2 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 2

QUERER VER, OBSTÁCULOS E CORRER ADIANTE

“2E EIS QUE HAVIA ALI UM VARÃO CHAMADO ZAQUEU; E ERA ESTE UM CHEFE DOS PUBLICANOS, E ERA RICO. 3E PROCURAVA VER QUEM ERA JESUS, E NÃO PODIA, POR CAUSA DA MULTIDÃO, POIS ERA DE PEQUENA ESTATURA. 4E, CORRENDO ADIANTE, SUBIU A UMA FIGUEIRA BRAVA PARA O VER; PORQUE HAVIA DE PASSAR POR ALI.” LUCAS 19:2-4


Os   publicanos eram os coletores de impostos, e ser publicano era ter acesso a um amplo potencial de recursos para o atendimento aos caprichos e pretensões de natureza imediatista ou transitória. Porque a riqueza isso propicia, ela apresenta reservas prontas a responderem os anseios e buscas pessoais e egoísticas do ser.

No entanto, se por um lado essa posição evidencia um sistema estruturado para atender aos chamamentos que o mundo continuamente exterioriza, por outro aponta, como decorrência da saturação, do isolamento, do fechamento e da marginalização, perspectivas diferentes, onde o ato exclusivo de querer receber, de apenas tirar, acaba por ceder lugar às possibilidades de dar, de algo oferecer, de se integrar, de aprender a servir.

E vivemos em um mundo onde multidões continuamente se apegam à vontade de querer ver Jesus. Querem ver Jesus em carne e osso, querem vê-lo personificado.

São inúmeros os que anseiam por isso hoje. Nós aqui, mediante este estudo sequenciado, estamos tentando ir para além do ver, queremos entrar em contado com o Cristo, sim, mas com o seu corpo doutrinário. Queremos ver a soma doutrinária que ele nos trouxe, sentimos necessidade e queremos ingerir essas parcelas. Porque temos fome, desperta dentro de cada um de nós um cansaço e uma saturação. E o chamamento agora é neste patamar, o chamamento, dentro do plano de lógica e entendimento, é a visualização desses valores.

E nada neste mundo é fácil, nenhuma conquista efetiva é feita sem esforço e persistência.

Zaqueu tinha seus objetivos e esses objetivos se defrontavam com dois obstáculos: a multidão e a pequena estatura. O primeiro representado por aspecto extrínseco e o segundo de natureza intrínseca. Ele poderia deter-se nesses empecilhos, como também considerá-los, analisá-los e buscar superação.

Invariavelmente, assim acontece. Muitos confessam a necessidade do Cristo, a vontade de sua companhia, o bem estar proporcionado por sua presença, mas, frequentemente alegam dificuldades, nomeiam problemas, levantam impedimentos, enumeram fatores e circunstâncias que lhes impedem sublime aproximação.

O evangelho é claro ao dizer que Zaqueu procurava. E procura pressupõe busca. Sempre que iniciamos um trabalho em novas bases somos visitados por problemas, seja de natureza íntima (dentro de nós) ou exterior (fora de nós). Podemos nos estancar diante deles, amedrontar, fraquejar, ou enfrentá-los. Cada qual tem suas escolhas próprias, porém, vale ressaltar que as dificuldades, sejam quais forem, expressam pontos avaliadores da disposição dos seres. A postura diante das intempéries da vida avalia a determinação dos indivíduos.

A multidão é um obstáculo, e ela pode ser de natureza exterior, onde cada um pode fazer inúmeras exemplificações, ou de natureza íntima, que ocorre de forma sutil.

A falta de energia no ambiente é um empecilho externo para o acesso ao blog, a sensação de cansaço, a preguiça, de natureza íntima. Claro que pode haver uma correlação entre ambos. Com certeza iremos trabalhar a multidão de maneira pormenorizada em capítulo futuro, lembrando que Jesus sempre advertiu quanto ao cuidado com ela. Fatores íntimos infindáveis buscam evitar nosso acesso a patamares da vida. Cada pessoa tem os seus exemplos pessoais.

Quantos livros começamos a ler e não terminamos? Quantos projetos nós idealizamos em suas minúcias e não demos curso? Estamos sempre sujeitos à influência de uma multidão interna, composta pelas inúmeras personalidades que animamos em diversas experiências físicas no orbe, distanciadas e indiferentes ao plano do bem. Não desanime, ao buscarmos ver Jesus teremos na própria intimidade barreiras, e não se assuste com o que vamos dizer: o pior inimigo que defrontamos em nossa jornada reside dentro, e não fora da gente.

A pequena estatura era problema íntimo dele. Ela pode ser compreendida como pequena no plano de informações (sentido horizontal) ou no aspecto moral (sentido vertical), afinal, em se tratando de estatura espiritual somos ainda crianças no entendimento e virtude. Pode ser também a capacidade de percepção.

O evangelho é para aqueles que estão elegendo um sistema novo de vida, e para vermos Jesus necessário nutrirmos um processo de determinação. É preciso correr adiante, esse esforço de deixar, de desvencilhar-se do envolvimento menos feliz cultivado no espaço e no tempo. Essa corrida de Zaqueu nos ensina que se não houver um impacto nosso sobre nós mesmos, que nos desloque da gravitação dos nossos erros, nos mantemos em círculo, quando não estacionados, andando de lá para cá, transitamos nas faixas costumeiras e não saímos. É o impulso para nos colocar em novo plano, imprescindível para que a gente consiga quebrar a sequência de permanência na horizontalidade da vida. E somos convocados agora a exemplificar por meio de iniciativa igual.

Ele correu porque sabia que Jesus iria passar por ali. Utilizando de racionalidade e discernimento adiantou-se. E adiantar-se é mover-se ou estender-se para diante, para além de, é avançar, progredir, referência ao empenho de afirmação em novo campo, projeção da mente para além da acomodação e condicionamento.

A questão é de decisão pessoal nossa, sabermos onde queremos estar e a que grupo objetivamos integrar. Para ver Jesus o chefe dos publicanos laborava em um plano mental distinto, alimentava o desejo de redirecionar-se. Queria ver e estar com o mestre porque sentia solidão, resultante do processo natural de quem vive no egoísmo.

Não se deteve diante dos obstáculos. Diante da multidão de dificuldades sintonizou-se com os padrões novos e reconheceu na própria pequenez a carência de recursos que o mundo não lhe propiciava mais, que somente o Pai de misericórdia pode suprir. Em cada tópico novo que abrimos e estudamos o fazemos para correr adiante, projetando-nos da massa. Repare você, a grande multidão de pessoas trabalha e opera nas esferas da vida comum e todo aquele que se destaca está fora da multidão.

E onde quer que o espírito se encontre, seja ele encarnado ou desencarnado, chega sempre a hora de Jesus passar. Porque ele está junto. É estado de alma e não de local que nos credencia a ver o grande amigo e mestre da humanidade. E quando a criatura se desperta, onde quer que esteja, entra em relação.

Ele correu em razão da fé. Não podia perder o precioso momento de ver o Cristo. Fé que apresenta ligação entre sentimento e razão. Ele procurou e foi atrás, não ficou apenas na intenção. E a gente acha que não precisa fazer nada, que basta querer apenas, que apenas o querer já basta. Aliás, até queremos, até desejamos muito, porém, nos esbarramos no “mas”. Queríamos, mas...

Mas é assim mesmo (RS). Quando colocamos o “mas” travamos tudo. Se falamos que não tem jeito não tem mesmo. Mas a fé espera de nós uma postura racional e de ação.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...