6 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 3

A SOMBRA DOS BENS FUTUROS


“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR O QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

É uma tendência nossa de retaguarda considerar os acontecimentos mais difíceis, aquelas situações mais retumbantes, como sendo o elemento punitivo que nos alcança.

No entanto, não há efeito sem causa e ninguém sofre sem merecer. Como já mencionamos antes, as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo retificação. E a sabedoria divina não deixa margem à inutilidade, motivo pelo qual nada (nada mesmo) existe sem razão de ser, nada existe sem significação. Logo, não julguemos o sofrimento por mal, ele apresenta uma causa e uma utilidade, tem uma função preciosa nos planos da alma, qual a tempestade, que carreia a higiene da atmosfera, tem um lugar importante na economia da natureza física. Não existe sofrimento sem finalidade de purificação e elevação, as dores corrigem e as lágrimas purificam.

E para nós, em visão limitada, a lei vem respaldar o que temos de débito. Ou seja, muitas criaturas estão tendo problemas sérios, pois em razão do passado estamos liquidando débitos. E não estamos errados. O próprio apóstolo Paulo diz que é imperioso que a lei se cumpra. E a lei se manifesta na nossa vida muitas vezes com expressões de dor, quando nos mantemos distanciados dela, a definir que toda a postura de afastamento da lei gera uma resposta de dor.

A lei contém a sombra dos bens futuros. Então, essa lei, que para a nossa percepção está cobrando o que devemos, de lá para cá, na essencialidade, representa e tem a sombra dos bens futuros. Ou seja, não está ali para nos fazer pagar não, está ali para abrir um caminho novo para a gente. O mal é um bem não revelado. Machuca, tumultua e leva às lágrimas, mas o mal, representado em uma dificuldade, projeta uma lágrima, cuja lágrima quem sabe está lavando a escória da nossa própria personalidade. De lá para cá há o investimento em uma oportunidade, de forma que, dentro do processo de quitação e reajuste, a gente aprenda e seja feliz. O sofrimento é, pois, alguma coisa que cerceia. De cá para lá é esse fantasma que nos faz sofrer, porém, dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento.

Atrás do cumprimento da lei de causa e efeito existe e vigora uma lei maior, a do progresso. E simplesmente em cima do matou, depois morreu e pagou não haveria progresso.

Por isso, o sofrimento, de lá para cá, é uma instrumentalidade desconfortável, mas que tem um cunho didático, ela vem para nos levar ao equilíbrio. Atrás do contexto, às vezes demorado, entre a causa infeliz e o resgate, há sempre uma proposta superior reeducacional da individualidade. Se baseado apenas no plano da sementeira e da colheita o esquema está montado, entretanto, a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar, punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar, integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor.

De forma que não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Elas não têm um sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura.

Mais endereçada às aniquilações do homem velho, a manifestação das leis que nos regem (aspecto da sabedoria divina) às vezes nos leva às lágrimas hoje para que possamos sorrir com certa tranquilidade amanhã. Essa sombra pode ter um sentido negativo, porém, no plano reeducacional vai definir o ponto geratriz da luz. Não nos preocuparíamos com a luz se não fosse a incidência da treva.

Essa reação traz, assim, um carimbo íntimo chamado amor, recuperação, recomposição, exame da própria caminhada. Batida pelo temporal das provações que lhe impõem a dor, de fora para dentro, refunde-se a alma pouco a pouco, tranquilizando-se para abraçar, por fim, as responsabilidades que criou para si mesma.

E as reações da lei não têm um sentido puramente de dizer basta, ou de mostrar a nossa pequenez. Trazem uma instrumentalidade didática em si próprias para que a gente descubra o processo e também se ajuste a um caminho novo.

Porque ao visitar uma criatura a dificuldade surge apresentando em si dois aspectos: respaldando o próprio passado, ao nível de sofrimento, e com uma vibração específica dentro de si, modulada de maneira que possa levá-la a uma consciência.

Nós recebemos a dor de acordo com as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e a situação espiritual do futuro. Acontecimentos imperativos fazem o papel de saneamento e de instauração de um grau consciencial na individualidade. O embaraço de hoje muitas vezes é o benefício de amanhã. A dor que persegue é a manifestação da bondade superior, cujo buril oculto, de sofrimentos, remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.

Logo, cada vez que a lei vem e nos alcança o sofrimento representa uma esperança. Cada vez que entramos em um processo de liquidação, de ressarcimento com o destino, aqueles que nos amam com certeza oram profundamente no intuito de que tiremos da experiência uma nova mentalidade.

E precisamos encarar desde já os acontecimentos com determinação e não ficarmos vivenciando os acontecimentos com o semblante fechado e aquele estigma pesado e frio de pagar e pagar. As criaturas que ficam envoltas na idéia de que estão sofrendo muito hoje, sofrendo tanto porque devem ter aprontado no passado, estão, ainda, muito presas à retaguarda dos acontecimentos da própria vida.

A lei não vem apenas cobrar, ela vem nos mostrar a sombra dos bens futuros, a virtude que nós precisamos desenvolver. Entre o problema que passamos (resgate) e o objetivo que desejamos (futuro) existe uma sombra que nos aponta o que precisamos trabalhar. E não basta ficarmos fechados em um círculo vicioso de comportamento, fazendo sempre as mesmas coisas. Do contrário, não iremos crescer.

Precisamos apresentar algo novo à vida. Se a sombra se apresentar e nós não nos atermos para o seu entendimento não iremos crescer. Aproveitemos que a sombra também possibilita refrigério, alívio, instante de repouso, para nos reavaliarmos e retomar a caminhada evolucional com mais segurança e propósitos novos.

Um comentário:

  1. Temos utilizados estes excelentes textos para discussão em nosso grupo. Muito obrigado.

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