15 de fev de 2011

Cap 9 - A Caridade - Parte 4

PORQUE FAZER CARIDADE


“PORTANTO, TUDO O QUE VÓS QUEREIS QUE OS HOMENS VOS FAÇAM, FAZEI-LHO TAMBÉM VÓS, PORQUE ESTA É A LEI E OS PROFETAS.” MATEUS 7:12

“MAS, SOBRETUDO, TENDE ARDENTE AMOR UNS PARA COM OS OUTROS; PORQUE O AMOR COBRIRÁ A MULTIDÃO DE PECADOS.” PEDRO I-4:8

É uma tônica no universo, ponto de maior realce, o processo de interdependência.

Nós vivemos em função dos outros porque a interdependência mora na base de todos os fenômenos da vida, a vida é interação. Todos dependemos uns dos outros na desincumbência dos compromissos que nos competem e é um erro lamentável despender nossas forças sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, vaidade ou nossa limitação pessoal.

Muitos se esquecem, inclusive, que amanhã serão talvez os necessitados e os réus, carentes de perdão e socorro alheio. E o laboratório (plano aplicativo da vida) que vai nos dar acesso efetivo a um estado melhor vai depender dessa nossa interação com os outros, coisas, fatos e situações, enfim, com o mundo em si.

Definitivamente, nós não estamos mais em um processo de cada qual viver para si.

Hoje ninguém é feliz por si próprio e ninguém vive só, pois nos achamos magneticamente associados uns aos outros, quer se acredite nisso ou não. Necessitamos uns dos outros e não tem como encontrar a sustentação de felicidade naquela má regra egocentrista que trazemos ainda. Não há como encontrar a felicidade plena envolto nas amarras do egocentrismo, a felicidade não consegue se multiplicar quando o amor não sabe dividir.

Estamos aqui estudando o evangelho e o evangelho está sendo trabalhado para nos ensinar que acabou aquele período de cada qual viver para si. Quando se fala hoje no amor universal não é porque perdemos o direito de amar uns aos outros no campo pessoal e particular de eleição. De forma alguma.
 
Agora, esse amor no campo pessoal das relações afetivas diretas só vai encontrar uma ressonância gostosa, no sentido de amplas sedimentações, à medida que se abre no interesse dos outros no campo geral. Então, quem quiser em si mesmo ser feliz tem que fazer algo aos outros, abrindo-se nos interesses dos outros, ou seja, é preciso abrir se quisermos ser felizes. Quem quiser estar bem tem que viver para o completo, para o grupo, para o geral no campo universalista. Coloquemos nossas possibilidades ao dispor de outros, porque ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si mesmo.

O amor traça a linha reta da vida para todas as criaturas e representa a única força que anula as exigências da lei de talião dentro dos planos do universo infinito. Somente o bem pode conferir o galardão da liberdade suprema, ele representa a chave única suscetível de abrir as portas sagradas do infinito à alma ansiosa. Não queremos desanimar você, mas muitas pessoas que estão trabalhando no campo das religiões com alta dose de amor, um percentual enorme desses operadores no bem, de tarefeiros, estão trabalhando debaixo de carma, em tese.

No entanto, é muito melhor, mil vezes melhor, pagar trabalhando do que pagar com destruição. É muito melhor o saneamento dos débitos com suor do que com lágrimas. E ninguém precisa esperar reencarnações futuras envoltas em dores e lágrimas, em ligações expiatórias, para diligenciar a paz com os inimigos do pretérito. Afinal, o criador quer o trabalho do amor e não o estigma do pagar, e conforme a contabilidade do amor o bem que se faz sempre diminui o mal que já se fez. Por isso, o amor sempre “cobrirá a multidão de pecados”.

Então, nós temos mesmo que entrar nas faixas aplicativas do amor, levantar essa bandeira.

E muitos alimentam a idéia de que é preciso equacionar tudo antes de se poder pensar no semelhante. “Eu queria ajudar outras pessoas, queria mesmo, mas você sabe, estou sem tempo, cheio de problemas, não tenho como fazer nada agora, preciso resolver minhas coisas primeiro...” E não são poucos os que pensam assim, que esperam, às vezes indefinidamente, por melhores ocasiões, melhor sorte. Dessa forma, vamos fazendo de nossa dificuldade um casulo.

Mas não temos como resolver problemas íntimos dentro de um processo fechado em nós mesmos, em uma luta fechada conosco em um quarto trancado.

Na parábola do semeador, por exemplo, vamos observar que o semeador não agiu por meio de contrato com terceiras pessoas, ele mesmo saiu a semear. Ele se predispôs e foi. Logo, se buscamos o Pai ajudemos nosso irmão, como servidores do evangelho somos compelidos a sair de nós próprios a fim de beneficiarmos corações alheios, aqueles que transitam no mundo entre dificuldades maiores que as nossas. Porque o próximo é a nossa ponte de ligação com Deus.

O bem constante por nós feito gera o bem constante, e mantida a nossa movimentação infatigável no bem todo o mal por nós amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxílio nascidas a nosso favor em todos aqueles aos quais dirigimos mensagem de entendimento e amor, sem a necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que eventualmente se nos incorporam ainda ao fundo mental.

O trabalho no bem representa o melhor campo para se resolver problemas. Temos que analisar isso com muito carinho. Todo esforço no bem, por mínimo que seja, redundará invariavelmente a favor de quem o realiza, porque toda ação pela felicidade geral é concurso na obra divina. A partir do momento que você passa a dar, efetivamente, irá perceber que dentro de pouco tempo você vai estar sendo atendido perfeitamente dentro de um suprimento da misericórdia.

O processo não se encontra no fechar, o processo está no abrir. Muitas vezes temos que trabalhar com a aflição de muitos para resolvermos a nossa, é assim que ocorre.

Se na extinção dos nossos problemas pequeninos solicitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de concurso na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo. E lidando com os que sofrem os nossos problemas começam a desaparecer, atendendo ao necessitado lá fora talvez consigamos administrar pontos necessários em nosso íntimo.

E quando conseguirmos superar as nossas aflições para criarmos a alegria dos outros a felicidade alheia nos buscará onde estivermos para improvisar a nossa ventura.

Por devotamento ao próximo atraímos simpatias valiosas com intervenções providenciais a nosso favor. E começamos a regeneração trabalhando com aqueles a que estamos vinculados (na nossa órbita mais próxima, no ambiente doméstico e profissional), para depois trabalharmos com o desconhecido.

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