27 de ago de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 2


IGREJA E TEMPLO

“TEMOS UM ALTAR, DE QUE NÃO TEM DIREITO DE COMER OS QUE SERVEM AO TABERNÁCULO.” HEBREUS 13:10  

“E NOS FEZ REIS E SACERDOTES PARA DEUS E SEU PAI; A ELE GLÓRIA E PODER PARA TODO O SEMPRE. AMÉM.” APOCALIPSE 1:6

Os templos da fé religiosa no mundo, desde que consagrados à divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus onde Jesus ministra seus bens aos corações da Terra, independentemente da escola de crença a que se filiam.

A igreja normalmente representa aquele veículo decodificador do pensamento divino a nível informativo, através da qual os valores chegam ao plano perceptivo das criaturas. É núcleo que irradia a luz, que tem por fim iluminar as trevas.

Assim, qualquer que seja o templo em que se expresse é santuário de educação da alma no seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade, e a finalidade máxima dos templos é despertar-nos a consciência.

A gente pensa em igreja e por conjugação de idéias ela nos faz pensar em templo. Igreja é assembléia de fiéis, um conjunto de fiéis ligados por uma mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais, representa um agrupamento que define a filosofia que a criatura esposa, que nutre no coração. Em um sentido profundo, igreja significa grupo de pessoas vinculadas a uma visão nova que o cristianismo sugere. Não necessariamente um templo físico, mas grupo de pessoas.

O que notamos hoje é que muitas das igrejas tomaram do cristianismo somente o título. Originadas na ambição e egoísmo insondável do homem, que tudo procura amoldar às exigências insaciáveis de seus mesquinhos interesses, nutrem rivalidade, ignorância, orgulho e preconceito. No entanto, enquanto as variadas igrejas se digladiarem entre si estarão demonstrando literalmente que não conseguiram atingir o ideal sublime proposto pelo filho de José e Maria e estão longe da religião do amor.

Igreja é núcleo, mas sempre envolvendo alguém à frente desse núcleo. Observa-se, por exemplo, que cada uma das sete igrejas do apocalipse é sempre administrada por um anjo, que por sinal nunca está só. Afinal de contas, se ele estiver sozinho o trabalho é relativo e passa a deixar muito a desejar.

As sete igrejas do apocalipse indicam o foco onde se congregou o ideal cristão da época, são a representação dos vários níveis em que os seres na vida física do planeta, e também no plano espiritual, podem ir se ajustando, ajuntando, aglomerando, afinando. É aquele centro, unidade que aponta um agrupamento de corações, e as mensagens contidas nessas sete cartas iniciais não são mensagens vagas, desconexas, mas cada uma delas é direcionada à respectiva igreja. Apresentam aquele apontamento relacionado com as responsabilidades assumidas.

Entendeu? Não sei se eu estou falando grego, mas a importância das mensagens nelas contidas é que suas orientações são faladas à nossa intimidade. O bonito é entender que elas são mensagens universais, e por serem universais tem atualidade em qualquer lugar e momento, por que as dificuldades dos homens invariavelmente passam por alguma faceta ou linha que tange aquilo que foi mencionado nelas.

Quando falamos ou pensamos em evangelho quase que automaticamente o associamos à idéia de igreja e religião. Até agora construímos altares em toda parte, reverenciando ao mestre e Senhor. É inegável que todo templo de pedra dignamente superintendido funciona qual farol no seio das sombras indicando os caminhos retos aos navegantes do mundo, mas não podemos esquecer que o evangelho já transpôs os muros de pedras das igrejas para atingir os terrenos amplos da intimidade do ser. Já deixou de ser assunto de religião para se tornar assunto de vida. Ele opera no anonimato revolvendo o coração de cada um de forma nítida e substanciosa.

O movimento vital das idéias e realizações baseia-se na igreja viva do espírito, no coração dos homens. E sem adesão do sentimento no âmago de cada um qualquer manifestação religiosa reduz-se a mero culto externo. Não estamos aqui para fazer críticas, porém, o cristianismo, que deveria ser a mais ampla e simples das escolas de fé há muito tempo que se enquistou no superficialismo dos templos.

Para cada faixa de evolução remanescem crenças e cultos próprios para suas necessidades. No entanto, precisamos sair do misticismo contumaz que vem nos batendo através dos séculos para entrarmos em um plano natural de bom senso e lógica.

É fácil constatar que certas manifestações religiosas muitas vezes não passam de vícios populares nos hábitos exteriores. Para muitos os cultos religiosos nos templos de pedra se resumem a convencionalismo sem sentido, porém, de muito agrado social, em razão dos encontros pessoais e das múltiplas conveniências que deles resultam.

E você sabe que eu não estou exagerando. Uma multidão de pessoas acredita ser religiosa, mas não passa de meros ritualistas. E nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. Em muitos companheiros nos envolvimentos nos planos das religiões a indiferença permanece dia após dia, sem qualquer sinal de introspecção ou conquista iluminativa. E se mudar de crença religiosa pode ser modificação de caminho, por outro lado pode representar unicamente a continuidade da perturbação. O fato importante é que os nossos rituais religiosos vão se transformando à medida que evoluímos e passamos a precisar de manifestação cada vez menos ostensiva.

Deus é espírito e só em espírito deve ser adorado. Então, é preciso adorá-lo em espírito e verdade, e para essa adoração não dependemos do majestoso edifício do templo nem de seus cerimoniais, rituais, prescrições ou autoridade de seus sacerdotes.

Preste atenção, analisado como componente de libertação do ser o evangelho necessita ser trabalhado no terreno íntimo, torna-se preciso encontrar o Cristo no santuário interior.

Se todos os templos na Terra são de pedra, Jesus veio, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. Veio abrir o templo dos corações sinceros para que todo o culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador. O templo visa, sobretudo, expressar a proposta íntima de cada um e ele pode perfeitamente ser transferido da sua linha exterior para dentro de cada um.

Cada criatura tem um santuário no seu próprio espírito, onde a sabedoria e o amor de Deus se manifestam sempre através das vozes da própria consciência. É na própria intimidade onde funciona realmente o evangelho. Logo, a igreja efetiva é dentro de nós, fora da gente é auxílio na caminhada. Portanto, meus amigos, vamos adorar a Deus na igreja que consolidamos interiormente, porque cristianizar a vida não é imprimir-lhe novas feições exteriores, mas reformá-la para o bem no âmbito particular.

Os altares de pedra foram substituídos pelos nossos corações e as vítimas que aí devem ser imoladas, sem interrupção, são as nossas paixões rasteiras, os nossos vícios e arrastamentos de natureza inferior. Não há mais a casta sacerdotal, todos nós somos sacerdotes. Aliás, podemos entender sacerdote como sendo a experiência religiosa, ou a própria vida, pois a religião é a própria existência a nos conduzir para Deus.

No versículo em questão (“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.” Apocalipse 1:6), a expressão reis é referência ao poder temporal, ou seja, define aspecto de autoridade, e sacerdócio é linha de âmbito interior, canal de valores redentores do ser ao nível pessoal reeducacional.

O texto sugere relação entre ambos porque no fundo nós temos que ter uma autoridade dentro do exercício do sacerdócio, o cristão acordado tem que caminhar como sacerdote de si mesmo, temos que apresentar autoridade dentro das próprias revelações doutrinárias.

Temos que admitir certa auto-suficiência naquilo que propomos a fazer e precisamos ganhar autoridade. Detalhe importante: ganhar autoridade, sim, mas com humildade, uma autoridade moldada na fundamentação que o amor propõe.

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