7 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 5

CRISTO REDIVIVO

“18NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS; VOLTAREI PARA VÓS. 19AINDA UM POUCO, E O MUNDO NÃO ME VERÁ MAIS, MAS VÓS ME VEREIS; PORQUE EU VIVO, E VÓS VIVEREIS.” JOÃO 14:18-19

É comum a pessoa entrar em uma igreja e, ao primeiro lance de vista, quase que invariavelmente, destacar a imagem de Jesus pendente ao madeiro, fronte abatida, queixo caído sobre o peito, olhos cerrados.

Em uma enormidade de altares, mesmo os destinados a esse ou àquele patrono, há no sopé, infalivelmente, o Cristo morto. Em muitos lares não chega a ser diferente, predomina o mesmo hábito, é para a cruz que se apela em todos os tons. Diante das emergências da vida, seja nos atos solenes, trate-se de acontecimento alegre ou triste, quer se chore ou ria, quem a tudo preside é sem dúvida o Cristo morto, cuja efígie muitos chegam a trazer pendurada no pescoço.

Várias religiões aboliram o ídolo, porém se mantém apegadas à mesma idéia. A mudança não foi além da idolatria. Basta observar com atenção o que se passa em muitos credos ditos cristãos para se verificar que muito do movimento ali sustentado e desenvolvido gira em torno do Cristo morto. Continua vigorando o Cristo morto no dogma da redenção pela virtude do seu sangue. 

Não há muita alteração, aqui e ali se anuncia com toda a ênfase o Cristo crucificado. É a efusão do sangue, é o sacrifício cruento, enfim, é a morte que chega a encerrar todo prestígio, todo valor e toda a magia da obra messiânica. Chega a parecer que a ela se reduz o alfa e o ômega do cristianismo. Sob este prisma a missão de Jesus teve início na manjedoura e finalizou no topo do calvário.

Assim, onde é que fica o Cristo vivo, ressuscitado? O que foi feito dele? Se não ficamos órfãos do seu amor, verdadeiramente porque veneramos tão enfaticamente o Cristo morto, esquecendo do Cristo vivo que prometeu manifestar-se em nossos corações e aí fazer morada? Porque o buscamos na cruz, impotente e morto, quando o podemos tê-lo redivivo e forte atuando em nossas almas e compelindo-nos à conquista da vida eterna? O que muitos religiosos tradicionais pretendem do instrumento da sua morte? Indagamos, pois, afinal, qual é o maior, o sacrifício ou o ideal que mereceu esse sacrifício? Vindo ao mundo, Jesus teve por alvo o martírio da cruz ou a salvação da humanidade?

Temos que nos questionar. Onde se situa o ideal por ele acalentado? Qual a sua missão?

A crucificação do Filho de Deus não foi, antes de tudo, um crime? Um produto da cegueira e da maldade dos homens? Um crime que, previsto pelo próprio Jesus, foi por ele arrostado corajosamente no desempenho do mandato que lhe fora confiado?

Não está claro que Jesus subordinou o sacrifício ao ideal porque é na consumação do ideal que se acha o empenho? Porque muitas igrejas cristãs se esquecem do ideal para eternamente rememorarem o sacrifício, fazendo desse sacrifício o objeto máximo do seu culto? Não será que assim procedendo chegam mesmo a invalidar o próprio sacrifício pelo descaso ao ideal que encerra a razão desse sacrifício?

A necessidade prevista pelo nosso irmão e mestre é a redenção humana. O fato de ele ter sido sacrificado não representa, como se supõe, uma necessidade.

Aquilo foi pedra de tropeço que o egoísmo do século lançou para tolher-lhe os passos. E Jesus removeu-a. A humanidade não deve a sua salvação à cruz, deve-a ao amor de Jesus Cristo. Nada justifica a adoração ou veneração do madeiro.

Não é na morte de Jesus que está a nossa salvação, é na sua vida, na sua palavra, intérprete da verdade eterna, é nos seus ensinos, nos seus exemplos. A morte de Jesus obedeceu à vontade humana, enquanto que a obra da salvação do mundo obedece aos desígnios de Deus. São coisas distintas, amigos.

O Cristo de Deus não morreu, a tragédia do calvário não é de modo algum o seu epílogo.

O missionário da Galiléia continua em ação, a sua missão está em plena atividade. Sublime, forte e poderoso ele tem vivido, vive e viverá no coração dos que tem fome e sede de justiça.

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