22 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 3

O APOCALIPSE

“REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO, A QUAL DEUS LHE DEU, PARA MOSTRAR AOS SEUS SERVOS AS COISAS QUE BREVEMENTE DEVEM ACONTECER; E PELO SEU ANJO AS ENVIOU, E AS NOTIFICOU A JOÃO SEU SERVO;” APOCALIPSE 1:1

Quando nós falamos nas trombetas, naqueles acontecimentos menos felizes que nos alcançam de forma mais imperiosa, contundende, avassaladora, nós pensamos em apocalipse.

O apocalipse vem sendo compreendido pela grande massa, especialmente por aqueles vinculados às faixas religiosas, como sendo o repositório de fatos que trazem em sua expressão aquele estigma do sofrimento, das calamidades e das dores. É visto como o último livro do novo testamento que contém revelações terrificantes acerca dos destinos da humanidade, grande cataclismo, flagelo terrível.

E vamos analisar. A expressão apocalipse significa revelação, “revelação de Jesus Cristo”. Então, quem revela é o próprio Cristo. O evangelista, no caso o revelador, representa o instrumento no encadeamento das informações. Revelação é acesso, logo, é revelar uma nova personalidade, revelar um novo sentido de vida.

Ele traz as revelações recebidas pelo evangelista João, a nos mostrar que a sementeira já havia sido feita por Jesus e os apóstolos anteriormente. Situado no final de todos os livros da bíblia indica que tudo está na frente. Ou seja, quem não aprender, de forma efetiva, pelos ensinamentos da frente, aprende por ele.

Porém, ele não é apenas um registro de acontecimentos a qual todos temos que nos curvar. É um chamamento à nossa reflexão, a uma consciência do mecanismo da própria vida. Acima de tudo, um processo dinâmico de crescimento e libertação e não ameaça de destruição. O apocalipse está falando de maneira velada na intimidade, e não com a ostensividade toda que a gente acha que tem que ocorrer.

Seu trabalho propõe uma área operacional. Representa o chamamento para fazermos aquilo que nós sabemos e não fazemos ainda. Ele é direcionado a quem já visualiza a mudança, àqueles que já elegeram um padrão novo de vida, pois em certo momento despertamo-nos para a vida, identificando e aplicando valores para além. Está endereçado à nossa capacidade de afirmação pessoal, sugere a todos a aceitação do trabalho que nos é competente, é uma proposta de trabalho.

E vamos entender que o apocalipse tem dois ângulos no qual funciona, isto é, apresenta dois destinatários bem definidos: Ou nós estamos dentro dele como cooperadores do pensamento divino, no plano de auxílio, ou somos aqueles elementos dessa história toda no envolvimento dele no plano cármico, no contexto do sofrimento e da dor.

Veja bem, apocalipse não é o que vai chegar. Ele define o componente que toca aqueles que estão precisando dele dentro dos aspectos menos felizes. Simboliza a chegada de chuva de dificuldades para todos os que rejeitarem as oportunidades. E o apocalipse não diz respeito apenas ao espírito recalcitrante no erro. Ele surge, também, em função daqueles espíritos acomodados na evolução dentro de um contexto de ética acanhada. E observamos ao redor que o nosso mundo é um apocalipse vivido, muitas vezes, com o silêncio em muitos corações.

O apocalipse é referência àquelas individualidades que já foram visitadas pela informação e que se encontram às voltas com a capacidade fixadora desses padrões a nível prático, no âmbito dos cooperadores. Logo, fica definido que grande parte das suas profecias está direcionada àquele grupamento que já tem conhecimento maior ou menor dos fatos. Ele é uma mensagem para os que já estão visitados pela informação quanto às realidades novas da vida, não há apocalipse para quem está na jornada natural da vida (importante analisar isso), o destinatário do conteúdo das cartas às sete igrejas do apocalipse somos nós. Agora, nós não estamos estudando o apocalipse para nos posicionarmos no apocalipse, dentro dele. Não, de forma alguma, estamos tentando escapar dele.

O apocalipse está precipitando hoje acontecimentos por estar na determinação não dos homens, mas na determinação superior dos que gerenciam a nossa evolução, de que a Terra vai entrar em um processo, um terreno novo, de regeneração.

De forma que não vamos tê-lo como um conjunto ameaçador, nuvens pesadas a se derramarem sob as criaturas humanas, mas compreendê-lo como prevendo-nos acontecimentos em razão de bases lançadas no tempo, e que, estruturalmente, formaram nuvens que irão derramar, hoje ou amanhã, mais cedo ou mais tarde.

Muitas de suas revelações acontecem nos dias de hoje, especialmente dentro de casa, a partir de um agente intermediário que reflete a necessidade de alguém, essencialmente pela instauração de um problema além do previsto pelo contingente familiar. O apocalipse vem e pega mesmo, se for preciso, não deixa passar em branco, mas só vai pegar quando não tiver jeito, porque oportunidades surgem. Dilatando nossa capacidade compreensiva ampliamos a idéia anterior de constrangimento apocalíptico de massacre, de eliminação, com o criador lá de cima das esferas gerenciando o sofrimento e a mortandade aqui no orbe.

A grande verdade é que o apocalipse não quer ver ninguém derribado.

De cá para lá ele é esse fantasma que nos faz sofrer. E de lá para cá é uma instrumentalidade, nem um pouco gostosa, claro, de gosto ruim, às vezes desconfortável, mas que tem um cunho didático, para nos levar ao equilíbrio. Representa o efeito de causas infelizes, mas, principalmente, analisando dentro dos acontecimentos, é uma oportunidade de nossa caminhada com consciência e equilíbrio.

Então, de lá para cá existe o investimento em uma oportunidade, dentro do processo de quitação e reajuste, no sentido de que a gente aprenda a seja feliz. Ou seja, o apocalipse, em tese, para todos os efeitos é alguma coisa que cerceia, no entanto, dentro do cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. O apocalipse está projetando a criatura para um piso diferente.

E sabe por quê? Porque a morte, no sentido finalístico de que morreu, acabou, não existe! A própria morte na acepção que conhecemos (desencarnação) é vida para o outro lado, mudança de plano. Ainda que toda a soma dos valores presentes no texto acontecesse, que todas as situações referenciadas desabassem nas cabeças das criaturas necessitadas de suas experiências, o espírito, dentro da sua imortalidade, continuaria a sequenciar a sua evolução porque em momento algum o mecanismo evolutivo vai ter cerceadas as suas manifestações.

Em razão disso, o apocalipse define que o esquema está montado, se baseado apenas no plano da nossa sementeira. Entretanto, a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar, punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar-se, integrar-se nas faixas lindas e expressivas da sua lei maior chamada amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...