23 de mar de 2011

Cap 10 - O Sofrimento e a Cruz - Parte 9

SACRIFÍCIO E PAGAMENTO


“E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO, DIZENDO: BEBEI DELE TODOS;” MATEUS 26:27

 
“DIZENDO: PAI, SE QUERES, PASSA DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA NÃO SE FAÇA A MINHA VONTADE, MAS A TUA.” LUCAS 22:42

O mestre divino ergue hosanas ao pai justamente na hora em que vai partir ao encontro do sacrifício supremo.

Agradece, louva o todo-poderoso pela oportunidade de completar com segurança o seu divino apostolado na Terra, rendendo graças pela confiança com que o pai o transforma em exemplo vivo para redenção das criaturas humanas, embora essa redenção lhe custe martírio e flagelação, suor e lágrimas.

Ele sofre, renunciando o divino esplendor do céu para acomodar-se à sombra terrestre na estrebaria, experimenta a incompreensão de sua época, auxilia sem paga, serve sem recompensa, padece a desconfiança dos mais amados, e depois de oferecer sublime espetáculo de abnegação e grandeza é içado ao madeiro por malfeitor comum. Mas perdoa verdugos, olvida ofensas e volta do túmulo para ajudar. É que na sua lógica, acima de tudo, brilham os valores eternos do espírito.

E todos os seus companheiros de ministério, restaurados na confiança, testemunharam a boa nova atravessando dificuldade e luta, martírio e flagelação. Sendo assim, lembremos que o próprio Cristo, na fidelidade a Deus, foi constrangido também a dizer: “Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua”.

Começamos este tópico assim para dizer que a vida é mais sábia do que nós. E que devemos aceitá-la conforme se nos apresenta. Não te percas em lances festivos sobre pretensas conquistas na carne que a morte confundirá hoje ou amanhã, mas no turbilhão da luta que santifica e aperfeiçoa. Saibamos agradecer os recursos com que Deus nos aprimora para a beleza da luz e para a glória da vida.

Ninguém se queixe inutilmente e não se entregue a pessimismo em circunstância alguma. As mais diversas situações do cotidiano, embora nem sempre pareça, expressam a vinda de momento adequado para que venhamos realizar o melhor.

Mesmo que não entendas, de pronto, os desígnios da providência divina, recebe a provação como sendo o melhor que merece hoje em favor do amanhã, e, ainda que lágrimas dolorosas te lavem a alma toda, rende graças a Deus. Porque cada vez que nossos lábios cedem ao impulso da queixa, quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria, e não estamos na vida para julgar.

Independente da perturbação que nos alcançar, que a paciência e a serenidade em nós propicie segurança nos outros. Porque cada criatura humana já tem o seu enigma, sua necessidade e sua dor e não é justo aumentarmos as aflições daqueles com quem nos relacionamos com a carga de nossas inquietações. Esta é mais uma razão para que a nossa palavra não se faça turva ou desequilibrada para os outros, ainda que o nosso íntimo permaneça em névoas de problemas.

Todos nós temos débitos ou créditos representados pelas nossas ações desenvolvidas no passado. Agora, as emersões, as ressonâncias desses acontecimentos, surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente do plano superior.

Observe com atenção. Trazemos muito dos nossos débitos do passado, e quem deve tem que pagar. Mas a lei divina é misericordiosa e sábia e muitas vezes essa dívida é cobrada (pela vida, em suas múltiplas circunstâncias) quando apresentamos condições de saná-la. E o sacrifício pessoal nosso é uma forma de louvar, de declarar, de assinar o nosso atestado de que devemos.

Portanto, aquele que está pagando um débito de modo resignado, seguro, está vivendo um processo sacrificial de redenção. Porque sai de sua intimidade, de sua alma, a essência do sacrifício dele, diante do cumprimento dos acontecimentos previstos pelo criador ou pelas suas leis, de que ele está sabendo o que está pagando. Sabendo que ninguém paga senão aquilo que deve.

Isso é tomar a cruz. E quando se toma a cruz se assume a responsabilidade consciente e de forma madura. Quanto mais reclamamos do pagamento mais atestamos que estamos inconformados com os próprios erros que nós mesmos perpetramos.

É por isso que, normalmente, as pessoas mais nítidas, mais esclarecidas, mais enquadradas no plano da confiança, no plano da certeza da misericórdia divina, passam a reclamar menos. Trabalham a linha da resignação, do entendimento. Mas nós temos, ainda, por norma reagir, lamentar, blasfemar, lamuriar, repudiar,...

Nada de apavorar. Precisamos estar com os corações abertos para recolher a vontade de Deus.

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