5 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 2

A SALVAÇÃO

ESTA É UMA PALAVRA FIEL, E DIGNA DE TODA A ACEITAÇÃO, QUE CRISTO JESUS VEIO AO MUNDO, PARA SALVAR OS PECADORES, DOS QUAIS EU SOU O PRINCIPAL.” I TIMÓTEO 1:15  

E DISSE-LHE JESUS: EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO. LUCAS 23:43  

“EIS AGORA O TEMPO SOBREMODO OPORTUNO, EIS AGORA O DIA DA SALVAÇÃO”. II CORÍNTIOS 6:2

Se for para darmos a legítima significação, salvar significa livrar de ruína ou perigo, é conservar, defender, abrigar. Sendo assim, a salvação, ou redenção, resgate, libertação de ônus mediante pagamento de importância equivalente, desoneração, recuperação de falta, reabilitação, livrar-se de perigo, é assunto das religiões.

Inclusive, muitos acreditam que salvação é livrar-se de todos os riscos na conquista da suprema tranquilidade. Em outras palavras, salvação pessoal é assunto religioso, e grande parte da humanidade está apenas querendo salvar a própria pele.

De alguma forma, todos nós acreditávamos que salvação era salvaguardar-se dos pecados por meio de uma sistemática de vida restrita ao refreamento, ou seja, não fazer nada complicado.

No entanto, o nosso caso aqui, que buscamos conhecer o evangelho com maior profundidade e esclarecimento, já não é meramente buscar a salvação pessoal. Objetivo não é ver se passamos correndo pelo inferno ou umbral tão logo ocorra a nossa morte ou desencarne. Não, de forma alguma, isto já está ultrapassado, é idéia de séculos passados e já era. A proposta está para muito mais além.

Dentro de uma ótica mais elástica, salvar se mantém filosófico e religioso no plano histórico, e científico e libertador no plano prático da vida. Sabe por quê? Por que nenhum dos termos alusivos ao salvar que mencionamos acima exime o espírito da responsabilidade de se conduzir e se melhorar. Além do que, a salvação por si somente não interrompe ou finaliza nada. Não é um ponto final na evolução.

Quer um exemplo? Imagine um grande navio fazendo longa viagem, cruzando mares. Salvo de risco iminente que surge ele não fica exonerado de prosseguir a viagem da qual deverá continuar, e na qual enfrentará naturalmente perigos novos. Da mesma forma, um doente salvo momentaneamente da morte não se livra do imperativo de continuar realizando suas tarefas na existência, onde enfrentará inevitavelmente novos desafios, sobrepujando percalços e tentações.

É digna de nota a afirmativa do apóstolo Paulo de que Jesus veio ao mundo salvar os pecadores (“Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” I Timóteo 1:15), e vamos reconhecer que salvar não significa arrebatar os filhos de Deus da lama da terra para que fulgurem, de imediato, entre anjos do céu.

Porque salvar, em análise correta, não é divinizar, projetar ao céu, conferir a alguém por meio de magia sublimatória ou fornecer passaporte para a intimidade com Deus.

Na passagem do bom ladrão, por exemplo (“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23:43), para o religioso místico ele já partiu da cruz direto com Jesus, um ao lado do outro, para as alturas. O que seria uma condição totalmente fora de uma lógica que marca o texto bíblico.

Ao dizer que ainda hoje estaria com Ele no paraíso, Jesus faz uma referência ao paraíso conceitual. Representa propiciar uma abertura para a criatura, quando do desabafo dela, pela qual se lhe tira o peso do problema mostrando-lhe uma perspectiva nova. É visualização de componentes de libertação, como se entregasse um mapa (bússola ou GPS) àquele que se encontra perdido na selva.

Jesus veio ao mundo salvar os pecadores. Porém, a redenção do espírito encarnado consiste no resgate de suas dívidas e, consequentemente, na aquisição de valores morais que o eleva a novos e sublimes horizontes no plano do infinito. E como a oportunidade de resgatar a culpa já é em si mesma um ato de misericórdia divina, o Cristo nos salva ensinando-nos como nos erguer da treva para a luz.

Por isso, a salvação não é aquela que pretende investir-nos ingenuamente na posse de títulos angélicos, quando somos criaturas humanas com necessidade de aprender, evoluir, acertar e retificar. Mas salvação como o auxílio do alto para que estejamos no conhecimento de nossas obrigações diante da lei, dispostos a esposá-las e a cumpri-las.

Salvar não é, em tempo algum, situar alguém na redoma da preguiça, à distância do suor na marcha evolutiva, tanto quanto o triunfar não significa deserção do combate. Imaginar a salvação fora da auto-educação de nossas almas é utopia dogmática incompatível com a atualidade. Salvar é educar. E educar é desenvolver os poderes do espírito aplicando-os na conquista de estados cada vez mais elevados. Salvar é subir, é gravitar de um céu para outro céu, numa ascensão contínua e intérmina. E se a questão não é salvarmos nosso espírito, temos a salvação por iluminação de nós mesmos a caminho de aquisições e realizações no infinito. Salvar é levantar, é iluminar, ajudar e enobrecer. E salvar-se é educar-se alguém para poder educar os outros.

E quando nós descobrimos o grande lance e objetivo da vida nós começamos a lutar com todo carinho por um processo de vida que não fique apenas no salvar-se.

Alguém pode dizer: “Eis que eu me salvei!” E daí? Salvou prá que? Essa é a grande questão.

Com certeza foi para operar em favor de alguma coisa! Falamos disso no final do capítulo anterior (O Filho do Homem). Chegamos até a mencionar como exemplo um navio em alto mar. Veja bem, vai salvar um navio que ia afundar. Mas salvar a embarcação para que? Para colocá-la no porto? Deixar o navio que estava afundando ancorado lá para todo mundo admirar: “Foi salvo!” Não! Pelo amor de Deus, não!

Não se trata apenas de bater palma porque o navio não afundou. O navio foi salvo para poder entrar no oceano outra vez.

Por isso o nosso objetivo é nos projetar para além da salvação. Porque salvar tem um objetivo, ninguém vai salvar nada que não tenha utilidade. A idéia é salvar para operar, salvar para novas aplicações. A indagação é: o que fazer com o navio agora? Com o navio que não afundou. Qual vai ser a rota que ele vai percorrer.

A conclusão é que o seguidor do evangelho trabalha com a rota do componente salvo. O trabalho é saber nossa capacitação em função da nossa manutenção de vida. Primeiro arregimentamos conhecimento para nos salvarmos, depois aprendemos para cooperar melhor.

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