir essa estabilidade no cumprimento da lei apenas (no fazer só o que sou exigido).

Começamos a entender a felicidade, dentro da nossa condição, quando situados e embasados em uma proposta nova. Trocando a reclamação pela operacionalização, operando na faixa em que nos é competente. A felicidade só pode ser alcançada pela assimilação da verdade, e sabemos que a verdade está com o Cristo. Por isso investimos no evangelho. A felicidade advém com a ingestão de valores novos e a concomitante, simultânea, ampliação de novos campos de ação. Ou seja, nós apropriamos a verdade e procuramos nos aperfeiçoar, e a felicidade vem como resultado natural desse aperfeiçoamento nosso.

Não precisamos de tantas dores mais. A nossa vida pode adquirir condições mais abertas, sem nuvens, quando obtemos a capacidade do exercício mais autêntico, aplicativo, daquilo que sabemos. Afinal, os problemas emergem ao nível do sofrimento quando se entra em luta entre o que se sabe e aquilo que se faz. Em razão disso, quanto mais eu tenho a capacidade aplicativa daquilo que eu sei, no plano prático, quanto mais harmônico o fazer com o saber, mais harmonia eu tenho, mais equilíbrio e segurança. Quanto mais a nossa vida reflete o que sabemos, menos problemas, menos impactos, menos tristeza, menos agressões.

E para fechar esta primeira metade do capítulo, vamos dizer algo interessante que nos ajudará a medir o grau da nossa felicidade. Veja bem: ajudar alguém com o pão que nos sobra ou com a alegria de que dispomos é ato que podemos realizar sem dificuldade. Claro. Porque é bem mais fácil chorar com os que choram. Agora, será que no fundo do coração conseguimos nos alegrar com os que se alegram? Avalie isso em si mesmo(a). Porque para regozijar-nos com o regozijo dos outros, sem qualquer ponta de inveja ou despeito, é preciso trazermos suficiente amor puro no coração. A conclusão é que quando aprendermos a sorrir com a alegria do outro é sinal que encontramos em nós próprios a feição da alegria genuína.

8 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 3

MESMO NA DOR


“NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1

“DEIXO-VOS A PAZ, A MINHA PAZ VOS DOU; NÃO VO-LA DOU COMO O MUNDO A DÁ. NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO, NEM SE ATEMORIZE.” JOÃO 14:27

“CHEGADA, POIS, A TARDE DAQUELE DIA, O PRIMEIRO DA SEMANA, E CERRADAS AS PORTAS ONDE OS DISCÍPULOS, COM MEDO DOS JUDEUS, SE TINHAM AJUNTADO, CHEGOU JESUS, E PÔS-SE NO MEIO, E DISSE-LHES: PAZ SEJA CONVOSCO.” JOÃO 20:19

As almas imaculadas ainda não povoam a Terra, e cada berço simboliza o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência. Por isso, minha amiga, meu amigo, não passaremos no mundo sem tempestades e nevoeiros, sem o fel de provas ásperas ou distantes do assédio das tentações.

Não falamos isso para o desânimo ou entristecimento, mas buscando o bem jornadearemos entre pedras e abismos, pantanais e espinheiros, e criatura alguma na trajetória terrestre poderá marchar constantemente sob um céu sem nuvens. Bastar lembrarmos que o mestre a ninguém prometeu avenidas de sonho e horizontes azuis no planeta, mas sabedor de que a tempestade das contradições humanas não pouparia nem a ele próprio, recomendou-nos sensatamente: “não se turbe o coração.” Porque o coração puro e destemido é garantia de consciência limpa e reta, e quem dispõe de consciência assim vence toda a perturbação e treva, por trazer em si mesmo a luz irradiante para a iluminação do caminho.

É por isso que, por mais rude seja a nossa tarefa no mundo, não nos atemorizemos e façamos dela o nosso caminho de progresso e renovação. Não carreguemos no pensamento o peso morto da aflição inútil. Por mais sombria a estrada a que sejamos conduzidos, enriqueçamo-nos com a luz do esforço no bem, afinal, nada existe no mundo que não possa transformar-se em respeitável motivo de trabalho e alegria, e ninguém está deserdado de oportunidades em favor de sua melhoria. Portanto, se rujem tempestades em torno de teu caminho, tranquiliza o coração e segue em paz na direção do bem maior.

Observe que na hora da manjedoura, no nascimento, as vozes celestiais, após o louvor aos céus, expressaram votos de paz à Terra. E Jesus, depois da ressurreição, voltando gloriosamente ao convívio das criaturas, antes de qualquer coisa, antes de qualquer plano de trabalho, disse aos discípulos espantados: “a paz seja convosco.” Isso é muito lindo. Define que, sejam quais forem as nossas dificuldades não nos esqueçamos de que a paz é a segurança da vida.

E ocorre que sofremos muito mais pelo que a nossa mente sugere do que pelo que o fato representa. Sofremos, muitas vezes, nem tanto pelos fatos, mas pelas nossas opiniões acerca deles. Razão pela qual precisamos analisar a forma como estamos encarando os acontecimentos, não podemos mais deixar que as nossas emoções estejam na ponta deles. Sempre podemos minorar, amenizar a intensidade dos efeitos. Ante o tremor, que quer enegrecer o sol da nova vida, que quer empalidecer os nossos valores, é preciso buscar a luz e a harmonia íntimas, para que, em meio aos problemas, não venhamos a perder a alegria futura.

E sabe por quê? Porque todo aquele que deixar ofuscar a luz de amar em função dos seus problemas vai se defrontar com problemas ainda muito maiores. Calma e esperança. Todo o caos é resolvido pela misericórdia divina, e se nos deixarmos envolver pelo caos só Deus para nos aliviar. E quando começamos a sorrir debaixo das situações menos felizes, mediante o entendimento da grandeza da vida, começamos a alcançar a felicidade com efetividade. Isso é muito mais profundo do que parece, quem não sorri nos momentos de dificuldade dificilmente usufruirá o direito de sorrir com legimitidade.

É inegável que em nosso aprendizado terrestre atravessamos dias de inverno ríspido, em que será indispensável recorrermos a provisões armazenadas no íntimo, nas colheitas dos dias de equilíbrio e abundância, e que todos apresentamos. Então, usemos isso. Podemos estar passando por um deserto, mas não vamos deixar o nosso deserto ficar sem um oásis. Porque às vezes nos fechamos tanto em nós mesmos ante as nossas dificuldades, que passamos pelo oásis de olhos fechados, preocupados com a etapa a seguir, e não nos dessedentamos.

Quando surgir um dia assim em nossos horizontes, compelindo-nos à inquietação e amargura, não será proibido chorarmos, mas não nos esqueçamos a divina companhia de Jesus. Levantemos a cabeça. Problemas não surgem para nos desanimar, mas para nos mostrar a grandeza da vida. Vencemos uma etapa e outras surgem, e se tirarmos todos os espinhos que nos envolvem, sumimos dos valores espirituais por causa das nossas fragilidades.

Talvez se tirar todos os espinhos da sua vida provavelmente você nem volte a acessar e ler o blog. E talvez nem eu escreva muitas coisas mais para o blog. (rs) Brincadeiras à parte, longe de expectativas negativas, aprendamos a nos abastecer nos momentos felizes, tendo a compreensão de que o mundo é um laboratório.

E achamos que tudo o que é obstáculo em nossa vida tem que ser retirado. Tudo. Até que alcançamos uma visão mais abrangente acerca da própria vida. É assim que tem sido para nós, porque para criarmos situações, forjarmos circunstâncias, somos extremamente hábeis. Mas para extrairmos coisas positivas das circunstâncias que nos visitam (efeitos) falhamos que é uma beleza.

Pense nisso. O sofrimento não se dá pelo excesso de peso que carregamos, e sim pela incapacidade nossa de administrar as dificuldades. O processo não é tanto resolver a dificuldade da pessoa, tirá-la da dificuldade, porque já comentamos no capítulo anterior que a dificuldade é instrumento para crescer. A questão é obtermos forças e condições para a administração das situações. Observou?

O importante é administrarmos o sistema de vida. Saber administrar a vida e saber se contentar com aqueles aspectos que, às vezes, não são tão favoráveis, tão expressivos como gostaríamos que fosse. Essa é a chave, a felicidade se dá pela capacidade nossa de adequar e administrar os recursos que temos. Jesus disse “eu venci o mundo”, e para nós representa não se deixar envolver pelo que o mundo aponta, é administrar os recursos em volta, não sucumbir às influências do mundo, é pisar com tranqüilidade e serenidade.

6 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 2

FELIZ SEMPRE


“16REGOZIJAI-VOS SEMPRE. 17ORAI SEM CESSAR. 18EM TUDO DAI GRAÇAS, PORQUE ESTA É A VONTADE DE DEUS EM CRISTO JESUS PARA CONVOSCO.” I TESSALONISSENCES 5:16-18

“6NÃO ESTEJAIS INQUIETOS POR COISA ALGUMA; ANTES AS VOSSAS PETIÇÕES SEJAM EM TUDO CONHECIDAS DIANTE DE DEUS PELA ORAÇÃO E SÚPLICA, COM AÇÃO DE GRAÇAS.” FILIPENSES 4:6

É fato que o mundo passa por uma transição. E a evolução tem jogado no campo do reconforto muita coisa para nós, muitas novidades, mas que, com sinceridade, não temos tido muita condição de usufruir. Não há um usufruto tranquilo disso, quem está usufruindo é quem está desligado, e nem sempre representa um usufruto adequado.

Isso vem definir que ainda nos situamos nos métodos de felicidade relativa. Mas precisamos ter um ponto que define o roteiro da nossa vida. Observe que a multidão luta para vencer no mundo e Jesus disse “eu venci o mundo”. Apenas uma pequena parcela da massa trabalha para vencer o mundo, e realmente é preciso vencer o mundo a partir do nosso mundo.

Esta primeira parte do capítulo trata da felicidade. Em sua expressão máxima, a felicidade é intangível, ela não ocupa espaço, decorre de um estado de alma, não de uma coisa. Não pode nascer de posses efêmeras que se transferem de mão em mão e nem se encontra em cofres que a ferrugem consome. Sério. Um bem material pode me fazer feliz, mas a felicidade não está contida nele.

Sem falar que não existe nenhuma proposta realizadora de felicidade sem uma postura de interioridade do ser, é impossível ser feliz sem elaboração profunda na intimidade. Porque a verdadeira construção da felicidade só será efetiva com bases legítimas no espírito das criaturas, nenhuma felicidade ambiente será verdadeira em nós sem a implícita aprovação de nossa consciência.

Guarde bem isso. Sem o patrimônio dos nossos valores íntimos não conseguiremos vencer do ponto de vista da felicidade e da paz que todos estamos sempre atentos em proclamar como sendo nossas necessidades primárias. O princípio gerador da alegria e da tristeza é a vida que levamos a nível mental e operacional, e fatores externos vem de encontro às nossas concepções mais íntimas.

Mais céu interior na alma, pela sublimação da vida, nos proporciona mais ampla incursão da alma nos céus exteriores. A boa nova não podia trazer os cenários do riso mascarado do mundo, e as lições de Jesus foram efetuadas nas paisagens da mais perfeita alegria espiritual. E o que notamos ao nosso redor?

Notamos em quase toda parte pessoas agoniadas, sem motivo, ou exaustas, sem razão aparente. Transitam, cabisbaixas, nos consultórios médicos, recorrem a casas religiosas suplicando prodígios, isolam-se na inutilidade, choram de tédio. Confessam desconhecer a causa dos males que as assoberbam, clamam, infundadamente, contra o meio em que vivem, e ao invés de situarem a mente no caminho natural da evolução atiram-se aos despenhadeiros da margem.

Ora, que a Terra hospeda multidões de companheiros endividados, tanto quanto nós mesmos, sabemos. E tudo o que acontece no orbe é inevitável, urge não dar aos acontecimentos contrários à harmonia qualquer atenção além da necessária. Além do que, quem elegeu Jesus por mestre tem a obrigação de andar no mundo, ainda conturbado e sofredor, sem gastar tempo e vida em questões supérfluas, prosseguindo firme na estrada de entendimento e serviço que o Senhor nos traçou. Como aquele que consome alimento deteriorado, se enchemos o cérebro de preocupações descontroladas nos inclinamos de imediato ao desequilíbrio.

No fundo do coração todos nós alimentamos direitos e propostas. E temos, no mínimo, o direito de sermos felizes. E para ser feliz não tem que estar na ponta da jornada. O universo seria um poço de inquietudes se esperássemos a felicidade somente lá na frente. A perfeição só existe em Deus, e não quer dizer que vamos ser felizes somente quando chegarmos lá, na condição de espíritos puros.

Quanto mais eu formalizar a minha felicidade em uma pretensa conquista de bem estar lá na frente mais difícil fica a caminhada. Quem usa a felicidade como destino não é feliz durante o percurso. A harmonia não depende de uma correria ou de uma chegada mais rápida ao objetivo. Esse objetivo pode ser encontrado no agora, para isso basta ajuste e coerência entre o que se sabe e o que se faz. Temos de parar de investir no futuro e passarmos a encontrar a felicidade agora.

Ela se formaliza no minuto em que vivemos, não há como ser feliz sem experimentar a felicidade. Trabalhemos com carinho para a nossa felicidade hoje, sem nos comparararmos com os outros, mas conosco mesmos. Eu preciso saber se eu estou bem no patamar em que eu me encontro, estar ajustado define a criatura mais tranquila e mais segura. Nós podemos ser felizes agora, e devemos, sem ficarmos apavorados com o que virá. Eu disse certo, sem estarmos apavorados com o que virá, ou será que estamos quitados com a lei universal?... Levantemos os olhos e sigamos em frente começando agora, somos chamados a viver um só dia de cada vez sempre que o sol se levanta.

4 de nov de 2010

Cap 5 - A Felicidade e a Espada - Parte 1

MUNDO ATRIBULADO


Provavelmente você já deva ter observado que embora o enorme avanço tecnológico que nos envolve na atualidade, em todos os setores, e que visa propiciar melhora nas condições de vida, somos ainda visitados por situações que nos ocasionam certo desconforto na intimidade da alma. Porque por mais avançadas sejam as conquistas da ciência, o chamamento do mundo, os valores que ele oferece, objetiva nos proporcionar um reconforto no âmbito de fora para dentro.

Mas não podemos abominar o mundo, tampouco viver dissociados das contingências do mundo. Precisamos do mundo, sem ele não há material para trabalho, pois não vamos evoluir servindo aos anjos. Então, não amaldiçoemos o mundo que nos acolhe, deixemos de malsinar o mundo, que é obra de Deus e faz juz a seu amor. Para este mundo Deus mandou seu filho unigênito, não para o condenar, mas para o redimir.

É no globo terrestre que edificamos as bases de nossa ventura real com trabalho e sacrifício. Precisamos dos valores e das circunstâncias que o mundo oferece para edificarmos o nosso crescimento. Não temos como obter um crescimento efetivo distanciado dos valores tangíveis. As nossas obras, a capacidade realizadora, não pode se realizar em cima de um plano abstrato, etéreo. A gente precisa parar de sonhar com a felicidade em um plano beatífico para começar a vivê-la e senti-la agora, a felicidade tem que ser experimentada por nós.

Além do que, o bem, todo ele, está na extensão universal.

Sim. Não estamos falando em uma teoria da esperança. O bem está na extensão universal. A própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida são componentes indutores da evolução do ser, seja no respaldo dos débitos perante a lei (expiação) ou na instauração de processos de indução para o crescimento da criatura (prova). As circunstâncias que nos alcançam expressam a vontade de Deus a nosso benefício, a todo o momento e em todos os lugares.

Ou seja, Deus dispõe e nós temos que aprender a trabalhar com o que Ele nos dispõe, e fim de papo! Não há como crescer reclamando muito das dificuldades, lamentação indevida a nada leva. A queixa inútil enfraquece o otimismo gerando desconfiança e perturbação. Sabemos que cada um tem a sua cruz, e hoje as circunstâncias nos convocam a consolidarmos a paz em meio a um mundo desarmonioso. A serenidade define o campo básico que nós temos que tentar conquistar, e a serenidade é conquistada em meio ao tumulto.

Por esse motivo temos que aprender a não perder a nossa paz (viver de qualquer modo é de todos, mas viver em paz consigo mesmo é tarefa de poucos, de muitos poucos, por sinal). E lembre-se que, independente da extensão ou da natureza das tuas dificuldades, a paz é sempre a segurança da vida.

E mais: a misericórdia divina não nos quer ver tristes, caídos. Logo, é preciso não se deixar levar, precisamos de um ponto de reação, e o grande segredo é mantermos a harmonia íntima. Em outras palavras, nós temos provas e dificuldades e temos que atestar a nossa capacidade de resistência. É um fato. Até a paz precisa ser cultivada. E dispomos dos recursos que precisamos para crescer. É sabido por muitos que estamos vivendo em um mundo em transição, em mudança, mas o mundo em transição é um laboratório em que a gente pode resolver muitos problemas em curto prazo. Tem de tudo. É só querer.

Temos que manter a harmonia. Sempre. Mas, infelizmente, as carências que nos dominam, as inconformações que ainda mantemos, que nos visitam, nos levam a esses estados que, às vezes, criam verdadeiros embaraços aos nossos passos. E vale a pena ressaltarmos que a tendência das nossas buscas aos planos inferiores da vida, ou do desajuste, é muito evidente e vem muito mais à tona em nossa vida que podemos imaginar. E para concluir esse tópico vale registrar: nós temos muitas coisas que merecem ser trabalhadas com tranquilidade e calma para que realmente o encaminhamento nosso se dê sem inquietação, sem desastres, sem atropelos. E a criatura que é capaz de administrar as suas próprias emoções ganha profundamente na caminhada da vida.

2 de nov de 2010

Cap 4 - O Conhecimento e o Testemunho - Parte 10 (Final)

SENTIDO VERTICAL


Jesus testemunhou de Deus a nosso favor, e nós testemunhamos de Jesus juntos aos homens, em favor dos homens.

Então, é muito importante a gente compreender que esse testemunho se dá junto àqueles que se encontram em necessidades maiores que as nossas, o nosso trabalho é feito de onde estamos para baixo. Adequando junto aos mais necessitados, com quem se encontra, em tese, em carência maior que a nossa. Onde estamos é céu para quem está embaixo.

Por isso não podemos prescindir da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de “crianças” dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino o ignorante aprende e o sábio cresce.

É o que acontece.

Não podíamos ir ter com o salvador em sua posição sublime, porém, o Mestre veio até nós apagando temporariamente a sua auréola de luz, de maneira a nos beneficiar sem traços de sensacionalismo. E homem algum dos que passaram pelo planeta alcançou as culminâncias do Cristo. No entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando seu derradeiro testemunho entre ladrões.

Mas esse testemunho tem nos intimidado, nos desencorajado na caminhada, porque o necessitado e o incompreendido é Jesus personificado à nossa frente (trabalharemos isso no capítulo Os Vestidos e os Panos). E é com o faminto, o carente, que estamos trabalhando aqui. Queremos aprender o evangelho para dar testemunho aos anjos, mas não há como darmos nosso testemunho junto aos anjos.

A treva é a moldura que imprime destaque à luz. Estamos buscando fazer luz em nós e a luz tem a finalidade de clarear a treva, iluminar o que está com a luz apagada. Observe com bastante atenção: para que o bem se manifeste amplamente ele precisa ter uma linha contrária ou recíproca em que possa operar. A luz se engrandece diante da escuridão, o bem diante da insinuação, embora relativa, do mal. Não haveria mestre sem a existência do discípulo, não teríamos bons médicos sem os doentes, nem bons profissionais sem os territórios para as suas operações correspondentes ainda carentes da ação deles. Logo, preparemo-nos para a tarefa a qual seremos encaminhados a fazer, pela grandeza do evangelho e pela elevação e melhoria de nós mesmos.

Afinal de contas, descer para ajudar é arte divina de quantos alcançaram a vida mais alta. Quem alcança o planalto não pode desconsiderar a planície e o vale de onde esteve e de onde saiu. Enquanto o culto armazena conhecimentos, o sábio vive-os de forma edificante, promovendo todos aqueles que o cercam.

Se a tua mente pode alçar vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste longo tempo completando a sua plumagem. Não nos esqueçamos do impositivo da cooperação na estrada de cada ser, pois um sábio não pode se esquecer de que um dia necessitou aprender com as letras simples do alfabeto. Na vida eterna, a existência do corpo físico, por mais longa, é sempre um curto período de aprendizagem, e não nos cabe olvidar que a terra é campo onde aferimos a nossa batalha evolutiva.

A mente é o caminheiro buscando a meta da angelitude, contudo, não avançará sem auxílio. Os homens, cooperando com os espíritos esclarecidos e benevolentes, atraem simpatias preciosas para a vida espiritual, e as entidades amigas, auxiliando os reencarnados, estarão construindo felicidades para o dia de amanhã quando de volta à lide terrestre.

Nós, que temos errado nas sombras, poderíamos, acaso, encontrar maior felicidade que a de subir alguns degraus no céu para descer, com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles que mais amamos, perdidos hoje quais nos achávamos ontem, nas furnas da miséria e da morte? Na experiência de descer de Jesus até aos necessitados estamos experimentando a ascensão. O Cristo desceu para nos ajudar, e ninguém sobe para esquecer quem permanece na retaguarda.

Além do que, não estamos nos habilitando a um descanso eterno, estamos nos preparando para um trabalho mais amplo. Espíritos superiores não descansam, para eles o trabalho é um sinal de alegria, de realização espiritual mais íntima. E, se esperamos por um descanso depois da morte estamos muito mal informados, muito mal mesmo. Dizem, algumas autoridades espirituais, que descansar mesmo o espírito só descansa quando está no ventre materno.
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