29 de dez de 2011

Cap 20 - A Tentação - Parte 3

CONCEITO DE TENTAÇÃO

“12BEM-AVENTURADO O HOMEM QUE SUPORTA A TENTAÇÃO; PORQUE, QUANDO FOR PROVADO, RECEBERÁ A COROA DA VIDA, A QUAL O SENHOR TEM PROMETIDO AOS QUE O AMAM. 13NINGUÉM, SENDO TENTADO, DIGA: DE DEUS SOU TENTADO; PORQUE DEUS NÃO PODE SER TENTADO PELO MAL, E A NINGUÉM TENTA. 14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:12-15

A tentação é uma disposição de ânimo para a prática de atitude contrária ao bem, é uma insinuação, instigação ao mal. Podemos mesmo dizer que é uma tentativa de desestabilizar quem está em uma ação positiva. A bem da verdade, a tentação não derruba ninguém, veremos em breve que a queda ocorre por nossa conta.

A tentação, por exemplo, não nos tira de lermos um livro, ela não nos impede de acessarmos o blog, ela tira-nos aquela disposição de operar o que o livro ou o blog propõe ou proporciona. Ela surge para tentar desativar e fazer abortar os componentes concebidos pela mente em uma nova faixa, em novos progressos.

É interessante que as três expressões em que a tentação de Jesus se manifestou definem as três áreas básicas de nossa queda no mundo: a alimentação, no seu sentido somático e também mental (nem só de pão vive o homem), o envolvimento na questão relacionada com o poder, o aspecto materialista (a Jesus foi mostrado os montes da terra) e, finalmente, outro ângulo que tem nos colocado em situações difíceis, que diz respeito ao desafio nosso quanto à utilização dos poderes já conquistados.

Já vimos antes que a insinuação da tentação se manifesta quando se instaura na individualidade a carência. Portanto, não pode ficar dúvida de que quase sempre o tombo não vai surgir no momento em que estamos angariando valores, no momento em que estamos nos preparando e assimilando. Ela não surge enquanto estamos na fase de planejamento e colocamos as bagagens no porta-malas.

Quando propomos algo novo, quando idealizamos uma meta que nos é importante, visualizamos uma escada e até podemos subir alguns degraus nela, até podemos dar os primeiros passos sem maiores problemas ou complicações.

Mas quase que de imediato aos primeiros lances operacionais recebemos uma reação que magnetiza e hipnotiza os interesses maiores, obliterando-nos para que permaneçamos na antiga escala, para que não ascendamos e fiquemos na mesma posição. 

Não é fácil avançar e nunca foi fácil crescer efetivamente. Quem estiver querendo realizar algo, em qualquer área da vida, sem estar disposto a receber as pancadas da tentação não precisa nem começar a fazer. Cada reunião espiritual que frequentamos, independente de qual seja a nossa religião, cada capítulo deste blog que estudamos juntos, definem para nós uma proposta de clarificação e é evidente que a luz fica sujeita ao envolvimento das trevas. E a tentação não surge nos lances iniciais e preliminares, é quando a gente começa a ganhar terreno mais ampliado, quando a gente começa a se expressar de alguma forma que começa a haver um desbloqueio dos registros mais profundos nossos.

Existe uma tendência dupla ou expressão dupla dentro de nós. O anseio de nos projetarmos, de crescermos, define um ângulo de aspecto liberal, que trabalha a nossa própria intimidade em condições de nos projetar para novas posições, mas dentro da intimidade nossa nós temos forças que insistem no conservadorismo da nossa maneira de ser. Uma força puxa para nos prender e outra nos impulsiona, e dentro desse sistema dinâmico dentro de nós é que vamos nos  definindo.

A tentação é praticamente uma condição do dia a dia, uma continuidade na vida. De forma que ante as grandes propostas nós entramos em um terreno que realmente tem que ser levado com paciência, calma e determinação. Enquanto não passarmos de um parâmetro para o seguinte ainda vibra tudo o que está presente no patamar de origem. Está chegando claridade de cima, está vindo luz, o plano superior está jogando luzes maravilhosas em nós, porém, ainda há um ponto que está nos fixando na retaguarda. O ponto sensível de desestabilização é o calcanhar de Aquiles, por isso é preciso ficar de olho aberto, se bobear a gente dança. Trabalhando com os valores de cima a gente se sente muito melhor, mas não vamos nos esquecer que se bobear a gente naufraga aqui, antes de chegar ao destino. Enquanto não conseguimos o acesso ficamos suscetível de uma submersão. Tem coisas que nós não conquistamos e não estão resolvidas, que estão gerando dificuldade e necessitam serem trabalhadas. Temos que ter muita luta para não cairmos no meio da viagem, porque com um pouquinho de observação vamos analisar que se bobearmos nós entramos na linha contrária de sintonia e afinidade operacional.

Vários lances precisam ser implementados nas diversas áreas, pois cada passo que damos à frente é um passo de desvinculação da justiça e penetração no amor que é luz.

26 de dez de 2011

Cap 20 - A Tentação - Parte 2

SENTIDO POSITIVO

“12BEM-AVENTURADO O HOMEM QUE SUPORTA A TENTAÇÃO; PORQUE, QUANDO FOR PROVADO, RECEBERÁ A COROA DA VIDA, A QUAL O SENHOR TEM PROMETIDO AOS QUE O AMAM. 13NINGUÉM, SENDO TENTADO, DIGA: DE DEUS SOU TENTADO; PORQUE DEUS NÃO PODE SER TENTADO PELO MAL, E A NINGUÉM TENTA.” TIAGO 1:12-13

“10COMO GUARDASTE A PALAVRA DA MINHA PACIÊNCIA, TAMBÉM EU TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO QUE HÁ DE VIR SOBRE TODO O MUNDO, PARA TENTAR OS QUE HABITAM NA TERRA. 11EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:10-11

“8EM TUDO SOMOS ATRIBULADOS, MAS NÃO ANGUSTIADOS; PERPLEXOS, MAS NÃO ESANIMADOS. 9PERSEGUIDOS, MAS NÃO DESAMPARADOS; ABATIDOS, MAS NÃO DESTRUÍDOS;” II CORÍNTIOS 4:8-9

Não são poucas as pessoas que estranham a promessa de tentações, que por sua vez devem ser consideradas como experiências imprescindíveis. Uma coisa é certa, a tentação faz parte da linha da ação natural da vida, e caminhar do berço ao túmulo sob as suas marteladas é algo natural, não há como querermos atravessar o mundo isento delas, não se pode viver no mundo sem a tentação.

Não há como passarmos para um estágio seguinte sem sofrermos a insinuação dos padrões antigos, não existe progresso real sem o momento da tentação. É isto aí, até alcançarmos o triunfo pleno sobre os nossos desejos malsãos sofremos na vida, seja no corpo ou além dele, os flagelos inevitáveis da tentação.

E quanto ao fato de Jesus ter sido tentado não é para se assustar, isto é o que mais pode. Afinal, ele é a luz maior e está praticamente imune a determinadas propostas de natureza inferior. No entanto, tentá-lo é como querer lançar uma bola de tênis sob um muro de concreto de um metro de espessura. Seria triste, talvez nem estivéssemos aqui estudando, se ele tivesse caído na tentação.

Se você estiver recebendo a insinuação de padrões menos felizes, não fique triste não, fique feliz. O ato de ser tentado não é negativo, pelo contrário, é positivo.

Aliás, é algo muito positivo. A tentação, bem como a tribulação, no papel que desempenham no direcionamento ascensional, são instrumentos positivos, não negativos.

Só pode ser tentado quem se encontra no caminho do bem, quem está situado no ponto e no campo positivo da evolução, só é tentado e instigado negativamente quem está tentando dar o passo correto, quem está tentando acertar.

Até mesmo a atuação de entidades de menos equilíbrio em relação a alguém na área da influenciação, a atuação desses espíritos de curso inferior sob uma criatura que está tentando trabalhar equilibradamente (e veremos depois que a tentação não é algo que vem de fora, mas emerge da própria intimidade do ser), é um aspecto essencialmente positivo da caminhada. Lembre-se: aquele que está sendo assediado está no plano positivo, se não estiver sendo assediado ele é o assediador. Porque aquele que se encontra no campo negativo da vida, pisando na bola, fazendo e acontecendo negativamente falando, não tem o perigo de ser tentado, já se encontra embutido na tentação, representa a tentação em si. Satanás, por exemplo, não é tentado, pois já é o tentador.

É preciso saber que Deus não tenta ninguém. Claro, tentação é uma insinuação negativa e Deus, que irradia somente amor, não irradia elementos dessa ordem.

Se no plano de onde estamos para cima situamo-nos debaixo de um jugo de sofrimento, de lá para cá não há um processo de cobrança, de lá para cá existe um processo educacional, o que é bem diferente. E se de lá para cá é educacional, Deus não cobra, e tanto não cobra que Ele não sente ofensas. De cima não vem tentação, de cima vem elementos orientadores, de cima vem orientação, o mecanismo evolucional vem de cima, pois a evolução não se assenta em cima dos padrões já conquistados. De maneira que Deus não tenta e também não sofre a tentação. Afinal, ele é intocável e não existe força alguma presente na estrutura do universo capaz de colocar em risco a sua soberania. O diabo, personificado nos espíritos negativos, que se aproveita da concupiscência, como veremos, é quem tenta. Não sei se vai ficar muito claro agora, mas a própria tribulação, componente positivo da evolução, que vem aferir a nossa capacidade seletiva, não é Satanás, mas pode fazer emergi-lo e nos levar a uma identidade com ele. Pela tribulação nós podemos sucumbir à insinuação negativa e fazer com que Satanás se expresse por atitude menos feliz nossa.

Se a tentação é um componente projetor e instrumento indutor da evolução, o problema não está na tentação, no fato de ser tentado. A prece do pai nosso que todos nós conhecemos não nos diz “não nos deixai ser tentados”, o que seria algo anti-didático e totalmente anti-evolutivo. Ela define “não nos deixai cair em tentação”. O desafio é a queda, a dificuldade e a dor ocorrem ao cairmos na tentação. A queda de cada qual dentro dela, a queda sob o impacto dos acontecimentos é a situação menos feliz, o cair na tentação é que representa o problema e o estrago total. E recomenda-nos Jesus no seu evangelho de luz não cairmos na tentação, sermos fortes, não sucumbirmos nas faixas negativas diante das dificuldades e das tribulações, sejam elas quais forem.

A educação legítima, ou melhor, a projeção de qualquer criatura no plano educacional apenas é definida após o sistema natural aferidor da tentação. Estamos falando didaticamente, é a prova que a pessoa passa. Não é prova tipo vestibular, de um concurso público ou a realização de uma prova escrita qualquer, ou de múltipla escolha. Não é isto, é a prova ante os acontecimentos da vida.

Também a tribulação é componente da evolução, que tem sentido positivo, que apresenta natureza aferidora das legítimas propostas e tem por objetivo aferir o grau seletivo, medir a capacidade experimental. A tribulação consiste na adversidade, aflição, contrariedade, amargura, tormento. Note que além da percepção imediata da dor há o teste da capacidade operacional do ser, atrás de qualquer dificuldade vamos sempre encontrar uma linha indicativa a promover a redenção e a libertação das criaturas que a elas estão vinculadas. A gente tem buscado ser feliz, cada qual à sua maneira, e nada de maldizer as dificuldades.

Temos lutado para alcançar o patamar do reconforto e segurança, e analisando a retaguarda, o nosso passado, vamos notar que grandes vitórias que tivemos, talvez as melhores conquistas, ocorreram em cima de tribulações. Os grandes êxitos nossos emergem através delas. Existe um ditado que diz que “a necessidade faz o sapo pular”. O importante é não cairmos diante das tentações e tribulações.

A tribulação não pode nos levar ao desespero em hipótese alguma. Basta nos lembrarmos daqueles documentários que comumente passam na televisão e que mostram um coelho escapando do leão ou de um predador qualquer. Lembre-se: se estamos sendo perseguidos e não resolvemos nos virar vamos acabar sendo abatidos nessa perseguição, se pararmos a caminhada porque a tribulação chegou com certeza entramos no desespero e perdemos jogo da situação.

“Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.” (Tiago 1:2) “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11) Muito importante isto: nós vencemos a tentação e a tribulação com determinação, com a adoção firme de atitudes positivas e resolutas. E aquele que se reveste em uma linha segura de ação dá passos maravilhosos na sua caminhada, não apenas saneia o destino em função do erro lá de trás, melhorando as suas condições atuais, como também avança em um processo que vai lhe dar muito reconforto, tranquilidade e paz.

Porque para podermos sair do sufoco do ontem nós temos que receber a coroa hoje.

Sem receber a coroa não é possível respaldar o destino. Aquele que não recebe a coroa não avança, porque a coroa é o componente que vai garantir a nossa sustentação no ritmo da vida. A coroa é uma concessão que está em disponibilidade para todos nós, e falamos da coroa como resultado positivo, a coroação de uma conquista.

A coroa podemos compreendê-la como sendo outorga de poder. Não é isto que caracteriza uma coroa? Ela não implica em poder? Então, se analisarmos com carinho observaremos que, no mínimo, ela tem como sentido prático e objetivo na vida, ou no campo social, o mando, o governo, o direcionamento. É sinal que em determinado momento, ao ser concedida a alguém, fica como que decretada, didaticamente, que essa concessão implica em uma responsabilidade desse alguém perante inúmeras pessoas. Pode ser uma responsabilidade perante uma nação, um grupo familiar, uma empresa, com dois, quatro ou três mil funcionários.

O importante é isso ser entendido, compreender o que seja a coroa. Essa responsabilidade também pode ser apenas do indivíduo consigo próprio no campo das suas lutas re-educacionais pessoais. Aspecto interessante, pois a coroa representa para nós que já estamos nos candidatando a uma capacidade de governo, de gerenciamento, e no sentido reeducacional define a principal característica, mostra a capacidade do ser em gerenciar e administrar sua própria estrutura pessoal, suas próprias ações, seu próprio corpo. Sem esquecer que no fundo a coroa é sempre compatível ao grau de merecimento da criatura.

20 de dez de 2011

Cap 20 - A Tentação - Parte 1

VINCULAR E DESVINCULAR

“27E, DEPOIS DISTO, SAIU, E VIU UM PUBLICANO, CHAMADO LEVI, ASSENTADO NA RECEBEDORIA, E DISSE-LHE: SEGUE-ME. 28E ELE, DEIXANDO TUDO, LEVANTOU-SE E O SEGUIU.” LUCAS 5:27-28

É constante em cada um de nós o desejo de crescer. Estamos aqui porque existe no coração da gente uma vontade toda especial de crescer. Matriculamo-nos em algum curso objetivando ascensão, integramos essa ou aquela atividade pelo desejo íntimo de evoluir, buscamos valores espirituais para melhorarmos a caminhada, fazemos caridade ajudando aqui e ali pelo nosso próprio bem.

Crescer é aumentar em grandeza ou extensão, significa desenvolver-se, avançar, conquistar, ascender, evoluir, entrar em situação e circunstância melhor que a anterior, pela incorporação, fixação e sedimentação de valores novos.

É necessário ficar muito claro que para que a gente alcance um ponto objetivado lá na frente, uma meta que idealizamos, seja de qual natureza for, temos que nos desprender. Então, se a princípio nós estudamos, planejamos e arregimentamos determinada parcela de valores, em seguida vai haver um momento claro de desvinculação da faixa em que nos situamos para que possamos incorporar esses novos padrões. Toda proposta seletiva e busca a novos patamares vai exigir de nós uma capacidade de desvinculação das faixas que temos elegido através do tempo, o que em outras palavras significa dizer que nosso problema de conquista se relaciona e exige, simultaneamente, o desafio da desvinculação dessas posições. Ou seja, para chegar lá na frente tem que tirar o pé de onde está, tem que vincular-se e, concomitantemente, se desvincular.
                    
O publicano Levi deixou tudo e seguiu Jesus. O evangelho é claro ao referenciar o seu chamado. As escrituras dizem que ele estava assentado na recebedoria, e que deixando tudo se levantou e seguiu o mestre Jesus Cristo. Não vamos entrar no mérito dessa passagem porque o nosso assunto agora é a tentação. Importa-nos saber que esse deixar tudo é no sentido intrínseco, é a descarga das estruturas mentais dos interesses e metas que, até então, ele perseguia.

Sem dúvida, no sentido íntimo é preciso deixar tudo porque se não deixar tudo não se levanta. Quem não deixa tudo (e temos que reafirmar que é deixar no sentido intrínseco, mental, íntimo) continua assentado, e a recebedoria indica a acomodação nos pontos de egoísmo contumaz, significa a utilização viciosa dos serviços dos outros para si unicamente, o que é o contrário de seguir Jesus.

A gente lê as sagradas escrituras e alguma dificuldade de leitura decorre dos próprios terrenos que temos que trabalhar, pois realmente existem pontos que estão embutidos na linguagem figurada que o texto apresenta a cada um de nós.

Ante qualquer processo de aprendizagem e de projeção do ser no rumo da sua afirmação em bases novas nós temos o momento da assimilação de um conteúdo novo e de imediato instaura-se o mecanismo da tentação. A tentação é inerente ao processo de crescimento e esse mecanismo da tentação para um percentual enorme de pessoas parece uma coisa religiosa, alguma coisa mística, algo do diabo, que o diabo é que fica nos tentando. Vamos tentar aqui neste capítulo clarear o entendimento a este respeito, é preciso descaracterizar isto.

A linguagem, tanto do velho testamento como do novo testamento, trabalha de forma simbólica, reveladora. A humanidade, por sua vez, se desenvolve nas áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e espirituais e dentro da capacidade que vai se abrindo, na medida em que o horizontal do conhecimento vai nos atingindo, o texto vai apresentando para nós nuances novas dentro da mesma terminologia.

A tentação normalmente se faz presente e surge quando a carência se manifesta, quando a criatura vivencia determinada situação de cerceamento. Ela não pode surgir para quem está abastecido, não aparece para quem está identificado com um celeiro de abastecimento. Não é preciso ir longe, basta observar a própria tentação de Jesus, por exemplo, ela se desenvolve após quarenta dias, surge mediante a instauração de determinadas carências que, literalmente, o evangelho sugere para nós, quando ele teve fome e sede. Ela veio no tempo em que ele ficou no deserto preparando-se para a missão, após batismo.

Em outras palavras, a tentação ocorre no ponto da transição. Quem está na transição está em trânsito. Imagine um exemplo, você liga para alguém: “Como é, Cláudio, você não vem para a reunião?” Ele diz: “Já estou indo, já saí de casa, eu agora estou no trânsito.” Ou seja, quem está em trânsito já saiu de onde estava, já se desvinculou, mas não chegou ao destino, está em percurso.

Esse é o momento da transição e a transição é o ponto em que se instaura a tentação.

E todas as vezes que a gente entra em processo de transição essa transição para quem quer mudar é deserto, transição é a mudança de um estado para outro, é o que está jogado na confusão. Por isso é que há tanta dificuldade em mudar-se. Tem gente que quer mudar e quando olha do outro lado e percebe que para crescer é preciso viver o momento da tentação, é preciso entrar em um lugar em que não se tem experiência, em muitas ocasiões prefere ficar no ponto de segurança, prefere abrir mão da possibilidade de crescer e fica preso onde está.

17 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 10 (Final)

INIQUIDADE

"25QUANDO O PAI DE FAMÍLIA SE LEVANTAR E CERRAR A PORTA, E COMEÇARDES, DE FORA, A BATER À PORTA, DIZENDO: SENHOR, SENHOR, ABRE-NOS; E, RESPONDENDO ELE, VOS DISSER: NÃO SEI DE ONDE VÓS SOIS; 26ENTÃO COMEÇAREIS A DIZER: TEMOS COMIDO E BEBIDO NA TUA PRESENÇA, E TU TENS ENSINADO NAS NOSSAS RUAS. 27E ELE VOS RESPONDERÁ: DIGO-VOS QUE NÃO SEI DE ONDE VÓS SOIS; APARTAI-VOS DE MIM, VÓS TODOS OS QUE PRATICAIS A INIQUIDADE. 28ALI HAVERÁ CHORO E RANGER DE DENTES, QUANDO VIRDES ABRAÃO, E ISAQUE, E JACÓ, E TODOS OS PROFETAS NO REINO DE DEUS, E VÓS LANÇADOS FORA.” LUCAS 13:24-28

De um modo geral somos individualmente, diante de Jesus, a legião dos erros que já cometemos no pretérito e dos erros que cultivamos no presente, dos erros que assimilamos e dos erros que aprovamos para nos acomodarmos às situações que nos favoreçam.

Muitos esperam a proteção do Senhor para desfrutarem o contentamento imediato no corpo, mas não querem ir até ele para se apossarem da vida eterna.

Clamam pela luz divina, entretanto, receiam abandonar as trevas. Ao contato das lições de Jesus é que, habitualmente, nos vemos versáteis e contraproducentes como ainda somos. Acreditamos na força da verdade, experimentando sérios obstáculos para largar a mentira; ensinamos o valor da beneficência e da caridade, vinculados a profundo egoísmo; destacamos os méritos do sacrifício em favor da felicidade alheia, agarrados a vantagens pessoais; referenciamos a brandura em se tratando de avisos para os outros e exteriorizamos cólera imprevista se alguém nos causa prejuízo ligeiro; proclamamos a necessidade do espírito de serviço, reservando ao próximo tarefas desagradáveis; batalhamos pela instauração da paz nos lares vizinhos, fugindo de garantir a tranquilidade na própria casa; queremos que o irmão ignore os golpes do mal que lhe estraçalham a existência e estamos prontos a reclamar contra a alfinetada que nos fira de leve; salientamos o acatamento que se deve aos desígnios divinos e bradamos exigências disparatadas e descabidas, apresentando continuamente ao pai o mínimo capricho de nossa parte.

É muito importante ler com atenção o texto acima: “E começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: não sei de onde vós sois; Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas. E ele vos responderá: Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade.” O texto não é apenas bonito, é de uma profundidade imensa. A gente lê com atenção, examina com olhos de ver e acaba sentindo uma desilusão muito grande quando o analisamos, porque ele fala à nossa intimidade hoje, ele fala a todos nós e notamos que a realidade é essa.

“Digo-vos que não sei de onde vós sois” porque a grande maioria das criaturas humanas ainda está nas faixas de vivenciação da justiça, não do amor. E o que estão praticando não é por falta de conhecimento, não. Não é por falta de saber, é porque “praticais a iniquidade”, a definir que o que estão praticando está dentro dos níveis da irresponsabilidade. Por isso “digo-vos que não sei de onde vós sois”, porque é iniquidade. Está dando para perceber? Isso tem que ser entendido, pratica a iniquidade somente aquela individualidade que está aqui embaixo, mas que já tem uma visão suficiente da faixa vivencial lá de cima.

Pratica a iniquidade todo aquele que conhece, e quanto mais conhece e menos faz maior é a iniquidade, porque os que estão aqui do nosso lado e não visualizam os valores de cima não há iniquidade, há uma sistemática de vida normal, o que é diferente. Realmente “tu tens ensinado nas nossas ruas”, é fato, é real. Tem ensinado, e ensinado, e ensinado sempre, mas tem ensinado e a grande massa reluta em aprender, ele tem ensinado continuamente em todos os cantos, em todos ambientes, só que quem deveria aprender não tem feito.

O “temos comido e bebido na tua presença” é o que temos feito, não é mesmo? Ou será que eu estou aqui inventando coisa e a gente não tem feito isto? Quantas vezes sentamos à mesa para almoçar, jantar, e dizemos: “Senhor, abençoe este prato, abençoe este alimento.” É inegável que estamos com ele, que caminhamos na presença dele e que ele tem nos ensinado nas nossas ruas. A indicar uma familiaridade muito grande, um laço de estreiteza, porém, naquela base que a gente conhece bem: o protetor em cima disponibilizando e o protegido embaixo sempre esperando algo mais do protetor.

Só que enquanto a gente não descobrir no fundo da nossa alma que para ser um bom protegido é preciso ter uma característica interna de adesão, uma proposta íntima de também proteger, a gente não caminha. O resultado é “apartai-vos de mim vós que praticais a iniquidade”, porque a prática consciente de alguma atitude que a consciência já não admite mais passa para o contexto da iniquidade, ou seja, vira iniquidade. Iniquidade é o malévolo, apresenta o sentido contrário ao sentimento de moralidade.

E mostra para nós que no momento em que visualizamos a porta e nos sensibilizamos com a porta, o nosso campo pessoal, determinado procedimento que, até então não era iniquidade, passa a ser iniquidade, a continuidade naquilo se transforma em um desconforto na vida consciencial da pessoa.

O planeta terra está indo em frente e muitos de nós ficam na retaguarda porque não tem vibrações suficientemente ajustadas com as vibrações de um novo momento global. Chega um ponto na vida em que a individualidade não se ajusta e por isso vem o “apartai-vos de mim todos que praticais a iniquidade.” Apartar é não ter acesso, é a não entrada. Não ter acesso ao sentimento de glória e harmonia que o Cristo oferece aos que comungam do seu alimento, aos que com ele ingerem pela linha de afinidade. Esse apartar é um plano de entregar a criatura a uma metabolização no campo digestivo dos valores que ela mesma ingeriu. Então, muitos acham que são pretensos candidatos a essa entrada no reino e não o são, porque a gente acha que tem direitos.

E tem mais: “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora.” Não significa que nós vamos visualizar esses companheiros, não. Não tem nada disso. Fiquem tranquilos, não vai ter ninguém dizendo assim: “Olha lá, é o Jacó!”

O que o texto apresenta é no sentido de indicar que o indivíduo ainda se mantém em cima de um processo de adoração, mas sem uma capacidade de conquista efetiva. No mundo, em todos os tempos, respiraram os heróis de nosso ideal, os santos de nossa fé, os apóstolos de nossa inspiração e as inteligências várias que nos traçaram o roteiro. Todos eles conquistaram por méritos próprios e a visão desses mártires apresenta para nós a meta que atingiremos um dia.

Se algo nessa visão nos leva às lágrimas e nos inquieta e estristece o coração é a dor de nossos erros, a fragilidade de nossas mazelas, o peso de nossas culpas.

Toda conquista efetiva vai depender da obra, da ação, do movimento, da dinâmica, e todo aquele que vivencia o amor junto de nós, para ele isso é plena conquista quando para nós é desafio. Ele está vivendo o amor consigo e trabalhando conosco ao nível de justiça. Lembra quando falamos que amor é só o que sai? Pois é, ele trabalha conosco no campo da profecia e a profecia representa, em tese, uma visão do que nós alcançaremos um dia: “Um dia eu vou entender isto, um dia eu serei melhor naquilo.” Nós estamos dando uma de profetas hoje.

Ouvir, sim, os preceitos que nos chegam do plano superior, mas agir segundo somos orientados, porque se sabemos e não fazemos o bem que nos ensinam melhor não sabermos, para não sermos tributados com taxas de maior sofrimento nas grades severas da culpa. O divino mestre, aqui e ali, propõe-nos de maneira direta ou indireta ensinamentos e atitudes, edificações e serviços, mas espera sempre por nossa resposta voluntária, de vez que a obra da verdadeira sublimação espiritual não comporta servos constrangidos. No campo dessa busca fala o plano operacional da individualidade e não projetos ou proposições.

Às vezes, somos apartados porque o que cria legítima conquista, o que nos assegura a entrada, não é sintonia, é afinidade, e para nós muitas vezes existe uma pretensa relação de afinidade quando na verdade o processo é apenas lances de sintonia.

14 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 9


SINTONIA E AFINIDADE

“3E, SE EU FOR, E VOS PREPARAR LUGAR, VIREI OUTRA VEZ, E VOS LEVAREI PARA MIM MESMO, PARA QUE ONDE EU ESTIVER ESTEJAIS VÓS TAMBÉM.” JOÃO 14:3

“27E, COMO AOS HOMENS ESTÁ ORDENADO MORREREM UMA VEZ, VINDO DEPOIS DISSO O JUÍZO, 28ASSIM TAMBÉM CRISTO, OFERECENDO-SE UMA VEZ PARA TIRAR OS PECADOS DE MUITOS, APARECERÁ SEGUNDA VEZ, SEM PECADO, AOS QUE O ESPERAM PARA SALVAÇÃO.” HEBREUS 9:27-28

“20E, INTERROGADO PELOS FARISEUS SOBRE QUANDO HAVIA DE VIR O REINO DE DEUS, RESPONDEU-LHES, E DISSE: O REINO DE DEUS NÃO VEM COM APARÊNCIA EXTERIOR.” LUCAS 17:20

O primeiro versículo referenciado é muito claro. Jesus nos diz: “Virei outra vez.” Verbo no futuro. E muitos esperam a sua chegada. Especialmente os religiosos tradicionais, o esperam ansiosamente, preferencialmente em carne e osso.

Claro, foram palavras dele, ele disse que virá outra vez. Mas espera aí, ele não pode voltar para quem não o conhecia. Não pode voltar para estar com quem não esteve, pois dessa forma não seria volta, seria vinda.  Daí nós concluímos que a sua volta equivale a uma segunda vinda e começamos a decifrar o próprio mecanismo. Na primeira vinda, lá atrás, ele veio e implantou um sistema informativo e nós o conhecemos pelos valores que trouxe. Então, na primeira vinda ele trabalha com o componente despertador do nosso interesse: ele cura, orienta, ensina, explica, Jesus vem de cima, inicialmente pela informação.

A primeira vinda se expressa ao nível da sintonia. O primeiro lance de chegada dele é a assimilação do conteúdo, o primeiro batismo, o liame da percepção, o entendimento da realidade, a sintonia com o evangelho. Sintonizamos os componentes trazidos por ele, entramos em linha de sintonia com ele, em um namoro e noivado com ele. Na sintonia ele vem até nós, sintonia é pela busca, pela procura.

A sintonia se faz pela linha de interação mental e o plano de sintonia é um plano de acentuada expressão vibracional. Então, na primeira vinda de Jesus nós entramos em sintonia com a mensagem dele. Em um trabalho como este nós entramos em sintonia com as forças superiores, e o fato da gente já estar enxergando o caminho já é um bem extraordinário, pois ficamos capacitados a aplicar.

Esse primeiro Jesus representa dentro da gente a necessidade de morrer, porque vai ter uma luta íntima nossa entre o que somos e o que necessitamos ser.

Por sintonia daqui nós visualizamos lá, elegemos o ideal, entramos em sintonia com essa irradiação de cima. Porém, o simples fato de nós sintonizarmos o plano superior não quer dizer que estejamos em cima, no plano idealizado, o simples fato de eu sintonizar com as faixas superiores não quer dizer que eu estou lá.

O mestre Jesus não virá novamente materializar-se no mundo, afinal já trouxe integralmente a sua mensagem. Ele não virá fazer de novo o que já fez, não volta com aparência exterior. A sua volta será no coração, no íntimo de cada um, e de modo glorioso porque reconheceremos o seu valor. A volta dele está dentro, relacionada com o que sentimos, essa volta se dá pelo nosso encontro com ele.

Se na primeira vinda surge a necessidade da morte, dessa morte surge a ressurreição que define o reencontro nosso com ele, o Cristo. Não sei se vai complicar, mas é o Cristo exterior chegando circunstancialmente e o Cristo íntimo sedimentando a chegada periférica dele, eliminando a morte, e a paz vai ser sedimentada pelo direcionamento para com ele, nesse encontro pela segunda vinda.

E isso é bonito demais de entender. Quem quiser entrar nesse estado de equilíbrio, paz e harmonia que já visita o nosso entendimento vai ter que fazer um trabalho operacional de conquistas. Porque o evangelho não fala a cada um segundo as suas intenções, a cada um segundo aquilo que lê, a cada um segundo a religião que professa, a cada um segundo aquilo que já é capaz de sintonizar.

Não tem nada disso. É a cada um segundo as obras! Nós conhecemos Jesus pelos valores que trouxe. Ele vem de cima, inicialmente pela informação, mas vamos reencontrá-lo não por sintonia, mas por afinidade operacional com aquilo que ele faz. O amor não surge na primeira vinda, no primeiro lance, na primeira etapa. Pense nisso. A primeira milha que você caminha, ou o vestido que você dá, não é o amor, está ainda no plano da justiça. Lembra desa passagem? Pois é.

Agora, no momento em que nós, pela implementação dos padrões recebidos, abrimos para além da justiça, vamos para além do exigido, pelo direito nosso que a gente podia refrear, mas não refreou, nós abrimos, oferecemos, doamos, damos passagem na porta e nos desprendemos das dificuldades e das amarras da cruz.

Pela ação transformamos a sintonia em um processo de interação, passando pelas portas e criando afinidade. Se na primeira vinda ele vem de cima, na segunda ele vem de baixo definindo um caráter formativo. A segunda vinda é a nossa afinidade operacional com o evangelho, essa vinda é uma chegada que está vinculada a um reencontro de cada qual com a essência dinamizadora do amor que é Jesus. O segundo retorno é a nível abrangente operacional da mentalidade dele, o segundo batismo, a vivência espiritual, bem para além da primeira, que é a mental. Conjugando nosso psiquismo com a fonte irradiadora dele entramos em um plano não de sintonia, mas de afinidade, integramos a linha irradiadora dele em um curso menor, evidentemente, compatível com a nossa evolução.

O segundo encontro com ele é com a afinidade pela linha aplicativa do conteúdo.

Guarde bem isso: sintonia é pela linha de interação mental, afinidade é por uma linha aplicativa do conteúdo, por sintonia ele vem até nós, na afinidade nós vamos até ele, a sintonia é pela busca, pela procura, a afinidade é a conquista.

Sempre existe uma linha entre esse território que estamos ocupando e esse outro que pretendemos ocupar. Inicialmente, sintonizamos com esse patamar superior, subindo, e depois descemos operando para termos a conquista desse novo padrão. É por isso que na segunda vinda ele vem medir o nosso grau de aprendizado.

Se nesse encontro nós usarmos o homem velho, representado pelos padrões comportamentais antigos, já superados, nós temos que passar por outra experiência, mas se nós conseguirmos adotar os caracteres do homem novo, o que era ideal, o que era esboço na primeira vinda se transforma em elemento sólido, corporificado, tangível, claro, nítido, seguro, lúcido, real, na segunda vinda.

É por isso que os elementos, circunstâncias e pessoas que estão presentes em um contexto nosso de relação vem medir o nosso grau de atuação e de aprendizagem. Primeiro, a motivação, a incentivação interior abrindo o nosso coração ao trabalho em nome do amor, para depois reencontramos com ele nas pessoas que sofrem.

11 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 8

JESUS E O CRISTO

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5

“JÁ ESTOU CRUCIFICADO COM CRISTO; E VIVO, NÃO MAIS EU, MAS CRISTO VIVE EM MIM;” GÁLATAS 2:20

“E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO.” APOCALIPSE 1:17

É preciso desmistificar Jesus. O que significa isto? É saber que Jesus é o homem, ele era conhecido como o filho primogênito, o primeiro. Ele é o primogênito em sua família, pois primogênito define aquele que foi gerado antes dos outros, o filho mais velho. Vamos abrir mais o leque: ele foi o primeiro que viveu em primogenitura as leis de Deus. Está dando para perceber?

Jesus é o amor na sua grandeza, ninguém nos amou e nos ama mais do que ele. Desmistificar Jesus é saber que com ele nós vamos a Deus, e para chegarmos lá na frente nós temos que sair da primogenitura de Jesus e entrarmos na unigenitura do Cristo. Não sei se complicou agora, mas para chegarmos a Deus não é com ele, Jesus, pois se ele é primogênito nós passamos a laborar com toda autoridade a criação do Cristo, precisamos entrar na unigenitura do Cristo que é o componente unigênito universal e unigênito é filho único.

Aí você pode perguntar: “Espera aí, mas não é a mesma coisa, Jesus não era chamado o Cristo?” Sim, porque ele, o espírito Jesus, o homem Jesus, tinha essa capacidade de entrar em perfeita ressonância, em absoluta relação com a sabedoria divina em qualquer circunstância. Ele é para nós a personificação do Cristo.

A palavra Cristo, em grego, significa ungido, significa o mesmo que messias, em hebraico. Ungir é dar posse, equivale investir de autoridade por meio da unção, que é untar com óleo, é a aplicação de óleos consagrados à unção. É também purificar, corrigir, melhorar, abençoar, santificar, dedicar a Deus, como na extrema-unção. Jesus Cristo quer dizer Jesus, o ungido, mas ele não foi ungido com óleo por mãos humanas, como foram os reis e os sacerdotes. Foi ungido espiritualmente por Deus, que lhe deu autoridade e poder para realizar a sua missão, por isso ele é o Cristo de Deus, ungido por Deus, que Deus ungiu.

Vamos tentar esclarecer. O adjetivo unigênito era como Jesus era chamado, e significa filho único, único gerado por seus pais. Porque Cristo é o componente unigênito universal, ele é inarredável e único em toda a extensão do universo, é a expressão uníssona em todos os seres. Note o seguinte: Deus é o amor irradiante e ungido é aquele escalado, aquele determinado para operar a misericórdia e o amor em todo o plano do universo. Logo, Jesus é o primogênito de muitos e o Cristo é o unigênito de todos. Ele não é Deus, é o Deus que se dinamiza.

Jesus é o primogênito de sua família e Cristo é o componente unigênito universal.

Cristo é o amor intrínseco do criador dinamizado em todo o universo, é o amor em seu plano de dinâmica. Ele é a expressão material desse amor, por isso o espírito crístico é unigênito, a unidade crística é uníssona em todos os seres. O Cristo somatizado amplamente na intimidade de Jesus é irradiado em todo o universo como se fosse um único oceano de amor gravitando. Todos nós trazemos uma expressão crística conosco: eu trago, você traz, seu vizinho traz, todos nós, indistintamente, trazemos. No fundo, todos nós temos o espírito crístico no coração.

Se Jesus é o homem, a representação do amor na sua grandeza, pois ninguém nos amou e nos ama mais do que ele, o Cristo é a expressão material desse amor.

Vamos repetir, é por esta razão que o espírito crístico é unigênito, a unidade crística é uníssona em todos os seres. Jesus é o elemento corporificador do homem, que vem definir o Cristo em sua essencialidade operacional plena. A expressão crística nós vamos compreendê-la como sendo o amor, não em sua linha irradiadora teórica em Deus, mas o amor em sua dinâmica plena, em sua linha recolhida do criador e expressa de acordo com a nossa capacidade decodificadora dessa linha.

Cristo é a dinamização do amor, representa o templo de Jerusalém, a fonte onde o amor opera, trabalha. É por isso que o espírito crístico é unigênito, define a expressão material do amor. Veja bem: ao dizer “perdoai aos que nos tem ofendido” Jesus nos dá um parâmetro de demonstração do que temos que realizar.

Reparou? A proposta da obra chega com ele e a recolhemos mediante valores que nos são revelados. Então, inicialmente a gente assimila a proposta e a necessidade de perdoar. Penso: “Tenho que perdoar.” Mas daí a realizar, a fazer, a entrar no ápice, a perdoar efetivamente, é o Cristo, que em sua abrangência nos corações define todo o plano operacional desse amor, ele é a dinamização do amor em toda a sua beleza e grandeza, constitui o amor dinamizado.

Não é Deus, é Deus que se dinamiza, e equivale dizer que a obra consolida-se com ele. O Cristo íntimo é o reflexo de Jesus hoje em nossa vida e o Jesus de ontem está sendo incorporado e dinamizado no campo crístico dentro de nós. Estamos matriculados na órbita crística, aquela órbita que opera verdadeiros valores dentro da gente em um décimo do tempo que os outros gastam. Isto é, Jesus viveu trinta e três anos e não temos notícia dos trinta, temos notícia dos três anos que é um décimo desses trinta e três. E quando Paulo diz “o Cristo vive em mim” (note bem, não é Jesus vive em mim, é Cristo vive em mim) define para nós a vivência do corpo doutrinário, a exteriorização do valor assimilado.

Logo, em qualquer situação da nossa vida que o nosso grau personalístico diminua e que ele fale mais alto, primeiro o Cristo. E o amor capaz de gerar o Cristo, a ser elaborado por nós, tem que ser destituído de mácula, tem que ser pleno, precisa nascer de uma virgem, de um sentimento puro. E o objetivo de Jesus, pode ter certeza, não é sermos cristãos, mas nos tornarmos também Cristos.

“E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último.” (Apocalipse 1:17) Interessante, primeiro e último nos mostra que entre Jesus e Cristo o primeiro é Jesus. Ele é o homem, nos dá o parâmetro de demonstração do que temos que realizar. Sinteticamente, ele representa a culminância e a síntese do Cristo.

Assim, o primeiro Jesus é Jesus e o último Jesus é o Cristo sublimado. Como orientador e mestre ele define a sua autoridade: primeiro e último. O primeiro que viveu em primogenitura as leis de Deus e o último em razão da sua enorme elasticidade, da sua ampla abrangência. Ele está com o primeiro da fila e quando o último chegar ele também estará. A evolução não cessa e seguimos numa escala infindável para Deus. O lutador faixa branca sonha alcançar o nível do seu professor faixa preta, mas ao chegar a faixa preta o professor já alcançou níveis ainda mais elevados. Assim somos nós e Jesus. Nosso superconsciente, onde existem todas as áreas do nosso ideal, por mais auspicioso que seja para ele é subconsciente, questão vivida e explorada, arquivo morto. 

Cabe-nos reeducar e trabalhar de forma contínua para que a expressão crística esteja sempre presente nas nossas melhores manifestações na vida em todos os momentos. 

8 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 7

A PORTA LARGA E A PORTA FECHADA

“13ENTRAI PELA PORTA ESTREITA; PORQUE LARGA É A PORTA, E ESPAÇOSO O CAMINHO QUE CONDUZ À PERDIÇÃO, E MUITOS SÃO OS QUE ENTRAM POR ELA; 14E PORQUE ESTREITA É A PORTA, E APERTADO O CAMINHO QUE LEVA À VIDA, E POUCOS HÁ QUE A ENCONTREM.” MATEUS 7:13-14

“24PORFIAI POR ENTRAR PELA PORTA ESTREITA; PORQUE EU VOS DIGO QUE MUITOS PROCURARÃO ENTRAR, E NÃO PODERÃO. 25QUANDO O PAI DE FAMÍLIA SE LEVANTAR E CERRAR A PORTA, E COMEÇARDES, DE FORA, A BATER À PORTA, DIZENDO: SENHOR, SENHOR, ABRE-NOS; E, RESPONDENDO ELE, VOS DISSER: NÃO SEI DE ONDE VÓS SOIS;” LUCAS 13:24-25

A gente está atrás de portas que nos ofereçam soluções e certas escolhas são portas enganosas, verdadeiras portas de ilusão. A porta larga é aquela pela qual temos transitado no decorrer dos séculos, expressa o apego às coisas materiais e aos valores de toda a ordem que arregimentamos sem seleção, a nos fixarem nas engrenagens da vida transitória. Por ser fácil passar ela é a preferida, e tanto a porta larga quanto o caminho espaçoso apresentam facilidades para entrar e continuar. Além de ser a opção menos feliz é também ponto de acesso a veredas que conduzem a situações difíceis ao sabor das ilusões.

Vereda é caminho estreito, atalho, e toda vereda leva a algum lugar, e não são poucas as veredas que muitos têm percorrido acalentados pelas tendências imediatistas, a exigirem retificação e acerto pelas vias da reeducação. Por tal motivo sempre encontraremos pessoas em sérias dificuldades ou envolvidas em situações difíceis, simplesmente porque buscam as ilusões das facilidades. Afinal, se insistimos no menos conveniente precisamos recordar que há leis reguladoras da vida e de suas manifestações, e elas costumam aceitar desafios.

A lei visa manter o equilíbrio do universo, e se optarmos pela porta larga e, consequentemente, pela rota espaçosa, é natural que negativa seja a resposta da vida, pois as veredas que levam à perdição são geradoras da desgraça, da desventura e da infelicidade. E amplamente enganados estão todos os que nos asseveram que no vale profundo respiraremos o ar puro e contemplaremos paisagens distantes e belas. Sem dúvida ela é preferida por muitos, não por todos, porque vários já visualizam o caminho redentor e tudo o que requer trabalho e constância é para poucos. Porém, a perdição não é eterna, irremissível.

Saturados na dor passamos a sentir a necessidade de mudar, e se nos desviamos da rota adequada é razoável o apelo ao amor para que a dor diminua.

Fica um lembrete da maior importância: abandonemos a ilusão antes que a ilusão nos abandone.

O sistema da porta é a mudança interior. A porta aberta é a oportunidade que surge, não devemos nos esquecer. Se você está recolhendo informação e está conseguindo metabolizar e aplicá-las no seu dia a dia, você está sempre com essa porta aberta. E todos estamos cansados de saber onde está essa porta, essa oportunidade importante, e como ela é transposta. Um exemplo nítido de uma porta a transpormos é um familiar complicado, isto é, quando não é a gente o legítimo complicador.

O importante é que tenhamos a percepção clara do instante em que a porta está aberta.

Essa porta aberta que, sem dúvida, vai ser aberta dentro de uma oportunidade real de transformação. Saber aproveitar a oportunidade, porque muitas vezes nós tentamos forçar as portas. A gente quer penetrar nas raízes do problema quando não teríamos a estabilidade suficiente para fazermos contato com a dificuldade e sair dessa dificuldade de forma positiva. Outras, nós fechamos uma porta de oportunidades, de crescimento à nossa frente, e isso ocorre quando fechamos os olhos ou damos as costas àquilo que nos chega juntamente com um fator clareador para aqueles componentes da vida que precisam ser modificados. A gente tem aprendido que a oportunidade volta no tempo, embora o tempo jamais volte. Pelo menos o relativo dele. Esse não volta.

E quando nós perdemos a oportunidade no instante em que ela abrange uma série de fatores e circunstâncias, em seu momento crucial, quanto a essa possibilidade nós temos que esperar a combinação nova e a complementação de outra nova etapa. Então, muitas oportunidades são oportunidades com uma série de fatores conjugados, uma possibilidade de alta expressão no tempo. E podemos ter oportunidades com intervalo de tempo pequeno, reduzido, estreito, por exemplo, não fiz hoje, posso fazer amanhã, outras relativas e até milenar.

Temos que aproveitar, pois a porta não fica aberta por período de tempo indeterminado.

Leia com carinho o versículo referenciado na introdução. Em muitas situações a porta se fecha. E cerrar a porta significa fechar o sistema. Cessou, vai ter que esperar.

Isto é, você pode conquistar uma enormidade de outros valores, no entanto, aquele que você precisava fica preso, inacessível. Analise quantas criaturas perdem oportunidades valiosas desse entrar e depois lamentam, choram, pelo fato de terem perdido o ensejo.

Às vezes, alguém não valoriza a oportunidade na encarnação presente, deixa passar, leva na brincadeira, no descompromisso, e na hora que acorda e vai reconhecer, por exemplo, no momento em que espera reencontrar o adversário de outra época com o qual não reconciliou em tempo certo, no momento em que acha que vai reencontrar aquela pessoa para resolver a questão, a porta está cerrada, e diz: “Ué, mas não é possível. A porta fechou, e eu não sabia que ia fechar. Ninguém me falou.” Pois é, não sabia, não achava, mas fechou, a porta esta cerrada. E o que é pior, muitas vezes vai se aperceber e tomar conhecimento de que a próxima oportunidade não é tão próxima quanto parece.

Então, meu amigos, para muitas coisas na vida as nossas portas estão realmente fechadas, e essa porta é fechada para que eu e você possamos vir a crescer em outras áreas, em outros terrenos, crescer em outros campos. Muitos se deparam hoje com a porta fechada. Quando se está debaixo de uma prova, de uma expiação, por exemplo, não adianta, essa porta está fechada e não tem ninguém que a abra. Apenas um a pode abrir com a chave superior, e no caso é a misericórdia divina em Deus, o Cristo. Este abre pela misericórdia, e fecha.

3 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 6

A PORTA ESTREITA

“13ENTRAI PELA PORTA ESTREITA; PORQUE LARGA É A PORTA, E ESPAÇOSO O CAMINHO QUE CONDUZ À PERDIÇÃO, E MUITOS SÃO OS QUE ENTRAM POR ELA; 14E PORQUE ESTREITA É A PORTA, E APERTADO O CAMINHO QUE LEVA À VIDA, E POUCOS HÁ QUE A ENCONTREM.” MATEUS 7:13-14

“EU SOU A PORTA; SE ALGUÉM ENTRAR POR MIM, SALVAR-SE-Á, E ENTRARÁ, E SAIRÁ, E ACHARÁ PASTAGENS.” JOÃO 10:9

É engraçado, estamos trabalhando a passagem da Porta Estreita e ainda não definimos o que seja porta. Pois bem, porta é uma abertura em parede, ao nível do solo ou de um pavimento, para dar entrada ou saída, é ponto por onde se entra ou sai de algum lugar, por onde se passa para atingir outro mais distante. Em sentido aprofundado, define a maneira de sair de dificuldade, é meio de acesso, representa a abertura, aquele instrumento que nos propicia transposição, alcance a novos ambientes.

A Vida, quer aqui, quer ali, está repleta de caminhos e sempre somos constrangidos por ela a entrar nessa ou naquela porta. Ao especificar a porta estreita o evangelho nos esclarece sobre a pluralidade de opções que o mundo oferece e aponta, opções consubstanciadas na lei de contrastes. Vivemos em um mundo que tem de tudo, e oferece de tudo, e são as situações generalizadas que se nos apresentam no dia a dia que nos apontam portas largas ou estreitas.

Vamos examinar com muito carinho onde entramos com o sagrado depósito da confiança, é importante avaliarmos a natureza do que estamos palmilhando, analisarmos a que porta temos recorrido na luta cotidiana. É indispensável ajuizarmos quanto à direção dos próprios passos, de modo a evitarmos o nevoeiro da perturbação e a dor do arrependimento.

O que estamos falando aqui, em palavras tão simples, é profundo demais. Estamos lidando com nossa harmonia íntima e simbolicamente o mundo está repleto de portas enganadoras que dão entrada, mas não oferecem saída. E sabe por que temos que pensar? Porque não somos jogados pelas portas adentro, o processo de decisão legítima é nosso, consciente e espontâneo. E muitas vezes perdemos longo tempo para retomarmos o caminho que nos é próprio.

Por isso precisamos avaliar para sabermos onde está nos conduzindo o caminho que espontaneamente temos escolhido, e se foge às normas do evangelho podemos e devemos mudar.

Jesus, nosso melhor amigo, só nos aconselha e induz ao que é conveniente. Segui-lo ou não é outra coisa, dependerá do uso que fizermos do livre-arbítrio, da nossa escolha.

Em muitas estações no campo da humanidade é provável recebamos proveitosas experiências, amealhando muitas delas à custa de desenganos terríveis, mas apenas em Cristo, no clima sagrado da aplicação dos seus princípios, é possível encontrarmos a passagem abençoada de definitiva salvação.

Ele é o caminho que, embora difícil e estreito, será sempre a escolha segura para quantos se dispõe a adotar sem reservas e de forma determinada a luta incessante rumo ao grande futuro. Apenas por intermédio do seu ensinamento alcançaremos o trajeto da verdadeira libertação. Se alcançamos um raio de luz no evangelho avancemos na direção de Jesus, o divino libertador, pois o amor é aquela dose a mais que a gente oferece. Voltando-nos aos interesses espirituais, valorizando o próximo e mudando tendências visando nossa melhoria íntima, estaremos nos ajustando ao verdadeiro roteiro de ascensão. É “preparai o caminho”, e o imperativo preparai nos convida a estruturarmos nova vida na base do amor. E quando ele indica caminho a gente prepara. No “eu sou o caminho” ele aponta caminhos e diretrizes. Mas não basta visualizar o caminho, é preciso sedimentá-lo, não basta ficar preparando-o, ele vai ser sedimentado à medida que passamos a operar em conformidade com as verdades.

Muita da dificuldade nossa em afirmar em uma nova fisionomia de vida é porque somos apaixonados e não abrimos mão. Não é exagero, ainda nos mantemos apegados à condição de vida, embora identificando padrões melhores permanecemos presos e acorrentados aos caracteres velhos. É mais ou menos como a torre de Babel, que queria chegar ao céu, mas não queria tirar o pé da terra.

Por esta razão não adianta você querer mostrar a chave do céu para uma pessoa que está no inferno e acha que aquele inferno é o céu dela e não abre mão. E essa chave que nos é apresentada é para abrir o cadeado dessas correntes. Sendo estreita a porta a sua transposição sugere sacrifício, não se passa com a bagagem que queremos, e nós queremos passar com a bagagem toda.

Apesar de ligados à imprescindível vida transitória estamos inseridos em uma vida maior, imortal. E por mais coisas que façamos no nosso dia a dia, por mais tarefas que possamos ter na correria diária, não podemos abdicar do trabalho voltado ao lado espiritual. A porta estreita nos convida a deixar para trás tudo o que a gente não pode levar, é aquela cujo acesso e transposição exige-nos redução dos interesses imediatistas. Ela vai exigir sobriedade em todos os aspectos, desapego e outras atitudes a trabalharem o campo educativo, razão pela qual nem sempre optamos por ela. É representada por aquelas decisões que implicam ou sugerem certa atitude de renúncia. É isso aí, é a porta da renúncia.

E renúncia é a capacidade de abstermos de algo em favor de algo, sendo capazes de abrir mão de algum componente de suma importância para nós. Mas sem ficarmos marcados, porque tem gente que não cede, apenas tampona a personalidade, às vezes até durante a vida inteira, e vai marcado em seu psiquismo para o plano espiritual, quando do desencarne. Se você pretende avançar ao encontro do melhor despoja-te do inútil. Não sintonizarás a antena do coração com as mensagens de toda parte. Jesus enumera as razões pelas quais devemos escolher a porta estreita. E embora exija sacrifícios, a porta estreita é a que nos admite em novo terreno de realizações onde saciaremos objetivamente a fome de redenção dos males a que ainda estamos sintonizados.

O caminho evolutivo está sempre repleto de aguilhões, e de outro modo não enxergaríamos a porta redentora. Não é diferente para você, não é diferente para mim, não é diferente para ninguém. O caminho da salvação é o caminho do dever.

Não obstante, somos ainda bastante resistentes, temos uma soma muito grande de padrões arraigados dentro de nós e não queremos abrir mão. Sendo assim, não julguemos seja fácil semelhante viagem do espírito, encontraremos no caminho variados apelos à indisciplina e à estagnação. Inclusive, existem círculos numerosos na Terra em que as criaturas não se apercebem das realidades gloriosos e paralisam a marcha dormindo na ilusão.

A procura precisa ser direcionada e quanto mais depressa a fizermos, melhor. Se toda estrada conduz a algum lugar, é imprescindível a convicção quanto a que estamos seguindo. Na vida tudo tem preço, o bom é alto custo, exige esforço e trabalho, a existência se revela plena e feliz aos que diligenciam com equilíbrio e buscam com perseverança. Agora, nada de supor que ultrapassada a porta se pode prosseguir à vontade, o processo seletivo continua porquanto apertado é o caminho. Não basta entrar, é indispensável perseverança na realização do programa auto-educativo que não pode ser interrompido para o bem da criatura em sua busca de redenção. À medida que vamos incorporando nova concepção a vida vai ficando mais suave, com mais acerto, paz e harmonia.

29 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 5

ENTRAI

“13ENTRAI PELA PORTA ESTREITA; PORQUE LARGA É A PORTA, E ESPAÇOSO O CAMINHO QUE CONDUZ À PERDIÇÃO, E MUITOS SÃO OS QUE ENTRAM POR ELA; 14E PORQUE ESTREITA É A PORTA, E APERTADO O CAMINHO QUE LEVA À VIDA, E POUCOS HÁ QUE A ENCONTREM.” MATEUS 7:13-14

“EU SOU A PORTA; SE ALGUÉM ENTRAR POR MIM, SALVAR-SE-Á, E ENTRARÁ, E SAIRÁ, E ACHARÁ PASTAGENS.” JOÃO 10:9

Se nós precisamos desconectar os pontos de dificuldade que nos prendem à retaguarda, objetivando a abertura das comportas que nos projetem para o futuro, fica evidente que enquanto não tivermos a chave do reino dos céus a gente não consegue ter a chave do inferno. Ou seja, essas chaves da morte e do inferno precisam estar associadas com as chaves do céu. Esse é um detalhe importante, e quando a gente pega essas chaves, quando as temos nas mãos é uma tranquilidade grande.

O mestre diz: “Entrai,... eu sou a porta, se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” Deu para perceber o grande segredo? O texto em questão principia-se com um imperativo apontado por Jesus: Entrai! 

E o sofrimento nosso de certa forma é mantido enquanto insistimos em nos manter na inversão dos verbos. Ou seja, por determinados dispositivos religiosos periféricos nós ficamos muito envolvidos no sair. Queremos sair das dificuldades, ficamos ansiosos em sair, mas não se sai dessa morte e desse inferno sem entrar em algum lugar. Como não existe vácuo em todo o universo ninguém sai de algum lugar sem entrar em outro lugar.

O essencial é entrar.

O grande segredo da desvinculação é a vinculação, nunca a desvinculação sem a sintonia com uma meta no outro lado da dualidade. O materialista pode sair das suas posses e entrar em desespero ou no arrependimento. “Não aguento o meu emprego, não suporto o meu patrão. Não fico lá nem mais um dia”, você diz consigo. Pode sair do emprego que te desconforta e entrar no desemprego. Pode sair do vício do cigarro e entrar no da bebida. Pode sair de um estado de alma e entrar em outro pior. Pode sair de casa, brigado com tudo e com todos, e adentrar em uma situação bem mais complicada.

Porque aquele que sai normalmente se fanatiza, radicaliza, ele não consegue sair direito nem entrar. Tem pessoas que saem das complicações, mas não entram.

Muitos insistem em sair para entrar, o que significa perder determinada condição de vida, e perder para depois conquistar faria de nossas vidas um constante vale de lágrimas. O evangelho propõe entrar em uma nova dimensão para sair da antiga, e a gente sai de modo honrado, de modo tranquilo, sem escândalos. 

Vamos pensar nisso. Vamos entrar para sair. Entrar em uma proposta nova definindo um estado diferente de equilíbrio e harmonia. A entrada em nova faixa, em um novo componente, automaticamente representa a saída do outro território, do outro terreno, isto é, o crescimento consciente pressupõe vincular-se para desvincular.

A porta é ver, e nós já estamos cansados de visualizar a porta. Os componentes evangélicos nós já os vemos com muita propriedade, enxergamos que é uma beleza, visão nítida, todo mundo enxerga, e sem precisar usar os óculos.

Porém, a conquista efetiva vai depender da obra, da ação, do movimento, da dinâmica.

Sem contar que porta dá idéia de entrar. E aí entra a grande questão, a nossa luta é estarmos demorando a entrar. Nós passamos, olhamos, tornamos a passar: “a porta está lá, estou pensando, sei lá se eu entro.” E haja pensamento.

Pois ela é estreita e exige determinadas doses de alterações em nosso psiquismo de mudanças, de hábitos, de uma metabolização de um material alimentício diferente. Realmente tem sido muito desafiador para todos nós. Mas não tem jeito, a proposta é entrar, é a entrada que garante a paz e essa entrada é um desafio.

Para começar, precisamos deixar de esperar que os anjos venham até nós para resolver os problemas que são de nossa competência solucionar, precisamos aprender a reclamar menos, trocar a reclamação pela operacionalização. O processo não é esperar, é ir ao encontro. Todos somos diariamente constrangidos à ação e pelo que fazemos é que cada qual decide quanto ao próprio destino, criando para si a inquietude descida à treva ou a sublime ascensão à luz. É certo que vida é um processo de eleição pessoal, e que ainda adoramos a vida complicada que a gente leva, porém, se o fruto é aquilo que dimana da gente vamos cuidar da parte que nos compete e “seja feita a vossa vontade”.

O entrar é referência ao mecanismo seletivo de decisão e está para além do processo de sintonia vibracional. Afinal, responsáveis por nossas decisões, essas escolhas devem ser sedimentadas ao nível das atitudes, ao nível da ação, porque é a ação que nos possibilita a desativação dos campos de infelicidade.

Sempre temos uma linha que sugere um plano tríplice e sempre estamos no ponto intermediário. Ou seja, no alto, a etapa ou a faixa superior (de cima) é onde recebemos as orientações, os influxos orientadores. Então, os planos de percepção são para cima e o plano operacional está para baixo. E a porta estreita não está apenas em captar valores, está em ter acesso ao valor de cima.

Representa o plano operacional de vida, ela necessita atitude, está para além do ver, pressupõe a aplicação de componentes anteriormente angariados. De modos que pela aplicabilidade passamos a ter uma linha de ressonância, abrindo uma porta e entrando nela, o que define que passar na porta é algo reservado a quem opera, a quem faz, a quem aplica, a quem realiza. Só aquele que aprende pelo conhecimento identifica a porta e pode dizer: “é ali que passa”.

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