31 de dez de 2010

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 5

A MULTIDÃO E O CHAMADO


“1NAQUELES DIAS, HAVENDO UMA GRANDE MULTIDÃO, E NÃO TENDO QUE COMER, JESUS CHAMOU A SI OS SEUS DISCÍPULOS, E DISSE-LHES: 2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE. 4E OS SEUS DISCÍPULOS RESPONDERAM: DE ONDE PODERÁ ALGUÉM SATISFAZÊ-LOS DE PÃO AQUI NO DESERTO? 5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE. 6E ORDENOU A MULTIDÃO QUE SE ASSENTASSE NO CHÃO. E, TOMANDO OS PÃES, E TENDO DADO GRAÇAS, PARTIU-OS, E DEU-OS AOS SEUS DISCÍPULOS, PARA QUE OS PUSESSEM DIANTE DELES, E PUSERAM-NOS DIANTE DA MULTIDÃO.” MARCOS 8:1-6

“1NAQUELES DIAS, HAVENDO UMA GRANDE MULTIDÃO, E NÃO TENDO QUE COMER, JESUS CHAMOU A SI OS SEUS DISCÍPULOS, E DISSE-LHES: 2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER.” MARCOS 8:1-2

O evangelho é manancial (origem, fonte perene, perpétuo, que não acaba, abundante, incessante, contínuo, imperecível, eterno, ininterrupto, que corre sem cessar) e recurso inesgotável de ensinamentos. Observe que para expulsar do templo os vendilhões Jesus fez um azorrague (açoite) de cordéis, a indicar que no sentido reeducacional, para reeducar, ele fez um azorrague de cordéis. E para nutrir, alimentar, abastecer, para dar suprimento alimentício a um metabolismo de crescimento consciente e efetivo às criaturas ele multiplicou pães.

Sem dúvida, todo texto das escrituras está repleto de símbolos, e precisamos saber entendê-los, tirar dos símbolos o aspecto essencial para a nossa caminhada. Sabendo que esse pão que Jesus estava distribuindo na multiplicação apresentava um recado nele. Assim, temos que compreender que a oferta que ele vai trabalhar na multiplicação tem um sabor acentuadamente intrínseco, moral. O evangelho é mensagem direcionada ao espírito e o legítimo pão que ele multiplica é o pão do espírito.

Veja com atenção o primeiro versículo (“Naqueles dias, havendo uma grande multidão”). Naqueles dias é circunstância temporal a definir anterioridade a algo. Trazido para os dias de hoje indica o momento propício, adequado, para um atendimento, para uma realização.

Evangelho, como código a pressupor a exteriorização do amor, nos convida a um trabalho e atividade operacional a processar-se sempre junto à multidão. Ou seja, todo o processo aplicativo do evangelho presume a existência de uma multidão. Não tem como a gente aplicar o evangelho trancado dentro de um quarto.

Afinal, nós vivemos em um sistema de interação, e as pessoas com as quais nos relacionamos representam os degraus para o nosso crescimento, o piso onde estruturamos todo o nosso reerguimento. Os semelhantes são os componentes que vão nos oferecer o plano de ascensão (vamos nos edificar por meio de obras realizadas junto às criaturas filhas de Deus). Apenas nos elevamos tendo como ponto de sustentação, para a nossa subida, criaturas com as quais nos interagimos. Sozinho não há como ninguém crescer de forma efetiva.

E tem mais: “Naqueles dias, havendo uma grande multidão, e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos.” Notou algo interessante? Jesus visualiza a multidão, ele visualiza a multidão em um sentido completo, ampliado, sem discriminação. Uma “grande multidão”. E nós estamos, com o evangelho à luz do entendimento, aprendendo a visualizar a multidão, trabalhando o campo íntimo em uma proposta nova de fazer o bem sem olhar a quem.

Porque por enquanto a nossa multidão não é “uma grande multidão”, mas uma multidão relativa. Ela costuma se constituir de um pequeno grupo de criaturas que nós elegemos no plano do nosso interesse pessoal, mediante um procedimento discriminatório no campo da acepção de pessoas pela nossa conveniência.

O Cristo vai atender uma “grande multidão”. E nós? Inicialmente, a quem vamos atender?
A multidão inicial que intimamente nos interessa é a presente no ambiente em que estamos ajustados. Geralmente, dois, três, quatro ou cinco pessoas orbitando em nosso campo cármico e carecedores do nosso atendimento, resultantes, em tese, de necessidades básicas e fundamentais do nosso passado. A multidão a ser trabalhada é a nossa, dentro dessas necessidades imediatas, razão pela qual a criatura vai até Jesus se abastecer e voltar para sua casa (“E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho.”) Notou? Não tem como fugir disso sem grave prejuízo à harmonia. Muitos acham que caíram em determinadas famílias de pára-quedas, mas não existe isso, é na família onde estão as necessidades fundamentais dos espíritos.

Sim, meus amigos, o plano operacional do evangelho se processa junto à multidão, pois nos encontramos conjugados uns aos outros, quer queiramos ou não.

É multidão. Imaginou? Pois é, multidão tem de tudo. Os mais altos, os mais baixos, os que sabem mais, que sabem menos. Inclusive os que vieram de longe (“Naqueles dias, havendo uma grande multidão, e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes: Tenho compaixão da multidão, porque há já três dias que estão comigo, e não tem que comer. E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe.”).

Interessante essa expressão “os que vieram de longe”. Estamos aprendendo junto e você está lendo este texto agora de algum lugar. Quem está próximo de você, e quiser ir até você, terá que despender algum esforço. Logo, esses que “vieram de longe” aponta que dentro dessa multidão existem os que estão vindo de muito mais distância. Mas não é um longe no seu sentido físico, geográfico, é mais além, não é uma distância medida em quilômetros. São aquelas entidades cansadas, aquelas almas saturadas, combalidas, desgastadas, sofridas, ansiosas por paz e reconforto. É a distância percorrida por muitas individualidades sob a tutela da determinação pessoal. Aquelas individualidades que percorreram uma longa jornada na estrada evolutiva para se adequarem à realidade crística, para sentirem o desejo de buscarem e se abastecerem com o Cristo (longa jornada, às vezes, muitas encarnações inclusive).

A multidão, sem dúvida, tem de tudo. E nós temos que saber nos relacionar com um mundo que tem de tudo. Resultado: quem não souber se relacionar na caminhada daqui para frente com os desajustados, os complicados, os diferentes, com aqueles nos graus evolutivos mais diferenciados, não ascende, não evolui, não avança.

E diante da multidão, o que Jesus fez?
Chamou a si os seus discípulos (“havendo uma grande multidão, e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos”). Ele não chama para si os deveres dos discípulos, mas chama a si os seus discípulos. Como o professor que não chama a si os deveres dos alunos, sob pena de subtrair-lhes a preciosidade da lição.

Pelos conhecimentos que temos recebido na atualidade (o mundo nunca recebeu tanto conhecimento espiritual como hoje), Jesus, passados dois milênios, está embutido em nossa própria intimidade. Isso mesmo, o Cristo se encontra dentro da gente. Então, no fundo, somos nós mesmos que estamos falando nesse sentido. É como se fosse o Cristo íntimo, dentro da gente, conhecedor da extensão das nossas necessidades, das nossas dificuldades, das nossas carências, da nossa fome, da nossa fragilidade, do nosso jejum, nos chamando a ele próprio. Chamando-nos à responsabilidade aplicativa do evangelho, chamando-nos ao plano operacional. Para a vivência dos seus ensinamentos.

Porque quem chama, chama para algo. Ninguém chama à toa. Esse chamar a si (“chamou a si os seus discípulos”) tem um sentido de despertar. Chamar para fazer.

29 de dez de 2010

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 4

AS TRÊS ÁRVORES


No evangelho nós temos a presença de três àrvores que eram as mais comuns à época. Três é número de uma significação extraordinária, e iremos trabalhá-lo futuramente, mas agora importa-nos entender que essas três árvores são símbolos que personificam a nossa individualidade. E são elas a figueira, a oliveira e a videira.

A FIGUEIRA – Por ser uma árvore rasteira, e trabalhar bem próxima ao solo, ela tem o sentido de justiça. Você se lembra da figueira que secou? Pois é, ela tinha folhas, e tanto tinha folhas que alguém a procurou. O que ela não apresentava é fruto (claro, o fruto já é o resultado, é a exteriorização do amor, e a figueira define justiça). A figueira produz o figo e indica o sentido informativo. Representa o componente que dá força, que sustenta, e buscar a figueira é alimentar-se, ingerir valores capazes de propiciar uma sustentação e crescimento ao ser.

A OLIVEIRA – A oliveira indica a capacidade de assimilação. Representa algo vinculado à produção da luz. Por quê? Porque ela produz um fruto chamado oliva ou azeitona que é praticamente transformado em óleo. E a queima desse óleo propicia luz, mantém acesa a candeia. A oliveira, pois, produz o combustível da luz, significa espiritualmente o plano de clareamento íntimo no campo dos corações, define a luta da renovação para a produção de luz em nós.

A VIDEIRA – A videira é a trepadeira cultivada no mundo todo por seus deliciosos frutos, as uvas. Ela tem flores pequeninas, reunidas em cacho, e bagas ricas em açúcares, razão por que fermentam com facilidade propiciando o vinho.

Se figueira tem aspecto de justiça, relação com o plano informativo, e oliveira o plano assimilativo, metabólico, instauração da luz em nós, a videira vem definir a conjugação do processo. Ela constitui-se no resultado do processo, é a capacidade nossa de testemunho por meio do qual vamos sentir, em meio ao labor, o surgimento do vinho, o substrato abençoado do amor. Então, se a figueira define o sentido informativo, alimentar-se, e a oliveira a capacidade de assimilar, a videira é a capacidade da criatura em dinamizar esse valor em nome do Cristo.

Observe que o viver está para além do limite da justiça, e a harmonia íntima está diretamente ligada à capacidade de doação, de operar e testemunhar. E o evangelho, como mensagem viva, é a essência do amor e se manifesta ao capacitarmos à abnegação e compreensão na eleição de uma nova postura de vida.

Renúncia é deixarmos o nosso interesse pessoal, é o nosso esforço, não no sentido de ficar sem, de privação, mas é deixar algo em favor de algo. Não se trata de tosar a vida, mas tem um sentido de incorporação de componentes novos.

Porque a tarefa tange amor, não sacrifício, e tanger amor é uma capacidade de operar sem avaliar sacrifício. E ninguém se edificará sem conhecer essa virtude de renunciar com alegria em obediência à vontade de Deus. Jesus, por exemplo, para vir a nós aniquilou a si próprio ingressando no mundo como filho sem berço. No momento do calvário atravessa as ruas de Jerusalém como se estivesse diante da humanidade inteira, sem queixar-se, ensinando a virtude da renúncia por amor do reino de Deus, revelando por essa a sua derradeira lição.

É importante renunciar e perceber a grandeza da lei de elevação pelo sacrifício. A sangria estimula a produção de células vitais na medula óssea, a poda oferece beleza, novidade e abundância nas árvores, e o homem que pratica verdadeiramente o bem vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, felicidade e alegria. Todos os homens sabem conservar, mas raros os que sabem privar-se, e na construção do reino de Deus chega um instante de separação que é necessário se saiba suportar com sincero desprendimento.

Fizemos uma breve abordagem sobre estas questões por acharmos importante para um melhor entendimento do vem a seguir. Agora, iremos para a parte conclusiva do capítulo, o estudo da passagem que trata da multiplicação dos pães.

24 de dez de 2010

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 3

O VINHO


“23E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO; E TODOS BEBERAM DELE. 24E DISSE-LHES: ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, QUE POR MUITOS É DERRAMADO.” MARCOS 14:22-24

“5EU SOU A VIDEIRA VERDADEIRA, E MEU PAI É O LAVRADOR.” JOÃO-15:5

Creio que ficou claro, o pão é o conhecimento espiritual, esperando um processo de adesão e busca nosso (tomar) e que nos é direcionado, como o alimento físico, conforme a capacidade metabólica de cada individualidade presente na ceia.

Significa que o alimento, o amor, chega! E recolhemos esse bolo alimentício, onde cada um assimilia na medida de seus recursos. Entretanto, não basta apenas comer do pão. O que significa se comermos apenas do pão? O verbo já esclarece, ficamos empanzinados. E nem podemos guardá-lo no armário ou na geladeira, afinal não há como nós guardarmos amor no cofre, no armário. Ele tem que ser trabalhado, dinamizado. O próprio Criador não age represando ou prendendo o amor.

Então, o que nós recebemos somos convocados, somos chamados a operacionalizar, a exemplificar, pois cear, como dito antes, é uma linha de inter-relação. Esse pão está sujeito a uma metabolização, e o pão sem o vinho não resolve. Não resolve porque o vinho faz o papel que o sangue faz. Assim, qualquer estudo nobre é uma aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

O vinho é outra analogia fantástica.

E o evangelho sempre menciona a vinha. A vinha sugere videiras, uva e vinho. E aí a gente pensa,... Como surge o vinho? O vinho surge da maceração, da dilaceração, do sacrifício da uva, do fruto. O vinho representa o sangue da imolação em nome do amor, ele simboliza o sacrifício da uva, que cede lugar ao substrato. Ele define a capacidade de renúncia do ser. Jesus oferece o vinho em alusão às mais expressivas manifestações do espírito em comunhão com Deus.

O próprio mestre, no início do seu apostolado, no comecinho dos trabalhos do evangelho, desvenda às criaturas o roteiro de elevação pelo sacrifício. Veja bem, qual foi a primeira coisa que Jesus fez no início de seus trabalhos? Uma dica, foi a primeira coisa, ele, à época, tinha apenas seis discípulos, e foi realizado em um casamento. Isso mesmo, o primeiro sinal de Jesus no início do seu ministério, nas bodas de Caná, foi transformar água em vinho. E o ensinamento já dizia tudo. Antes de começar os trabalhos, é como se ele quisesse nos dizer: “Preparem-se, porque a minha mensagem toda que vem pela frente é uma mensagem que tange sacrifício, que diz respeito ao sacrifício.”

Por isso ele diz: “Eu sou a videira verdadeira.” A videira tem essa representação, ela simboliza o sacrifício, a doação profunda, a renúncia do ser, a capacidade de nos entregarmos ao sacrifício pessoal para que alguém seja beneficiado em nome do amor. Amor no seu sentido dinamizado, aplicativo, de caridade.

A ceia de Jesus foi a expansão do amor. Ele se doou. E a sua cruz é a resposta a todos os que procuram a sublimidade da ressurreição. Ao distribuir o vinho, e definir que este é o seu sangue, ele quis dizer que é preciso metabolizar o conhecimento (o pão) e apropriar os valores nutricionais do conhecimento no plano aplicativo da vida. A ceia representa isso, a videira verdadeira é Ele e nós somos as varas, diretamente chamados, convocados e vinculados ao processo da produção. Logo, se já nos encontramos com Ele não mais nos queixemos. Vamos parar de reclamar tanto. Ontem poderíamos alegar fraqueza ou desconhecimento como pretexto para ferir ou repousar, fortalecendo o poder da inércia ou da sombra. Hoje, porém, é o nosso dia de caminhar e servir.

E Jesus faz uma analogia do vinho com o sangue. Porque o sangue é o componente circulador, a ele cabe o papel da dinâmica, tem o sentido de aplicabilidade. A corrente sanguínea é o elemento captador e transferidor dos valores para o nosso campo somático. Simbolizado pelo vinho, o sangue tem a capacidade de direcionar esses valores, a função de distribuição dos recursos apropriados no processo metabólico nosso.

Resultado: A questão é nos alimentarmos com o pão (conhecer) e dinamizá-lo como o sangue, consubstanciado na figura do vinho. Ou seja, o pão físico é ingerido e metabolizado, e o sangue leva o alimento pelos capilares, pelas artérias, a todo nosso equipamento. Aqui, por exemplo, no momento da leitura, do estudo, é o momento em que estamos ingerindo o pão. E a laboração aplicativa e o funcionamento dinâmico do sangue, pela ingestão do vinho, significa o trabalho operacional de cada um, que é movimento, dinâmica, ação.

Jesus oferece o vinho como referência às mais expressivas manifestações do espírito em comunhão com Deus. E no palco terreno surge a oportunidade da ação e do testemunho para que o pão possa ser metabolizado e distribuído a todas as áreas que compõe o corpo. Esse vinho, ao tomar o cálice, é a representação dos valores quando laborados na vida diária. Estaremos ingerindo o cálice sempre que nos propusermos a um trabalho em nome dele, praticando os seus ensinos, acolhidos como parcelas abundantes do pão da vida.

Jesus sabia que aquela era a última ceia. E, antes de afligir-se, aponta os padrões relativos à vida espiritual. Esse sangue derramado define a reencarnação consciente de que estamos aqui para resolver problemas. Ele é derramado por muitos (“Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado”), não por todos, porque para alguns a sua mensagem ainda não tem significância.

Ainda, porque aumentará progressivamente a ponto de existir somente um rebanho e um só pastor.

23 de dez de 2010

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 2

O PÃO


“E JESUS LHES DISSE: EU SOU O PÃO DA VIDA; AQUELE QUE VEM A MIM NÃO TERÁ FOME, E QUEM CRÊ EM MIM NUNCA TERÁ SEDE.” JOÃO 6:35


“E, COMENDO ELES, TOMOU JESUS PÃO E, ABENÇOANDO-O, O PARTIU E DEU-LHO, E DISSE: TOMAI, COMEI, ISTO É O MEU CORPO.” MARCOS 14:22

É muito importante observar que para se ensinar algo novo deve-se partir do conhecido. Dessa forma, usando a boa didática o mestre utiliza de algo concreto, objetivo, material, físico, palpável, para ensinar valores de alta expressão espiritual. Porque a letra evangélica representa um material didático, ela não é a essência do conhecimento. E a verdadeira eucaristia não é a do pão e do vinho materiais como pretende a igreja de Roma. A ceia constitui uma identificação legítima e total do discípulo com Jesus, e o pão e o vinho que o Cristo distribuía apresentavam um recado neles. Assim, temos que compreender esses símbolos e deles tirar a ressonância para a nossa caminhada.

O pão representa o alimento por excelência. E através do pão material, Jesus, por analogia, refere-se ao seu corpo, mas ao seu corpo doutrinário, o conteúdo que consubstancia os seus ensinamentos. Refere-se à essência do conhecimento. Vale-se desse alimento básico do corpo para distribuir elementos espirituais a cada um. Assim, nós pedimos o pão nosso de cada dia, o pão mantenedor da vida, que no campo biológico é o pão material e os assemelhados, que alimentam. E no plano espiritual é o Cristo que diz “eu sou o pão da vida”.

Pois a vida, no sentido espiritual, como reconforto vibratório e consciencial, depende do suprimento inegotável do Cristo. Todos nós necessitamos do evangelho, todos nós atravessamos períodos de fome e de informações acerca desses padrões.

E se o pão é o alimento do corpo, o amor é o alimento das almas. O alimento das almas, no seu sentido positivo de crescimento, é o amor. O que nutre o espírito é o amor. O pão que Jesus distribuiu (e distribui), o seu corpo, elaborado pela essência do amor, é a comida básica da vida, é alimento para o espírito, capaz de suprir efetivamente a fome de equilíbrio e felicidade que sempre mantemos. E esse alimento da alma, o pão da vida, sustenta para eternidade, nos projeta para a vida eterna (no seu sentido ampliado, não religioso), garantindo-nos elemento suficiente para a nossa vida. Percebeu? Por isso ele sustenta para a eternidade. Porque passamos a usufruir o bem estar por direito, obtendo-o semeamos e colhemos por direito, não apenas por misericórdia.

Nós mencionamos que o pão é um símbolo. O pão é alimento na essência e Jesus afirma ser o pão da vida, que é preciso tomar e comer o seu corpo. É uma analogia que ele faz. Da mesma forma que o pão físico nutre o corpo biológico, o seu corpo doutrinário, o conjunto dos seus ensinamentos, vem para nutrir a nossa fome íntima, o nosso espírito.

E ele parte o pão (“E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.”), o que define que o ensinamento não nos é apresentado integralmente, mas em parcelas, em frações. E cada fatia desse conhecimento, cada parcela desses valores é distribuída a cada um individualmente, conforme a sua capacidade de assimilar (“partiu-o deu-lho”). Cada qual recebe a luz espiritual segundo a sua própria capacidade íntima, recebemos na medida em que temos de metabolizar o valor.

É assim que funciona. Do rio de graças da vida cada alma somente retira a porção de riquezas que possa perceber e utilizar. Passa o rio dos dons divinos em todos os continentes da vida, mas cada ser lhe recolhe as águas segundo o recipiente que se faz portador. E não existe uma evangelização globalizada. Ela atinge a todos, porém, o toque é individual, tudo deve ser trabalhado conforme o patamar íntimo de cada um.

O conforto espiritual não é como o pão do mundo que passa mecanicamente de mão em mão para saciar a fome do corpo, mas sim como o sol que é o mesmo para todos, no entanto, penetra somente lugares onde não se haja feito reduto fechado para as sombras.

E temos a presença de dois componentes presentes, dois verbos, a indicar que não basta apenas estar presente à ceia. É preciso tomar o alimento e comê-lo. O pão deve ser obtido pelo suor, pelo esforço na sua aquisição. Ele é ofertado, porém, tomar é pegar ou segurar, diz respeito a um processo de adesão, de iniciativa própria da criatura.

E esse corpo do Cristo tem que ser ingerido, não apenas trabalhado sob o aspecto periférico, exterior. E ingerir significa buscar compreender a essência canalizada, é entender a essência para além da letra que o apresenta, pois somente assim nos apropriaremos da substância nutritiva contida na mensagem que alimenta. Comer define a alimentação dessas parcelas, e nós ingerimos.

Este blog, por exemplo, é um campo alimentício de valores do pão da vida que é Jesus. Estamos ingerindo esse pão, essa necessidade de edificação espiritual permanece viva e imperiosa. E o serviço de aquisição desses valores é alimento vivo e imperecível da alma, ao passo que Jesus define o fazer isso em sua memória. Sem esquecermos que esse pão está sujeito a um processo de metabolização.

O pão também tem o sentido de simplicidade.

Jesus se compara ao pão. Sabemos que todos os povos em todos os tempos têm os seus pratos nacionais, mas o pão, no entanto, é o alimento popular. Mesmo quando varie nos ingredientes que o compõem e nos métodos de confecção em que se configura, é constituído de farinha amassada e vulgarmente fermentada e que, depois de submetida ao calor do forno se transforma em fator de sustento mundial Ele é sempre o mesmo, pão é invariavelmente pão, seja na avenida ou na favela, na escola ou no hospital. Se lhe adicionam outra espécie de quitute, entre duas fatias, deixa de ser pão para ser sanduíche.

Pão também sugere simplicidade. Logo, se alguém te envolver na lisonja, insuflando-te vaidade, não te dês à superestimação dos próprios valores, não te credites em condições excepcionais e nem te situes acima dos outros, de quem quer que seja. Abraça nos deveres diários o caminho da ascensão, recordando que Jesus, o enviado divino e o governador espiritual da Terra, não achou para si outra imagem mais nobre e mais alta que a do pão puro e simples.

20 de dez de 2010

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 1

A CEIA


“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

Nós estamos estudando o evangelho, e ao estudar o evangelho nós estamos estudando a própria vida. E por necessitar de recurso mantenedor, a vida, em suas expressões, é sempre mantida por alimento específico. Em outras palavras, mantemos a vida por meio da alimentação, a vida não existe sem alimento, e alimento é toda substância que ingerida alimenta, nutre, é mantimento, aquilo que faz subsistir, que sustenta. Assim, toda nutrição deve conter uma substância mantenedora da vida. É preciso ingerir e metabolizar, e metabolizar é o conjunto de mecanismos químicos necessários ao organismo para a formação, o desenvolvimento e a renovação de suas estruturas íntimas, e a produção de energia necessária ás manifestações interiores e exteriores da vida.

Veja bem. Nós mencionamas a frase “vida em suas expressões”.

Porque nós temos vida no plano biológico, ou físico. E ela é mantida por alimento material, tangível, corpóreo, portador de componentes capazes de assegurar a vitalidade da estrutura celular. E aí não podemos prescindir do pão ou similar.

Agora, existe vida também no sentido espiritual, intrínseco, íntimo. E aqui a vida é também cultivada e mantida mediante um processo de alimentação através do fluxo mental, ou seja, pelo pensamento. Nós comentamos em capítulo anterior que a vida é um processo de eleição pessoal. Lembra? Nós chegamos até a mencionar algo a respeito da semente. Então, veja bem, nós temos que alimentar a nossa própria estrutura interior, o que define que mais do que pão do corpo nós necessitamos de pão do espírito. Pois há, em nossos dias, momentos de exaustão de nossas reservas mais íntimas, e uma fome de paz.

O capítulo não está errado, não. Realmente nós vamos tratar da passagem do evangelho que trata da multiplicação dos pães. Uma passagem belíssima, por sinal. Mas antes achamos importante mencionar algo em relação à ceia, ao pão, ao vinho.

Ceia é a refeição da noite. Cear é ato de ingestão, alimentar-se, metabolizar componentes que mantém a vida e a nossa euforia e entusiasmo pessoal. Constitui um processo de relação com a base da vida, uma posição nossa de investimento na fé. Refere-se ao alcance de ângulos novos do plano revelador a cada momento, quando passamos a obter valores mais avançados da revelação mediante a ingestão de padrões novos que o evangelho apresenta, bebendo e ingerindo com suavidade os recursos capazes de propiciar uma caminhada mais feliz.

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” Quem está à porta? Definitivamente, é Jesus que está sempre à nossa porta. Mas ele não desrespeita o livre-arbítrio de quem quer que seja. É a porta do nosso coração, que não tem outra, apenas se abre por dentro. Assim, esse bater vem definir o chamado para abrirmos a porta íntima para a entrada dele em nossa casa mental.

E aquele que abre a porta ceia com o Cristo em um plano de ressonância conjugada. Isto é, ele ceia conosco, orientando-nos e nos dando forças para marcharmos, seguirmos, para cooperarmos no plano do amor dinamizado, alimentando-nos com parcelas do seu corpo doutrinário (o pão da vida). E nós ceamos com ele porque ingerimos alimento que dimana dele. Como? É o que veremos a seguir. E o fazer isso em sua memória indica a importância dessa ingestão diária.

18 de dez de 2010

Cap 6 - O Sal e a Luz - Parte 9 (Final)

NÃO RESISTAIS AO MAL


“39EU, PORÉM, VOS DIGO QUE NÃO RESISTAIS AO MAL; MAS, SE QUALQUER TE BATER NA FACE DIREITA, OFERECE-LHE TAMBÉM A OUTRA;” MATEUS 5:39

“NÃO TE DEIXES VENCER PELO MAL, MAS VENCE O MAL COM O BEM”. ROMANOS 12:21

“16EIS QUE VOS ENVIO COMO OVELHAS AO MEIO DE LOBOS; PORTANTO, SEDE PRUDENTES COMO AS SERPENTES E INOFENSIVOS COMO AS POMBAS.” MATEUS 10:16

Abraçando a renovação espiritual para a conquista da luz quase sempre somos contraditados pelas forças da sombra, qual se tivéssemos o coração exposto a críticas destrutivas. E Jesus disse para não resistirmos ao mal. Preste atenção, mal com L, não mau com U. Não é confundir a essencialidade do problema (mal) com a pessoa (mau), porque o mau, na intimidade, é um filho de Deus. Razão pela qual precisamos trabalhar contra o erro, porque na intimidade cada um é filho de Deus, e dentro da treva existe uma luz que acalenta o que a cultiva, e que é a ótica dele.

E algo interessante: a única coisa capaz de desativar a agressividade é a postura de oferecer ângulos que penetrem o terreno da individualidade em outra configuração.

Tudo bem. Entendemos e estamos buscando o roteiro certo. Mas queremos fazer luz em nós brigando com as trevas, e a luz não pode investir contra a treva. Resistir ao mal não dá autoridade para decompô-lo ou desativá-lo. Resistindo ao mal a criatura paga, mas abre oportunidade para a criação de novas dívidas.

Nós não temos autoridade para apontar o erro de maneira descaracterizada. E todo aquele que tem por norma desautorizar alguém, maldizer, bombardear, não está apto, ainda, a determinadas faixas do seu crescimento espiritual. Sendo assim, o objetivo primordial nosso já não é resistir ao mal, mas uma identidade com componentes novos para o trabalho, trabalhar o coração para doar.

Observe a oração do pai nosso. Jesus nos ensinou a solicitar ao Pai amoroso que nos livre do mal, porque ainda não possuímos a necessária condição para enfrentá-lo com equilíbrio. Isso mesmo, sem o perigo do contágio. Cuidemos para não cairmos em suas ciladas, nem nos deixarmos arrastar pelos seus encantos mentirosos e seduções venenosas. É “não resistais ao mal”, pois aquele que resistir à treva pode se envolver, em razão da treva estar dentro da gente.

A resistência ao mal seria como se a luz resolvesse brigar com a treva. Agora, imaginemos isso! Luz brigando com a treva não dá certo, porque o papel da luz é dissipar a escuridão, com carinho e respeito.

E essa agressivade a que nos referimos não ocorre unicamente pela forma intempestiva. Muita gente, quando não se mostra inclinada à vingança perante o mal que recebe, costuma demonstrar atitudes de hostilidade indireta, como o favor adiado (popularmente conhecido como “deixar a pessoa de molho”) ou o adiamento do entusiasmo na prestação de serviço em favor da criatura menos simpática.

Entretanto, para vencer o mal não basta essa meia verdade, se é que podemos dizer assim. Não nos esqueçamos de que para anular a sombra noturna não basta arremeter os punhos cerrados contra o domínio da noite, é preciso acender uma luz. Observou uma coisa? Vamos estudando o evangelho, vamos entendendo o evangelho e ficamos maravilhados. O recurso bendito da iluminação se esconde muitas vezes nos obstáculos, nas perplexidades e nas sombras do caminho. Jesus nos disse para andarmos enquanto temos luz. Logo, temos a luz do dia e a treva da noite, no plano da aferição. E não existe nenhum processo de guindar-nos a determinados patamares sem a prova da noite.

Estamos buscando resplandecer nossa luz. E a luz se irradia na direção da treva.

O mal pode ser compreendido como o bem não manifesto ainda, entendido como o bem tamponado, bloqueado, pelos próprios padrões ou valores do nosso egoísmo.

Agora, outra coisa para observarmos com atenção: a treva é a moldura que imprime destaque à luz. Vamos analisar e perceber que para que o bem se manifeste amplamente ele precisa ter uma linha contrária, ou recíproca, em que possa operar. E a dualidade dentro de nós é que mantém o equilíbrio. A luz só se engrandece diante das trevas; o bem, diante da insinuação, embora relativa, do mal. Logo, é o mal que dá condições de ativação do bem em sua expressão, em seu crescimento. Não teríamos bons médicos sem os doentes, não haveria bons professores se não existissem alunos, não haveria bons profissionais sem os territórios para a operação correspondente deles, terrenos ainda carentes da ação deles, não haveria mestre sem a existência do discípulo.

Temos que ter paciência e determinação.

Nós não vamos trabalhar na disseminação do amor no meio dos anjos, afinal de contas, eles não precisam. Imagine uma situação dessa, algum expositor do evangelho dizer: “Reúne agora só os anjos aqui, por eu vou pregar para eles!” Não tem jeito. O amor se desenvolve em meio onde impera o ódio e a resistência.

É como Jesus define, ao mandar ovelhas em meio aos lobos. Mas fique tranquilo. Ele não manda as ovelhas para o suicídio não. Quando uma ovelha é lançada no meio de lobos, seguindo a instrução de Jesus aos discípulos, ele confia plenamente nela. Ele encaminha as ovelhas no sentido de desativar a agressividade inconsequente dos lobos. A luz tem um papel de desativar as trevas, não de agredi-la.

Não é possível sanar o mal à força de palavras somente. Vimos anteriormente que o sol é a maior luz física do planeta. E que essa unidade irradiadora não seleciona destino. O sol não pensa: “esse raio vai chegar no território tal e quando chegar perto de certa criatura vai desviar prá lá porque não pode passar ali.” Não! O sol não se joga em certo lugar e não se lança em outro. Diariamente ele lança seus raios sem se sentir ultrajado pelo negativismo das sombras e dos pântanos.

A conclusão é que podemos, muitas vezes, combater o mal para circunscrever-lhe a órbita de ação, mas a única maneira de alcançar a perfeita vitória sobre ele será sempre a nossa perfeita consagração ao bem irrestrito. E nem sempre o processo é verbalístico por si só, mas ele apresenta alguma coisa que se veicula nele com uma profunda capacidade magnética, de um magnetismo que não é cerceador, mas fortalecedor, e que traz consigo amor em sua própria essencialidade.

Então, esse magnetismo a que nos referimos tem que ser fundamentado e revestido em uma profunda disposição de cooperação, de ajuda e de auxílio fraterno.

E quantos não crêem na grandeza do próprio destino sentenciam a si mesmos às mais baixas esferas da vida. Pelo hábito de apenas admitirem o visível, permanecerão beijando o pó, em razão da voluntária incapacidade de acesso aos planos superiores, enquanto os outros caminham para a certeza da vida imortal.

15 de dez de 2010

Cap 6 - O Sal e a Luz - Parte 8

TUA LUZ NÃO SEJA TREVA


“5E ESTA É A MENSAGEM QUE DELE OUVIMOS, E VOS ANUNCIAMOS; QUE DEUS É LUZ, E NÃO HÁ NELE TREVAS NENHUMA. 6SE DISSERMOS QUE TEMOS COMUNHÃO COM ELE, E ANDARMOS EM TREVAS, MENTIMOS, E NÃO PRATICAMOS A VERDADE. 7MAS, SE ANDARMOS NA LUZ, COMO ELE NA LUZ ESTÁ, TEMOS COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS, E O SANGUE DE JESUS CRISTO, SEU FILHO, NOS PURIFICA DE TODO O PECADO.” I JOÃO 1:5-7
“35VÊ, POIS, QUE A LUZ QUE EM TI HÁ NÃO SEJAM TREVAS.” LUCAS 11:35

Em meio à grande noite é necessário acendermos nossa luz, como já mencionamos anteriormente. Sem isso não encontraremos o caminho da libertação. Sem uma irradiação brilhante de nosso ser não poderemos ser vistos com facilidade pelos mensageiros divinos que ajudam em nome do Altíssimo, e tampouco auxiliaremos de forma efetiva a quem quer que seja.

E a luz do senhor nos fará sentir o entendimento real de tudo, pois quem anda na luz enxerga com clareza. Se nos movimentarmos ao sol do evangelho saberemos identificar o infortúnio, onde cremos encontrar apenas rebeldia e desespero; a chaga da ignorância, onde supomos existir apenas maldade e crime. Perceberemos com clareza que o erro de muitos se deve à circunstância de não haverem colhido as oportunidades positivas que nos felicitam a existência, e reconheceremos que, situados nas provas que motivaram a dor dos irmãos em delinquência, talvez não tivéssemos escapado à dominação da sombra.

Agora, não bastará a luz fulgurar tão somente em nossa razão e pontos de vista, é preciso mais. É necessário andarmos nela. Assimilando-lhe os sagrados princípios para que assinalemos em nós a presença da verdadeira caridade, alavanca única capaz de sustentar-nos em abençoada comunhão uns com os outros.

Jesus é a luz e podemos andar na luz.

E quem anda na luz se reveste de claridade e é alcançado pela luz. E a luz não necessita de outros processos para revelar a verdade senão irradiar. Um coração iluminado não necessita de muitos recursos da palavra, bastará o sentimento esclarecido no evangelho. E grande maravilha do amor é o seu profundo e divino contágio, a missão da luz é revelar com verdade serena. Atendamos ao nosso burilamento, porque apenas contemplando a luz das boas obras em nós é que outros entrarão no caminho das boas obras, glorificando a bondade e a sabedoria de Deus.

Muitos vivem em treva.

E a treva, de modo relativo, pode ser definida como a ausência da luz. E as sombras que trazemos são resultantes das experiências vivenciadas. Não queremos desanimar ninguém, mas a treva nunca desaparece, pois no subconsciente, a região mais baixa do nosso psiquismo, existe o plano gravitacional com as forças do abismo. Muitos acham que nós somos trevas querendo nos tornar luz, mas se esquecem que somos luz precisando dissipar as trevas.

E precisamos compreender que a treva daquele indivíduo que está em harmonia é um processo natural. Para muitas criaturas a treva é uma luz imensa para elas, a treva é luz para quem está dentro dela, é uma luz muito boa e bonita, até determinado momento em que se visualiza uma luz nova. Então, a treva se instaura em um coração em decorrência da chegada de novos componentes. E sendo a verdade como a luz, cabe a cada coisa vir a seu tempo, e quem não consegue manter-se em uma proposta nova fica submerso na sombra.

É indispensável organizar o santuário interior e iluminá-lo a fim de que as trevas não nos dominem.

Muitos suspiram por tarefas de amor confiando-se à aversão e à discórdia, enquanto outros tantos sonham servir à luz sustentando-se nas trevas da ociosidade e da ignorância. Mas nós temos uma responsabilidade diante de Deus para espalhar o melhor. Assim, quem sabe na hora em que a nossa luz se acender nós iremos nos preocupar mais com a treva do semelhante, de forma a poder ajudá-lo a encaminhar-se a um processo em que ele possa também vencer a sua treva.

Afinal de contas, a luz pode apresentar característica mais ou menos densa, e nem toda luz é verdadeira. Isso mesmo. Existe luz que só se faz presente em certas condições, qual o homem que só se faz calmo quando tudo está tranquilo, ou aquela luz decorrente apenas da instrução intelectual. Em outras palavras, existem criaturas que tem luz, mas uma luz que não se expressa, não se irradia.

O Cristo disse: “Que a luz que há em ti não seja treva”. É preciso que a luz não seja treva, e a luz não operante, que não ilumina, que não cumpre o seu papel, já tem a fisionomia trevosa. A luz tem que ter o plano da operação e aplicação para que realmente propicie uma ressonância de bem estar e reconforto para nós. A luz apresenta uma utilidade para serviço. De nada adianta buscarmos o evangelho e fazermos luz em nós se ela não tiver, não apresentar, uma capacidade de iluminar os que se encontram em treva maior que a nossa.

Jesus revestiu-se de luz e mergulhou nas trevas, porque a mente do Cristo é um espelho sem sujidade a refletir amplamente o pensamento divino. E a fim de que o operário do Cristo funcione como expressão de claridade na vida é indispensável que se eleve ao monte da exemplificação, apesar das dificuldades da subida angustiosa. Quanto mais alto o piso que ascendemos maior a nossa responsabilidade com o que a gente vê para baixo. Quanto mais o espírito evolui, mais ele sente a necessidade de apagar a sua luz para que outros cresçam.

13 de dez de 2010

Cap 6 - O Sal e a Luz - Parte 7

A CANDEIA E O CASTIÇAL


“14VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO; NÃO SE PODE ESCONDER UMA CIDADE EDIFICADA SOBRE UM MONTE; 15NEM SE ACENDE A CANDEIA E SE COLOCA DEBAIXO DO ALQUEIRE, MAS NO VELADOR, E DÁ A LUZ A TODOS QUE ESTÃO NA CASA. 16ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 5:14-16

“12E VIREI-ME PARA VER QUEM FALAVA COMIGO. E, VIRANDO-ME, VI SETE CASTIÇAIS DE OURO; 13E NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS UM SEMELHANTE AO FILHO DO HOMEM, VESTIDO ATÉ AOS PÉS DE UMA ROUPA COMPRIDA, E CINGIDO PELOS PEITOS COM UM CINTO DE OURO.”APOCALIPSE1:12-13

“4TENHO, PORÉM, CONTRA TI QUE DEIXASTE O TEU PRIMEIRO AMOR. 5LEMBRA-TE, POIS, DE ONDE CAÍSTE, E ARREPENDE-TE, E PRATICA AS PRIMEIRAS OBRAS; QUANDO NÃO, BREVEMENTE A TI VIREI, E TIRAREI DO SEU LUGAR O TEU CASTIÇAL, SE NÃO TE ARREPENDERES.” APOCALIPSE 2:4-5

A candeia é um pequeno aparelho de iluminação que se suspende por prego e é abastecido com óleo, e velador é suporte vertical de madeira que se assenta em base ou pé, e termina no alto por disco onde se põe candeeiro ou vela. Sendo nós a candeia viva a iluminação é a perfeita imagem de nós mesmos. E apenas pela reeducação sentimental, por meio do esforço próprio, se poderá esperar a desejada reforma das criaturas, que precisa sempre se iniciar pelo sentimento de cada um.

E não é possível acender a luz na candeia sem óleo e pavio, sem mencionar que a claridade na lâmpada consome força ou combustível. Logo, sem o sacrifício da energia ou do óleo não há luz. Por isso, a porta é estreita e o caminho é apertado. Não basta entrar, tem que sequenciar, não basta acender a candeia, tem que investir na manutenção da luz, não basta começar, tem que continuar. E para nós o material mantenedor é a possibilidade, o entusiasmo, a vontade, sendo imperiosa de nossa parte a adesão mental, pois toda manifestação do amor em sua essencialidade tem que partir de uma proposta pessoal e toda iluminação precisa nascer antes de tudo do sentimento.

Acender luz implica significativa carga magnética, e imprimindo sentimentos de fé e esperança em nós e nos que nos cercam, resplandecendo os nossos sentimentos mais puros, o nosso esforço será sempre percebido e aceito por alguém.

Meus amigos, é a luz que ilumina, que dá significado à vida e a valoriza. Mas se procurarmos em suas lições apenas conforto e bem estar para nós mesmos, sem compreender o apelo e o chamamento maior convocando-nos à fraternidade, sua claridade ficará aprisionada no vaso do egoísmo e de nada valerá, pois apesar de detê-la continuaremos na escuridão de nosssas mazelas. O Cristo compara os seus ensinamentos com a luz que afugenta as trevas, e no “resplandeça vossa luz diante dos homens” ele nos convoca a resplandecer a luz de nossas conquistas evolutivas a benefício dos companheiros de jornada, saindo do egocentrismo e estabelecendo canais de entendimento e compreensão mútuos.

É um erro lamentável despender nossas forças sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, vaidade ou limitação pessoal. A luz apresenta um sentido dinâmico, clareador, e foi feita para brilhar acima, não embaixo da cama, e dinâmica é a lei maior a imperar no universo. Precisamos entender que o que nos chega a nível positivo de conquista (qualquer vitória) é para ser dinamizado, e tudo o que é guardado a sete chaves representa uma soma de amor não operante.

Aprendamos a colocar as nossas possibilidades ao dispor dos outros, porque ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Busquemos valorizar o nosso corpo como valorizamos um carro que nos é útil, mas sabendo que o que importa não é o carro nos conduzindo, nos levando, mas sim o que ele vai nos proporcionar fazer e conquistar, quando, então, passamos a usar a encarnação (nossa experiência física atual) em um processo de crescimento natural.

E o que vem a ser o castiçal?

O castiçal é utensílio em cuja parte superior há um local onde se deposita a vela. Ele representa o suporte, é o instrumento onde se coloca a lâmpada, a luz. Então, o castiçal é como que o componente, o instrumento apropriado a que a luz seja colocada. No castiçal é colocada a luz, luz que, a princípio, tem a finalidade de clarear, a definir a importância de que esse castiçal seja um componente irradiador da luz. Veja o versículo que colocamos no início do tópico (“Virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me vi sete castiçais de ouro; E no meio dos sete castiçais um semelhante ao filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.” Apocalipse 1:12-13). É castiçal de ouro, pois o ouro representa, constitui o que existe de mais precioso e valioso na nossa faixa de concepção e de doação.

Observe que o mensageiro divino (o versículo se encontra nos primeiros movimentos do Apocalipse. João descreve aquele que se lhe apresenta) é vizualizado no meio dos castiçais. E o evangelista João, vendo esse filho do homem no centro, no meio dos castiçais, está vendo o objetivo desses castiçais, ou seja, o destino da convergência da luz que dimana deles, para onde se dirige a luz que partem deles, a finalidade dessa luz, que é laborar as personalidades humanas em uma proposta redentora de libertação espiritual (veremos em capítulo à frente que o filho do homem é expressão a indicar aquele que nasce de si próprio pela renovação, aprende com Jesus e se renova).

Agora, não existe castiçal e tampouco luz nesse castiçal sem educação, sem um interesse nítido e claro de busca pelo aprendizado. Sendo assim, quando já brota dentro de nós a capacidade, a possibilidade e a disposição de servir o castiçal nos é entregue como um instrumento. E na nossa vida prática o que vem a ser ele? Você pode estar perguntando isso. O castiçal é a instrumentalidade, representa o instrumento com o qual nós contamos para operar, para fazer, para realizar. É o objeto trabalhado para que possa atender aos impulsos naturais da luz que necessita irradiar-se (a luz se propaga em linha reta e em todas as direções).

Faz-se um momento em nossa vida em que passamos a ser um castiçal vivo a serviço divino, como existem pessoas que irradiam luz. Como exemplos de castiçal para nós hoje, em uma mentalidade operacional no bem, podemos mencionar o corpo físico, a faculdade de falar, a inteligência, a profissão, as mãos, a mediunidade de alguém, o dom de sensibilizar, o talento para determinada atividade, entre muitos outros.

Agora, um parágrafo da maior importância. Você, com certeza, já ouviu a expressão de que somos na vida usufrutuários de tudo o que a misericórdia divina nos concede, de que tudo o que recebemos na experiência terrestre é empréstimo de Deus. Assim, observamos que esse castiçal que acabamos de referenciar nos é tirado se não houver de nossa parte um usufruto digno no sentido de elaborar e dinamizar a luz. O versículo é muito claro: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.” Apocalipse 2:4-5

Todos nós conhecemos inúmeros casos de perdas desses castiçais pelo uso inadequado, egoístico e até mesmo pela não aplicação deles. Resta-nos analisar o que temos feito dos castiçais que a misericórdia tem depositado em nossas mãos, sabendo que antes da perda de determinado componente operacional, de certo instrumento de trabalho, somos repreendidos pela própria vida.

11 de dez de 2010

Cap 6 - O Sal e a Luz - Parte 6

PREPARANDO O ANTEPARO


A mente não cria, não emite. Reflete, e toda a nosa luz é refletida. E tanto ela reflete que o nosso campo mental não é um terreno ou fulcro emissor, mas retransmissor, e não refletindo não há claridade.

Posicionados como aprendizes de Jesus, os discípulos sinceros serão sempre os elementos refletores, de maior ou menor limpidez, da luz soberana que irradia em plenitude do próprio Cristo.

Em razão disso, não adianta a transformação aparente da nossa personalidade na feição exterior. Não se edifica uma estrutura nova sem as fundamentações básicas. É imperiosa a renovação por dentro, não há como operar um crescimento constante sem uma auto-análise, toda a engrenagem da nossa harmonia, da nossa paz, não se encontra fora de nós, mas dentro. Não se alcança altos níveis de iluminação sem uma proposta do ser dirigida para auto iluminar-se, é na própria intimidade onde estão as fontes legítimas da caridade.

E seremos admitidos ao aprendizado do evangelho cultivando o reino de Deus que começa na vida íntima. Sem o precioso tesouro da educação pessoal é inútil a nossa penetração nos céus, porquanto estaríamos órfãos de sintonia para corresponder aos apelos da vida superior.
 
Por isso, antes de alguém cogitar sobre a iluminação dos outros deve buscar a iluminação de si mesmo, no cumprimento de suas obrigações. O espírito encarnado, para regenerar seus irmãos da sombra, necessita iluminar-se primeiro. Para apontar caminho tem que estar na verdade, e os cristãos devem pensar muito na iluminação própria antes de qualquer prurido no intuito de converter os outros.
 
Todos os homens da Terra, ainda os próprios materialistas, crêem em alguma coisa. Mas aquele que crê apenas admite, e sempre vai depender dos elementos externos nos quais coloca o objeto da sua crença. Sendo assim, todos crêem, mas poucos se iluminam. E aquele que se ilumina vibra e sente, e é livre das influências exteriores por haver bastante luz em seu íntimo. E havendo luz dentro não existe escuridão em lugar algum, e vencemos corajosamente nas provações. Aquele que se ilumina cumpre a missão da luz sobre o planeta.
 
De qualquer forma, não basta apenas acreditar para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos, pois a obrigação primordial da criatura é o esforço, o amor ao trabalho, a serenidade nas provas da vida e o sacrifício pessoal, de modo a entendermos o exemplo do evangelho, buscando a luz divina para a execução dos trabalhos que nos compete realizar no terreno em que estamos ajustados.
 
Estamos querendo dizer com isso que não adianta luz sem a existência do anteparo estabelecido para promover o reflexo. Por princípio da eletricidade, sem a existência de um caminho para a corrente a energia não flui. E é importante analisarmos que a luz só pode ser emitida por um átomo quando este se encontra num estado mais elevado do que o fundamental, e que quanto mais nos voltamos para o íntimo mais luz emitimos, como o elétron que ao pular para uma camada mais próxima do núcleo retorna emitindo luz (fóton).

O Cristo disse “resplandeça a vossa luz”.

E quando acendemos uma luz somos os primeiros a nos beneficiar dela, luz qualquer a expandir-se a partir do seu fulcro. Então, aquele que se ilumina conquista a ordem e a harmonia para si mesmo, pois todo o repouso da segurança está dentro do próprio ser, o amparo só pode ser encontrado dentro.
 
Até vale um lembrete importante para todos nós: Aquele que não cogitou da sua iluminação com Jesus pode ser um cientista ou um filósofo, com as mais elevadas aquisições intelectuais, porém, estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência que a cada qual visita na vida.


8 de dez de 2010

Cap 6 - O Sal e a Luz - Parte 5

RESPLANDEÇA VOSSA LUZ


“29E, LOGO DEPOIS DA AFLIÇÃO DAQUELES DIAS, O SOL ESCURECERÁ, E A LUA NÃO DARÁ A SUA LUZ, E AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU, E AS POTÊNCIAS DOS CÉUS SERÃO ABALADAS.” MATEUS 24:29

“12E, HAVENDO ABERTO O SEXTO SELO, OLHEI, E EIS QUE HOUVE UM GRANDE TREMOR DE TERRA; E O SOL TORNOU-SE NEGRO COMO SACO DE CILÍCIO, E A LUA TORNOU-SE COMO SANGUE.” APOCALIPSE 6:12

“14VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO; NÃO SE PODE ESCONDER UMA CIDADE EDIFICADA SOBRE UM MONTE; 15NEM SE ACENDE A CANDEIA E SE COLOCA DEBAIXO DO ALQUEIRE, MAS NO VELADOR, E DÁ A LUZ A TODOS QUE ESTÃO NA CASA. 16ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 5:14-16

O sol define todos aqueles componentes arregimentados que vivificam nosso processo de caminhada, a soma dos caracteres de vida que temos e elegemos como ponto de segurança para a nossa caminhada. Fonte de proteção e segurança para nunca perdermos a linha de auxílio superior. E importante, o sol não se apaga, não desaparece, ele escurece, e o seu escurecimento se dá em aspectos puramente materiais. O sol não desaparece, ele escurece, e seu escurecimento consiste na perda da alegria de viver. E enquanto perdura essa situação de escurecimento é como se a criatura estivesse entregue à própria sorte.
 
Por isso, não se desespere se o sol da sua alegria está obscurecido, se em certos momentos a paisagem da sua vida parece um tempo fechado e escuro. Quando o sol se empalidece não é para a espiritualidade tripudiar em cima do nosso sofrimento, mas atrás desse escurecimento do sol é que vamos ter o surgimento de novos valores, de novos ângulos. E sempre que uma luz se origina ela surge com muito mais intensidade, uma porta se fecha e outra se abre apontando novos horizontes.
 
Vamos notar que tudo que se faz e se tem feito, no sentido de debelar os tormentos que perseguem a humanidade, são paliativos que jamais alcançaram êxito. "Vós sois a luz do mundo” é uma afirmativa a evidenciar a nossa proposta educacional. É necessário acender o lampadário interno e desenvolver as faculdades visuais da alma, pois a própria evolução dos seres é caminho que vai das trevas para a luz.

Toda criatura necessita resolver o problema da renovação dos próprios valores. Recebamos o auxílio edificante que o mundo nos ofereça, mas fujamos de contemporizar com os enganos do mundo, diligenciando burilar-nos cada vez mais. Educação conosco é clarão no âmago da alma, e por muito brilhemos fora, nas ocorrências temporárias da estância física, nada entenderemos da luz de Deus que nos sustenta a vida sem luz em nós. Ao invés de ficarmos hiper apreensivos ou preocupados com a treva, com os problemas, com os desafios, preocupemo-nos em fazer luz, porque ela garante auto-sustentação para nós.

Então, preste bastante atenção no que vamos dizer agora.
 
Não podemos prescindir do conhecimento adquirido por outras almas que nos precederam nas lutas da terra, com as suas experiências santificantes. Mas não atribuamos a outrem obrigações que nos competem, não procuremos orientação com os outros para assuntos claramente solucionáveis por nosso esforço, e nem aguardemos do alto ações milagreiras, porquanto só a nós cabe o serviço árduo da própria ascensão, na pauta das responsabilidades que o conhecimento superior nos impõe.
 
Agradeçamos ao que nos ilumina por uma hora, alguns dias ou por muitos anos, mas não olvidemos a nossa candeia se não quisermos resvalar nos precipícios da estrada longa. Um guia espiritual pode ser um bom amigo, mas nunca poderá desempenhar nossos próprios deveres, nem nos arrancar das provas e experiências imprescindíveis à nossa iluminação. Daí a necessidade da preparação individual, para a vivência de tais experiências com diginidade espiritual, no instante oportuno.
 
Sem contar que os proprietários das lâmpadas acesas podem afastar-se de nós, convocados pelos montes de elevação que ainda não merecemos. Logo, é possível marchar valendo-se de luzes alheias, todavia, sem claridade própria padeceremos constante ameaça de queda, pois avançar sem luz própria é impossível.
 
Em razão disso, é louvável o esforço do homem que se inspira na exemplificação dos discípulos fiéis, mas é contraproducente repousarmos em edificações que não nos pertencem, olvidando o serviço que nos é próprio. E para que o bem apareça não aguardemos que semelhantes luzes venham inicialmente dos outros, comecemos de nós, sem demandar com alguém ou contra alguém.
 
Pare e pense. Nós estamos hoje com as nossas luzes apagadas aqui dentro. Sim, e não se assuste. Tanto estamos que Jesus define que resplandeçamos nossa luz. Vamos conhecendo o evangelho e passamos a nos interessar por ele, e muitas vezes julgamo-nos unicamente no dever de buscar as alturas mentais. E brilhe vossa luz é o que nos disse o mestre.
 
Resplandecer a nossa luz é referência ao nosso sol íntimo, diz respeito à necessidade de sermos componentes irradiadores da luz que emana do criador. Por mais ampla seja a luz é necessário um trabalho de elaboração, pois não há como trabalharmos os valores de fora. Porque já falamos isso antes, de fora é instrumento indutor, instaurador, é componente de toque. Assim, o processo é íntimo, ou seja, nós captamos de um lado para operarmos com aquilo que a gente tem, porque a luz capaz de gerar a nossa harmonia e a felicidade é a luz íntima. Não tem como qualquer um de nós querer se fazer feliz com a luz do outro.
 
Voce está feliz, alegre, satisfeito, ou está triste, atribulado, cheio de problemas, angustiado? Em meio à grande noite é necessário acendamos nossa luz. Sem isso é impossível encontrar o caminho da libertação. Imagine uma estrada. Imaginou? Agora imagine essa estrada à noite, sem nenhuma luz, sem ninguém por lá, sem veículo algum, sem nenhum farol, sem sequer o brilho da lua. Voce está em um carro que estragou nessa estrada. A bateria arriou, você está desolado, no escuro. Imagine essa sendo uma estrada da vida. Voce se sente abandonado, precisa de auxílio.

Quer saber o sentido desse exemplo? É simples. É preciso continuar sequenciando o caminho e você precisa de luz para isso. Notou? Sem a irradiação brilhante de nosso próprio ser não poderemos ver o caminho, nem ser vistos com facilidade por mensageiros divinos que ajudam em nome do altíssimo. Ou seja, sem luz dificilmente seremos vistos e nem auxiliaremos efetivamente a quem quer que seja.
 
O eu nunca se dirigirá para Deus sem o aprimoramento e a sublimação de si próprio. Somente pela renovação íntima progride a alma no rumo da vida aperfeiçoada. Fatores e componentes externos podem e devem servir como componentes de indução, mas a aquisição só se faz obtida pelo esforço e realização pessoal.

Afinal de contas, eu não posso operar a minha educação e a minha subida espiritual com os caracteres dos outros. Lembremo-nos sempre disto: a nossa alegria, nossa fé e nossas obras tem que se estruturar sob a nossa luz, não posso me fazer feliz com a luz do outro, a luz que vai sair é a minha mesma. E cada um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor com as qualidades de elevação conquistadas na própria vida.

6 de dez de 2010

Cap 6 - O Sal e a Luz - Parte 4

LUZ VERDADEIRA

“ALI ESTAVA A LUZ VERDADEIRA, QUE ALUMIA A TODO O HOMEM QUE VEM AO MUNDO.” JOÃO 1:9

“FALOU-LHES, POIS, JESUS OUTRA VEZ, DIZENDO: EU SOU A LUZ DO MUNDO; QUEM ME SEGUE NÃO ANDARÁ EM TREVAS, MAS TERÁ A LUZ DA VIDA.” JOÃO 8:12

O homem tem sido lento na solução do problema do seu conhecimento próprio porque antigamente a sua existência se resumia na luta com as forças externas, de modo a criar a lei de harmonia entre ele próprio e a natureza terrestre.

E muitos séculos decorreram até que lobrigasse a conveniência da solidariedade para enfrentar os perigos comuns. A organização da tribo, da família, das tradições e das experiências coletivas exigiu muitos séculos de luta e infortúnios dolorosos, e a ciência das relações e aproveitamento das forças materiais que o rodeavam não requisitaram menor porção de tempo.

Somene agora a alma humana pode ensimesmar-se o bastante de modo a compreender as necessidades e os escaninhos da sua personalidade espiritual. Agora, nas culminâncias da sua evolução física, o homem não necessitará preocupar-se, de modo tão absorvente, com a paisagem que o cerca, razão pela qual todas as energias espirituais se mobilizam, nos tempos modernos, em torno das criaturas, convocando-as a um sagrado conhecimento de si mesmas nos valores infinitos da vida.

Nesta etapa do capítulo vamos agora abordar questões acerca da luz. Quando falamos em luz nós pensamos em sol, porque o sol representa a expressão máxima da luz que nós conhecemos e temos no plano físico do orbe terrestre. O sol representa a maior luz física do planeta, ele é fulcro natural irradiador da luz, é de onde emanam os componentes de vivificação, é encarregado de vitalização, de suprimento, calor, aquecimento, clareamento. É instumento vivificante, fonte vital para todos os núcleos da vida planetária, base irradiadora da própria vida no campo biológico.

E espiritualmente falando, o sol define todos os componentes arregimentados que   vivifiam o nosso processo de caminhada, ele representa a soma dos caracteres de vida que temos elegido como ponto de segurança para a nossa caminhada, é fonte de proteção e segurança para nunca perdermos a linha de auxílio superior.
 
A luz é ponto de referência, também, do sistema evolucional que se irradia por todo o universo. No planeta, em nome do criador, é a dispensadora dos recursos da vida, nos planos mais profundos da alma, é foco clareador da mente nas nuances de razão e sentimento, garantindo esclarecimento, segurança e reconforto.

Agora, essa unidade irradiadora (sol) faz alguma seleção no encaminhamento de sua energia? Será que funciona assim: Esse raio vai chegar ali, e quando chegar perto daquela criatura desvia para o outro lado porque não pode passar por lá? O sol lança suas vibrações em algum lugar e não joga em outro? Não. Essa unidade não faz seleção de destino. Diariamente, o sol lança seus raios sem fazer seleção e sem se sentir ultrajado pelo negativismo das sombras e dos pântanos.
 
Então, podemos ir mais além. Se o sol é campo de sustentação de toda a expressão de vida, e fonte irradiadora da própria vida, em nossa vida íntima Jesus é esse sol, porque inexiste no plano da iluminação espiritual fonte alguma além do evangelho.
 
Ele é roteiro para a ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado na terra para os planos superiores do ilimitado, e de sua aplicação decorre a luz do espírito. E a “luz verdadeira” vem indicar o sentido de localização daquele a quem cabe encaminhar à luz maior à coletividade terráquea. E não havendo exceção, todos se encontram ao alcance dos ensinos e dos influxos que partem do mestre.

A “luz do mundo” não irradia apenas ponto de claridade, mas ponto de fertilização, energia mantenedora dos processos e sistemas de crescimento para a redenção. O Cristo, em sua abrangência, atingirá no devido tempo cada criatura que vem ao mundo. E neste mundo, ou em qualquer plano a ele vinculado, todos se encontram sob seu amparo, quer se acredite ou não. Pois a luz se propaga em todas as direções, e quem se encontra sob o foco da luz verdadeira mais cedo ou mais tarde se desperta. E ele tem paciência conosco.
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