29 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 5

O COLÍRIO E A PROFUNDIDADE

“ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:18

Os olhos são instrumentos de interação com os seres e as coisas. Para propiciarem eficiência necessitam estar limpos, saneados. O pranto e o ranger de dentes significa lavar os olhos pelo líquido das lágrimas do sofrimento para ver melhor. Porque lavá-los pelo pranto nos proporciona uma ótica mais nítida da existência.

E para quem já consegue visualizar com certa claridade a marcha do progresso, essas lágrimas vão além de apenas limpar os olhos. Elas lavam o coração, mas sugerem ao espírito sofrido algo mais, abrir-se para o sol e para oportunidades novas.

“E que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” significa que ainda não estamos vendo. Não estamos vendo e precisamos ver. Define que o momento é agora, o problema não é o passado, a questão é seguirmos adiante tendo forças para que possamos vencer a caminhada, trabalhar as causas com vista ao futuro.

Para isso é necessário ungirmos os nossos olhos com colírio. Porque já não precisamos tanto da dor para ver melhor. Já não necessitamos tanto aprender pelo sofrimento, uma nova alternativa, e muito melhor, se nos apresenta ao invés das lágrimas.

Colírio é um remédio que se aplica sobre a conjuntiva dos olhos para efeito curativo ou de alívio, representa evoluir para além da dor. É o discernimento, pelo qual desobstruímos a nossa visão. Esse colírio clareia a vista lavando os olhos, que são instrumentos abençoados de nossa interação com os seres e as coisas. Ele nos proporciona uma ótica mais clara, limpa. É a proposta de irrigar, manter a visão nítida para ter-se o discernimento e identificar o que fazer, pois o que buscamos é abrir nossa vista objetivando enxergar com mais propriedade. E quem tem bons olhos não vê o bom nem o ruim, compreende apenas.

O ver é a função do olho e ele representa um campo perceptivo. Em geral, os homens possuem da matéria a conceituação possível de ser fornecida pela mente, compreendendo-se que o aspecto real do mundo não é aquele que os olhos mortais podem abranger, afinal de contas, as percepções humanas estão condicionadas ao plano sensorial, sem conseguirem ultrapassar o domínio de determinadas vibrações.

Mergulhadas nas vibrações pesadas dos círculos da carne as criaturas tem notícias muito imperfeitas do universo, em razão da exiguidade dos seus pobres cinco sentidos. É por isso que o homem terá sempre um limite nas suas observações da matéria, da força e do movimento, não só pela deficiência de percepção sensorial, como também pela estrutura do olho, onde a sabedoria divina delimitou possibilidades humanas de análise, de modo a valorizar os esforços e iniciativas. O campo da alma exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptivo. Por isso é imprescindível habituar a visão na procura do melhor, saber que o olho básico de profundidade é o do campo mental.

A expressão “dois olhos”, mencionada nas Escrituras, é uma referência à visão profunda do diencéfalo e aos componentes interativos do nosso dia a dia, que é a visão normal. Note que às vezes alguém vê uma pessoa, mas não vê o seu semblante. Muitos vêem e não enxergam, e o olho capaz de ver, transcendentemente, é aquele que vê e vê mesmo, muito para além da visão objetiva e lógica. A visão, um dos últimos sentidos, senão o último que conquistamos, faz esse papel de percepção e, como já mencionamos, também detona novas linhas de ação. E refrisamos que atrás de cada acontecimento há uma mensagem, por isso é preciso efetivamente saber ver, existe causa preponderando ao efeito.

Ou seja, temos que entender. E entender é uma abertura da visão profunda para além da visão comum. A expressão “olhos como chama de fogo” sugere olhos de profundidade relativamente à vida. O entender lida com essa visão profunda do diencéfalo, que é a epífise, a sede da mente, e esta mexe com a essencialidade profunda nossa. Os próprios sentidos nossos, todos eles, são componentes sob a direção direta do campo mental, que é o centro coronário, onde está a visão profunda do diencéfalo, e tudo isso trabalha de forma globalizada.

Outras questões interessantíssimas acerca da visão, como aquela passagem “Se teu olho te escandalizar, arranca-o...” abordaremos com detalhes mais adiante.

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