31 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 6 (Final)

A APLICABILIDADE E A COMPREENSÃO

Já mencionamos que às vezes tamponamos a nossa capacidade auditiva e preferimos ir com a cabeça na parede. E que perdemos a faculdade de ver para aprendermos a ouvir, pois a acústica é maior do que a visão, ela revela coisas que nem sempre os olhos são capazes de perceber. Por isso, quem não consegue ver tem que se limitar a ouvir.

E estamos repetindo isso para dizer que muitas vezes um campo mental de certo modo restrito, reduzido, tem a finalidade de fazer com que a criatura administre a capacidade de operar a onda mental com equilíbrio. A conclusão é simples, daqui para frente ou nós melhoramos a nossa ótica, ou vamos continuar trabalhando perifericamente no plano do nosso crescimento espiritual.

E fica fácil percebermos que nas curas de Jesus presentes no evangelho, especialmente no que se refere aos cegos, temos a presença de certas peculiaridades.

Elas nos mostram que Jesus não apenas retornava-lhes a visão, não apenas recuperava a visão para que vissem, mas implicavam também no como ver. O mestre não apenas recompunha a visão de quem não enxergava, mas objetivava propiciar o recebedor com um quadro novo de uma capacidade de ver. Ou seja, Jesus não visava tirar a dor física dos enfermos buscando alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as suas doenças. Ele se preocupou, acima de tudo, em proporcionar a cada alma necessitada uma visão mais ampla da vida, e em aquinhoar cada espírito no caminho evolutivo com eficientes recursos de renovação e transformação para o bem.

E disso nós concluímos uma coisa: o primeiro fator que nos importa quando passamos a ver é o aspecto da aplicabilidade. Basta analisar como os pacientes nessas curas se encontravam antes e como passaram a agir depois de consumadas.

Porque é da lei (divina) que nós não devemos ver senão o que possamos observar com proveito. Cada um de nós deve ter a possibilidade de ver somente aquilo que proporcione proveito legítimo, afinal, não fomos criados para ver dentro de um plano de entretenimento apenas. Para poder ver além daquele ponto que nos é delimitado temos que saber investir naquilo que fomos capazes de ver. E a capacidade de ver representa não apenas detectar, está muito para além disso. Quem sabe ver detecta, sabe para quê e porque vê.

Vamos guardar uma coisa, em sentido absolutamente cristão compreender é palavra de ordem para quem quer a elevação. A compreensão é fulcro geratriz do amor e da misericórdia, componente inarredável do nosso crescimento. Se há cristianismo em nossa consciência o cultivo sistemático da compreensão e da bondade tem força de lei em nossos destinos, por isso em todo momento da vida temos de nos encontrar com a válvula da compreensão em disponibilidade.

A compreensão é o plano fundamental do amor, podemos até dizer que o amor fecunda-se na compreensão.

É impossível amar sem compreender, é muito difícil o exercício da caridade fundamentada amplamente no amor sem um alto grau de compreensão. Enquanto não compreendermos não conseguiremos penetrar no território do amor. E compreender é alcançar com a inteligência, é entender, perceber ou alcançar as intenções ou sentido de, entender aceitando como é, dar-se conta de, é ver. A compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma, e quando começamos a conhecer a realidade da própria vida abrem-se novos patamares de visualizações e subtraem-se os desencantos. E compreender é ver não só o que estamos enxergando.

O Cristo Jesus, representando a luz maior, aqui veio, a um mundo onde imperava a escuridão em seus caracteres mais amplos. E o evangelho nos aponta que as trevas não compreenderam a luz. E não compreenderam simplesmente porque para que pudessem compreendê-la preciso fora que se iluminassem. Não vamos nos esquecer que estamos marchando para Deus e os caminhos não são os mesmos para todos. No planeta em que estamos ajustados não temos salvos de um lado e condenados de outro. O que nós temos são pisos evolucionais. As mentes vibram em patamares condizentes ao grau de evolução em que se ajustam, patamares consonantes com o grau de evolução que estão conquistando.

Convocado a discutir, Jesus imolou-se. Não reclamou compreensão e entendeu a nossa loucura, localizou-nos a cegueira e amparou-nos ainda mais. Não ignorava o que existia no homem, no entanto, nunca se deixou impressionar negativamente.

Muitos dos entes mais amados na Terra, embora ocupando o nosso coração, ainda não podem entender as conquistas santificadas do céu. E em um plano de contrastes chocantes como o nosso não será possível agradar a todos simultaneamente. Mas nem por isso condenemos o próximo porque nele observemos a inferioridade e a imperfeição.

Junto da serenidade poderemos analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito. Se por um lado não podemos agradar a todos, por outro não podemos nutrir nenhuma proposta desagradável aos outros. Existe uma diferença entre aprovar a postura do semelhante e compreender o semelhante. Nós não temos que aprovar as distonias de vida que as criaturas levam, mas temos que ter uma tranquilidade para compreender o nível evolucional delas.

E ninguém perderá exercendo o respeito que devemos a todos as criaturas e a todas as coisas.

Logo, aprovar nem sempre, mas compreender sempre. Se eu descaracterizar, desrespeitar o piso do meu semelhante eu estou apagando a minha luz, e a luz foi feita para dissipar a treva, a função da luz é iluminar, não brigar com a treva. Se nós não compreendermos a treva a nossa luz nunca será luz, ela será um foco intimidador. A conclusão é que a gente tem tentado em nossa vida prática desativar a preocupação e saber compreender. E quando compreendemos o piso diferenciado passamos a ter paciência junto às pessoas.

Até mesmo no processo educativo nós ganhamos autoridade em determinar limites a outrem quando nós compreendemos. Porque enquanto nós não compreendermos nós vamos colocar limite para resguardar o nosso interesse pessoal e não para ajudar o semelhante que está exorbitando da sua órbita. Quando Jesus passou por todo o processo de resistência do mundo ele quis nos ensinar algo no final, que ele viveu isso tudo por amor a nós, ao passo que nós vamos viver em respaldo ao destino.

Agora, nós só podemos compreender determinadas questões quando encontramo-nos em condições vibratórias necessárias para as assimilarmos. E mais uma coisa importante, através da compreensão é imperioso evitarmos agravar os problemas do próximo que amanhã podem vir a tornarem-se nossos.

29 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 5

O COLÍRIO E A PROFUNDIDADE

“ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:18

Os olhos são instrumentos de interação com os seres e as coisas. Para propiciarem eficiência necessitam estar limpos, saneados. O pranto e o ranger de dentes significa lavar os olhos pelo líquido das lágrimas do sofrimento para ver melhor. Porque lavá-los pelo pranto nos proporciona uma ótica mais nítida da existência.

E para quem já consegue visualizar com certa claridade a marcha do progresso, essas lágrimas vão além de apenas limpar os olhos. Elas lavam o coração, mas sugerem ao espírito sofrido algo mais, abrir-se para o sol e para oportunidades novas.

“E que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” significa que ainda não estamos vendo. Não estamos vendo e precisamos ver. Define que o momento é agora, o problema não é o passado, a questão é seguirmos adiante tendo forças para que possamos vencer a caminhada, trabalhar as causas com vista ao futuro.

Para isso é necessário ungirmos os nossos olhos com colírio. Porque já não precisamos tanto da dor para ver melhor. Já não necessitamos tanto aprender pelo sofrimento, uma nova alternativa, e muito melhor, se nos apresenta ao invés das lágrimas.

Colírio é um remédio que se aplica sobre a conjuntiva dos olhos para efeito curativo ou de alívio, representa evoluir para além da dor. É o discernimento, pelo qual desobstruímos a nossa visão. Esse colírio clareia a vista lavando os olhos, que são instrumentos abençoados de nossa interação com os seres e as coisas. Ele nos proporciona uma ótica mais clara, limpa. É a proposta de irrigar, manter a visão nítida para ter-se o discernimento e identificar o que fazer, pois o que buscamos é abrir nossa vista objetivando enxergar com mais propriedade. E quem tem bons olhos não vê o bom nem o ruim, compreende apenas.

O ver é a função do olho e ele representa um campo perceptivo. Em geral, os homens possuem da matéria a conceituação possível de ser fornecida pela mente, compreendendo-se que o aspecto real do mundo não é aquele que os olhos mortais podem abranger, afinal de contas, as percepções humanas estão condicionadas ao plano sensorial, sem conseguirem ultrapassar o domínio de determinadas vibrações.

Mergulhadas nas vibrações pesadas dos círculos da carne as criaturas tem notícias muito imperfeitas do universo, em razão da exiguidade dos seus pobres cinco sentidos. É por isso que o homem terá sempre um limite nas suas observações da matéria, da força e do movimento, não só pela deficiência de percepção sensorial, como também pela estrutura do olho, onde a sabedoria divina delimitou possibilidades humanas de análise, de modo a valorizar os esforços e iniciativas. O campo da alma exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptivo. Por isso é imprescindível habituar a visão na procura do melhor, saber que o olho básico de profundidade é o do campo mental.

A expressão “dois olhos”, mencionada nas Escrituras, é uma referência à visão profunda do diencéfalo e aos componentes interativos do nosso dia a dia, que é a visão normal. Note que às vezes alguém vê uma pessoa, mas não vê o seu semblante. Muitos vêem e não enxergam, e o olho capaz de ver, transcendentemente, é aquele que vê e vê mesmo, muito para além da visão objetiva e lógica. A visão, um dos últimos sentidos, senão o último que conquistamos, faz esse papel de percepção e, como já mencionamos, também detona novas linhas de ação. E refrisamos que atrás de cada acontecimento há uma mensagem, por isso é preciso efetivamente saber ver, existe causa preponderando ao efeito.

Ou seja, temos que entender. E entender é uma abertura da visão profunda para além da visão comum. A expressão “olhos como chama de fogo” sugere olhos de profundidade relativamente à vida. O entender lida com essa visão profunda do diencéfalo, que é a epífise, a sede da mente, e esta mexe com a essencialidade profunda nossa. Os próprios sentidos nossos, todos eles, são componentes sob a direção direta do campo mental, que é o centro coronário, onde está a visão profunda do diencéfalo, e tudo isso trabalha de forma globalizada.

Outras questões interessantíssimas acerca da visão, como aquela passagem “Se teu olho te escandalizar, arranca-o...” abordaremos com detalhes mais adiante.

26 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 4

O VER

“EIS QUE VEM COM AS NUVENS, E TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; E TODAS AS TRIBOS DA TERRA SE LAMENTARÃO SOBRE ELE. SIM. AMÉM”. APOCALIPSE 1:7

“16POR ISSO NÃO DESFALECEMOS; MAS, AINDA QUE O NOSSO HOMEM EXTERIOR SE CORROMPA, O INTERIOR, CONTUDO, SE RENOVA A CADA DIA. 17PORQUE A NOSSA LEVE E MOMENTÂNEA TRIBULAÇÃO PRODUZ PARA NÓS UM PESO ETERNO DE GLÓRIA MUI EXCELENTE; 18NÃO ATENTANDO NÓS NAS COISAS QUE SE VÊEM, MAS NAS QUE NÃO VÊEM; PORQUE AS QUE SE VÊEM SÃO TEMPORAIS, E AS QUE SE NÃO VÊEM SÃO ETERNAS”. CORÍNTIOS II 4:16-18

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

O ver é conhecer ou perceber pela visão, é alcançar com a vista, enxergar, distinguir, avistar, saber, conhecer. Logo, quando nós falamos em olhos, dentro do contexto do evangelho, é óbvio não se tratar de olhos físicos. E essa expressão “todo olho verá”, no singular, define a visão não no seu sentido físico, ou a simples capacidade de observação ao nível dos sentidos, mas aponta que esse olho, na essencialidade, trabalha para além desse contato objetivo e físico.

E essa capacidade de ver vai atingir a todos. De uma forma ou de outra todos nós vamos entender, o chamamento é para todos. Até aqueles que machucaram Jesus, que o feriram, que o traspassaram, que tentaram resistir e rechaçar os componentes detonadores de uma nova era também estavam na mesma ótica. Ou seja, não há discriminação, engloba a todas as criaturas. Até aqueles ainda endurecidos no amor, que ainda vivem em um sentido acentuadamente egoístico e monopolizador dos seus pontos de vista, cedo ou tarde verão.

E não basta ver, é preciso saber ver, e ver representa percepção e aprofundamento das causas. Porque mais felizes nos sentimos quando passamos a entrar no terreno das causas. Pois a visão, sob o aspecto da compreensão, nos abre uma perspectiva nova, objetivando uma nova etapa, um período novo. Logo, paciência com as dificuldades e as provas a que estamos sujeitos nas trajetórias da vida, tudo o que detectamos pela visão é transitório.

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer;” (Apocalipse 1:19) O versículo aponta para um encadeamento, um encaminhamento de raciocínio. Ele define as coisas que a gente vê e as coisas que efetivamente são. Isso nos mostra que primeiro a criatura visualiza com o seu próprio grau perceptivo.

Porque nós temos uma facilidade de decodificar o nosso plano de observação conforme a nossa conceituação, na moldura dos nossos próprios reflexos, dos nossos próprios interesses. Assim, é muito comum nós olharmos consoante o que temos dentro da gente, a nossa análise é feita conforme os padrões que nós temos, cada qual vê segundo o grau evolucional que já atingiu. Um ponto determinado serve de referência a muitas pessoas em ângulos diferentes, uma mesma figura detona inúmeras condições na intimidade do paciente que a observa. Na realização de um teste psicológico notamos em mesmo elemento, em mesma linha de referência, várias interpretações, porque cada um dá o dimensionamento compatível com o que se soma na sua própria intimidade. Sem dúvida, cada espírito observa o caminho ou o caminheiro segundo a visão clara ou escura de que dispõe, a evolução é uma escada infinita (e sabemos muito bem disso) e cada qual abrange a paisagem de acordo com o degrau em que se coloca.

O olho é instrumento identificador, os olhos transmitem linha de percepção. E a deficiência de visão, em sentido espiritual, é referência à nossa visão íntima, a nossa ótica relativa ao mundo, onde vemos muita coisa fora do foco, fora da sua linha básica. E sabemos que o ponto de vista é simplesmente a vista de um ponto.

Não raras vezes chegamos a um estado de saturação em que percebemos que o que estamos enxergando não é o que estamos querendo ou não nos está atendendo plenamente. E concluímos que a visão tem, também, um sentido de definição do que realmente propomos na vida.

Aparentemente, ver é a mesma coisa que olhar, no entanto, em uma análise mais profunda há uma distinção. Ver é automático, apresenta um sentido de constância, ao passo que olhar é uma proposta de interesse, olhar é um ver dirigido, define interesse, apresenta foco. Logo, o ver precisa estar acompanhado, associado, para que ele possa ter a capacidade e o caráter de olhar.
Concluímos disso que o ato de ver pode não ser aquilo que efetivamente é. Veja bem, se cada um de nós está vendo o importante é que essa visão seja sempre, e cada vez mais, o reflexo da realidade. É preciso um trabalho informativo ampliado para que a nossa visão seja cada vez mais autêntica e segura. Uma visão que não seja uma visão apenas dimensionada na nossa ótica pessoal, mas que aprendamos a ver para além da nossa capacidade personalística. Se, por um lado, vemos segundo nossa ótica, por outro, quem quer crescer conscientemente tem que saber ver para além. E, além de ver para além, saber detalhar a visão no discernimento, que é a sublimação da capacidade de ver.

Por isso, amigos, quando nós começamos a enxergar a realidade da vida o nosso sofrimento desaparece quase que totalmente. Porque ao lado da constatação de nossas falhas vem a alta dose de confiabilidade no criador com suas leis que, seja qual for a intensidade da lei de causa e efeito, fala a lei de misericórdia. Pela misericórdia é que fala a grandeza de um criador que ama os seus filhos, e à medida que vamos entendendo isso vamos desativando as preocupações. E nós temos que ter uma capacidade de poder extrair de um fato, situação, de uma realidade, o que ela tem de melhor para a gente.

O versículo realmente nos aponta um encadeamento: que vê, que são e que hão de vir. Primeiro o indivíduo visualizava algo com o grau perceptivo dele. Muitas coisas podem ser vistas e não acontecem, outras não acontecem porque já são, já aconteceram, e outras que hão de acontecer no futuro. As que depois destas hão de acontecer refere-se a processo de projeção no tempo e no espaço, delineadas com base no que já foi lançado no terreno do tempo. Pois a vida devolve a seus legítimos semeadores ou plantadores as respostas quanto àquilo que fizeram em vidas anteriores, dentro da amplitude da causa e efeito.

Normalmente nosso grau de observação e percepção é muito mais abrangente que o nível de conquista ou acontecimento. Pode ser que estejamos hoje conseguindo alcançar em nossa luta reeducacional padrões que vimos lá atrás, em uma retaguarda remota. Essas estão acontecendo dentro do processo, mas outras vimos e não aconteceram ainda. No reverso, por nossa ótica acanhada, nós podemos encontrar também coisas que achamos que vimos e presenciamos e que nunca vão acontecer. Nossa mente também cria coisas que inexistem, que vinculam ao nível de imagens e fantasias sem nenhuma fundamentação. Quantas vezes laboramos determinado fato que não acontece.

22 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 3

O APOCALIPSE

“REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO, A QUAL DEUS LHE DEU, PARA MOSTRAR AOS SEUS SERVOS AS COISAS QUE BREVEMENTE DEVEM ACONTECER; E PELO SEU ANJO AS ENVIOU, E AS NOTIFICOU A JOÃO SEU SERVO;” APOCALIPSE 1:1

Quando nós falamos nas trombetas, naqueles acontecimentos menos felizes que nos alcançam de forma mais imperiosa, contundende, avassaladora, nós pensamos em apocalipse.

O apocalipse vem sendo compreendido pela grande massa, especialmente por aqueles vinculados às faixas religiosas, como sendo o repositório de fatos que trazem em sua expressão aquele estigma do sofrimento, das calamidades e das dores. É visto como o último livro do novo testamento que contém revelações terrificantes acerca dos destinos da humanidade, grande cataclismo, flagelo terrível.

E vamos analisar. A expressão apocalipse significa revelação, “revelação de Jesus Cristo”. Então, quem revela é o próprio Cristo. O evangelista, no caso o revelador, representa o instrumento no encadeamento das informações. Revelação é acesso, logo, é revelar uma nova personalidade, revelar um novo sentido de vida.

Ele traz as revelações recebidas pelo evangelista João, a nos mostrar que a sementeira já havia sido feita por Jesus e os apóstolos anteriormente. Situado no final de todos os livros da bíblia indica que tudo está na frente. Ou seja, quem não aprender, de forma efetiva, pelos ensinamentos da frente, aprende por ele.

Porém, ele não é apenas um registro de acontecimentos a qual todos temos que nos curvar. É um chamamento à nossa reflexão, a uma consciência do mecanismo da própria vida. Acima de tudo, um processo dinâmico de crescimento e libertação e não ameaça de destruição. O apocalipse está falando de maneira velada na intimidade, e não com a ostensividade toda que a gente acha que tem que ocorrer.

Seu trabalho propõe uma área operacional. Representa o chamamento para fazermos aquilo que nós sabemos e não fazemos ainda. Ele é direcionado a quem já visualiza a mudança, àqueles que já elegeram um padrão novo de vida, pois em certo momento despertamo-nos para a vida, identificando e aplicando valores para além. Está endereçado à nossa capacidade de afirmação pessoal, sugere a todos a aceitação do trabalho que nos é competente, é uma proposta de trabalho.

E vamos entender que o apocalipse tem dois ângulos no qual funciona, isto é, apresenta dois destinatários bem definidos: Ou nós estamos dentro dele como cooperadores do pensamento divino, no plano de auxílio, ou somos aqueles elementos dessa história toda no envolvimento dele no plano cármico, no contexto do sofrimento e da dor.

Veja bem, apocalipse não é o que vai chegar. Ele define o componente que toca aqueles que estão precisando dele dentro dos aspectos menos felizes. Simboliza a chegada de chuva de dificuldades para todos os que rejeitarem as oportunidades. E o apocalipse não diz respeito apenas ao espírito recalcitrante no erro. Ele surge, também, em função daqueles espíritos acomodados na evolução dentro de um contexto de ética acanhada. E observamos ao redor que o nosso mundo é um apocalipse vivido, muitas vezes, com o silêncio em muitos corações.

O apocalipse é referência àquelas individualidades que já foram visitadas pela informação e que se encontram às voltas com a capacidade fixadora desses padrões a nível prático, no âmbito dos cooperadores. Logo, fica definido que grande parte das suas profecias está direcionada àquele grupamento que já tem conhecimento maior ou menor dos fatos. Ele é uma mensagem para os que já estão visitados pela informação quanto às realidades novas da vida, não há apocalipse para quem está na jornada natural da vida (importante analisar isso), o destinatário do conteúdo das cartas às sete igrejas do apocalipse somos nós. Agora, nós não estamos estudando o apocalipse para nos posicionarmos no apocalipse, dentro dele. Não, de forma alguma, estamos tentando escapar dele.

O apocalipse está precipitando hoje acontecimentos por estar na determinação não dos homens, mas na determinação superior dos que gerenciam a nossa evolução, de que a Terra vai entrar em um processo, um terreno novo, de regeneração.

De forma que não vamos tê-lo como um conjunto ameaçador, nuvens pesadas a se derramarem sob as criaturas humanas, mas compreendê-lo como prevendo-nos acontecimentos em razão de bases lançadas no tempo, e que, estruturalmente, formaram nuvens que irão derramar, hoje ou amanhã, mais cedo ou mais tarde.

Muitas de suas revelações acontecem nos dias de hoje, especialmente dentro de casa, a partir de um agente intermediário que reflete a necessidade de alguém, essencialmente pela instauração de um problema além do previsto pelo contingente familiar. O apocalipse vem e pega mesmo, se for preciso, não deixa passar em branco, mas só vai pegar quando não tiver jeito, porque oportunidades surgem. Dilatando nossa capacidade compreensiva ampliamos a idéia anterior de constrangimento apocalíptico de massacre, de eliminação, com o criador lá de cima das esferas gerenciando o sofrimento e a mortandade aqui no orbe.

A grande verdade é que o apocalipse não quer ver ninguém derribado.

De cá para lá ele é esse fantasma que nos faz sofrer. E de lá para cá é uma instrumentalidade, nem um pouco gostosa, claro, de gosto ruim, às vezes desconfortável, mas que tem um cunho didático, para nos levar ao equilíbrio. Representa o efeito de causas infelizes, mas, principalmente, analisando dentro dos acontecimentos, é uma oportunidade de nossa caminhada com consciência e equilíbrio.

Então, de lá para cá existe o investimento em uma oportunidade, dentro do processo de quitação e reajuste, no sentido de que a gente aprenda a seja feliz. Ou seja, o apocalipse, em tese, para todos os efeitos é alguma coisa que cerceia, no entanto, dentro do cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. O apocalipse está projetando a criatura para um piso diferente.

E sabe por quê? Porque a morte, no sentido finalístico de que morreu, acabou, não existe! A própria morte na acepção que conhecemos (desencarnação) é vida para o outro lado, mudança de plano. Ainda que toda a soma dos valores presentes no texto acontecesse, que todas as situações referenciadas desabassem nas cabeças das criaturas necessitadas de suas experiências, o espírito, dentro da sua imortalidade, continuaria a sequenciar a sua evolução porque em momento algum o mecanismo evolutivo vai ter cerceadas as suas manifestações.

Em razão disso, o apocalipse define que o esquema está montado, se baseado apenas no plano da nossa sementeira. Entretanto, a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar, punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar-se, integrar-se nas faixas lindas e expressivas da sua lei maior chamada amor.

18 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 2

AS TROMBETAS

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

O bater é o ato de despertar, de chamar a atenção. Indica que o plano maior bate e ao menor cabe abrir a porta. O plano maior se inclina para o menor e a este compete acolher o valor a ele canalizado e reerguer-se. Por isso é preciso aguçar nosso ouvido espiritual e escutá-lo. Muitas vezes temos que fechar os olhos e tentar ouvir no silêncio da alma, pois quando silenciamos o grito interior a nossa audição se engrandece, e é preciso ouvir muito para ter-se a capacidade de ver.

“Eis que estou à porta, e bato.” É o Cristo que está a bater à nossa porta. Porta do coração, por sinal, que só se abre do lado de dentro. E esse bater é sutil, não pode ter estridência, a batida é suave porque não pode violentar. A batida é calma, mas se não queremos ouvir ela ganha maiores proporções. Podemos até dizer que a violência é condizente ao nível da resistência. Se insistirmos por muito tempo em não ouvir, a batida é substituída pelas trombetas. E cá prá nós, a trombeta, representada pelas circunstâncias menos felizes que nos alcançam de forma imperiosa, não tem quem não a ouve. Já ouviu aquela frase “quem não vai pelo amor vai pela dor”? Pois é, é mais ou menos por aí.

As trombetas representam aquele sonido, aquele som que toca praticamente o nosso campo ao nível da acústica. Foram usadas na destruição das muralhas de Jericó. A voz, então, é ouvida, o batimento é feito de maneira ampliada, a violência é condizente ao nível da resistência. Mas não é por acaso, ela tem finalidade. Prenuncia, mas também propõe, temos que entender que existem recados sutis nas trombetas. Afinal, na tempestade a voz de Deus se manifesta de forma mais retumbante. A dor penetra territórios onde o amor não alcançou.
Portanto, nos alegremos no sofrimento. Não queremos fazer-lhe apologia, mas nele Deus está presente com a luz dos seus ensinos. Pela audição nós deduzimos acerca daqueles ruídos, daqueles acontecimentos mais contundentes, para tomarmos as posições necessárias ao melhor encaminhamento. Podemos dizer que pela audição é possível prenunciar acontecimentos agradáveis ou desagradáveis, levantar dificuldades e, até mesmo, armar estratégias, técnicas para levarmos avante a nossa posição diante da vida.

Quando não podemos ver para além nós temos que nos ajustar à capacidade de ouvir. Não tem outra. Comumente, tamponamos a nossa capacidade auditiva e preferimos ir com a cabeça na parede, mas quem não consegue ver tem que se limitar a ouvir. Perdemos a faculdade de ver para aprendermos a ouvir porque a acústica é maior do que a visão, ela revela coisas que nem sempre os olhos são capazes de perceber. Como mencionamos anteriormente, a audição alcança a todos.

O amparo superior está em toda a parte e nós vivemos debaixo do império da lei do amor. E não estamos falando apenas em simples teoria da esperança. Não existe uma reação negativa das leis divinas que nos regem. Elas não tem um sentido negativo, ainda que machuqem, ainda que façam a criatura sofrer. As próprias reações da lei não tem um sentido puramente de dizer basta ou mostrar a nossa pequenez.

As reações da lei trazem uma instrumentalidade didática em si mesmas para que a gente descubra o processo e também se ajuste a um caminho novo, a um roteiro melhorado. Trazem, assim, um selo íntimo chamado amor, recuperação, recomposição do destino, um exame íntimo da própria caminhada do ser.

16 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 1

O OUVIR

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PROXIMO.” APOCALIPSE 1:3

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

“QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA.” MATEUS 11:15

Os nossos sentidos funcionam como janelas de interação com a vida exterior, pelas quais irradiamos alguma coisa e recolhemos alguma coisa ao nível de informações. A princípio, surge o tato na ordem dos acontecimentos, primeiro grande sentido na evolução. Depois os sentidos que nós chamamos químicos, olfato e paladar, para depois emergir, surgir na evolução, audição e visão, mais ou menos em expressões concomitantes. Agora, esse trabalho nosso levado a efeito vai para além das linhas perceptivas tradicionais dos sentidos, para além desses cinco.

E no plano ascencional temos praticamente o ouvir e o ver, sentidos que trabalham na vanguarda, como postos mais avançados, e que tem o papel de nos colocar em contato com os acontecimentos ambientes. E mais, precipitar, ao nível da visão profunda do grau de sensibilidade, a postura nossa diante do encaminhamento evolutivo. Ou seja, é pela audição e visão que podemos melhorar as nossas condições de evolução, condições do próprio progresso. Com a audição e a visão devidamente abertas, ao nível da mente já desperta em uma consciência maior, vamos favorecer enormemente o grau de nosso discernimento e escolha.

O ouvir define aquele valor novo capaz de nos sensibilizar a nível auditivo. Logo, o processo de despertar é decorrente da utilização da acústica. Observe o texto (“Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia. E guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.”) e note que nas escrituras nada está fora do lugar, tudo tem razão e sentido.

Percebeu o verbo ouvir no plural (os que ouvem) e o que se refere à visão no singular? (aquele que lê) No plural, indica generalidade. Isto é, geral, ouvir todos ouvem (referimos ao sentido espiritual). E tem mais, enquanto ouvimos nos situamos em um processo de passividade. Para ouvir não precisa fazer nada. Imagine sua família em casa no silêncio de uma manhã. O caminhão de gás passa na porta anunciando no auto-falante, alto, o utensílio doméstico. Quem está no quarto ouve, o que está no banheiro, ouve. O irmão lavando o carro no terreiro ouve. Para ouvir não precisa ação, não é preciso acender luz nenhuma, pois, em tese, luz diz respeito aos olhos. Entendeu? Então, guarde isso, ouvir denota pluralidade (é geral) e passividade. E vamos entender que voz é toda a soma informativa que nos tem visitado, e que vai precisar da nossa capacidade auditiva.

Por outro lado, o verbo ler, que vamos estudar à frente, no singular já denota iniciativa pessoal e aplicabilidade. A definir que para interessar-se em ler tem que ter ouvido falar. Porém, não há como querer ver sem uma capacitação nítida de saber ouvir.

Jesus disse: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Ouvidos todas as pessoas os tem. No entanto, achamos ouvidos superficiais em toda parte, ouvidos que apenas registram sons.

Mas se desejamos sublimar as possibilidades de acústica da própria alma precisamos estudar e refletir, ponderar e auxiliar fraternalmente, e teremos conosco os “ouvidos de ouvir” a que se reportava o Cristo, criando em nós mesmos o entendimento para a assimilação da eterna sabedoria. Conclusão: daqui para frente é preciso ouvir. Uma percepção que pode não ocorrer pelo ouvido ostensivo, e, sim, pela acústica da alma. Nós é que ainda não temos capacidade para perceber isso, essa coisa linda que nos envolve, os sons sublimes e melodiosos da própria vida, as belezas que se irradiam pelo universo afora...

Estamos trabalhando o verbo ouvir.

E dentro de um aprendizado mais substancioso, comumente você tem que fechar os olhos e tentar ouvir no silêncio da alma. E sabe por quê? Por que o silêncio, na linha filosófica, é o maior revelador nosso. Na hora em que começamos a dar os grandes passos, que a gente evolui, a gente penetra no silêncio porque é dentro dele que a gente ouve. É difícil realizar isso na atualidade, com tanto barulho, tanta poluição sonora, mas tem gente que, em meio a toda essa poluição sonora, consegue silenciar o grito interior. E no momento em que silenciamos o grito a gente entra na posse de uma audição acentuadamente profunda.

Agora, tem gente que não quer ouvir.

Isso mesmo. A maioria das pessoas não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, qual se Jesus desempenhasse uma simples função de pajem subordinado aos caprichos de cada um. São alunos que procuram subverter a ordem escolar. Sabemos que o ouvido que ouve sintoniza a boca que fala e somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva. Quem ouve aprende e quem fala doutrina, e não se assuste, muitas vezes o orador é um necessitado tão grande, ou maior, que os próprios ouvintes.

Precisamos aprender uma coisa, não adianta ensinar nada sem ouvir. Porque a gente acha que para ser mestre tem que saber falar, mas os entendidos definem que a primeira coisa a aprender é ouvir. Ouvir é fundamental. Os bons vendedores falam bem menos que o cliente. E se você não souber sintonizar a carência do educando não tem como poder auxiliá-lo na linha instrutiva informativa.

Muitos não sabem ouvir e estão preocupados no sentido de ver e, às vezes, não podemos ver. Vamos repetir: não há como querer ver sem a capacitação nítida de saber ouvir. Às vezes, a faculdade de ver não nos permite encarar com muita tranquilidade as grandes luzes, os grandes focos. É como se a audiência, ou a audição, fosse bem mais propícia às nossas percepções. Ou quando estamos impedidos de encarar a luz ou a paisagem de um modo mais substancioso e correto quase sempre são apelados os órgãos da audição, isso no plano até mesmo simbólico.

Quando a visão nos é empalidecida ou não apresenta condições de apropriar determinados valores no campo evolucional são ativadas as propriedades da audição. Tampando a visão abrem-se os padrões da audição. Por exemplo, Pedro, Tiago e João, que não conseguiram visualizar o fenômeno da transfiguração com toda a grandeza no monte Tabor. O cego de Jericó, sentado à beira da estrada, ele não via, mas tinha sua audição aguçada. Então, às vezes nós perdemos a faculdade de ver para aprender a ouvir. E a audição devidamente ajustada e aproveitada tem uma função talvez muito mais profunda. É como se ela fosse o campo fundamental da visão verdadeira nossa.

Muita gente não consegue manifestar uma fé tranquila e segura porque não sabe ouvir e está envolvido nas preocupações de ver. Mas aquele que quer ver para crer, às vezes, quando vê não crê. Porque a fé abrange questões mais amplas a se instaurarem na intimidade do ser. Quando Tomé ficou sabendo que Jesus aparecera aos demais discípulos ele ficou de algum modo meio decepcionado, meio entristecido e incrédulo. Uma semana depois, Jesus retorna e reaparece com a presença dele. Ele realmente sentia a necessidade não só de ver, mas de tocar, queria ver as marcas e o lado dele lancetado. E Jesus define: “Bem aventurado aquele que crê vendo, bem aventurado mesmo é aquele que crê não vendo.”

Às vezes, somos chamados a estar em pleno vôo cego para poder instaurar dentro de nós a faculade plena de ouvir, de modo a podermos ver com mais tranquilidade (e melhor aplicabilidade).

13 de jan de 2011

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 11 (Final)

ESCALAS DISTRIBUTIVAS

“6E ORDENOU A MULTIDÃO QUE SE ASSENTASSE NO CHÃO. E, TOMANDO OS PÃES, E TENDO DADO GRAÇAS, PARTIU-OS, E DEU-OS AOS SEUS DISCÍPULOS, PARA QUE OS PUSESSEM DIANTE DELES, E PUSERAM-NOS DIANTE DA MULTIDÃO.” MARCOS 8:6

Vamos lendo o evangelho, estudando, interagindo, entendendo e nos encantando. Agora, no plano perceptivo de conteúdo nós temos que saber onde nos situamos no texto. Isso mesmo. Onde nos identificamos? Entre os discípulos ou componentes da multidão? Temos estas duas opções, porque não há como estarmos na posição de Jesus, claro.

A vida é assim, cada qual tem a sua escolha, mas é óbvio que a maioria está na multidão. A maioria das pessoas indiscutivelmente está na linha de introjetar o benefício, elas querem é gozar a vida. Podemos até pensar diferente, vibrar em outro plano, mas apesar de querermos ser discípulos, instrumentos de Jesus (por sinal, a melhor posição no contexto), somos, ainda, da multidão.

Tem aqueles que já sentem algo tocando a intimidade, começam a se despertar para novos ângulos, pressentem algo despontando: “Eu estou com Jesus Cristo e não abro, estou com o evangelho, o assunto é distribuição de pães, quem sabe eu posso até ajudar a distribuir.” Pensa assim, se entusiasma, amadurece a idéia, até começa a definir estratégias. E no momento em que se aproxima da experiência prática, pensa de novo: “Espera aí! Vem cá, eu vou dar a troco de quê? O que eu vou ganhar? Não vai ter pagamento!” Pronto. Acabou. Não vai ter pagamento. Então, ela prefere ficar na multidão. É mais fácil, afinal, se ao discípulo compete o sacrifício da distribuição, a multidão é só receber, receber,... Ou seja, continua assim, Deus lá e nós pedindo aqui.

Parece cômodo. Mas enquanto nos posicionamos no receber, no canalizar para cá, significa tumulto, lutas íntimas. Porque a paz, a serenidade e a harmonia começam a aparecer quando começamos a soltar da nossa personalidade junto aos outros (vamos abordar essa questão quando estudarmos A Caridade). Aí começa a mudar, quem sabe de integrante da multidão a gente passe a discípulo. É um caminho que estamos tentando seguir. Nós estamos aqui estudando o evangelho para melhorar a nossa caminhada de vida. E o grande segredo dessa nossa jornada, em um plano de libertação, não é a feição religiosa, não, é a libertação intrínseca do ser, e para isso tem que sair da multidão. Nós estamos, em tese, ajudando para aprender e aprendendo para ajudar.

“E, tomando os pães, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles. E puseram-nos diante da multidão.” O que o Cristo fez? Partiu os pães. Ele não os guardou para si, dividiu. Partiu define uma distribuição sem privilégios. E deu graças à misericórdia superior por concessões oferecidas para que aquilo pudesse vir a atender.

E deu aos seus discípulos porque eles seriam os grandes canalizadores do processo. Pois existe um plano de escalas distributivas. Deus não vai chegar e perguntar a alguém o que ele quer. A gente pede, e alguém vai representar o pensamento superior em resposta junto àquele que pediu. Jesus atua nas criaturas e todos nós somos distribuidores desse pão multiplicado e ampliado que dimana da misericórdia dele. Ou seja, ele vai ajudar através de quem se dispõe a tentar.

Isso mesmo. No fundo, toda a nossa atividade filtrada no amor e no bem representa uma extensão da bondade e da misericórdia do criador em favor de quem precisa. E nós é que somos acionados, sempre! Já falamos isso, Deus não faz, Deus cria, os espíritos (encarnados ou desencarnados) fazem. Entretanto, se não quisermos, ou estivermos cansados, desanimados, desinteressados, indiferentes, não sensibilizados, outros irão. Outros serão chamados a si.

Estamos estudando, juntos, o evangelho, entre outras coisas, para aprendermos algo interessante e imprescindível: o aproveitamento das oportunidades que chegam.

São sete pães, indicando as várias faixas de evolução do ser, adequados aos diversos níveis da individualidade. Sete pães e, também, peixes, que nas multiplicações apresentam um número menor. E quanto ao peixe, esse elemento de baixo, esse veículo capaz de canalizar o valor, como instrumentalidade direcionadora da essência, falaremos futuramente, em outro capítulo.

11 de jan de 2011

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 10

A MULTIPLICAÇÃO


“6E ORDENOU A MULTIDÃO QUE SE ASSENTASSE NO CHÃO. E, TOMANDO OS PÃES, E TENDO DADO GRAÇAS, PARTIU-OS, E DEU-OS AOS SEUS DISCÍPULOS, PARA QUE OS PUSESSEM DIANTE DELES, E PUSERAM-NOS DIANTE DA MULTIDÃO.” MARCOS 8:6

É uma ordem de Jesus à multidão que se assentasse no chão. Alguém pode pensar: “Isso demonstra a autoridade do mestre, para fins de harmonização do ambiente, do alcance da serenidade. Ele buscava a disciplina e a garantia da ordem.”

Sim, está certo, pois assentar-se é acomodar-se. No entanto, e, além disso, vamos entender que a primeira providência de cá (baixo) para receber a multiplicação de lá (cima) é no mínimo assentar-se. É no mínimo nos assentarmos. No chão é como se a criatura fizesse um processo de ajuste, de adequação, não no sentido de largar as mochilas e se assentar, mas de levá-la a um reconforto íntimo. Nós pegamos o material e nos elevamos a partir de uma acomodação.

O assentar-se significa acalmar os ânimos, predispor a multidão, serenar-se, colocar-se em condição receptiva, ajustar-se. Porque nós estamos querendo um reconforto proveniente de Deus e a misericórdia quer um ponto de conexão vibracional com a nossa postura, pois (guarde bem isso) nada chega ao nosso contexto, derramado do plano espiritual, sem linhas de conexão. Não há como captar as ondas de um rádio sem que este esteja na frequência certa, na sintonia correta.

Falamos de um ponto de alimentação adequada, e não precisa fazer uma figuração de mesa. A conexão que Jesus fez foi que se assentassem no chão. É como se ele dissesse: eu, por mim mesmo, não multiplico, mas por mim mesmo posso dar reconforto à multidão. Não sei o quanto a misericórdia do criador vai operar em favor de alimentar esse povo, mas posso por a mesa (e por a mesa é garantir, da parte dos comensais, condições mínimas de alimentar-se).

Queremos dizer com isso que no auxílio aos outros não prescindirá o Senhor da ajuda, embora pequena, que deve encontrar em nós. Não vale rogar concessões do céu alongando mãos vazias, com palavras brilhantes e comovedoras, mas pedir proteção apresentando possibilidades, ainda que diminutas, de nosso esforço.

Às vezes, no plano prático da vida, queremos uma alimentação substanciosa para os que queremos auxiliar, mas não colocamos a mesa, não fazemos a nossa parte. Muitos pedem para os outros, porém, não colocam nada da parte deles para que a multiplicação possa ser feita.

Nós não estamos aqui para discutir cientificamente o que aconteceu com os sete pães. Se a multiplicação realmente aconteceu ou se é apenas figura, como é que se deu. Vamos imaginar que o nosso estudo objetivasse trabalhar esse campo científico apenas. Iríamos entrar em um mecanismo de como a multiplicação ocorreu e, talvez, inúmeras explicações surgissem: “Realmente foi pão, e muito pão, e encheu aquele deserto de pão”, ou “caiu pão do céu, não se sabe como”, ou “pode ter sido um pão partido em miríades de pedacinhos, cuja bolota mínima tinha um poder sustentador inigualável”, ou outras possibilidades.

Nenhum ou outro está errado. Pois Jesus tinha condições de trabalhar o laboratório do mundo invisível, tornando os componentes visíveis e concretos e alimentícios. Ele organizou e estruturou o nosso orbe geologicamente, logo, condições para isso os espíritos tem, e nós sabemos disso, sabemos muito bem.

E mais, o Jesus da Galiléia e da Peréia está lá atrás na história. Nós falamos agora é no Jesus íntimo. Não é nosso interesse ficar aqui analisando o texto exclusivamente dentro de sua fisionomia histórica. Nós não estamos aqui para estudar a história do evangelho, nem estamos com a cabeça a dois mil anos atrás. Pelo contrário, estamos indo lá e trazendo para cá, porque nós estamos com esses pães multiplicados na mão.

A multiplicação foi efetuada pelo criador através de Jesus, pois a elaboração do pão pertence a Deus e Jesus os multiplica. Ele tomou os sete pães, poucos pães, mas apresentou. Ainda que tivesse um pedaço nós temos a certeza que nesse pedaço Jesus poderia operar. E a multiplicação se efetiva na expressão “e tendo dado graças.”

Então, vamos compreender uma coisa. Em cima do mínimo que se tem é que nós recebemos. Tanto que o evangelho define “aquele que tem lhe será dado.” A pergunta é quantos pães tendes, e se tem sete pães tem alguma coisa, e é com essa alguma coisa que a misericórdia funciona.

Por isso a gente precisa começar com o que a gente tem. No mecanismo do plano ascencional funciona um sistema de aproveitamento de cada caracter que vamos apresentando em nosso plano prático de vida. Porque quando Jesus, à frente da multidão faminta, indagou das possibilidades dos discípulos para atendê-la, decerto procurava uma base a fim de materializar o socorro. E possuímos na medida em que oferecemos. Recebemos na pauta do que fazemos, não do que intencionamos (“a cada um será dado conforme as suas obras”).

O pão sabemos que é assimilado por cada um em nível multiplicador. E apesar de Deus não ter espírito por medida, pois tudo vem em abundância, a nossa capacidade perceptiva depende do grau de reflexo que temos, onde atingimos e detectamos é que a resposta vem. E cada componente presente em nós pode ser estiolado por impedimento ou ampliado.

Nós pensamos em multiplicação e, logo, imaginamos a linha quantitativa, pensamos em quantidade. Porém, não é só a linha quantitativa. A verdadeira multiplicação trabalha a linha qualitativa. Isso é importante demais para se ater.

O valor vibracional, a carga de emoções na prática de ação no bem, é que vai determinar o grau que tange a linha qualitativa que premia ou entristece e onera a criatura. Tem muita gente que durante a vida soma os pães que dá aos outros: “Este ano eu dei cento e quarenta e sete pães.” E, às vezes, se for analisar com profundidade, não deu nenhum efetivamente. Às vezes, uma criatura deu a esmola, mas a caridade não circulou. Ela deu apenas para ficar livre do pedinte. Ou seja, houve ali apenas transferência de valores. Isso porque o pão é o instrumento da caridade, não é a caridade. A esmola representa o veículo, o componente canalisador da caridade. E toda migalha de amor está registrada na lei em favor de quem a emite. É assunto para pensar,...

8 de jan de 2011

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 9

SETE PÃES

“5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE.” MARCOS 8:4

No deserto, Jesus pergunta aos seus seguidores “quantos pães tendes”? Sua pergunta denuncia a necessidade de algum concurso para o serviço da multiplicação.

Ele não teria conseguido tanto se não pudesse contar com recurso algum. Alimentou milhares de pessoas, no entanto, não prescindiu das migalhas que os apóstolos lhe ofereciam.

Muitas vezes, nos situamos nos desertos da experiência terrestre, famintos de socorro, de auxílio, de suprimento, carentes e nos sentindo entristecidos e fracos. Pedimos, imploramos, suplicamos. É infinita a bondade de Deus, todavia, algo deve surgir do nosso eu em nosso favor. Não basta apenas rogar a intervenção do céu a nosso favor ou de outrem com frases bem feitas e não fazer nada.

Antes de tudo, é necessário fazer de nossa parte quanto nos seja possível para que o bem se realize. Avaliar o que temos feito das bagatelas de nosso caminho, se estamos aproveitando as nossas oportunidades, os recursos de que dispomos para fazer algo de bom. O mínimo, doado com o coração, faz uma grande diferença. Se você não admite o poder e o valor dos recursos chamados menores no engrandecimento da vida, faça um palácio diante de vigorosa central elétrica e procure dotá-lo de luz e força sem a tomada. A usina mais poderosa do mundo não prescinde da tomada humilde para iluminar um aposento, e a floresta, um espetáculo imponente da natureza a nos encher os olhos, não se agigantou sem a cooperação de sementes pequeninas.

Estudamos o evangelho, e uma coisa aprendemos: Jesus não fabricou pães, ele multiplicou.

E o fato é que nós achamos que não temos que oferecer nada, que podemos chegar com a sacola ou a nossa mochila vazia. Sem nada, meros pedintes na extensão do universo. Tem gente que não quer multiplicar, não, tem gente que quer que ele fabrique. Quer, quer, apenas quer..., e não faz por onde conquistar.

Alguma coisa nós temos que ter. É multiplicação, e não se pode multiplicar um componente usando o zero como fator. Imagine 5 x 0, 1.5 x 0, e aí por diante. Precisamos definir o que estamos fazendo para simplificar o trabalho da própria espiritualidade, pois os obreiros celestiais movimentam-se e ajudam, devotados e operosos. Contudo, em suplicando o socorro, nosso ou olheio, não nos cabe olvidar o auxílio que podemos prestar por nós mesmos. Em qualquer terreno de nossas realizações para a vida mais alta apresentemos a Jesus algumas migalhas de esforço próprio e estejamos convictos de que ele fará o resto.

Não duvidemos disto. O Cristo sempre aproveitou o mínimo para produzir o máximo. Basta avaliarmos que com apenas três anos de apostolado acendeu luzes para milênios, congregando pequena assembléia de doze renovou o mundo, curando alguns doentes instituiu a medicina espiritual para todos os centros da Terra. E ele continua perguntando quantos pães temos, e o que temos oferecido à obra dele. Por isso, necessário oferecermos os recursos que já conseguimos amontoar em nós mesmos para o progresso e a vitória do bem.

E são sete pães.

Então, vamos observar que nesse deserto tem miríades de participantes nas mais variadas escalas, nos mais variados estágios e posições. É multidão, tem de tudo, tem os que vieram de longe, nas primeiras etapas, e outros, nas últimas (os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos em uma nova fase, novo patamar). Esse sete é um número que tem uma carga informativa muito valiosa, a expressão setenária significa o lance que define a aproximação dos seres em vários estágios da evolução (vamos abordar isso quando trabalharmos os Dez Mandamentos). Esse sétimo estágio, ou sétimo degrau, já é um limiar de um plano novo em uma nova oitava, como nas notas musicais, e que abre um novo processo de ascenção em várias etapas para as individualidades.

O sete caracteriza o atendimento a todos os ângulos. Percebeu? Esses sete pães estariam em condições de alimentar, de atender, de oferecer um plano metabólico adequado a cada grupo segundo o grau de entendimento e de posição no contexto evolucional. Ou seja, cada pão vem suprir determinadas necessidades relativas a esse grupo numa abrangência evolucional que vai do um ao sete, de acordo com o plano de compatibilidade e de adequação das criaturas. Por exemplo, um elemento do grupo tem que pegar o pão número sete, o outro, o da multiplicação do pão número um.

É como se aquele alimento atingisse a cada um de nós, indistintamente. Atende a todos, ninguém fica de fora. O pão alimenta o que está chegando hoje como alimenta o que tem muita experiência, alimenta os que vieram de perto, e os vindos de longe,...

6 de jan de 2011

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 8

COMPAIXÃO

“1NAQUELES DIAS, HAVENDO UMA GRANDE MULTIDÃO, E NÃO TENDO QUE COMER, JESUS CHAMOU A SI OS SEUS DISCÍPULOS, E DISSE-LHES: 2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE.” MARCOS 8:1-3

Voce se lembra da parábola do bom samaritano? Pois é, o companheiro que foi capaz de atender teve compaixão. Aqui, na multiplicação dos pães, Jesus teve compaixão da multidão, daquele povo todo. E nós? De certa forma, estamos ainda distantes de ter esse estado de alma relativo à multidão.

Mas precisamos aprender. A compaixão é necessária, porque se não houver compaixão não se motiva a multidão, aliás, não se motiva uma criatura sequer. E no trabalho de cooperação, seja ele em qual frente for, nós temos que lidar com a sensibilidade dos outros. Por isso que o ensinar, o transmitir, o ajudar, envolve também um alto grau dessa sensibilidade, saber o que se passa no coração das pessoas. E não vamos querer depressa o que Deus está esperando acontecer, não podemos nos impor a ninguém, devemos ganhar o coração da pessoa. A mudança se faz na mente, porém, quem não ganha o coração não ganhará o cérebro.

Eles estavam em jejum, e o que significa o jejum senão carência? E para poder atender o carente Jesus apresentou para nós a compaixão da multidão, se condoeu do jejum deles.

Isso nos faz elaborar um raciocínio. Dentro de algumas casas, de muitas casas por sinal, às vezes tem um elemento com o qual alguém briga com ele todo o dia. E briga todo o dia porque não descobriu a carência dele. Afinal de contas, não sabemos todas as carências daqueles que estão conosco. E brigamos porque, até então, nós criamos resistência, quando na verdade a gente tem que identificar a carência dele que, às vezes, é de uma palavra amiga, de uma palavra de apoio.

Vai até soar bonito o que vamos falar, para atender a gente tem que entender a carência e a necessidade dos outros. É assim que funciona. No exercício do amor em vez de empurrar você se aproxima, porque se não chegar por uma adequação nós não auxiliamos a criatura e não descobrimos as carências dela. E é impossível cooperar sem fazer uma simpatia vibracional, sem deixar que as resistências atrapalhem.

A especificação de Jesus é clara e nítida: pães. E já vimos que precisamos nos fazer sensíveis a essa multidão para poder chegar, por que a alimentação fundamental da multidão é pão. Pão que alimenta a intimidade do ser, pão do espírito, pois ele veio nos trazer vida em abundância, não no seu sentido biológico. E a idéia do pão aqui é no seu aspecto positivo, abrangente, de alimentação positiva e construtiva. Entendeu? Ele representa o atendimento válido para o momento, pão é aquilo que temos de positividade para alimentar, para suprir. Na multiplicação foi pão ali, porque em outra situação poderia haver outras coisas.

Jejum sugere fome e fome é carência e necessidade de toda ordem. Razão pela qual é preciso de nossa parte certa capacidade para saber o tipo de fome que está visitando a criatura. Isso mesmo. Ela pode estar com fome de amor, fome de crescimento, de aprendizagem, fome de ação no bem, fome de trabalho,... E o problema é que a gente fica querendo colocar nas pessoas aquilo que nós sentimos. A criatura está precisando de pão, em suas diversas expressões, e queremos tocar nela jiló, coisa que ela não gosta, que ela não metaboliza, que ela não come.

Então, vamos concluir: é pão!

E esse pão não é aquele que se come na mesa, aquele que se busca quentinho na padaria. Esse pão a que nos referimos é laborado, por isso é que é pão. Pois o pão é resultado de uma elaboração. Desde o preparo do terreno, a semeadura, germinação, a florescência do trigo, frutificação, toda aquela sistemática. Assim, para oferecer pão a alguém a gente tem que passar por uma elaboração, por um trabalho, por uma luta íntima (se preciso, releia o capítulo A Felicidade e a Espada).

4 de jan de 2011

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 7

NO DESERTO


“4E OS SEUS DISCÍPULOS RESPONDERAM: DE ONDE PODERÁ ALGUÉM SATISFAZÊ-LOS DE PÃO AQUI NO DESERTO? 5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE.” MARCOS 8:4-5

“25OS SEUS DISCÍPULOS, OUVINDO ISTO, ADMIRARAM-SE MUITO, DIZENDO: QUEM PODERÁ POIS SALVAR-SE? 26E JESUS, OLHANDO PARA ELES, DISSE-LHES: AOS HOMENS É ISSO IMPOSSÍVEL, MAS A DEUS TUDO É POSSÍVEL.” MATEUS 19:25-26

Jesus chamou a si os seus discípulos.

E diante desse desafio deparamos com dois posicionamentos distintos. De um lado, Jesus, que não entrava no mérito das necessidades reinantes. Tanto que ele não pergunta quantos pães era preciso. Ele entrava no mérito da diligência para atender, procurando recursos para solucionar as necessidades e aplicando medidas concretas.

Do outro lado, os discípulos. Chamados e querendo aprender, e trazendo seus graus de dificuldades. Enxergavam barreiras e problemas, e questionaram com seria resolvido aquele problema, como se resolveria o caso de todo aquele povo lá no deserto. E mais, indagavam de onde poderia vir alguém (“E os seus discípulos responderam: de onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?”). Em suma, os discípulos duvidavam inclusive dele, colocaram em dúvida até Jesus.

Assim é, também, conosco. A nossa primeira reação diante de um desafio que surge à nossa frente é essa. Nossa reação inicial no campo dos reflexos é de natureza negativa. O que, aliás, tem que ser avaliado. É claro que nós não podemos alimentar um otimismo exagerado, para além do normal, mas também precisamos desarticular o pessimismo que vem mantendo muitas criaturas paradas no tempo.

Surgem problemas, chegam desafios e obstáculos. De um lado entra a nossa negatividade, e do outro o plano positivo, coerente e perfeitamente equilibrado do Cristo.

Os seus discípulos preocuparam-se em como alimentar a multidão, em como resolver o problema exterior, pensamento que na maioria das vezes também participamos.

A ocupação de Jesus era outra. Atentou-se para o fato de se trabalhar com o que se tem. E tanto é assim que ele lhes pergunta “quantos pães tendes?” Não pergunta quantos pães seriam necessários para o atendimento, o que indica a necessidade nossa de identificarmos não apenas os obstáculos, mas soluções, necessidade de buscarmos estratégias para sairmos das dificuldades em que estamos.

E nos deixa um recado (sem qualquer traço de fanatismo), que perante Deus as soluções existem (“E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.”). Nos ensina que perante a grandeza de Deus as soluções, efetivamente, existem. A nossa visão restrita não alcança a profundidade das situações e não conhecemos todo o alcance do processo que vivenciamos ou visualizamos. O médico, por exemplo, pode dispor, seja no hospital ou no consultório, de um prontuário do paciente, da ficha do paciente, mas ninguém tem a ficha espiritual na mão de quem quer que seja.

Seja qual for a perturbação reinante, acalmemo-nos e esperemos, fazendo o melhor que possamos. E lembremo-nos de que o Senhor pede serenidade para exprimir-se com segurança, e não esqueçamos a palavra do mestre quando nos afirmou que “a Deus tudo é possível”.

“De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?”

Notou? É deserto, e nós já estudamos o deserto em capítulo anterior (João Batista e o Deserto). Então, vamos pular essa parte de nos atermos ao deserto. Vamos apenas mencionar que o deserto é sempre relativo a cada um de nós. Que ele é idéia de ambiente insípido, estéril, totalmente árido, sem resposta.

Jesus, diante da multidão faminta, não pergunta aos companheiros de quantos pães necessitavam, mas quantos pães tinham. Entendeu? Deu para pegar? Ao perguntar “quantos pães tendes” ele assegurou ao próprio discípulo que o deserto não é tão àrido assim. Que mesmo no mais caustigante deserto da vida alguma coisa se tem para oferecer para que o atendimento da misericórdia aconteça.

A sua atenção está no sentido de nos alertar para a necessidade de algo apresentarmos à divina providência como base para o atendimento ao socorro que pedimos.

E o mais interessante: essa pergunta feita aos discípulos lá atrás está sendo feita para nós hoje. Está sendo feita para você, para mim,... “Quantos pães tendes?” E quem está perguntando é o próprio Cristo. No plano íntimo surge a indagação: “O que você tem?”

Logo, imagine alguém chegando ao plano espiritual (pelas portas da desencarnação) e dizendo: “Olha, lá embaixo eu sempre fui voltado às questões espirituais, mas eu não pude fazer nada lá porque eu era pobre, eu não tinha nada,...” Isso vai adiantar? Não, de forma alguma, não vai atender. E sabe porque não vai atender? Porque por maior seja a dificuldade, por maiores sejam as tribulações, os desafios, por mais árido seja, se alguém procurar no deserto íntimo acha!

Perguntemo-nos o que temos para apresentar, para disponibilizar, porque o mecanismo é multiplicativo. E nós temos. Se analisarmos com atenção vamos encontrar pães dentro de nós. Basta procurarmos que nós vamos encontrar alguma reserva que podemos utilizar e implementar. Vamos revirar e procurar, tentar ver o que temos, o que pode servir para ser multiplicado e atender em termos de amor, de suprimento. O Cristo continua perguntando, e nós temos a resposta.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...