25 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 10

TOMAR A CRUZ E SEGUIR O CRISTO



“E QUALQUER QUE NÃO LEVAR A SUA CRUZ, E NÃO VIER APÓS MIM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO.” LUCAS 14:27


É preciso termos em conta que se nos propomos a desfrutar a intimidade do Cristo duas atitudes fundamentais o eterno benfeitor nos recomenda: tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos. Porém, nem todos estão dispostos a cumprir as duas.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo; e muitos pretendem seguir-lhe os caminhos, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem. Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam cabisbaixos, agressivos e desditosos, espalhando o desânimo e o azedume por onde passam. Os segundos crêem respirar na senda do mestre, no entanto, abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se nos escárnio e na leviandade, embora saibam interpretar as lições do evangelho de luz.

É muito grande o número de criaturas humanas que buscam o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Outros se apegam à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada. Adotando sistematicamente a posição de vítimas, se comprazem na dor que elegem como razão injustificada para a inércia.

E não são poucos os que sofrem e buscam auxílio, no entanto, não querem o progresso, as responsabilidades. Buscam livrar-se das doenças, mas não querem se curar. Querem continuar fazendo quando melhorarem o que faziam antes de adoecer.

Jesus disse “se possível afasta de mim esse cálice”, ou seja, gostar ele não estava gostando, mas não o rejeitou.

Logo, é preciso renunciar e aceitar a cruz, silenciar e abençoar sempre. Não nos esqueçamos de que é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento com amor e alegria, marchando no espaço e no tempo, com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos a alcançar a comunhão com o divino mestre. A cura de uma enfermidade é o resultado dos meios dolorosos que se empregam para combatê-la.

É preciso tomar a cruz e segui-lo. Com confiança, alegria e determinação. E não olvides que há muita diferença entre seguir ao Cristo e seguir aos cristãos. Muitos buscam a Jesus fazendo a idolatria em derredor de seus intermediários humanos, porém, como toda criatura terrestre, os intermediários humanos do evangelho não podem substituir o Cristo junto à sede das almas.

Ao se tomar a cruz, assumindo a responsabilidade de forma consciente e madura, deve-se segui-lo, e seguir o Cristo é implementar o instrumento que ele nos deixou. Significa obediência aos seus ensinamentos. Tenhamos, pois, a coragem precisa de seguir o Senhor em nosso anseio de ressurreição e vitória, transformemos nossa dor em auxílio para muitos, pois todos aqueles que recebem a cruz em favor dos semelhantes descobrem o trilho da ressurreição eterna.

E você pode pensar: “Como vou seguir se estou cheio de problemas. Como vou pensar em ajudar outros se estou tendo dificuldades para melhorar a minha própria vida?!”

Nós já comentamos em capítulo anterior que a morte significa a perda da vida, que ela tem cunho moral. Lembremos o que Jesus disse a Lázaro: “E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.” (João 11:43). Expiar em trevas íntimas não é suficiente para a recomposição da paz. Somente o amor pode atravessar o abismo da morte. E temos que sair para fora.

Que a criatura se lance no contexto da própria vida, para a luz, sair da treva do sepulcro para entrar na vida irradiante.

Porque se ficamos muito preocupados com os obstáculos passamos a fechar circuito e sofremos. E a terapia nossa não é sofrer muito para purificar mais. Isso já ficou lá para trás. É sofrer menos para equacionar e poder servir melhor.

Dessa forma, sair para fora indica a saída nossa a cada dia de nós mesmos. De nossa morte, de nossa tristeza, de nossos problemas, de nossa solidão, de nossa depressão, de nossas frustrações, para virmos buscar sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão, e ajudarmos quanto pudermos sempre.

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