11 de jan de 2011

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 10

A MULTIPLICAÇÃO


“6E ORDENOU A MULTIDÃO QUE SE ASSENTASSE NO CHÃO. E, TOMANDO OS PÃES, E TENDO DADO GRAÇAS, PARTIU-OS, E DEU-OS AOS SEUS DISCÍPULOS, PARA QUE OS PUSESSEM DIANTE DELES, E PUSERAM-NOS DIANTE DA MULTIDÃO.” MARCOS 8:6

É uma ordem de Jesus à multidão que se assentasse no chão. Alguém pode pensar: “Isso demonstra a autoridade do mestre, para fins de harmonização do ambiente, do alcance da serenidade. Ele buscava a disciplina e a garantia da ordem.”

Sim, está certo, pois assentar-se é acomodar-se. No entanto, e, além disso, vamos entender que a primeira providência de cá (baixo) para receber a multiplicação de lá (cima) é no mínimo assentar-se. É no mínimo nos assentarmos. No chão é como se a criatura fizesse um processo de ajuste, de adequação, não no sentido de largar as mochilas e se assentar, mas de levá-la a um reconforto íntimo. Nós pegamos o material e nos elevamos a partir de uma acomodação.

O assentar-se significa acalmar os ânimos, predispor a multidão, serenar-se, colocar-se em condição receptiva, ajustar-se. Porque nós estamos querendo um reconforto proveniente de Deus e a misericórdia quer um ponto de conexão vibracional com a nossa postura, pois (guarde bem isso) nada chega ao nosso contexto, derramado do plano espiritual, sem linhas de conexão. Não há como captar as ondas de um rádio sem que este esteja na frequência certa, na sintonia correta.

Falamos de um ponto de alimentação adequada, e não precisa fazer uma figuração de mesa. A conexão que Jesus fez foi que se assentassem no chão. É como se ele dissesse: eu, por mim mesmo, não multiplico, mas por mim mesmo posso dar reconforto à multidão. Não sei o quanto a misericórdia do criador vai operar em favor de alimentar esse povo, mas posso por a mesa (e por a mesa é garantir, da parte dos comensais, condições mínimas de alimentar-se).

Queremos dizer com isso que no auxílio aos outros não prescindirá o Senhor da ajuda, embora pequena, que deve encontrar em nós. Não vale rogar concessões do céu alongando mãos vazias, com palavras brilhantes e comovedoras, mas pedir proteção apresentando possibilidades, ainda que diminutas, de nosso esforço.

Às vezes, no plano prático da vida, queremos uma alimentação substanciosa para os que queremos auxiliar, mas não colocamos a mesa, não fazemos a nossa parte. Muitos pedem para os outros, porém, não colocam nada da parte deles para que a multiplicação possa ser feita.

Nós não estamos aqui para discutir cientificamente o que aconteceu com os sete pães. Se a multiplicação realmente aconteceu ou se é apenas figura, como é que se deu. Vamos imaginar que o nosso estudo objetivasse trabalhar esse campo científico apenas. Iríamos entrar em um mecanismo de como a multiplicação ocorreu e, talvez, inúmeras explicações surgissem: “Realmente foi pão, e muito pão, e encheu aquele deserto de pão”, ou “caiu pão do céu, não se sabe como”, ou “pode ter sido um pão partido em miríades de pedacinhos, cuja bolota mínima tinha um poder sustentador inigualável”, ou outras possibilidades.

Nenhum ou outro está errado. Pois Jesus tinha condições de trabalhar o laboratório do mundo invisível, tornando os componentes visíveis e concretos e alimentícios. Ele organizou e estruturou o nosso orbe geologicamente, logo, condições para isso os espíritos tem, e nós sabemos disso, sabemos muito bem.

E mais, o Jesus da Galiléia e da Peréia está lá atrás na história. Nós falamos agora é no Jesus íntimo. Não é nosso interesse ficar aqui analisando o texto exclusivamente dentro de sua fisionomia histórica. Nós não estamos aqui para estudar a história do evangelho, nem estamos com a cabeça a dois mil anos atrás. Pelo contrário, estamos indo lá e trazendo para cá, porque nós estamos com esses pães multiplicados na mão.

A multiplicação foi efetuada pelo criador através de Jesus, pois a elaboração do pão pertence a Deus e Jesus os multiplica. Ele tomou os sete pães, poucos pães, mas apresentou. Ainda que tivesse um pedaço nós temos a certeza que nesse pedaço Jesus poderia operar. E a multiplicação se efetiva na expressão “e tendo dado graças.”

Então, vamos compreender uma coisa. Em cima do mínimo que se tem é que nós recebemos. Tanto que o evangelho define “aquele que tem lhe será dado.” A pergunta é quantos pães tendes, e se tem sete pães tem alguma coisa, e é com essa alguma coisa que a misericórdia funciona.

Por isso a gente precisa começar com o que a gente tem. No mecanismo do plano ascencional funciona um sistema de aproveitamento de cada caracter que vamos apresentando em nosso plano prático de vida. Porque quando Jesus, à frente da multidão faminta, indagou das possibilidades dos discípulos para atendê-la, decerto procurava uma base a fim de materializar o socorro. E possuímos na medida em que oferecemos. Recebemos na pauta do que fazemos, não do que intencionamos (“a cada um será dado conforme as suas obras”).

O pão sabemos que é assimilado por cada um em nível multiplicador. E apesar de Deus não ter espírito por medida, pois tudo vem em abundância, a nossa capacidade perceptiva depende do grau de reflexo que temos, onde atingimos e detectamos é que a resposta vem. E cada componente presente em nós pode ser estiolado por impedimento ou ampliado.

Nós pensamos em multiplicação e, logo, imaginamos a linha quantitativa, pensamos em quantidade. Porém, não é só a linha quantitativa. A verdadeira multiplicação trabalha a linha qualitativa. Isso é importante demais para se ater.

O valor vibracional, a carga de emoções na prática de ação no bem, é que vai determinar o grau que tange a linha qualitativa que premia ou entristece e onera a criatura. Tem muita gente que durante a vida soma os pães que dá aos outros: “Este ano eu dei cento e quarenta e sete pães.” E, às vezes, se for analisar com profundidade, não deu nenhum efetivamente. Às vezes, uma criatura deu a esmola, mas a caridade não circulou. Ela deu apenas para ficar livre do pedinte. Ou seja, houve ali apenas transferência de valores. Isso porque o pão é o instrumento da caridade, não é a caridade. A esmola representa o veículo, o componente canalisador da caridade. E toda migalha de amor está registrada na lei em favor de quem a emite. É assunto para pensar,...

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