31 de jan de 2011

Cap 8 - O Ouvir e o Ver - Parte 6 (Final)

A APLICABILIDADE E A COMPREENSÃO

Já mencionamos que às vezes tamponamos a nossa capacidade auditiva e preferimos ir com a cabeça na parede. E que perdemos a faculdade de ver para aprendermos a ouvir, pois a acústica é maior do que a visão, ela revela coisas que nem sempre os olhos são capazes de perceber. Por isso, quem não consegue ver tem que se limitar a ouvir.

E estamos repetindo isso para dizer que muitas vezes um campo mental de certo modo restrito, reduzido, tem a finalidade de fazer com que a criatura administre a capacidade de operar a onda mental com equilíbrio. A conclusão é simples, daqui para frente ou nós melhoramos a nossa ótica, ou vamos continuar trabalhando perifericamente no plano do nosso crescimento espiritual.

E fica fácil percebermos que nas curas de Jesus presentes no evangelho, especialmente no que se refere aos cegos, temos a presença de certas peculiaridades.

Elas nos mostram que Jesus não apenas retornava-lhes a visão, não apenas recuperava a visão para que vissem, mas implicavam também no como ver. O mestre não apenas recompunha a visão de quem não enxergava, mas objetivava propiciar o recebedor com um quadro novo de uma capacidade de ver. Ou seja, Jesus não visava tirar a dor física dos enfermos buscando alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as suas doenças. Ele se preocupou, acima de tudo, em proporcionar a cada alma necessitada uma visão mais ampla da vida, e em aquinhoar cada espírito no caminho evolutivo com eficientes recursos de renovação e transformação para o bem.

E disso nós concluímos uma coisa: o primeiro fator que nos importa quando passamos a ver é o aspecto da aplicabilidade. Basta analisar como os pacientes nessas curas se encontravam antes e como passaram a agir depois de consumadas.

Porque é da lei (divina) que nós não devemos ver senão o que possamos observar com proveito. Cada um de nós deve ter a possibilidade de ver somente aquilo que proporcione proveito legítimo, afinal, não fomos criados para ver dentro de um plano de entretenimento apenas. Para poder ver além daquele ponto que nos é delimitado temos que saber investir naquilo que fomos capazes de ver. E a capacidade de ver representa não apenas detectar, está muito para além disso. Quem sabe ver detecta, sabe para quê e porque vê.

Vamos guardar uma coisa, em sentido absolutamente cristão compreender é palavra de ordem para quem quer a elevação. A compreensão é fulcro geratriz do amor e da misericórdia, componente inarredável do nosso crescimento. Se há cristianismo em nossa consciência o cultivo sistemático da compreensão e da bondade tem força de lei em nossos destinos, por isso em todo momento da vida temos de nos encontrar com a válvula da compreensão em disponibilidade.

A compreensão é o plano fundamental do amor, podemos até dizer que o amor fecunda-se na compreensão.

É impossível amar sem compreender, é muito difícil o exercício da caridade fundamentada amplamente no amor sem um alto grau de compreensão. Enquanto não compreendermos não conseguiremos penetrar no território do amor. E compreender é alcançar com a inteligência, é entender, perceber ou alcançar as intenções ou sentido de, entender aceitando como é, dar-se conta de, é ver. A compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma, e quando começamos a conhecer a realidade da própria vida abrem-se novos patamares de visualizações e subtraem-se os desencantos. E compreender é ver não só o que estamos enxergando.

O Cristo Jesus, representando a luz maior, aqui veio, a um mundo onde imperava a escuridão em seus caracteres mais amplos. E o evangelho nos aponta que as trevas não compreenderam a luz. E não compreenderam simplesmente porque para que pudessem compreendê-la preciso fora que se iluminassem. Não vamos nos esquecer que estamos marchando para Deus e os caminhos não são os mesmos para todos. No planeta em que estamos ajustados não temos salvos de um lado e condenados de outro. O que nós temos são pisos evolucionais. As mentes vibram em patamares condizentes ao grau de evolução em que se ajustam, patamares consonantes com o grau de evolução que estão conquistando.

Convocado a discutir, Jesus imolou-se. Não reclamou compreensão e entendeu a nossa loucura, localizou-nos a cegueira e amparou-nos ainda mais. Não ignorava o que existia no homem, no entanto, nunca se deixou impressionar negativamente.

Muitos dos entes mais amados na Terra, embora ocupando o nosso coração, ainda não podem entender as conquistas santificadas do céu. E em um plano de contrastes chocantes como o nosso não será possível agradar a todos simultaneamente. Mas nem por isso condenemos o próximo porque nele observemos a inferioridade e a imperfeição.

Junto da serenidade poderemos analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito. Se por um lado não podemos agradar a todos, por outro não podemos nutrir nenhuma proposta desagradável aos outros. Existe uma diferença entre aprovar a postura do semelhante e compreender o semelhante. Nós não temos que aprovar as distonias de vida que as criaturas levam, mas temos que ter uma tranquilidade para compreender o nível evolucional delas.

E ninguém perderá exercendo o respeito que devemos a todos as criaturas e a todas as coisas.

Logo, aprovar nem sempre, mas compreender sempre. Se eu descaracterizar, desrespeitar o piso do meu semelhante eu estou apagando a minha luz, e a luz foi feita para dissipar a treva, a função da luz é iluminar, não brigar com a treva. Se nós não compreendermos a treva a nossa luz nunca será luz, ela será um foco intimidador. A conclusão é que a gente tem tentado em nossa vida prática desativar a preocupação e saber compreender. E quando compreendemos o piso diferenciado passamos a ter paciência junto às pessoas.

Até mesmo no processo educativo nós ganhamos autoridade em determinar limites a outrem quando nós compreendemos. Porque enquanto nós não compreendermos nós vamos colocar limite para resguardar o nosso interesse pessoal e não para ajudar o semelhante que está exorbitando da sua órbita. Quando Jesus passou por todo o processo de resistência do mundo ele quis nos ensinar algo no final, que ele viveu isso tudo por amor a nós, ao passo que nós vamos viver em respaldo ao destino.

Agora, nós só podemos compreender determinadas questões quando encontramo-nos em condições vibratórias necessárias para as assimilarmos. E mais uma coisa importante, através da compreensão é imperioso evitarmos agravar os problemas do próximo que amanhã podem vir a tornarem-se nossos.

Um comentário:

  1. parabens marcos..adorei seu blog
    que o doce jesus te abençoe
    beijuuu

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