12 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 5

O PROBLEMA É ÍNTIMO


É da lei que não existe efeito sem causa. E os efeitos em nossa vida são reflexos de ações mais ou menos felizes que perpetramos em um passado mais próximo ou mais distante.

Logo, nós vivemos momentos infelizes em decorrência das causas que semeamos. É preciso saber enxergar para além, porque atrás de cada acontecimento existem coisas embutidas. Os problemas que nos afetam estão na pauta direta das nossas necessidades. A punição encontra-se na linha direta da falta cometida e cada problema, instrumento útil, obedece a determinado objetivo.

É muito comum, quando somos incomodados por determinada situação durante muito tempo, considerarmos os instrumentos circunstanciais, exteriores a nós, como sendo a causa da nossa infelicidade, e dessa forma fazemos porque é muito mais fácil transferirmos a responsabilidade para o exterior.

No entanto, precisamos entender, e de forma definitiva, que o componente (exterior) que está incomodando e pesando em nós é apenas circunstancial, ele está atendendo a uma necessidade fundamental nossa, porque o problema é íntimo.

Elegemos um instrumento detonador de um processo negativo em nós como sendo a causa básica do nosso problema, ou seja, consideramos os instrumentos circunstanciais que chegam para ativar o processo, que é aqui dentro. E assim colocamos as pessoas e circunstâncias exteriores como sendo a causa da nossa infelicidade, do nosso infortúnio, quando a causa real é a gente.

É o que percebemos em nossa própria vida. Às vezes, acontece da gente vencer um problema, acha que ele tinha sido resolvido, e nada, vem, ainda, um pior.

Isso ocorre porque os fatos que emergiram, que surgiram, foram equacionados, mas ainda não foi equacionado o ponto fundamental do nosso espírito que está motivando esse sistema de experiências. Assim, em certa situação, se não existisse um problema específico entraria outro problema. Por exemplo, poderia ser o problema a, ou o b, ou o c, ou d, só que na circunstância específica a situação coube ao b. Mas se a gente resolve o b da jogada sem resolver o problema, entra o c, e entram outros tipos de problemas.

Por isso, antes de superarmos um problema, que é reflexo da nossa dificuldade interior, em tese faz-se necessário o saneamento do fator originário, porque podemos imaginar o que ocorre se resolvemos o problema e não resolvemos a origem.

Se nós solucionamos, como se costuma dizer, a toque de caixa, um problema, aquele obstáculo foi superado, mas o problema essencial continua, e vem outro.

Conclusão: vamos analisar com calma quando um determinado problema estiver persistindo na nossa vida. Vamos pensar com carinho na solução dele. Não adianta jogar para a margem o problema. Paciência e diligência para que uma determinada dificuldade exterior possa trazer, embutida, a solução interior.

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