17 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 7

A COROA E A CRUZ


“E VESTIRAM-NO DE PÚRPURA, E TECENDO UMA COROA DE ESPINHOS, LHE PUSERAM NA CABEÇA.” MARCOS 15:17

“E, NA VERDADE, TODA CORREÇÃO, NO PRESENTE, NÃO PARECE SER DE GOZO, SENÃO DE TRISTEZA, MAS, DEPOIS, PRODUZ UM FRUTO PACÍFICO DE JUSTIÇA NOS EXERCITADOS POR ELA.” HEBREUS 12:11

Não é difícil perceber que os homens têm aplaudido em todos os tempos as tribunas douradas, as marchas retumbantes dos exércitos, os grandes ambiciosos que dominaram à força o espírito inquieto das multidões. E que no mundo as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos da experiência física.

Ao tempo de Jesus, por exemplo, quando se instaurou a boa nova entre a coletividade terráquea, os romanos coroavam-se de rosas. A coroa de louros era símbolo na antiguidade de êxito e vitória. Vários imperadores romanos a utilizaram com essa finalidade.

Jesus, porém, ensinou a necessidade do sacrifício próprio para que não triunfe apenas uma espécie de vitória, tão passageira quanto as edificações do egoísmo ou orgulho humanos.

Legando-nos sublime lição, ele dava-nos a entender que os seus discípulos deveriam contar com distintivos de outra natureza. Veio para nos ensinar como triunfam os que tombam no mundo cumprindo um sagrado dever de amor. Naturalmente ele trazia consigo a coroa da vida, entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar que a coroa da Terra ainda é de espinhos, sofrimento e de trabalho incessante para os que desejam escalar a montanha da ressurreição.

E os espíritos (encarnados e desencarnados) jungidos à Terra vinculam-se todos a um mesmo impositivo de progresso e resgate. Isto é importante demais para se ter em conta. Caminheiros da evolução (conquistar) ou da redenção (pagar) têm cada qual a sua cruz. Esse almeja, aquele deve, para realizar ou ressarcir a vida invariavelmente pede preço. Ninguém conquista algo sem esforçar-se de algum modo e ninguém resgata qualquer débito sem sofrimento. Por isso situamo-nos todos, indistintamente, entre a cruz e a espada.

E ao acordar para a necessidade de paz consigo mesma a alma descobre, de imediato, a cruz que lhe cabe ao próprio burilamento. Todos a tem. No círculo carnal a cruz é a dificuldade orgânica, o degrau social, o parente infeliz, e por aí adiante. No plano espiritual é a vergonha do seu defeito não vencido, a expiação da culpa, o débito não pago,....

A cruz é a simbologia da espada!

Isso mesmo. Basta você imaginar uma cruz na vertical, e, em seguida, visualizá-la de cabeça para baixo. O símbolo da cruz representa uma espada invertida, de cabeça para baixo. A diferença entre ambos é o terreno da sua manifestação, o campo de expressão, se está dentro ou fora da gente. A espada do Cristo está simbolizada na cruz, a definir que esta é a implementação de uma luta de dentro para fora para um aspecto efetivo de libertação, ao passo que a cruz é o mecanismo cerceador de fora para dentro. No entanto, a cruz, representada no sofrimento, nos aponta para a utilização da espada.

Saibamos ter esperança. O sofrimento é dificuldade momentânea, consiste na passagem nossa pelo deserto. E toda dor é como toda nuvem, forma-se, ensombra e passa.

Nenhuma dificuldade é definitiva. Amanhã, quantos hoje se precipitam na sombra voltarão novamente à luz, os desesperados tornarão à harmonia, os doentes voltarão à saúde, os loucos serão curados e os ingratos despertarão. A dor é processo e a perfeição é fim. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre os dois períodos e não como uma situação única.

Mas o problema é que nós misturamos e confundimos os passos do processo com o processo de forma global. Por não conhecermos o processo vivenciado em sua abrangência costumamos entrar em pânico. Porém, a pior atitude, em qualquer adversidade, será sempre aquela da dúvida ou da inquietação que venhamos a demonstrar.

Esperança e persistência.

No torvelinho desse mundo inquieto e em transião não devemos aguardar o reino do Cristo como uma realização imediata. Afinal de contas, não podemos querer resolver problemas que, às vezes, ainda estão em curso de saneamento, em um lance de sabedoria ou intuição acentuadamente feliz. Porque a solução de um problema exige sempre o tempo que a sua gravidade impõe.

Às vezes, lá atrás nós criamos uma dificuldade cármica e essa dificuldade apresentou o coroamento em certo período. Não significa que nós vamos gastar na limpeza cármica o período equivalente ao seu coroamento, mas por outro lado nós teremos certas lutas e dificuldades que não podem ser tiradas em dois dias.

Muitas vezes a tempestade da hora em que vivemos é fonte do bem-estar das horas que vamos viver.

Logo, em todas as situações desagradáveis e condições adversas da existência acalma-te, asserena-te e aguarda, confiante, a intervenção da infinita bondade, porque se a misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, ela com certeza permanece a caminho. Assim, nossa esperança vai temperando o mecanismo da dificuldade no rumo de novas oportunidades.

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