14 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 7

SENTIDO AMPLIADO

“SABENDO PRIMEIRAMENTE ISTO: QUE NENHUMA PROFECIA DA ESCRITURA É DE PARTICULAR INTERPRETAÇÃO.” II PEDRO 1:20  

É muito grande o número de pessoas que comentam que não entendem a bíblia.

Falam que não a compreendem e até mencionam a falta de objetividade dos textos sagrados.

Para começar, todo conteúdo bíblico é um conteúdo que vai permanecer. Ele não tem que ser renovado ou mesmo alterado de maneira objetiva como alguns chegam a sugerir. A questão é muito simples, ao estudarmos a bíblia nós estamos estudando em cima de registros figurados, e não de registros objetivos. E esse registro figurado, que normalmente vige por parte daqueles que nos trouxeram as revelações, inserem uma soma ampla de informações que nós vamos conseguindo abranger de acordo com o nosso próprio crescimento.

Todo o texto apresenta sentido amplo de revelação e em razão disso não pode ter uma diretriz de percepções restritas, o que denota a necessidade de o trabalharmos sob um aspecto globalizado. E como decorrência clara disso nós nunca vamos encontrar no conhecimento do evangelho, por exemplo, um ponto particularista, fechado.

Pelo fato das revelações e profecias apresentarem um conteúdo abrangente elas precisam ser trabalhadas conforme o patamar íntimo de cada um. Isso precisa ser entendido com clareza, a linguagem bíblica não é objetiva porque ela tem um sentido ampliado e não pode interferir no sagrado momento de decisão do espírito.

Na eventualidade de termos um evangelho simples e objetivo, ao invés do conteúdo ampliado que ele apresenta, isto é, no caso dele ser específico como uma cartilha (por exemplo: em uma situação desse tipo faça assim, em uma situação de outro jeito faça daquela forma...), nós não seríamos filhos de Deus, mas seríamos autômatos dele. E onde ficaria a nossa liberdade de escolha? E quanto aos graus de percepção e entendimento diferenciados de cada criatura?

De forma alguma os textos precisam ser alterados, nós é que nos renovamos e passamos a penetrá-los de forma mais aprofundada. Se não entendemos algo o erro é puramente nosso de interpretação. Aliás, evangelho é mensagem que se estende ao infinito e apresenta coisas que nós estamos começando a entender.

Você mesmo já notou isso, hoje compreendemos o que não entendíamos ontem, amanhã entenderemos o que agora se mostra incompreensível. Evolução é assim, para uma infinidade de ensinamentos ainda nos faltam “ouvidos de ouvir” e “olhos de ver”.

E se o evangelho está saindo de sua expressão em que foi trabalhado e estruturado para se ajustar à nossa intimidade, que é onde realmente opera no plano transformador do ser, uma vez que é na nossa intimidade que ele efetivamente funciona, os personagens bíblicos chegam até nós hoje dando-nos condições de identificá-los ou não como ângulos diversos de nossa personalidade.

Já tivemos oportunidade de observar isto em capítulos anteriores, notadamente quando trabalhamos os capítulos que referenciavam Zaqueu e o cego de Jericó.

Quanto aos lugares e regiões, referenciados nas escrituras, não é diferente. Os ambientes diversificados dos textos encontram-se presentes na extensão territorial de nossa alma, praticamente definindo estados de espírito ou regiões psíquicas.

Afinal, ao longo de inúmeras páginas de estudo não deve ser novidade para ninguém que todo o território do evangelho está dentro da gente, em nosso mundo íntimo.

Existem pessoas que vivem quase que exclusivamente presas ao passado. “Eu já fui muito feliz em uma determinada época da minha vida”, ou “depois que perdi fulano(a) minha vida nunca mais teve alegria”. Estes são exemplos claros de pensamentos exteriorizados por um agrupamento de saudosistas, que por razões diversas prendem-se às retaguardas da existência, mantém-se nos pretéritos do caminho. De forma que para muitas pessoas o presente representa, em certos ângulos, escombros do desmoronamento de valores que mantinham a luz acesa, trazendo obscuridade à luz do sol, tantas vezes citado no evangelho como o fulcro irradiador de toda uma expressão de vida. Está na hora de retificar determinadas idéias. Se eu me ligo só no ontem eu me prendo.

Outros insistem em se manter presos às linhas de ansiedade direcionadas ao futuro. Não estão dispostos a serem felizes hoje, a felicidade para eles representa um fim quando na verdade deveria constituir-se em meio. Colocam a felicidade como consequência da conquista de um objetivo ou da dissolução de um problema: “Eu serei feliz quando,...” Fica sempre no amanhã. Por isso, fica um recado importante: quanto mais eu formalizar a minha conquista em uma pretensa conquista de bem estar na frente mais difícil fica a caminhada, quem coloca a felicidade como destino não consegue ser feliz durante o percurso.

Estamos dizendo isso e parece que estamos mudando de assunto. Mas não. O evangelho é algo do presente. E a vida, em seu sentido substancial, presente em cada passagem do texto milenar, nos aponta para sua infinita dimensão temporal.

O tempo é uma corrente que flui dos eventos temporais percebidos pela consciência da criatura. Para o homem, ele surge como uma sucessão de eventos reconhecidos e diferenciados. No entanto, à medida que o homem ascende e progride interiormente a visão amplificada dessa sucessão de eventos é tal que ele pode discerni-la cada vez mais na sua totalidade. Aquilo que anteriormente surgia como uma sucessão de eventos passa a ser visto como um círculo inteiro e perfeitamente relacionado. O que queremos dizer com isso é que prendendo-nos de forma rígida ao passado ou nos limitando às diretrizes do futuro não vivemos, pois viver é ato do presente e só podemos viver o agora.

Logo, precisamos aprender a sair da vida relativa do agora para vivermos o eterno, ou melhor, temos que aprender a viver o agora, mas na moldura da eternidade.

O “primeiro e último” representa a eliminação da esteira de espaço e de tempo. E vive-se o eterno. E vivemos o eterno quando acabamos com aflições. Sem comparações, sem dissensões, cada um fazendo na pauta do que é capaz de operar.

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