17 de set de 2011

Cap 16 - Como Estudar o Evangelho - Parte 8 (Final)

LETRA E ESSÊNCIA

“O ESPÍRITO É QUE VIVIFICA, A CARNE PARA NADA APROVEITA; AS PALAVRAS QUE EU VOS DISSE SÃO ESPÍRITO E VIDA.” JOÃO 6:63  

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

Tem gente que para falar no evangelho faz um poema para começar a palestra.

Faz desenhos, utiliza-se de gravuras belíssimas. Se o assunto é a pesca maravilhosa começa pelo Tiberíades. Fala dos peixes, dos barcos, descreve Simão com riqueza de detalhes. Fica lindo. Encanta. Todo mundo bate palma no final: “Nossa, mas como fala!” Tudo muito bonito. Mas se aperta um pouco, nem precisa apertar muito, não sai nada. Isso ocorre porque a grande massa de pessoas é cristã, porém, infelizmente estuda a letra do evangelho, não estuda o evangelho.

Não somos donos da verdade, mas a bíblia não pode ser trabalhada em cima da letra como muita gente propõe.

A letra é um instrumento que pode criar muitas dificuldades para os nossos passos.

Porque a letra é material didático, não é a essência do conhecimento. Vamos entender que toda a transcrição do evangelho e do velho testamento é instrumento didático. A letra bíblica é material didático sem o qual não há aprendizado, mas ela não é a essência do conhecimento. E a grande massa ingere o material didático como se fosse o conteúdo, a essência, e nem o mastiga.

Nós sabemos que o curso primário, na instrução infantil, necessita de colaboração de figuras para que a memória da criança atravesse os umbrais do conhecimento. Porém, aquele que quiser estudar a bíblia em cima da periferia da letra vai ficar trabalhando contra a própria natureza, pois didática é uma coisa e conteúdo é outra. E equívocos na interpretação muitas vezes ocorrem por tomar-se ao pé da letra expressões que são figuradas. Por esta razão, todas as vezes que a gente leva o assunto para o plano literal nós costumamos ter problemas.

O evangelho é manancial (origem, fonte perene, perpétuo, imperecível, que não acaba, eterno, incessante, ininterrupto, contínuo, que corre sem cessar, abundante) e recurso inesgotável de ensinamentos. E nele não tem nada que não tenha razão de ser. Isto é para ficar bem guardado, todas as expressões contidas no evangelho tem entre nós a sua história viva, nenhuma delas é símbolo superficial, nenhum ato do divino mestre é destituído de significação.  Se o próprio vento possui direção, Jesus não nos transmitiria uma lição ao acaso.

E não sabemos o que podemos tirar ou colocar no evangelho. O que importa é que se está contido no evangelho temos que tentar encontrar alguma coisa positiva. E o que pesa muito nessa interpretação não é a questão do fato analisado parecer estranho ou difícil, mas a nossa capacidade maior ou menor de compreender.

O evangelho é todo ele simples na sua essência. Na letra ele é material didático, é recurso didático por meio do qual a sapiência pedagógica de Jesus nos ensina a aprofundar no conteúdo. Então, vai depender da nossa simplicidade e do nosso carinho para compreendermos a essência lá no fundo da letra.

O que estamos falando é muito bonito, estamos analisando partes básicas que o evangelho abre para nós. São critérios de estudo e interpretação do evangelho de Jesus: saber retirar o espírito da letra, e saber situar-se na mensagem, no tempo e no espaço.

Em todas as traduções dos ensinamentos divino é imprescindível saber separar da letra o espírito, buscando a essência para além da letra que a transporta. Tirando, inclusive, de cada cura de Jesus a essência renovadora dentro de cada feito dele. Porque o evangelho está repleto de símbolos e precisamos compreender o símbolo e dele tirar a ressonância para nossa caminhada de vida.

A linguagem de Jesus é toda espiritual. Quem quiser compreendê-lo deve buscar sempre o sentido dos seus dizeres sob o prisma puramente espiritual. É preciso buscar na intimidade da letra o que Jesus quis apresentar. Ele serviu-se da forma, empregando-a para designar pensamentos transcendentes, dos quais a forma, em si mesma, não pode dar uma idéia precisa e clara. Por isso eu vou repetir: o que estamos falando é muito mais importante do que parece.

O evangelho é uma mensagem direcionada ao espírito em sua essencialidade. É roteiro das almas, e com a visão espiritual deve ser lido. Nós temos necessidade de ir além da forma, ou seja, desprezar a letra, a vestimenta da linguagem, e buscar o espírito, pois só este é capaz de nos fazer penetrar a mente e o coração do mestre. Saber analisar os feitos de Jesus ao nível dos padrões interiores, porque toda a postura é muito mais mental, psíquica, íntima, do que a gente possa imaginar. E atrás de cada simbologia que o texto apresenta sempre encontramos mensagens que precisamos, lembrando de buscarmos continuamente o conteúdo espiritual, que dá vida, universalidade e eternidade à boa nova.

E mais uma coisa: que daqui para frente nenhum símbolo, ou mesmo algum motivo de sugestão, possam induzir o interessado a crer sem compreender, nem aceitar sem raciocinar em seus conteúdos. E muito menos deixemos que o novo conhecimento, que às vezes falta por aí afora, venha a criar em nós alguma presunção. Sejamos sempre simples, fraternos, integrativos e humildes.

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