4 de jan de 2011

Cap 7 - A Multiplicação dos Pães - Parte 7

NO DESERTO


“4E OS SEUS DISCÍPULOS RESPONDERAM: DE ONDE PODERÁ ALGUÉM SATISFAZÊ-LOS DE PÃO AQUI NO DESERTO? 5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE.” MARCOS 8:4-5

“25OS SEUS DISCÍPULOS, OUVINDO ISTO, ADMIRARAM-SE MUITO, DIZENDO: QUEM PODERÁ POIS SALVAR-SE? 26E JESUS, OLHANDO PARA ELES, DISSE-LHES: AOS HOMENS É ISSO IMPOSSÍVEL, MAS A DEUS TUDO É POSSÍVEL.” MATEUS 19:25-26

Jesus chamou a si os seus discípulos.

E diante desse desafio deparamos com dois posicionamentos distintos. De um lado, Jesus, que não entrava no mérito das necessidades reinantes. Tanto que ele não pergunta quantos pães era preciso. Ele entrava no mérito da diligência para atender, procurando recursos para solucionar as necessidades e aplicando medidas concretas.

Do outro lado, os discípulos. Chamados e querendo aprender, e trazendo seus graus de dificuldades. Enxergavam barreiras e problemas, e questionaram com seria resolvido aquele problema, como se resolveria o caso de todo aquele povo lá no deserto. E mais, indagavam de onde poderia vir alguém (“E os seus discípulos responderam: de onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?”). Em suma, os discípulos duvidavam inclusive dele, colocaram em dúvida até Jesus.

Assim é, também, conosco. A nossa primeira reação diante de um desafio que surge à nossa frente é essa. Nossa reação inicial no campo dos reflexos é de natureza negativa. O que, aliás, tem que ser avaliado. É claro que nós não podemos alimentar um otimismo exagerado, para além do normal, mas também precisamos desarticular o pessimismo que vem mantendo muitas criaturas paradas no tempo.

Surgem problemas, chegam desafios e obstáculos. De um lado entra a nossa negatividade, e do outro o plano positivo, coerente e perfeitamente equilibrado do Cristo.

Os seus discípulos preocuparam-se em como alimentar a multidão, em como resolver o problema exterior, pensamento que na maioria das vezes também participamos.

A ocupação de Jesus era outra. Atentou-se para o fato de se trabalhar com o que se tem. E tanto é assim que ele lhes pergunta “quantos pães tendes?” Não pergunta quantos pães seriam necessários para o atendimento, o que indica a necessidade nossa de identificarmos não apenas os obstáculos, mas soluções, necessidade de buscarmos estratégias para sairmos das dificuldades em que estamos.

E nos deixa um recado (sem qualquer traço de fanatismo), que perante Deus as soluções existem (“E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.”). Nos ensina que perante a grandeza de Deus as soluções, efetivamente, existem. A nossa visão restrita não alcança a profundidade das situações e não conhecemos todo o alcance do processo que vivenciamos ou visualizamos. O médico, por exemplo, pode dispor, seja no hospital ou no consultório, de um prontuário do paciente, da ficha do paciente, mas ninguém tem a ficha espiritual na mão de quem quer que seja.

Seja qual for a perturbação reinante, acalmemo-nos e esperemos, fazendo o melhor que possamos. E lembremo-nos de que o Senhor pede serenidade para exprimir-se com segurança, e não esqueçamos a palavra do mestre quando nos afirmou que “a Deus tudo é possível”.

“De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?”

Notou? É deserto, e nós já estudamos o deserto em capítulo anterior (João Batista e o Deserto). Então, vamos pular essa parte de nos atermos ao deserto. Vamos apenas mencionar que o deserto é sempre relativo a cada um de nós. Que ele é idéia de ambiente insípido, estéril, totalmente árido, sem resposta.

Jesus, diante da multidão faminta, não pergunta aos companheiros de quantos pães necessitavam, mas quantos pães tinham. Entendeu? Deu para pegar? Ao perguntar “quantos pães tendes” ele assegurou ao próprio discípulo que o deserto não é tão àrido assim. Que mesmo no mais caustigante deserto da vida alguma coisa se tem para oferecer para que o atendimento da misericórdia aconteça.

A sua atenção está no sentido de nos alertar para a necessidade de algo apresentarmos à divina providência como base para o atendimento ao socorro que pedimos.

E o mais interessante: essa pergunta feita aos discípulos lá atrás está sendo feita para nós hoje. Está sendo feita para você, para mim,... “Quantos pães tendes?” E quem está perguntando é o próprio Cristo. No plano íntimo surge a indagação: “O que você tem?”

Logo, imagine alguém chegando ao plano espiritual (pelas portas da desencarnação) e dizendo: “Olha, lá embaixo eu sempre fui voltado às questões espirituais, mas eu não pude fazer nada lá porque eu era pobre, eu não tinha nada,...” Isso vai adiantar? Não, de forma alguma, não vai atender. E sabe porque não vai atender? Porque por maior seja a dificuldade, por maiores sejam as tribulações, os desafios, por mais árido seja, se alguém procurar no deserto íntimo acha!

Perguntemo-nos o que temos para apresentar, para disponibilizar, porque o mecanismo é multiplicativo. E nós temos. Se analisarmos com atenção vamos encontrar pães dentro de nós. Basta procurarmos que nós vamos encontrar alguma reserva que podemos utilizar e implementar. Vamos revirar e procurar, tentar ver o que temos, o que pode servir para ser multiplicado e atender em termos de amor, de suprimento. O Cristo continua perguntando, e nós temos a resposta.

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