11 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 5

LEVANTANDO-SE


“7E, VENDO TODOS ISTO, MURMURAVAM, DIZENDO QUE ENTRARA PARA SER HÓSPEDE DE UM HOMEM PECADOR. 8E, LEVANTANDO-SE ZAQUEU, DISSE AO SENHOR: SENHOR, EIS QUE EU DOU AOS POBRES METADE DOS MEUS BENS; E, SE NALGUMA COISA TENHO DEFRAUDADO ALGUÉM, O RESTITUO QUADRUPLICADO.” LUCAS 19:7-8

O que ocorreu era que nesse tempo de Jesus, na Palestina, era comum, por ocasião dos banquetes, deixar as portas abertas para os transeuntes entrarem para ver, e na situação em questão eles ali murmuravam. Murmurar é dizer em voz baixa com referência a alguém, nem sempre de forma positiva e salutar.

Paulo nos diz que caminhamos sob uma “nuvem de testemunha”. E em nosso ambiente, físico ou psíquico, temos sempre a presença de espíritos encarnados e desencarnados, aqueles com os quais nos relacionamos bem e igualmente aqueles que não são simpáticos a nós, o que nos exige sempre um reto proceder.

O que se sentiu ferido com o murmúrio foi o próprio Zaqueu, não Jesus. E esse murmúrio faz parte da engrenagem, presente dentro e fora da gente, porque nunca existe mudança efetiva sem reação, inerentes à própria caminhada. Então, mesmo quando os fatos começam a se delinear surge outra tempestade, para definir que de um lado nosso desejo de ver surge, mas há impedimento de toda a ordem. Pois o avanço rumo à perfeição inicia-se em meio a uma complexidade de erros e fraquezas morais sustentados por tempos. E a busca do objetivo vai implicar em reações, murmúrios presentes em nós.

O verbo levantar, na voz reflexiva (quando o sujeito pratica e recebe a ação simultaneamente) define uma posição pessoal, indica alguma coisa de dentro para fora. É processo de disposição, tem postura íntima e intransferível, e a forma verbal no gerúndio (levantando-se) sugere uma linha de ação sequenciada do ser. Ou seja, levantar-se é fator imprescindível na busca de qualquer meta para que o ânimo possa ser ativado com discernimento e o alcance obtido. É preciso que nos levantemos, individualmente, sobre os próprios pés, pois há muita gente esperando asas de anjo que não lhe pertencem.

E, com Jesus em sua casa, Zaqueu visualizava os carentes e envolvidos em necessidades maiores do que as suas. Sem nos levantarmos não temos como visualizar os pobres. Sem ascendermos ao terreno e piso de nossas necessidades pessoais, sem ganharmos altura espiritual, não conseguimos enxergar além dos limites comuns dos nossos interesses personalistas. Para visualizar necessitados de toda ordem temos que nos elevar do nosso piso atual, porque não se consegue ver necessitado algum vivendo exclusivamente no plano comum da multidão, fixado aos restritos valores circunscritos do mundo material.

E Zaqueu se dirigiu a Jesus, em seu lar, reverenciando-o como Senhor (E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor,) a definir humildade, abertura, reconhecimento da paternidade. Em seu plano íntimo ele elegeu Jesus como Senhor, porque o senhor dele, até então, eram os valores que o mundo transmitia.

E quando reconhecemos alguém como senhor nos colocamos como servos desse senhor. E fica algo muito claro, afinal, a função do servo não é outra, senão servir. É uma condição de compromisso, posicionamo-nos em condição de servir a esse senhor, porque servo é trabalhador do senhor. E hoje, candidatos às mudanças de base, somos compelidos a afirmar ao Senhor, no íntimo de nossas almas, quanto aos propósitos que animam a vida que elegemos.

E vale um lembrete interessante: apenas poderá ser liberto aquele que já tem uma noção clara do que é ser feliz. Se alguém quer ser livre tem que aprender a ser servo de Deus, porque muitos acham que são livres e são servos do mundo.

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