2 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 2

AS ENFERMIDADES

É muito importante a gente entender que não é apenas no domínio das causas visíveis que se originam os processos patológicos multiformes. E muito raramente as afecções não estão diretamente relacionadas com o psiquismo.
Se o macrocosmo está repleto de surpresas nas formas variadas, no campo infinitesimal as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente.

Se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente, há a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma em identidade de circunstância, e semelhantes formações microscópicas não se circunscrevem à carne transitória. Na esfera de criaturas desprevenidas adoecem tanto corpos como almas.

Ao nos referirmos às moléstias não podemos considerar apenas a situação fisiológica propriamente dita, mas também quadro psíquico da personalidade. E o trabalho terapêutico, seja em qual linha for, que não consiga ver no homem um ser integral, conjunto de espírito e matéria, uma visão universal, oferece somente paliativos ao homem que, em breve, retornará a seu estado doentio. Razão pela qual deve sempre haver um tratamento direcionado nesse sentido.
 

Por isso, a medicina humana será bem diferente no futuro. A ciência médica atingirá  culminâncias sublimes quando compreender a extensão e a complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias físicas. Quando verificar no corpo transitório a sombra da alma eterna.

Nos círculos das enfermidades terrestres cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido. E mais que doenças vulgares do corpo sofremos os problemas da alma, mais que os micróbios patogênicos a nos assaltarem os tecidos do instrumento físico padecemos a intromissão de agentes mentais inquietantes, atormentando-nos as fibras da alma. Dessa forma, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis e a patogênese da alma está dividida em quadros imensamente dolorosos.
 

O corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, como também o organismo perispiritual (envoltório do espírito) pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, com reflexos sobre as células materiais.
 

É impossível enumerarmos quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura, cólera, da intemperança, da desesperação, do ódio, dos desvarios do sexo. E as viciações de vários matizes oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma, formando criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima. Logo, quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça, o desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas e as intoxicações da alma determinam as moléstias do corpo.
 

Porque a organização fisiológica, segundo conhecemos no campo das cogitações terrestres, não vai além do vaso de barro dentro do molde preexistente do corpo espiritual, e atingido o molde na sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores o vaso reflete imediatamente. Assim, há pensamentos enfermiços de queixa, mágoa e antipatia a nos solicitarem adequada medicação para que se restaure o equilíbrio. E não devemos conservar detritos e infecções no vaso orgânico, não mantermos aversão e rancor na própria alma.
 

Ao se manifestar uma doença, por exemplo, em função de invasão microbiana, de bactérias, vírus ou outra coisa, esses elementos são tão infinitesimais que pode acontecer da pessoa estar com eles no corpo circulando. Pode estar jogando futebol, nadando, ou fazendo lá o que for, e não tem nada. Porque a linha de captação é sutil, é às vezes imperceptível, e penetra quase sempre até em condição vibracional. Incorpora-se para depois desenvolver todo mecanismo dentro e começar a expressar de dentro para fora, gerando certa doença ou patologia. A definir também que na vida estamos emitindo componentes positivos ou negativos, e muitos apresentam anticorpos e aquilo nem lhes toca, ao passo que outros são suscetíveis de receberem esses elementos.

E nas moléstias da alma, como ocorre nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. O processo é o mesmo, primeiro a semeadura, depois a colheita. E tanto as sementes de trigo como as de escalracho, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo, e na mesma pauta de multiplicação. Porque nessa resposta da natureza ao serviço do lavrador temos simplesmente a lei.
 

E cada viciação particular da personalidade produz formas sombrias que lhe são consequentes, às quais, como plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas onde não prevalece espírito de vigilância e defesa.
 

Isso é muito mais sério do que se pensa. Se a mente da criatura ainda não atingiu a disciplina das emoções, e se alimenta paixões que desarmonizam com a realidade pode, a qualquer momento, intoxicar-se com as emissões mentais daqueles com quem convive e que se encontram no mesmo estado de desequilíbrio.

Às vezes, essas absorções são simples fenômenos sem importância, mas em muitos casos são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos. Isso acontece geralmente quando os interessados não têm vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males. E qual ocorre no campo das enfermidades do corpo físico, o contágio é fato consumado, desde que a imprevidência ou necessidade de luta criem ambiente propício entre companheiros do mesmo nível.
 

Precisamos entender que toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no hemisfério psicossomático ou perispírito. A prática de todo o mal que realizamos conscientemente expressa, de alguma forma, lesão imediata em nossa consciência. Os crimes (contra a lei divina) que alguém comete os pratica contra si próprio.
 

E toda lesão dessa espécie determina um distúrbio ou mutilação que nos exterioriza o modo de ser, a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal, provocando determinada causa de sofrimento. Em razão dessas lesões, ainda que nós não pedíssemos a aplicação das penas que necessitamos a nossa posição não se modificaria. Não tem outra, é a lei de causa e efeito. E as marcas dos erros muitas vezes imprimem limites orgânicos muito severos.
 

As nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços. E a alma ressurge no equipamento físico (pelas portas da reencarnação) transportando consigo própria as falhas a se lhe refletirem na veste carnal, porque as chagas do espírito se manifestam através do envoltório humano.
 

O corpo físico, em muitas circunstâncias, não é apenas um vaso divino para o crescimento de nossas potencialidades, mas também uma espécie de carvão absorvendo-nos os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo substancial. Dessa forma, o corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo e a patogenia é o conjunto de inferioridades do aparelho psíquico.
 

E as disposições para essa ou aquela enfermidade no corpo são zonas de atração magnética favoráveis à eclosão de determinadas moléstias. Dizem de nossas dívidas diante das leis eternas, exteriorizando-nos as deficiências do espírito. E os vários institutos de trabalho reencarnatório (no plano espiritual) colaboram para que todos os indivíduos recebam a vestimenta carnal merecida na Terra.

É fato, toda doença é de cunho espiritual.

Muitas vezes ela surge como fenômeno secundário, com causa primária no desequilíbrio da vida interior. Logo, a dor não é doença, é manifestação desta. Toda doença no corpo representa um processo de cura da alma. A enfermidade do corpo é processo educativo para a alma, é renovação do espírito. As doenças aparecem saneando abusos cometidos lá atrás, com dose terapêutica para o espírito. Representa uma espécie de escoadouro das imperfeições. Inconscientemente, o espírito quer jogar para fora o que lhe seja estranho ao psiquismo.
 

Sendo ligeira, a enfermidade é aviso. A queda violenta das forças define advertência, e prolongada define sempre uma renovação de caminho para o bem.
 

Não temos do que reclamar. As dores longas que a providência endereça aos seres são a benefício deles mesmos. E todo conjunto de moléstias dificilmente curáveis significa sanções instituídas pela misericórdia divina portas adentro da justiça universal, atendendo-nos aos próprios rogos, para que nós não venhamos a perder as bênçãos eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas.
 

A moléstia longa e difícil, experimentada na vestimenta física, abençoadas depurações realizam por ensejo de auto-exame, onde as aflições suportadas com paciência alteram as sensações e refundem idéias. Já pensou nisso? Em hospitais isolados e escuros tantas vezes a alma se recolhe para necessárias meditações da vida.
 

Os desígnios divinos são insondáveis, e a ciência precária dos homens não pode decidir acerca dos problemas transcendentes das necessidades do espírito. A assistência farmacêutica do mundo não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido dos indivíduos. É na alma onde reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos, o remédio eficaz está na ação do próprio espírito enfermiço.
 

Quanto às moléstias incuráveis pela ciência, a reencarnação em si mesma, nas circunstâncias do mundo, já representa uma estação de tratamento e cura. A moléstia incurável no corpo traz consigo profundos benefícios e pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do espírito rumo à sublime aquisição de patrimônios da vida imortal, sendo reajustamento da alma eterna.
 

E não sendo possível no círculo carnal uma operação de redirecionamento se agravam os remorsos da criatura após o túmulo, por recalcados na consciência, a aflorarem por reflexão, renovando as imagens com que foram fixados na própria alma. E há enfermidades da alma tão persistentes que podem reclamar por estações sucessivas com a mesma intensidade nos processos de regeneração.

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