10 de fev de 2011

Cap 9 - A Caridade - Parte 2

A COMPAIXÃO


“17DISSE-LHE TERCEIRA VEZ: SIMÃO, FILHO DE JONAS, AMAS-ME? SIMÃO ENTRISTECEU-SE POR LHE TER DITO TERCEIRA VEZ: AMAS-ME? E DISSE-LHE: SENHOR, TU SABES TUDO; TU SABES QUE EU TE AMO. JESUS DISSE-LHE: APASCENTA AS MINHAS OVELHAS.” JOÃO 20:17

“15SE ME AMAIS, GUARDAI OS MEUS MANDAMENTOS.” JOÃO 14:15

“7BEM AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS, PORQUE ALCANÇARÃO A MISERICÓRDIA.” MATEUS 5:7

É muito grande o número de indivíduos nos estradas diversas da paisagem terrestre que pedem ajuda. Gritos de socorro são constantes, nem sempre por palavras, mas pela expectativa do olhar que nos chega ao coração. Para quem ama o semelhante é fácil perceber quando há pedido de ajuda na expressão de desencorajamento e desespero no semblante.

Sabemos que em todo lugar onde haja merecimento nos que sofrem e boa vontade nos que auxiliam pode-se ministrar o benefício espiritual com uma relativa eficiência. Todos os enfermos podem procurar a saúde, todos os desviados, quando desejam, retornam ao equilíbrio. Se a prática do bem estivesse circunscrita aos espíritos completamente bons seria impossível a redenção humana, e qualquer cota de boa vontade e espírito de serviço recebe do plano superior a melhor atenção.

Sendo assim, é preciso deixar que a luz da compaixão nos clareie a rota para que a sombra não nos envolva. É claro que não sanearemos o desequilíbrio do louco zurzindo-lhe a cabeça, nem expulsaremos a criminalidade do malfeitor cortando-lhe os braços, mas diante de todos os desajustamentos alheios precisamos compadecer e amparar sempre. Perante todos os disparates do próximo precisamos nos compadecer e fazer o melhor que pudermos.

A proposta do nosso estudo é a sensibilização, porque temos que lidar com a sensibilidade dos outros. É indiscutível que não podemos menosprezar a educação da inteligência, porém, Jesus convida-nos ao exercício constante das boas obras, seja onde for.

E ensinar, transmitir, cooperar, envolve um alto grau de sensibilidade, saber o que se passa no coração das pessoas. Entre conhecer e sentir existe uma distância e precisamos sentir o amor. Somente o coração tem o poder de tocar o coração, somente aperfeiçoando nossos sentimentos conseguiremos nutrir a chama espiritual em nós consoante o divino apelo. É impossível qualquer um de nós cooperar sem fazer simpatia vibracional. E para usufruir a intimidade de Jesus e senti-lo no coração é imprescindível amá-lo, compartilhando-lhe a obra e a vida.

“Simão, filho de Jonas, amas-me?” Significativa a pergunta de Jesus. O mestre não pede informação ao discípulo a respeito de raciocínios que lhe eram peculiares, não deseja inteirar-se dos conhecimentos do colaborador, não questiona acerca de suas potencialidades, muito menos reclama compromisso formal.
 

Pretende apenas saber se Pedro o ama, deixando perceber que com amor demais as dificuldades se resolvem. Se o discípulo possui suficiente provisão dessa essência divina a tarefa mais dura converte-se em apostolado de bênçãos promissoras. As nossas conquistas intelectuais valem muito, mas em verdade somente seremos efetivos e eficientes colaboradores do mestre se tivermos amor. Se não tivermos uma capacidade de compaixão, de compreensão, de misericórdia, de amor, não temos como auxiliar e como cooperar. Não há como ajudar sem compaixão. Só a luz do amor é forte para converter a alma à verdade.

E Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” Ele foi claro e insofismável quando asseverou para os aprendizes que tão-somente os que o amem saberão trilhar-lhe o caminho e guardar-lhe os mandamentos. O Cristo amava naturalmente a sua gente e o seu afeto natural tinha sido tremendamente aumentado pela sua extraordinária devoção a eles. Logo, quanto mais profundamente nos entregamos aos nossos semelhantes tanto mais chegamos a amá-los.

E a luz ilumina dispensando longos percursos. Só o amor tem a luz que atravessa os grandes abismos, quem ama é capaz de emitir uma onda que penetra território adentro de nosso ser, são ondas ultracurtas. Quando alguém nos ama, com aprofundamento, esse alguém consegue nos ajudar, nos auxiliar, a luz irradiada por quem ama não ofusca nem perturba, propicia envolvimento e paz.

A perfeição e a bondade são inerentes a Deus e a misericórdia é algo de Deus, tanto que Jesus não aceitou o título de bom. A misericórdia é a compaixão suscitada pela miséria alheia. No plano didático, é movimento intrínseco da individualidade em suas fibras de amor e sentimento, face à visualização de alguém ou algo, é o movimento do sentimento voltado ao bem, tem sentido de intimidade.

A compaixão é o pesar que em nós desperta a infelicidade, a dor, o mal de outrem. A piedade é a pena dos males alheios, é compaixão, comiseração, significa no plano prático da vida uma compreensão da misericórdia divina para conosco. O amor é algo que flui ao nível da misericórdia, e nós não temos como adquirir a harmonia íntima se não formos buscar a paz e exercermos a misericórdia.

E estamos exercendo a bondade e a misericórdia em patamares cada vez mais avançados. Mas como podemos nos sensibilizar com a dor do próximo se não passamos por determinadas experiências? Às vezes, é preciso que a gente passe por impactos da dor para que possamos aferir a necessidade do semelhante, muitas vezes a nossa passagem por tantas dores e sofrimentos é para adquirirmos a capacidade de ter misericórdia, afinal de contas, um cristão sem atividade no bem é um doente de mau aspecto pesando na economia da vida social.

Agora, notemos que a palavra graça, nos dicionários, é sinônimo de favor dispensado ou recebido, é benefício ou dádiva. Do ponto de vista espiritual esse significado não procede, pois não existem favores gratuitos. Para receber algo é preciso estar de acordo com a contabilidade da vida, a misericórdia divina não cai ou não é distribuída a esmo, os débitos e créditos são sempre analisados.

Apenas existe misericórdia para quem exercita a misericórdia. Misericórdia que se recebe está na linha direta da que se dá, representa alguém fazer algo em favor dos desditosos para que o alto faça algo em favor dele. Muitos dizem: “Deus, me acode!” E Deus pode perguntar: “E você, filho, tem acolhido alguém?”

Vamos nos lembrar de que seremos ajudados pelo céu conforme estivermos ajudando na Terra. Todos somos alunos do educandário da vida e suscetíveis de queda moral no erro. Usemos, pois, a misericórdia com os outros e acharemos nos outros a misericórdia para conosco. O que é feito por amor não se perde e investir no amor gera retribuição natural da vida. Deus está em nós quando nós estamos em Deus. E quanto mais amamos mais nós somos destacados para o mundo espiritual, o amor sempre dispõe de recursos e mais cresce quanto mais se doa. O amparo aos outros cria amparo a nós mesmos, todo o bem realizado, com quer for e onde for, constitui recurso vivo atuando em favor de quem o exercita.

Todo o bem que se faz aos outros propicia uma linha de simpatia. E ainda que o auxiliado não entenda e não compreenda, o seu amigo espiritual fica amigo da gente porque auxiliamos o tutelado dele. E para que qualquer de nós alcance a alegria de auxiliar os amados faz-se necessária a interferência de muitos a quem tenhamos ajudado por nossa vez, os que não cooperam não recebem cooperação.

Assim, fica bem fácil a gente concluir que felizes os que buscarem na revelação nova o lugar de serviço que lhes competem na terra, consoante a vontade de Deus.

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