27 de set de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 3

A CULPA

A consciência é a faculdade que o espírito possui pela qual é capaz de refletir sobre si mesmo acerca da luz da justiça divina. Sem dúvida alguma, cada um traz consigo o seu juiz.

E por princípio de direito cósmico universal arquivamos em nós mesmos as raízes do mal que acalentamos como tumores de energias profundas no imo da alma, para extirpá-las à custa de esforço próprio, em companhia dos que se nos afinem à faixa de culpa.

Isso ocorre porque qualquer sombra de nossa consciência mantém-se impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, com o suor do trabalho ou pelo pranto da expiação. Logo, ninguém, criatura humana alguma foge à lei nem à consciência de si mesmo, pois que Deus aí escreveu os seus soberanos códigos. E todo responsável pela queda de terceiros experimenta em si a ampliação dos próprios crimes.

E tanto nos círculos carnais como nos espirituais a paisagem real do espírito é a do campo interior, e cada qual vive de fato com as criações mais íntimas de sua alma.

A gente não tem como fugir da gente. A gente pode fugir dos ambientes, mas da gente mesmo não tem como. Ninguém foge da consciência culpada e os irmãos sofredores trazem consigo, individualmente, o estigma dos erros deliberados a que se entregaram. A consciência culpada não esquece e a dívida tem sempre os fantasmas da cobrança. O criminoso nunca consegue fugir da justiça universal, uma vez que carrega o crime cometido em qualquer parte, e a consciência pessoal não libera culpado algum sem a conveniente regularização do delito.

Ora, a morte não existe e os infratores, estejam no corpo físico ou fora dele, estão algemados às consequências das suas ações, e mesmo com a possibilidade de poder ausentar-se da paisagem do crime o pensamento do infrator se mantém preso ao ambiente e à própria substância da falta cometida. Diz velho aforismo que o criminoso sempre volta ao local do crime. E essa culpa somente desaparece quando se liberta aqueles que lhe sofreram o mal.

Já tivemos a oportunidade de falar acerca do remorso (Capítulo João Batista e o Deserto). Como aspecto inicial da trilogia da redenção, ele é a inquietação da consciência pela culpa ou crime cometido, em torno da qual a onda viva e contínua do pensamento passa a enovelar-se em circuito fechado sobre si mesma.

É exatamente isso. Funcionando como uma prisão sem grades edificada pela culpa, ele aprisiona o campo mental da individualidade às faixas inferiores da retaguarda.

Em outras palavras, é uma posição puramente mental, sem maiores ressonâncias. Choque espiritual em características profundas e interstício para a luz, é um estado estático, em que a criatura se mantém em circuito fechado. Ele não é à toa, claro, e tem uma finalidade. Por ser uma prisão, embora sem muros e grades, a criatura não consegue fugir, e ficar centrado nele apenas complica mais a dificuldade. Assim, ele é a força ou a energia que prepara para o arrependimento.

Ao cair em remorso a individualidade começa a laborar um processo de arrependimento que é, por sua vez, a energia que antecede o esforço regenerador.

Porque o estacionamento não resolve problema algum, tampouco a fuga estimulada pelo remorso auxilia na solução das dívidas. Logo, se o remorso significa a constatação da queda, o arrependimento já aponta a visualização do reerguimento. E necessário se faz que o agente assimile idéias novas, pelas quais vai passar a trabalhar, ainda que vagarosamente, melhorando, assim, a sua visão interior e estruturando novos destinos. Afinal, a renovação mental é a renovação da vida e não existe regeneração de fora sem a regeneração de dentro. 

Não raras vezes o doloroso inferno é a aflitiva condenação. Agora, ocorre que em todos os planos da vida o instituto da justiça divina funciona naturalmente com os seus princípios de compensação. Quanto mais baixo é o grau evolutivo dos culpados mais sumário é o julgamento pelas autoridades cabíveis. E quanto mais avançados os valores culturais e morais do indivíduo mais complexo é o exame dos processos de criminalidade em que se emaranham, não só pela influência com que atuam nos destinos alheios, como também porque o espírito, quando ajustado à consciência dos próprios erros, ansioso de reabilitar-se perante a vida, e diante daqueles que mais ama, suplica por si mesmo a sentença punitiva que reconhece como indispensável à própria restauração.

24 de set de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 2

CAUSA E EFEITO E EQUILÍBRIO

“NÃO ERREIS: DEUS NÃO SE DEIXA ESCARNECER; PORQUE TUDO O QUE O HOMEM SEMEAR, ISSO TAMBÉM CEIFARÁ.” GÁLATAS 6:7

“VAI E NÃO PEQUES MAIS, PARA QUE TE NÃO SUCEDA ALGUMA COISA PIOR.” JOÃO 5:14

Vamos entender a causa como aquilo ou aquele que faz com que uma coisa exista, que determina um acontecimento, é a razão, o motivo, a origem. E o efeito é o resultado de um ato qualquer, é a consequência.

Em virtude de cada espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lança em circulação nas correntes da vida.

Assim, cada um colhe aquilo que semeia. E isso nada mais é do que a decorrência natural e intransferível que alcança a todos na esteira do universo, onde tudo se processa mediante leis naturais e divinas que o regem. Por isso, precisamos desmistificar aquela crença ilusória de que muitas coisas podem ser mudadas mediante passes de mágica. Primeiramente a semeadura, depois a colheita.

E tanto as sementes de trigo como as de escalracho, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo e na mesma pauta de multiplicação. Não se trata de milagre. Nessa resposta da natureza ao esforço do lavrador temos simplesmente a lei.

Existem aqueles que semeando a dor colherão a dor. E mesmo colhendo-a continuarão a semeá-la, até determinado momento em que, se não for por algum dispositivo da misericórdia, os sofrimentos acerbados os compelirão ao redirecionamento de suas atitudes.

É assim que a dor ou a alegria, a paz ou a inquietação, o merecimento ou a desvalia, a sombra ou a luz, em nosso caminho, será sempre o salário moral de acordo com as nossas próprias obras. Temos que guardar conosco uma coisa da maior validade: tudo é uma consequência do estado particular em que se encontram os nossos espíritos, a infalível justiça divina não admite vítimas. A cada um é dado segundo as suas obras!

Toda semente produz no solo do tempo. E vivemos em um mundo onde, ao lado de uma proposta reeducacional dos seres, existe a presença de elementos definindo, sobre as causas já lançadas no espaço e no tempo, efeitos, isto é, resultados que estaremos sujeitos a recolher em meio a momentos peculiares. Isso significa que, seja qual for a posição em que te situes tens a resposta da vida na vida que procuras.

A vida, exprimindo os desígnios do criador, assumirá para contigo atitudes adequadas às atitudes que assumes para com ela. Portanto, não olvides conduzir o tesouro da consciência tranquila em toda a estrada na qual te movimentes, porque um dia surgirá, entre todos os outros dias, em que seremos invariavelmente chamados à prestação de contas nas leis da vida. E chegado semelhante momento, nada se nos perguntará sobre atividades e causas alheias, mas tão somente sobre nós mesmos.

É um fato que vivemos em um planeta conturbado, e a harmonia do mundo não virá por meio de decretos nem parlamentos que caracterizam a sua ação por força passageira. O mecanismo de leis humanas se modifica todos os dias e os sistemas de governo desaparecem para dar lugar a outros que, por sua vez, terão de renovar-se com o tempo. Nota-se nos dias de hoje que muitos utopistas se mostram desiludidos por sonharem com a igualdade irrestrita das criaturas, sem compreender que recebendo os mesmos direitos de trabalho e aquisição perante Deus os homens, pelas suas próprias ações, são profundamente desiguais entre si em inteligência, compreensão, virtude e moral.

Se vida é um processo de eleição pessoal, tanto que o evangelho nos propõe trabalhar o componente da semente, não do fruto, elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar, nessa ou naquela fase da evolução. De modos que os resultados são invariavelmente frutos da nossa escolha.

Uma vez que somos todos semeadores a vida nos retribui igualmente em conformidade ao que lhe exteriorizamos. Não por capricho, mas por simples adequação justa e natural à lei da providência divina. Não há dúvida alguma de que, seja qual for o resultado da ação de quem a encaminhou para o mal, ocorrerá o choque do retorno, isto é, volve ao agente o efeito da sua realização.

E sabe a qual conclusão chegamos? Não podemos estranhar nada, por mais pareça errado está tudo muito certo neste mundo de Deus. As ocorrências de hoje procedem dos fatores ocultos do ontem, que desencadearam as reações só agora aparecidas. Muitas situações de natureza negativa são efeitos das ocorrências pretéritas, que o tempo arquivou na memória perispirítica e não consumiu.

Como a semeadura traz os resultados positivos ou negativos segundo a natureza da semente, somos o perfeito reflexo de nós mesmos, colhendo invariavelmente conforme a natureza das nossas ações nos terrenos amplos da vida imortal.

E defrontamos no caminho os frutos do bem ou do mal que semeamos em um passado mais próximo ou mais distante. A vida é bela e sábia. Encontramo-nos sempre em equilíbrio, possuindo o que conquistamos e à frente dos ideais que almejamos, e cada individualidade apresenta hoje o equilíbrio ou desequilíbrio pelas obras de ontem. Não tem outra, nem é diferente, cada qual se situa no quadro das próprias conquistas ou débitos.

Em todos os ângulos do universo o trabalho de reajustamento próprio é artigo de lei irrevogável. E como consertar é sempre mais difícil do que fazer, não podemos contar com o favoritismo na obra laboriosa do aprimoramento individual, tampouco provocar a solução pacífica e imediata para os problemas que gastamos longos anos a entretecer. A vida é um laboratório de sementeira e colheita, onde o bem semeia a vida e o mal semeia a morte. Aquele é movimento na escala ascensional para Deus, ao passo que este é a estagnação.

Logo, ninguém suplique protecionismo a que não fez jus, nem flores de mel às sementes amargas que semeou em outro tempo. Quem atravessa um campo sem organizar a sementeira necessária ao pão e sem proteger a fonte que sacia a sede não pode voltar com a intenção de abastecer-se. A alma, aqui ou alhures, receberá sempre de acordo com o trabalho de edificação de si mesma, e o próprio espírito inventa seu inferno ou cria as belezas do seu céu. A prece ajuda, a esperança balsamiza, a fé sustenta, o entusiasmo revigora e o ideal ilumina, no entanto, o esforço próprio na direção do bem representa a base da realização esperada.

É razoável procurarmos compreender a substância dos atos que praticamos nas atividades diárias, pois é da lei de Deus que toda semeadura se desenvolva. Somos livros vivos de quanto pensamos e praticamos e olhos cristalinos da justiça divina nos lêem em toda parte. O presente é a consequência natural do passado, como o futuro será o resultado inevitável do presente. Sem dúvida, possuímos agora o que ajuntamos no dia de ontem e possuiremos amanhã o que estejamos buscando no dia de hoje.

Lembra o que Jesus disse a determinado cego sobre não pecar? (“Vai e não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior.” João 5:14) Pois é, ele disse aquilo porque o problema que aquele cego tinha não era algo aleatório que surgiu do nada, de graça, mas decorrente da sua própria instabilidade. Olha, se conselho fosse bom não se dava, vendia, mas podemos arriscar um? Não apenas para você, mas para todos nós? Vamos cumprir bem agora o que nos cabe fazer, porque estamos acionando o passado ao nível de experiência e futuro em nível de paciência e operosidade segura facilitando o desenvolvimento da lei. Haja suficiente cuidado em nós, cada dia, porquanto bem ou mal, tendo sido semeados, crescerão junto de nós, segundo as leis que nos regem a vida.

20 de set de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 1

LEI DE AMOR
  
“ASSIM, TODA A ÁRVORE BOA PRODUZ BONS FRUTOS, E TODA A ÁRVORE MÁ PRODUZ FRUTOS MAUS.” MATEUS 7:17

A lei de que se constitui o determinismo divino é a do amor para a comunidade universal.

O bem está na extensão universal, e não duvide disso. A visão divina, abrangendo todos os ângulos dos acontecimentos, sempre estabelece as diretrizes que facultam o equilíbrio em toda parte. A determinação divina é sempre o bem e a felicidade para todas as criaturas. 

As leis do universo, derivadas do amor, são estatuídas para dignificar e desenvolver os valores inatos da criatura que traz o anjo dormente na sua estrutura, aguardando o momento de despertar. E preservando os seus filhos contra os perigos do rebaixamento, criou Deus o aparelhamento das luzes religiosas, acordando as almas para a glorificação imortal.

E como não há violência na governança do amor todos tem o direito de utilizar do livre-arbítrio, até mesmo para se comprometerem, quando terão ensejo de reparar.

Então, note uma coisa, não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Nunca!

Elas não têm um sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura.

A proposta da misericórdia divina não é machucar, punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar-se, integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor. Assim, a própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes impulsionadores da evolução do ser, seja no respaldo dos débitos perante a lei, ou seja na instauração de processos de indução para o crescimento consciente.

As próprias reações da lei não têm um sentido puramente de dizer basta, ou mesmo de mostrar a nossa pequenez. Longe disso. O pai nunca pune os seus filhos que erram, corrige-os, perdoando sempre. E há uma distância gigantesca entre punir e corrigir. Afinal, quem pune humilha para submeter, ao passo que quem corrige aperfeiçoa para libertar. As reações da lei trazem consigo uma instrumentalidade didática para que a gente descubra o processo e se ajuste a um caminho novo.

Os nossos momentos difíceis na vida cerceiam, sem dúvida, mas dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento superior.

A reação da lei traz consigo uma abertura nova chamada amor, recuperação, recomposição do destino, exame da própria caminhada. De lá para cá, do plano celestial para o nosso, existe o investimento em uma oportunidade. Para que, debaixo do mecanismo da dor e do sofrimento, dentro do processo de quitação e reajuste, a gente se harmonize com as leis soberanas do amor, aprenda e seja feliz.

Estamos falando em leis e podemos dizer que no plano terrestre cada país tem o seu código penal, alicerçado e adequado à capacidade evolucional em que se encontra. Abrindo o leque, e considerando o universo em sua totalidade como o reino divino, situamo-nos todos sob o império de leis das quais não podemos trair.

E essas sábias leis da vida que regem o universo, de misericórdia e amor, fundamentam-se em princípios de equilíbrio que não podem ser derrogados sob pena de apresentarem aflições penosas aos infratores. Ninguém alegue desconhecimento do propósito divino. Mas confiando em si mais do que em Deus o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa lei, efetuando intervenção indébita na harmonia divina. Eis o mal! Com o mal, a necessidade imperiosa de recompor os elos sagrados dessa harmonia. Surge o resgate.

Raros homens se dispõem a respeitar os desígnios de Deus, olvidando voluntariamente que as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo retificação. Mas não podemos mais nos iludir. Todos os que tentam enganar a natureza, quadro legítimo das leis divinas, acabam por enganar a si mesmos.

Ninguém trai a vontade de Deus, nos processos evolutivos, sem graves tarefas de reparação.

A vida é uma sinfonia perfeita, e quando procuramos desafiná-la, no círculo das notas que devemos emitir para a sua máxima glorificação, somos compelidos a estacionar em pesado serviço de recomposição da harmonia quebrada.

Amigos, se soubéssemos do terrível resultado de nosso desrespeito às leis divinas jamais nos afastaríamos do caminho reto. Temos livre-arbítrio, sim, porém, se não chegamos a um ponto em que é preciso mudar nós vamos sair de uma linha de auto-escolha para uma linha compulsória. Quem desarmoniza as obras divinas prepare-se para a recomposição. Quem lesa o pai algema o próprio eu aos resultados de sua ação infeliz, e, por vezes, gasta séculos desatando grilhões. Sem dúvida alguma é possível perturbar as obras de Deus com sorrisos, no entanto, seremos forçados a repará-las com o nosso suor e as nossas lágrimas.

17 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 8 (Final)

LETRA E ESSÊNCIA

“O ESPÍRITO É QUE VIVIFICA, A CARNE PARA NADA APROVEITA; AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63  

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

Tem gente que para falar no evangelho faz um poema para começar a palestra.

Faz desenhos, utiliza-se de gravuras belíssimas. Se o assunto é a pesca maravilhosa começa pelo Tiberíades. Fala dos peixes, dos barcos, descreve Simão com riqueza de detalhes. Fica lindo. Encanta. Todo mundo bate palma no final: “Nossa, mas como fala!” Tudo muito bonito. Mas se aperta um pouco, nem precisa apertar muito, não sai nada. Isso ocorre porque a grande massa de pessoas é cristã, porém, infelizmente estuda a letra do evangelho, não estuda o evangelho.

Não somos donos da verdade, mas a bíblia não pode ser trabalhada em cima da letra como muita gente propõe.

A letra é um instrumento que pode criar muitas dificuldades para os nossos passos.

Porque a letra é material didático, não é a essência do conhecimento. Vamos entender que toda a transcrição do evangelho e do velho testamento é instrumento didático. A letra bíblica é material didático sem o qual não há aprendizado, mas ela não é a essência do conhecimento. E a grande massa ingere o material didático como se fosse o conteúdo, a essência, e nem o mastiga.

Nós sabemos que o curso primário, na instrução infantil, necessita de colaboração de figuras para que a memória da criança atravesse os umbrais do conhecimento. Porém, aquele que quiser estudar a bíblia em cima da periferia da letra vai ficar trabalhando contra a própria natureza, pois didática é uma coisa e conteúdo é outra. E equívocos na interpretação muitas vezes ocorrem por tomar-se ao pé da letra expressões que são figuradas. Por esta razão, todas as vezes que a gente leva o assunto para o plano literal nós costumamos ter problemas.

O evangelho é manancial (origem, fonte perene, perpétuo, imperecível, que não acaba, eterno, incessante, ininterrupto, contínuo, que corre sem cessar, abundante) e recurso inesgotável de ensinamentos. E nele não tem nada que não tenha razão de ser. Isto é para ficar bem guardado, todas as expressões contidas no evangelho tem entre nós a sua história viva, nenhuma delas é símbolo superficial, nenhum ato do divino mestre é destituído de significação.  Se o próprio vento possui direção, Jesus não nos transmitiria uma lição ao acaso.

E não sabemos o que podemos tirar ou colocar no evangelho. O que importa é que se está contido no evangelho temos que tentar encontrar alguma coisa positiva. E o que pesa muito nessa interpretação não é a questão do fato analisado parecer estranho ou difícil, mas a nossa capacidade maior ou menor de compreender.

O evangelho é todo ele simples na sua essência. Na letra ele é material didático, é recurso didático por meio do qual a sapiência pedagógica de Jesus nos ensina a aprofundar no conteúdo. Então, vai depender da nossa simplicidade e do nosso carinho para compreendermos a essência lá no fundo da letra.

O que estamos falando é muito bonito, estamos analisando partes básicas que o evangelho abre para nós. São critérios de estudo e interpretação do evangelho de Jesus: saber retirar o espírito da letra, e saber situar-se na mensagem, no tempo e no espaço.

Em todas as traduções dos ensinamentos divino é imprescindível saber separar da letra o espírito, buscando a essência para além da letra que a transporta. Tirando, inclusive, de cada cura de Jesus a essência renovadora dentro de cada feito dele. Porque o evangelho está repleto de símbolos e precisamos compreender o símbolo e dele tirar a ressonância para nossa caminhada de vida.

A linguagem de Jesus é toda espiritual. Quem quiser compreendê-lo deve buscar sempre o sentido dos seus dizeres sob o prisma puramente espiritual. É preciso buscar na intimidade da letra o que Jesus quis apresentar. Ele serviu-se da forma, empregando-a para designar pensamentos transcendentes, dos quais a forma, em si mesma, não pode dar uma idéia precisa e clara. Por isso eu vou repetir: o que estamos falando é muito mais importante do que parece.

O evangelho é uma mensagem direcionada ao espírito em sua essencialidade. É roteiro das almas, e com a visão espiritual deve ser lido. Nós temos necessidade de ir além da forma, ou seja, desprezar a letra, a vestimenta da linguagem, e buscar o espírito, pois só este é capaz de nos fazer penetrar a mente e o coração do mestre. Saber analisar os feitos de Jesus ao nível dos padrões interiores, porque toda a postura é muito mais mental, psíquica, íntima, do que a gente possa imaginar. E atrás de cada simbologia que o texto apresenta sempre encontramos mensagens que precisamos, lembrando de buscarmos continuamente o conteúdo espiritual, que dá vida, universalidade e eternidade à boa nova.

E mais uma coisa: que daqui para frente nenhum símbolo, ou mesmo algum motivo de sugestão, possam induzir o interessado a crer sem compreender, nem aceitar sem raciocinar em seus conteúdos. E muito menos deixemos que o novo conhecimento, que às vezes falta por aí afora, venha a criar em nós alguma presunção. Sejamos sempre simples, fraternos, integrativos e humildes.

14 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 7

SENTIDO AMPLIADO

“SABENDO PRIMEIRAMENTE ISTO: QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE PARTICULAR INTERPRETAÇÃO.” II PEDRO 1:20  

É muito grande o número de pessoas que comentam que não entendem a bíblia.

Falam que não a compreendem e até mencionam a falta de objetividade dos textos sagrados.

Para começar, todo conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer. Ele não tem que ser renovado ou mesmo alterado de maneira objetiva como alguns chegam a sugerir. A questão é muito simples, ao estudarmos a bíblia nós estamos estudando em cima de registros figurados, e não de registros objetivos. E esse registro figurado, que normalmente vige por parte daqueles que nos trouxeram as revelações, inserem uma soma ampla de informações que nós vamos conseguindo abranger de acordo com o nosso próprio crescimento.

Todo o texto apresenta sentido amplo de revelação e em razão disso não pode ter uma diretriz de percepções restritas, o que denota a necessidade de o trabalharmos sob um aspecto globalizado. E como decorrência clara disso nós nunca vamos encontrar no conhecimento do evangelho, por exemplo, um ponto particularista, fechado.

Pelo fato das revelações e profecias apresentarem um conteúdo abrangente elas precisam ser trabalhadas conforme o patamar íntimo de cada um. Isso precisa ser entendido com clareza, a linguagem bíblica não é objetiva porque ela tem um sentido ampliado e não pode interferir no sagrado momento de decisão do espírito.

Na eventualidade de termos um evangelho simples e objetivo, ao invés do conteúdo ampliado que ele apresenta, isto é, no caso dele ser específico como uma cartilha (por exemplo: em uma situação desse tipo faça assim, em uma situação de outro jeito faça daquela forma...), nós não seríamos filhos de Deus, mas seríamos autômatos dele. E onde ficaria a nossa liberdade de escolha? E quanto aos graus de percepção e entendimento diferenciados de cada criatura?

De forma alguma os textos precisam ser alterados, nós é que nos renovamos e passamos a penetrá-los de forma mais aprofundada. Se não entendemos algo o erro é puramente nosso de interpretação. Aliás, evangelho é mensagem que se estende ao infinito e apresenta coisas que nós estamos começando a entender.

Você mesmo já notou isso, hoje compreendemos o que não entendíamos ontem, amanhã entenderemos o que agora se mostra incompreensível. Evolução é assim, para uma infinidade de ensinamentos ainda nos faltam “ouvidos de ouvir” e “olhos de ver”.

E se o evangelho está saindo de sua expressão em que foi trabalhado e estruturado para se ajustar à nossa intimidade, que é onde realmente opera no plano transformador do ser, uma vez que é na nossa intimidade que ele efetivamente funciona, os personagens bíblicos chegam até nós hoje dando-nos condições de identificá-los ou não como ângulos diversos de nossa personalidade.

Já tivemos oportunidade de observar isto em capítulos anteriores, notadamente quando trabalhamos os capítulos que referenciavam Zaqueu e o cego de Jericó.

Quanto aos lugares e regiões, referenciados nas escrituras, não é diferente. Os ambientes diversificados dos textos encontram-se presentes na extensão territorial de nossa alma, praticamente definindo estados de espírito ou regiões psíquicas.

Afinal, ao longo de inúmeras páginas de estudo não deve ser novidade para ninguém que todo o território do evangelho está dentro da gente, em nosso mundo íntimo.

Existem pessoas que vivem quase que exclusivamente presas ao passado. “Eu já fui muito feliz em uma determinada época da minha vida”, ou “depois que perdi fulano(a) minha vida nunca mais teve alegria”. Estes são exemplos claros de pensamentos exteriorizados por um agrupamento de saudosistas, que por razões diversas prendem-se às retaguardas da existência, mantém-se nos pretéritos do caminho. De forma que para muitas pessoas o presente representa, em certos ângulos, escombros do desmoronamento de valores que mantinham a luz acesa, trazendo obscuridade à luz do sol, tantas vezes citado no evangelho como o fulcro irradiador de toda uma expressão de vida. Está na hora de retificar determinadas idéias. Se eu me ligo só no ontem eu me prendo.

Outros insistem em se manter presos às linhas de ansiedade direcionadas ao futuro. Não estão dispostos a serem felizes hoje, a felicidade para eles representa um fim quando na verdade deveria constituir-se em meio. Colocam a felicidade como consequência da conquista de um objetivo ou da dissolução de um problema: “Eu serei feliz quando,...” Fica sempre no amanhã. Por isso, fica um recado importante: quanto mais eu formalizar a minha conquista em uma pretensa conquista de bem estar na frente mais difícil fica a caminhada, quem coloca a felicidade como destino não consegue ser feliz durante o percurso.

Estamos dizendo isso e parece que estamos mudando de assunto. Mas não. O evangelho é algo do presente. E a vida, em seu sentido substancial, presente em cada passagem do texto milenar, nos aponta para sua infinita dimensão temporal.

O tempo é uma corrente que flui dos eventos temporais percebidos pela consciência da criatura. Para o homem, ele surge como uma sucessão de eventos reconhecidos e diferenciados. No entanto, à medida que o homem ascende e progride interiormente a visão amplificada dessa sucessão de eventos é tal que ele pode discerni-la cada vez mais na sua totalidade. Aquilo que anteriormente surgia como uma sucessão de eventos passa a ser visto como um círculo inteiro e perfeitamente relacionado. O que queremos dizer com isso é que prendendo-nos de forma rígida ao passado ou nos limitando às diretrizes do futuro não vivemos, pois viver é ato do presente e só podemos viver o agora.

Logo, precisamos aprender a sair da vida relativa do agora para vivermos o eterno, ou melhor, temos que aprender a viver o agora, mas na moldura da eternidade.

O “primeiro e último” representa a eliminação da esteira de espaço e de tempo. E vive-se o eterno. E vivemos o eterno quando acabamos com aflições. Sem comparações, sem dissensões, cada um fazendo na pauta do que é capaz de operar.

10 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 6

PRATICIDADE

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO”. JOÃO 15:14

No decorrer do tempo, todas as frentes religiosas vem operando, desde a instauração do cristianismo, sob a importância aplicativa da mensagem do Cristo.

E nós temos aqui dado uma ênfase toda especial a isto. O evangelho que nos interessa intimamente é o evangelho prático. Em um mundo de conturbação a que estamos ajustados, o simples aprofundamento da filosofia já não nos tem atendido em nossas necessidades mais íntimas.  Somos hoje convocados a não nos contentarmos com um evangelho puramente descritivo ou histórico, fixado no tempo e no espaço.

Na atualidade, surge uma necessidade imperiosa da instauração de uma evangelização não sob uma pregação sistemática milenar de um evangelho periférico, mas de uma sensibilização de prática do conhecimento dele na vida comum nossa de cada instante em sua linha de praticidade.

É isso mesmo! O que eu quero saber é como utilizar o evangelho para minorar o sofrimento que tem me afligido, como utilizá-lo para melhorar as minhas relações pessoais dentro de casa, como usar os seus ensinamentos para realizar objetivos que são importantes para mim. É preciso bater sempre neste ponto.

Temos que ter o evangelho nos ajudando a nortear os passos dentro da caminhada de vida. Os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida, no imenso conjunto de valores da boa nova cada conceito adapta-se a determinada situação do espírito nas estradas diversas. O evangelho que nos interessa é aquele que nos auxilie no dia a dia.

O que eu vou dizer não é para deixar ninguém desapontado, mas a lição de Jesus ainda não foi compreendida. Por mais que não pareça, a cristianização das almas humanas ainda não foi além da primeira etapa. Estamos hipertrofiados em conhecimento e isso é notório.

Exemplo disso é que se a entrada ao reino dos céus fosse condicionada a uma prova de múltipla escolha o resultado seria aprovação geral, todo mundo aprovado com louvor. Imagine as questões: 1-O evangelho ensina que a gente deve amar ou espancar? O indivíduo pensa: “Ah! Esta eu sei...!” 2-Você caminha na rua e ao se deparar com uma pessoa caída ao chão deve estender a mão ou chutar? 3-Mediante uma contrariedade a gente deve agredir ou perdoar? E assim por diante.

O que quero dizer é que estamos cheios de conhecimentos, porém, acentuadamente atrasados na capacidade de operar. É isso aí, o evangelho é um chamamento para fazermos aquilo que nós sabemos e não fazemos ainda. Dei exemplos muito simples, mas pense em outros mais complexos. Jesus não nos ensinou atos religiosos, e sim procedimentos científicos para o nosso próprio bem viver.

Evangelho é vida. E vamos fazer o que, cercear a vida? Não, de forma alguma. Não dá!

Vida não é bloquear, é expandir. Por isso é precioso aderir ao evangelho na piedade, no entendimento e na caridade. A lição do mestre não constitui tão-somente um impositivo para os misteres da adoração. De forma alguma. Evangelho não se reduz a breviário para o genuflexório, o Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Não devemos nos deter em uma falsa contemplação de Deus à margem do caminho, afinal, o cristão não é flor de ornamento para igrejas isoladas.

O evangelho tem que circular em um plano aplicativo de interação com as pessoas. Ele é código de boas maneiras no intercâmbio fraternal. Mais ainda, define um código de vida que pressupõe a instauração de uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor daqueles que sofrem, de modo que os ensinamentos do Senhor não sejam relíquias mortas nos altares frios de pedra.

O próprio Jesus nos disse que seremos seus amigos se fizermos o que ele nos manda (“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. João 15:14).

Ora, é fácil reconhecer que os comandantes da perturbação e da delinquência não conhecem amigos, de vez que o tempo se incumbe de situá-los no ponto certo que lhes cabe na vida, extinguindo a hipnose de ilusão com que se jungem aos companheiros. O Cristo, porém, dispõe de amigos reais que se multiplicam em todas as regiões do planeta terrestre, à medida que os séculos que se lhe sobrepõem à crucificação.

E esses amigos que existem no seio de todas as filosofias e crenças não se distinguem tão-só por legendas exteriores, mas porque se associam a ele, em espírito e verdade, entendendo-lhe as lições e praticando-lhe os ensinos. Logo, se já aceitamos o evangelho por norma de elevação de vida procuremos, acima de tudo, ocupar as nossas mãos em atividades edificantes, a fim de podermos ser realmente úteis àqueles que necessitam.

Caminhemos sempre na linha do amor a Deus, na vertical, e ao próximo, na horizontal. Se nos afeiçoamos ao Senhor não nos situemos por fora do serviço cristão.

E vamos guardar uma coisa: o evangelho tem sentido de eternidade e de continuidade, ele é algo do presente.

Embora apresente milênios, é indiscutível o caráter de contemporaneidade dos textos bíblicos. Todos os fatos ou ensinamentos neles contidos, embora se revistam de características históricas inerentes ao tempo em que ocorreram se refletem nos dias atuais, os ensinamentos neles contidos são atemporais. Não nos esqueçamos disso nunca, o evangelho apresenta essas linhas de coerência.

A importância das mensagens, das cartas, das orientações, é entender que elas são universais e que tem uma atualidade em qualquer momento, uma vez que as dificuldades e anseios dos homens passam por alguma faceta que tange aquilo que foi mencionado em cada uma delas.

Observamos outra coisa. Normalmente, as religiões costumam levar o religioso ou simpatizante àquela época de Jesus. Costuma levar naqueles dias de Jesus. Porém, falar do texto lá atrás não nos interessa mais, não é nosso interesse ficar analisando os textos exclusivamente dentro da sua fisionomia histórica. Nós não estamos aqui para estudar a história do evangelho, não estamos com a cabeça há dois mil anos atrás. Além do que, será muito difícil pegar a contingência do nosso contexto social de hoje e jogar naqueles dias da época de Jesus.

O papel interessante que nos cabe fazer é ir lá atrás e trazer o acontecimento para o agora. Deu para perceber? Enquanto as igrejas tradicionais nos levam atrás de Jesus, o importante é trazermos Jesus para a atualidade. É por aí, saber interpretar a mensagem de redenção que nos foi trazida. Não partindo do hoje para o ontem, mas trazendo a boa nova para os dias e problemas atuais.

O Jesus da Galiléia e da Peréia está lá atrás na história. Nós falamos agora é no Jesus íntimo.

Nós estamos indo lá e trazendo para cá. A questão é ir lá e trazer o evangelho para hoje. O que nos interessa é fazer a conjugação do ensino concreto para uma introjeção e trabalhar dentro do plano da intimidade. Afinal, estamos discutindo assuntos de nossa estrutura pessoal, o que nos interessa é falarmos de nós agora.

Por isso, amigos e amigas, saibamos analisar também as curas de Jesus (e temos feito) ao nível dos padrões interiores. Nós estamos no trabalho espiritual, estamos estudando aqui a intimidade do ser, com percentual maior ou menor de informação. Estamos buscando sair do fato para trabalhar o íntimo. E trabalhando o íntimo com certeza passamos a situar em um caminho novo.

7 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 5

CRISTO REDIVIVO

“18NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS; VOLTAREI PARA VÓS. 19AINDA UM POUCO, E O MUNDO NÃO ME VERÁ MAIS, MAS VÓS ME VEREIS; PORQUE EU VIVO, E VÓS VIVEREIS.” JOÃO 14:18-19

É comum a pessoa entrar em uma igreja e, ao primeiro lance de vista, quase que invariavelmente, destacar a imagem de Jesus pendente ao madeiro, fronte abatida, queixo caído sobre o peito, olhos cerrados.

Em uma enormidade de altares, mesmo os destinados a esse ou àquele patrono, há no sopé, infalivelmente, o Cristo morto. Em muitos lares não chega a ser diferente, predomina o mesmo hábito, é para a cruz que se apela em todos os tons. Diante das emergências da vida, seja nos atos solenes, trate-se de acontecimento alegre ou triste, quer se chore ou ria, quem a tudo preside é sem dúvida o Cristo morto, cuja efígie muitos chegam a trazer pendurada no pescoço.

Várias religiões aboliram o ídolo, porém se mantém apegadas à mesma idéia. A mudança não foi além da idolatria. Basta observar com atenção o que se passa em muitos credos ditos cristãos para se verificar que muito do movimento ali sustentado e desenvolvido gira em torno do Cristo morto. Continua vigorando o Cristo morto no dogma da redenção pela virtude do seu sangue. 

Não há muita alteração, aqui e ali se anuncia com toda a ênfase o Cristo crucificado. É a efusão do sangue, é o sacrifício cruento, enfim, é a morte que chega a encerrar todo prestígio, todo valor e toda a magia da obra messiânica. Chega a parecer que a ela se reduz o alfa e o ômega do cristianismo. Sob este prisma a missão de Jesus teve início na manjedoura e finalizou no topo do calvário.

Assim, onde é que fica o Cristo vivo, ressuscitado? O que foi feito dele? Se não ficamos órfãos do seu amor, verdadeiramente porque veneramos tão enfaticamente o Cristo morto, esquecendo do Cristo vivo que prometeu manifestar-se em nossos corações e aí fazer morada? Porque o buscamos na cruz, impotente e morto, quando o podemos tê-lo redivivo e forte atuando em nossas almas e compelindo-nos à conquista da vida eterna? O que muitos religiosos tradicionais pretendem do instrumento da sua morte? Indagamos, pois, afinal, qual é o maior, o sacrifício ou o ideal que mereceu esse sacrifício? Vindo ao mundo, Jesus teve por alvo o martírio da cruz ou a salvação da humanidade?

Temos que nos questionar. Onde se situa o ideal por ele acalentado? Qual a sua missão?

A crucificação do Filho de Deus não foi, antes de tudo, um crime? Um produto da cegueira e da maldade dos homens? Um crime que, previsto pelo próprio Jesus, foi por ele arrostado corajosamente no desempenho do mandato que lhe fora confiado?

Não está claro que Jesus subordinou o sacrifício ao ideal porque é na consumação do ideal que se acha o empenho? Porque muitas igrejas cristãs se esquecem do ideal para eternamente rememorarem o sacrifício, fazendo desse sacrifício o objeto máximo do seu culto? Não será que assim procedendo chegam mesmo a invalidar o próprio sacrifício pelo descaso ao ideal que encerra a razão desse sacrifício?

A necessidade prevista pelo nosso irmão e mestre é a redenção humana. O fato de ele ter sido sacrificado não representa, como se supõe, uma necessidade.

Aquilo foi pedra de tropeço que o egoísmo do século lançou para tolher-lhe os passos. E Jesus removeu-a. A humanidade não deve a sua salvação à cruz, deve-a ao amor de Jesus Cristo. Nada justifica a adoração ou veneração do madeiro.

Não é na morte de Jesus que está a nossa salvação, é na sua vida, na sua palavra, intérprete da verdade eterna, é nos seus ensinos, nos seus exemplos. A morte de Jesus obedeceu à vontade humana, enquanto que a obra da salvação do mundo obedece aos desígnios de Deus. São coisas distintas, amigos.

O Cristo de Deus não morreu, a tragédia do calvário não é de modo algum o seu epílogo.

O missionário da Galiléia continua em ação, a sua missão está em plena atividade. Sublime, forte e poderoso ele tem vivido, vive e viverá no coração dos que tem fome e sede de justiça.

3 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 4


O MESTRE

As igrejas erguidas para adoração ao Senhor em todos os cantos andam cheias de gente. Dia após dia pessoas nelas adentram. Porém, não são poucas as que buscam o evangelho, e até pregam o evangelho, atendendo a sentido demagógico.

Na verdade, os templos de pedra estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos.  

Inúmeros devotos entendem encontrar na divina providência uma força subornável, eivada de privilégios e preferências. Querem o Cristo para que o Cristo os sirvam, cultivam a oração pretendendo subornar a justiça divina, compartilham demonstrações e expressões de fé à caça de vantagens pessoais no imediatismo das gratificações terrestres. Enfim, muitos tentam subornar o poder celeste pela grandeza material das oferendas, ao passo que outros se socorrem do plano espiritual com o propósito de solucionar problemas mesquinhos.

Não há como negar que temos entrado múltiplas vezes no renascimento físico e atravessado os pórticos da reencarnação carreando a consciência pesada de culpas, à maneira de um aposento recheado de lixo e sucata da experiência humana, incapaz de se abrir ao sol da bondade de Deus. Infelizmente, na maioria dos casos não é diferente, ainda consideramos Jesus como aquela criatura colocada à nossa frente para sanar a nossa dificuldade e o nosso desconforto.

Em todos os lugares a idéia se repete, até hoje o Cristo é considerado mais médico do que mestre. Queremos a cura, sim, mas recusamos aprender a lição, buscamos a resposta, mas desconsideramos o aprendizado. Em matéria de realidade espiritual estamos atrasados, dando os primeiros passos. E precisamos deixar a velha concepção que nutrimos de encarar os núcleos do evangelho como hospital, para passar a enxergá-los sob nova ótica, como escola da alma.

Os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida. No imenso conjunto de ensinamentos da boa nova cada conceito adapta-se a determinada situação do espírito nas estradas da vida, e não podemos mais ficar no Jesus pregador. Jesus continua a sua missão suprema de revelar Deus aos homens e de conduzir os homens a Deus, e o Jesus da Galiléia, Samaria, Peréia, está lá atrás na história, falamos agora é no Jesus íntimo.

Precisamos encontrar no excelso amigo não apenas o benfeitor que nos garanta a segurança, mas também o mestre ativo que nos oferece a lição em troca do conhecimento e a luta como preço da paz. Jesus é aquele que responde ao nosso apelo por ajuda e orientação com respeito ao melhor caminho para a meta do destino que o nosso coração busca, enquanto nos detemos presos a certos ambientes. Da mesma forma que conhecemos certos caminhos pelos quais passamos muitas vezes, também ele conhece bem a estrada para as cidades das nossas esperanças desapontadas e das ambições frustradas.

É singular que o mestre não haja legado ao mundo um compêndio de princípios escritos pelas próprias mãos. Ele trouxe o amor puro, imaculado, perfeito, e  recursos humanos seriam insuficientes para revelar a riqueza eterna de sua mensagem.

Clareando nosso campo de ação, ele toca todos os corações aguardando a ressonância de cada qual. O evangelho nada exige e a sua finalidade é sanear a dureza do nosso coração. Ele objetiva clarear o entendimento, como se as mensagens anteriores fizessem o papel de trombetas. Jesus, clareando nosso campo de ação, toca todos os corações aguardando a aplicabilidade da sua lição.

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