16 de jul de 2011

Cap 14 - Persistir é Vencer - Parte 5

RETER E GUARDAR

“MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO.” MATEUS 24:13

“NÃO NOS DESANIMEMOS DE FAZER O BEM, POIS, A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO DESFALECERMOS.” GÁLATAS 6:9 

“NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIABO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÉ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“25MAS O QUE TENDES, RETENDE-O ATE QUE EU VENHA. 26E AO QUE VENCER, E GUARDAR ATÉ AO FIM AS MINHAS OBRAS; EU LHE DAREI PODER SOBRE AS NAÇÕES.” APOCALIPSE 2:25-26

“LEMBRA-TE, POIS, DO QUE TENS RECEBIDO E OUVIDO, E GUARDA-O, E ARREPENDE-TE.” APOCALIPSE 3:3

“CHEGAI-VOS A DEUS, E ELE SE CHEGARÁ A VÓS. ALIMPAI AS MÃOS, PECADORES; E, VÓS DE DUPLO ÂNIMO, PURIFICAI OS CORAÇÕES.” TIAGO 4:8

Em diversas ocasiões, é muito comum a gente ficar cogitando acerca do que temos que fazer, do que precisamos fazer. E enquanto nos matemos nessa parte tudo fica muito precário, muito duvidoso, porém, à medida que vamos investindo na realização da proposta, na materialização da idéia, é como se iniciasse o funcionamento de uma máquina geradora de curso d’água. Passa a ocorrer de forma normal, contínua, não tem que ficar alimentando o processo pelo consciente, o mecanismo passa a ser alimentado e realimentado pelo próprio impulso interior.

Não é como se fosse algo inconsciente, não é isso, a sistemática apenas se torna automática, vamos trabalhando de maneira continuada. Por isso é preciso em toda empreitada nova alimentar e realimentar a vontade com material pujante, pois aquilo que objetivamos não está ainda incorporado ao psiquismo, é preciso reter.

A mudança que queremos em nossa vida não se dá pelo constrangimento, pelo bloqueio, pelo cerceamento, mas por uma capacidade assimilativa. Isso tem que ficar claro, a proposta é assimilação. É necessário que outro elemento, um valor novo, seja capaz de apresentar um grau de interesse acima daquele ponto a ser superado, porque se ocorrer apenas um tamponamento no interesse é capaz daquilo voltar novamente, e voltar ainda de forma bem mais intensa.

Não tem mistério, a metodologia do crescimento implica em repetição, em uma valorização das oportunidades, e é por isso que estamos aqui repetindo coisas, batendo em ângulos muitas vezes já conhecidos nossos. De forma resoluta, lutemos para fixar os componentes novos no intuito de apaziguarmos o espírito, porque o nosso estado de alma, esse embrião do filho do homem, está mais ou menos automatizado pelo tempo em que permanecemos no estado negativo. E paciência e perseverança para toda a conquista legítima, afinal de contas, a questão é nós mantermos esse elemento, o embrião, fertilizado.

A vontade abastecida, continuamente sustentada com carinho e determinação, comumente propicia nosso êxito, pois é capaz de criar um campo magnético suficientemente capaz de comparar-se e até mesmo superar o magnetismo irradiador da nossa intimidade.

Ou seja, a nossa maneira de ser, nossa forma habitual de agir, cria uma aura específica que segura, prende e garante a forma de ser, que entretece o nosso campo mental com o automatismo. Mas a vontade fixa e determinada é capaz de gerar, através de um dínamo instaurado no coração, um campo também suficientemente forte para promover a desvinculação e a entrada em um terreno novo de vida.

O processo precisa ser fixado na perseverança, o sistema de aprendizado é embasado sob o ângulo da experiência e repetição. A fixação (sedimentação dos valores conquistados) decorre da repetição e por isso o evangelho ensina que “aquele que perseverar será salvo.” Isso tem que ficar bem claro, precisa ser compreendido. Porque a experiência única não tem condição de sobrepor-se ao condicionamento da criatura.

O evangelho, quando fala em vencer, refere-se ao vencer a si mesmo. Porque  sabemos que há muita gente vencendo no mundo (exterior), mas sendo derrotada em seu mundo (íntimo).

“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o. E arrepende-te.” (Apocalipse 3:3) O arrependimento é o processo inicial do crescimento. O guarda-o e arrepende-te quer dizer que precisamos guardar o que nós temos e nutrir um processo de recomposição do destino relativamente ao que temos feito até agora. Porque aquele campo novo que nós dinamizamos, mediante uma segurança e certeza que a fé é capaz de alimentar na mudança, para que ele seja automático na irradiação dessa energia ele tem que ir escapando gradativamente da chamada atividade mantenedora e consciente. O guardar não é guardar na gaveta ou na geladeira, é guardar consigo no sentido de realizar.

O crescimento nosso se faz mediante um processo, e em qualquer pessoa não tem como ser diferente. O processo é o mesmo para todos. A etapa inicial é a informação, pela qual uma chuva de recursos provenientes do plano superior nos penetra de forma sutil. Esse é o plano informativo, desce do alto uma chuva de recursos, que quando nos atingem penetram de maneira suave, é como se fosse um esboço, e que podem desaparecer em contato com as pirâmides de sombra da nossa personalidade milenar. Isso que recebemos pode desaparecer diante da soma da repetição que já temos dentro de nós em inúmeros reflexos.

E temos que reter essas informações com persistência para serem utilizadas de forma segura diante das circunstâncias que nos chegam. É preciso reter e guardar ao nível da aplicação se quisermos conquistar. Guardar aqueles valores que puderam ser perfeitamente assimilados no campo perceptivo e intelectivo, mas não é guardar no sentido de arquivar mnemonicamente, ou seja, na memória, significa guardar mantendo acesos os caracteres positivos no sentido operacional, no campo da aplicabilidade, no âmbito aplicativo. Então, esse guardar significa na essência realizar os valores que nos chegam, e reter é perseverar.

Porque se eu retenho esses valores recebidos eu começo a gestar caracteres novos em mim. 

Da informação eu passo a dar forma, começo a formar novos padrões, e isso é  reter. Não tem como progredir sem fixar, tem que insistir para que esses novos padrões ganhem corpo, e se eu retenho o que recebi vou notar que aquilo conseguiu penetrar porque na minha faixa eu fiz, na minha órbita eu apliquei, realizei.

É como na parábola do joio e do trigo, a questão é continuar a semeadura. E os reflexos que estavam presentes em nós começam a perder autoridade, embora não tenham sido extirpados. E o componente novo que chegou inicialmente pela informação passou a incorporar o meu terreno, já é o meu valor.

O nosso campo íntimo é um ponto acolhedor, um vaso receptivo. Captamos de cima a verdade e essa verdade se transforma em vida quando nós continuadamente aplicamos esses valores novos em nossa personalidade, os novos reflexos.

É lindo isso, e maravilhosa a trajetória da renovação pessoal, mas não é fácil.

Através da nossa busca, em função daquilo que o nosso íntimo grita, deseja e procura, nós apreendemos uma soma de valores, assimilamos padrões. E as dificuldades surgem quando colocamos esses valores apreendidos em relação, ou em choque, com os padrões que nós até então estamos vivenciando. Nessa hora é que fica praticamente instaurada a grande luta da redenção ou da renovação.

Na hora em que você pega a planta da nova casa ainda fala muito a planta antiga da casa, e se bobear você cai nas mesmas valas, nas mesmas linhas anteriormente programadas, nas mesmas medidas, nos mesmos alicerces. Pois há uma tendência, normalmente os liberais, que são aqueles que instauram novos mecanismos, são sempre rejeitados pelos conservadores. Queremos instaurar um processo liberal em nosso coração e o conservadorismo segura na marra. 

E se nós rejeitamos o padrão recolhido é sinal claro que nós estamos de algum modo apaixonados, estamos de algum modo vinculados, de modo vibracional, com as faixas anteriores. Apesar de consciencialmente depreendermos que elas precisam ser superadas, e seus reflexos desativados, nós ainda sentimos certo magnetismo que aglutina, que prende a gente, uma atração envolvente que nos mantém em face dos nossos desejos que ainda são realimentados em cima daquela proposta. Queremos o novo, mas ainda somos apaixonados pelo velho. 

Por isso não é fácil mudar. Continuamente estamos trabalhando em conflito, e todas as vezes que um componente novo nos visita no plano educacional entramos nessa grande luta.

Eu realmente preciso de sacrifício maior, tenho que testemunhar de maneira mais clara e mais nítida contra essa influência que está dentro de mim, a concupiscência que está em mim. Para sobrepor-se a esse bloco de registros íntimos que tem denominador fixo, resultante de várias experiências lá de trás e desta vida, tem que haver um ânimo dobrado. ("Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações." Tiago 4:8)

Porque já existe impulsionado todo um sistema de vida que é o automatismo dos nossos reflexos. Nossas reações são automáticas: se surge uma notícia tal essa é a reação, se chega uma instrução e eu estou no setor de trabalho já sei que vai ter chateação, se alguém no trânsito buzina atrás de mim já solto aquele palavrão. 

Ânimo duplo quer dizer ânimo redobrado. Ante o automatismo irreverente tem que haver ânimo redobrado para que possamos enveredar por um processo diferenciado, novo, laborando novos componentes para o campo reeducacional nosso.

2 comentários:

  1. Até que enfim alguem que compactua com meu pensamento sobre "e vós de duplo animo". Até agora ninguem havia se tocado no sentido da frase. Parabéns pelo belo comentário....as pessoas confundem "duplo animo" com "coração bobre",(nada a ver)....Deus continue lhe abençoando.

    ResponderExcluir
  2. Estou a ler, mas a me perguntar, és espírita ou cristão?

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...