26 de jul de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 1

OS VESTIDOS

“E, ENSINANDO-OS, DIZIA-LHES: GUARDAI-VOS DOS ESCRIBAS, QUE GOSTAM DE ANDAR COM VESTES BRANCAS COMPRIDAS, E DAS SAUDAÇÕES NAS PRAÇAS,” MARCOS 12:38

“12E VIREI-ME PARA VER QUEM FALAVA COMIGO. E, VIRANDO-ME, VI SETE CASTIÇAIS DE OURO; 13E NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS UM SEMELHANTE AO FILHO DO HOMEM, VESTIDO ATÉ AOS PÉS DE UMA ROUPA COMPRIDA, E CINGIDO PELOS PEITOS COM UM CINTO DE OURO.” APOCALIPSE 1:12-13  

“TENDO, POIS, OS SOLDADOS CRUCIFICADO A JESUS, TOMARAM AS SUAS VESTES, E FIZERAM QUATRO PARTES, PARA CADA SOLDADO UMA PARTE; E A TÚNICA TAMBÉM. A TÚNICA, PORÉM, TECIDA TODA DE ALTO A BAIXO, NÃO TINHA COSTURA.” JOÃO 19:23

“E ESTAVA VESTIDO DE UMA VESTE SALPICADA DE SANGUE; E O NOME PELO QUAL SE CHAMA É A PALAVRA DE DEUS.” APOCALIPSE 19:13

“E EU DISSE-LHE: SENHOR, TU SABES. E ELE DISSE-ME: ESTES SÃO OS QUE VIERAM DA GRANDE TRIBULAÇÃO, E LAVARAM AS SUAS VESTES E AS BRANQUEARAM NO SANGUE DO CORDEIRO.” APOCALIPSE 7:14

O vestido é um envoltório periférico, e em seu sentido espiritual a vestimenta é campo irradiador. O vestido, ou a vestimenta da alma, é o que se manifesta, vem definir a emissão de dentro para fora e não o revestimento de fora para dentro.

No fundo, ele é elaborado pelo que se irradia de nós. O nosso vestido, com legitimidade, é decorrente da irradiação, oriundo das manifestações intrínsecas nossas. Em tese, vestido é resultante da irradiação intrínseca da criatura, ou em decorrência do que se irradia dela, esse é o vestido espiritual. Esses vestidos são planos de comunicação, são elementos irradiadores, essa veste essencial do ser é a aura dele. Esse vestido representa o nosso eu e toda a nossa estrutura psicofísica, energética, nosso grau de sensibilização maior ou menor.

É por ele que nós recolhemos os elementos indutores, sejam positivos ou negativos. Nossos vestidos são como nós somos vistos, como nos fazemos perceber, como somos percebidos. Afinal, somos conhecidos pelo que irradiamos.

E essa vestimenta fala do nosso corpo perispiritual, que é, sem dúvida, um fator de identificação pessoal e inegável. Apresenta um peso específico e nos situa onde é a nossa realidade. Por isso, não adianta alguém querer fantasiar ou inventar. É dentro desse plano de realidade pessoal que nós vamos nos apresentar no plano de realidade da própria vida. Os que gostam de andar com vestes brancas (“E, ensinando-os, dizia-lhes: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes brancas compridas, e das saudações nas praças,” Marcos 12:38) são aqueles que buscam apresentar exteriormente algo que não condiz com os seus valores íntimos. É tentar mostrar por meio de ações periféricas o que ele não é no plano essencial, é demonstrar apenas a aparência.

O filho do homem tem vestes brancas e apresenta-se trajado até o pé com um vestido comprido (“12E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; 13E no meio dos sete castiçais um semelhante ao filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.” Apocalipse 1:12-13).

O adjetivo comprido significa extenso, maior. Logo, o vestido comprido indica a exteriorização ampliada do que estava presente na intimidade desse representante divino. Esse vestido até aos pés de uma roupa comprida indica uma expressão uníssona, plena, que não é composta de pedaços, mas um ponto completo, íntegro, sem alterações, sem falhas. Amplo, não fica nada de fora.

É o símbolo da verdade, uma imagem indicativa da harmonia, alegoria da união integral e perfeita entre o conhecimento e a aplicabilidade. Indica toda a autoridade e grandiosidade do ser, dos pés até a base mais elevada a serviço do criador.

E conta-nos o evangelho que o mestre Jesus vestia uma túnica tecida toda ela de alto a baixo, sem costura, na hora suprema do seu calvário (“Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e a túnica também. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura.” João 19:23). O texto é bastante claro, a túnica do príncipe da paz era inconsútil, ou seja, não tinha costuras. A moral do Crucificado não apresenta aspectos divergentes, não tem ambiguidade, não tem contradições, é uma moral pura, sã, completa, imaculada.

O verbo de Deus encarnado não emitiu sons discordantes, não enunciou frases dúbias, não articulou palavras ocas, não produziu ecos confusos. Os seus ensinamentos constituem um corpo doutrinário sem remendos, sem peças justapostas, sem costuras para forçar a adesão de retalhos ou de partes entre si destacadas. Não era composta de pedaços, mas representa um todo completo, perfeito, definido, inteiriço, harmônico, claro, conciso, congruente, positivo e firme. A união integra e perfeita, o emblema da confraternização universal irmanando os homens todos, filhos do divino Pai, em uma única família.

Interessante esta colocação do Apocalipse: “E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a palavra de Deus.” Apocalipse 19:13. Ao longo das nossas reencarnações temos lutado para branquear os nossos vestidos. E essa expressão “salpicada de sangue”, por si, sugere experiências anteriores vivenciadas na carne, no plano físico, nos territórios materiais do planeta.

E nós sabemos que os espíritos elevados que nos orientam do plano superior são aqueles que se imolaram no passado. Os holocaustos desses benfeitores apresentam toda uma expressão tinta de sangue pelos sacrifícios, pelos testemunhos sem medida, os elementos espirituais que nos guiam e nos auxiliam na jornada evolutiva para Deus são esses que apresentam as suas roupas tintas de sangue. São aqueles mártires que se imolaram no decorrer dos séculos.

Uma enormidade deles são aqueles que testemunharam nas arenas romanas. Está certo que alguns não foram devorados nos circos pelos leões, no entanto, apresentam consigo a mancha do sacrifício, constituem aqueles que avançaram no terreno dos séculos, e esses elementos reencarnaram com mentalidade nova.

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