24 de jun de 2011

Cap 13 - Trabalhar é Viver - Parte 7

TRABALHO E OBRAS E SERVIÇO

“17E JESUS LHES RESPONDEU: MEU PAI TRABALHA ATÉ AGORA, E EU TRABALHO TAMBÉM.” JOÃO 5:17

“45E, LEVANTANDO-SE DA ORAÇÃO, VEIO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, E ACHOU-OS DORMINDO DE TRISTEZA. 46E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46  

“2CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU TRABALHO, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE NÃO PODES SOFRER OS MAUS; E PUSESTE À PROVA OS QUE DIZEM SER APÓSTOLOS, E O NÃO SÃO, E TU OS ACHASTE MENTIROSOS.” APOCALIPSE 2:2  

“19EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ULTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

TRABALHO – É muito comum associarmos obra a trabalho, ou mesmo entendê-los como sendo a mesma coisa, quando na verdade não é. Na conjugação das duas expressões, obra e trabalho (“Conheço as tuas obras, e o teu trabalho,...” Apocalipse 2:2), temos que fazer a necessária distinção. O trabalho, no singular, define que ele é permanente, é algo contínuo. Como ação, vamos dizer que ele é atuante, ativo, representa o componente inestancável do universo, é o mecanismo operacional, significa a sistemática, a força motriz universal.

Em qualquer tempo vamos encontrar o mestre Jesus operando. E o evangelho estabelece incessante trabalho aos que lhes esposam os princípios. Porque o evangelho não é para os que querem salvar a própria pele, é para os que querem fazer.

O cristão não deve se acomodar. Ele não é aprendiz de falso repouso, pois não estamos matriculados em uma escola implementada, e sim em uma escola em implementação. O evangelho de Lucas nos conta que os discípulos dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto, e o Senhor não justificou a inatividade nem mesmo diante do choque ocasionado pelas grandes dores. Logo, se queremos evoluir não temos como fugir do imperativo do trabalho.

Todos, sem exceção, estamos debaixo desse imaperativo. Companheiros que exterminaram intentos nobres e votos edificantes, tanto quanto os que desprezaram projetos superiores e abandonaram as obras voltarão, mais tarde, ao labor reconstrutivo, retomando o serviço que a vida lhes assinala no ponto justo em que praticaram a deserção. O trabalho é contínuo. Basta oferecermos ao repouso restaurativo ou à resistência ao mal mais tempo que o indispensável e cairemos na preguiça ou na cólera que nos desgastam as forças.

A nossa preocupação, ou melhor, a nossa ocupação, deve ser com o trabalho, não com o resultado. Quanto ao resultado o próprio nome já diz, é resultado. É imperioso darmos o nosso melhor, e o próprio Cristo nos recomenda “sede perfeitos”. E é exatamente na condição de perfectibilidade que vamos discernir se a obra é mais de Deus ou mais nossa. Entretanto, não quer dizer que a gente tenha que ficar apreensivo, suando ou sofrendo debaixo do nosso perfeccionismo nas nossas ações. Precisamos de uma dose de paciência pessoal, sabendo que o que manda é a proposta de lisura que estamos adotando em cada ação nossa, sendo cada vez mais autêntico na execução do trabalho.

OBRAS – E você observou que é trabalho, no singular, e obras, no plural. Isso mesmo, está certo.

Obras no plural, pois são relativas. Elas constituem o objeto do trabalho, a consequência dele, componentes que temos objetivado laborar, são os instrumentos para a operacionalidade do trabalho, para que o trabalho possa operar.

Podemos dizer com muita tranquilidade que não existe obra sem trabalho, embora possa haver trabalho sem uma obra efetiva. Obras significam a linha concreta que dimana da gente. Estamos aqui para evoluir, e renovar é jogar a obra para baixo para a construção de outra, de modo que o trabalho seja cada vez mais sublimado. Sem esquecer a necessidade premente de se construir obras que nos projetem para planos espirituais, que promovam o crescimento do ser.

E tem uma coisa muito interessante a ser observada: não há como carregar as nossas obras na bolsa. Os resultados finalísticos, materiais, das obras mais cedo ou mais tarde acabam por se diluir. Longe de querermos desanimar, mas o fato é que achamos que levamos necessariamente conosco tudo aquilo que foi feito. 

Porém, no plano profundo do espírito não levamos o que foi feito, embora tenhamos que apresentar algo no plano utilitarista da vida, no campo horizontal dos interesses humanos. Levamos o substrato essencial que circula em nossa intimidade relativamente à obra que operamos. Deu para entender, ou será que complicou? Levamos conosco a faixa vibracional que circulou a época, quando da realização da obra, e que vai permanecer positiva ou negativamente. Levamos toda a experiência nossa no fazer, e vamos mesmo prestar contas pela maneira como agimos e realizamos cada atitude. Portanto, fica um recado, mais vale o trabalho, às vezes, do que a obra, mais vale o esforço e a dedicação do que o resultado final, e é aí que entra a nossa cota de serviço.

SERVIÇO – O mérito de nossas obras está no esforço que empregamos para realizá-las, como também na pureza das intenções propulsoras de nossos próprios atos.

O serviço define a representação da nossa parte de esforço. É como nós temos operado. Significa aquele trabalho que nós operamos visando o nosso próprio reerguimento pessoal, sem a preocupação com o resultado, que pertence a Deus.

Assim, esse serviço efetivo tem que apresentar um sentido reeducacional. E nessa tarefa nossa, que é intransferível (todos a tem), o objetivo fundamental na vertical da realização (fé), que tem que estar antes do objetivo operacional na horizontal (obras), é a reeducação. Porque no plano superior não se especificará o teor do trabalho sem a consideração devida dos valores morais despendidos.

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