16 de ago de 2011

Cap 15 - Os Vestidos e os Panos - Parte 7


NÃO DESPREZEIS ALGUM DESTES PEQUENINOS

“1NAQUELA MESMA HORA CHEGARAM OS DISCÍPULOS AO PÉ DE JESUS, DIZENDO: QUEM É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS? 2E JESUS, CHAMANDO UM MENINO, O PÔS NO MEIO DELES, 3E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS. 4PORTANTO, AQUELE QUE SE TORNAR HUMILDE COMO ESTE MENINO, ESSE É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS. 5E QUALQUER QUE RECEBER EM MEU NOME UM MENINO, TAL COMO ESTE, A MIM ME RECEBE.” MATEUS 18:1-5 

“E, RESPONDENDO O REI, LHES DIRÁ: EM VERDADE VOS DIGO QUE QUANDO O FIZESTES A UM DESTES MEUS PEQUENINOS IRMÃOS, A MIM O FIZESTES.” MATEUS 25:40

“VEDE, NÃO DESPREZEIS ALGUM DESTES PEQUENINOS, PORQUE EU VOS DIGO QUE OS SEUS ANJOS NOS CÉUS SEMPRE VÊEM A FACE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 18:10  

Em certa ocasião os discípulos chegaram ao pé de Jesus e o indagaram: “Quem é o maior no reino dos céus?” O mestre Jesus, indagado, pôs um menino no meio deles.

E se pôs um menino é porque menino tem certa representatividade evangélica, tem uma significância, esse menino tem um sentido importante na acepção do evangelho.

E não o colocou em qualquer lugar, pôs no meio. E meio é centro, é equilíbrio, define uma posição de destaque. O meio é ponto de referência, logo, o menino no meio é um significado de destaque. O evangelho tem essa beleza e profundidade, nos apresenta todo um sistema montado, os discípulos aos pés de Jesus reconhecem sua autoridade maior, e Jesus apresenta o menino que era o menor dentre eles. Logo, se a criatura olha para cima vê (de onde recebe) e se olha para baixo vê também (para quem canalizar o valor que se aprende).

Jesus pôs um menino no meio. Afinal de contas, sabemos que para todos os efeitos somos, ainda, crianças no entendimento. O menino aqui é na sua estrutura formativa ética e moral, que nós temos uma responsabilidade muito grande de ajudar.

“E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe” (Mateus 18:5). O menino referenciado nesta passagem da escritura  apresenta, por uma ótica, por uma linha perceptiva, que ele é uma criatura destituída de tal ou qual situação. Mais à frente Jesus lhe faz referência como “pequenino” (“E, respondendo o rei, lhes dirá: em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” Mateus 25:40).

O pequenino é aquele que em determinado ângulo da sua experiência tem ânsia de crescer. Isso mesmo. É o pequenino que quer alfabetizar-se, que quer ter conhecimento da realidade espiritual, é o pequenino que quer almoçar, que está com fome, que está precisando de uma palavra de reconforto, é o pequenino que está precisando de uma dose de esperança, de consolo. Isso porque pequenino aqui nesse texto tem um sentido pouco diferente da humildade, ele representa aquele que é carente. Observou? “Pequeninos” aqui vão ao infinito, porque ele é pequenino perante aquele que tem uma dose pelo menos com uma sobrazinha ou um mínimo indispensável em que pode atender. Forte, alto, fraco, são adjetivos relativos, sempre em relação a algo ou alguém.

O pobre é aquele que se identifica carente, como a criança também. E o necessitado, o faminto, é Jesus personificado à nossa frente. À vista da misericórdia divina o carente é um menino que nós temos que recebê-lo e o nosso envolvimento vibratório a ele representa esses panos. Por isso comentamos no tópico anterior que estamos aprendendo o evangelho para nos posicionarmos na condição de receber alguém em nome de Jesus. E onde está cheio de pequenino é dentro de casa. Tem quatro, cinco, seis dentro de casa, e cada um é pequenino do seu jeito.

Quando a gente começa a procurar os pequeninos dentro do próprio ambiente doméstico já é um grande sinal. Porque ao procurar os pequeninos nós estamos tentando identificar dentro de nós o que temos para oferecer a eles para que cresçam.

A princípio nossa manifestação de sensibilidade é periférica, fica de certa forma restrita ao plano exterior. Mantemos conosco uma ótica de acentuada expressão exterior, tanto que para nós o carente é aquele que está precisando de roupa, precisando de comida, precisando de algo tangível. É óbvio que não temos que deixar essa percepção exterior se perder, de forma alguma, porém, precisamos ir além, pois são variáveis os pontos de carência e necessidade do ser.

“3Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. 4Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. 5E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe.” Mateus 18:3-5

É muito interessante isso: eu tenho que me tornar humilde como aquele menino. 

Porque se eu não me tornar humilde como aquele menino eu não vou apresentar condições de poder envolvê-lo em panos. Você está entendendo a beleza e a profundidade disto? Sem humildade eu não tenho como receber e envolver a criatura que pode ter quarenta, cinquenta, sessenta ou oitenta anos de idade, porque nós ficamos bitolados achando que o menino aqui é no sentido de criança, e que tem até sete anos, e isso não pode aparecer no evangelho.

Menino é uma expressão de alta significância, referência a determinados padrões e características. O menino tem sentido de obediência, necessidade de aprender, docilidade, não guarda rancor, aspecto de pureza, vontade de crescer, etc.

Dessa forma, todo aquele que consegue fazer-se menino, essa criatura já está no cultivo da humildade, do apequenar-se. Para isso eu preciso me fazer humilde.

“Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Temos aí a presença de dois verbos. Então, veja bem, diante de uma situação que surge na vida eu me faço humilde. Outra circunstância me defronta e novamente eu me faço humilde. Em mais uma situação eu opto pela humildade. Logo, pela sucessão de situações em que me faço humilde eu acabo por me tornar humilde.

“Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” No “em verdade vos digo que de modo algum entrareis no reino dos céus” existe uma ênfase. Note que a expressão “de modo algum” é da maior importância, quer dizer que não tem como entrar efetivamente.

A visão desse reino dos céus nós já possuímos. Enxergamos que é uma beleza, e nem precisamos de óculos. Agora, ver é uma coisa e entrar é outra. A entrada só se efetiva pela ação do indivíduo, pela mudança, que representa o nascer de uma personalidade nova no seu sentido não de proposta mental, mas de realidade estrutural e vivencial da pessoa. Aí, sim, vamos ter presença do entrar. E para que a entrada se faça inúmeras reencarnações nos são propostas pela misericórdia divina.

O mestre Jesus nos aconselha sabiamente a jamais desprezarmos algum pequenino (“Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu pai que está nos céus”.)

Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto, pois a estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e que essa mesma luz seja glorificada, e nesse intercâmbio substancialmente divino o ignorante aprende e o sábio cresce.

Às vezes, o pedinte representa aquele que vai detonar em nós a força da caridade. A gente rejeita, mas ele é elemento encaminhado à sensibilização da gente. Muitas vezes está sendo colocado em contato conosco justamente para isso.

Às vezes queremos afastar o complicado, pois quando em contato com ele queremos confrontá-lo. Isso é muito comum de acontecer. Queremos e até conseguimos de certa forma fazer luz em nós, no entanto, a luz foi feita para se direcionar à treva. E em contato com a treva ao invés de desativá-la queremos agredi-la.

Não podemos desprezar o pequenino, pois ele é a oportunidade do nosso crescimento e redenção. Vamos pensar nisso com muito carinho daqui prá frente.

É importante não desprezarmos esse pequenino porque do contrário a chance veio e não aproveitamos, e às vezes ela não volta nessa encarnação mais. Quando desprezamos o pequenino, que diante de nós representa uma criatura que poderia receber para crescer, e nós tínhamos os componentes para lhe oferecer, aí se perdeu a oportunidade da experiência, do testemunho e da prova.

E cada chamamento do outro, cada telefonema, cada toque no nosso interfone, cada circunstância em que somos chamados a atender, e quem muitas vezes nos chega como inconveniência, como obstáculo em nossa jornada, define um tipo específico de carência daqueles com quem nós vamos ter que lidar a curto, médio ou longo prazo na extensão da tarefa que nos compete no plano da vida.

Cada fato assim representa um reflexo muito próximo daquilo que a gente vai ter que lidar no futuro, seja a curto, médio ou longo prazo na nossa ação prática. E está chegando hoje como um acontecimento emergente para a nossa aprendizagem.

Esses valores são lições vivas para uma abertura de coração, para a tarefa que nos compete no futuro. Temos que saber aproveitar as múltiplas possibilidades no plano do auxílio. Por exemplo, em nossa casa pode ter uma pessoa que está em linha direta sobre a nossa responsabilidade. Se essa pessoa tem encaminhamentos de aprendizado, de libertação, e eu, que estou 24 horas por dia com ela não estou dando conta do recado, pode ter certeza que vai pintar um professor na vida dela, um amigo, um orientador, alguma coisa, e vai fazer o que eu não aproveitei a oportunidade para fazer. Assim funciona, queiramos ou não, diante da grandeza de Deus somos seus instrumentos, somos a mão de Deus.

E podemos ter em nosso círculo de relação alguém que ninguém aguenta, mas ele faz parte do nosso corpo de necessidades. É necessário termos dentro de nós valores que possamos utilizar no sentido de ajudá-lo, ou pelo menos administrar o processo, para que nós possamos nos elevar. Não tenho como evoluir achando que sou o maior. Isso não existe, ninguém é melhor do que ninguém, posso ser o mais bem informado em determinado terreno, nada mais do que isso. 

À medida que vão abrindo as linhas perceptivas, vamos sentindo que é preciso trabalhar, buscar componentes que facilitem a decodificação para que nosso pensamento possa abranger camadas outras que não estão no mesmo nível de realização que estamos. 

Podem estar no mesmo nível de interesses, mas não no nível de realização que já temos. Por isso interdependência e cooperação funcionam na extensão do universo. Não tem como evoluir esquecido dos outros. De um lado os que estão acima canalizando, e de outro o que estão abaixo esperando a nossa cooperação.

E quantas vezes se nos deparar o humilde perseguido e expoliado defendamo-lo, pois esse humilde é Jesus Cristo disfarçado; quando virmos o órfão abandonado, sem pão, sem família, sem lar, roto e faminto, amparemo-lo sem perda de tempo, esse órfão é Jesus Cristo que veladamente nos procura; quando ao nosso lado se apresentar a velhice, trêpega e desalentada, sem arrimo nem esperança, cumpre acolhê-la, cercando-a dos devidos cuidados, pois é o mesmo Jesus Cristo que bate às nossas portas. O sofredor, seja esse ou aquele, é, invariavelmente, a imagem viva de Jesus, a única imagem real que dele existe na Terra, a única digna do culto e da reverência dos verdadeiros cristãos, pois é aquela que envolve, sob vários aspectos, o ideal de amor que Jesus personifica.

E não te digas inútil nem te afirme incapaz, todos conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral. Ninguém existe que não possa auxiliar alguém, estendendo o agasalho da simpatia pelos fios singelos do coração. 

Nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto. Aqui e ali surpreendemos os que vagueiam deserdados de apoio e convivência.  Às vezes o que hoje se reergue com tua migalha de amor é quem te vai solucionar as necessidades de amanhã. E nós somos aferidos na paciência, aferidos na determinação, na decisão que a gente tem que tomar, na resposta que a gente está dando, na capacidade de não se sensibilizar, para não ficar suscetível. A gente tem que temperar ao nível da justiça para exercitar ao nível do amor.

Pois quem tem que operar em nome de Deus somos nós, espíritos encarnados e desencarnados. 

Agora lembre-se: No plano filosófico, teórico, o Cristo é a eleição íntima nossa de mudar de vida, mas no plano de praticidade, operacional, ele não está dentro de nós, está na pessoa do que chega perto de nós, no nosso próximo. O necessitado é Jesus personificado à nossa frente. Esse que é envolvido em panos é o que chega e temos que envolvê-lo nas melhores de nossas vibrações. 

E não podemos esquecer que as oportunidades não vem na hora que a gente está ocioso: “eu estou aqui sentado na porta de casa aguardando, onde é que está o pequenino?” Aí, você pode ficar e ficar, que o pequenino não aparece. E não tem outra, é no tumulto que esse pequenino aparece e que oportunidades nos surgem.

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