8 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 3

ESPERAS RECÍPROCAS

“16POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. PORVENTURA COLHEM-SE UVAS DOS ESPINHEIROS, OU FIGOS DOS ABROLHOS?” MATEUS 7:16  

“20PORTANTO, PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS.” MATEUS 7:20

O movimento é inerente a toda extensão do universo, onde não existe vácuo e inércia e a vibração a tudo interpenetra e move. E o nosso grande desafio é transformar movimento em trabalho, que é a aplicação de forças e faculdades humanas para o alcance de determinado fim, resultado útil do funcionamento de uma máquina, ação contínua e progressiva de força natural e o resultado dessa ação.

Não faz muito tempo atrás e tínhamos uma concepção de que nossa segurança dependia do mundo exterior. Ela dependia de coisas extrínsecas a nós. Agora observamos em volta, sem necessidade de muita profundidade, e notamos que o tempo que passa não oferece segurança a ninguém, entendemos que não é bem assim.

A meta de cada um de nós é alcançar um sistema de equilíbrio pessoal, uma realização que possa garantir reconforto e harmonia interior. No entanto, queremos manter nossa vida dentro de um processo acentuadamente passivo, e em razão disso é que o apocalipse está ameaçando muita gente nos dias de hoje.

O trabalho é uma condição de saúde e equilíbrio. Bem fixado nos objetivos ele é componente de segurança para o aflito. Mais do que isso, ele é ponto de referência sobre o qual nos edificamos, é instrumento de projeção. Vamos recordar o exemplo do benfeitor excelso e não procuremos segurança íntima fora do dever corretamente cumprido, mesmo que isso nos custe o sacrifício supremo.

Vale lembrar que em muitas ocasiões propomos a benfeitores espirituais a realização de determinados serviços que, acima de tudo, são oportunidades de trabalho que o Senhor nos oferece.

Temos que entender que Deus cria. Ele é o criador em toda a extensão universal. Dele dimanam as linhas direcionais do amor e do equilíbrio universais.

Então, Deus cria! Ele não faz, não opera. Pode ter certeza, Deus não vai trabalhar na área operacional do universo porque isso não é com Ele. Ele apenas distribui os padrões, até porque o crescimento de todos os seus filhos está exatamente nessa operacionalização. Além do que, se não houver isso não temos nem sequer campo de crescimento. Logo, todo o plano dinâmico no universo é operado pelos seres seus filhos, espíritos encarnados e desencarnados.

Queiramos ou não, diante da grandeza do criador somos os seus instrumentos, somos a mão de Deus. Assim funciona, o Pai dispõe e o filho opera, trabalha, realiza. Somos nós os operários da grande obra, porque não existe pai sem filho e aqui se opera sob a tutela da bondade do alto. Ao dizer “eu e o pai somos um” Jesus vem definir que Deus dispõe e ele realiza. O filho é quem faz, o pai não faz. Em todo universo quem faz somos nós, e o mestre veio para nos ensinar a fazer. Existe pai e existe filho, o pai se completa com o filho, Ele cria e nós fazemos.

E basta alcançarmos o mínimo de sensibilização para nos certificarmos que não podemos mais ser meros espectadores dos acontecimentos. Não estamos aqui querendo fazer drama, longe disso, mas existe um mundo chorando à nossa volta. E a cada momento somos solicitados a ajudar alguém de alguma maneira.

Somos convocados a auxiliar na faixa de ação em que estamos situados. Porque por menores sejam as nossas possibilidades encontramo-nos integrados em um território de cooperação. As linhas de procedimento religioso não objetivam apenas o conhecimento de que estamos aqui e Deus está lá. Mas propõe um esforço de integração para além da consciência formativa pela instauração de um processo dinâmico de trabalho, realização e amor. Por uma coisinha muito simples: não há como evoluir daqui para frente em campo teórico.

É imprescindível ultrapassarmos a posição sistemática que cultivamos de eternos auxiliados para nos engajarmos no agrupamento dos auxiliadores. Não adianta fugir, negar ou se esquivar, mais cedo ou mais tarde todos nós temos que entrar na luta para cooperar. Porque se não operarmos tornamo-nos mendigos da evolução e mais vale auxiliar hoje do que ser auxiliado amanhã. Jesus com Deus opera, e nós com o Cristo realizamos. Cedamos algo de nós em favor dos outros pelo muito que outros fazem por nós. E sem reclamar. É só refletir que se temos braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem de outros somos superiores ao rei com um mundo de moedas, mas sem coragem de ajudar.

A vida terrestre é rápida demais e representa uma oportunidade vastíssima cheia de portas e horizontes para a eterna luz. E muitos se conscientizam disso após longo tempo.

Se muitas palavras sonoras proporcionam simplesmente a impressão daquela figueira condenada, que não produzia, o fruto revela a árvore, como a obra fala do homem. Analisemos os frutos de nossa vida, o que estamos realmente exteriorizando, para saber se beneficiam nossos irmãos. Qualquer criatura que se consagre à verdade dará testemunho de nós pela substância de nossa colaboração no progresso comum.

Desde as eras mais remotas trabalham os agrupamentos religiosos pela obtenção dos favores celestes. No entanto, se temos confiança em Deus ele também confia em nós para que possamos refletir o seu pensamento junto aos corações em sofrimentos maiores que os nossos. Se esperamos por Ele é natural que Ele igualmente espere por nós. Os homens esperam por Jesus e Jesus espera igualmente pelos homens, e ninguém duvide dessa expectativa a nosso respeito.

Pedimos ao alto, lançamos nossas orações ao céu, suplicamos ao espírito amigo e benfeitor que nos socorra, que nos ampare, nos ajude, nos atenda, mas eles também estão pedindo de nós outros uma resposta. Se na extinção de nossos problemas pequeninos requisitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de concurso na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo.

Sendo assim, na essencialidade não somos nós que esperamos pela luz divina, é a divina luz, força do céu ao nosso lado, que permanece esperando por nós. Antes de querermos o amparo superior o criador espera de nós cooperação divina.

E essa espera é porque de cima para baixo não existe apenas auxílio, mas, sobretudo investimento.

A espiritualidade vem investindo em nós muito mais do que a gente pensa. Investindo de forma ampla para a grande tarefa nossa de ajudar. Esse investimento superior objetiva fazer de qualquer um de nós instrumento útil da vontade de Deus. Porque estamos aqui para refletir o pensamento divino segundo a nossa capacidade no contexto em que estamos situados. Toda criatura recebe do supremo senhor o dom de servir como ministério essencialmente divino.

Enfim, Deus nos aguarda nos outros. Todos os seres estão convocados a piso de trabalho em novas bases. Não recebemos o corpo ao renascer apenas para repousar. E, naturalmente, não nos querem os benfeitores do além para eternos necessitados da casa de Deus e, sim, para companheiros dos gloriosos serviços do bem.

O servo que deixa de ser inútil é aquele que passa a operar de maneira abrangente, para além das obrigações e deveres. Faz além do que lhe é obrigado fazer. E a beleza de nossa utilidade se dá quando nós operamos com aquele espírito gratificado pelo dever cumprido. Basta a gente reparar Jesus e toda a beleza do evangelho de luz e facilmente perceberemos que o nosso problema não é o de ganhar primeiro para fazer depois, mas sim fazer para ganhar.

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