18 de fev de 2011

Cap 9 - A Caridade - Parte 5

A BENEFÍCIO PRÓPRIO


Os espíritos de luz nos recomendam com insistência a prática da caridade, e vamos notar que quando o fazem estão nos orientando no sentido da nossa própria evolução. A caridade é um exercício espiritual e quem pratica o bem coloca em movimento as forças da alma.

Agora, é de grande importância a gente entender que auxiliamos os outros a benefício de nós mesmos. Não precisa se assustar, mas no exercício da caridade eu estou para resolver o meu problema, na essência do amor aplicado cada qual dá a si próprio, não ao outro.

Porque não podemos esquecer que nas leis da cooperação cada qual transporta consigo questões essenciais e necessidades intransferíveis, e não vai ser o meu auxílio, ou o seu, que vai resolver o campo cármico do outro. Não tem nenhum de nós que será capaz de mudar as linhas cármicas de quem quer que seja.

No plano da estrutura evolucional dos seres cada qual tem que passar a sua dificuldade. O serviço do próprio resgate é pessoal. E toda caridade tem o objetivo de auxiliar o recebedor (auxiliado) no despertamento da necessidade de seu reajustamento íntimo e intransferível, porque cada um semeia e colhe na medida do que lançou.

As nossas obrigações são sagradas e disso sabemos, mas não nos esqueçamos do minuto de apreço aos outros. Não podemos ignorar fazer alguma coisa na extensão da felicidade comum a nosso próprio benefício. A vida não reclama o meu sacrifício integral em favor dos outros, mas eu não posso, em razão da clareza que o meu raciocínio já envolve e apresenta marginalizá-lo ao sofrimento e à dor por causa da minha indiferença, da minha neutralidade ou simples frieza do meu sentimento. Eu tenho que pensar nas necessidades do outro.

O Cristo disse “vinde a mim os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”. Mas nós, não. Nós entramos de cabeça nas dificuldades dos outros como se pudéssemos saná-las. Jesus alivia, mas nós não queremos aliviar, queremos resolver. E o processo não é resolver a dificuldade da pessoa, tirá-la da dificuldade, pois já vimos anteriormente (O Conhecimento e o Testemunho) que a dificuldade é instrumento para crescer. É certo que devamos trabalhar tanto quanto esteja ao nosso alcance pelo bem do próximo, todavia não podemos exonerar nossos semelhantes das obrigações contraídas. Precisamos avaliar com carinho, e, em certas situações, até onde acreditamos estar auxiliando e até onde estamos sendo coniventes com os erros e despautérios do outro.

É certo que eu não posso deixar a minha vida para viver uma vida exclusiva em função do semelhante. A nossa ação não pode impedir a caminhada do ser. No plano natural da vida, às vezes, nossa solução de um problema alheio representa colocar em risco a nossa estabilidade, porque estamos dificultando a manifestação da lei.

Não estamos falando em auxiliar dando o melhor que pudermos na tarefa de cooperação, em fazer ao outro o que gostaríamos que nos fizessem. Estamos dizendo algo mais além, que se eu avoco totalmente a dificuldade do outro eu estou impedindo a caminhada dele. Uma coisa é ajudar alguém a levantar sua cruz, e até dar passos com ela, outra coisa bem diferente é querer carregá-la. É diferente o que representa cooperar com o outro e o que é avocar o problema do outro. Se ficamos apenas nos problemas dos outros podemos vir a nos alienar.

É de bom senso, uma questão lógica, que  nós não venhamos assinar as promissórias de ninguém, avocar o débito alheio, avocar a dificuldade de cada qual. Precisamos aprender a servir sem nos prender. Quase sempre que o fazemos, que chamamos aos nossos ombros o problema alheio, costumamos enveredar por áreas com ressonâncias que costumam nos levar a várias preocupações.

Por isso, para ter misericórdia temos que conhecer, não pode ser por um processo de manifestação de sentimento periférico. Nós temos que operar sem permitir que os acontecimentos de fora, do mundo exterior, venham nos precipitar em aspectos negativos da emotividade. Guarde bem isso, não se ajuda o criador apenas por um curso ou um impulso de sentimentalismo nosso. Tanto a frieza correta, como o sentimento doentio, não edificam o bem.

Investimos no evangelho porque estamos nos habilitando a sermos servos fieis. E o servo fiel não é aquele que chora ao contemplar as desventuras alheias, nem o que apenas as observa, de modo impassível, a pretexto de não interferir no labor da justiça. O bom trabalhador é o que ajuda sem fugir ao equilíbrio necessário, construindo todo o trabalho benéfico que esteja ao seu alcance consciente de que o seu esforço traduz a vontade divina.

É por isso que temos que conhecer!

Nos terrenos da cooperação quanto mais valores nós tenhamos em nossas mãos mais temos que ponderar quanto à nossa ação em favor do semelhante, para que nós, na melhor das intenções, no exercício do amor e da caridade, não venhamos a torpedear o encaminhamento natural da evolução de quem quer que seja.

Agir em nome do criador, como instrumento útil dele, exige uma abrangência de passado, de futuro e conhecimento das leis divinas. Porque às vezes a resolução do problema, na nossa ótica, é a quebra da oportunidade na ótica divina ao filho do criador. Já pensou nisso? Muitas vezes você quer tirar alguém da dificuldade, mas essa dificuldade é exatamente o que ele precisa para se projetar.

Logo, precisamos entender de forma adequada que o que manda agora não é o fazer ou não fazer, mas a tranquilidade e a serenidade de fazer de maneira correta.

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