25 de mai de 2011

Cap 12 - O Filho do Homem - Parte 5

O PROCESSO

“36INSENSATO! O QUE TU SEMEIAS NÃO É VIVIFICADO, SE PRIMEIRO NÃO MORRER.” I CORÍNTIOS 15:36

O nosso crescimento espiritual, o nascimento do filho do homem, inicia-se com uma fecundação psíquica. É exatamente por aí o princípio. A renovação, esse nascer do espírito ao qual nos referimos, se faz dentro do mecanismo de concepção.

E dizemos mais. Se a criatura está grávida é porque a gravidez se instaurou em um determinado momento, em certa hora, em certo dia. E vai haver um processo de gestação, um processo de fecundação que vai culminar com o nascimento.

Inicialmente nós temos um processo conceptivo. A fecundação, entre os componentes fertilizantes de fora que vem e os nossos padrões íntimos de recepção.

A concepção se faz entre minha expressão fecundável e os valores fecundantes que me visitam, o processo se dá pela inspiração que vem de cima e a necessidade reinante embaixo. Os espermatozóides são os componentes que são lançados para o nosso crescimento e o óvulo o nosso sentimento. É um somatório do valor revelado (plano informativo) com a nossa proposta de abertura para novos momentos, de modo que dentro de nós o sentimento prepara o terreno.

Então, veja bem. Nós estamos estudando o evangelho, lendo alguma obra, e recebendo caracteres informativos. Verdadeiras sementes, ou semeaduras, estão caindo no solo do nosso coração. Pela informação desce do alto uma chuva de recursos. E quando esses recursos nos atingem nos penetram. Mas penetram de maneira suave, eles chegam como um esboço. E tanto chegam como um esboço que podem desaparecer em contato com a soma da repetição que já temos dentro de nós de inúmeros reflexos, trazidos de experiências passadas.

Esse é o plano informativo. E nosso terreno íntimo é um ponto acolhedor, um vaso receptivo.

No entanto, isso apenas não basta. Não basta apenas assimilar conteúdo, outra etapa se faz necessária. Necessário trabalhaarmos e darmos corpo a isso. E em determinado momento vem o testemunho, que é o nascimento da nova postura pessoal. Logo, a fé nós podemos dizer que é a concepção, ou fecundação, a esperança é a gestação e a caridade é a culminância, é o filho, o nascimento.

Havendo a fecundação é preciso que haja a formação do embrião. É preciso dar corpo aos elementos que introjetamos. E ao dar corpo é como se nós estivéssemos gestando na intimidade de nossa forma mental esses elementos novos.

Ou seja, temos que ir alimentando esses novos valores, essa nova postura de vida que elegemos, que quer nascer, até que ela tome corpo. Essa gestação dos valores, que vão dando uma nova estrutura psicológica e espiritual para nós, é a que Jesus se referiu por ocasião da ceia. Por isso, perguntamos, deu para entender essa expressão gestando? Porque esse entendimento precisa ficar muito claro.

A questão é como que gestamos caracteres dentro de nós? Vamos lá. Vamos tentar exemplificar.

Por exemplo, eu sou uma pessoa muito irritadiça, muito nervosa. Não ouço uma coisa que me desagrada sem dar uma má resposta. Sou daquele tipo de pessoa que não leva desaforo para casa.

Mas eu quero mudar isso, sinto que ser assim já me desagrada. O que faço? Começo a ler, de maneira ampla e profunda, acerca da paciência e da necessidade do perdão. Sem dúvida isso se torna um grande desafio para mim. Estou estudando, e também tenho ouvido inúmeras palestras acerca do perdão.

Vou ao supermercado. Na hora em que uma criatura fala uma palavra meio atravessada, e eu quase explodo, imediatamente me lembro da página que li. Calma, calma! Eu seguro. Aí eu acrescentei nesse valorzinho que estou tentando trabalhar um pontinho a mais, com mais tônica. Não demora muito e surge outra circunstância. Dessa vez alguém me esbarrou na esquina. Mais uma vez a tendência é mandar aquele palavrão costumeiro, xingar. Mas não. Marco Antônio, lembre da página. Dessa vez eu até agradeci a experiência. E vou em frente. Chego ao serviço dois minutos atrasado e o chefe vem em cima: “Não atrasa de novo, que eu te mando embora.” Manda logo, eu penso, mas, .... Marco, calma. Assim, eu vou dando corpo a isso que assimilei. Dessa forma, da informação eu estou caminhando para a formação de caracteres novos.

O processo nosso de crescimento e de mudança é esse. Inicialmente desce a chuva de recursos que nos penetram de forma sutil, suave, e que podem desaparecer em contato com as pirâmides de sombra da nossa personalidade milenar.

A questão é recolher a informação e operacionalizar a informação. E para isso é preciso reter.

Pois se retenho esses valores recebidos começo gestar caracteres novos em mim. Isto é, da informação eu começo a dar forma, a formar novos caracteres, e isso é que é reter.  Por aí deixamos de ter uma semi-autoridade por conceber e passamos a ter autoridade por nascer, por revelar, por surgir, de modo que o momento revelador entrega à morte e a metabolização da revelação vai gerar efetivamente a morte.

Porque não há ressurreição sem morte. E sendo impossível a ressurreição sem morte é preciso estiolar-se o corpo anterior, não material. Por isso Paulo diz que o que semeamos “não é vivificado se primeiro não morrer.” E a morte, já comentamos antes, é a desvinculação dos padrões que vem nos prendendo à retaguarda.

Não há motivo para desânimo. Temos que insistir para que os novos padrões que assimilamos ganhem corpo. Assimilar para implementar um sistema novo de vida.

A tática é: Recolhemos a informação e operacionalizamos a informação. E isso vai matar a antiga criatura e vivificar a nova expressão. Valores que eu capto, somados aos meus padrões de sentimento, vão gerar novo corpo. E dá-se o crescimento de um componente novo e a diminuição de caracteres antigos. E se consigo operar no campo prático os valores recebidos ocorre o nascimento do espírito pela mudança.

Porém, o problema não é ressurgir. O problema é que não queremos abdicar do velho.

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