28 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 8 (Final)

O PAGAMENTO VEM DEPOIS

3E SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

“9E NÃO NOS CANSEMOS DE FAZER BEM, PORQUE A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO HOUVERMOS DESFALECIDO. 10ENTÃO, ENQUANTO TEMOS TEMPO, FAÇAMOS BEM A TODOS, MAS PRINCIPALMENTE AOS DOMÉSTICOS DA FÉ.” GÁLATAS 6:9-10

O trabalho para nós ainda é desgaste e o cansaço surge em razão da nossa briga com o mundo.

Enquanto operamos por dever situamo-nos sob o jugo da justiça, e todo aquele que se desgasta com as alterações da vida está a caminho da depressão.

Por outro lado, quando a gente faz as coisas com carinho e com amor, não pesa. Porque quanto mais autêntico é o trabalho menos cansaço ele oferece, quanto mais sutilizamos o trabalho nas faixas do amor mais ele gera descanso e maior conforto, pois se passa a trabalhar em um mecanismo não desgastante.

Não é exagero, o verdadeiro trabalho é aquele que realmente nos reserva grande júbilo interior, é um trabalho que na sua essência não onera. Tornamos a dizer o que já falamos antes: se ainda aprendemos pelo impacto da justiça, o evangelho nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. Tem gente que está descansando por fora e acentuadamente atribulado por dentro. Uma mente em desajuste ou transtornada ela cansa fácil, irrita-se pelo trabalho e pelo obstáculo, ela não aguenta. Tudo é motivo para dissabores, irritação, tudo é complicação.

Por outro lado, o que está bem interiormente pode até apresentar uma defasagem orgânica vez por outra. Claro, isso é comum, acontece. Ele pode estar com suas energias exauridas, no entanto, administra o seu plano íntimo com facilidade. Quando a mente está tranquila e harmonizada, poucas horas de descanso, ou mesmo alguns minutos de um sono reparador e a pessoa já se coloca em pé novamente para mais vinte e quatro horas de atividade, se preciso for.

O mestre Jesus faz o bem despreocupado de considerações. A boa nova isso ensina. Ele alivia sem paga, acende esperança sem que homens lhe peçam, perdoa espontaneamente aos que injuriam e apedrejam sem aguardar-lhes retratação.

Acordemos para as nossas responsabilidades. Não podemos ignorar que a permanência na Terra decorre da necessidade de trabalho proveitoso, e não do uso de vantagens efêmeras que em muitos casos nos anulam a capacidade de servir.

Não importa a ingratidão, todo aplauso externo é ilusório, o reconhecimento que devemos buscar é o da própria consciência. Se a força humana torturou o Cristo não deixará de nos torturar também. É ilógico disputar a estima de um mundo que mais tarde será compelido a regenerar-se para obter a redenção. Paulo reconhece que às vezes atravessamos grandes ou pequenos períodos de inibições e provações, mas mesmo em circunstâncias difíceis urge endereçar a outros o melhor ao nosso alcance, porque segundo as leis da vida “aquilo que o homem semeia isso mesmo colherá”.

Entendamos que recompensa de semelhante trabalhador não pode ser aguardada no imediatismo do planeta. A colheita não precede à sementeira, tanto quanto o teto não se antepõe à base. Reconhecendo que o domicílio de seus seguidores não se ergue sobre chão do mundo, Jesus prometeu que lhes prepararia lugar na vida mais alta. A criatura que realmente ama em nome do Cristo semeia para a colheita na eternidade, lançando sementes com vistas a futuro mais feliz.

Trabalhemos na sementeira do bem à maneira de servidores provisoriamente distanciados do verdadeiro lar, e observemos a estrada para não cairmos. Discípulo do evangelho não pode se preocupar senão com a vontade de Deus, com o seu trabalho sob as vistas do Pai e com a aprovação da consciência. Sirvamos ao bem simplificando o caminho, pois a vitória real é a vitória de todos, convictos de que não precisamos gastar possibilidades da existência em expectativa e tensão.

Além do mais , se nos mantivermos em Cristo tudo o que necessitamos será feito em nosso favor no momento oportuno, e nossas forças sempre voltarão ao centro de nossa atividade amanhã. Enquanto houver crime e sofrimento, ignorância e miséria no mundo, não podemos encontrar sobre a terra a luz do reino do céu.

24 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 7

TRABALHO E OBRAS E SERVIÇO

“17E JESUS LHES RESPONDEU: MEU PAI TRABALHA ATÉ AGORA, E EU TRABALHO TAMBÉM.” JOÃO 5:17

“45E, LEVANTANDO-SE DA ORAÇÃO, VEIO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, E ACHOU-OS DORMINDO DE TRISTEZA. 46E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46  

“2CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU TRABALHO, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE NÃO PODES SOFRER OS MAUS; E PUSESTE À PROVA OS QUE DIZEM SER APÓSTOLOS, E O NÃO SÃO, E TU OS ACHASTE MENTIROSOS.” APOCALIPSE 2:2  

“19EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ULTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

TRABALHO – É muito comum associarmos obra a trabalho, ou mesmo entendê-los como sendo a mesma coisa, quando na verdade não é. Na conjugação das duas expressões, obra e trabalho (“Conheço as tuas obras, e o teu trabalho,...” Apocalipse 2:2), temos que fazer a necessária distinção. O trabalho, no singular, define que ele é permanente, é algo contínuo. Como ação, vamos dizer que ele é atuante, ativo, representa o componente inestancável do universo, é o mecanismo operacional, significa a sistemática, a força motriz universal.

Em qualquer tempo vamos encontrar o mestre Jesus operando. E o evangelho estabelece incessante trabalho aos que lhes esposam os princípios. Porque o evangelho não é para os que querem salvar a própria pele, é para os que querem fazer.

O cristão não deve se acomodar. Ele não é aprendiz de falso repouso, pois não estamos matriculados em uma escola implementada, e sim em uma escola em implementação. O evangelho de Lucas nos conta que os discípulos dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto, e o Senhor não justificou a inatividade nem mesmo diante do choque ocasionado pelas grandes dores. Logo, se queremos evoluir não temos como fugir do imperativo do trabalho.

Todos, sem exceção, estamos debaixo desse imaperativo. Companheiros que exterminaram intentos nobres e votos edificantes, tanto quanto os que desprezaram projetos superiores e abandonaram as obras voltarão, mais tarde, ao labor reconstrutivo, retomando o serviço que a vida lhes assinala no ponto justo em que praticaram a deserção. O trabalho é contínuo. Basta oferecermos ao repouso restaurativo ou à resistência ao mal mais tempo que o indispensável e cairemos na preguiça ou na cólera que nos desgastam as forças.

A nossa preocupação, ou melhor, a nossa ocupação, deve ser com o trabalho, não com o resultado. Quanto ao resultado o próprio nome já diz, é resultado. É imperioso darmos o nosso melhor, e o próprio Cristo nos recomenda “sede perfeitos”. E é exatamente na condição de perfectibilidade que vamos discernir se a obra é mais de Deus ou mais nossa. Entretanto, não quer dizer que a gente tenha que ficar apreensivo, suando ou sofrendo debaixo do nosso perfeccionismo nas nossas ações. Precisamos de uma dose de paciência pessoal, sabendo que o que manda é a proposta de lisura que estamos adotando em cada ação nossa, sendo cada vez mais autêntico na execução do trabalho.

OBRAS – E você observou que é trabalho, no singular, e obras, no plural. Isso mesmo, está certo.

Obras no plural, pois são relativas. Elas constituem o objeto do trabalho, a consequência dele, componentes que temos objetivado laborar, são os instrumentos para a operacionalidade do trabalho, para que o trabalho possa operar.

Podemos dizer com muita tranquilidade que não existe obra sem trabalho, embora possa haver trabalho sem uma obra efetiva. Obras significam a linha concreta que dimana da gente. Estamos aqui para evoluir, e renovar é jogar a obra para baixo para a construção de outra, de modo que o trabalho seja cada vez mais sublimado. Sem esquecer a necessidade premente de se construir obras que nos projetem para planos espirituais, que promovam o crescimento do ser.

E tem uma coisa muito interessante a ser observada: não há como carregar as nossas obras na bolsa. Os resultados finalísticos, materiais, das obras mais cedo ou mais tarde acabam por se diluir. Longe de querermos desanimar, mas o fato é que achamos que levamos necessariamente conosco tudo aquilo que foi feito. 

Porém, no plano profundo do espírito não levamos o que foi feito, embora tenhamos que apresentar algo no plano utilitarista da vida, no campo horizontal dos interesses humanos. Levamos o substrato essencial que circula em nossa intimidade relativamente à obra que operamos. Deu para entender, ou será que complicou? Levamos conosco a faixa vibracional que circulou a época, quando da realização da obra, e que vai permanecer positiva ou negativamente. Levamos toda a experiência nossa no fazer, e vamos mesmo prestar contas pela maneira como agimos e realizamos cada atitude. Portanto, fica um recado, mais vale o trabalho, às vezes, do que a obra, mais vale o esforço e a dedicação do que o resultado final, e é aí que entra a nossa cota de serviço.

SERVIÇO – O mérito de nossas obras está no esforço que empregamos para realizá-las, como também na pureza das intenções propulsoras de nossos próprios atos.

O serviço define a representação da nossa parte de esforço. É como nós temos operado. Significa aquele trabalho que nós operamos visando o nosso próprio reerguimento pessoal, sem a preocupação com o resultado, que pertence a Deus.

Assim, esse serviço efetivo tem que apresentar um sentido reeducacional. E nessa tarefa nossa, que é intransferível (todos a tem), o objetivo fundamental na vertical da realização (fé), que tem que estar antes do objetivo operacional na horizontal (obras), é a reeducação. Porque no plano superior não se especificará o teor do trabalho sem a consideração devida dos valores morais despendidos.

19 de jun de 2011

Cap 13 -Trabalhar é Viver - Parte 6

CREDE TAMBÉM EM MIM

“19TU CRÊS QUE HÁ UM SÓ DEUS; FAZES BEM. TAMBÉM OS DEMÔNIOS O CRÊEM, E ESTREMECEM.” TIAGO 2:19

“30AMARÁS, POIS, AO SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO, E DE TODA A TUA ALMA, E DE TODO O TEU ENTENDIMENTO, E DE TODAS AS TUAS FORÇAS; ESTE É O PRIMEIRO MANDAMENTO. 31E O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE, É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. NÃO HÁ OUTRO MANDAMENTO MAIOR DO QUE ESTES.” MARCOS 12:30-31 

“1NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1  

“5SUA MÃE DISSE AOS SERVENTES: FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER.” JOÃO 2:5  

“14VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO.” JOÃO 15:14

Todos os homens da Terra, sem exceção, até os próprios materialistas, crêem em alguma coisa. Isso é fato. No entanto, aquele que apenas crê admite, e sempre vai depender dos elementos externos nos quais coloca o objeto de sua crença.

Então, crer todos crêem. Realmente todos crêem, e poucos são aqueles que se iluminam. E aquele que se ilumina vibra e sente. E é livre das influências exteriores por haver bastante luz em seu íntimo. E havendo luz dentro não há escuridão em lugar algum. E vencemos corajosamente nas provações. Aquele que se ilumina cumpre a missão da luz sobre a terra. Não basta acreditar para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos. Obrigação primordial é o esforço, o amor ao trabalho, serenidade nas provas, sacrifício pessoal, entender o evangelho, buscando luz divina para execução dos trabalhos que nos competem.

Falamos em evangelho e pensamos em caridade. A primeira caridade começa e está contida no primeiro mandamento: amar a Deus. Então, veja bem, não é largar Deus, o amar a Deus vem em primeiro lugar. E não é apenas crer em Deus, é amar Deus! Pois os espíritos perversos também sabem que Deus existe e crença por crença há nos planos superiores e inferiores. Além do que, o amor a Deus precisa se manifestar através de realização junto às criaturas filhas dele, afinal, o amor não pode ficar restrito a um plano contemplativo e teórico.

Sim, já acreditamos e reverenciamos a Deus. Temos que crer em Deus amando-o, mas para que tenhamos paz no coração temos que crer também em Jesus (“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.”).

Porque esse amor ao próximo define a manifestação crística, a ingestão crística, a expressão do Cristo em nós, a forma como esse amor se exterioriza, se dinamiza e circula no universo cumprindo o seu papel. Logo, é amar a Deus e crer em Jesus operando. Afinal, importa saber o que estamos fazendo de nossa crença, pois não fomos trazidos à comunhão com Jesus somente para o ato de crer.

Não vale confiar em Jesus e não fazer nada. Crer em Jesus é crer não apenas no sentido restrito de acreditar, é crer operando com aquilo que ele está ensinando, é realizar com aquilo que ele nos propõe, é integrar-se em um trabalho com Ele.

Não te iludas fixando-te exclusivamente em afirmações labiais de fé no Senhor, sem adesão do próprio esforço ao trabalho edificante que nos foi reservado.

Há quem admire a glória do evangelho, porém, a admiração apenas pode transformar-se em êxtase inoperante. Há quem confie no mestre, mas confiança estagnada pode ser força inerte. Ele disse que seremos seus amigos se fizermos o que ele manda. E o conselho de Maria aos serventes, no sentido de “fazerem tudo o que ele vos disser”, foi colocado no princípio de seus trabalhos.

Logo, podemos reverenciar o Cristo aqui e ali, dessa ou daquela forma, resultando invariavelmente alguma vantagem em semelhante norma externa, mas para lhe usufruirmos a sublime intimidade é forçoso ouvirmos a sua afirmação categórica de fazer o que nos manda. Evangelho não nos convida à confiança preguiçosa nos poderes do Cristo, qual se estivéssemos assalariados para funcionar em claques de adoração vazia. Porque não basta acreditar nos fenômenos ou na palavra superior para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos.

Não basta crer intelectualmente no divino mestre, necessário aplicá-lo a nós próprios.

Ele mesmo não se limitou a induzir, demonstrando a própria união com eterno, e consagrou-se a substancializá-lo na construção do bem de todos. Não podemos compreendê-lo sem a integração prática nos seus exemplos. Cabe-nos contribuir na extensão do reino de Deus. Por muito alta a confiança de alguém no poder divino isso não lhe confere o direito de reclamar o bem que não fez.

16 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 5

O MELHOR CAMPO

48E QUANDO O VIRAM, MARAVILHARAM-SE, E DISSE-LHE SUA MÃE: FILHO, POR QUE FIZESTE ASSIM PARA CONOSCO? EIS QUE TEU PAI E EU ANSIOSOS TE PROCURÁVAMOS. 49E ELE LHES DISSE: POR QUE É QUE ME PROCURÁVEIS? NÃO SABEIS QUE ME CONVÉM TRATAR DOS NEGÓCIOS DE MEU PAI?” LUCAS 2:48-49  

27TRABALHAI, NÃO PELA COMIDA QUE PERECE, MAS PELA COMIDA QUE PERMANECE PARA A VIDA ETERNA, A QUAL O FILHO DO HOMEM VOS DARÁ; PORQUE A ESTE O PAI, DEUS, O SELOU.” JOÃO 6:27

“22E SEDE CUMPRIDORES DA PALAVRA, E NÃO SOMENTE OUVINTES, ENGANANDO-VOS COM FALSOS DISCURSOS.” TIAGO 1:22

É fácil notar que o homem do mundo está sempre preocupado com os negócios referentes aos seus interesses efêmeros. De certa forma está sempre decidido a conquistar o mundo, mas nunca disposto a conquistar-se para a esfera mais elevada.

No entanto, deveria entender na iluminação de si mesmo o melhor negócio da Terra.

E falamos isso sem exagero nenhum, e sem nenhum traço de fanatismo. Deveria mesmo ter a iluminação interior como o seu trabalho imediato, porque esse representa o interesse da providência divina a nosso respeito. E o amar a nós mesmos não significa a vulgarização de uma nova teoria de auto-adoração. De forma alguma, pois para nós a egolatria já teve o seu fim, o nosso problema é de iluminação íntima na marcha para Deus. O reino do céu no coração dever ser o tema central de nossa vida. Pensemos nisso, tudo o mais é acessório.

Esse amor deve traduzir-se em esforço próprio, auto-educação, observação do dever, obediência às leis de realização e trabalho, perseverança na fé e desejo sincero de aprender com o mestre Jesus. O trabalho imediato dos tempos modernos deve mesmo ser a iluminação interior do homem, e para isso é preciso avançar no conhecimento superior, ainda que a marcha nos custe suor e lágrimas.

Avançar sempre, sem cessar, pois é preferível que a morte nos surpreenda em serviço a esperarmos por ela inertes em uma poltrona de luxo. E esse desafio a que nos referimos é fascinante. Não existe aventura mais apaixonante no curso da existência mortal do que o regozijo de atuar como sócio da vida material que se une à energia espiritual e à verdade divina. É uma experiência maravilhosa e transformadora tornar-se o canal vivo da luz espiritual para tantos irmãos que se encontram na escuridão do espírito. E só sente isso quem vibra e ama.

O tempo passa. Em seu ritmo inalterável ele segue, firme, constante, incansável. E se você acha que a solução do céu às suas rogativas demora, recorde que a inércia nada soluciona. Após haver rogado o favor da infinita bondade lembre-se que a hora de crise é a hora de luta, e também ocasião para os melhores testemunhos de fé. Todos, indistintamente, passamos por isso. Para qualquer um de nós chega sempre o minuto das grandes hesitações, todos somos surpreendidos pelo dia nublado de incerteza em que nos reconhecemos perplexos. Só não vale esquecer que a hora da incerteza é o instante da prece e que quando a sombra chega é o momento para se fazer luz.

O mundo é de luta. E pela vitória em cada etapa, antes de resolvermos o nosso problema entramos em um terreno que nos abre oportunidade ampla de cooperação.

No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente notamos que a nossa aprendizagem, que era totalmente efetuada pelo impacto de fora para dentro, em cima de dificuldades sobre nós, passa a se fazer de forma suave e tranquila, mediante processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve.

Ninguém é diferente de ninguém, todos buscamos a mesma coisa, reconforto e harmonia. Ao investirmos com carinho, abnegação, sacrifício e determinação no que aceitamos fazer nós aprendemos no trabalho e não mais debaixo das lágrimas, da tristeza e da frustração. Isso é que é importante para nós, estamos aprendendo algo novo agora, aprendendo a trabalhar para nos realizar.

O plano aplicativo nos terrenos do bem é hoje o melhor campo e o ponto positivo para se revolver problemas.

E guardemos uma coisa: se nós, necessitados, não trabalharmos como cooperadores ou doadores na faixa em que nos mantemos situados ficamos presos e amarrados às nossas carências. Quanto mais nos recolhemos a nós próprios mais apertado fica o cerco. E isso não é algo que eu estou inventando, é da lei!

O serviço é o preço da caminhada libertadora e santificante pelo qual sombras pretéritas são saneadas e dissipadas. Pode parece estranho, mas operando no bem liquidamos muita coisa de nosso passado complicado no encaminhamento da vida sem saber. É pela linha horizontal que estamos tentando resolver o problema particular da nossa vida. Só o trabalho digno confere ao espírito o merecimento indispensável a quaisquer direitos novos, fazendo algo pelo bem alheio para encontrarmos o nosso, ajudando para sermos ajudados, consolando para termos consolo. E a fixação do que recebo depende da minha capacidade de transferir. A concessão do que recebemos é sempre relativa, é para o trabalho. Conhecimento nos dá luz, no plano interior, trabalho dinamiza a luz no plano prático.

O trabalho em favor dos outros nos coloca em patamares de melhor compreensão da vida. E muitas vezes a compreensão e o trabalho nos campos do amor não subtraem o peso, mas propiciam o aumento da resistência no campo da força. No sufoco nós queremos a retirada do problema e os espíritos nos dão recursos.

Recebido o trabalho que a confiança celeste nos permite efetuar usemos a oportunidade para nossa elevação, pois somente pela cooperação encontramos a verdadeira segurança íntima. E pode ficar tranquilo, a partir do momento que você passa a dar, efetivamente, dentro de pouco tempo você vai estar atendido perfeitamente dentro de um suprimento da misericórdia, que tudo abrange.

O reino divino está dentro de nós. No entanto, o caminho para o reino de Deus, que está dentro de nós, passa pelo irmão em necessidade que está fora de nós.

De forma que todo trabalho é de ordem pessoal a ser operado em regime social.

Porque se trabalharmos sozinhos vamos aprender a viver e a felicidade não está no viver, está no conviver. Pelo viver elegemos estratégias interiores e valores pessoais e pelo conviver aprendemos a aplicar luzes que incrustamos interiormente.

O conviver define que a evolução é aqui dentro, no entanto, ela opera no campo interpessoal sempre. Então, o ponto fundamental da realização é o mundo íntimo e o laboratório para isso é o mundo exterior. Nós operamos e, consequentemente, trabalhamos o íntimo, opera-se e trabalha-se o íntimo. Vamos operar fora de nós no campo horizontal da vida, mas visando o nosso crescimento íntimo com segurança. E aquilo que fazemos aos outros é um instrumento que a espiritualidade nos concede para podermos trabalhar o nosso interior.

12 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 4

O MOMENTO É AGORA

PORQUE DIZ: OUVI-TE EM TEMPO ACEITÁVEL E SOCORRI-TE NO DIA DA SALVAÇÃO; EIS AQUI AGORA O TEMPO ACEITÁVEL, EIS AQUI AGORA O DIA DA SALVAÇÃO”. II CORÍNTIOS 6:2

É considerável o número de pessoas que se dizem interessadas na lavoura do bem. 

No entanto, para cultivá-la esperam a execução de negócios imaginários, a aquisição de poder, a solução de problemas, a realização de objetivos imprescindíveis, a posse do ouro fácil, a chegada de prêmios fortuitos. Esperam, esperam e esperam.

E complicando a própria estrada observam-se, de chofre, em presença da morte, quando menos contavam com semelhante visita. E o que queremos dizer com isso? Que muitos se despertam tão somente no instante da morte corporal, em soluços tardios.

Raras são as pessoas que conseguirão afirmar que desconhecem as tentações e os riscos do nevoeiro na estrada evolutiva. Realizar, crescer, ascender, evoluir, não é e nunca foi fácil. Mas todos nós hoje, transformados ao clarão da verdade, podemos caminhar por trilha adiante renascidos na alvorada do conhecimento superior para o trabalho da luz. Se experimentamos o coração chamado à verdade pelo esclarecimento do evangelho compreendamos que a salvação terá efetivamente chegado a nós. E, sobretudo, não nos detenhamos em frases de choro ou lamentação perdendo mais tempo sobre o tempo já perdido.

Reconheçamos com o apóstolo Paulo que o tempo sobremodo oportuno para a nossa salvação, ou melhor, para a corrigenda de nossos erros e aproveitamento da nossa vida chama-se agora. O momento não é outro, é agora. Se nós formos esperar melhores condições espirituais para servir talvez nem cheguemos a começar. Se nós formos esperar o saneamento completo do nosso psiquismo no campo dos débitos para iniciarmos as obras com certeza iremos ficar esperando indefinidamente e, provavelmente, nem iniciaremos nada.

E ninguém alegue desconhecimento do propósito divino. A ligação nossa com o Cristo e a comunhão com a divina luz não dependem do modo de se interpretar as revelações do céu. O dever, por ser mais duro, constitui a vontade do Senhor, e a consciência, sentinela vigilante do eterno, a menos esteja o homem dormindo ao nível do bruto, permanece sempre apta a discernir o que constitui obrigação e o que representa fuga. Mas é claro que sem estar bem vai ser muito difícil alguém cooperar bem com os outros. Temos que estar bem.

Mas também temos que começar a despertar o nosso campo de cooperação. Além do que, nós sabemos que a melhor maneira de esperar é fazer. Esperar fazendo, porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona. E nós todos provavelmente já passamos por experiência desse tipo, de decepção mediante a espera na inércia.

Dessa forma, nós iniciamos as obras portando as nossas deficiências e colocando a vontade divina acima de nossos desejos a vontade divina nos aproveitará sempre. Porque no momento em que estamos trabalhando interiormente é como se estivéssemos à mercê da destinação inteligente e sábia do criador.

Enquanto muitos esperam o apocalipse desabar nós temos o trabalho à nossa disposição.

Sim, isso mesmo. Continuamente conversamos com pessoas e elas reclamam do mundo. Que o mundo oferece frustração, dor, desespero, crueldade. Mas ele oferece também a capacidade de entender, de auxiliar, de exercer a compaixão, disponibiliza infinitas oportunidades de trabalho. Logo, o chão para semear, a ignorância para ser instruída, a lágrima para ser enxugada, a esperança para ser reerguida, a dor para ser consolada são apelos que o céu envia sem palavras ao mundo inteiro. E o problema não é gênero de tarefa, mas de compreensão da oportunidade recebida. Enfim, onde a vida nos situe aí recolheremos todo dia múltiplas ocasiões de fazer o bem. Em qualquer posição e em qualquer tempo estamos cercados pelas possibilidades de serviço com o salvador.

Muitas criaturas envolvidas em um reconforto amplo já se perguntam se a vida se resume à faixa de ação rotineira ou se existe algo para além da estrutura enlaçada nos compromissos meramente sociais e na busca das satisfações temporárias.

Porque a claridade que nos domina já nos faz questionar acerca do que temos feito. E realmente já sentimos no coração uma vontade grande de ser útil, já percebemos que precisamos oferecer alguma coisa mais à vida. Pelo levantamento de nossos potenciais analisemos até onde somos carentes e necessitados e onde inicia capacidade de cooperar como integrantes do batalhão socorrista.

A primeira mostra do desígnio da providência, seja onde for, aparece no dever a que somos chamados na construção do bem comum. Sejamos leais ao encargo que nos compete. É possível muitas vezes não correspondam aos nossos desejos, mas lembremo-nos de que Jesus não nos situaria o esforço pessoal onde nosso concurso fosse desnecessário. É preciso que cada um trabalhe na posição adequada em que está ajustado, não se fazendo indiferente às ordenações da máquina de trabalho.  

Além do que, o Senhor nunca nos solicitou o impossível, e nunca exigiu da criatura falível espetáculos de grandeza compulsória. Evidentemente, você não pode garantir a felicidade do mundo em que se encontra, de maneira constante, mundo este sob o impacto das lutas evolutivas que lhe orientam a marcha.

No entanto, ninguém está impedido de cultivar a terra em que vive, amparando uma árvore ou alentando uma flor. Não podes curar as chagas sociais indesejáveis, porém compreensíveis numa coletividade de espíritos imperfeitos que somos, em regime de correção e aperfeiçoamento, contudo, ninguém está impossibilitado de proceder honestamente e apoiar os semelhantes com a força moral do bom exemplo. Não podes socorrer a todos os enfermos que choram na terra, entretanto, ninguém está proibido de atenuar a provação de um amigo ou vizinho, propiciando-lhe a certeza de que o amor não desapareceu dos caminhos humanos.

Logo, não te afaste da prática do bem, sob o pretexto de nada conseguires realizar contra o domínio das atribulações que lavram o planeta. Persevera no serviço e prossegue adiante. Com boa vontade fiel Jesus nos auxiliará quanto ao resto.

8 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 3

ESPERAS RECÍPROCAS

“16POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. PORVENTURA COLHEM-SE UVAS DOS ESPINHEIROS, OU FIGOS DOS ABROLHOS?” MATEUS 7:16  

“20PORTANTO, PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS.” MATEUS 7:20

O movimento é inerente a toda extensão do universo, onde não existe vácuo e inércia e a vibração a tudo interpenetra e move. E o nosso grande desafio é transformar movimento em trabalho, que é a aplicação de forças e faculdades humanas para o alcance de determinado fim, resultado útil do funcionamento de uma máquina, ação contínua e progressiva de força natural e o resultado dessa ação.

Não faz muito tempo atrás e tínhamos uma concepção de que nossa segurança dependia do mundo exterior. Ela dependia de coisas extrínsecas a nós. Agora observamos em volta, sem necessidade de muita profundidade, e notamos que o tempo que passa não oferece segurança a ninguém, entendemos que não é bem assim.

A meta de cada um de nós é alcançar um sistema de equilíbrio pessoal, uma realização que possa garantir reconforto e harmonia interior. No entanto, queremos manter nossa vida dentro de um processo acentuadamente passivo, e em razão disso é que o apocalipse está ameaçando muita gente nos dias de hoje.

O trabalho é uma condição de saúde e equilíbrio. Bem fixado nos objetivos ele é componente de segurança para o aflito. Mais do que isso, ele é ponto de referência sobre o qual nos edificamos, é instrumento de projeção. Vamos recordar o exemplo do benfeitor excelso e não procuremos segurança íntima fora do dever corretamente cumprido, mesmo que isso nos custe o sacrifício supremo.

Vale lembrar que em muitas ocasiões propomos a benfeitores espirituais a realização de determinados serviços que, acima de tudo, são oportunidades de trabalho que o Senhor nos oferece.

Temos que entender que Deus cria. Ele é o criador em toda a extensão universal. Dele dimanam as linhas direcionais do amor e do equilíbrio universais.

Então, Deus cria! Ele não faz, não opera. Pode ter certeza, Deus não vai trabalhar na área operacional do universo porque isso não é com Ele. Ele apenas distribui os padrões, até porque o crescimento de todos os seus filhos está exatamente nessa operacionalização. Além do que, se não houver isso não temos nem sequer campo de crescimento. Logo, todo o plano dinâmico no universo é operado pelos seres seus filhos, espíritos encarnados e desencarnados.

Queiramos ou não, diante da grandeza do criador somos os seus instrumentos, somos a mão de Deus. Assim funciona, o Pai dispõe e o filho opera, trabalha, realiza. Somos nós os operários da grande obra, porque não existe pai sem filho e aqui se opera sob a tutela da bondade do alto. Ao dizer “eu e o pai somos um” Jesus vem definir que Deus dispõe e ele realiza. O filho é quem faz, o pai não faz. Em todo universo quem faz somos nós, e o mestre veio para nos ensinar a fazer. Existe pai e existe filho, o pai se completa com o filho, Ele cria e nós fazemos.

E basta alcançarmos o mínimo de sensibilização para nos certificarmos que não podemos mais ser meros espectadores dos acontecimentos. Não estamos aqui querendo fazer drama, longe disso, mas existe um mundo chorando à nossa volta. E a cada momento somos solicitados a ajudar alguém de alguma maneira.

Somos convocados a auxiliar na faixa de ação em que estamos situados. Porque por menores sejam as nossas possibilidades encontramo-nos integrados em um território de cooperação. As linhas de procedimento religioso não objetivam apenas o conhecimento de que estamos aqui e Deus está lá. Mas propõe um esforço de integração para além da consciência formativa pela instauração de um processo dinâmico de trabalho, realização e amor. Por uma coisinha muito simples: não há como evoluir daqui para frente em campo teórico.

É imprescindível ultrapassarmos a posição sistemática que cultivamos de eternos auxiliados para nos engajarmos no agrupamento dos auxiliadores. Não adianta fugir, negar ou se esquivar, mais cedo ou mais tarde todos nós temos que entrar na luta para cooperar. Porque se não operarmos tornamo-nos mendigos da evolução e mais vale auxiliar hoje do que ser auxiliado amanhã. Jesus com Deus opera, e nós com o Cristo realizamos. Cedamos algo de nós em favor dos outros pelo muito que outros fazem por nós. E sem reclamar. É só refletir que se temos braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem de outros somos superiores ao rei com um mundo de moedas, mas sem coragem de ajudar.

A vida terrestre é rápida demais e representa uma oportunidade vastíssima cheia de portas e horizontes para a eterna luz. E muitos se conscientizam disso após longo tempo.

Se muitas palavras sonoras proporcionam simplesmente a impressão daquela figueira condenada, que não produzia, o fruto revela a árvore, como a obra fala do homem. Analisemos os frutos de nossa vida, o que estamos realmente exteriorizando, para saber se beneficiam nossos irmãos. Qualquer criatura que se consagre à verdade dará testemunho de nós pela substância de nossa colaboração no progresso comum.

Desde as eras mais remotas trabalham os agrupamentos religiosos pela obtenção dos favores celestes. No entanto, se temos confiança em Deus ele também confia em nós para que possamos refletir o seu pensamento junto aos corações em sofrimentos maiores que os nossos. Se esperamos por Ele é natural que Ele igualmente espere por nós. Os homens esperam por Jesus e Jesus espera igualmente pelos homens, e ninguém duvide dessa expectativa a nosso respeito.

Pedimos ao alto, lançamos nossas orações ao céu, suplicamos ao espírito amigo e benfeitor que nos socorra, que nos ampare, nos ajude, nos atenda, mas eles também estão pedindo de nós outros uma resposta. Se na extinção de nossos problemas pequeninos requisitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de concurso na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo.

Sendo assim, na essencialidade não somos nós que esperamos pela luz divina, é a divina luz, força do céu ao nosso lado, que permanece esperando por nós. Antes de querermos o amparo superior o criador espera de nós cooperação divina.

E essa espera é porque de cima para baixo não existe apenas auxílio, mas, sobretudo investimento.

A espiritualidade vem investindo em nós muito mais do que a gente pensa. Investindo de forma ampla para a grande tarefa nossa de ajudar. Esse investimento superior objetiva fazer de qualquer um de nós instrumento útil da vontade de Deus. Porque estamos aqui para refletir o pensamento divino segundo a nossa capacidade no contexto em que estamos situados. Toda criatura recebe do supremo senhor o dom de servir como ministério essencialmente divino.

Enfim, Deus nos aguarda nos outros. Todos os seres estão convocados a piso de trabalho em novas bases. Não recebemos o corpo ao renascer apenas para repousar. E, naturalmente, não nos querem os benfeitores do além para eternos necessitados da casa de Deus e, sim, para companheiros dos gloriosos serviços do bem.

O servo que deixa de ser inútil é aquele que passa a operar de maneira abrangente, para além das obrigações e deveres. Faz além do que lhe é obrigado fazer. E a beleza de nossa utilidade se dá quando nós operamos com aquele espírito gratificado pelo dever cumprido. Basta a gente reparar Jesus e toda a beleza do evangelho de luz e facilmente perceberemos que o nosso problema não é o de ganhar primeiro para fazer depois, mas sim fazer para ganhar.

5 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 2

A SALVAÇÃO

ESTA É UMA PALAVRA FIEL, E DIGNA DE TODA A ACEITAÇÃO, QUE CRISTO JESUS VEIO AO MUNDO, PARA SALVAR OS PECADORES, DOS QUAIS EU SOU O PRINCIPAL.” I TIMÓTEO 1:15  

E DISSE-LHE JESUS: EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO. LUCAS 23:43  

“EIS AGORA O TEMPO SOBREMODO OPORTUNO, EIS AGORA O DIA DA SALVAÇÃO”. II CORÍNTIOS 6:2

Se for para darmos a legítima significação, salvar significa livrar de ruína ou perigo, é conservar, defender, abrigar. Sendo assim, a salvação, ou redenção, resgate, libertação de ônus mediante pagamento de importância equivalente, desoneração, recuperação de falta, reabilitação, livrar-se de perigo, é assunto das religiões.

Inclusive, muitos acreditam que salvação é livrar-se de todos os riscos na conquista da suprema tranquilidade. Em outras palavras, salvação pessoal é assunto religioso, e grande parte da humanidade está apenas querendo salvar a própria pele.

De alguma forma, todos nós acreditávamos que salvação era salvaguardar-se dos pecados por meio de uma sistemática de vida restrita ao refreamento, ou seja, não fazer nada complicado.

No entanto, o nosso caso aqui, que buscamos conhecer o evangelho com maior profundidade e esclarecimento, já não é meramente buscar a salvação pessoal. Objetivo não é ver se passamos correndo pelo inferno ou umbral tão logo ocorra a nossa morte ou desencarne. Não, de forma alguma, isto já está ultrapassado, é idéia de séculos passados e já era. A proposta está para muito mais além.

Dentro de uma ótica mais elástica, salvar se mantém filosófico e religioso no plano histórico, e científico e libertador no plano prático da vida. Sabe por quê? Por que nenhum dos termos alusivos ao salvar que mencionamos acima exime o espírito da responsabilidade de se conduzir e se melhorar. Além do que, a salvação por si somente não interrompe ou finaliza nada. Não é um ponto final na evolução.

Quer um exemplo? Imagine um grande navio fazendo longa viagem, cruzando mares. Salvo de risco iminente que surge ele não fica exonerado de prosseguir a viagem da qual deverá continuar, e na qual enfrentará naturalmente perigos novos. Da mesma forma, um doente salvo momentaneamente da morte não se livra do imperativo de continuar realizando suas tarefas na existência, onde enfrentará inevitavelmente novos desafios, sobrepujando percalços e tentações.

É digna de nota a afirmativa do apóstolo Paulo de que Jesus veio ao mundo salvar os pecadores (“Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” I Timóteo 1:15), e vamos reconhecer que salvar não significa arrebatar os filhos de Deus da lama da terra para que fulgurem, de imediato, entre anjos do céu.

Porque salvar, em análise correta, não é divinizar, projetar ao céu, conferir a alguém por meio de magia sublimatória ou fornecer passaporte para a intimidade com Deus.

Na passagem do bom ladrão, por exemplo (“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23:43), para o religioso místico ele já partiu da cruz direto com Jesus, um ao lado do outro, para as alturas. O que seria uma condição totalmente fora de uma lógica que marca o texto bíblico.

Ao dizer que ainda hoje estaria com Ele no paraíso, Jesus faz uma referência ao paraíso conceitual. Representa propiciar uma abertura para a criatura, quando do desabafo dela, pela qual se lhe tira o peso do problema mostrando-lhe uma perspectiva nova. É visualização de componentes de libertação, como se entregasse um mapa (bússola ou GPS) àquele que se encontra perdido na selva.

Jesus veio ao mundo salvar os pecadores. Porém, a redenção do espírito encarnado consiste no resgate de suas dívidas e, consequentemente, na aquisição de valores morais que o eleva a novos e sublimes horizontes no plano do infinito. E como a oportunidade de resgatar a culpa já é em si mesma um ato de misericórdia divina, o Cristo nos salva ensinando-nos como nos erguer da treva para a luz.

Por isso, a salvação não é aquela que pretende investir-nos ingenuamente na posse de títulos angélicos, quando somos criaturas humanas com necessidade de aprender, evoluir, acertar e retificar. Mas salvação como o auxílio do alto para que estejamos no conhecimento de nossas obrigações diante da lei, dispostos a esposá-las e a cumpri-las.

Salvar não é, em tempo algum, situar alguém na redoma da preguiça, à distância do suor na marcha evolutiva, tanto quanto o triunfar não significa deserção do combate. Imaginar a salvação fora da auto-educação de nossas almas é utopia dogmática incompatível com a atualidade. Salvar é educar. E educar é desenvolver os poderes do espírito aplicando-os na conquista de estados cada vez mais elevados. Salvar é subir, é gravitar de um céu para outro céu, numa ascensão contínua e intérmina. E se a questão não é salvarmos nosso espírito, temos a salvação por iluminação de nós mesmos a caminho de aquisições e realizações no infinito. Salvar é levantar, é iluminar, ajudar e enobrecer. E salvar-se é educar-se alguém para poder educar os outros.

E quando nós descobrimos o grande lance e objetivo da vida nós começamos a lutar com todo carinho por um processo de vida que não fique apenas no salvar-se.

Alguém pode dizer: “Eis que eu me salvei!” E daí? Salvou prá que? Essa é a grande questão.

Com certeza foi para operar em favor de alguma coisa! Falamos disso no final do capítulo anterior (O Filho do Homem). Chegamos até a mencionar como exemplo um navio em alto mar. Veja bem, vai salvar um navio que ia afundar. Mas salvar a embarcação para que? Para colocá-la no porto? Deixar o navio que estava afundando ancorado lá para todo mundo admirar: “Foi salvo!” Não! Pelo amor de Deus, não!

Não se trata apenas de bater palma porque o navio não afundou. O navio foi salvo para poder entrar no oceano outra vez.

Por isso o nosso objetivo é nos projetar para além da salvação. Porque salvar tem um objetivo, ninguém vai salvar nada que não tenha utilidade. A idéia é salvar para operar, salvar para novas aplicações. A indagação é: o que fazer com o navio agora? Com o navio que não afundou. Qual vai ser a rota que ele vai percorrer.

A conclusão é que o seguidor do evangelho trabalha com a rota do componente salvo. O trabalho é saber nossa capacitação em função da nossa manutenção de vida. Primeiro arregimentamos conhecimento para nos salvarmos, depois aprendemos para cooperar melhor.

1 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 1

CHORAR NÃO RESOLVE

“16E AGORA POR QUE TE DETÉNS? LEVANTA-TE, E BATIZA-TE, E LAVA OS TEUS PECADOS, INVOCANDO O NOME DO SENHOR.” ATOS 22:16  

“8PORQUE NOUTRO TEMPO ÉREIS TREVAS, MAS AGORA SOIS LUZ NO SENHOR; ANDAI COMO FILHOS DA LUZ.” EFÉSIOS 5:8

A morte para uma enormidade de criaturas no plano físico ainda é considerada um ponto final aos problemas. Consideram que morreu, acabou. O túmulo chega mesmo a ser considerado como a representação e o repositório das últimas esperanças.

E não é apenas isso, a questão vai bem mais além. Muitas pessoas acreditam serem privilegiadas da infinita bondade por haverem abraçadas atitudes de superfície nos templos religiosos, ou se consideram credores da redenção celeste pela simples arregimentação de valores intelectivos. No entanto, meus amigos, não acreditemos em comunhão com a divina majestade simplesmente porque nos façamos cuidadosos no culto externo da religião que afeiçoamos. Sabemos que a passagem pelo sepulcro por si só não nos coloca em terra milagreira, sempre nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras.

É comum as criaturas humanas chorarem diante das contrariedades e dos dissabores da vida. Pode-se até dizer que trazemos isso desde os primeiros dias do nascimento. É assim que crescemos, é assim com o bebê. Ele sente frio, ou sede, está molhado, e começa a chorar. Investe suas poucas energias no choro. Chora sem economias e uma mão mágica surge do desconhecido para satisfazer a sua mínima necessidade. Crescemos assim, exteriorizando nossas decepções, nossas mínimas contrariedades, nossos desgostos, com choros, com semblante fechado, porque no fundo nos consideramos aqueles bebês que tem suas necessidades realizadas, clamamos por mãos mágicas para suprir-nos os caprichos.

A gente cresce e vai descobrindo que não é tanto por aí. A grande verdade é que a natureza não se perturba para satisfazer os pontos de vista de quem quer que seja.

É isso mesmo. Não tenho pretensão nenhuma de desapontá-lo ou entristecê-lo, mas a aflição não resolve problemas. E tampouco vale a chuva de lágrimas despropositadas diante da insatisfação ou da falta cometida, pois elas não substituem o suor que cada qual deve verter em benefício da própria felicidade.

Você fica desesperado, chateado, entristecido, frustrado. Por algum motivo pessoal você começa a chorar. Entra no quarto, às vezes por horas, outras por dias, e chora, chora. Muito da sua vida perdeu o sentido e você só pensa em chorar.

E eu sou obrigado a repetir o que disse agora. Lágrima não substitui suor. De forma alguma. Quando acabamos de chorar estamos na mesma situação. Pois felicidade é com suor, não é com lágrima. Às vezes nós temos mesmo que chorar, porque o choro desonera, extravasa, desoprime, mas o choro não pode nos paralisar. Às vezes temos que chorar até mesmo para valorizar o suor, e até custamos a aprender que o suor é o componente que realmente nos propicia.

É grande o número de criaturas que buscam o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Você já pensou nisso? Tantos outros se apegam à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada.

Transitamos pelos mais diversos ambientes em nossa passagem terrestre e nos deparamos com aquelas pessoas que cultuam o sofrimento e sentem um velado prazer nisso. Se analisarmos, enquanto alimentam o sofrimento sentem-se desoneradas de certos compromissos para com a própria vida. Muitos outros por sua vez sofrem e realmente buscam o auxílio, no entanto, engana-se quem pensa que querem o progresso. Não querem o progresso, querem livrar-se da doença, mas não querem se curar, pode-se dizer que objetivam fazer quando melhorarem as mesmas coisas que faziam antes de adoecer.

É importante fazermos certo balanço pessoal de vez em quando acerca das horas gastas com lamentações prejudiciais. E o desculpismo sempre foi a porta de escape daqueles que abandonam as próprias obrigações. Haja desculpa para tudo.

E são tantas as evasivas, e tão veementes aparecem, que os ouvintes mais argutos terminam-se convencidos de que se encontram à frente de grandes sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até a sustentá-las na fuga.

Porém, é inútil ficar assentado lamentando-se dos infortúnios reais ou imaginários.

Não se pode fugir do ego infeliz. Ninguém pode. Você e os seus problemas são reais e não pode escapar deles enquanto viveres. Por isso, não te percas desse modo na lamentação indébita, no choro despropositado. Muitos convidados para a lavoura da luz, engodados por si próprios acordam para a verdade em momento tardio, atados às ruinosas consequências da própria leviandade e das quedas, e não encontram outra providência senão a de esperarem por outras reencarnações.

Vamos aprender uma coisa juntos agora? Aprender, guardar e levar com a gente sempre?

A inércia é uma ilusão, o tédio uma deserção e a preguiça é fuga que a lei pune com aflições da retaguarda, porque o progresso é um comboio de rodas infatigáveis que releva para trás os que se rebelam contra os imperativos da frente.

Às vezes, quando fincamos o pé nos aspectos da retaguarda é porque não estamos querendo enxergar a realidade do progresso. É óbvio que todos atravessamos obscuros labirintos antes de atingirmos adequado roteiro espiritual. Em múltiplas circunstâncias erros e enganos nos povoaram a mente com remorsos e arrependimentos tardios, mas isso não justifica o choro estanque.

Deixemos de alegar tropeços e culpas, inibições e defeitos para a fuga de responsabilidades que nos competem. Não aleguemos fraqueza, inaptidão, desalento ou penúria para desistirmos do lugar que nos cabe no edifício do bem.

Podemos ter estado em trevas até o dia de ontem. De repente, achávamo-nos na condição do viajor que jornadeia circulado de sombras, tropeçando aqui e ali, sem o preciso discernimento. Mas hoje, que tudo se faz claro em derredor, que a luz maior nos alcança, fujamos de dramatizar desencantos e fixar desacertos. Eliminemos queixas e recriminações que complicam e desajudam, ao invés de simplificar e ajudar. O tempo agora é outro, e o tempo é nosso aliado.

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