16 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 1

O OUVIR

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PROXIMO.” APOCALIPSE 1:3

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

“QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA.” MATEUS 11:15

Os nossos sentidos funcionam como janelas de interação com a vida exterior, pelas quais irradiamos alguma coisa e recolhemos alguma coisa ao nível de informações. A princípio, surge o tato na ordem dos acontecimentos, primeiro grande sentido na evolução. Depois os sentidos que nós chamamos químicos, olfato e paladar, para depois emergir, surgir na evolução, audição e visão, mais ou menos em expressões concomitantes. Agora, esse trabalho nosso levado a efeito vai para além das linhas perceptivas tradicionais dos sentidos, para além desses cinco.

E no plano ascencional temos praticamente o ouvir e o ver, sentidos que trabalham na vanguarda, como postos mais avançados, e que tem o papel de nos colocar em contato com os acontecimentos ambientes. E mais, precipitar, ao nível da visão profunda do grau de sensibilidade, a postura nossa diante do encaminhamento evolutivo. Ou seja, é pela audição e visão que podemos melhorar as nossas condições de evolução, condições do próprio progresso. Com a audição e a visão devidamente abertas, ao nível da mente já desperta em uma consciência maior, vamos favorecer enormemente o grau de nosso discernimento e escolha.

O ouvir define aquele valor novo capaz de nos sensibilizar a nível auditivo. Logo, o processo de despertar é decorrente da utilização da acústica. Observe o texto (“Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia. E guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.”) e note que nas escrituras nada está fora do lugar, tudo tem razão e sentido.

Percebeu o verbo ouvir no plural (os que ouvem) e o que se refere à visão no singular? (aquele que lê) No plural, indica generalidade. Isto é, geral, ouvir todos ouvem (referimos ao sentido espiritual). E tem mais, enquanto ouvimos nos situamos em um processo de passividade. Para ouvir não precisa fazer nada. Imagine sua família em casa no silêncio de uma manhã. O caminhão de gás passa na porta anunciando no auto-falante, alto, o utensílio doméstico. Quem está no quarto ouve, o que está no banheiro, ouve. O irmão lavando o carro no terreiro ouve. Para ouvir não precisa ação, não é preciso acender luz nenhuma, pois, em tese, luz diz respeito aos olhos. Entendeu? Então, guarde isso, ouvir denota pluralidade (é geral) e passividade. E vamos entender que voz é toda a soma informativa que nos tem visitado, e que vai precisar da nossa capacidade auditiva.

Por outro lado, o verbo ler, que vamos estudar à frente, no singular já denota iniciativa pessoal e aplicabilidade. A definir que para interessar-se em ler tem que ter ouvido falar. Porém, não há como querer ver sem uma capacitação nítida de saber ouvir.

Jesus disse: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Ouvidos todas as pessoas os tem. No entanto, achamos ouvidos superficiais em toda parte, ouvidos que apenas registram sons.

Mas se desejamos sublimar as possibilidades de acústica da própria alma precisamos estudar e refletir, ponderar e auxiliar fraternalmente, e teremos conosco os “ouvidos de ouvir” a que se reportava o Cristo, criando em nós mesmos o entendimento para a assimilação da eterna sabedoria. Conclusão: daqui para frente é preciso ouvir. Uma percepção que pode não ocorrer pelo ouvido ostensivo, e, sim, pela acústica da alma. Nós é que ainda não temos capacidade para perceber isso, essa coisa linda que nos envolve, os sons sublimes e melodiosos da própria vida, as belezas que se irradiam pelo universo afora...

Estamos trabalhando o verbo ouvir.

E dentro de um aprendizado mais substancioso, comumente você tem que fechar os olhos e tentar ouvir no silêncio da alma. E sabe por quê? Por que o silêncio, na linha filosófica, é o maior revelador nosso. Na hora em que começamos a dar os grandes passos, que a gente evolui, a gente penetra no silêncio porque é dentro dele que a gente ouve. É difícil realizar isso na atualidade, com tanto barulho, tanta poluição sonora, mas tem gente que, em meio a toda essa poluição sonora, consegue silenciar o grito interior. E no momento em que silenciamos o grito a gente entra na posse de uma audição acentuadamente profunda.

Agora, tem gente que não quer ouvir.

Isso mesmo. A maioria das pessoas não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, qual se Jesus desempenhasse uma simples função de pajem subordinado aos caprichos de cada um. São alunos que procuram subverter a ordem escolar. Sabemos que o ouvido que ouve sintoniza a boca que fala e somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva. Quem ouve aprende e quem fala doutrina, e não se assuste, muitas vezes o orador é um necessitado tão grande, ou maior, que os próprios ouvintes.

Precisamos aprender uma coisa, não adianta ensinar nada sem ouvir. Porque a gente acha que para ser mestre tem que saber falar, mas os entendidos definem que a primeira coisa a aprender é ouvir. Ouvir é fundamental. Os bons vendedores falam bem menos que o cliente. E se você não souber sintonizar a carência do educando não tem como poder auxiliá-lo na linha instrutiva informativa.

Muitos não sabem ouvir e estão preocupados no sentido de ver e, às vezes, não podemos ver. Vamos repetir: não há como querer ver sem a capacitação nítida de saber ouvir. Às vezes, a faculdade de ver não nos permite encarar com muita tranquilidade as grandes luzes, os grandes focos. É como se a audiência, ou a audição, fosse bem mais propícia às nossas percepções. Ou quando estamos impedidos de encarar a luz ou a paisagem de um modo mais substancioso e correto quase sempre são apelados os órgãos da audição, isso no plano até mesmo simbólico.

Quando a visão nos é empalidecida ou não apresenta condições de apropriar determinados valores no campo evolucional são ativadas as propriedades da audição. Tampando a visão abrem-se os padrões da audição. Por exemplo, Pedro, Tiago e João, que não conseguiram visualizar o fenômeno da transfiguração com toda a grandeza no monte Tabor. O cego de Jericó, sentado à beira da estrada, ele não via, mas tinha sua audição aguçada. Então, às vezes nós perdemos a faculdade de ver para aprender a ouvir. E a audição devidamente ajustada e aproveitada tem uma função talvez muito mais profunda. É como se ela fosse o campo fundamental da visão verdadeira nossa.

Muita gente não consegue manifestar uma fé tranquila e segura porque não sabe ouvir e está envolvido nas preocupações de ver. Mas aquele que quer ver para crer, às vezes, quando vê não crê. Porque a fé abrange questões mais amplas a se instaurarem na intimidade do ser. Quando Tomé ficou sabendo que Jesus aparecera aos demais discípulos ele ficou de algum modo meio decepcionado, meio entristecido e incrédulo. Uma semana depois, Jesus retorna e reaparece com a presença dele. Ele realmente sentia a necessidade não só de ver, mas de tocar, queria ver as marcas e o lado dele lancetado. E Jesus define: “Bem aventurado aquele que crê vendo, bem aventurado mesmo é aquele que crê não vendo.”

Às vezes, somos chamados a estar em pleno vôo cego para poder instaurar dentro de nós a faculade plena de ouvir, de modo a podermos ver com mais tranquilidade (e melhor aplicabilidade).

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