23 de abr de 2011

Cap 11 - Zaqueu - Parte 7 (Final)

DAR METADE E RESTITUIR QUADRUPLICADO

“8E, LEVANTANDO-SE ZAQUEU, DISSE AO SENHOR: SENHOR, EIS QUE EU DOU AOS POBRES METADE DOS MEUS BENS; E, SE NALGUMA COISA TENHO DEFRAUDADO ALGUÉM, O RESTITUO QUADRUPLICADO. 9E DISSE-LHE JESUS: HOJE VEIO A SALVAÇÃO A ESTA CASA, POIS TAMBÉM ESTE É FILHO DE ABRAÃO. 10PORQUE O FILHO DO HOMEM VEIO BUSCAR E SALVAR O QUE SE HAVIA PERDIDO.” LUCAS 19:8-10

 
Observamos que como fruto da visita de Jesus à sua casa Zaqueu assume um compromisso novo, espontâneo. Ele já não estava mais vivendo apenas para si.

Como Zaqueu, antes achávamos que ser feliz era receber. Agora alcançamos uma visão além, nos certificamos que ser feliz é dar, pela capacitação nossa de dispor sob a luz da caridade. Visitados pela orientação do evangelho não apenas nos sentimos motivados à doação, mas nos capacitamos a identificar junto à multidão carentes de toda ordem, necessitados em dificuldades muito maiores que a nossa. E mais, procuramos a cota que detemos e que podemos direcionar sob o manto da caridade.

Por isso estamos investindo na boa nova, estamos tentando alcançar um piso em que podemos servir.

E aí alguém pergunta: “Puxa vida, se Zaqueu ficou tão bonzinho porque ele só se predispôs a dar metade? Porque ele não deu tudo?” Nada no evangelho está esparso, nada é sem sentido. Porque é que eu não posso dar tudo o que é meu?

Por uma razão simples. Dar é lançar de si, é emitir, é doar, e nossos legítimos bens, nossa propriedade, são intransferíveis. Aquilo que detemos é posse transitória. Somos usufrutuários dos bens materiais, que, por sinal, temos que administrar, de forma que podemos transferir bens materiais, mas não podemos dar o que é nosso.

O que possuímos é propriedade intransferível, os nossos legítimos bens são intransferíveis.

Ou seja, o que é nosso podemos utilizar como instrumentos condutores e incentivadores, mas de forma alguma podemos dar o que é nosso integralmente. Alguém não pode entregar a outrem a colheita de luz que lhe é própria, pode, sim, fornecer-lhe valiosas sementes para que ele as cultive como bom lavrador. A mãe humilde, por exemplo, não pode transferir um pouco de sua humildade ao filho orgulho, automaticamente. Somente falando, aconselhando e vivenciando poderá plasmar em seu entendimento e sentimento o interesse em obter essa qualidade, por isso não se pode dar tudo.

E se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá. E muitos querem dar antes de possuir. Não há formação sem doação, nós temos a posse provisória do que nós recebemos, e temos a propriedade definitiva do que damos. Ou seja, você só possui com legitimidade o que você deu, o que você transferiu. Você leva, efetivamente, o que você conseguiu aplicar, por isso, quanto mais eu dou mais eu abro campo para receber. Nós possuímos aquilo que damos, não aquilo que recebemos, os bens espirituais irradiados de nós mesmos aumentam o teor e a intensidade da alegria em torno de nossos passos.

É preciso entender que restituir significa devolver, entregar o que possuía por empréstimo ou indevidamente, fazer voltar, restabelecer o estado anterior de, reparar, indenizar, pagar.

E se perguntarmos qual a finalidade essencial da vida cada um terá resposta conforme o que define como prioritário. Mas independente de conceituações específicas, a nossa prioridade é evoluir espiritualmente e ninguém evolui sem amar.

Logo, a nossa missão maior na vida é amar. E é interessante que ao falar em dar Zaqueu diz metade, no entanto, para restituir ele diz quadruplicado, ou seja, multiplicado por quatro. Bem, se a finalidade essencial da vida é amar nós podemos concluir que em cada existência temos que dar a nossa cota de amor.

E é quadruplicado porque a primeira cota do amor é a dívida nossa com o passado, definida pela parcela de amor que devíamos e não amamos, ou será que já estamos todos quites com a lei? Pois quem não tem pecados que atire a primeira pedra.

A segunda é referência à cota de amor que ele deveria dar no presente e não estava dando, e tanto não estava dando que se predispôs, a partir do momento da entrada do Senhor em sua casa, a dar. A terceira é resultante da lesão causada ao semelhante, isto é, em vez de dar ele tirava, não apenas dava como retirava, e por isso ele se referia à restituição. Assim acontece, se diante o dever de doar não se dá, e lesa-se o semelhante, não fica outra alternativa para o reequilíbrio pessoal senão assegurar o ressarcimento do prejuízo imposto.

É restituir quadruplicado porque restituição triplicada o colocaria em patamar com a justiça. Se deve três e paga três liquida a fatura, e justiça por justiça não projeta ninguém. O que projeta não é o pagamento, mas a aquisição, e a quarta cota representa o amor em sua expressão legítima.

Quanto à expressão filho de Abraão falaremos adiante, em uma ocasião específica.

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