15 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 6

A SEGUNDA MORTE


“O LADRÃO NÃO VEM SENÃO A ROUBAR, A MATAR, E A DESTRUIR; EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS: O QUE VENCER NÃO RECEBERÁ O DANO DA SEGUNDA MORTE.” APOCALIPSE 2:11

Pelo livre arbítrio nós abrimos territórios da vida, como também decretamos nossa morte a cada momento. Está certo que existimos, no entanto, no sentido espiritual viver é algo diferente do existir, diz-se que a vida é a experiência digna da imortalidade.

A vida em abundância não é apenas no sentido de existir, mas de integrar-se em um processo de harmonia. É a capacidade nossa de sequenciar a vida sem criarmos estado de morte, é aquela vida que não tem e não apresenta cheiro de morte.

No estado de harmonia, essa linha de sintonia e afinidade positivas, de autenticidade pessoal, de capacidade seletiva, inteligência plena e equilíbrio interior, é que está caracterizada o que os religiosos chamam de vida eterna, é onde reside a famosa colocação de vida eterna.

Ao falarmos de morte é necessário decodificar o sentido literal para irmos a uma faixa espiritual. Morte no evangelho significa perda da vida, ela sempre significa a morte moral.

E não é novidade para ninguém que a nossa vida está repleta de facetas de morte. Cada um de nós está morto para certos setores e ângulos da vida. Alguém vive em um ponto, em outro idem, noutro está morto. Alguns estão mortos para a família, onde se consideram pára-quedistas, outros para a prática da caridade, e assim por diante.

Então, vamos analisar com calma. A morte é no sentido de desativação. E no plano íntimo do ser ocorre quando nós perdemos o direito a determinada forma de operar e de agir. Porque pela utilização de maneira menos feliz do direito nosso de optar e escolher, muitas vezes nós caímos em um território em que perdemos o direito de administrar a nossa própria vida em determinados ângulos dela. Assim, diversas criaturas à nossa volta, encarnados e desencarnados, apresentam estado de morte para certos ângulos.

Observou? Isso é a morte.

Na primeira morte nós ainda nos garantimos de certa forma. Ou seja, nos situamos em um estado de morte entre aspas. O que equivale a dizer que passamos por dificuldades em razão de termos aprontado lá atrás, mas ainda mantemos o direito de nos movimentar em muitos outros ângulos da nossa própria vida.

De modo que o problema que nos chega muitas vezes representa um processo de saneamento do próprio destino. E vamos tendo que abrir o coração para que isso não seja entendido como um elemento de bloqueio, um elemento de cerceamento, mas sim elemento de projeção da alma no rumo de sua evolução consciente.

Na primeira morte nós perdemos o direito de agir e administrar a nossa vida em certos aspectos dela. É o caso do mal rico de ontem que vem pobre hoje. Vamos dar um exemplo. Imagine um pintor muito famoso, brilhante, que com o seu talento da pintura conquistou fortuna e fama lá atrás. Mas que pisou na bola, como se diz popularmente, no que diz respeito à utilização dos seus recursos.

Hoje ele renasce. O dom continua, por ser patrimônio do espírito, mas está morto para a realização operacional. Em uma conversa entre amigas uma diz a outra:

- Maria, você conhece o seu Osvaldo?

- Osvaldo? Quem?

- Aquele, que mora nos fundos da casa da dona Mariquinha! Ele pinta quadros que é uma maravilha. Um verdadeiro artista, mas, coitado, vive na dificuldade, não consegue ganhar um centavo com eles.

Deu para ter uma noção? Este exemplo foi apenas para melhor entendimento. No caso, ele está morto no que respeita a realização operacional naquele ângulo da vida. É o caso do rico de ontem que utilizou mal os valores. Ele é um sujeito que vem pobre hoje. Faz cursos, estuda, corre atrás, tenta, luta, mas não sai da pobreza. Faz faculdade, pós-graduação, faz o que pode, mas se mantém morto para a realidade financeira. Embora o talento, o esforço e aptidões, não consegue ganhar dinheiro. E, aí por adiante, vamos enumerando exemplos.

E o apocalipse fala na segunda morte (“O que vencer não receberá o dano da segunda morte.”)

O dano da segunda morte como sendo a consequência de um estado. Decorre da falta de capacidade de administração da vida, é um prejuízo circunstancial àquele que não venceu a si mesmo. Que defraudou a lei de forma imperiosa e intempestiva.

Ela tem o objetivo de despertar o infrator (da lei divina) para que esse se disponha à recuperação para o seu próprio benefício. E esse dano está para além do cerceamento, do impedimento e da simples obliteração da capacidade de ação e realização em um ou mais ângulos da vida, está muito para além disso.

Na segunda morte, perder o direito não é apenas deixar de ter a liberdade, como em muitos momentos é perdê-la, dentro da associação que a nossa vida tem com aquilo que nós chamamos de livre-arbítrio. Ela representa a circunstância de perda do livre-arbítrio, significa que quando a criatura cai na segunda morte é porque perdeu o direito administrativo na própria caminhada de vida.

Não sei se está ficando bem claro, mas por representar perda do livre-arbítrio a segunda morte tem valor de expiação, é a entrada em plano expiatório da vida. Porque brincando de viver nós acionamos o livre-arbítrio segundo o nosso capricho pessoal, e quando acionamos o livre-arbítrio com afronta à realidade da lei, que já entendemos, não nos situamos debaixo de provas mais, ficamos debaixo de expiações.

A segunda morte sempre representa aquele episódio triste na vida de alguém em que ele não tem outras alternativas. A criatura encontra-se entregue às determinações divinas. Então, aquela criatura psiquicamente alienada pelos distúrbios mentais, alienada no aspecto psíquico, sem domínio pessoal, está nas mãos de terceiros, está debaixo da vontade superior. E aí aparece a segunda morte.

Resultado: na morte perdemos o direito de realizar e administrar a vida em um ou mais ângulos dela. Passamos aperto por causa de problemas lá atrás que criamos por nossas escolhas e ações menos felizes. Em determinados ângulos temos a realização vedada, estamos mortos para certos aspectos operacionais da vida.

Na segunda morte perdemos o direito de administrar a vida por inteiro. Perdemos o direito de utilizar o livre arbítrio. Saímos das provas, entramos no campo específico das expiações.

Mas o que vem após a morte senão a ressurreição, o ressurgimento em bases melhores?! A morte de Jesus, por exemplo, redundou em uma revivescência. O que nos ensina que Deus vai oferecer às criaturas, os seus filhos, em muitos casos, um processo de ressurreição por meio de uma segunda morte, expiatória.

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