28 de fev de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 1

INTRODUÇÃO


Nós fomos criados para a perfeição, e ninguém duvida disso. E Deus permite que escolhamos nosso caminho, e que até por mau uso do livre-arbítrio façamos incursões menos felizes, quando a dor é convocada à tarefa de nos reconduzir ao equilíbrio.

Ocorre que a Terra é, ainda, uma escola preparatória de aperfeiçoamento e no trabalho de redenção, individual ou coletivo, a dor é sempre o elemento amigo e indispensável, oportunidade concedida por Deus às suas criaturas em todos os tempos. Por nossa rejeição à opção do amor ela é o mecanismo que necessitamos para restabelecer o equilíbrio. Representa a resposta que a ignorância conduz aos desatentos e também a lapidadora das arestas morais.

O sofrimento é um componente favorável à evolução. A dor visa sempre o despertar da alma para os seus deveres e o caminho evolutivo está repleto de aguilhões, de outro modo não enxergaríamos a porta redentora. Sofremos por necessidade em favor de nós mesmos e não se pode desconsiderar a dor que instrui e ajuda a transformar o homem para o bem. O sofrimento é útil, bom e providencial. A dor é muitas vezes uma lâmpada maravilhosa, as lágrimas purificam e as dores corrigem, afinal, o diamante não é lapidado com pétalas de rosas.

E o sofrimento pode ser visto sob dois ângulos. De baixo para cima, do inferior ao superior, sofremos hoje porque erramos ontem. De cima para baixo não sofremos hoje porque erramos ontem, recebemos oportunidade de repetirmos a experiência, de saldarmos nossos débitos e seguirmos crescendo a caminho da evolução ao Pai. E cada problema que nos alcança é instrumento didático, é a luta aperfeiçoando nossa vida até que a vida se harmonize sem lutas com desígnios do Senhor.

Sofrimento é o ato de sofrer, angústia, aflição, amargura, padecer, ser atormentado, afligido por. Como oportunidade de redenção, que objetiva nos conduzir a processo de reflexão, tem em seu interior mais aspectos morais do que físicos, tanto que o classificamos sob dois aspectos, o físico e o espiritual. A Dor moral é a essência, o sofrimento do espírito representa a dor realidade, afinal, somente a dor espiritual é grande e profunda para promover o trabalho de aperfeiçoamento e redenção. E o sofrimento físico, seja de qualquer natureza, representa a dor ilusão, a dor física é o fenômeno, razão porque ela vem e passa, ainda que se mantenha após a morte do corpo de carne.

E temos que retificar a idéia fechada que trazemos acerca dos que sofrem. De modo geral, enquanto encarnados, apenas enxergamos os aleijados do corpo, os que perderam o equilíbrio corporal, os que se arrastam no solo, aqueles com escabrosos defeitos. De certa forma essa é a idéia nossa acerca dos que sofrem. Mas o que está sofrendo na cama de hospital, o abandonado no asilo, a criança desnuda na rua, são os sofredores ostensivamente se mostrando aos nossos olhos.

No entanto, em nossa órbita de ação, dentro de casa, há sofredores também. Pois cada criatura tem o seu enigma, a sua necessidade e a sua dor, e não possuímos também suficiente visão para identificar os doentes do espírito, os coxos do pensamento, os paralíticos das emoções, aqueles aniquilados de coração.

E podemos encontrar duas criaturas debaixo de uma mesma sintomatologia, de um mesmo diagnóstico, porém, sob causas diferentes. Ou seja,  pode ter finalidades diferentes para mesmo quadro. O sofrimento para um pode ser despertar e para outro pagar, quitar. No caso do despertar, o papel da respectiva dificuldade é projetar o ser, a criatura se projeta e sara, restabelece-se. O que equivale a dizer que a sua entrada em um terreno novo propicia o saneamento do processo.

No caso do pagar, não adianta fechar a cara e brigar com tudo e todos. A criatura tem que respaldar com calma e tranquilidade a sua dificuldade. Aquele que semeou lá atrás tem que se contentar com paciência no regime da colheita.

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