31 de mar de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 1

ZAQUEU


“1E, TENDO JESUS ENTRADO EM JERICÓ, IA PASSANDO. 2E EIS QUE HAVIA ALI UM VARÃO CHAMADO ZAQUEU; E ERA ESTE UM CHEFE DOS PUBLICANOS, E ERA RICO. 3E PROCURAVA VER QUEM ERA JESUS, E NÃO PODIA, POR CAUSA DA MULTIDÃO, POIS ERA DE PEQUENA ESTATURA. 4E, CORRENDO ADIANTE, SUBIU A UMA FIGUEIRA BRAVA PARA O VER; PORQUE HAVIA DE PASSAR POR ALI. 5E, QUANDO CHEGOU JESUS ÀQUELE LUGAR, OLHANDO PARA CIMA, VIU-O E DISSE-LHE: ZAQUEU, DESCE DEPRESSA, PORQUE HOJE ME CONVÉM POUSAR EM TUA CASA. 6E, APRESSANDO-SE, DESCEU, E RECEBEU-O GOSTOSO. 7E, VENDO TODOS ISTO, MURMURAVAM, DIZENDO QUE ENTRARA PARA SER HÓSPEDE DE UM HOMEM PECADOR. 8E, LEVANTANDO-SE ZAQUEU, DISSE AO SENHOR: SENHOR, EIS QUE EU DOU AOS POBRES METADE DOS MEUS BENS; E, SE NALGUMA COISA TENHO DEFRAUDADO ALGUÉM, O RESTITUO QUADRUPLICADO. 9E DISSE-LHE JESUS: HOJE VEIO A SALVAÇÃO A ESTA CASA, POIS TAMBÉM ESTE É FILHO DE ABRAÃO. 10PORQUE O FILHO DO HOMEM VEIO BUSCAR E SALVAR O QUE SE HAVIA PERDIDO.” LUCAS 19:1-10

“1E, TENDO JESUS ENTRADO EM JERICÓ, IA PASSANDO. 2E EIS QUE HAVIA ALI UM VARÃO CHAMADO ZAQUEU; E ERA ESTE UM CHEFE DOS PUBLICANOS, E ERA RICO.” LUCAS 19:1-2

O mestre Jesus continua passando pela Jericó de nossas almas. Em plena atividade junto de nós, e influindo internamente em nosso íntimo, ele busca atrair-nos a atenção para novas faixas de vibração. Passando por Jericó desejoso de que a deixemos.

Tudo aquilo capaz de movimentar o espelho de nossa mente na direção de sistemas novos de vida é indicativo dessa passagem. Sempre que em nossa mente surge uma influência opondo-se ao nosso egoísmo é a sua ação junto de nossos corações. Todas as vezes que uma voz interior nos adverte, tornando-nos capazes de atos de altruísmo e de rasgos de bondade é Jesus passando e nos convocando à obra de redenção.

Essa presença, que comumente nos impressiona exteriormente, por meio da imagem viva de necessitados de toda ordem a transitarem em nossa órbita, muitas vezes nos mantém desinteressados. Não reconhecemos o Cristo e deixamos que por meio da indiferença e insencibilidade valiosas oportunidades se percam.

E ele continua passando!

Passando, verbo no gerúndio, que indica continuidade da ação. Passando é entrar, realizar, sair e continuar a trajetória. Mas nós temos uma tendência em permanecer junto a pessoas, situações e coisas, ao passo que quem busca ascensão consciente precisa aprender a trabalhar sem apego, pois as vinculações quando estruturadas no terreno do amor apresentam movimento, não visam estacionamento além do justo e do necessário. É imperioso sabermos passar, caminhar, prosseguir. Quanto à cidade de Jericó, comentamos anteriormente quando efetuamos o estudo do capítulo O Cego de Jericó.

À época da antiga Roma, publicano era denominação dada aos arrendatários das taxas públicas, os coletores de impostos, incumbidos da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, em Roma e em qualquer parte do Império. Eram eles os encarregados de receber os impostos públicos que se deviam pagar ao imperador romano.

Importante salientar que de toda dominação romana o imposto foi o que os judeus mais dificilmente aceitaram e o que mais irritação causou entre eles. Os judeus abominavam os impostos e, em consequência, todos os encarregados de arrecadá-lo, razão pela qual nutriam aversão aos publicanos de todas as categorias.

Os publicanos não eram vistos com bons olhos por grande parte da população. Chegavam mesmo a ser odiados, afinal, representavam o poder estrangeiro. Eram também considerados pecadores porque muitas vezes abusavam de suas funções, exigiam mais do que de direito. No exercício de suas atividades chegavam a extrapolar para o atendimento dos interesses pessoais, e muitos  enriqueciam.

Hoje, a conceituação é usada de forma pejorativa para designar os financistas e agentes pouco escrupulosos de negócios. Considera-se publicano, por plano de conveniência, aquela criatura que ainda se mantém acentuadamente envolvida em um processo de retirar o que ele pode do agrupamento em torno. Isso mesmo, tirar no sentido de prejudicar, define os vários ângulos que são trabalhados com esse sistema de tirar dos outros segundo a posição em que se encontre. Ele não se abre, mantém-se praticamente em uma sistemática vampirista ou de parasitismo.

E notamos que em todo o evangelho personagens e ambientes chegam até nós dando-nos condições de identificá-los ou não como pontos de nossa personalidade, ou regiões de nosso campo psíquico e estados de espírito. Todos os personagens dos textos bíblicos chegam-nos hoje, ainda se encontram dentro da gente, de forma que podemos revivê-los e até mesmo dar-lhes campo para que operem novamente a partir de nossa intimidade. Porque evangelho é algo do presente, é mensagem imortal direcionada ao espírito, e esses personagens apresentam certas insinuações dentro de nós próprios.

Falamos de Zaqueu e começamos a notar que o publicano de Jericó não representa apenas um elemento passivo que acolheu a bondade do mestre. Ele, por outro lado, demonstra a atitude renovadora do espírito imortal, que se desprende dos laços da retaguarda escravizante para os planos felizes da vida maior.

Basta lembrar que, diverso do jovem rico, que não aceitou o chamamento de Jesus, que perguntou e em seguida se esquivou, Zaqueu não precisou ser chamado, ele mesmo apresentou-se. Logo, Zaqueu, sem dúvida, somos nós hoje, vemos em sua história a nossa própria sempre que damos um passo à frente.

E ele exercia a chefia, não era apenas um publicano, mas o chefe deles, o que evidencia o alcance de sua decisão e os obstáculos que precisaria vencer na busca da meta que almejava. O termo varão vem definir o processo racional do indivíduo.

28 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 11 (Final)

A SOLIDÃO NO HORTO



“E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46


O evangelho de Lucas nos conta que os discípulos dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto. Fica fácil concluir que o Senhor não justificou a inatividade em tempo algum, nem mesmo em decorrência do choque diante das grandes dores.

Embora a confiança expressa na oração e na fé, é preciso colocar acima delas a certeza de que os desígnios celestiais são mais sábios e misericordiosos do que o capricho próprio. É preciso que cada um se una ao pai comungando com sua vontade generosa e justa, ainda que contrariado em determinadas ocasiões.

O sol nunca se afastou do céu, cansado da paisagem escura da terra, alegando a necessidade de repousar. A pretexto de indispensável descanso, as águas nunca privaram o globo de seus benefícios em certos anos. Por mais desagradável que seja em suas características, a tempestade jamais deixou de limpar as atmosferas. Apesar das reclamações dos que não suportam a umidade, a chuva não deixa de fecundar o solo em momento algum. As árvores não se cansam de frutificar.

Se o planeta pode ser tido como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos, o evangelho traz ao homem enfermo o remédio eficaz para que todas as estradas se transformem em suave caminho de redenção, e é preciso que aprendamos sempre com as leis da natureza a eterna fidelidade a Deus.

A solidão no horto é também um ensinamento do evangelho e uma exemplificação.

Ela significa, para quantos vierem nos passos de Jesus, que cada espírito na Terra tem de ascender sozinho ao calvário de sua redenção, muitas vezes com a despreocupação dos entes mais amados do mundo. Em face dessa lição, o discípulo tem que compreender que a sua marcha tem que ser solitária, uma vez que seus familiares e companheiros de confiança, em várias ocasiões, especialmente nos momentos de maior culminância para nós, se entregam ao sono da indiferença.

É preciso aprender a suportar a responsabilidade e perseverar na presença de decepções. É preciso aprender a ajustar os seus ideais de vida espiritual às demandas práticas da existência terrena. É preciso tornar-se experiente em arrancar a vitória do âmago da própria mandíbula da derrota, transformando as dificuldades do tempo em triunfos da eternidade. Tenhamos bom ânimo, aprendendo a necessidade do valor individual no testemunho, nunca deixemos de orar e vigiar, convertamos as nossas dores passageiras da terra em alegrias eternas para o céu.

Estamos falando na solidão do horto, e ainda sentimos uma necessidade muito grande de estarmos envolvidos pelos outros.

Em alguns momentos difíceis costumamos falar: “Oh! Meu Deus, porque está acontecendo isso comigo? Porque é que estou tão só? Porque estou passando por isso?” Muitos dizem em tom de lamentação, na maior parte das vezes é dito lamentando. Tanto é lamentando que muitos interpretam a pergunta de Jesus, quando sozinho na cruz, “Porque me desamparaste?”, como fragilidade, acham que ele foi frágil. Mas se analisarmos com tranquilidade vamos concluir que nessa passagem não houve lamúria dele, ele quis mostrar uma indagação correta, nós é que colocamos fragilidade. Quantas vezes abrimos uma página nova na nossa vida quando nos sentimos entristecidos, desesperançados e sós?!

A resposta surge quase que naturalmente. Sabe por quê? Porque quando nos encontramos sós é que tem algo a ser revelado. Isso é da lei. Há algo a ser revelado. Não tem quem não passe por esse momento na grande proposta de crescimento consciente. Definitivamente, não tem como ser diferente, são lances da vida.

E quando saímos disso, quando a gente vence a etapa, quando saímos da experiência, encontramos o sorriso daqueles corações que estavam junto conosco e a gente achava que estava sozinho. Então, podemos concluir e afirmar que a solidão, na sua legitimidade, não existe. Existe uma pseudo-solidão para que a gente sinta que temos sempre o amparo divino. É lembrar das pegadas na areia.

Agora, se não usamos a paciência e o equilíbrio indispensáveis, no sentido de manter a busca dentro da solidão, costumamos apelar para o desespero, e aí a situação se enovela e complica. E por outro lado tem pessoas que, às vezes, conviveram ao lado de alguém por dez, vinte, trinta anos, ou a vida inteira, para em determinado momento descobrirem que estavam era sozinhas o tempo todo, que estavam apenas engodadas pelos circunstantes. Não engodadas no sentido de envolvidas, mas em razão da própria deficiência desses elementos em amar e sustentar.

Para quem se encontra na solidão, uma boa tática é a solidariedade, um sistema de abertura no campo do oferecimento e da integração. Não fica dúvida nenhuma, se você se sente só seja solidário, que irá conseguir vencer muito coisa.

Dos lábios de Jesus, que haviam ensinado a verdade e o bem, a simplicidade e o amor, não chegaram a escapar uma queixa sequer. Martirizado na sua estrada de angústias, o messias só teve o máximo de perdão para seus algozes.

Vamos nos lembrar da imortalidade.

A escola nos revela que a experiência carnal é apenas veste, simples estágio do espírito no campo imenso da vida. Em face da grandeza espiritual da vida a existência humana é uma hora de aprendizado no terreno infinito do tempo. Para as almas que alcançam a compreensão, que encontram no íntimo de si próprias o prazer de servir sem indagar, os insucessos, as provas, as enfermidades e os obstáculos são simplesmente novas decisões das forças divinas, relativamente à tarefa que lhes dizem respeito, destinadas a conduzi-las para a vida maior. Todos podem servir, o enfermo tem diversas possibilidades de trabalhar para Deus, tateando ou rastejando, busquemos servir a Deus.

Nas aflições é imprescindível tomar a sublime companhia de Jesus e prosseguir avante com serenidade e bom ânimo. Quem deserta da luta, por achar que a luta está muito grande, não tenha dúvida: vai encontrar uma luta muito maior pela frente.

25 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 10

TOMAR A CRUZ E SEGUIR O CRISTO



“E QUALQUER QUE NÃO LEVAR A SUA CRUZ, E NÃO VIER APÓS MIM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO.” LUCAS 14:27


É preciso termos em conta que se nos propomos a desfrutar a intimidade do Cristo duas atitudes fundamentais o eterno benfeitor nos recomenda: tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos. Porém, nem todos estão dispostos a cumprir as duas.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo; e muitos pretendem seguir-lhe os caminhos, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem. Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam cabisbaixos, agressivos e desditosos, espalhando o desânimo e o azedume por onde passam. Os segundos crêem respirar na senda do mestre, no entanto, abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se nos escárnio e na leviandade, embora saibam interpretar as lições do evangelho de luz.

É muito grande o número de criaturas humanas que buscam o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Outros se apegam à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada. Adotando sistematicamente a posição de vítimas, se comprazem na dor que elegem como razão injustificada para a inércia.

E não são poucos os que sofrem e buscam auxílio, no entanto, não querem o progresso, as responsabilidades. Buscam livrar-se das doenças, mas não querem se curar. Querem continuar fazendo quando melhorarem o que faziam antes de adoecer.

Jesus disse “se possível afasta de mim esse cálice”, ou seja, gostar ele não estava gostando, mas não o rejeitou.

Logo, é preciso renunciar e aceitar a cruz, silenciar e abençoar sempre. Não nos esqueçamos de que é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento com amor e alegria, marchando no espaço e no tempo, com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos a alcançar a comunhão com o divino mestre. A cura de uma enfermidade é o resultado dos meios dolorosos que se empregam para combatê-la.

É preciso tomar a cruz e segui-lo. Com confiança, alegria e determinação. E não olvides que há muita diferença entre seguir ao Cristo e seguir aos cristãos. Muitos buscam a Jesus fazendo a idolatria em derredor de seus intermediários humanos, porém, como toda criatura terrestre, os intermediários humanos do evangelho não podem substituir o Cristo junto à sede das almas.

Ao se tomar a cruz, assumindo a responsabilidade de forma consciente e madura, deve-se segui-lo, e seguir o Cristo é implementar o instrumento que ele nos deixou. Significa obediência aos seus ensinamentos. Tenhamos, pois, a coragem precisa de seguir o Senhor em nosso anseio de ressurreição e vitória, transformemos nossa dor em auxílio para muitos, pois todos aqueles que recebem a cruz em favor dos semelhantes descobrem o trilho da ressurreição eterna.

E você pode pensar: “Como vou seguir se estou cheio de problemas. Como vou pensar em ajudar outros se estou tendo dificuldades para melhorar a minha própria vida?!”

Nós já comentamos em capítulo anterior que a morte significa a perda da vida, que ela tem cunho moral. Lembremos o que Jesus disse a Lázaro: “E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.” (João 11:43). Expiar em trevas íntimas não é suficiente para a recomposição da paz. Somente o amor pode atravessar o abismo da morte. E temos que sair para fora.

Que a criatura se lance no contexto da própria vida, para a luz, sair da treva do sepulcro para entrar na vida irradiante.

Porque se ficamos muito preocupados com os obstáculos passamos a fechar circuito e sofremos. E a terapia nossa não é sofrer muito para purificar mais. Isso já ficou lá para trás. É sofrer menos para equacionar e poder servir melhor.

Dessa forma, sair para fora indica a saída nossa a cada dia de nós mesmos. De nossa morte, de nossa tristeza, de nossos problemas, de nossa solidão, de nossa depressão, de nossas frustrações, para virmos buscar sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão, e ajudarmos quanto pudermos sempre.

23 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 9

SACRIFÍCIO E PAGAMENTO


“E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO, DIZENDO: BEBEI DELE TODOS;” MATEUS 26:27

 
“DIZENDO: PAI, SE QUERES, PASSA DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA NÃO SE FAÇA A MINHA VONTADE, MAS A TUA.” LUCAS 22:42

O mestre divino ergue hosanas ao pai justamente na hora em que vai partir ao encontro do sacrifício supremo.

Agradece, louva o todo-poderoso pela oportunidade de completar com segurança o seu divino apostolado na Terra, rendendo graças pela confiança com que o pai o transforma em exemplo vivo para redenção das criaturas humanas, embora essa redenção lhe custe martírio e flagelação, suor e lágrimas.

Ele sofre, renunciando o divino esplendor do céu para acomodar-se à sombra terrestre na estrebaria, experimenta a incompreensão de sua época, auxilia sem paga, serve sem recompensa, padece a desconfiança dos mais amados, e depois de oferecer sublime espetáculo de abnegação e grandeza é içado ao madeiro por malfeitor comum. Mas perdoa verdugos, olvida ofensas e volta do túmulo para ajudar. É que na sua lógica, acima de tudo, brilham os valores eternos do espírito.

E todos os seus companheiros de ministério, restaurados na confiança, testemunharam a boa nova atravessando dificuldade e luta, martírio e flagelação. Sendo assim, lembremos que o próprio Cristo, na fidelidade a Deus, foi constrangido também a dizer: “Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua”.

Começamos este tópico assim para dizer que a vida é mais sábia do que nós. E que devemos aceitá-la conforme se nos apresenta. Não te percas em lances festivos sobre pretensas conquistas na carne que a morte confundirá hoje ou amanhã, mas no turbilhão da luta que santifica e aperfeiçoa. Saibamos agradecer os recursos com que Deus nos aprimora para a beleza da luz e para a glória da vida.

Ninguém se queixe inutilmente e não se entregue a pessimismo em circunstância alguma. As mais diversas situações do cotidiano, embora nem sempre pareça, expressam a vinda de momento adequado para que venhamos realizar o melhor.

Mesmo que não entendas, de pronto, os desígnios da providência divina, recebe a provação como sendo o melhor que merece hoje em favor do amanhã, e, ainda que lágrimas dolorosas te lavem a alma toda, rende graças a Deus. Porque cada vez que nossos lábios cedem ao impulso da queixa, quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria, e não estamos na vida para julgar.

Independente da perturbação que nos alcançar, que a paciência e a serenidade em nós propicie segurança nos outros. Porque cada criatura humana já tem o seu enigma, sua necessidade e sua dor e não é justo aumentarmos as aflições daqueles com quem nos relacionamos com a carga de nossas inquietações. Esta é mais uma razão para que a nossa palavra não se faça turva ou desequilibrada para os outros, ainda que o nosso íntimo permaneça em névoas de problemas.

Todos nós temos débitos ou créditos representados pelas nossas ações desenvolvidas no passado. Agora, as emersões, as ressonâncias desses acontecimentos, surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente do plano superior.

Observe com atenção. Trazemos muito dos nossos débitos do passado, e quem deve tem que pagar. Mas a lei divina é misericordiosa e sábia e muitas vezes essa dívida é cobrada (pela vida, em suas múltiplas circunstâncias) quando apresentamos condições de saná-la. E o sacrifício pessoal nosso é uma forma de louvar, de declarar, de assinar o nosso atestado de que devemos.

Portanto, aquele que está pagando um débito de modo resignado, seguro, está vivendo um processo sacrificial de redenção. Porque sai de sua intimidade, de sua alma, a essência do sacrifício dele, diante do cumprimento dos acontecimentos previstos pelo criador ou pelas suas leis, de que ele está sabendo o que está pagando. Sabendo que ninguém paga senão aquilo que deve.

Isso é tomar a cruz. E quando se toma a cruz se assume a responsabilidade consciente e de forma madura. Quanto mais reclamamos do pagamento mais atestamos que estamos inconformados com os próprios erros que nós mesmos perpetramos.

É por isso que, normalmente, as pessoas mais nítidas, mais esclarecidas, mais enquadradas no plano da confiança, no plano da certeza da misericórdia divina, passam a reclamar menos. Trabalham a linha da resignação, do entendimento. Mas nós temos, ainda, por norma reagir, lamentar, blasfemar, lamuriar, repudiar,...

Nada de apavorar. Precisamos estar com os corações abertos para recolher a vontade de Deus.

20 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 8

SABER APROVEITAR O SOFRIMENTO



“E, INDO UM POUCO MAIS PARA DIANTE, PROSTROU-SE SOBRE O SEU ROSTO, ORANDO E DIZENDO: MEU PAI, SE É POSSÍVEL, PASSE DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA, NÃO SEJA COMO EU QUERO, MAS COMO TU QUERES.” MATEUS 26:39


A circunstância desfavorável é momento de reconstrução, não de abatimento. Nada de lamúrias, a lamentação é tóxico destruidor que não podemos utilizar. Diante do nevoeiro não condene as trevas, acenda a luz do serviço e espera por Deus.

É imprescindível buscarmos o lado melhor das situações, acontecimentos e pessoas, de tudo extrairmos o melhor sempre que enfrentarmos esse ou aquele problema, sabermos decifrar a mensagem que a vida está nos enviando em códigos.

Entender que é da terra sulcada pela enxada que saem trigais abençoados para o pão, que sobre ruínas surgem flores, e que o calvário e a cruz indicam a ressurreição.

Todos os padecimentos da carne se convertem com o tempo em claridade interior quando o enfermo sabe manter a paciência, aceitando o trabalho regenerativo por bênção da infinita bondade. A dor em nossa vida íntima é como arado em terra inculta, que rasgando e ferindo oferece melhores recursos à produção. E muitas vezes aquilo que nos parece derrota é vitória, o que se nos afigura em favor de nossa morte é contribuição precisa para o nosso engrandecimento nos aspectos essenciais da vida eterna.

E é importante entender que a nossa dor não nos edifica pelos prantos que vertemos ou pelas feridas que sangram em nós, mas pela porta de luz que nos oferece ao espírito.

A primeira condição para ser feliz é saber sofrer. A segunda é crer firmemente na próxima finalização do sofrimento, visto tratar-se de uma situação anormal, portanto, passageira. Logo, não basta somente sofrer, é preciso aproveitar o sofrimento para ser renovar. Receber a visita benéfica entre manifestações de revolta é o mesmo que recusar as vantagens da lição, rasgando o livro que a transmite. Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa é o mesmo que lançar preciosa lâmpada na lata do lixo. Paguemos os débitos que nos aprisionam aos círculos inferiores da vida aproveitando o tempo de detenção no resgate em maior aprimoramento nosso. Lancemos para amanhã os resultados do esforço de agora. Sempre vamos ter no dia a dia a oportunidade de refletirmos um pensamento feliz. A terceira é não reter o sofrimento quando a hora de sofrer passar. Precisamos saber levar a experiência das nossas ações menos felizes, não a sua ressonância.
 
E não desanime nunca. A lei não nos confia (jamais) problemas de trabalho superiores à nossa capacidade de solução. Não existe peso superior às nossas forças. O que existe são planos que eu adoto, que você adota e qualquer um de nós adota, mediante uma hipervalorização dentro de componentes emocionais.

Então, não existe quem não dê conta. Aquele que não dá conta está elegendo essa situação de não dar conta por conta própria, por uma falta de segurança e determinação de sua parte. Porque não estamos entregues à nossa própria capacidade operacional. Dispomos de muitos componentes que em nome da misericórdia nos facilitam. E não podemos nos esquecer em tempo algum que por mais intempestiva e mais agressiva seja a prova a que estejamos vivendo a gente tem Jesus.

O sofrimento define rebeldia nossa contra a dor. É opção pessoal, face à vigência do grande amor que nos felicita em todo lugar aguardando-nos. Saibamos definir até quando vamos sofrer, porque possibilidade de não sofrer nós já temos, o espírito não foi criado por Deus para sofrer.

É preciso, em nossa grande luta de melhoria, não sermos coniventes com o sofrimento. Não sejamos coniventes com sofrimento. Não ser conivente quer dizer não abraçar o sofrimento como uma graça que tem que existir na nossa vida. Quem se entrega ao sofrimento de maneira passiva está sendo derrotado.

Evite, definitivamente, curvar-se ao sofrimento. Aquele que se curva ao sofrimento de maneira passiva está entregando os pontos, está como que sendo derrotado. Vamos adotar uma atitude para fazermos os problemas serem equacionados, sem os valorizarmos demais. Sejamos seguros, sabendo e procurando administrar o sofrimento quando chega.

E não convertamos o amor em inferno para nós mesmos, nem acreditemos aliviar o peso com a ilusão de fuga impensada. Não procuremos a porta falsa da deserção.

Temos que nos manter firmes em nosso setor de serviço, educando o pensamento na aceitação da vontade divina. Por isso, à frente de toda dificuldade não te lastimes nem desfaleças, ainda que a prova lhe pareça invencível ou a dor insuperável. Não se retire da posição de lidador em que a providência divina lhe colocou.

Em determinados momentos de pressão use o bom senso, não peça que retire dificuldades, peça forças para administrá-las e delas se livrar de maneira definitiva.

Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. A vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos, é o lado oculto. O conquistador de maior êxito de todos os tempos não se ausentou do mundo como quem triunfara. Porém, essa glória é tão grande que o mundo não a proporciona, muito menos pode subtraí-la, é o testemunho da consciência própria.

A questão é que não estamos sabendo viver adequadamente antes as circunstâncias que nos tocam. Precisamos aprender a trabalhar nas adversidades, afinal, o homem sumamente endividado precisa aceitar as restrições no seu conforto para sanar os seus débitos com as suas próprias economias.

A questão não é ficarmos levantando doenças ou fantasmas em nós, mas é examinar as dificuldades que trazemos e tentar trabalhar. Ajudando, também, aqueles que nos auxiliam, porque quando procuramos auxílio buscando sanear nossa dificuldade transformamos os que procuramos em verdadeiros terapeutas.

Quando descobrirmos que estamos com uma determinada complicação, certo problema a ser sanado, ajudemos amplamente aqueles que vêm em nosso socorro no campo do auxílio à nossa saúde ou da recuperação do nosso equilíbrio.

Ajudemo-los a nos ajudar, tornando-nos conscientes e participando ativamente de todo o processo. Não apenas do processo no seu aspecto terapêutico, mas no processo globalizado de construção de uma mentalidade nova.

E podemos reduzir nosso sofrimento à medida em que vamos investindo nos antídotos.

Estabeleça objetivos, pois a boa fixação nossa nos objetivos apresenta praticamente a capacidade de amenizar, quando não, neutralizar esse nosso sofrimento.

Ocupando o pensamento com os valores autênticos da vida nós aprenderemos a sorrir para as dificuldades, quaisquer que sejam, construindo gradativamente em nós mesmos o templo vivo da luz para a comunhão constante com o nosso mestre Jesus.

Encaremos os obstáculos de ânimo firme e estampemos o otimismo em nossa alma para que não venhamos em tempo algum a fugir aos nossos compromissos perante a vida. E nas boas propostas, aproveitemos da melhor forma as nossas possibilidades e oportunidades, porque tem tanta coisa que podemos acelerar mediante o nosso grau de investimento e direcionamento naquilo que buscamos.

17 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 7

A COROA E A CRUZ


“E VESTIRAM-NO DE PÚRPURA, E TECENDO UMA COROA DE ESPINHOS, LHE PUSERAM NA CABEÇA.” MARCOS 15:17

“E, NA VERDADE, TODA CORREÇÃO, NO PRESENTE, NÃO PARECE SER DE GOZO, SENÃO DE TRISTEZA, MAS, DEPOIS, PRODUZ UM FRUTO PACÍFICO DE JUSTIÇA NOS EXERCITADOS POR ELA.” HEBREUS 12:11

Não é difícil perceber que os homens têm aplaudido em todos os tempos as tribunas douradas, as marchas retumbantes dos exércitos, os grandes ambiciosos que dominaram à força o espírito inquieto das multidões. E que no mundo as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos da experiência física.

Ao tempo de Jesus, por exemplo, quando se instaurou a boa nova entre a coletividade terráquea, os romanos coroavam-se de rosas. A coroa de louros era símbolo na antiguidade de êxito e vitória. Vários imperadores romanos a utilizaram com essa finalidade.

Jesus, porém, ensinou a necessidade do sacrifício próprio para que não triunfe apenas uma espécie de vitória, tão passageira quanto as edificações do egoísmo ou orgulho humanos.

Legando-nos sublime lição, ele dava-nos a entender que os seus discípulos deveriam contar com distintivos de outra natureza. Veio para nos ensinar como triunfam os que tombam no mundo cumprindo um sagrado dever de amor. Naturalmente ele trazia consigo a coroa da vida, entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar que a coroa da Terra ainda é de espinhos, sofrimento e de trabalho incessante para os que desejam escalar a montanha da ressurreição.

E os espíritos (encarnados e desencarnados) jungidos à Terra vinculam-se todos a um mesmo impositivo de progresso e resgate. Isto é importante demais para se ter em conta. Caminheiros da evolução (conquistar) ou da redenção (pagar) têm cada qual a sua cruz. Esse almeja, aquele deve, para realizar ou ressarcir a vida invariavelmente pede preço. Ninguém conquista algo sem esforçar-se de algum modo e ninguém resgata qualquer débito sem sofrimento. Por isso situamo-nos todos, indistintamente, entre a cruz e a espada.

E ao acordar para a necessidade de paz consigo mesma a alma descobre, de imediato, a cruz que lhe cabe ao próprio burilamento. Todos a tem. No círculo carnal a cruz é a dificuldade orgânica, o degrau social, o parente infeliz, e por aí adiante. No plano espiritual é a vergonha do seu defeito não vencido, a expiação da culpa, o débito não pago,....

A cruz é a simbologia da espada!

Isso mesmo. Basta você imaginar uma cruz na vertical, e, em seguida, visualizá-la de cabeça para baixo. O símbolo da cruz representa uma espada invertida, de cabeça para baixo. A diferença entre ambos é o terreno da sua manifestação, o campo de expressão, se está dentro ou fora da gente. A espada do Cristo está simbolizada na cruz, a definir que esta é a implementação de uma luta de dentro para fora para um aspecto efetivo de libertação, ao passo que a cruz é o mecanismo cerceador de fora para dentro. No entanto, a cruz, representada no sofrimento, nos aponta para a utilização da espada.

Saibamos ter esperança. O sofrimento é dificuldade momentânea, consiste na passagem nossa pelo deserto. E toda dor é como toda nuvem, forma-se, ensombra e passa.

Nenhuma dificuldade é definitiva. Amanhã, quantos hoje se precipitam na sombra voltarão novamente à luz, os desesperados tornarão à harmonia, os doentes voltarão à saúde, os loucos serão curados e os ingratos despertarão. A dor é processo e a perfeição é fim. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre os dois períodos e não como uma situação única.

Mas o problema é que nós misturamos e confundimos os passos do processo com o processo de forma global. Por não conhecermos o processo vivenciado em sua abrangência costumamos entrar em pânico. Porém, a pior atitude, em qualquer adversidade, será sempre aquela da dúvida ou da inquietação que venhamos a demonstrar.

Esperança e persistência.

No torvelinho desse mundo inquieto e em transião não devemos aguardar o reino do Cristo como uma realização imediata. Afinal de contas, não podemos querer resolver problemas que, às vezes, ainda estão em curso de saneamento, em um lance de sabedoria ou intuição acentuadamente feliz. Porque a solução de um problema exige sempre o tempo que a sua gravidade impõe.

Às vezes, lá atrás nós criamos uma dificuldade cármica e essa dificuldade apresentou o coroamento em certo período. Não significa que nós vamos gastar na limpeza cármica o período equivalente ao seu coroamento, mas por outro lado nós teremos certas lutas e dificuldades que não podem ser tiradas em dois dias.

Muitas vezes a tempestade da hora em que vivemos é fonte do bem-estar das horas que vamos viver.

Logo, em todas as situações desagradáveis e condições adversas da existência acalma-te, asserena-te e aguarda, confiante, a intervenção da infinita bondade, porque se a misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, ela com certeza permanece a caminho. Assim, nossa esperança vai temperando o mecanismo da dificuldade no rumo de novas oportunidades.

15 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 6

A SEGUNDA MORTE


“O LADRÃO NÃO VEM SENÃO A ROUBAR, A MATAR, E A DESTRUIR; EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS: O QUE VENCER NÃO RECEBERÁ O DANO DA SEGUNDA MORTE.” APOCALIPSE 2:11

Pelo livre arbítrio nós abrimos territórios da vida, como também decretamos nossa morte a cada momento. Está certo que existimos, no entanto, no sentido espiritual viver é algo diferente do existir, diz-se que a vida é a experiência digna da imortalidade.

A vida em abundância não é apenas no sentido de existir, mas de integrar-se em um processo de harmonia. É a capacidade nossa de sequenciar a vida sem criarmos estado de morte, é aquela vida que não tem e não apresenta cheiro de morte.

No estado de harmonia, essa linha de sintonia e afinidade positivas, de autenticidade pessoal, de capacidade seletiva, inteligência plena e equilíbrio interior, é que está caracterizada o que os religiosos chamam de vida eterna, é onde reside a famosa colocação de vida eterna.

Ao falarmos de morte é necessário decodificar o sentido literal para irmos a uma faixa espiritual. Morte no evangelho significa perda da vida, ela sempre significa a morte moral.

E não é novidade para ninguém que a nossa vida está repleta de facetas de morte. Cada um de nós está morto para certos setores e ângulos da vida. Alguém vive em um ponto, em outro idem, noutro está morto. Alguns estão mortos para a família, onde se consideram pára-quedistas, outros para a prática da caridade, e assim por diante.

Então, vamos analisar com calma. A morte é no sentido de desativação. E no plano íntimo do ser ocorre quando nós perdemos o direito a determinada forma de operar e de agir. Porque pela utilização de maneira menos feliz do direito nosso de optar e escolher, muitas vezes nós caímos em um território em que perdemos o direito de administrar a nossa própria vida em determinados ângulos dela. Assim, diversas criaturas à nossa volta, encarnados e desencarnados, apresentam estado de morte para certos ângulos.

Observou? Isso é a morte.

Na primeira morte nós ainda nos garantimos de certa forma. Ou seja, nos situamos em um estado de morte entre aspas. O que equivale a dizer que passamos por dificuldades em razão de termos aprontado lá atrás, mas ainda mantemos o direito de nos movimentar em muitos outros ângulos da nossa própria vida.

De modo que o problema que nos chega muitas vezes representa um processo de saneamento do próprio destino. E vamos tendo que abrir o coração para que isso não seja entendido como um elemento de bloqueio, um elemento de cerceamento, mas sim elemento de projeção da alma no rumo de sua evolução consciente.

Na primeira morte nós perdemos o direito de agir e administrar a nossa vida em certos aspectos dela. É o caso do mal rico de ontem que vem pobre hoje. Vamos dar um exemplo. Imagine um pintor muito famoso, brilhante, que com o seu talento da pintura conquistou fortuna e fama lá atrás. Mas que pisou na bola, como se diz popularmente, no que diz respeito à utilização dos seus recursos.

Hoje ele renasce. O dom continua, por ser patrimônio do espírito, mas está morto para a realização operacional. Em uma conversa entre amigas uma diz a outra:

- Maria, você conhece o seu Osvaldo?

- Osvaldo? Quem?

- Aquele, que mora nos fundos da casa da dona Mariquinha! Ele pinta quadros que é uma maravilha. Um verdadeiro artista, mas, coitado, vive na dificuldade, não consegue ganhar um centavo com eles.

Deu para ter uma noção? Este exemplo foi apenas para melhor entendimento. No caso, ele está morto no que respeita a realização operacional naquele ângulo da vida. É o caso do rico de ontem que utilizou mal os valores. Ele é um sujeito que vem pobre hoje. Faz cursos, estuda, corre atrás, tenta, luta, mas não sai da pobreza. Faz faculdade, pós-graduação, faz o que pode, mas se mantém morto para a realidade financeira. Embora o talento, o esforço e aptidões, não consegue ganhar dinheiro. E, aí por adiante, vamos enumerando exemplos.

E o apocalipse fala na segunda morte (“O que vencer não receberá o dano da segunda morte.”)

O dano da segunda morte como sendo a consequência de um estado. Decorre da falta de capacidade de administração da vida, é um prejuízo circunstancial àquele que não venceu a si mesmo. Que defraudou a lei de forma imperiosa e intempestiva.

Ela tem o objetivo de despertar o infrator (da lei divina) para que esse se disponha à recuperação para o seu próprio benefício. E esse dano está para além do cerceamento, do impedimento e da simples obliteração da capacidade de ação e realização em um ou mais ângulos da vida, está muito para além disso.

Na segunda morte, perder o direito não é apenas deixar de ter a liberdade, como em muitos momentos é perdê-la, dentro da associação que a nossa vida tem com aquilo que nós chamamos de livre-arbítrio. Ela representa a circunstância de perda do livre-arbítrio, significa que quando a criatura cai na segunda morte é porque perdeu o direito administrativo na própria caminhada de vida.

Não sei se está ficando bem claro, mas por representar perda do livre-arbítrio a segunda morte tem valor de expiação, é a entrada em plano expiatório da vida. Porque brincando de viver nós acionamos o livre-arbítrio segundo o nosso capricho pessoal, e quando acionamos o livre-arbítrio com afronta à realidade da lei, que já entendemos, não nos situamos debaixo de provas mais, ficamos debaixo de expiações.

A segunda morte sempre representa aquele episódio triste na vida de alguém em que ele não tem outras alternativas. A criatura encontra-se entregue às determinações divinas. Então, aquela criatura psiquicamente alienada pelos distúrbios mentais, alienada no aspecto psíquico, sem domínio pessoal, está nas mãos de terceiros, está debaixo da vontade superior. E aí aparece a segunda morte.

Resultado: na morte perdemos o direito de realizar e administrar a vida em um ou mais ângulos dela. Passamos aperto por causa de problemas lá atrás que criamos por nossas escolhas e ações menos felizes. Em determinados ângulos temos a realização vedada, estamos mortos para certos aspectos operacionais da vida.

Na segunda morte perdemos o direito de administrar a vida por inteiro. Perdemos o direito de utilizar o livre arbítrio. Saímos das provas, entramos no campo específico das expiações.

Mas o que vem após a morte senão a ressurreição, o ressurgimento em bases melhores?! A morte de Jesus, por exemplo, redundou em uma revivescência. O que nos ensina que Deus vai oferecer às criaturas, os seus filhos, em muitos casos, um processo de ressurreição por meio de uma segunda morte, expiatória.

12 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 5

O PROBLEMA É ÍNTIMO


É da lei que não existe efeito sem causa. E os efeitos em nossa vida são reflexos de ações mais ou menos felizes que perpetramos em um passado mais próximo ou mais distante.

Logo, nós vivemos momentos infelizes em decorrência das causas que semeamos. É preciso saber enxergar para além, porque atrás de cada acontecimento existem coisas embutidas. Os problemas que nos afetam estão na pauta direta das nossas necessidades. A punição encontra-se na linha direta da falta cometida e cada problema, instrumento útil, obedece a determinado objetivo.

É muito comum, quando somos incomodados por determinada situação durante muito tempo, considerarmos os instrumentos circunstanciais, exteriores a nós, como sendo a causa da nossa infelicidade, e dessa forma fazemos porque é muito mais fácil transferirmos a responsabilidade para o exterior.

No entanto, precisamos entender, e de forma definitiva, que o componente (exterior) que está incomodando e pesando em nós é apenas circunstancial, ele está atendendo a uma necessidade fundamental nossa, porque o problema é íntimo.

Elegemos um instrumento detonador de um processo negativo em nós como sendo a causa básica do nosso problema, ou seja, consideramos os instrumentos circunstanciais que chegam para ativar o processo, que é aqui dentro. E assim colocamos as pessoas e circunstâncias exteriores como sendo a causa da nossa infelicidade, do nosso infortúnio, quando a causa real é a gente.

É o que percebemos em nossa própria vida. Às vezes, acontece da gente vencer um problema, acha que ele tinha sido resolvido, e nada, vem, ainda, um pior.

Isso ocorre porque os fatos que emergiram, que surgiram, foram equacionados, mas ainda não foi equacionado o ponto fundamental do nosso espírito que está motivando esse sistema de experiências. Assim, em certa situação, se não existisse um problema específico entraria outro problema. Por exemplo, poderia ser o problema a, ou o b, ou o c, ou d, só que na circunstância específica a situação coube ao b. Mas se a gente resolve o b da jogada sem resolver o problema, entra o c, e entram outros tipos de problemas.

Por isso, antes de superarmos um problema, que é reflexo da nossa dificuldade interior, em tese faz-se necessário o saneamento do fator originário, porque podemos imaginar o que ocorre se resolvemos o problema e não resolvemos a origem.

Se nós solucionamos, como se costuma dizer, a toque de caixa, um problema, aquele obstáculo foi superado, mas o problema essencial continua, e vem outro.

Conclusão: vamos analisar com calma quando um determinado problema estiver persistindo na nossa vida. Vamos pensar com carinho na solução dele. Não adianta jogar para a margem o problema. Paciência e diligência para que uma determinada dificuldade exterior possa trazer, embutida, a solução interior.

9 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 4

A SENSIBILIZAÇÃO


BEM  AVENTURADOS  OS  QUE      CHORAM, PORQUE ELES SERÃO CONSOLADOS;” MATEUS 5:4

 
Se queremos usufruir da vida com certa tranquilidade, sem impactos, com certeza só conseguiremos no plano espiritual. Somente no plano espiritual, onde criaturas se agrupam por afinidade, os espíritos procuram coletividades em necessidades múltiplas. Lá nós adquirimos o componente da sensibilização e ficamos mesmo sensibilizados. Isso lá já está introjetado, chega a ser natural, vem de dentro para fora. Aqui o processo inverte, interesse pelo semelhante vem precipitado de fora para dentro. O que vem de fora para dentro é para nos testar a sensibilizar-nos com os outros.

A dor é um processo de sublimação que o mundo maior nos oferece para que a nossa visão espiritual seja acrescida.

As dificuldades têm feito papel de condutor dos nossos corações para as fontes de luz. E não podemos imaginar o que seria das criaturas terrestres sem as moléstias que lhes apodrecem a vaidade, até onde poderiam ir o orgulho e o personalismo humanos sem a constante ameaça da carne frágil, o que seria de nós se o sofrimento não nos ajudasse a sentir e raciocinar para o bem. A vida impõem a muitos o mecanismo redentor do qual necessitarão amanhã para selecionar com sabedoria aquilo que lhes é útil, em detrimento do pernicioso.

E se qualquer obstáculo é componente enriquecedor da mente, os impactos são verdadeiros instrumentos de despertamento do ser. As dores e provas acerbas têm a finalidade de semear o campo da compreensão e do sentimento. Muitas vezes a nossa passagem por tantas dores e sofrimentos é para adquirirmos a capacidade de termos misericórdia.

Às vezes, temos que receber um impacto sobre nós mesmos para que aprendamos quanto ao que se passa no coração dos semelhantes, o que vai favorecer nossa ação amanhã, quando guindados às possibilidades de cooperar. Pois é impossível ajudar os outros em áreas nas quais estejamos desinformados.

A atuação do sofrimento desperta a humildade no que sofre. Em muitas ocasiões, só passando por necessidade conseguimos trabalhar o sentimento mais nobre, só necessitando de misericórdia conseguimos enxergar o quanto é importante sermos misericordiosos.

A dor é elemento indutor da não acomodação, não deixa a criatura acomodar-se. O sofrimento, a inquietude e a frustração visam despertar a consciência para novas bases.

Porque a dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos onde a linfa do amor não conseguiu brotar. Ou seja, a sabedoria divina permite que a dor eduque quando o amor, por não ter sido descoberto, não realize a mesma função. Rejeitando a opção da evolução pelo amor a dor nos visita como a nos dizer acorda, define o caminho complicado da dor, trabalhado pela falta de amor.

E quanto mais profundo o sofrimento, maior o valor da lição. Ele nos beneficia com lições preciosíssimas para a elevação imortal. Porém, o problema é que não raras vezes o aprendizado permanece em nós como filosofia bonita de entendimento e proposta, esquecendo-o após a supressão da dificuldade que nos facultou o saber.

Dessa forma, é comum, nos momentos de grande aperto, dizermos coisas do tipo: “Ai, meu Deus, me socorre. Eu juro que se eu sair dessa eu faço isso, ou aquilo. Eu prometo que mudo, que ajudo,........” e por aí adiante. A dificuldade passa, nós aprendemos com a lição, mas nada. Voltamos a ser os mesmos de antes.

Mas a dor apenas traz.

Ela é componente despertador. A pessoa pode até dizer que teve que sofrer para sentir, que teve que chorar para despertar, no entanto, ninguém foi trazido ao evangelho na marra. À partir daí ela já não passa a ser prioridade mais.

A alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da própria consciência. E é da lei que ninguém avança sem saldar as próprias contas com o passado. Óbvio, a felicidade nunca será obtida mediante a fuga ao processo reparador. E todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo tem de chorar.

E geralmente o coração começa a sentir quando as lágrimas caem. Logo, é importante entender que aqueles que gemem e sofrem em qualquer parte estão melhorando.

Porque os que choram estão pagando, e é muito mais gratificante alguém pagar do que contrair novas dívidas. Toda lágrima sincera é sintoma de renovação, os que sofrem serão consolados. Em toda parte a dor sincera é digna de amparo.

E como os olhos são instrumentos de interação com os seres e coisas, lavá-los pelo pranto nos proporciona uma ótica mais nítida da existência. Para quem já vê a marcha do progresso as lágrimas não apenas lavam o coração, também sugerem ao espírito sofrido abrir-se ao sol para novas oportunidades.

No momento em que uma criatura é sensibilizada e modifica a sua linha íntima com a visualização, por exemplo, de novos padrões da vida, é como se valores novos se somassem ao seu psiquismo.

E a consolação (“Bem aventurados os que choram, porque eles serão consolados”), que representa o ato de aliviar ou suavizar a aflição, o sofrimento ou padecimento, dar lenitivo, alivia o que sofre e engrandece o que a canaliza.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...