23 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 7 (Final)

DAR METADE E RESTITUIR QUADRUPLICADO

“8E, LEVANTANDO-SE ZAQUEU, DISSE AO SENHOR: SENHOR, EIS QUE EU DOU AOS POBRES METADE DOS MEUS BENS; E, SE NALGUMA COISA TENHO DEFRAUDADO ALGUÉM, O RESTITUO QUADRUPLICADO. 9E DISSE-LHE JESUS: HOJE VEIO A SALVAÇÃO A ESTA CASA, POIS TAMBÉM ESTE É FILHO DE ABRAÃO. 10PORQUE O FILHO DO HOMEM VEIO BUSCAR E SALVAR O QUE SE HAVIA PERDIDO.” LUCAS 19:8-10

 
Observamos que como fruto da visita de Jesus à sua casa Zaqueu assume um compromisso novo, espontâneo. Ele já não estava mais vivendo apenas para si.

Como Zaqueu, antes achávamos que ser feliz era receber. Agora alcançamos uma visão além, nos certificamos que ser feliz é dar, pela capacitação nossa de dispor sob a luz da caridade. Visitados pela orientação do evangelho não apenas nos sentimos motivados à doação, mas nos capacitamos a identificar junto à multidão carentes de toda ordem, necessitados em dificuldades muito maiores que a nossa. E mais, procuramos a cota que detemos e que podemos direcionar sob o manto da caridade.

Por isso estamos investindo na boa nova, estamos tentando alcançar um piso em que podemos servir.

E aí alguém pergunta: “Puxa vida, se Zaqueu ficou tão bonzinho porque ele só se predispôs a dar metade? Porque ele não deu tudo?” Nada no evangelho está esparso, nada é sem sentido. Porque é que eu não posso dar tudo o que é meu?

Por uma razão simples. Dar é lançar de si, é emitir, é doar, e nossos legítimos bens, nossa propriedade, são intransferíveis. Aquilo que detemos é posse transitória. Somos usufrutuários dos bens materiais, que, por sinal, temos que administrar, de forma que podemos transferir bens materiais, mas não podemos dar o que é nosso.

O que possuímos é propriedade intransferível, os nossos legítimos bens são intransferíveis.

Ou seja, o que é nosso podemos utilizar como instrumentos condutores e incentivadores, mas de forma alguma podemos dar o que é nosso integralmente. Alguém não pode entregar a outrem a colheita de luz que lhe é própria, pode, sim, fornecer-lhe valiosas sementes para que ele as cultive como bom lavrador. A mãe humilde, por exemplo, não pode transferir um pouco de sua humildade ao filho orgulho, automaticamente. Somente falando, aconselhando e vivenciando poderá plasmar em seu entendimento e sentimento o interesse em obter essa qualidade, por isso não se pode dar tudo.

E se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá. E muitos querem dar antes de possuir. Não há formação sem doação, nós temos a posse provisória do que nós recebemos, e temos a propriedade definitiva do que damos. Ou seja, você só possui com legitimidade o que você deu, o que você transferiu. Você leva, efetivamente, o que você conseguiu aplicar, por isso, quanto mais eu dou mais eu abro campo para receber. Nós possuímos aquilo que damos, não aquilo que recebemos, os bens espirituais irradiados de nós mesmos aumentam o teor e a intensidade da alegria em torno de nossos passos.

É preciso entender que restituir significa devolver, entregar o que possuía por empréstimo ou indevidamente, fazer voltar, restabelecer o estado anterior de, reparar, indenizar, pagar.

E se perguntarmos qual a finalidade essencial da vida cada um terá resposta conforme o que define como prioritário. Mas independente de conceituações específicas, a nossa prioridade é evoluir espiritualmente e ninguém evolui sem amar.

Logo, a nossa missão maior na vida é amar. E é interessante que ao falar em dar Zaqueu diz metade, no entanto, para restituir ele diz quadruplicado, ou seja, multiplicado por quatro. Bem, se a finalidade essencial da vida é amar nós podemos concluir que em cada existência temos que dar a nossa cota de amor.

E é quadruplicado porque a primeira cota do amor é a dívida nossa com o passado, definida pela parcela de amor que devíamos e não amamos, ou será que já estamos todos quites com a lei? Pois quem não tem pecados que atire a primeira pedra.

A segunda é referência à cota de amor que ele deveria dar no presente e não estava dando, e tanto não estava dando que se predispôs, a partir do momento da entrada do Senhor em sua casa, a dar. A terceira é resultante da lesão causada ao semelhante, isto é, em vez de dar ele tirava, não apenas dava como retirava, e por isso ele se referia à restituição. Assim acontece, se diante o dever de doar não se dá, e lesa-se o semelhante, não fica outra alternativa para o reequilíbrio pessoal senão assegurar o ressarcimento do prejuízo imposto.

É restituir quadruplicado porque restituição triplicada o colocaria em patamar com a justiça. Se deve três e paga três liquida a fatura, e justiça por justiça não projeta ninguém. O que projeta não é o pagamento, mas a aquisição, e a quarta cota representa o amor em sua expressão legítima.

Quanto à expressão filho de Abraão falaremos adiante, em uma ocasião específica.

16 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 6

PATRIMÔNIO ESPIRITUAL



“18VEDE POIS COMO OUVIS; PORQUE A QUALQUER QUE TIVER LHE SERÁ DADO, E A QUALQUER QUE NÃO TIVER ATÉ O QUE PARECE TER LHE SERÁ TIRADO.” LUCAS 8:18

“7PORQUE NADA TROUXEMOS PARA ESTE MUNDO, E MANIFESTO É QUE NADA PODEMOS LEVAR DELE.” TIMÓTEO 6:7

Para entendermos porque Zaqueu deu metade precisamos saber o que efetivamente temos como patrimônio.

O evangelho é claro ao dizer: “Vede, pois, como ouvis: porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.”

Observe que “qualquer” não faz distinção nenhuma, não individualiza, não determina o sujeito, abrange a todos. Envolvidos em um processo de crescimento consciente passamos a analisar o que nos chega à faixa de assimilação, em razão das consequências, claro, positivas ou negativas, advindas da lei de causa e efeito. A advertência do maior amigo da humanidade não deixa dúvida, quando estudamos o capítulo O Ver e o Ouvir aprendemos que o ouvir tem sentido de aprendizado, de despertamento, de chamado, ao passo que o ver já faz menção ao aspecto aplicativo. É mais ou menos como se Jesus, no “vede, pois, como ouvis”, quisesse nos dizer: preste atenção em como você aplica (vê) aquilo que você já sabe, que aprendeu (ouviu). A orientação está ao alcance de todos os que empreendem a luta renovadora.

É preciso avaliar o que temos e o que não temos, saber distinguir a posse da propriedade, entender que deter é reter ou conservar em seu poder, que mordomo é administrador de bens e que usufrutuário é o ato ou efeito de usufruir, o direito conferido a alguém para, em certo tempo, retirar de coisa alheia todos os frutos e utilidades que lhe são próprios, desde que não lhe altere a substância ou o destino.

Muitos na vida sofrem ou caminham para sofrimentos porque simplesmente confundem a posse com a propriedade, muitos abusam da posse para sentirem-se, depois, mais empobrecidos que nunca. Examinada a bagagem dos viajantes do planeta, verifica-se muitas vezes que as vitórias são derrotas fragorosas, não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos.

O que temos permanece conosco, é nossa propriedade. O que detemos, pela posse, é provisório, temporário, sujeito a prestação de contas, pois não passamos de mordomos, de usufrutuários. Posse é tudo o que está fora de nós, o que nos é extrínseco. Podemos transferir bens materiais, somos meros usufrutuários dos bens materiais, temos que administrar o que detemos. E seguindo este raciocínio, com relação às coisas materiais tudo quanto utilizamos não passa de empréstimo, não damos nada a ninguém, passamos adiante.

Basta observar que ao desencarnar nada levamos, porque somos obrigados a devolver à vida aquilo que passava transitoriamente por nossas mãos. Os bens materiais se transformam sempre e algum dia serão transferidos a outrem pelo detentor provisório, a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem. E nem precisamos ir longe, o próprio corpo, que para muitos é propriedade, não passa de um bem valioso que detemos para progredir.

“Vede, pois como ouvis: porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.” O verbo parecer lança luzes sobre a questão. Parecer é ter semelhança com, tem a aparência, o aspecto, mas não essencialidade. O que parece não é real, tem a aparência, porém, é ilusão, inexiste de fato, miragem, chega a ser produto da hipervalorização pessoal. Às vezes julgamos possuir, quando efetivamente não possuímos. Até mesmo em relação às virtudes isso normalmente ocorre. É o caso da criatura que acredita ter muita fé, que se julga possuidora de muita fé. E visitada por conturbação e dificuldade mais áspera se desespera, se entrega, se prostra. Parecia que tinha fé, no entanto, parecer ter não é efetivamente ter.

Nem sempre somos felizes na condução de recursos que detemos por empréstimo, transformando-os, sob a sombra do egoísmo, em algemas que nos escravizam. Assim, retardamos a marcha pela criação de elementos geradores de lágrimas e sofrimentos. Muitos dos heróis nos livros da Terra são entidades misérrimas na esfera espiritual, os altares e galerias patrióticas do planeta foram sempre comprometidos pela política rasteira das paixões. O que é necessário é considerarmos as questões materiais como instrumentos para evolução, não como prisão para o espírito. Passemos a usar aquilo que a gente vê para entesourar o que ainda não podemos ver, sem esquecer a nossa condição de usufrutuário do mundo. Aprendamos a conservar no íntimo os valores da grande vida.

Agora vamos saber o que temos. Temos como legítima propriedade o que se incorpora ao nosso patrimônio espiritual, o que trazemos e levamos conosco no regime das reencarnações. Isto é, o que trazemos quando reencarnamos e levamos quando desencarnamos. O bem, o mal, a inteligência, o conhecimento, as virtudes. Temos o que é espiritual, o que a nós se incorpora. Logo, o que é espiritual, o que a nós se incorpora, temos, tudo quanto está fora de nós não temos.

Amanhã restituiremos à vida o que a vida nos emprestou em nome de Deus. E os tesouros de nosso espírito serão apenas aqueles que houvermos amealhado em nós próprios, no campo da educação e das boas obras. Acordemos a tempo!

Sob a terra tudo é ilusão, tudo passa e se transforma de um instante para outro.

O que conta é o que guardamos dentro de nós, tudo mais há de ficar com o corpo, que se desfará em pó. Muitos se agarram à ilusão. E não vale a pena tanta luta por nada, precisamos crescer interiormente, adquirir valores que sejam eternos. Uma simples célula cancerígena que nos apareça no corpo joga tudo no chão.

Vamos partir para o além com os tesouros da alma, no momento da morte nada nos valerá tanto quanto a consciência tranquila. Levaremos para o plano espiritual somente aquilo que efetivamente temos, e que não pode ser retirado de nós. Por isso, cresçamos na virtude e incorporemos a verdadeira sabedoria. Amanhã seremos visitados pela mão niveladora da morte e possuiremos tão somente as qualidades nobres ou aviltantes que houvermos instalado em nós mesmos.

11 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 5

LEVANTANDO-SE


“7E, VENDO TODOS ISTO, MURMURAVAM, DIZENDO QUE ENTRARA PARA SER HÓSPEDE DE UM HOMEM PECADOR. 8E, LEVANTANDO-SE ZAQUEU, DISSE AO SENHOR: SENHOR, EIS QUE EU DOU AOS POBRES METADE DOS MEUS BENS; E, SE NALGUMA COISA TENHO DEFRAUDADO ALGUÉM, O RESTITUO QUADRUPLICADO.” LUCAS 19:7-8

O que ocorreu era que nesse tempo de Jesus, na Palestina, era comum, por ocasião dos banquetes, deixar as portas abertas para os transeuntes entrarem para ver, e na situação em questão eles ali murmuravam. Murmurar é dizer em voz baixa com referência a alguém, nem sempre de forma positiva e salutar.

Paulo nos diz que caminhamos sob uma “nuvem de testemunha”. E em nosso ambiente, físico ou psíquico, temos sempre a presença de espíritos encarnados e desencarnados, aqueles com os quais nos relacionamos bem e igualmente aqueles que não são simpáticos a nós, o que nos exige sempre um reto proceder.

O que se sentiu ferido com o murmúrio foi o próprio Zaqueu, não Jesus. E esse murmúrio faz parte da engrenagem, presente dentro e fora da gente, porque nunca existe mudança efetiva sem reação, inerentes à própria caminhada. Então, mesmo quando os fatos começam a se delinear surge outra tempestade, para definir que de um lado nosso desejo de ver surge, mas há impedimento de toda a ordem. Pois o avanço rumo à perfeição inicia-se em meio a uma complexidade de erros e fraquezas morais sustentados por tempos. E a busca do objetivo vai implicar em reações, murmúrios presentes em nós.

O verbo levantar, na voz reflexiva (quando o sujeito pratica e recebe a ação simultaneamente) define uma posição pessoal, indica alguma coisa de dentro para fora. É processo de disposição, tem postura íntima e intransferível, e a forma verbal no gerúndio (levantando-se) sugere uma linha de ação sequenciada do ser. Ou seja, levantar-se é fator imprescindível na busca de qualquer meta para que o ânimo possa ser ativado com discernimento e o alcance obtido. É preciso que nos levantemos, individualmente, sobre os próprios pés, pois há muita gente esperando asas de anjo que não lhe pertencem.

E, com Jesus em sua casa, Zaqueu visualizava os carentes e envolvidos em necessidades maiores do que as suas. Sem nos levantarmos não temos como visualizar os pobres. Sem ascendermos ao terreno e piso de nossas necessidades pessoais, sem ganharmos altura espiritual, não conseguimos enxergar além dos limites comuns dos nossos interesses personalistas. Para visualizar necessitados de toda ordem temos que nos elevar do nosso piso atual, porque não se consegue ver necessitado algum vivendo exclusivamente no plano comum da multidão, fixado aos restritos valores circunscritos do mundo material.

E Zaqueu se dirigiu a Jesus, em seu lar, reverenciando-o como Senhor (E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor,) a definir humildade, abertura, reconhecimento da paternidade. Em seu plano íntimo ele elegeu Jesus como Senhor, porque o senhor dele, até então, eram os valores que o mundo transmitia.

E quando reconhecemos alguém como senhor nos colocamos como servos desse senhor. E fica algo muito claro, afinal, a função do servo não é outra, senão servir. É uma condição de compromisso, posicionamo-nos em condição de servir a esse senhor, porque servo é trabalhador do senhor. E hoje, candidatos às mudanças de base, somos compelidos a afirmar ao Senhor, no íntimo de nossas almas, quanto aos propósitos que animam a vida que elegemos.

E vale um lembrete interessante: apenas poderá ser liberto aquele que já tem uma noção clara do que é ser feliz. Se alguém quer ser livre tem que aprender a ser servo de Deus, porque muitos acham que são livres e são servos do mundo.

8 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 4

DESCE DEPRESSA

“5E, QUANDO CHEGOU JESUS ÀQUELE LUGAR, OLHANDO PARA CIMA, VIU-O E DISSE-LHE: ZAQUEU, DESCE DEPRESSA, PORQUE HOJE ME CONVÉM POUSAR EM TUA CASA. 6E, APRESSANDO-SE, DESCEU, E RECEBEU-O GOSTOSO.” LUCAS 19:5-6

“13ORA, NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO O QUE DESCEU DO CÉU, O FILHO DO HOMEM, QUE ESTÁ NO CÉU.” JOÃO 3:13

“5SUA MÃE DISSE AOS SERVENTES: FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER.” JOÃO 2:5

Ninguém é melhor do que ninguém e o criador não faz acepção de pessoa. Aliás, ele quer a alegria e a satisfação integral de todas as suas criaturas, seus filhos.

Note que a insatisfação de Zaqueu o fez ver, porque esse era o seu objetivo, ele queria ver. E a vida respondeu com Jesus entrando em sua casa. O que nos mostra que subindo na figueira brava a gente vê Jesus, e vendo-o ele nos chama ou se oferece para entrar e almoçar ou comer na casa da gente. Porque a cada um de nós, investido no corpo doutrinário, o Cristo não vai negar a sua entrada.

No entanto, é nossa adesão mental, nossa determinação, nosso investimento no campo da fé que vai definir a conveniência dessa hospedagem em nossa casa mental.

“Porque hoje me convém pousar em tua casa.”

Jesus não entrou para morar na casa de Zaqueu. Entrou para pousar, e pousar é hospedar-se, e hóspede é aquele que se aloja temporariamente em casa alheia. Ele entra por haver um plano de conveniência (“me convém”) e nós podemos ou não permitir que ele permaneça em nossa casa psíquica. E entrando, por quanto tempo permanecerá? Boa pergunta, por que a sua permanência vai depender do grau de investimento que cada qual se dispuser a fazer. O que determina e define esse tempo são as aberturas dos nossos corações.

Nós vamos estudando o evangelho e nos maravilhando com as suas belezas, pois tem coisas que só o amor é capaz de fazer. Jesus embaixo e Zaqueu em cima é uma delas.

“E, quando chegou Jesus àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa.” O vocativo é claro, não deixa dúvida: “Zaqueu, desce...”, o chamado é individual. Haviam circunstantes em volta, mas Jesus disse a Zaqueu, dirigiu-se a ele apenas.

Logo, esse “desce” é o chamamento do Cristo íntimo, é o chamado para o trabalho operacional, para a ação. Tenho que descer (trabalharemos isso no capítulo O Filho do Homem) porque se eu quiser viver um patamar exclusivamente etéreo, abstrato, eu perco o piso da minha vida e sofro, e mais, ainda faço outros à minha volta sofrerem. De forma que vamos ver Jesus estando-nos em cima, no entanto, vamos estar com ele aqui embaixo. Não adianta querer estar com ele em cima. Em cima é para vê-lo, estar com ele é embaixo.

É preciso subir, porque subir é o processo de adesão para a visualização de novas bases, representa a proposta do superconsciente, é a busca de patamar informativo, define a instrução. Subindo nós buscamos instrumento de discernimento, informamo-nos, almejamos um plano acima de, captamos valores.

E lá de cima estamos prontos e preparados para operar, para fazer, para ajudar, situamo-nos perfeitamente capacitados a realizar, e somos convocados a operar na faixa em que orbitamos. Veja bem, para ver Jesus Zaqueu sobe, mas para estar com Jesus ele desce depressa. E esse “desce depressa” significa a capacidade de ajuste, de afinidade, de movimento, de aplicação da teoria.

A iniciativa de Zaqueu o situava em um plano mais alto na busca pela identificação com melhores elementos de redenção. Mas lá de cima não há com ajudar.

Não se pode operar em cima porque as obras precisam se consolidar através do plano concreto. Então, se nós queremos ajudar temos que descer, a definir o aspecto operacional, sentido formativo. Assim, nós subimos para encontrar a fé e temos que descer para realizar as obras, fazendo o que nos é solicitado na terra, fitando o céu.

Aí a coisa fica um pouco difícil para a gente, pois de modo geral, para não dizer quase unânime, não queremos buscar o Cristo embaixo, desejamos estar com Ele em cima. Por que embaixo é difícil. Mas não tem jeito, temos que estar com Jesus em nossa casa aqui embaixo, no terreno das lutas e das dificuldades. Por essa razão a gente sobe para ver (pelo aprendizado, pela informação, pela orientação, pela fé, pelo discernimento, pelo entendimento) e desce para fazer (pelas obras), não basta enchermos a cabeça de instruções e idéias edificantes se não conseguimos aplicá-las, se não damos conta de exercer a ação.

E em razão disso descer depressa define o comando do Cristo no sentido de mantermos viva a chama nossa de operar. Define a faixa consonante com a subida rápida. Por falta de determinação tem que descer depressa, porque é depressa que as oportunidades se perdem.

“Sua mãe disse aos serventes: fazei tudo quanto ele vos disser”. Isto Maria disse aos serventes nas bodas de Caná, por ocasião da transformação da água em vinho por Jesus. Fazer tudo o que ele disser. Não é fazer uma coisa ou outra, é tudo. Zaqueu fez! Se já subimos na figueira, estamos prontos para descer?

5 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 3

A FIGUEIRA BRAVA


“E, CORRENDO ADIANTE, SUBIU A UMA FIGUEIRA BRAVA PARA O VER; PORQUE HAVIA DE PASSAR POR ALI.” LUCAS 19:4


A figueira é um dos símbolos que personifica a nossa individualidade (e comentamos acerca dela no capítulo A Multiplicação dos Pães, tópico As Três Árvores). Ela apresenta sentido de justiça, ao passo que a oliveira, vinculada à produção da luz, indica o plano metabólico e de clareamento dos corações, e a videira, como manifestação máxima do amor, completa o processo de ascensão nosso.

Zaqueu não subiu em uma figueira qualquer, ele subiu em uma figueira brava, e esse adjetivo tem uma importante representação. O adjetivo brava define que a figueira é de má qualidade, de pouca expressão produtiva. Ela produz frutos, mas frutos ruins, que deixam a desejar, chegam a desagradar. Então, a gente nota que ela é uma árvore rejeitada, indesejada, em razão da sua ineficiência.

E onde está a figueira hoje? Com certeza muito mais perto do que a gente pensa.

Ela se expressa hoje nas pessoas, situações e coisas que nos alcançam de forma imperiosa, contundente e menos feliz. Manifesta-se de forma inconveniente e desagradável em nossa vida. É a dificuldade fora da gente, a complicação à nossa volta, dentro de casa, no serviço, que nos incomoda e proporciona insatisfação, consideradas alienadas e até mesmo desprezadas no contexto a que estamos inseridos.

A figueira brava é uma expressão de reflexo. Reflete a nossa chaga interior que nós não estamos enxergando. Ela é a conexão nossa com o passado, hoje, que apresenta uma série de pontos de contato capazes de emergir situações difíceis especialmente na família. Sim, muitas vezes essas dificuldades maiores são aqueles seres cujos destinos estão vinculados ao nosso de forma menos feliz.

A figueira brava decorre da necessidade íntima nossa, porque ela significa o reflexo de uma ação pretérita. O parente complicado ou em desequilíbrio, o chefe intransigente do qual não conseguimos nos desvencilhar, e por aí adiante.

Não existe efeito sem causa e essas criaturas em desajuste junto de nós de algum modo são efeitos do ontem, ou do hoje, na nossa intimidade. Os problemas são os desconectores, eles nos chegam para resolver a questão, trabalham a desconexão das amarras que nos prendem ao passado. E muitas das representações dessa figueira acontecem na atualidade dentro do ambiente doméstico, a partir de um intermediário que reflete a necessidade de alguém, especialmente pela instauração de um problema além do previsto pelo contingente familiar.

O parente complicado que você julga carregar nas costas, por espírito de heroísmo, via de regra, é a mesma criatura que, em outra época, arrojaste ao desespero e à perturbação. Evidente que a gente não lembra por passarmos por um período de esquecimento mnemônico enquanto na presente encarnação.

É indicativo para não nos descuidarmos das situações que existem dentro do lar para aquecermos, de pronto, o próximo que está um pouco além do nosso lar. Porque nossa evolução está começando com aqueles que a misericórdia do Pai colocou mais próximos, dentro de casa. Vamos nos tranquilizar, a pedra em casa não é pedra, é degrau. Sem contar que a paciência nos ajuda. Nós achamos que estamos na dificuldade porque somos vítimas, no entanto, deixemos de ser pretensiosos, tem muita gente na vida que também custa a nos aguentar.

Ocorre que enquanto Zaqueu subiu na figueira brava, e a usou para ver Jesus, nós a desprezamos e queremos tirá-la do nosso caminho.

Isso é comum. Assim temos o hábito de fazer, o que nos desagrada enormemente a gente quer excluir da nossa vida. Porém, é muito importante entendermos que essa figueira é a dificuldade que a gente quer tirar fora, mas muitas vezes ela representa o instrumento da nossa redenção, é aquele componente educativo que se o tirarmos fora na maioria dos casos podemos voltar com ele.

Agora imagine que se subir em uma figueira já exige certo esforço, em uma figueira brava o esforço é ainda maior. E embora pareça estranho um chefe dos publicanos subir em uma árvore em plena via pública, vamos notar que quanto mais complicada é a situação de alguém, maior também o lance que ele faz quando de sua mudança, maior o testemunho que realiza quando se propõe.

A preocupação íntima não deve ser com a nossa reação, mas com a ação, evitar reagir ao mal e, sim, melhorar a ação no seu aspecto essencialmente positivo.

Não devemos tanto nos preocupar em ficarmos livres, em afastarmos quem quer que seja do nosso caminho. Pelo contrário, o que devemos fazer é criar condições para termos a companhia daqueles a quem gostamos. A seu tempo vamos observando que a substituição vai sendo feita, às vezes, até mesmo sem a saída daquele elemento que nos é desagradável, porém, com a permanência dele em uma expressão nova de vida. Anote isso, no momento em que aprendermos a estar bem as pessoas que nos incomodam acabam passando, e enquanto tivermos que conviver com elas é sinal claro de que estamos, ainda, precisando desse contato.

E para superar a pequena estatura e ver Jesus Zaqueu subiu a uma figueira. Isso nos ensina que para esse encontro ele precisou elevar-se acima do nível do chão, necessitou elevar-se acima dos seus padrões. Logo, nós não temos como visualizar o Cristo, e nem ser vistos por ele, sem nos erguermos acima do terreno em que estamos sedimentados.

O evangelho é lindo e claro, subir na figueira é utilizar o obstáculo, a dificuldade, como instrumento de reerguimento e elevação. Por isso, meu amigo, minha amiga, não se desespere nem se amedronte diante da figueira em tempo algum. O que parece pedra em nosso caminho não é pedra, é degrau.

Figueira brava é componente de elevação, instrumento para crescer, mecanismo de projeção, indica o que a gente precisa para elevar-se, e pelo qual a gente vê Jesus. E vamos subi-la pela nossa tranquilidade, paciência, pela segurança, discernimento, pelo trabalho produtivo, pela capacidade nossa de orar.

2 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 2

QUERER VER, OBSTÁCULOS E CORRER ADIANTE

“2E EIS QUE HAVIA ALI UM VARÃO CHAMADO ZAQUEU; E ERA ESTE UM CHEFE DOS PUBLICANOS, E ERA RICO. 3E PROCURAVA VER QUEM ERA JESUS, E NÃO PODIA, POR CAUSA DA MULTIDÃO, POIS ERA DE PEQUENA ESTATURA. 4E, CORRENDO ADIANTE, SUBIU A UMA FIGUEIRA BRAVA PARA O VER; PORQUE HAVIA DE PASSAR POR ALI.” LUCAS 19:2-4


Os   publicanos eram os coletores de impostos, e ser publicano era ter acesso a um amplo potencial de recursos para o atendimento aos caprichos e pretensões de natureza imediatista ou transitória. Porque a riqueza isso propicia, ela apresenta reservas prontas a responderem os anseios e buscas pessoais e egoísticas do ser.

No entanto, se por um lado essa posição evidencia um sistema estruturado para atender aos chamamentos que o mundo continuamente exterioriza, por outro aponta, como decorrência da saturação, do isolamento, do fechamento e da marginalização, perspectivas diferentes, onde o ato exclusivo de querer receber, de apenas tirar, acaba por ceder lugar às possibilidades de dar, de algo oferecer, de se integrar, de aprender a servir.

E vivemos em um mundo onde multidões continuamente se apegam à vontade de querer ver Jesus. Querem ver Jesus em carne e osso, querem vê-lo personificado.

São inúmeros os que anseiam por isso hoje. Nós aqui, mediante este estudo sequenciado, estamos tentando ir para além do ver, queremos entrar em contado com o Cristo, sim, mas com o seu corpo doutrinário. Queremos ver a soma doutrinária que ele nos trouxe, sentimos necessidade e queremos ingerir essas parcelas. Porque temos fome, desperta dentro de cada um de nós um cansaço e uma saturação. E o chamamento agora é neste patamar, o chamamento, dentro do plano de lógica e entendimento, é a visualização desses valores.

E nada neste mundo é fácil, nenhuma conquista efetiva é feita sem esforço e persistência.

Zaqueu tinha seus objetivos e esses objetivos se defrontavam com dois obstáculos: a multidão e a pequena estatura. O primeiro representado por aspecto extrínseco e o segundo de natureza intrínseca. Ele poderia deter-se nesses empecilhos, como também considerá-los, analisá-los e buscar superação.

Invariavelmente, assim acontece. Muitos confessam a necessidade do Cristo, a vontade de sua companhia, o bem estar proporcionado por sua presença, mas, frequentemente alegam dificuldades, nomeiam problemas, levantam impedimentos, enumeram fatores e circunstâncias que lhes impedem sublime aproximação.

O evangelho é claro ao dizer que Zaqueu procurava. E procura pressupõe busca. Sempre que iniciamos um trabalho em novas bases somos visitados por problemas, seja de natureza íntima (dentro de nós) ou exterior (fora de nós). Podemos nos estancar diante deles, amedrontar, fraquejar, ou enfrentá-los. Cada qual tem suas escolhas próprias, porém, vale ressaltar que as dificuldades, sejam quais forem, expressam pontos avaliadores da disposição dos seres. A postura diante das intempéries da vida avalia a determinação dos indivíduos.

A multidão é um obstáculo, e ela pode ser de natureza exterior, onde cada um pode fazer inúmeras exemplificações, ou de natureza íntima, que ocorre de forma sutil.

A falta de energia no ambiente é um empecilho externo para o acesso ao blog, a sensação de cansaço, a preguiça, de natureza íntima. Claro que pode haver uma correlação entre ambos. Com certeza iremos trabalhar a multidão de maneira pormenorizada em capítulo futuro, lembrando que Jesus sempre advertiu quanto ao cuidado com ela. Fatores íntimos infindáveis buscam evitar nosso acesso a patamares da vida. Cada pessoa tem os seus exemplos pessoais.

Quantos livros começamos a ler e não terminamos? Quantos projetos nós idealizamos em suas minúcias e não demos curso? Estamos sempre sujeitos à influência de uma multidão interna, composta pelas inúmeras personalidades que animamos em diversas experiências físicas no orbe, distanciadas e indiferentes ao plano do bem. Não desanime, ao buscarmos ver Jesus teremos na própria intimidade barreiras, e não se assuste com o que vamos dizer: o pior inimigo que defrontamos em nossa jornada reside dentro, e não fora da gente.

A pequena estatura era problema íntimo dele. Ela pode ser compreendida como pequena no plano de informações (sentido horizontal) ou no aspecto moral (sentido vertical), afinal, em se tratando de estatura espiritual somos ainda crianças no entendimento e virtude. Pode ser também a capacidade de percepção.

O evangelho é para aqueles que estão elegendo um sistema novo de vida, e para vermos Jesus necessário nutrirmos um processo de determinação. É preciso correr adiante, esse esforço de deixar, de desvencilhar-se do envolvimento menos feliz cultivado no espaço e no tempo. Essa corrida de Zaqueu nos ensina que se não houver um impacto nosso sobre nós mesmos, que nos desloque da gravitação dos nossos erros, nos mantemos em círculo, quando não estacionados, andando de lá para cá, transitamos nas faixas costumeiras e não saímos. É o impulso para nos colocar em novo plano, imprescindível para que a gente consiga quebrar a sequência de permanência na horizontalidade da vida. E somos convocados agora a exemplificar por meio de iniciativa igual.

Ele correu porque sabia que Jesus iria passar por ali. Utilizando de racionalidade e discernimento adiantou-se. E adiantar-se é mover-se ou estender-se para diante, para além de, é avançar, progredir, referência ao empenho de afirmação em novo campo, projeção da mente para além da acomodação e condicionamento.

A questão é de decisão pessoal nossa, sabermos onde queremos estar e a que grupo objetivamos integrar. Para ver Jesus o chefe dos publicanos laborava em um plano mental distinto, alimentava o desejo de redirecionar-se. Queria ver e estar com o mestre porque sentia solidão, resultante do processo natural de quem vive no egoísmo.

Não se deteve diante dos obstáculos. Diante da multidão de dificuldades sintonizou-se com os padrões novos e reconheceu na própria pequenez a carência de recursos que o mundo não lhe propiciava mais, que somente o Pai de misericórdia pode suprir. Em cada tópico novo que abrimos e estudamos o fazemos para correr adiante, projetando-nos da massa. Repare você, a grande multidão de pessoas trabalha e opera nas esferas da vida comum e todo aquele que se destaca está fora da multidão.

E onde quer que o espírito se encontre, seja ele encarnado ou desencarnado, chega sempre a hora de Jesus passar. Porque ele está junto. É estado de alma e não de local que nos credencia a ver o grande amigo e mestre da humanidade. E quando a criatura se desperta, onde quer que esteja, entra em relação.

Ele correu em razão da fé. Não podia perder o precioso momento de ver o Cristo. Fé que apresenta ligação entre sentimento e razão. Ele procurou e foi atrás, não ficou apenas na intenção. E a gente acha que não precisa fazer nada, que basta querer apenas, que apenas o querer já basta. Aliás, até queremos, até desejamos muito, porém, nos esbarramos no “mas”. Queríamos, mas...

Mas é assim mesmo (RS). Quando colocamos o “mas” travamos tudo. Se falamos que não tem jeito não tem mesmo. Mas a fé espera de nós uma postura racional e de ação.

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