10 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 6

PRATICIDADE

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO”. JOÃO 15:14

No decorrer do tempo, todas as frentes religiosas vem operando, desde a instauração do cristianismo, sob a importância aplicativa da mensagem do Cristo.

E nós temos aqui dado uma ênfase toda especial a isto. O evangelho que nos interessa intimamente é o evangelho prático. Em um mundo de conturbação a que estamos ajustados, o simples aprofundamento da filosofia já não nos tem atendido em nossas necessidades mais íntimas.  Somos hoje convocados a não nos contentarmos com um evangelho puramente descritivo ou histórico, fixado no tempo e no espaço.

Na atualidade, surge uma necessidade imperiosa da instauração de uma evangelização não sob uma pregação sistemática milenar de um evangelho periférico, mas de uma sensibilização de prática do conhecimento dele na vida comum nossa de cada instante em sua linha de praticidade.

É isso mesmo! O que eu quero saber é como utilizar o evangelho para minorar o sofrimento que tem me afligido, como utilizá-lo para melhorar as minhas relações pessoais dentro de casa, como usar os seus ensinamentos para realizar objetivos que são importantes para mim. É preciso bater sempre neste ponto.

Temos que ter o evangelho nos ajudando a nortear os passos dentro da caminhada de vida. Os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida, no imenso conjunto de valores da boa nova cada conceito adapta-se a determinada situação do espírito nas estradas diversas. O evangelho que nos interessa é aquele que nos auxilie no dia a dia.

O que eu vou dizer não é para deixar ninguém desapontado, mas a lição de Jesus ainda não foi compreendida. Por mais que não pareça, a cristianização das almas humanas ainda não foi além da primeira etapa. Estamos hipertrofiados em conhecimento e isso é notório.

Exemplo disso é que se a entrada ao reino dos céus fosse condicionada a uma prova de múltipla escolha o resultado seria aprovação geral, todo mundo aprovado com louvor. Imagine as questões: 1-O evangelho ensina que a gente deve amar ou espancar? O indivíduo pensa: “Ah! Esta eu sei...!” 2-Você caminha na rua e ao se deparar com uma pessoa caída ao chão deve estender a mão ou chutar? 3-Mediante uma contrariedade a gente deve agredir ou perdoar? E assim por diante.

O que quero dizer é que estamos cheios de conhecimentos, porém, acentuadamente atrasados na capacidade de operar. É isso aí, o evangelho é um chamamento para fazermos aquilo que nós sabemos e não fazemos ainda. Dei exemplos muito simples, mas pense em outros mais complexos. Jesus não nos ensinou atos religiosos, e sim procedimentos científicos para o nosso próprio bem viver.

Evangelho é vida. E vamos fazer o que, cercear a vida? Não, de forma alguma. Não dá!

Vida não é bloquear, é expandir. Por isso é precioso aderir ao evangelho na piedade, no entendimento e na caridade. A lição do mestre não constitui tão-somente um impositivo para os misteres da adoração. De forma alguma. Evangelho não se reduz a breviário para o genuflexório, o Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Não devemos nos deter em uma falsa contemplação de Deus à margem do caminho, afinal, o cristão não é flor de ornamento para igrejas isoladas.

O evangelho tem que circular em um plano aplicativo de interação com as pessoas. Ele é código de boas maneiras no intercâmbio fraternal. Mais ainda, define um código de vida que pressupõe a instauração de uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor daqueles que sofrem, de modo que os ensinamentos do Senhor não sejam relíquias mortas nos altares frios de pedra.

O próprio Jesus nos disse que seremos seus amigos se fizermos o que ele nos manda (“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. João 15:14).

Ora, é fácil reconhecer que os comandantes da perturbação e da delinquência não conhecem amigos, de vez que o tempo se incumbe de situá-los no ponto certo que lhes cabe na vida, extinguindo a hipnose de ilusão com que se jungem aos companheiros. O Cristo, porém, dispõe de amigos reais que se multiplicam em todas as regiões do planeta terrestre, à medida que os séculos que se lhe sobrepõem à crucificação.

E esses amigos que existem no seio de todas as filosofias e crenças não se distinguem tão-só por legendas exteriores, mas porque se associam a ele, em espírito e verdade, entendendo-lhe as lições e praticando-lhe os ensinos. Logo, se já aceitamos o evangelho por norma de elevação de vida procuremos, acima de tudo, ocupar as nossas mãos em atividades edificantes, a fim de podermos ser realmente úteis àqueles que necessitam.

Caminhemos sempre na linha do amor a Deus, na vertical, e ao próximo, na horizontal. Se nos afeiçoamos ao Senhor não nos situemos por fora do serviço cristão.

E vamos guardar uma coisa: o evangelho tem sentido de eternidade e de continuidade, ele é algo do presente.

Embora apresente milênios, é indiscutível o caráter de contemporaneidade dos textos bíblicos. Todos os fatos ou ensinamentos neles contidos, embora se revistam de características históricas inerentes ao tempo em que ocorreram se refletem nos dias atuais, os ensinamentos neles contidos são atemporais. Não nos esqueçamos disso nunca, o evangelho apresenta essas linhas de coerência.

A importância das mensagens, das cartas, das orientações, é entender que elas são universais e que tem uma atualidade em qualquer momento, uma vez que as dificuldades e anseios dos homens passam por alguma faceta que tange aquilo que foi mencionado em cada uma delas.

Observamos outra coisa. Normalmente, as religiões costumam levar o religioso ou simpatizante àquela época de Jesus. Costuma levar naqueles dias de Jesus. Porém, falar do texto lá atrás não nos interessa mais, não é nosso interesse ficar analisando os textos exclusivamente dentro da sua fisionomia histórica. Nós não estamos aqui para estudar a história do evangelho, não estamos com a cabeça há dois mil anos atrás. Além do que, será muito difícil pegar a contingência do nosso contexto social de hoje e jogar naqueles dias da época de Jesus.

O papel interessante que nos cabe fazer é ir lá atrás e trazer o acontecimento para o agora. Deu para perceber? Enquanto as igrejas tradicionais nos levam atrás de Jesus, o importante é trazermos Jesus para a atualidade. É por aí, saber interpretar a mensagem de redenção que nos foi trazida. Não partindo do hoje para o ontem, mas trazendo a boa nova para os dias e problemas atuais.

O Jesus da Galiléia e da Peréia está lá atrás na história. Nós falamos agora é no Jesus íntimo.

Nós estamos indo lá e trazendo para cá. A questão é ir lá e trazer o evangelho para hoje. O que nos interessa é fazer a conjugação do ensino concreto para uma introjeção e trabalhar dentro do plano da intimidade. Afinal, estamos discutindo assuntos de nossa estrutura pessoal, o que nos interessa é falarmos de nós agora.

Por isso, amigos e amigas, saibamos analisar também as curas de Jesus (e temos feito) ao nível dos padrões interiores. Nós estamos no trabalho espiritual, estamos estudando aqui a intimidade do ser, com percentual maior ou menor de informação. Estamos buscando sair do fato para trabalhar o íntimo. E trabalhando o íntimo com certeza passamos a situar em um caminho novo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...