23 de jul de 2011

Cap 14 - Persistir é Vencer - Parte 7 (Final)

PACIÊNCIA

“PORTANTO, MEUS AMADOS IRMÃOS, SEDE FIRMES E CONSTANTES, SEMPRE ABUNDANTES NA OBRA DO SENHOR, SABENDO QUE O VOSSO TRABALHO NÃO É VÃO NO SENHOR.” I CORÍNTIOS 15:58

A vida é assim, resolvem-se problemas, permanecem as lutas. É preciso uma marca decisiva dentro de nossas realizações, saber selecionar valores, pensamentos e atitudes, e deixar que a serenidade gerencie nossas ações.

Conservemo-nos na força da paciência e onde estejamos façamos sempre o melhor, porque todo progresso humano surge da paciência divina. Em qualquer circunstância esperemos com paciência, mantendo-nos confiante, embora a preço de sacrifício, pois sem paciência os mais altos projetos resultam em frustração.

Paciência é a ciência da paz, componente fundamental da libertação, a virtude que afere a conquista legítima, que tem por objetivo nos trazer a capacidade de refletir, projetar e traçar melhores estratégias de vida. Sobretudo, é a capacidade de verificar a dificuldade ou o desacerto nas engrenagens do cotidiano, buscando a solução do problema ou a transposição do obstáculo, sem toques de alarde e sem farpas de irritação.

Se paciência é saber esperar, a esperança não é inação, não vale a esperança com inércia.

O tijolo serve na obra, mas as nossas mãos devem buscá-lo, entre o objetivo e a meta faz-se imperativo o esforço constante e inadiável. Esperar significa persistir sem cansaço e alcançar expressa triunfar definitivamente. Logo, a paciência não tem caráter acomodatício, é sinônimo de intensificação e continuidade, é perseverar, ter calma e investir naquilo que a gente elege. A natureza ensina que a fonte, ajudando onde passa, espera pelo rio e atinge o oceano; a árvore, prestando incessante auxílio, espera pela flor e ganha a bênção dos frutos. E a enxada que espera, imóvel, adquire a ferrugem que a desgasta; e o poço que espera, guardando águas paradas, converte-se em vaso de podridão.

A verdadeira paciência é sempre a exteriorização da alma que realizou amor em si mesma para dá-lo a outrem pela ação de seu exemplo. 

Em todos os aspectos da paciência recordemos o mestre Jesus. Ele tem paciência conosco. Nunca obrigou, constrangeu ou perseguiu quem quer que fosse para que esse alguém pudesse incorporar. Nunca se apassivou diante do mal, conquanto lhe suportasse as manifestações, diligenciando meios de modo a tudo renovar para o bem. E se revelou tão paciente que não hesitou em regressar, depois da morte, ao convívio das criaturas humanas que o haviam abandonado. 

Sim, ele desce da espiritualidade solar para dissipar-nos a sombra, negamos-lhe guarida, mas ele não nos priva de sua augusta presença. Assim, lembremo-nos dessa paciência perfeita que nos beneficia e cultivemos a paciência para com todos os outros irmãos.

A misericórdia de Deus nos deu paciência e tem gente que não a usa e acaba perdendo-a. E essa deficiência nasce geralmente da aflição doentia com que aguardamos ansiosamente os resultados de nossas ações, sequiosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra. Queremos uma resposta imediata do mundo aos nossos anseios e esquecemos que no bem e no mal tudo vem a seu tempo: primeiro a semente e depois os frutos. Embora nos atormentemos pela escuridão da madrugada a alvorada não brilha antes da hora prevista. Interessados no fruto da árvore não o colheremos antes do justo momento. Logo, paciência, porque o fruto que nutre representa, às vezes, um ano inteiro de trabalho silencioso da árvore generosa, e se cada noite é nova sombra cada dia é nova luz.

E, sem dúvida, hoje temos nossos interesses, uma ótica centrada no agora. Mas a misericórdia do alto vê sob uma ótica que envolve o ontem e o futuro, a curto, médio e longo prazo. Às vezes, nós temos uma proposta que vai ser cumprida muito mais à frente, porque é preciso esperar o encaminhamento natural das circunstâncias e dos fatos.

É algo para pensar. Não desfrutaríamos paz no triunfo aparente sem resgate aos débitos que nos encadeiam ao problema e à dificuldade, tampouco repousaríamos ante a exigência do credor que nos requisita. Os nossos planos de ventura serão materializados pelo destino, porém, estamos presos a círculos de certas obrigações. É necessário liquidarmos com paciência as dívidas que contraímos perante a lei, e não adianta fechar a cara.

A pretexto de garantirmos a própria serenidade não nos demoremos na inércia.

Sejam quais forem nossas dificuldades e objetivos esperemos fazendo em favor dos outros o melhor que pudermos. Se provas imperiosas nos mantém encarcerados nas grades constringentes do dever satisfaçamos com paciência as obrigações a que enlaçamos, administrando a oportunidade de operar no bem na retomada de uma posição segura.

Temos que lutar e nos aprimorar trabalhando e realizando com Jesus, confiantes no futuro e na certeza de que a vida de hoje nos espera amanhã. Paciência e determinação traduzem obstinação pacífica na obra que propomos realizar. 

Logo, sigamos em frente, como quem tem a certeza que a colheita farta pede terra abençoada pelo arado, saneando o destino e vivenciando positivamente os acontecimentos que nos visitam, de modo que a nossa esperança seja convertida em luz.

E lembremos: o papel do seguidor do evangelho não é colocar uma bíblia debaixo do braço e sair a pregar, mas saber viver situações de apaziguamento. E é muito mais importante lição silenciosa no tempo do que verbalismo apressado na hora da ocorrência.

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