16 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 6

PATRIMÔNIO ESPIRITUAL



“18VEDE POIS COMO OUVIS; PORQUE A QUALQUER QUE TIVER LHE SERÁ DADO, E A QUALQUER QUE NÃO TIVER ATÉ O QUE PARECE TER LHE SERÁ TIRADO.” LUCAS 8:18

“7PORQUE NADA TROUXEMOS PARA ESTE MUNDO, E MANIFESTO É QUE NADA PODEMOS LEVAR DELE.” TIMÓTEO 6:7

Para entendermos porque Zaqueu deu metade precisamos saber o que efetivamente temos como patrimônio.

O evangelho é claro ao dizer: “Vede, pois, como ouvis: porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.”

Observe que “qualquer” não faz distinção nenhuma, não individualiza, não determina o sujeito, abrange a todos. Envolvidos em um processo de crescimento consciente passamos a analisar o que nos chega à faixa de assimilação, em razão das consequências, claro, positivas ou negativas, advindas da lei de causa e efeito. A advertência do maior amigo da humanidade não deixa dúvida, quando estudamos o capítulo O Ver e o Ouvir aprendemos que o ouvir tem sentido de aprendizado, de despertamento, de chamado, ao passo que o ver já faz menção ao aspecto aplicativo. É mais ou menos como se Jesus, no “vede, pois, como ouvis”, quisesse nos dizer: preste atenção em como você aplica (vê) aquilo que você já sabe, que aprendeu (ouviu). A orientação está ao alcance de todos os que empreendem a luta renovadora.

É preciso avaliar o que temos e o que não temos, saber distinguir a posse da propriedade, entender que deter é reter ou conservar em seu poder, que mordomo é administrador de bens e que usufrutuário é o ato ou efeito de usufruir, o direito conferido a alguém para, em certo tempo, retirar de coisa alheia todos os frutos e utilidades que lhe são próprios, desde que não lhe altere a substância ou o destino.

Muitos na vida sofrem ou caminham para sofrimentos porque simplesmente confundem a posse com a propriedade, muitos abusam da posse para sentirem-se, depois, mais empobrecidos que nunca. Examinada a bagagem dos viajantes do planeta, verifica-se muitas vezes que as vitórias são derrotas fragorosas, não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos.

O que temos permanece conosco, é nossa propriedade. O que detemos, pela posse, é provisório, temporário, sujeito a prestação de contas, pois não passamos de mordomos, de usufrutuários. Posse é tudo o que está fora de nós, o que nos é extrínseco. Podemos transferir bens materiais, somos meros usufrutuários dos bens materiais, temos que administrar o que detemos. E seguindo este raciocínio, com relação às coisas materiais tudo quanto utilizamos não passa de empréstimo, não damos nada a ninguém, passamos adiante.

Basta observar que ao desencarnar nada levamos, porque somos obrigados a devolver à vida aquilo que passava transitoriamente por nossas mãos. Os bens materiais se transformam sempre e algum dia serão transferidos a outrem pelo detentor provisório, a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem. E nem precisamos ir longe, o próprio corpo, que para muitos é propriedade, não passa de um bem valioso que detemos para progredir.

“Vede, pois como ouvis: porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.” O verbo parecer lança luzes sobre a questão. Parecer é ter semelhança com, tem a aparência, o aspecto, mas não essencialidade. O que parece não é real, tem a aparência, porém, é ilusão, inexiste de fato, miragem, chega a ser produto da hipervalorização pessoal. Às vezes julgamos possuir, quando efetivamente não possuímos. Até mesmo em relação às virtudes isso normalmente ocorre. É o caso da criatura que acredita ter muita fé, que se julga possuidora de muita fé. E visitada por conturbação e dificuldade mais áspera se desespera, se entrega, se prostra. Parecia que tinha fé, no entanto, parecer ter não é efetivamente ter.

Nem sempre somos felizes na condução de recursos que detemos por empréstimo, transformando-os, sob a sombra do egoísmo, em algemas que nos escravizam. Assim, retardamos a marcha pela criação de elementos geradores de lágrimas e sofrimentos. Muitos dos heróis nos livros da Terra são entidades misérrimas na esfera espiritual, os altares e galerias patrióticas do planeta foram sempre comprometidos pela política rasteira das paixões. O que é necessário é considerarmos as questões materiais como instrumentos para evolução, não como prisão para o espírito. Passemos a usar aquilo que a gente vê para entesourar o que ainda não podemos ver, sem esquecer a nossa condição de usufrutuário do mundo. Aprendamos a conservar no íntimo os valores da grande vida.

Agora vamos saber o que temos. Temos como legítima propriedade o que se incorpora ao nosso patrimônio espiritual, o que trazemos e levamos conosco no regime das reencarnações. Isto é, o que trazemos quando reencarnamos e levamos quando desencarnamos. O bem, o mal, a inteligência, o conhecimento, as virtudes. Temos o que é espiritual, o que a nós se incorpora. Logo, o que é espiritual, o que a nós se incorpora, temos, tudo quanto está fora de nós não temos.

Amanhã restituiremos à vida o que a vida nos emprestou em nome de Deus. E os tesouros de nosso espírito serão apenas aqueles que houvermos amealhado em nós próprios, no campo da educação e das boas obras. Acordemos a tempo!

Sob a terra tudo é ilusão, tudo passa e se transforma de um instante para outro.

O que conta é o que guardamos dentro de nós, tudo mais há de ficar com o corpo, que se desfará em pó. Muitos se agarram à ilusão. E não vale a pena tanta luta por nada, precisamos crescer interiormente, adquirir valores que sejam eternos. Uma simples célula cancerígena que nos apareça no corpo joga tudo no chão.

Vamos partir para o além com os tesouros da alma, no momento da morte nada nos valerá tanto quanto a consciência tranquila. Levaremos para o plano espiritual somente aquilo que efetivamente temos, e que não pode ser retirado de nós. Por isso, cresçamos na virtude e incorporemos a verdadeira sabedoria. Amanhã seremos visitados pela mão niveladora da morte e possuiremos tão somente as qualidades nobres ou aviltantes que houvermos instalado em nós mesmos.

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