3 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 4


O MESTRE

As igrejas erguidas para adoração ao Senhor em todos os cantos andam cheias de gente. Dia após dia pessoas nelas adentram. Porém, não são poucas as que buscam o evangelho, e até pregam o evangelho, atendendo a sentido demagógico.

Na verdade, os templos de pedra estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos.  

Inúmeros devotos entendem encontrar na divina providência uma força subornável, eivada de privilégios e preferências. Querem o Cristo para que o Cristo os sirvam, cultivam a oração pretendendo subornar a justiça divina, compartilham demonstrações e expressões de fé à caça de vantagens pessoais no imediatismo das gratificações terrestres. Enfim, muitos tentam subornar o poder celeste pela grandeza material das oferendas, ao passo que outros se socorrem do plano espiritual com o propósito de solucionar problemas mesquinhos.

Não há como negar que temos entrado múltiplas vezes no renascimento físico e atravessado os pórticos da reencarnação carreando a consciência pesada de culpas, à maneira de um aposento recheado de lixo e sucata da experiência humana, incapaz de se abrir ao sol da bondade de Deus. Infelizmente, na maioria dos casos não é diferente, ainda consideramos Jesus como aquela criatura colocada à nossa frente para sanar a nossa dificuldade e o nosso desconforto.

Em todos os lugares a idéia se repete, até hoje o Cristo é considerado mais médico do que mestre. Queremos a cura, sim, mas recusamos aprender a lição, buscamos a resposta, mas desconsideramos o aprendizado. Em matéria de realidade espiritual estamos atrasados, dando os primeiros passos. E precisamos deixar a velha concepção que nutrimos de encarar os núcleos do evangelho como hospital, para passar a enxergá-los sob nova ótica, como escola da alma.

Os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida. No imenso conjunto de ensinamentos da boa nova cada conceito adapta-se a determinada situação do espírito nas estradas da vida, e não podemos mais ficar no Jesus pregador. Jesus continua a sua missão suprema de revelar Deus aos homens e de conduzir os homens a Deus, e o Jesus da Galiléia, Samaria, Peréia, está lá atrás na história, falamos agora é no Jesus íntimo.

Precisamos encontrar no excelso amigo não apenas o benfeitor que nos garanta a segurança, mas também o mestre ativo que nos oferece a lição em troca do conhecimento e a luta como preço da paz. Jesus é aquele que responde ao nosso apelo por ajuda e orientação com respeito ao melhor caminho para a meta do destino que o nosso coração busca, enquanto nos detemos presos a certos ambientes. Da mesma forma que conhecemos certos caminhos pelos quais passamos muitas vezes, também ele conhece bem a estrada para as cidades das nossas esperanças desapontadas e das ambições frustradas.

É singular que o mestre não haja legado ao mundo um compêndio de princípios escritos pelas próprias mãos. Ele trouxe o amor puro, imaculado, perfeito, e  recursos humanos seriam insuficientes para revelar a riqueza eterna de sua mensagem.

Clareando nosso campo de ação, ele toca todos os corações aguardando a ressonância de cada qual. O evangelho nada exige e a sua finalidade é sanear a dureza do nosso coração. Ele objetiva clarear o entendimento, como se as mensagens anteriores fizessem o papel de trombetas. Jesus, clareando nosso campo de ação, toca todos os corações aguardando a aplicabilidade da sua lição.

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