30 de ago de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 3

ROTEIRO E RENOVAÇÃO

“EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM.” JOÃO 14:6

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FAZ NOVO.” II CORÍNTIOS 5:17

O evangelho é um só. Isso mesmo, ele representa a unicidade não apenas dentro da nossa esfera terrestre, mas unicidade em todas as esferas do plano invisível. Entre outras coisas, equivale dizer que o mesmo versículo que estudamos aqui é estudado pela espiritualidade maior em planos superiores, porém, sob ângulos mais ampliados, sob prismas ainda inimagináveis para nós.

E no plano da iluminação espiritual inexiste fonte alguma além do evangelho. Para a iluminação do íntimo só existe neste mundo o evangelho do Senhor, que nenhum roteiro doutrinário poderá ultrapassar. Como roteiro de ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado no planeta para os planos superiores do ilimitado, de sua aplicação decorre a luz do espírito. Logo, o conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem vida de cada ser e a significação de casa coisa no caminho infinito.

Trazido milênios atrás ele nada exige, a sua finalidade é sanear a dureza do nosso coração.

O Cristo concedeu-nos a luz do evangelho para que a nossa análise não esteja fria e obscura, e somente a evangelização do homem espiritual poderá conduzir as criaturas a um plano superior de compreensão. A boa nova objetiva clarear o entendimento, como se mensagens anteriores fizessem o papel de trombetas, de despertamento. Daí, podemos concluir que o estudo prepara, porém, somente a prática dos ensinamentos do mestre, aliada ao trabalho de auto-evangelização, é firme e imperecível, apenas o esforço individual no evangelho pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito. Ou seja, a instrução (o valor recebido) informa, a aplicação (prática) forma e o evangelho transforma.

Evangelho não é papo furado de beleza literária. Não é mera teoria de esperança, e sim princípio científico para o bem viver, sem cuja aplicação na esfera comum não se liberta a alma, descentralizada pela viciação nas zonas baixas da natureza.

Dádiva suprema do céu para a redenção do homem em marcha para o amor e sabedoria universais, a boa nova é a palavra da vida que encerra a suprema e eterna verdade.

Os ensinos trazidos pelo nazareno constituem a redenção, e “ninguém vem ao Pai senão por mim” equivale a dizer que Deus é a meta através de Jesus. Então, qual a inteligência lúcida, qual o senso amadurecido na experiência da vida é capaz de trocar a verdade encarnada pelas fantasias forjadas pelas paixões humanas?

Embora as inúmeras veredas pelas quais temos adentrado ao longo das existências o caminho é por meio daquele que veio nos trazer vida em abundância.

A palavra de Jesus dirige-se a todas as criaturas da Terra, sem distinção, com absoluta oportunidade, estejam elas nesse ou naquele campo da evolução. Por isso, estamos aprendendo o evangelho para ver se melhoramos a nossa caminhada. E a tarefa do evangelho junto das almas encarnadas do mundo é a mais importante de todas, visto constituir a realização definitiva e real, e os passos do cristão, em qualquer escola religiosa a que se filie, devem dirigir-se diretamente ao Cristo.

Sabemos que em época alguma o planeta obteve tanta informação e conhecimento espiritual como na atualidade. E os conhecimentos que conseguimos arregimentar em milênios de existência nos oferecem substrato, material vasto para iniciarmos um trabalho de semeadura em novos campos. A palavra de Jesus dirige-se a todas as criaturas do mundo com absoluta oportunidade, estejam elas em qualquer campo da evolução. O próprio precursor João Batista nos alertava para endireitar veredas e preparar o caminho, e esse preparar nos convida a estruturarmos nova vida nas molduras plenas do amor.

E entender não é tudo. Não basta saber, é preciso sentir aquilo que se sabe, é preciso sentir a verdade. A inteligência, desacompanhada do sentimento, não chega a penetrar a essência do evangelho, ou de nenhum ideal transcendente cuja espiritualidade ascende às regiões elevadas do sublime. Para nos convencermos das verdades reveladas por Jesus Cristo não basta apenas que funcionemos com a mente, é indispensável que o coração tome parte desempenhando a função que lhe compete. As verdades do céu falam tanto ao cérebro quanto ao coração.

Paulo já dizia que o homem material não pode compreender as coisas espirituais, e por isso razão e fé, intelecto e coração, devem marchar de mãos dadas na conquista da renovação. É indispensável que nosso espírito receba, consciente e inteligentemente, o influxo do espírito para que nos inteiremos do caminho a seguir. É preciso receber certa luz do céu para que se descubra através da letra que mata o espírito que vivifica. Sem o auxílio dessa luz as maravilhas do livro maior passam despercebidas, mesmo às inteligências cultas e desenvolvidas.

É por esse motivo que muitos se desinteressam pela leitura e estudo, pois nada descobrem de atrativo e digno de nota, ao passo que outros se sentem arrebatados todas as vezes que tem oportunidade de meditar sobre as belezas inefáveis que o evangelho contém. Pelo mesmo motivo uns o lêem e ficam na mesma, enquanto outros se transformam em novas criaturas após haverem percorrido suas páginas.

O evangelho não é oficina de vantagens na experiência material, mas templo de trabalho redentor para que venhamos consertar a nós mesmos diante da vida eterna. Ele é o edifício de redenção das almas, e se é edifício tem que ser construído.

Assim deve ser procurada a lição de Jesus, não mais para exposições teóricas, e sim visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si mesmo por meio de edificações no terreno definitivo do espírito. Evangelho é luz e renovação nos campos do espírito.

A missão do evangelho é muito mais bela e extensa do que possamos imaginar.

O mestre continua a trabalhar incessantemente. Ele continua derramando bênçãos todos os dias. E não se assuste, os prodígios ocultos operados no silêncio do seu amor infinito hoje são maiores que os verificados ontem em Jerusalém ou na Galiléia.


Você já parou para pensar que os doentes, os cegos, os leprosos, curados àquele tempo segundo as narrativas apostólicas, voltaram mais tarde a enfermar e morrer? Pois é. Mesmo naquela época Jesus não visava somente tirar a dor física dos enfermos buscando proporcionar-lhes o alívio momentâneo, mas conscientizava-os a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as doenças.

Isso é que é fundamental, porque se bobear a pessoa se cura e já chega em casa propensa a outra doença, porque se curou mas não se reeducou. Logo, a cura de nossos espíritos doentes e paralíticos é mais importante, porquanto se efetua com vistas à eternidade. Paciência, amigos! Com humildade a gente obtém o testemunho do espírito, sem o qual ninguém adquire a certeza da imortalidade e dos destinos que nos aguardam.

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