30 de ago de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 3

ROTEIRO E RENOVAÇÃO

“EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM.” JOÃO 14:6

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FAZ NOVO.” II CORÍNTIOS 5:17

O evangelho é um só. Isso mesmo, ele representa a unicidade não apenas dentro da nossa esfera terrestre, mas unicidade em todas as esferas do plano invisível. Entre outras coisas, equivale dizer que o mesmo versículo que estudamos aqui é estudado pela espiritualidade maior em planos superiores, porém, sob ângulos mais ampliados, sob prismas ainda inimagináveis para nós.

E no plano da iluminação espiritual inexiste fonte alguma além do evangelho. Para a iluminação do íntimo só existe neste mundo o evangelho do Senhor, que nenhum roteiro doutrinário poderá ultrapassar. Como roteiro de ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado no planeta para os planos superiores do ilimitado, de sua aplicação decorre a luz do espírito. Logo, o conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem vida de cada ser e a significação de casa coisa no caminho infinito.

Trazido milênios atrás ele nada exige, a sua finalidade é sanear a dureza do nosso coração.

O Cristo concedeu-nos a luz do evangelho para que a nossa análise não esteja fria e obscura, e somente a evangelização do homem espiritual poderá conduzir as criaturas a um plano superior de compreensão. A boa nova objetiva clarear o entendimento, como se mensagens anteriores fizessem o papel de trombetas, de despertamento. Daí, podemos concluir que o estudo prepara, porém, somente a prática dos ensinamentos do mestre, aliada ao trabalho de auto-evangelização, é firme e imperecível, apenas o esforço individual no evangelho pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito. Ou seja, a instrução (o valor recebido) informa, a aplicação (prática) forma e o evangelho transforma.

Evangelho não é papo furado de beleza literária. Não é mera teoria de esperança, e sim princípio científico para o bem viver, sem cuja aplicação na esfera comum não se liberta a alma, descentralizada pela viciação nas zonas baixas da natureza.

Dádiva suprema do céu para a redenção do homem em marcha para o amor e sabedoria universais, a boa nova é a palavra da vida que encerra a suprema e eterna verdade.

Os ensinos trazidos pelo nazareno constituem a redenção, e “ninguém vem ao Pai senão por mim” equivale a dizer que Deus é a meta através de Jesus. Então, qual a inteligência lúcida, qual o senso amadurecido na experiência da vida é capaz de trocar a verdade encarnada pelas fantasias forjadas pelas paixões humanas?

Embora as inúmeras veredas pelas quais temos adentrado ao longo das existências o caminho é por meio daquele que veio nos trazer vida em abundância.

A palavra de Jesus dirige-se a todas as criaturas da Terra, sem distinção, com absoluta oportunidade, estejam elas nesse ou naquele campo da evolução. Por isso, estamos aprendendo o evangelho para ver se melhoramos a nossa caminhada. E a tarefa do evangelho junto das almas encarnadas do mundo é a mais importante de todas, visto constituir a realização definitiva e real, e os passos do cristão, em qualquer escola religiosa a que se filie, devem dirigir-se diretamente ao Cristo.

Sabemos que em época alguma o planeta obteve tanta informação e conhecimento espiritual como na atualidade. E os conhecimentos que conseguimos arregimentar em milênios de existência nos oferecem substrato, material vasto para iniciarmos um trabalho de semeadura em novos campos. A palavra de Jesus dirige-se a todas as criaturas do mundo com absoluta oportunidade, estejam elas em qualquer campo da evolução. O próprio precursor João Batista nos alertava para endireitar veredas e preparar o caminho, e esse preparar nos convida a estruturarmos nova vida nas molduras plenas do amor.

E entender não é tudo. Não basta saber, é preciso sentir aquilo que se sabe, é preciso sentir a verdade. A inteligência, desacompanhada do sentimento, não chega a penetrar a essência do evangelho, ou de nenhum ideal transcendente cuja espiritualidade ascende às regiões elevadas do sublime. Para nos convencermos das verdades reveladas por Jesus Cristo não basta apenas que funcionemos com a mente, é indispensável que o coração tome parte desempenhando a função que lhe compete. As verdades do céu falam tanto ao cérebro quanto ao coração.

Paulo já dizia que o homem material não pode compreender as coisas espirituais, e por isso razão e fé, intelecto e coração, devem marchar de mãos dadas na conquista da renovação. É indispensável que nosso espírito receba, consciente e inteligentemente, o influxo do espírito para que nos inteiremos do caminho a seguir. É preciso receber certa luz do céu para que se descubra através da letra que mata o espírito que vivifica. Sem o auxílio dessa luz as maravilhas do livro maior passam despercebidas, mesmo às inteligências cultas e desenvolvidas.

É por esse motivo que muitos se desinteressam pela leitura e estudo, pois nada descobrem de atrativo e digno de nota, ao passo que outros se sentem arrebatados todas as vezes que tem oportunidade de meditar sobre as belezas inefáveis que o evangelho contém. Pelo mesmo motivo uns o lêem e ficam na mesma, enquanto outros se transformam em novas criaturas após haverem percorrido suas páginas.

O evangelho não é oficina de vantagens na experiência material, mas templo de trabalho redentor para que venhamos consertar a nós mesmos diante da vida eterna. Ele é o edifício de redenção das almas, e se é edifício tem que ser construído.

Assim deve ser procurada a lição de Jesus, não mais para exposições teóricas, e sim visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si mesmo por meio de edificações no terreno definitivo do espírito. Evangelho é luz e renovação nos campos do espírito.

A missão do evangelho é muito mais bela e extensa do que possamos imaginar.

O mestre continua a trabalhar incessantemente. Ele continua derramando bênçãos todos os dias. E não se assuste, os prodígios ocultos operados no silêncio do seu amor infinito hoje são maiores que os verificados ontem em Jerusalém ou na Galiléia.


Você já parou para pensar que os doentes, os cegos, os leprosos, curados àquele tempo segundo as narrativas apostólicas, voltaram mais tarde a enfermar e morrer? Pois é. Mesmo naquela época Jesus não visava somente tirar a dor física dos enfermos buscando proporcionar-lhes o alívio momentâneo, mas conscientizava-os a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as doenças.

Isso é que é fundamental, porque se bobear a pessoa se cura e já chega em casa propensa a outra doença, porque se curou mas não se reeducou. Logo, a cura de nossos espíritos doentes e paralíticos é mais importante, porquanto se efetua com vistas à eternidade. Paciência, amigos! Com humildade a gente obtém o testemunho do espírito, sem o qual ninguém adquire a certeza da imortalidade e dos destinos que nos aguardam.

27 de ago de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 2


IGREJA E TEMPLO

“TEMOS UM ALTAR, DE QUE NÃO TEM DIREITO DE COMER OS QUE SERVEM AO TABERNÁCULO.” HEBREUS 13:10  

“E NOS FEZ REIS E SACERDOTES PARA DEUS E SEU PAI; A ELE GLÓRIA E PODER PARA TODO O SEMPRE. AMÉM.” APOCALIPSE 1:6

Os templos da fé religiosa no mundo, desde que consagrados à divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus onde Jesus ministra seus bens aos corações da Terra, independentemente da escola de crença a que se filiam.

A igreja normalmente representa aquele veículo decodificador do pensamento divino a nível informativo, através da qual os valores chegam ao plano perceptivo das criaturas. É núcleo que irradia a luz, que tem por fim iluminar as trevas.

Assim, qualquer que seja o templo em que se expresse é santuário de educação da alma no seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade, e a finalidade máxima dos templos é despertar-nos a consciência.

A gente pensa em igreja e por conjugação de idéias ela nos faz pensar em templo. Igreja é assembléia de fiéis, um conjunto de fiéis ligados por uma mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais, representa um agrupamento que define a filosofia que a criatura esposa, que nutre no coração. Em um sentido profundo, igreja significa grupo de pessoas vinculadas a uma visão nova que o cristianismo sugere. Não necessariamente um templo físico, mas grupo de pessoas.

O que notamos hoje é que muitas das igrejas tomaram do cristianismo somente o título. Originadas na ambição e egoísmo insondável do homem, que tudo procura amoldar às exigências insaciáveis de seus mesquinhos interesses, nutrem rivalidade, ignorância, orgulho e preconceito. No entanto, enquanto as variadas igrejas se digladiarem entre si estarão demonstrando literalmente que não conseguiram atingir o ideal sublime proposto pelo filho de José e Maria e estão longe da religião do amor.

Igreja é núcleo, mas sempre envolvendo alguém à frente desse núcleo. Observa-se, por exemplo, que cada uma das sete igrejas do apocalipse é sempre administrada por um anjo, que por sinal nunca está só. Afinal de contas, se ele estiver sozinho o trabalho é relativo e passa a deixar muito a desejar.

As sete igrejas do apocalipse indicam o foco onde se congregou o ideal cristão da época, são a representação dos vários níveis em que os seres na vida física do planeta, e também no plano espiritual, podem ir se ajustando, ajuntando, aglomerando, afinando. É aquele centro, unidade que aponta um agrupamento de corações, e as mensagens contidas nessas sete cartas iniciais não são mensagens vagas, desconexas, mas cada uma delas é direcionada à respectiva igreja. Apresentam aquele apontamento relacionado com as responsabilidades assumidas.

Entendeu? Não sei se eu estou falando grego, mas a importância das mensagens nelas contidas é que suas orientações são faladas à nossa intimidade. O bonito é entender que elas são mensagens universais, e por serem universais tem atualidade em qualquer lugar e momento, por que as dificuldades dos homens invariavelmente passam por alguma faceta ou linha que tange aquilo que foi mencionado nelas.

Quando falamos ou pensamos em evangelho quase que automaticamente o associamos à idéia de igreja e religião. Até agora construímos altares em toda parte, reverenciando ao mestre e Senhor. É inegável que todo templo de pedra dignamente superintendido funciona qual farol no seio das sombras indicando os caminhos retos aos navegantes do mundo, mas não podemos esquecer que o evangelho já transpôs os muros de pedras das igrejas para atingir os terrenos amplos da intimidade do ser. Já deixou de ser assunto de religião para se tornar assunto de vida. Ele opera no anonimato revolvendo o coração de cada um de forma nítida e substanciosa.

O movimento vital das idéias e realizações baseia-se na igreja viva do espírito, no coração dos homens. E sem adesão do sentimento no âmago de cada um qualquer manifestação religiosa reduz-se a mero culto externo. Não estamos aqui para fazer críticas, porém, o cristianismo, que deveria ser a mais ampla e simples das escolas de fé há muito tempo que se enquistou no superficialismo dos templos.

Para cada faixa de evolução remanescem crenças e cultos próprios para suas necessidades. No entanto, precisamos sair do misticismo contumaz que vem nos batendo através dos séculos para entrarmos em um plano natural de bom senso e lógica.

É fácil constatar que certas manifestações religiosas muitas vezes não passam de vícios populares nos hábitos exteriores. Para muitos os cultos religiosos nos templos de pedra se resumem a convencionalismo sem sentido, porém, de muito agrado social, em razão dos encontros pessoais e das múltiplas conveniências que deles resultam.

E você sabe que eu não estou exagerando. Uma multidão de pessoas acredita ser religiosa, mas não passa de meros ritualistas. E nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. Em muitos companheiros nos envolvimentos nos planos das religiões a indiferença permanece dia após dia, sem qualquer sinal de introspecção ou conquista iluminativa. E se mudar de crença religiosa pode ser modificação de caminho, por outro lado pode representar unicamente a continuidade da perturbação. O fato importante é que os nossos rituais religiosos vão se transformando à medida que evoluímos e passamos a precisar de manifestação cada vez menos ostensiva.

Deus é espírito e só em espírito deve ser adorado. Então, é preciso adorá-lo em espírito e verdade, e para essa adoração não dependemos do majestoso edifício do templo nem de seus cerimoniais, rituais, prescrições ou autoridade de seus sacerdotes.

Preste atenção, analisado como componente de libertação do ser o evangelho necessita ser trabalhado no terreno íntimo, torna-se preciso encontrar o Cristo no santuário interior.

Se todos os templos na Terra são de pedra, Jesus veio, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. Veio abrir o templo dos corações sinceros para que todo o culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador. O templo visa, sobretudo, expressar a proposta íntima de cada um e ele pode perfeitamente ser transferido da sua linha exterior para dentro de cada um.

Cada criatura tem um santuário no seu próprio espírito, onde a sabedoria e o amor de Deus se manifestam sempre através das vozes da própria consciência. É na própria intimidade onde funciona realmente o evangelho. Logo, a igreja efetiva é dentro de nós, fora da gente é auxílio na caminhada. Portanto, meus amigos, vamos adorar a Deus na igreja que consolidamos interiormente, porque cristianizar a vida não é imprimir-lhe novas feições exteriores, mas reformá-la para o bem no âmbito particular.

Os altares de pedra foram substituídos pelos nossos corações e as vítimas que aí devem ser imoladas, sem interrupção, são as nossas paixões rasteiras, os nossos vícios e arrastamentos de natureza inferior. Não há mais a casta sacerdotal, todos nós somos sacerdotes. Aliás, podemos entender sacerdote como sendo a experiência religiosa, ou a própria vida, pois a religião é a própria existência a nos conduzir para Deus.

No versículo em questão (“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.” Apocalipse 1:6), a expressão reis é referência ao poder temporal, ou seja, define aspecto de autoridade, e sacerdócio é linha de âmbito interior, canal de valores redentores do ser ao nível pessoal reeducacional.

O texto sugere relação entre ambos porque no fundo nós temos que ter uma autoridade dentro do exercício do sacerdócio, o cristão acordado tem que caminhar como sacerdote de si mesmo, temos que apresentar autoridade dentro das próprias revelações doutrinárias.

Temos que admitir certa auto-suficiência naquilo que propomos a fazer e precisamos ganhar autoridade. Detalhe importante: ganhar autoridade, sim, mas com humildade, uma autoridade moldada na fundamentação que o amor propõe.

24 de ago de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 1


RELIGIÃO

“A RELIGIÃO PURA E IMACULADA PARA COM DEUS, O PAI, É ESTA: VISITAR OS ÓRFÃOS E AS VIÚVAS NAS SUAS TRIBULAÇÕES, E GUARDAR-SE DA CORRUPÇÃO DO MUNDO.” TIAGO 1:27

É muito comum nos círculos religiosos pessoas indagarem a forma de estudar o evangelho. Como entendê-lo, como compreendê-lo. 

Eu, particularmente, costumo dizer nos locais onde sou convidado a ir, para falar da boa nova, que nos núcleos de natureza espiritual dificilmente alguém apresenta autoridade para dizer que vai ensinar algo. Eu não seria louco o suficiente para dizer que vou ensinar a forma correta de estudar as Escrituras. Seria uma pretensão desarrazoada. Especialmente eu, que nada sei, e que tenho me esforçado muito para compreender alguma coisa dos ensinamentos de Jesus. No entanto, creio que juntos, neste Capítulo que se inicia, poderemos depreender algumas coisas interessantes que poderão nos ajudar nesse respeito.

Não há dúvida alguma que o aparelho das luzes religiosas tem por finalidade acordar as almas em todos os cantos do mundo para a glorificação imortal. Esta é a finalidade maior. E na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra os homens se dividiram em numerosas religiões. Podemos dizer que a religião é a crença em força considerada criadora do universo, adorada e obedecida, e a manifestação dessa crença por meio de doutrina e ritual próprios, com preceitos éticos. É virtude do homem que presta a Deus o culto que lhe é devido. Todos nós, habitualmente, enquadramos nossa vida mental a um determinado tipo de interpretação religiosa, a fim de reverenciar o supremo criador por meio do modo que supomos mais digno. Assim, nessas subdivisões do eterno santuário comparecem os tutelados do Cristo em diferentes graus de compreensão.

E aqui e ali, lá e acolá, encontramos seguidores praticando os ritos mais diversificados. Sabemos que atitudes religiosas de superfície apresentam relativo valor a determinadas pessoas em certos estágios da evolução, porém, uma enormidade de manifestações religiosas não são atestados de religiosidade entre nós. Em matéria religiosa, satisfazer-se alguém com o rótulo, sem qualquer esforço de sublimação interior, é tão perigoso para a alma quanto deter designação honorífica com menosprezo à responsabilidade  que ela impõe.

O evangelho nos ensina que a religião pura diante de Deus é outra coisa bem diferente disso. O cristianismo, como a suprema religião da verdade e do amor, convoca todos os corações para a vida mais alta. Pelo fato da religião traduzir um religamento com o criador é primordial nos voltarmos para Deus, tornarmos ao campo da divindade. Sendo sempre a face soberana da verdade, a religião diz respeito à importância de se colocar a espiritualização, o crescimento e a redenção do ser na fisionomia da libertação, mediante um direito insubstituível que nutrimos de ser feliz e buscar essa felicidade. E ela deve ser sempre compreendida como um sentimento divino que clarifica o caminho das almas, ao qual cada espírito aprenderá na pauta do seu nível evolutivo.

O apóstolo Tiago traça a definição correta ao afirmar que “a religião pura e imaculada é visitar os órfãos e viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo”. A religião imprescindível da alma, perante a divina providência, repousa acima de tudo no serviço ao próximo e no caráter libado, ou seja, na caridade incessante e na tranquilidade da consciência. Religião legítima, que se desenvolve e nos projeta para Deus, no sentido de nos religarmos a Ele, é no terreno interior da renovação, cujas exteriorizações são sempre amor nas expressões mais sublimes. A religião na profunda acepção da palavra é o cotidiano, é como se vive, é a prática da vida, circunstância de vida a todo o momento.

20 de ago de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 8 (Final)


DAR O PANO, NÃO A CAMISA

“E DEU À LUZ A SEU FILHO PRIMOGÊNITO, E ENVOLVEU-O EM PANOS, E DEITOU-O NUMA MANJEDOURA, PORQUE NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM.” LUCAS 2:7

Vida é um processo de eleição pessoal e elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar. Nessa ou naquela fase da evolução, discórdia e tranquilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate, são frutos de nossa escolha.

Cada qual tem o seu momento de despertar. O mestre Jesus disse “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, mas ele não designou lugar, não traçou condições, não estatui roteiros nem especificou tempo. Prometeu simplesmente conhecereis a verdade, e para o acesso à verdade cada um tem o seu dia.

A emancipação íntima surgirá para a consciência à medida que a consciência se dispuser a buscá-la. Quem está aprendendo estudar somos nós, por necessidade ou por um ideal interior, a mostrar que os outros necessitam ter nosso estímulo pelo exemplo e nossa palavra amiga como ponto de incentivo em uma proposta de modificação e redirecionamento. Agora, a questão é que nós entramos de cabeça nas dificuldades dos outros como se pudéssemos vir a saná-las.

É muito comum a gente querer que o outro seja como nós, que pense como nós, sinta como nós. E quem de nós pode dizer que a nossa ótica, que o fato dele ser da forma como pretendemos, que deva ser da nossa maneira, seja melhor para ele? Começa que nossos componentes educacionais estão embasados em determinadas experiências pessoais nossas que a criatura não tem.

É preciso fazer a leitura da vida. E leitura e compreensão crescem à medida que a gente observa com naturalidade e muito discernimento os acontecimentos.

Por exemplo, se eu não descobrir, diante de uma pessoa que está dando cabeçada, se eu não tentar descobrir o que está movendo aquela criatura a esse estado de vida eu não posso atuar. Fica muito difícil. No fundo ela poderá dizer: “espera aí, você não sabe nada do que está acontecendo comigo. Apenas está me vendo bater com a cabeça na parede, mas você sabe por que eu estou fazendo isso?” Às vezes, quero auxiliar e nem pergunto a ela o que está acontecendo. Geralmente é assim, queremos avaliar o outro por nós, esquecendo que a nossa ótica é totalmente diferente no plano de vida da ótica do semelhante.

Por isso temos que sofrer muitas vezes, aqui, ali, na intimidade dos lares, para poder descobrir o que se passa na cabeça dos outros. Ajudar, que é a proposta que estamos elegendo aqui, não é sair pregando para o mundo, é ajudar na órbita em que estamos posicionados. E para isso é preciso alta dose de compreensão das pessoas.

Muitas vezes, como fruto da nossa emoção, ficamos num plano de insistência tal com os outros, no sentido de que assimilem nossos pontos de vista, e isso pode até acionar em nós uma raiva muito grande. Pois queremos que o outro entenda, que ele aceite e viva segundo aquilo que nós já achamos que é o melhor, aquilo que aprendemos e achamos que é o melhor. Com isso a gente fica com muita raiva, e essa raiva começa ser trabalhada de forma camuflada, ressentida, velada.

Aí é que a situação complica. Quando nós queremos curvar, subjugar os outros em nome de uma ótica que eles não tem ainda. Esse é o problema. Quando alguém passa por nós não é para ser fabricado um elemento ao nosso jeito, não.

Nós já temos aprendido isso. Tem muita gente que quer fabricar o outro ao jeito dele. A posição de cada qual dependerá de cada qual. É preciso entender que ao nascer Jesus foi envolvido por pano, e o pano obtém a forma do objeto que envolve.

Porém, muitas vezes nós não queremos dar o pano, e sim a nossa camisa, a nossa medida fechada. Queremos dar a nossa própria concepção, porque encontramo-nos no direito de achar que o que é conveniente para nós é também conveniente aos outros. Mas esquecemos que, às vezes, a terapia que elegemos ao outro não corresponde às suas necessidades. Logo, não vamos intentar constranger o próximo a ler a cartilha da realidade por nossos olhos, nem a interpretar os ensinamentos do cotidiano com a cabeça que nos pertence.

Se nós estamos ingerindo conhecimentos não temos que ficar enquadrando as pessoas, aqueles que estão à nossa volta, na mesma gama que nos visita o entendimento hoje.

Vamos auxiliar dando o pano, não a camisa. Vamos dar ao próximo o pano, não a nossa medida fechada, pois envolver em panos não é vestir a minha blusa ou a minha camisa no que chega. Nós queremos vestir nossa roupa no outro que não cabe nele de jeito nenhum, porque cada personagem, cada individualidade apresenta uma estatura diferenciada no plano evolucional. E quem ama sabe que não pode torpedear a mecânica de vida de quem quer que seja.

Conclusão: vamos envolver o que chega em panos, porque o próprio corpo dele dá a forma.

16 de ago de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 7


NÃO DESPREZEIS ALGUM DESTES PEQUENINOS

“1NAQUELA MESMA HORA CHEGARAM OS DISCÍPULOS AO PÉ DE JESUS, DIZENDO: QUEM É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS? 2E JESUS, CHAMANDO UM MENINO, O PÔS NO MEIO DELES, 3E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS. 4PORTANTO, AQUELE QUE SE TORNAR HUMILDE COMO ESTE MENINO, ESSE É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS. 5E QUALQUER QUE RECEBER EM MEU NOME UM MENINO, TAL COMO ESTE, A MIM ME RECEBE.” MATEUS 18:1-5 

“E, RESPONDENDO O REI, LHES DIRÁ: EM VERDADE VOS DIGO QUE QUANDO O FIZESTES A UM DESTES MEUS PEQUENINOS IRMÃOS, A MIM O FIZESTES.” MATEUS 25:40

“VEDE, NÃO DESPREZEIS ALGUM DESTES PEQUENINOS, PORQUE EU VOS DIGO QUE OS SEUS ANJOS NOS CÉUS SEMPRE VÊEM A FACE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 18:10  

Em certa ocasião os discípulos chegaram ao pé de Jesus e o indagaram: “Quem é o maior no reino dos céus?” O mestre Jesus, indagado, pôs um menino no meio deles.

E se pôs um menino é porque menino tem certa representatividade evangélica, tem uma significância, esse menino tem um sentido importante na acepção do evangelho.

E não o colocou em qualquer lugar, pôs no meio. E meio é centro, é equilíbrio, define uma posição de destaque. O meio é ponto de referência, logo, o menino no meio é um significado de destaque. O evangelho tem essa beleza e profundidade, nos apresenta todo um sistema montado, os discípulos aos pés de Jesus reconhecem sua autoridade maior, e Jesus apresenta o menino que era o menor dentre eles. Logo, se a criatura olha para cima vê (de onde recebe) e se olha para baixo vê também (para quem canalizar o valor que se aprende).

Jesus pôs um menino no meio. Afinal de contas, sabemos que para todos os efeitos somos, ainda, crianças no entendimento. O menino aqui é na sua estrutura formativa ética e moral, que nós temos uma responsabilidade muito grande de ajudar.

“E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe” (Mateus 18:5). O menino referenciado nesta passagem da escritura  apresenta, por uma ótica, por uma linha perceptiva, que ele é uma criatura destituída de tal ou qual situação. Mais à frente Jesus lhe faz referência como “pequenino” (“E, respondendo o rei, lhes dirá: em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” Mateus 25:40).

O pequenino é aquele que em determinado ângulo da sua experiência tem ânsia de crescer. Isso mesmo. É o pequenino que quer alfabetizar-se, que quer ter conhecimento da realidade espiritual, é o pequenino que quer almoçar, que está com fome, que está precisando de uma palavra de reconforto, é o pequenino que está precisando de uma dose de esperança, de consolo. Isso porque pequenino aqui nesse texto tem um sentido pouco diferente da humildade, ele representa aquele que é carente. Observou? “Pequeninos” aqui vão ao infinito, porque ele é pequenino perante aquele que tem uma dose pelo menos com uma sobrazinha ou um mínimo indispensável em que pode atender. Forte, alto, fraco, são adjetivos relativos, sempre em relação a algo ou alguém.

O pobre é aquele que se identifica carente, como a criança também. E o necessitado, o faminto, é Jesus personificado à nossa frente. À vista da misericórdia divina o carente é um menino que nós temos que recebê-lo e o nosso envolvimento vibratório a ele representa esses panos. Por isso comentamos no tópico anterior que estamos aprendendo o evangelho para nos posicionarmos na condição de receber alguém em nome de Jesus. E onde está cheio de pequenino é dentro de casa. Tem quatro, cinco, seis dentro de casa, e cada um é pequenino do seu jeito.

Quando a gente começa a procurar os pequeninos dentro do próprio ambiente doméstico já é um grande sinal. Porque ao procurar os pequeninos nós estamos tentando identificar dentro de nós o que temos para oferecer a eles para que cresçam.

A princípio nossa manifestação de sensibilidade é periférica, fica de certa forma restrita ao plano exterior. Mantemos conosco uma ótica de acentuada expressão exterior, tanto que para nós o carente é aquele que está precisando de roupa, precisando de comida, precisando de algo tangível. É óbvio que não temos que deixar essa percepção exterior se perder, de forma alguma, porém, precisamos ir além, pois são variáveis os pontos de carência e necessidade do ser.

“3Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. 4Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. 5E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe.” Mateus 18:3-5

É muito interessante isso: eu tenho que me tornar humilde como aquele menino. 

Porque se eu não me tornar humilde como aquele menino eu não vou apresentar condições de poder envolvê-lo em panos. Você está entendendo a beleza e a profundidade disto? Sem humildade eu não tenho como receber e envolver a criatura que pode ter quarenta, cinquenta, sessenta ou oitenta anos de idade, porque nós ficamos bitolados achando que o menino aqui é no sentido de criança, e que tem até sete anos, e isso não pode aparecer no evangelho.

Menino é uma expressão de alta significância, referência a determinados padrões e características. O menino tem sentido de obediência, necessidade de aprender, docilidade, não guarda rancor, aspecto de pureza, vontade de crescer, etc.

Dessa forma, todo aquele que consegue fazer-se menino, essa criatura já está no cultivo da humildade, do apequenar-se. Para isso eu preciso me fazer humilde.

“Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Temos aí a presença de dois verbos. Então, veja bem, diante de uma situação que surge na vida eu me faço humilde. Outra circunstância me defronta e novamente eu me faço humilde. Em mais uma situação eu opto pela humildade. Logo, pela sucessão de situações em que me faço humilde eu acabo por me tornar humilde.

“Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” No “em verdade vos digo que de modo algum entrareis no reino dos céus” existe uma ênfase. Note que a expressão “de modo algum” é da maior importância, quer dizer que não tem como entrar efetivamente.

A visão desse reino dos céus nós já possuímos. Enxergamos que é uma beleza, e nem precisamos de óculos. Agora, ver é uma coisa e entrar é outra. A entrada só se efetiva pela ação do indivíduo, pela mudança, que representa o nascer de uma personalidade nova no seu sentido não de proposta mental, mas de realidade estrutural e vivencial da pessoa. Aí, sim, vamos ter presença do entrar. E para que a entrada se faça inúmeras reencarnações nos são propostas pela misericórdia divina.

O mestre Jesus nos aconselha sabiamente a jamais desprezarmos algum pequenino (“Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu pai que está nos céus”.)

Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto, pois a estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e que essa mesma luz seja glorificada, e nesse intercâmbio substancialmente divino o ignorante aprende e o sábio cresce.

Às vezes, o pedinte representa aquele que vai detonar em nós a força da caridade. A gente rejeita, mas ele é elemento encaminhado à sensibilização da gente. Muitas vezes está sendo colocado em contato conosco justamente para isso.

Às vezes queremos afastar o complicado, pois quando em contato com ele queremos confrontá-lo. Isso é muito comum de acontecer. Queremos e até conseguimos de certa forma fazer luz em nós, no entanto, a luz foi feita para se direcionar à treva. E em contato com a treva ao invés de desativá-la queremos agredi-la.

Não podemos desprezar o pequenino, pois ele é a oportunidade do nosso crescimento e redenção. Vamos pensar nisso com muito carinho daqui prá frente.

É importante não desprezarmos esse pequenino porque do contrário a chance veio e não aproveitamos, e às vezes ela não volta nessa encarnação mais. Quando desprezamos o pequenino, que diante de nós representa uma criatura que poderia receber para crescer, e nós tínhamos os componentes para lhe oferecer, aí se perdeu a oportunidade da experiência, do testemunho e da prova.

E cada chamamento do outro, cada telefonema, cada toque no nosso interfone, cada circunstância em que somos chamados a atender, e quem muitas vezes nos chega como inconveniência, como obstáculo em nossa jornada, define um tipo específico de carência daqueles com quem nós vamos ter que lidar a curto, médio ou longo prazo na extensão da tarefa que nos compete no plano da vida.

Cada fato assim representa um reflexo muito próximo daquilo que a gente vai ter que lidar no futuro, seja a curto, médio ou longo prazo na nossa ação prática. E está chegando hoje como um acontecimento emergente para a nossa aprendizagem.

Esses valores são lições vivas para uma abertura de coração, para a tarefa que nos compete no futuro. Temos que saber aproveitar as múltiplas possibilidades no plano do auxílio. Por exemplo, em nossa casa pode ter uma pessoa que está em linha direta sobre a nossa responsabilidade. Se essa pessoa tem encaminhamentos de aprendizado, de libertação, e eu, que estou 24 horas por dia com ela não estou dando conta do recado, pode ter certeza que vai pintar um professor na vida dela, um amigo, um orientador, alguma coisa, e vai fazer o que eu não aproveitei a oportunidade para fazer. Assim funciona, queiramos ou não, diante da grandeza de Deus somos seus instrumentos, somos a mão de Deus.

E podemos ter em nosso círculo de relação alguém que ninguém aguenta, mas ele faz parte do nosso corpo de necessidades. É necessário termos dentro de nós valores que possamos utilizar no sentido de ajudá-lo, ou pelo menos administrar o processo, para que nós possamos nos elevar. Não tenho como evoluir achando que sou o maior. Isso não existe, ninguém é melhor do que ninguém, posso ser o mais bem informado em determinado terreno, nada mais do que isso. 

À medida que vão abrindo as linhas perceptivas, vamos sentindo que é preciso trabalhar, buscar componentes que facilitem a decodificação para que nosso pensamento possa abranger camadas outras que não estão no mesmo nível de realização que estamos. 

Podem estar no mesmo nível de interesses, mas não no nível de realização que já temos. Por isso interdependência e cooperação funcionam na extensão do universo. Não tem como evoluir esquecido dos outros. De um lado os que estão acima canalizando, e de outro o que estão abaixo esperando a nossa cooperação.

E quantas vezes se nos deparar o humilde perseguido e expoliado defendamo-lo, pois esse humilde é Jesus Cristo disfarçado; quando virmos o órfão abandonado, sem pão, sem família, sem lar, roto e faminto, amparemo-lo sem perda de tempo, esse órfão é Jesus Cristo que veladamente nos procura; quando ao nosso lado se apresentar a velhice, trêpega e desalentada, sem arrimo nem esperança, cumpre acolhê-la, cercando-a dos devidos cuidados, pois é o mesmo Jesus Cristo que bate às nossas portas. O sofredor, seja esse ou aquele, é, invariavelmente, a imagem viva de Jesus, a única imagem real que dele existe na Terra, a única digna do culto e da reverência dos verdadeiros cristãos, pois é aquela que envolve, sob vários aspectos, o ideal de amor que Jesus personifica.

E não te digas inútil nem te afirme incapaz, todos conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral. Ninguém existe que não possa auxiliar alguém, estendendo o agasalho da simpatia pelos fios singelos do coração. 

Nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto. Aqui e ali surpreendemos os que vagueiam deserdados de apoio e convivência.  Às vezes o que hoje se reergue com tua migalha de amor é quem te vai solucionar as necessidades de amanhã. E nós somos aferidos na paciência, aferidos na determinação, na decisão que a gente tem que tomar, na resposta que a gente está dando, na capacidade de não se sensibilizar, para não ficar suscetível. A gente tem que temperar ao nível da justiça para exercitar ao nível do amor.

Pois quem tem que operar em nome de Deus somos nós, espíritos encarnados e desencarnados. 

Agora lembre-se: No plano filosófico, teórico, o Cristo é a eleição íntima nossa de mudar de vida, mas no plano de praticidade, operacional, ele não está dentro de nós, está na pessoa do que chega perto de nós, no nosso próximo. O necessitado é Jesus personificado à nossa frente. Esse que é envolvido em panos é o que chega e temos que envolvê-lo nas melhores de nossas vibrações. 

E não podemos esquecer que as oportunidades não vem na hora que a gente está ocioso: “eu estou aqui sentado na porta de casa aguardando, onde é que está o pequenino?” Aí, você pode ficar e ficar, que o pequenino não aparece. E não tem outra, é no tumulto que esse pequenino aparece e que oportunidades nos surgem.

13 de ago de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 6


OS PANOS


“E DEU À LUZ A SEU FILHO PRIMOGÊNITO, E ENVOLVEU-O EM PANOS, E DEITOU-O NUMA MANJEDOURA, PORQUE NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM.” LUCAS 2:7

À época do casamento de José e Maria, o imperador César Augustus decretou que todos os habitantes do império romano fossem contados. Deveria ser realizado um censo de modo a poder ser usado para uma cobrança mais eficiente de impostos.

Os judeus sempre tiveram uma prevenção contra qualquer tentativa de enumerar o povo e isso, além das dificuldades domésticas com Herodes, rei da Judéia, conspirou para causar o adiamento por um ano na concretização desse censo no meio dos judeus. Assim sendo, em todo o império romano esse censo ficou registrado no tempo determinado, com excessão para o reino de Herodes na Palestina, onde foi feito um ano mais tarde.

Não era necessário que Maria fosse a Belém satisfazer esse registro, José estava autorizado a fazê-lo por toda sua família. Maria, no entanto, dinâmica, insistiu em acompanhá-lo. De certa forma, ela temia que deixada sozinha a criança nascesse enquanto José estivesse ausente. Além do mais, Belém, não sendo longe da cidade de Judá, ela previu a possibilidade de agradável visita à Isabel.

Já tivemos a oportunidade de comentar que falar do nascimento de Jesus a dois mil anos atrás não nos atende mais. O que nos importa hoje, com toda a certeza, é o nascimento da estrutura crística em nós. O Cristo continuamente continua nascendo em nosso campo íntimo. E vamos perceber que a estrebaria define onde ele nasce, ao passo que a manjedoura aponta a finalidade desse nascimento.

A estrebaria vem definir onde se dá o nascimento de Jesus dentro de nós, que se dá à margem do contexto principal em que os valores de nossa vida orbitam.

Então, veja bem, “não havia lugar para eles na estalagem”. Vida é processo de eleição pessoal e dentro da sistemática de vida que elegemos não existe espaço para o seu nascimento no plano principal ou central de nossas atenções.

Percebeu? Ele não nasce no centro de nossa vida mental, mas em um local simples e distanciado. E mesmo assim tem que correr com ele prá lá e prá cá, para um lado e para outro, pois querem atentar contra vida do menino. É pelo crescimento da estrutura crística em nós que permitimos que ele entre nas províncias da nossa intimidade e realize as obras de uma vida voltada à nossa redenção.

E ao nascer Jesus é colocado na manjedoura, que é berço simples, porque a simplicidade é o que caracteriza o símbolo da manjedoura e da estrebaria. E bem mais do que ser o símbolo da humildade a manjedoura é símbolo que define a capacidade de doação do ser. Vem mostrar a que se destina a chegada de Jesus em nós, a finalidade desse nascimento. Porque manjedoura é tabuleiro, é lugar onde se põe alimento, comida para os animais da estrebaria.

E ele mesmo disse ser a “videira verdadeira” e o “pão da vida”, fornecedor de componentes alimentícios para a vida eterna.

Por isso, o evangelho é para aqueles que querem fazer. Não é para aqueles que estão acomodados. É um código moral que envolve a intimidade do ser, presdispondo-o a um trabalho em favor daqueles visitados por dificuldades maiores.

O evangelho nos diz que Jesus foi envolvido em panos ao nascer, que Maria envolveu o menino em panos (“E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.”)

Ora, o pano é um tecido e o tecido é resultante do entrelaçamento, da ligação, da união de fios. E se estamos falando em fios esses fios podem muito bem ser a representação das nossas vibrações. Claro, afinal de contas já tivemos a oportunidade de mencionar que o vestido é o resultante das irradiações intrínsecas.

Isso significa que quando chegar alguém em nossa porta, ou nossa órbita, o recado é envolvê-lo em panos, em nossas vibrações. Vibrações de natureza acolhedora e protetora.

Vamos detalhar muito bem isso nos próximos tópicos. Porque estamos aqui ingerindo orientações na busca de uma formação consciente de vida. Preparando-nos para fazer, tentando incorporar a posição de receber alguém em nome do Cristo.

9 de ago de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 5


O NOME E A DIGNIDADE

“4MAS TAMBÉM TENS EM SARDES ALGUMAS PESSOAS QUE NÃO CONTAMINARAM SUAS VESTES, E COMIGO ANDARÃO DE BRANCO; PORQUANTO SÃO DIGNAS DISSO. 5O QUE VENCER SERÁ VESTIDO DE VESTES BRANCAS, E DE MANEIRA NENHUMA RISCAREI O SEU NOME DO LIVRO DA VIDA; E CONFESSAREI O SEU NOME DIANTE DE MEU PAI E DIANTE DOS SEUS ANJOS.” APOCALISPSE 3:4-5

O registro das pessoas àquela época era feito por meio da inserção do nome em um livro.

O nome seria o processo de identificação pessoal. Assim, o nome das pessoas era listado, ou seja, nascia alguém, listava. O fato de o nome estar escrito no registro significava que a pessoa estava viva, que ela tinha determinados direitos inerentes à cidadania. E quando a pessoa morria o nome era retirado. Portanto, se procurasse o nome e não o achasse significava que a pessoa morreu.

Retirar o nome significava a morte ou a perda dos direitos de cidadão. E dentro de uma linha de projeção, retirar o nome do livro da vida é de alguma forma perder os direitos.

O processo de candidatura nossa no âmbito da vida, no campo que diz respeito à superação de nós próprios, sempre iniciará em nome de. Não tem como ser diferente. Por exemplo, eu aprendo que perdoar é importante, e isso diz o evangelho.

Aí, eu chego em casa e tenho um atrito com alguém. Isso me chateia, mas eu penso comigo mesmo: “Em nome daquilo que eu tenho aprendido eu vou esquecer.” E esqueço, e é coisa passada. Perdôo em nome de. Entendido até aí? Nós perdoamos em nome de. Por enquanto, nós temos que fazer em nome de (“tudo que pedis em meu nome”), até que venhamos a ter o nosso nome devidamente referenciado, aprovado pelas hostes que trabalham ao nível da própria consciência.

“E de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida.” Nesse caso nós vamos ter um nome que já é específico da criatura. Daí, não riscará o nome porque o “seu nome” já está em perfeita correlação com o nome daquele que gerencia o amor em todo o universo. Existe uma manifestação, já está incrustado, se mantém ligado à corrente natural do amor. Ele passou a ter um nome específico dele, não estava fazendo mais em nome de. Em nome de nós branqueamos o vestido, e em nome próprio, sob a tutela de, nós temos a posse efetiva do vestido branco. E tem muita coisa que você faz em seu nome. Você atua em nome próprio naquelas coisas que você já domina, que faz, que acredita.

“E confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” Agora, se nós vencemos nesse parâmetro em que operamos vamos para uma percepção nova, amplia-se a nossa ótica. Confessar o nome diante do Pai e dos seus anjos quer dizer que passamos a interagir com um grupo operacional além da nossa atual posição. “Seus anjos”, isto é, nós passamos a trabalhar em um nível além, em patamar acima do grupo em que nos situávamos. Passamos a trabalhar em um nível além, quando antes o nosso grupo era aqui. Nosso grupo passa a ser acima.

Constantemente estamos embutidos em uma coletividade mais ampla, menos ampla ou até mesmo restrita, e vamos continuamente alcançando liames cada vez mais abrangentes. É como estrada. Vamos seguindo, e de repente parece que ela acabou. Basta a gente continuar firme para obeservar que à frente tem mais estradas.

E “será vestido” de branco. Será vestido, no futuro. E o agente que opera essa vestimenta parece ser o Cristo. É ele que vai nos vestir com um vestido branco, embora nós ainda não tenhamos a posse de um vestido dessa qualidade.

A escritura nos mostra que independente do vestido ser verde, azul ou cor de rosa, cada um na sua faixa, se nós tivermos um plano de dignidade, esta dignidade é que vai conferir esse presente que é ser vestido de branco pelo Cristo íntimo.

Somos vestidos a partir do instante que nos colocamos em um padrão de dignidade. “São dignas disso”, isto é, não foram suscetíveis nesse contágio, ainda que passando ou mergulhando em verdadeiro lamaçal de dificuldades. Dá a entender que o vestido que não foi contaminado não necessariamente ele já era branco. 

Até hoje não sabemos onde a vida começa e onde termina. O que garantirá a minha harmonia no degrau em que estou é a ação crística que eu trago comigo, e que me confere atuar com ela até onde o meu grau de conhecimento e de impedimento da vida permitir. Vamos ter tranquilidade e também saber nos posicionar nessa faixa específica que nos é competente dando o nosso melhor.

Porque com a qualidade há a dignidade, e essa dignidade é relativa ao plano onde nós estamos ou conquistamos. O que é importante é que no degrau onde você estiver você consiga essa dignidade, porque essa dignidade é que te faz feliz, que lhe dá harmonia. Você vence a luta íntima entre o que sabe e o que passa a fazer.

Imagine que duas mães podem chegar ao final da vida, olhar para trás e ver, às vezes, que os filhos que tiveram não chegaram naquele ponto onde elas gostariam que estivessem.

A primeira pode desencarnar acentuadamente atribulada em razão disso. E a segunda pode desencarnar tranquila e estar bem, porque embora ainda não tenham chegado a ponto nenhum ela fez o que podia. Ou seja, ela usou toda  estrutura crística de operação no amor, como mãe, e também como um ser que tem a expressão crística dentro de si. A mãe que não consegue levar o filho fique serena porque fez o que pode. Somos aferidos por aquilo que fizemos e também como fizemos.

6 de ago de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 4

ANDAR DE BRANCO

“4MAS TAMBÉM TENS EM SARDES ALGUMAS PESSOAS QUE NÃO CONTAMINARAM SUAS VESTES, E COMIGO ANDARÃO DE BRANCO; PORQUANTO SÃO DIGNAS DISSO. 5O QUE VENCER SERÁ VESTIDO DE VESTES BRANCAS, E DE MANEIRA NENHUMA RISCAREI O SEU NOME DO LIVRO DA VIDA; E CONFESSAREI O SEU NOME DIANTE DE MEU PAI E DIANTE DOS SEUS ANJOS.” APOCALISPSE 3:4-5

“O que vencer será vestido de vestes brancas” e a gente questiona porque ainda será vestido. Porque será vestido é uma referência ao futuro, algo por vir.  Essa vestimenta vai ser uma resposta natural da misericórdia divina ao modo de vida implementado. É uma decorrência natural àquele que venceu a si mesmo.

Sabemos que o vestido é resultante da irradiação intrínseca da pessoa, e isso está bem claro, creio. No entanto, esse vestido, por mais claro que ele seja, e independente da sua coloração e mesmo da sua tessitura, está sempre em reformulação.

E ocorre que quando projetamos a nossa busca no conhecimento, ou seja, em cima do valor informativo, envolvemo-nos inicialmente em vestes que não apresentam uma tessitura, que não apresentam uma estrutura definida, e que por isso pode vir a romper-se a qualquer momento. Porque o vestido, com legitimidade, é decorrente do que se irradia, do que se faz, não daquilo que se recebe.

Para isso, não pode ser negligenciada em tempo algum o componente da vigilância.

Será vestido de vestes brancas aquele que vencer a si mesmo na grande luta entre o plano informativo e o plano operacional. Uma resultante. Essas vestes brancas vão definir a aquisição de uma irradiação diferenciada, aquisição de um novo tecido fundamentado na harmonia, no conhecimento e, acima de tudo, na prática.

E “andarão comigo”. Acho que não há dúvida que isso se refere à manifestação operacional, porque ninguém anda parado. Andar quer dizer movimentar, dinamizar, pois o que está com Jesus não pode estacionar, não pode acomodar-se.

O verbo apresenta-se de forma clara nesse sentido: movimentarão. Andarão comigo quer dizer Jesus com Deus operando, e nós com o Cristo realizando. Aquele religioso que estiver pensando em um lugar acomodatício no céu precisa ler esse versículo, entender e rever seus conceitos, alterar sua concepção. Porque andar significa movimentar-se. E bonito é que enquanto a criatura estiver nesse movimento ela vai estar acompanhada dessa veste branca.

O amigo da humanidade passou e vem passando no meio dos contaminados, e continuamente tem nos ensinado acerca dos batismos, que, por sinal, estudamos no início deste trabalho. O primeiro batismo é o da não contaminação, é aquele no qual se investe na vacina do Cristo, ingere o ensinamento de Jesus para não se contaminar. O segundo batismo é ir ao encontro das necessidades alheias, tendo-as como oportunidade de trabalho. Mas ir sem violentar quem quer que seja e também sem se contaminar. Isso é importante demais.

A questão não é guardar a veste para não sujar, é o contrário. Muitos de nós conseguimos passar da primeira parte de forma tranquila. Tiramos de letra, não nos contagiamos, ou se isso ocorre conseguimos nos limpar. De certa forma, criamos uma assepsia adequada. Porém, muitos de nós falhamos quando saímos ao encontro dos contaminados. Aí complica. Podemos dizer que uma enormidade que tem estudado conosco aqui são os emersos do segundo lance.

Em se tratando de assunto espiritual, quando a questão é o campo doutrinário do evangelho, sem dúvida nós não podemos nos titular primeiro para sair operando depois, como acontece em todas as faculdades tradicionais. Aqui no mundo que vivemos, se você vir a atuar em uma área específica que tenha titulação acadêmica, sem o ter, você está sendo um impostor. Porém, quando se trata das realidades do espírito, se você esperar receber o título para em seguida operar você nunca opera. Até vamos mais à frente, não opera e tampouco recebe o título, pois é um processo que vai ocorrendo de forma simultânea, concomitante.

A gente vai sendo guindado às possibilidades novas na medida em que operamos. E nos degraus subsequentes já nos apresentamos com essa expressão clarificada. E percebemos que o próprio degrau que vai sendo ascendido, nessa subida, é que vai garantindo essa brancura ao nível de uma expressão de dentro para fora, não de um processo extrínseco de fora para dentro.

2 de ago de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 3

O VESTIDO BRANCO E A NÃO CONTAMINAÇÃO

“4MAS TAMBÉM TENS EM SARDES ALGUMAS PESSOAS QUE NÃO CONTAMINARAM SUAS VESTES, E COMIGO ANDARÃO DE BRANCO; PORQUANTO SÃO DIGNAS DISSO. 5O QUE VENCER SERÁ VESTIDO DE VESTES BRANCAS, E DE MANEIRA NENHUMA RISCAREI O SEU NOME DO LIVRO DA VIDA; E CONFESSAREI O SEU NOME DIANTE DE MEU PAI E DIANTE DOS SEUS ANJOS.” APOCALISPSE 3:4-5

“11E O REI, ENTRANDO PARA VER OS CONVIDADOS, VIU ALI UM HOMEM QUE NÃO ESTAVA TRAJADO COM VESTE DE NÚPCIAS. 12E DISSE-LHE: AMIGO, COMO ENTRASTE AQUI, NÃO TENDO VESTE NUPCIAL? E ELE EMUDECEU.” MATEUS 22:11-12

“13E UM DOS ANCIÃOS ME FALOU, DIZENDO: ESTES QUE ESTÃO VESTIDOS DE VESTES BRANCAS, QUEM SÃO, E DE ONDE VIERAM? 14E EU DISSE-LHE: SENHOR, TU SABES. E ELE DISSE-ME: ESTES SÃO OS QUE VIERAM DA GRANDE TRIBULAÇÃO, E LAVARAM AS SUAS VESTES E AS BRANQUEARAM NO SANGUE DO CORDEIRO.” APOCALIPSE 7:13-14

Era um costume daquela época as pessoas não entrarem no templo usando roupa suja. Você deve se lembrar do festim das bodas no evangelho, quando faz referência à túnica nupcial.

Bem, era um ritual, um dever exterior. De certa forma, existia uma relação entre ir ao encontro do Senhor e o traje apropriado, a forma de se apresentar. Não se ia de qualquer jeito, vestia-se uma roupa limpinha para entrar no templo, era preciso vestir-se de forma adequada. Essa vestimenta limpinha, branca, fala naturalmente da necessidade de se manter o padrão de pureza, fala da pureza, da condição de retidão, da inocência, do preparo e até mesmo de um determinado padrão de santidade para se colocar em relação com o Senhor.

O branco transmite uma expressão clarificada, expressa harmonia. E é imperioso sairmos da morte que em certas ocasiões nos situamos, para entrar na vida plena aonde iremos nos vestir como os anjos, vestidos de brancos, com túnicas resplandecentes.

Observe que essa pureza é a expressão máxima que nós podemos conseguir no plano em que vivemos.

A cor branca apresenta uma síntese das demais cores, ela constitui-se no denominador das várias cores, é uma somatória. Isso mesmo, o branco é a soma de todas as cores, é a soma de uma enormidade de valores, afinal, precisamos trabalhar sob os mais variados campos ao longo das jornadas terrenas.

Em outras palavras, ela é um parâmetro de abertura e ao mesmo tempo permite a decomposição, porque lançada sob o prisma ela se decompõe. E a decomposição do branco atinge o educando na faixa em que ele consegue perceber. Isso é bonito e profundo demais de se entender. E não sendo branca, sendo azul, verde ou amarela, ela seria isolada dentro de uma determinada faceta.

Note que o filho do homem apresenta um vestido branco comprido até os pés, o que indica autoridade plena em cima do que ele conquistou e efetivou. É diferente de muitos que se encontram investidos de roupas brancas. Estar investido de vestes brancas denota uma condição transitória, é uma autoridade para serviço. Sem dúvida, muitos estão investidos de roupas brancas para o trabalho.

“E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do cordeiro.” (Apocalipse 7:14)

Essa expressão apocalíptica “os que vieram de grande tribulação e lavaram os seus vestidos e os branquearam com o sangue do cordeiro” nos fala da luta vivida aqui no orbe durante toda a nossa encarnação. São as nossas lutas corriqueiras, os nossos desafios constantes, os percalços para solucionar, o esforço para chegar.

Estamos aprendendo juntos neste estudo que na atualidade de nossa vida já não cabe concepções meramente filosóficas. Isso não resolve. Pelo contrário, compreendemos que as expressões assimiladas de forma intelectiva representam revelações que buscam direcionar o nosso espírito no grande destino da redenção.

Não há dúvida nenhuma que estamos aqui sendo tocados em nossas vestes pelos padrões superiores que fazem a linha de toque e adentram o campo essencial de nossa vida para poderem se expressar ao nível de uma realidade de vida.

Estamos lutando dia após dia para branquear os nossos vestidos. E branquear os vestidos quer dizer sacrificar-se, significa a justiça dos santos, refere-se aos testemunhos diversificados. Os que estão lavando as suas vestes são aquelas individualidades convocadas para os testemunhos. Vivenciam padecimentos, grandes dificuldades, no entanto, na consciência vibra a paz. Assim, vamos lembrar que essa expressão vestes brancas define uma vestimenta a serviço do criador.

Nós vivemos em meio a uma sociedade que tem de tudo. Aliás, se somos hoje tocados em nossas vestes pelos padrões superiores que fazem a linha de toque e adentram o campo essencial de nossa vida, recebemos também aqueles toques de natureza negativa que poderão encontrar linhas de germinação dentro de nós.

Continuamente nós estamos sendo influenciados pelo meio. Mas quem escolhe o meio em que nós estamos somos nós mesmos. Vale não esquecer que o meio é sempre um reflexo também de nossas necessidades interiores. A criatura pode viver em um ambiente delinquente e não vir a se contaminar. Às vezes até se contamina, no entanto, há uma resistência de dentro para fora neutralizando todo esse contágio. A forma de não se contaminar os vestidos é pela vigilância. Não se envolver e não se deixar levar pelas sujidades do caminho.

O mundo tem e sempre teve criaturas nos graus evolucionais mais diversificados. E para evitar esse contágio o que os discípulos de João Batista faziam? Eles faziam jejum, não andavam com os pecadores, não comiam com os pecadores, não andavam com as meretrizes, não passavam nem próximo delas.

E tem muito religioso assim nos dias de hoje. Não passa na frente do bar para não beber. Aliás, além de não beber abomina a bebida. Não fala palavrão. Tem uma fila deles, todos assim, bonitinhos, dentro dos padrões, em termos de segurança.

E tem muitos sacerdotes e religiosos tradicionais trabalhando na defensiva. Buscam livrar-se do inferno e reservarem para si o céu, são seguidos pelo medo do inferno. Levantam a bandeira do Cristo, enunciam palavras bonitas de amor ao evangelho, mas não querem se contaminar. Isso sem contar, ainda, uma enormidade de indivíduos que querem levar o amor, sim, mas com uma espada na mão.

Meus amigos, o processo não é mais o de salvar a pele do religioso tradicional, que declara que está com Jesus e que não vai para o inferno de jeito nenhum. Isso é coisa antiga, para nós já ficou para trás faz tempo, embora ainda seja algo presente para milhões de pessoas. A questão é que quanto maior a preocupação da criatura no campo da segurança nesse sentido maior é o reconhecimento que essa individualidade tem de que ela é susceptível de vir a se contaminar.

Quanto mais preocupação com a segurança mais o indivíduo se apercebe que é suscetível de se contaminar. Isso é fato. Enquanto ficamos muito amarrados aos impactos e dificuldades ainda ficamos em uma posição de acentuada inabilitação, significa que nós ainda não estamos bem colocados. Com o Cristo trabalhamos não na defensiva, mas na ofensiva. Se João Batista jejuava, Jesus, além de não jejuar alimentava-se com pecadores e problemáticos de toda ordem.

Conosco, que aderimos ao evangelho, não pode ser diferente, temos que conviver e relacionar com um mundo que tem de tudo. Quando evitamos os complicados demonstramos que nos situamos em um processo de purificação, de educação.

Vamos utilizar o conhecimento que nos tem visitado. No campo operacional do bem é importante nós entrarmos, ou ao menos tentarmos entrar, na percepção do complicado, daquele agente emissor de ondas mentais desordenadas. Sabe por quê? Porque na hora em que penetramos a sua necessidade intrínseca observamos que se nós estamos querendo ser filhos de Deus ele também o é. Tanto quanto nós. Só que ele foi contaminado, permitiu-se contaminar. A conclusão do tópico é muito simples: sem amar é muito difícil evitar o contágio.

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